Aquífero estratégico no norte fluminense abastece Porto do Açu enquanto comunidades do entorno sofrem com falta d’água

Extração de água subterrânea foi autorizada pelo Inea a partir de 2022

Maior complexo portuário e industrial da América Latina opera há mais de 10 anos no Norte Fluminense | Crédito: Divulgação/Prumo Logística

Por Clivia Mesquita para “Brasil de Fato” 

Imagine um grande reservatório de água doce subterrânea e de excelente qualidade. Esse é o aquífero Emboré, localizado na região Norte Fluminense, considerado estratégico para a segurança hídrica regional. Desde 2022, Porto do Açu tem autorização do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para explorar essas águas profundas.

A jurisdição sobre a água subterrânea é do governo estadual, segundo a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/1997). O Inea, por sua vez, não informou o valor da outorga de direito de uso de recursos hídricos emitida para o aquífero Emboré. Os recursos gerados pela cobrança devem financiar programas, projetos e obras de melhoria na qualidade da água para o bem comum.

O porto e as empresas instaladas no megaempreendimento se abastecem do aquífero por meio de poços profundos. Em 2024, a empresa Porto do Açu extraiu 708 mil m³ do aquífero. O balanço consta no relatório de sustentabilidade da empresa (disponível neste link). A retirada passa de 2 milhões de m³ no acumulado dos últimos três anos. 

Para o ecologista Arthur Soffiati, o porto buscou a solução mais barata a curto prazo. Ao Brasil de Fato, historiador ambiental especialista na região Norte e Noroeste fluminense, explicou que a dinâmica natural de recarga dos aquíferos profundos depende das áreas úmidas da superfície. Isso significa que os aquíferos também se esgotam. A alternativa, que preservaria o aquífero, seria dessalinizar a água do mar, a exemplo de portos em outros países.

Para além da reserva estratégica de água doce, do outro lado da moeda prevalece a escassez para os moradores da região. A principal fonte de abastecimento público de São João da Barra é o rio Paraíba do Sul, que chega no município quase sem vazão. A situação fica ainda mais crítica com a estiagem. Durante longos períodos sem chuva, moradores ouvidos pela reportagem relataram que ficaram até dois meses sem água nas torneiras. 

“O Porto evitou a captação no rio [Paraíba do Sul] não por respeito à sua capacidade, mas sabendo que ele não atenderia a demanda. Então, capta no aquífero Emboré com autorização pública. Muitas bocas sugaram a água da região, que era super-úmida”, pontua o eco-historiador Soffiati sobre os impactos ambientais na região que pode virar semiárida.

Ao Brasil de Fato, o Inea informou que 20 poços operam no Porto do Açu. Segundo o órgão estadual, a região onde se encontra o complexo portuário não é abastecida por rede pública, sendo “permitido o uso da água oriunda de poços para a finalidade de consumo e higiene humana”.

“O Inea reitera ainda que o Aquífero Emboré se trata de um aquífero confinado, sem contribuição para o fluxo de base dos rios da região, que possuem contribuição de aquíferos mais rasos. Dessa forma, a operação em questão não poderia estar afetando os níveis dos corpos hídricos superficiais locais”, diz a nota.

Escassez hídrica global

O centro de estudos da ONU sobre água, da Universidade das Nações Unidas (UNU), declarou recentemente que o mundo entrou na era da “falência hídrica”, devido aos impactos das mudanças climáticas e o uso excessivo de recursos hídricos. 

Cerca de 70% dos aquíferos subterrâneos registram declínio de longo prazo. Devido aos danos irreversíveis da atividade humana, 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água pelo menos um mês por ano. Essa é a situação dos moradores de diversas localidades de São João da Barra.

Professor aposentado da UFF-Campos, Soffiati explica que a elevação progressiva do nível do mar pelo aquecimento global fechou um braço do rio Paraíba do Sul. “Pelo braço de Gargaú, a língua salina penetra no rio comprometendo a captação para abastecimento público de São João da Barra, Atafona, Gruçaí e 5º Distrito”, detalha o ecologista.

“A captação do porto no aquífero de Emboré é um mistério não revelado pela empresa e pelo Inea. A captação para consumo público de SJB poderia ser feito nele, mas, ao lado disso, é preciso proteger as áreas úmidas que ainda restam, garantir a recarga do aquífero, promover o reflorestamento de áreas críticas. Sei que não se pode voltar ao passado, mas medidas que garantam a sustentabilidade ambiental podem e devem ser tomadas com a coordenação do poder público”, completa.

