EMEC no Horto: MPE Propõe Ação Civil por Improbidade Administrativa

Por Comissão de Moradores e Amigos do Horto

Após cerca de 15 meses de investigação o Ministério Público Estadual decide propor ao Judiciário AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE RESPONSABILIDADE POR DANOS AMBIENTAIS E POR ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA contra o Município de Campos, o ex-secretário Jorge Ribeiro Rangel, a EMEC Services e seus sócios administrativos Francisco e Fábio Junger.

Em retrospecto, o inquérito inicial foi instaurado no dia 24 de fevereiro de 2015, a partir da representação formulada por moradores vizinhos, os quais se mostraram inconformados com a ocupação da área aos fundos do Horto Municipal pela sociedade empresária EMEC, em função dos transtornos aos moradores e ao meio ambiente, além da suspeita de ilegalidade na cessão de uso do espaço público para uma empresa privada. Os danos ao meio ambiente seriam originados principalmente de fossas construídas para despejo dos dejetos provenientes dos banheiros químicos, e pela degradação da flora local, com reflexos na fauna, para dar espaço a diversas máquinas e veículos de grande porte da empresa, bem como para a construção do galpão da empresa.

A denúncia dos moradores foi publicada inicialmente no blog do Pedlowski (Aqui!), dando partida ao inquérito no MPE. As denúncias também repercutiram fortemente nos blogs de Fernando Leite e Outros Quintais, de Luciana Portinho, de Roberto Moraes, no jornal Folha da Manhã (impresso e online), e na Terceira Via (TV e Jornal online). A comissão de moradores e amigos de Horto agradece por este apoio, mas lembra que a mobilização não terminou, pois a decisão final cabe ao Juiz da Terceira Vara Cível do Fórum de Campos, onde a Ação Pública irá tramitar. A luta inclui a recuperação paisagística da parte do Horto que foi ocupada pela EMEC, para usufruto pela população. 

A ação proposta pelo MPE visa a declaração de nulidade do instrumento de permissão de uso firmado entre a municipalidade e a sociedade empresária EMEC OBRAS E SERVIÇOS LTDA., bem como a responsabilização dos réus pela prática de atos de improbidade administrativa, e pela recomposição dos danos ambientais causados.

Os motivos que levaram o MPE a chegar a esta decisão final são resumidamente apresentados a seguir. No dia 10 de outubro de 2013 o Município firmou com a empresa EMEC um “instrumento de permissão de uso” de uma área do Horto com mais de 5.000 metros quadrados, sem qualquer procedimento prévio que justificasse o interesse público e a economicidade do ato; consta como contrapartida da EMEC, apenas a execução, uma vez por semana (grifo nosso), de serviços de roçada, capina e varrição, e destinação dos resíduos.

Foi constatado que, quando do início da ocupação do espaço público, a EMEC encontrava-se totalmente irregular, não dispondo de Alvará de Funcionamento nem de Certificado do Corpo de Bombeiros, e operando no local sem a devida licença ambiental. A própria Promotoria de Justiça verificou o armazenamento de agrotóxicos e de combustível próximo às residências vizinhas.

Com base nestas constatações, o MPE entendeu que o desenvolvimento de atividade empresarial no interior do Horto Municipal não se compatibiliza com o interesse da coletividade e, tampouco, com as características daquele espaço, que, de acordo com o Plano Diretor, é Área de Especial Interesse de Recuperação e Valorização Paisagística, considerada de proteção do ambiente cultural, e integrante do Setor Especial de Preservação do Município.

 O MPE considerou que a inexistência dos motivos do ato administrativo denota fortes razões para supor o interesse particular em detrimento da municipalidade. Assim, o ato administrativo que ensejou a ocupação do Horto Municipal pela sociedade empresária EMEC, padeceria de vícios insanáveis que o tornam nulo de pleno direito nos termos da Lei Orgânica do Município. Considera também o MPE que ficou demonstrada a prática de atos improbidade administrativa da parte de Jorge Ribeiro Rangel, secretário Municipal de Limpeza Urbana, Parques e Jardins quando da assinatura em 2013 do Instrumento de Permissão de Uso do terreno aos fundos do Horto, e dos sócios administradores da EMEC, Francisco e Fábio Junger.

A Promotoria encaminha que a EMEC deva desfazer as construções promovidas no local sem autorização dos órgãos competentes, e restabelecer a integral recomposição ambiental da área degradada, com a restauração das características originais das construções consideradas de proteção do ambiente cultural.

Finalmente, o parecer do MPE considerou também como violação ao Plano Diretor e à Lei de Uso e Ocupação do Solo do Município a recém instalação, dentro do Horto, da sede administrativa da Superintendência Municipal de Agricultura e Pecuária. Esta instalação se deu em prédio construído há vários anos para instalar originalmente um laboratório de processamento de produtos fitoterápicos produzidos a partir de plantas cultivadas em canteiros situados exatamente no terreno que veio a ser degradado e ocupado pela EMEC.

