O mar continua avançando na Praia do Açu. Onde andam o INEA e a Prumo?

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O mar segue avançando e destrói trecho inteiro da Av. Atlântica na Praia do Açu, mas fui informado por um morador daquele local que a Prefeitura Municipal de São João da Barra ainda não interditou a área, o que oferece mais risco, pois até semana passada carros passavam por ali. De forma preventiva, alguns moradores colocaram pedaços de madeira e tijolos para fechar a área.

Abaixo um vídeo foi produzido agora pouco, e que mostra a força do avanço do mar!

Mazelas ambientais em sucessão: mar avança sobre a Praia do Açu e deixa até os canos da CEDAE expostos

Em que pesem os constantes avisos sobre a situação preocupante para moradores que vivem próximos da faixa central da Praia do Açu até agora não se viu nenhuma medida de contenção do processo erosivo que ali está ocorrendo.  O problema é que a omissão dos responsáveis por gerar medidas de mitigação não impede a ação das correntes marinhas, o que não é nenhuma novidade.

Isto vem deixando os moradores da Barra do Açu bastante temerosos quanto ao seu futuro, o que é bastante compreensível. Pois bem, acabo de receber um pacote de imagens enviadas por um morador daquela localidade onde fica claro que as razões para preocupação são bastante reais. Segundo o que fui informado pelo remetente, estas imagens são da tarde desta 4a. feira (04/03) e foram tiradas em pontos próximos à igreja que existe na Praia do Açu, e mostram uma perda acentuada de areia que serviu até para expor a rede de distribuição de água da CEDAE. 

A questão que fica é a seguinte: o que estão esperando as autoridades municipais e estaduais para iniciar m plano de contingência que sirva para minimizar os efeitos desse processo erosivo? No ritmo que vai, eu temo que daqui a pouco o fenômeno da Barra do Açu acabe superando as imagens de destruição que estão ocorrendo em Atafona. E nunca é demais lembrar que tal processo estava previsto no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) produzido pela OS(X) para a construção da chamada Unidade de Construção Naval (UCN).

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 E depois que nenhum dos responsáveis por produzir soluções venha dizer que não foi avisado! Afinal, as imagens acima falam por si mesmas.

Refugiados ambientais

Por Fernando Safatle

Não sou catastrofista. Todavia não é possível ser tão ingênuo ao ponto de não enxergar as mudanças climáticas que estão ocorrendo e a crise hídrica que esta acontecendo com consequências dramáticas. As mudanças climáticas não são ocorrências que irão acontecer no amanhã. Não. Há que reconhecer: são fenômenos que já estão acontecendo agora. A duração do tempo de estiagem esta aumentando e a duração do período chuvoso esta diminuindo. Isto é fato. Tanto é assim, que o ciclo de plantio da soja no Centro-Oeste esta se modificando.

Ninguém podia imaginar que um dia poderia faltar água na região metropolitana de São Paulo. Durante séculos, a crise hídrica era fenômeno natural exclusivo da região do nordeste. São Paulo era sinônimo de abundancia de água e terras férteis: o Eldorado dos nordestinos. Era para lá que se direcionava o fluxo migratório dos flagelados pela seca. Hoje, em pleno período chuvoso, a represa de Cantareira, responsável por abastecer uma população estimada em 6,5 milhões de pessoas na capital paulista está com um volume de apenas 5,1% de sua capacidade, prestes a sofrer um colapso, ou seja, simplesmente secar.

Em levantamento feito pelo Estadão o sistema Cantareira atinge o pior nível de capacidade no mês de agosto, quando entramos no período critico da estiagem. Nesse mês, a vazão media do sistema historicamente calculado baixa para 21,24%. No ano de 1953, quando foi registrado a pior seca o nível em agosto alcançou 14,19%. Agora, em 2014, o nível caiu para 6,28 e, em janeiro de 2015, 5,1%. Ou seja, nunca o sistema da Cantareira baixou em tamanha proporção seu nível.

A crise hídrica não é exclusividade de São Paulo, atinge o sudeste como um todo, abrangendo Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. Das quatro represas que abastecem de água e fornece energia ao Rio de Janeiro, São Paulo e Minas três já estão captando no volume morto: Paraibuna, Santa Marta e Funil.

Para se recompor em níveis que possa garantir o abastecimento de água seria necessário que a estação chuvosa no período de fevereiro-marco  fique acima da media histórica de 60% a 80% a mais. Diante do quadro atual é praticamente impossível disso acontecer.