Danos coletivos

A construção do Porto do Açu, em 2009, envolveu uma série de danos ambientais, violação de direitos e corrupção que implicaram o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o empresário Eike Batista. Como noticiou o Brasil de Fato, ainda há cerca de 500 processos indenizatórios na Justiça sobre as desapropriações de terras de agricultores para a instalação do complexo.

Professora associada da Universidade Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes (UFF-Campos), Ana Costa explica que os impactos ambientais do empreendimento são conhecidos desde 2012. Entre eles, sobressai o de salinização das águas, que ficou comprovado em estudos realizados pelo Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

“O estudo constatou que a salinidade das águas superficiais e subterrâneas destinadas ao consumo humano e à irrigação atingiu níveis de 5 a 7 vezes superiores aos do rio Paraíba do Sul. Na comunidade de Água Preta, foram registrados níveis de salinidade em águas de pastagem equivalentes aos da água do mar, cerca de 820 vezes superiores aos valores característicos de água doce”, afirma Costa.

Há anos que suas pesquisas sobre as expropriações das terras do Açu apontam escassez e má qualidade da água. “A salinização tem sido apontada como a principal reclamação das comunidades do 5º distrito [de São João da Barra], incluindo relatos iniciais de impactos à saúde da população local”, completa.

Uma manifestação da Defensoria Pública estadual pede a inclusão dos danos ambientais no processo de reparação dos atingidos. De acordo com a Ação Civil Pública, o estudo de impacto não detalhou os efeitos da dragagem do mar, entre eles a salinização. O documento sustenta que houve prejuízo ao meio ambiente como todo, aos agricultores que perderam plantações e às comunidades afetadas.

Falta água para tudo

São João da Barra vive um impasse sobre a responsabilidade do abastecimento. O contrato de concessão com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) está vencido, porém, a concessionária permanece operando o serviço até a conclusão de um novo processo. 

Segundo a Cedae, estão sob sua responsabilidade apenas as localidades Praia do Açu e Grussaí. As demais são atendidas pela prefeitura, que conta com sistemas próprios de abastecimento. À frente da cidade está a prefeita Carla Caputi (União Brasil), reeleita para o segundo mandato em 2024.

Moradores ouvidos pela reportagem relatam que os problemas são generalizados, e estão relacionados à qualidade, pressão e regularidade do fornecimento de água em diversas localidades. A família da dona de casa Keli Gonçalves, do bairro Água Preta, precisa comprar cinco galões de água mineral por semana. 

“Anos que o povo luta pedindo melhorias e nada acontece. Minha casa é a última da rua, aqui é raro vir água. Em dias de calor piora, não cai uma gota. A não ser que o dia esteja nublado ou chovendo, não sobe água pra caixa”, contou ao Brasil de Fato. Ela mostra que a água não tem pressão nem para encher caixas d’água enterradas na areia. 

Água chega sem força nas comunidades do entorno o Porto do Açu; moradores precisam usar bomba elétrica acoplada em caixas no chão para ter água encanada
Água chega sem força nas comunidades do entorno o Porto do Açu; moradores precisam usar bomba elétrica acoplada em caixas no chão para ter água encanada | Crédito: Arquivo pessoal

Mesma situação vive a aposentada Maria da Penha, que mora com a mãe de 94 anos. “Antes da chuva desses dias, não subia água pra caixa há mais de 2 meses. A água pinga, leva quase 1h pra encher um balde a noite pra tomar banho”, disse. 

Sem resposta do poder público, aumenta a desconfiança de desvios na rede. “Não tem água pra fazer nada. A gente acha tem desvio pra alguma roça, porque quando chove tem água com força pra subir na caixa. Toda comunidade sofre”, lamenta Penha. 

Uma família de agricultores do bairro Sabonete que preferiu não se identificar junta água da chuva para a limpeza da casa e algumas atividades domésticas. A pressão da água encanada é tão fraca que sobe na caixa só com ajuda de uma bomba elétrica e mangueira.

“O dia que tem a água é muito suja, enferrujada, aquela água amarela, é um problema muito sério, a gente não faz nada com essa água, não tem como. Mal tomar banho. A água pra consumo tem que ser comprada de galão. Quando chove a gente junta água pra lavar as roupas, porque se lavar com a água daqui, a roupa não serve mais”, relata.