A Comissão de Moradores e Amigos do Horto conclama a população de Campos a acompanhar o andamento da Ação Civil e a participar deste movimento pela valorização do Horto Municipal. A ampla divulgação nas mídias sociais contribuirá decisivamente para o resgate de uma importante área verde da cidade, degradada pela insensibilidade de alguns administradores.

Moradores do Horto denunciam ações de empresa privada em terreno público!

Empresa privada ocupa e degrada terreno do Horto Municipal

emec

Os moradores do bairro do Horto desejam levar ao conhecimento da comunidade campista o que está acontecendo em um dos seus mais preciosos bens, o Horto Municipal. Solicitamos a imprensa e aos cidadãos conscientes que divulguem ao máximo a situação surpreendente e revoltante que está ocorrendo escondida da opinião pública.

A Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, através da Secretaria de Meio Ambiente, cedeu à empresa EMEC Service, para uso como base operacional em Campos, uma área superior a 6.000 metros quadrados situada no interior do Horto, na parte dos fundos, tendo a referida empresa construído no local um grande galpão para abrigar seus escritórios, demais acomodações e necessidades. A EMEC atualmente presta serviços a Prefeitura de Campos, no cuidado de praças e jardins. Já o Horto Municipal possui seus próprios funcionários efetivos.

Esta cessão levanta imediatamente a questão da legalidade de uma empresa privada utilizar um bem público sem que haja um real benefício para a comunidade. Só este aspecto já bastaria para gerar uma séria discussão na Câmara Municipal, mas a controvérsia não acaba aí, como descrito a seguir.

A empresa também transferiu para o mesmo terreno cerca de dezenove veículos de grande porte, incluindo caminhões-pipa e de transporte de terra, ônibus, além de ruidosas retro-escavadeiras. Para executar as tarefas diárias fora do Horto, a frota de veículos pesados precisa percorrer um caminho de centenas de metros ao longo de toda a extensão do Horto Municipal, passando ao lado de residências vizinhas e de um playground situado na parte da frente do Horto, expondo crianças ao risco de atropelamento e à enorme poeira levantada. A empresa EMEC, já tendo conhecimento das críticas que vínhamos fazendo sobre o risco de morte a que as crianças estavam submetidas, acabou de construir uma cerca de proteção, neste final de março. Mas continua a exposição à poeira e à poluição dos veículos.

Os moradores das residências próximas também vêm sofrendo com o excesso de poeira no ar e com a poluição gerada pela combustão de óleo diesel. São diversos os relatos de problemas de saúde, principalmente de ordem respiratória e oftalmológica. Será que a solução da empresa vai ser asfaltar boa parte do Horto? As queixas também se referem ao ruído dos veículos e ao surgimento de rachaduras nas casas, com a movimentação de veículos de grande porte.

A área atualmente ocupada pela EMEC é mencionada em uma página divulgação oficial da Prefeitura, em 23 de maio de 2011 (ver anexo), como sendo um local (dentro do Horto) onde os visitantes poderiam ter contato com canteiros de hortaliças, leguminosas e plantas medicinais. Na verdade, estes canteiros passaram por processo de deterioração nos últimos anos.

A comunidade tinha a expectativa da implementação de um projeto de recuperação da flora naquela parte do terreno do Horto, para usufruto pela população, fosse para lazer, projetos educacionais, ou como parte de uma reserva ecológica. Ao invés disto, o que se viu nos últimos anos, foi a contínua degradação da área, inclusive com a aplicação de herbicidas em larga escala, culminando agora com a devastação da maior parte da flora para possibilitar a construção do enorme galpão da empresa e a transformação de grande parte do referido espaço em uma garagem de veículos pesados.

São incluídas fotos que mostram os danos causados ao Horto com a vinda da empresa EMEC. Dentre estas, algumas indicam que a empresa estaria despejando dejetos in natura provenientes dos banheiros químicos e dos banheiros do galpão. Neste caso, será inevitável a contaminação do lençol freático.Os moradores estão revoltados e procurando todas as formas de denunciar  este descalabro, e, desde já, se colocam à disposição da imprensa para uma reunião, inclusive como forma de facilitar a visualização da região afetada, já que a esta parte do Horto só é permitido o acesso com autorização da EMEC. O espaço público antes acessível à comunidade foi efetivamente “privatizado”.

Telefones para contato:

Ruben Rosenthal: 999455481

J.C.S. Mulatinho: 999487310

Sílvio G. Mendes: 998786829

Rui V. Leite: 998471780