O que se pergunta nessas circunstancia é o seguinte: o que vai acontecer quando se encerrar o período chuvoso e entrarmos, depois de abril, no inicio da estiagem? Se em pleno período de chuvas as represas não elevam a sua capacidade, ao contrario, diminuindo ao ponto de atingir o volume morto o que se pode esperar no período de estiagem? Certamente, o pior ainda esta por vir.

Diante desse quadro gravíssimo nenhuma autoridade responsável seja do governo estadual seja do governo federal vem a publico explicar para a população o que realmente esta acontecendo, quais são as causas de tudo isso e quais são as medidas que se tem que adotar a curto, médio e longo prazo. O que se vê é um comportamento de desfaçatez e desonesto, que procura tirar qualquer responsabilidade diante do que esta acontecendo, como se a culpa fosse exclusivamente da falta de chuvas. Repete-se aqui, como em todos os outros casos flagrados de corrupção, apesar das impressões digitais e tudo, de procurar se eximirem de qualquer culpa negando ad nauseiam suas responsabilidades. Lamentavelmente, gestou se uma casta política, independente do partido que ocupa o poder, que se pauta pela mediocridade e uma espetacular incompetência na gestão da administração publica. Não conseguem dar a mínima transparência de suas ações e muito menos planejar uma administração que consiga dar respostas concretas aos problemas que elas próprias geraram. A combinação perversa da desonestidade e da incompetência produz a catástrofe. O que esta acontecendo com as mudanças climáticas e com a crise hídrica é a face mais exposta desta combinação explosiva, que pode ter consequências trágicas para a população.

O cientista Antonio Donato Nobre mundialmente conhecido como pesquisador do INPE(Institui to Nacional de Pesquisa Espaciais) deu um depoimento extremamente esclarecedor sobre as causas e consequências do que esta acontecendo com as mudanças climáticas.

Segundo ele, foram desmatados na Amazônia durante os últimos 40 anos, 42 bilhões de arvores, o que equivale a três São Paulo e duas Alemanha. Evidentemente que tudo isso não se fez sem consequências trágicas para o clima do planeta. Apesar de muitos asseclas que circulam nas altas esferas do poder afirmar o contrario (resultado disso foi à atitude da Dilma em não assinar o compromisso de desmatamento zero em 2030 na reunião da ONU) , segundo Nobre, a Amazônia realmente condiciona o clima. O desmatamento muda o clima. A região amazônica funciona como uma verdadeira usina de serviços ambientais. Para corroborar com sua tese ele afirma que cientificamente esta provada que uma arvore da Amazônia com uma copa de 10 metros de raio coloca mais de mil litros de água por dia, via transpiração. Ora, o calculo que faz é de que se considerarmos o território da região amazônico com uma área de cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrado, teríamos, portanto, um volume de 20 bilhões de toneladas de água que a floresta transpira diariamente. O rio Amazonas despeja 17 bilhões de toneladas de água por dia no oceano. Assim, Nobre chega a estonteante conclusão de que a floresta amazônica gera um fluxo de vapor maior do que o do rio Amazonas. O ar que circula pelo continente adentra vai recebendo o fluxo de vapor da transpiração da floresta e da evaporação da água do oceano agregando outros fatores precipita as chuvas.

Dessa forma o desmatamento não causa um problema somente em relação ao CO2 como também causa destruição no sistema de condicionamento climático local. A conclusão da tese de Nobre é estarrecedora: o estrago já foi feito é irreversível mesmo se adotasse o desmatamento zero. A única maneira de mitigar a tragédia é partir para um esforço de guerra realizando um programa massivo de reflorestamento, replantando florestas e recompondo ecossistemas.

Alguns anos atrás tive oportunidade de ler uma entrevista do ministro do meio ambiente da China na revista alemã Dier Spiegel onde ele alertava da possibilidade da região nordeste da China produzir um fenômeno inaudito, por conta da exploração intensiva do solo que estava provocando sua desertificação: os refugiados ambientais. Segundo seu alerta esta região poderia provocar um êxodo de mais de 200 milhões de chineses. Fiquei imaginando as consequências catastróficas de fenômeno dessa natureza e não passava nunca pela minha cabeça que um dia pudéssemos aqui no Brasil, especialmente em São Paulo, imaginar que poderíamos estar na eminência de termos um fenômeno semelhante: refugiados ambientais, fugindo da falta d’água, em uma região que outrora foi palco da abundancia de recursos naturais e que agora são vitimas da incompetência generalizada dos governos estadual e federal. Somado a tudo isso ainda tem o apagão energético causado pela falta d’água. Repito, não sou catastrofista, ate quando, não sei.

