Embaixada do Brasil nos EUA em tempos de “remedial English”

bolsonaro filho

Em 1991 estava atuando na Divisão de Ciências Ambientais do Oak National Laboratory em um projeto de pesquisa relacionado aos efeitos das mudanças do uso da terra na cobertura vegetal na Amazônia. Graças a essa posição, tive a oportunidade de conhecer um renomado cientista estadunidense que tive a oportunidade de conversar sobre a experiência dele com o Brasil.  Ele muito cordial me disse que era particularmente fã dos serviços do serviço diplomático brasileiro por causa da extrema competência de seus servidores.

Eis que 28 anos depois assisto ao desprezo completo da excelência do corpo diplomático brasileiro com a possibilidade de que o posto de embaixador brasileiro nos EUA seja ocupado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro do PSL de São Paulo.

Graças à possibilidade de que um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, sem qualquer experiência diplomática, venha a ocupar uma das embaixadas mais importantes do Brasil estão surgindo diversos vídeos mostrando a quase completa ineptitude de Eduardo Bolsonaro no trato da língua inglesa (ver vídeo para exemplo disso). 

Para mim que já passei mais de 7 anos na condição de imigrante temporário (e privilegiado) nos EUA, não posso deixar de ficar preocupado com os centenas de milhares de brasileiros que lá residem em um tempo de perseguições comandadas pelo governo de Donald Trump.  Imaginem que o plano de expulsar milhões de imigrantes, incluindo aí milhares de brasileiros, ocorrer de fato e na guarda de um político que já demonstrou apoio a essa medida absurda ao dizer que sentia vergonha dos compatriotas que estivessem vivendo sem os documentos próprios fora do Brasil.

Mas a questão dos imigrantes brasileiros é apenas um exemplo do que poderia advir da presença de alguém que, objetivamente, não está preparado para defender os melhores interesses do Brasil em um cargo chave.  Entre os muitos desafios que estarão postos está a defesa dos interesses econômicos do Brasil em uma arena global altamente polarizada, e que tem os EUA sob completa pressão de outras potências econômicas e militares. Isto sem falar em alinhar de vez o Brasil com os planos militares do governo Trump para invadir a Venezuela, visto que Eduardo Bolsonaro já demonstrou ser um entusiasta dessa proposição absurda.

Por isso é que ter um embaixador cujo inglês é “remedial” é apenas a ponta de um grave problema que é a indicação de um personagem completamente despreparado para o cargo que deverá ocupar. Não entender isso certamente trará graves prejuízos ao Brasil, e certamente aos brasileiros que decidiram tentar uma sorte melhor nos EUA.