Ao Brasil de Fato, a prefeitura não deu um prazo, mas informou que o Plano Municipal de Água e Esgoto (PMAE) está em fase de revisão. O plano vai estruturar um novo processo de concessão para implementação definitiva de redes de água e esgoto alinhadas ao Marco Legal do Saneamento.

Outro lado

O Brasil de Fato enviou uma série de questionamento para a Porto do Açu sobre o uso do aquífero nas operações. A empresa afirmou que a água subterrânea é usada de forma sustentável, e que “estudos comprovam que não há impactos ambientais associados à retirada de água”. Não foi informado o volume retirado em 2025.

“O uso é acompanhado de forma contínua pelo Inea, por meio de monitoramento hidrogeológico, que indica que a recarga natural do aquífero é compatível com os volumes utilizados. O Porto adota ainda a diversificação de fontes, com uso de água de reuso, do mar e de chuva, preservando o Aquífero Emboré como reserva estratégica regional”, diz a resposta.

Sobre a falta d’água crônica em São João da Barra, a prefeitura informou que atua de forma complementar nas áreas não atendidas pela Cedae, por meio de caminhões-pipa, quando necessário. O município é responsável pela operação e manutenção de sistemas próprios de abastecimento, alimentados por poços profundos em Sabonete, Mato Escuro e Bajuru. 

A população de SJB pode comunicar falta d’água pelos seguintes canais: (22) 2741-8449 – Ramais 310 e 311, (22) 99975-1862 e servicospublicos@sjb.rj.gov.br.

Editado por: Vivian Virissimo

Riscos de escassez hídrica nas cadeias de suprimento de carne bovina e soja brasileiras

A análise da trajetória da água utilizada na produção de carne bovina e soja no Brasil mostra onde os comerciantes de commodities enfrentam os maiores riscos de escassez hídrica. Para lidar com esses riscos na cadeia de suprimentos, é necessária uma ação urgente de empresas, bancos e governos para investir em áreas com estresse hídrico e apoiar práticas agrícolas mais eficientes no uso da água, afirma a Water Witness

Gado bebendo água no BrasilGado bebendo água de um pequeno lago no bioma Caatinga em Exu, Pernambuco, Brasil (Cacio Murilo/Shutterstock)

Por Rafaela Flach, Michael Lathuillière e Charles Wright para “Trase” 

De onde vem nossa comida? Responder a essa pergunta é um desafio, pois as complexas cadeias de suprimentos internacionais que garantem que as prateleiras dos nossos supermercados estejam sempre abastecidas obscurecem importantes conexões entre produtores e consumidores – especialmente a dependência destes em relação aos recursos hídricos.

Embora nossos sistemas alimentares necessitem de água em todas as suas cadeias de suprimentos, grande parte dela permanece invisível para os consumidores. As empresas geralmente monitoram a captação e o descarte de água doce em suas próprias operações, mas o volume muito maior necessário para suas cadeias de suprimentos de commodities – também chamado de uso “indireto” de água – raramente é contabilizado. Esse uso oculto de água doce na cadeia de suprimentos é essencial para os mercados consumidores, que muitas vezes dependem de bacias hidrográficas distantes e, portanto, podem estar ligados a riscos e impactos relacionados à água que vão muito além dos limites corporativos.

Um novo relatório da Trase revela essas dependências e riscos ocultos nas cadeias de suprimentos de soja e carne bovina brasileiras. Com base em pesquisas da Trase revisadas por pares sobre os riscos da escassez de água para as importações europeias e chinesas , este relatório aprofunda-se nos detalhes do uso da água na produção de soja e carne bovina e nos riscos relacionados à água nas cadeias de suprimentos de algumas das maiores empresas de comércio de commodities do mundo.

Revelando as dependências da cadeia de suprimentos e os riscos da escassez de água

A produção brasileira de soja e carne bovina requer água doce, mas a origem dessa água e a forma como ela é armazenada variam. Para a produção de soja, a chuva é a principal fonte de água, embora águas superficiais e subterrâneas também sejam utilizadas para irrigação. Para a produção de carne bovina, a água para o gado é geralmente armazenada em pequenos reservatórios nas propriedades rurais. A produtividade da soja cultivada em regime de sequeiro é sensível a secas ou períodos de estiagem, e a água para irrigação e para o gado pode se tornar escassa, visto que outros setores, consumidores domésticos e ecossistemas competem por recursos.