Fernando Safatle- Economista- Fernando.safatle@gmail.com

Erosão no entorno do Porto do Açu. René Justen, dá para explicar de novo?

Uma matéria publicada no site do Jornal Folha da Manhã (Aqui!) contém uma declaração do superintendente do INEA em Campos, Renê Justen, que me obriga a pedir diretamente a ele que nos explica melhor o que está dizendo (assumindo que a declaração é realmente dele). Vejamos o que está na matéria da Folha da Manhã:

De acordo com o superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Campos, Renê Justen, um estudo realizado em outubro do ano passado, na Barra do Açu, apontou que a causa da erosão e do avanço do mar não seria proveniente das obras do Porto do Açu, mas fruto de um processo natural, como o que ocorreu na praia de Atafona e no litoral de outros estados, como Bahia e Espírito Santo. “Um Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima) já previa o processo de erosão no Açu. O documento diz que a alteração não está associada às atividades de obras de dragagem do canal de acesso/atracação do Porto do Açu e da bacia de evolução”.

Agora vamos por partes sobre o que o honorável superintendente do INEA declarou, e que precisa de alguma clarificação:

1. o estudo a que ele se refere é o feito pelo professor Paulo Cesar Rosman a pedido da Prumo Logística Global.

2. o RIMA já previa o processo de erosão sim, mas causado pelo processo de construção do Canal de Navegação da OS(X). Esse mesmo RIMA dizia que a construção do Porto do Açu estaria gerando influências sobre o processo de remoção e deposição de sedimentos nas áreas de influência direta e indireta do empreendimento!

Em função dessa clarificação, o que eu tenho a perguntar ao Sr. Renê Justen é simples:

— que tipo de monitoramento o INEA vem fazendo na área que está sendo erodida que permita descartar o Porto do Açu como vetor de influência na ocorrência do processo erosivo em curso naquela região?

E, sim, apontar para o estudo pago pela Prumo Logística não serve como resposta. Ao menos para mim e, com certeza, também para as milhares de pessoas que vivem sobressaltadas com a invasão do mar na Barra do Açu!

Praia do Açu: ontem e hoje. Haverá amanhã?

Acabo de receber um conjunto de fotos tiradas na Praia do Açu: uma em 2013 e outras hoje. Coloco inicialmente uma da área da praia de 2013 e outra de hoje

açu 2013

2013

açu hoje

Hoje (22/01/2015)

Penso que qualquer pessoa poderá notar que a Praia do Açu está encolhendo. De quebra, se olharmos bem na linha do horizonte veremos que entre de 2013 e 2015, o que apareceu foi o Terminal 2 do Porto do Açu! Já a areia……

Agora, para aumentar o senso de urgência de ações de mitigação para conter a devastação, posto duas imagens do dia de ontem no que ainda resta da avenida que existe, ainda, na orla da Praia do Açu.

calçada 2

calçada 1

E ai eu pergunto: os responsáveis por dar respostas ao problema, estão esperando o que para começarem a agir?

Erosão costeira no Açu e seus caminhos misteriosos

Abaixo segue uma matéria produzida pelo jornal O DIÁRIO acerca das novas evidências sobre o problema da erosão costeira na faixa litorânea entre o Porto do Açu e o Farol de São Thomé.  De novo mesmo só o avanço dos estragos, pois o único ator que se manifestou sobre o assunto ( a Prumo Logística Global) continua se apegando a um artefato (o documento produzido pelo professor Paulo César Rosman da UFRJ) que tem pouca ou nenhuma sustentação científica.

O pior é saber que nos procedimentos legais para a emissão das licenças ambientais essa erosão estava prevista, ainda que sem noção da intensidade que tomaria. Nesse sentido, lamentável mesmo é o silêncio das autoridades ambientais em todas as esferas de poder. 

Agora, o que a população da Barra do Açu e de outros localidades litorâneas ameaçadas pela erosão é que o prometido projeto envolvendo a Prumo, a SEMA, a Prefeitura de São João do Barra e o INPH saia do papel antes que toda a faixa litorânea seja afetada por esse processo que misterioso não tem nada.

