Moro e Bolsonaro: criador e criatura lutam por sobrevivência em cenário incerto

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Estamos agora a pouco mais de 24 horas do início das eleições gerais no Brasil no que poderá representar um forte reajuste tanto no legislativo como no executivo. Nesse momento, não deixa de ser curioso notar que dois personagens centrais das eleições de quatro anos atrás estão  em um modus operandi de lutar por sua sobrevivência politica. Curiosamente, após alguns entreveros está havendo uma aproximação entre os dois, com o criador tentando se aproxima da criatura de quem havia se separado por motivos meramente ocasionais.

Falo aqui de Sérgio Moro e Jair Bolsonaro. Enquanto o candidato à reeleição enfrenta um cenário incerto nas pesquisas, o seu ex-ministro da Justiça tampouco vida fácil, podendo não se eleger em seu estado natal, muito em função de um embate com um político experiente, no caso o senador Álvaro Dias.

Mas voltando a 2018, é provável que não se fosse pela prisão do ex-presidente Lula e das constantes operações policiais contra dirigentes do PT, não teria havido o “presidente Jair Bolsonaro”. Tanto isto é verdade que Sérgio Moro jogou fora um emprego estável que garantiria uma aposentadoria confortável para enveredar pelo mundo da política, apenas para se ver descartado pela criatura que colocou no assento de presidente da república.

A fábula de Moro e Bolsonaro é uma expressão clara de como as coisas são levadas pelas elites brasileiras, pois em qualquer país do mundo, Moro não teria sido sequer convidado para ser ministro da justiça após ter cumprido o papel que cumpriu na prisão de Lula e na inviabilização de sua candidatura em 2018.

Em algum momento da noite de amanhã saberemos qual o destino reservado pelos eleitores ao criador e à criatura. Por mim, os dois podem afundar juntos no pântano político em que enfiaram o Brasil.  É que olhando de perto, Moro e Bolsonaro são literalmente feitos do mesmo material, demonstrando não apenas um desprezo igual pela maioria pobre dos brasileiros, mas também uma inaptidão intelectual que os torna símbolos explícitos da decadência política em que nos encontramos em uma conjuntura histórica tão complexa.

Rodrigo Maia ressuscita PEC que pode jogar eleição presidencial para 2020

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De onde menos se espera é que não sai coisa boa mesmo. Acabo de receber o documento abaixo, da lavra do “ilustre” presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM/RJ) que objetivamente ressuscita um projeto de emenda à Constituição Federal (a PEC 77/2003) que objetiva, entre outras coisas, por fim à reeleição majoritária, determinar a simultaneidade de todas as eleições realizadas no Brasil, e a duração de cinco anos para os cargos eletivos em todos os níveis de governo

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Para se medir o grau de interesse na celeridade da análise desta PEC, o documento já foi lido hoje em plenário pelo 2.o vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB/MG), dando início à formação da Comissão que analisará a proposta. 

E aí o mais ingênuo dos brasileiros pode se perguntar sobre qual seria o problema por detrás desta “celeridade”. 

Bom, a primeira e mais importante é a possibilidade de que as eleições programadas para 2018 sejam suspensas até 2020 para que seja assim possível realizar a realização de eleições gerais no Brasil.

E aí, será que a maioria pobre do povo brasileiro vai aceitar ser (des) governada por Michel Temer e sua temerária base parlamentar até 2020? A ver!