Exame: Cidade de super empreendimento de Eike enfrenta dias ruins

A cidade de São João da Barra, escolhida para receber o Superporto de Açu, perdeu mais de mil postos de trabalho em 2013 após anos de números positivos
 
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Beatriz Souza, de 

Reprodução/LLX 

Superporto de Açú

 O anúncio da construção do Superporto de Açú estimulou a criação de quase 4 mil empregos entre 2006 e 2012 em São João da Barra (RJ); neste ano a história se inverteu

 

São Paulo – A cidade de São João da Barra, no Rio de Janeiro, foi a escolhida para receber o maior empreendimento de Eike Batista, o Superporto do Açu. O investimento na ordem de 3,8 bilhões de reais prometia trazer um boom de desenvolvimento para a cidade de apenas 33 mil habitantes. Hoje, no entanto, ela parece refletir a crise do grupo EBX

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre janeiro e setembro deste ano, São João da Barra perdeu 1.117 postos de trabalho formais.

É a primeira vez desde o anúncio do empreendimento que a cidade sofre com fechamento de vagas, que só vinham aumentando ano a ano. Entre 2006 e 2012, 3.900 empregos com carteira assinadas foram criadas.

A queda no número de empregos impactou diretamente o setor de serviços da cidade. Segundo reportagem do G1, no primeiro semestre de 2013, a prefeitura de São João da Barra perdeu R$ 36 milhões em arrecadação de impostos.

O secretário municipal de Fazenda, Ranulfo Vidigal, acredita que a situação é temporária. Ao mesmo portal, disse que o município perdeu mil empregos num universo em que 10 mil foram criados.

“Muitas pessoas voltaram para suas bases. O que o município perdeu foi a demanda de serviços destas pessoas. Na minha previsão, esta perda é temporária. Um contrato entre a OSX e a Mendes Júnior voltará a trazer empregos a partir de março”, disse o secretário ao G1.

Colapso de Eike

No começo do mês, a petroleira OGX comunicou ao mercado que não vai pagar a seus credores cerca de US$ 45 milhões das parcelas referentes a juros de dívidas emitidas pela empresa no exterior que venciam dia 1º de outubro. Nesta quarta-feira, a empresa acabou entrando com o pedido de recuperação judicial e agora precisa apresentar um plano de reestruturação para pagar tudo o que deve.

A turbulência nos negócios de Eike começou há mais de um ano, quando a OGX passou a apresentar resultados de produção muito abaixo das expectativas do mercado e das próprias projeções da empresa.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/cidade-de-super-empreendimento-de-eike-enfrenta-dias-ruins

O GLOBO: OSX, estaleiro de Eike, pode pedir recuperação judicial nesta sexta-feira

A empresa tinha um total de R$ 5,3 bilhões  em dívidas em 30 de junho, último dado disponível . Informação foi publicada no blog de Ancelmo Gois nesta quinta-feira

DANIELLE NOGUEIRA , LUCIANNE CARNEIRO,  NICE DE PAULA e BRUNO ROSA 

O navio-plataforma OSX-1, na Bacia de Campos Foto: Divulgação

O navio-plataforma OSX-1, na Bacia de Campos Divulgação

RIO – Dois dias depois de a petroleira OGX entrar com pedido de recuperação judicial, outra empresa do grupo de Eike Batista, a OSX (construção naval), deve seguir o mesmo caminho. Segundo fontes, a companhia – com dívidas de R$ 5,3 bilhões em junho – pode protocolar hoje pedido no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, criando uma situação inusitada no mundo jurídico: duas empresas do mesmo grupo disputam uma dívida que pode chegar a R$ 2,4 bilhões e cuja resolução será crucial para o sucesso dos planos de recuperação que serão apresentados a seus credores. A data do pedido de recuperação da OSX foi antecipada pelo colunista Ancelmo Gois em seu blog nesta quinta-feira

A OSX, que tem entre seus ativos o estaleiro em São João da Barra, no Rio, foi criada para atender basicamente as encomendas da OGX. Uma das plataformas alugadas pela OSX à OGX é a OSX-1, que está no campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. Seu contrato foi rescindido pela OSX na terça-feira. A empresa reivindica R$ 2,4 bilhões em verbas rescisórias e pagamentos atrasados, mas a OGX reconhece apenas R$ 770 milhões desse montante. A petroleira admite ainda débitos de R$ 47 milhões referentes a serviços prestados, segundo fontes a par das negociações. Caberá à Justiça deliberar sobre o valor real da dívida. A OSX é a segunda maior credora da OGX (que tem dívidas totais de R$ 11,2 bilhões).

O escritório que está à frente do processo da OSX é o Mac Dowell Leite de Castro Advogados. A consultoria Alvarez & Marsal é responsável pela reestruturação. Como OSX e OGX têm pendências financeiras, o pedido de recuperação não poderia ser feito pelo escritório de Sergio Bermudes, responsável pela OGX.

Nesta quinta, a OSX divulgou comunicado em que diz que “poderá vir a exercer o direito legal à recuperação judicial, caso a sua administração verifique ser esta a medida mais adequada para a preservação da continuidade de seus negócios”.