Mar volta a avançar no Farol e causa estragos

Divulgação: Denis Toledo
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Avanço do mar mobiliza novamente a Defesa Civil e uma nova variante será construída

A Defesa Civil de Campos interditou novamente nesta quarta-feira a estrada litorânea que liga a localidade do Xexé, na praia do Farol de São Thomé, em Campos, ao distrito do Açu, em São João da Barra (SJB). O mar voltou a avançar e destruiu um novo trecho da estrada. Na Barra do Açu, em SJB, o mar atingiu ruas vizinhas à praia na última terça-feira.

O diretor da Defesa Civil de Campos, sargento Henrique Costa, explicou que a variante construída pela prefeitura no Xexé, após parte da estrada litorânea ter sido destruída no início do mês, não foi atingida. “Ela está intacta. Desta vez, o trecho destruído fica a 100 metros da variante, do Farol para o Açu”, disse ele.

Segundo Henrique, a saída será construir nova variante em outro lugar. Novas desapropriações deverão ocorrer, já que existem propriedades particulares no local. “A estrada tinha cerca de oito metros, mas com o avanço do mar, não tem agora três metros”, disse o sargento. A recomendação para os motoristas que estiverem no Farol, com destino ao Açu, é entrar em Baixa Grande.

No último dia 06, foi necessária a primeira interdição na estrada entre o Xexé e Maria da Rosa, no Cabo de São Tomé, devido à destruição de um trecho na curva situada nas proximidades da ponte sobre o Rio Açu. A construção da variante foi concluída no último final de semana e liberada ao tráfego de veículos. Para a obra, a prefeitura precisou de autorização do Parque Estadual da Lagoa do Açu, no Rio de Janeiro, já que a estrada fica dentro do parque.

Culpados – Na Barra do Açu, em SJB, não foi a primeira vez que o mar avançou e atingiu as ruas da praia. Em novembro do ano passado, duas barracas da orla foram destruídas. Dois meses antes, a água do mar atingiu a Avenida Atlântica. Na ocasião, uma equipe do Ministério Público Federal realizou uma inspeção no local. Em entrevista ao O Diário em outubro, o procurador da República em Campos, Eduardo Santos, disse que, além de causas naturais, o problema estaria sendo causado pelo impacto das obras do Porto.

Em seu blog, o professor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), faz questionamentos quanto ao projeto, que seria financiado pela Prumo Logística, para identificar a causa e conter o avanço do mar no local. A elaboração do projeto ficaria a cargo do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPQ) e Secretaria de Estado do Ambiente.

Em nota, a assessoria da Prumo esclareceu que realiza um programa de monitoramento da dinâmica sedimentológica marinha e de erosões costeiras.

Além disso, a Prumo contratou a Fundação Coppetec para realizar um estudo sobre o tema, que foi coordenado por Paulo Rosman, engenheiro civil, Mestre em engenharia oceânica e Doutor em engenharia costeira, uma das maiores autoridades técnicas em engenharia costeira do país.

Os resultados obtidos até agora, a partir do monitoramento e estudo realizado pela fundação, demonstram que é inviável associar o estreitamento da faixa de areia em questão às obras de construção do quebra-mar do Terminal 2 (T2) do Porto do Açu.

A Pruno destaca ainda que estudos técnicos complementares estão sendo discutidos com o Inea e a Prefeitura de São João da Barra com participação técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias – IPNH e Fundação Coppetec.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/mar-volta-a-avancar-no-farol-e-causa-estragos-18345.html

Onde estão as prometidas soluções para a erosão na Praia do Açu?

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A volta das águas do mar às ruas que circundam a Praia do Açu me fizeram lembrar que no início de Dezembro passado (no dia 8 para ser mais preciso), a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João da Barra circulou uma nota sobre o problema da erosão costeira (Aqui!) que continha a seguinte informação:

O prefeito José Amaro de Souza Neco se reúne na próxima quarta-feira, 10, com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) para discutir a realização de um novo projeto que será financiado pela Prumo Logística com o objetivo de identificar a causa e conter o avanço do mar na praia do Açu. O projeto deverá ser elaborado pelo INPH e a secretaria de Estado do Ambiente (SEA), através do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam).”