Os riscos relacionados à água nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina são geralmente opacos para comerciantes e consumidores. Ao vincular informações sobre o uso da água na produção de soja e carne bovina com dados da Trase, podemos quantificar a dependência dos comerciantes de commodities em relação aos recursos hídricos brasileiros e os riscos para suas cadeias de suprimento. Nossa análise mostra que os principais comerciantes de soja estão ligados a regiões com alta probabilidade de seca.

Risco hídrico para os comerciantes na cadeia de suprimentos de soja de sequeiro
Exportações de soja de sequeiro (milhões de toneladas) em 2017, de acordo com a probabilidade de seca (%).

Os principais comerciantes de carne bovina também dependem fortemente de bacias hidrográficas que já enfrentam escassez hídrica elevada ou crítica, de acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) do Brasil.

Comerciantes de carne bovina expostos à escassez hídrica nas bacias hidrográficas do Brasil
Volume de água doce (km³) utilizado nas cadeias de suprimento de comerciantes de carne bovina em 2017, relacionado aos níveis de escassez hídrica definidos pela Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA) do Brasil.

Onde o desmatamento e a escassez de água convergem

A pesquisa da Trase também revela como as cadeias de suprimentos dos comerciantes podem estar expostas aos impactos tanto do desmatamento quanto da escassez de água. Essa convergência significa que políticas ou decisões de fornecimento guiadas por uma única métrica ambiental podem correr o risco de transferir impactos de uma categoria para outra. Por exemplo, afastar o fornecimento de soja de áreas com alto índice de desmatamento pode, inadvertidamente, aumentar a exposição a regiões com escassez de água.

No oeste da Bahia, no coração da fronteira agrícola do Matopiba, as consequências da escassez hídrica são visíveis e profundas. O mapeamento participativo realizado por organizações locais mostrou que mais de 7.000 km de rios e córregos deixaram de fluir durante o ano todo. Essas são apenas algumas das vítimas do desmatamento, da expansão da irrigação agrícola e da extração descontrolada de água. Cursos d’água antes confiáveis ​​agora só aparecem após chuvas intensas, e reservatórios construídos para a criação de gado ou geração de energia evaporam os preciosos recursos hídricos. Para as comunidades que dependem dos ecossistemas de água doce, essa perda ameaça a segurança alimentar, os meios de subsistência tradicionais e a identidade cultural.

Pegadas Hídricas Justas: rumo a um uso da água mais justo e resiliente.

A pesquisa comprova os objetivos da iniciativa Fair Water Footprints , que visa estabelecer a gestão responsável da água como norma internacional para os negócios. A iniciativa conta com o apoio de governos, empresas, investidores e organizações da sociedade civil, incluindo a Water Witness.

Lançada em Glasgow para a COP26, a iniciativa Fair Water Footprints atua principalmente por meio de cadeias de suprimentos e relações comerciais internacionais para estimular ações e investimentos relacionados aos riscos hídricos e climáticos, visando impulsionar um crescimento sustentável, resiliente e inclusivo. Identificar os pontos de interseção entre o uso da água nas cadeias de suprimentos e a escassez hídrica nas bacias hidrográficas é um primeiro passo para ações direcionadas, desde a priorização de investimentos em bacias hidrográficas com estresse hídrico até o apoio a práticas agrícolas mais eficientes no uso da água.

A intersecção entre as cadeias de abastecimento globais e a escassez de água sublinha a importância das Pegadas Hídricas Justas: garantir que a água seja usada de forma equitativa e sustentável e que as decisões da cadeia de abastecimento não prejudiquem os direitos e a resiliência daqueles que vivem a montante.

Oportunidades para ação

A pesquisa da Trase destaca diversas áreas prioritárias para empresas, governos e instituições financeiras:

  • Ampliar a contabilização da água para as cadeias de abastecimento : os comerciantes devem definir metas de “escopo 3” para a água que abordem o uso pelos fornecedores, a exposição ao risco e os impactos ambientais, assim como muitos já fazem para o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa; por exemplo, por meio da Iniciativa de Metas Baseadas na Ciência (Science Based Targets Initiative ).
  • Reduzir as lacunas de políticas e dados : as agências brasileiras de água, agricultura e meio ambiente devem coordenar-se mais para integrar o controle do desmatamento, a gestão da irrigação e a adaptação à seca. Essas agências também devem promover a melhoria e o compartilhamento de conjuntos de dados, incluindo informações sobre o balanço hídrico anual, reservatórios agrícolas e licenças de uso da água, para subsidiar as avaliações anuais de risco.
  • Alinhar melhor as finanças com os objetivos de sustentabilidade : os critérios de crédito e investimento rural devem recompensar práticas que protejam os recursos hídricos, complementando os requisitos de desmatamento zero no setor financeiro.