No comunicado, a empresa diz que as medidas para a reestruturação podem incluir “combinações empresariais”. A companhia destacou, no entanto, que as operações continuam normalmente, não comentando a informação de uma possível demissão de 200 funcionários, previstas para a próxima segunda-feira, segundo a nota publicada pelo GLOBO:

“A companhia vem cumprindo o seu dever de estar preparada para a eventualidade de vir a exercer tal direito legal, enquanto segue trabalhando normalmente em seus negócios, nas diversas frentes de diálogo que mantem em curso simultaneamente, visando avançar em suas iniciativas de reestruturação, incluindo potenciais combinações empresariais”, diz o comunicado.

Dívidas com bancos públicos

Entre os credores da OSX estão o BNDES (R$ 548 milhões) e a Caixa (R$ 1,1 bi). Do montante devido à Caixa, R$ 400 milhões venceram este mês, e a empresa renegocia o débito.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou nesta quinta que deve renovar o prazo do empréstimo-ponte da OSX, que vence no fim de novembro. Segundo Coutinho, há um empréstimo de R$ 418 milhões (com base no contrato de dezembro de 2011). Em valores atuais, o número chega a R$ 548 milhões.

– A OSX tem muitos ativos valiosos, e o valor dos ativos supera suas dívidas. Nesse sentido, dar tempo para que as soluções possam acontecer é uma estratégia sensata – disse, após participar de um evento pela manhã no Rio.

À tarde, em outro evento, Coutinho reforçou que a exposição do BNDES é pequena e garantida por fiança bancária:

– (A exposição) está equacionada, sem prejuízo para os nossos créditos.

O BNDES, afirmam fontes, não tende a ser protagonista nem na recuperação nem na bancarrota das empresas X. A avaliação é que o banco não vai liderar uma ação entre os credores, como ocorreu com a Marfrig. No entanto, não vai se opor a uma solução, mesmo que ocorram perdas ou renegociação de prazos.

De acordo com fontes do setor naval, o estaleiro OSX, que conta com uma área de 3,2 milhões de metros quadrados, deve ser “fatiado”. O espaço se transformaria em áreas que serão usadas por várias empresas:

– Todo aquele projeto grandioso não existe mais. A ideia é arrendar as partes do espaço para contratos específicos.

Com rumores da recuperação judicial, as ações da OSX caíram 27,41% na quinta-feira.

Rescisão de contrato com a OGX

Nesta terça-feira, o estaleiro anunciou que vai rescindir o contrato de afretamento de uma plataforma com a OGX, o que dificulta ainda mais a sustentabilidade das finanças da empresa de petróleo do grupo e torna pública uma guerra que vinha sendo travada entre as duas empresas nos bastidores das negociações para reestruturação do grupo.

A plataforma é a OSX-1, que estava instalada no campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos. Tubarão Azul é o único campo de petróleo da OGX em operação, mas já vinha apresentando problemas operacionais, o que levou à interrupção de sua produção desde julho deste ano.

A disputa entre as duas empresas é por valores que são devidos pela OGX à OSX, que foi um dos pontos que atrapalhou as negociações com os credores, já que, assim, não se consegue saber ao certo o tamanho da dívida.

Segundo as propostas feitas a credores pela OGX em reuniões nos últimos dois meses, a OGX considera que sua dívida com a empresa-irmã é de US$ 900 milhões. Já a OSX reivindica US$ 2,6 bilhões, segundo os mesmos documentos. Como credor da OGX, a OSX terá que aprovar o plano que será apresentado após o pedido de recuperação judicial.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/osx-estaleiro-de-eike-pode-pedir-recuperacao-judicial-nesta-sexta-feira-10642400

Portal G1 faz ampla cobertura dos efeitos do colapso do Grupo EBx em São João da Barra

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O Portal G1, da Globo, publicou online no dia de hoje uma ampla matéria, com vídeos e sequências fotográficas, documentando os efeitos dramáticos que a implantação do porto do Açu e o colapso do Grupo EBX vem causando em São João da Barra.

Os links para acessar todo o material são os seguintes:

De Império “X” ao Ex-Império

São João da Barra (RJ), 21/03/2013 - Lula e Eike Batista

Ainda levaremos algum tempo e tinta para  analisar e entender as repercussões do colapso do império da franquia das empresas “X”, que agora passa a ser um “EX” império. Mas uma coisa é certa: esse colapso representa a síntese de um colapso ainda maior que é o do modelo de capitalismo de face supostamente nacional e benigna que foi engendrada durante o governo de Luis Inácio Lula da Silva. Afinal de contas, não se pode entender a ascensão e queda meteórica de Eike Batista, sem se entender as relações que ele manteve com governantes do quilate de Lula, Dilma Rousseff e Sérgio Cabral.

Aliás, Sérgio Cabral é um dos maiores perdedores dessa situação trágica, pois usou todos os poderes que dispunha para empurrar goela abaixo da população fluminense (em especial da região norte do Rio de Janeiro) um modelo de ação em que o Estado, em vez de ser parceiro, se tornou cúmplice de uma série de desmandos que foram realizados contra centenas de famílias de agricultores e pescadores que viviam há várias gerações no V Distrito do município de São João da Barra.

Assim, de forma direta, o colapso de Eike e seu ex-império de empresas pré-operacionais é uma espécie de julgamento político da miragem di capitalismo sem conflito de classe que Lula criou. Ainda que seja agora, o ônus histórico será cobrado de Lula e do PT. É só uma questão de tempo.

Enquanto isso há que se exigir a imediata anulação dos decretos de desapropriação, o retorno das terras aos agricultores expropriados, e o estabelecimento de pesadas recompensas financeiras para compensar todas as perdas que estes acumularam desde 2009.