Bom, mais de 30 dias depois da liberação desta nota e de contínuas manifestações de que o problema da erosão não desapareceu num passe de mágica, cabe perguntar à Prefeitura de São João da Barra a quantas andam as negociações com o INPH para a realização de tal projeto. Já para a Prumo Logística caberia nos informar o montante que a empresa já alocou para para financiar a realização deste projeto. Quanto ao INEA, deixa para lá!

E o mar voltou a invadir ruas na Barra do Açu

Após meses de agitação por causa da erosão da faixa central da Praia do Açu, os moradores da localidade de Barra do Açu estavam tendo um início calmo em 2015. A calma foi tanta que algum gaiato da Prefeitura de São João da Barra havia mandado recolocar os quiosques na praia, os quais haviam sido retirados quando o processo de erosão os colocou sob risco de cair no mar.

Pois bem, acabo de receber imagens tiradas há poucos minutos na Praia do Açu mostrando que a aparente calmaria das últimas semanas acabou, e as águas do mar voltaram a “escapar” para dentro das ruas próximas à zona de rebentação. Essa nova intrusão de águas deverá colocar novamente a preocupação dos habitantes da Barra do Açu, e reaviva a necessidade de que sejam tomadas efetivas acerca do prometido plano de recuperação das praias de São João da Barra. E nem é preciso dizer, creio eu, que quanto antes, melhor!

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Ainda sobre o avanço da erosão no entorno do Porto do Açu

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Já de volta à Campos dos Goytacazes, voltei novamente as minhas atenções para um tópico que vem me interessando nos últimos meses: a erosão que está afetando a região costeira dentro da área de influência do Porto do Açu. A manifestação mais recente se deu H na curva da pista Maria Rosa, que até recentemente ligava as localidade de Barra do Açu (São João da Barra) e Farol de São Thomé (Campos dos Goytacazes). 

Como tinha uma vaga lembrança de ter em meus arquivos eletrônicos a página do RIMA do Porto do Açu que delimitava as áreas de influência direta e indireta do empreendimento, pus-me a procurá-la, e voilá, achei-a. 

AID PORTO

Como os leitores deste blog poderão observar, a nova frente da “língua” erosiva está dentro da chamada “Área de Influência Indireta”  (AII) do Porto do Açu, e bem próxima do limite da Área de Influência Direta (AID).  E o que isto significa em termos objetivos? No mínimo que o Porto do Açu não pode ser descartado como um dos fatores responsáveis pelo avanço do mar sobre a região litorânea em seu entorno imediato.

Em função disso, há que se cobrar tanto da Prumo Logística Global os dados do monitoramento que estaria realizando na AID e na AII do Porto do Açu. Já do INEA, o que se espera é que faça mais do que simplesmente enviar seus técnicos para verificar in loco os estragos que estão ocorrendo em função deste avanço do mar. Simples assim!

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Futuros cientistas sociais da UENF fazem trabalho de campo na Praia do Açu e vêem o avanço da erosão

Estive hoje na Praia do Açu com um grupo de estudantes de Ciências Sociais da UENF como parte de um trabalho de campo da disciplina Geografia I que sempre ministro no segundo semestre letivo. Tradicionalmente o final do percurso que se inicia na localidade de Barcelos e termina no Pontal de Atafona, hoje terminou nas areias da Praia do Açu, pois decidi mostrar a evolução do processo de erosão que hoje consome uma área considerável da parte central da faixa de areia.

Numa das etapas da visita, os estudantes ouviram relatos de um morador da Barra do Açu que lhes narrou as crescentes dificuldades sendo vivenciadas na localidade em função das mudanças causadas pela construção do Porto do Açu. Em uma explanação rápida, o morador traçou um panorama da situação que os pouco mais de 2.000 habitantes da Barra do Açu vivem atualmente, onde as promessas de futuro dourado estão sendo substituídas por um panorama de estagnação social e degradação ambiental.

Essa exposição à realidade fora das paredes e muros da UENF é sempre uma coisa que me motiva, pois acredito que todo o conhecimento teórico que é ministrado fica fora de contexto se os nossos estudantes não virem as repercussões objetivas de, por exemplo, políticas macroeconômicas sobre a realidade do cidadão comum.

Em relação à Praia do Açu, a situação me pareceu estabilizada em relação à minha última visita dentro de um quadro claro de encurtamento da faixa de areia. Agora vamos ver o que acontece nas próximas semanas para ver aquela área terá algum uso turístico no verão que se inicia.

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