Compreender como o uso da água, a escassez e o desmatamento se inter-relacionam é fundamental para construir sistemas alimentares resilientes. Ao combinar dados de alta resolução da cadeia de suprimentos com conhecimento prático, podemos direcionar melhor as ações, protegendo tanto os mercados globais quanto as comunidades que dependem da água para sustentá-los.

Como parte dessa nova fronteira de trabalho, a Trase se concentrará em fornecer métricas revisadas de uso da água para o comércio global de commodities agrícolas por meio do Indicador Global de Impactos Ambientais do Consumo . Esse esforço permitirá avaliações globais mais atualizadas do uso da água em atividades de consumo global e na cadeia de suprimentos associada. Continuaremos a apoiar usuários e parceiros com os conjuntos de dados que fundamentam este relatório, principalmente em relação a projetos-piloto que possam impulsionar iniciativas focadas no uso da água nas cadeias de suprimentos. Também estamos explorando como nossos dados sobre água – juntamente com informações mais amplas relacionadas ao clima – podem ser usados ​​para apoiar discussões sobre segurança alimentar e resiliência da cadeia de suprimentos.

Para obter mais informações sobre o trabalho da Trase sobre o uso da água nas cadeias de suprimento de commodities, entre em contato com michael.lathuilliere@sei.org.

Charles Wight é diretor de pesquisa e políticas da Water Witness, onde desenvolve e divulga pesquisas-ação para abordar a segurança hídrica global. Seus interesses incluem ciência geoespacial, conservação de água doce, soluções baseadas na natureza e economia da conservação. Mais informações em www.waterwitness.org

Leia o novo relatório de pesquisa: Lathuillière, MJ, & Flach, R. (2026). Revelando a dependência hídrica dos comerciantes e os riscos nas cadeias de suprimentos de soja e carne bovina brasileiras. Trase. https://doi.org/10.48650/V347-SZ93

Faça o download do conjunto de dados que inclui os dados da Trase sobre a cadeia de suprimentos de soja e carne bovina, relacionados ao uso da água, desmatamento e emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento, metano entérico e emissões de esterco (carne bovina) em https://zenodo.org/records/14921618

Veja o artigo de pesquisa original: Lathuillière, MJ, Flach, R., Wang-Erlandsson, L., Ribeiro, V., zu Ermgassen, EKHJ, & Souza, CM, Jr. (2025). Dependência internacional da água brasileira por meio das cadeias de suprimento de soja e carne bovina. Communications Earth & Environment, 6, 688. https://doi.org/10.1038/s43247-025-00835-0


Fonte: Trase

Deserto Verde e a rearticulação dos defensores da monocultura do eucalipto no território fluminense

Monocultura de eucalipto em expansão na região de Morro do Coco, norte do município de Campos dos Goytacazes 

Por Rede Alerta contra Desertos Verdes (RADV)

A retomada do debate em torno da monocultura do eucalipto no estado do Rio de Janeiro, capitaneada por grupos empresariais, setores do governo Claudio Castro (PL) e representantes de órgãos federais, exige uma reflexão crítica sobre os rumos da política agrária fluminense e seus possíveis impactos socioambientais.

O Fórum Florestal Fluminense (FFF), criado em 2008, vem se consolidando como um espaço estratégico de articulação entre representantes do setor industrial, governo do estado, de associações de classe e de órgãos de pesquisa federais e estaduais. Sua atuação recente, entretanto, revela a retomada de antigos projetos de expansão da monocultura do eucalipto — propostas já questionadas e barradas no passado pela sociedade civil organizada, em defesa dos interesses ambientais e territoriais da população fluminense.

É importante destacar que o Fórum Florestal Fluminense, surgiu a partir de uma parceria entre a Associação Profissional dos Engenheiros Florestais do Rio de Janeiro (APEFERJ), o Instituto BioAtlântica (IBio), a então empresa Aracruz Celulose (atual Suzano) e federações empresariais como a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN). Dentre os objetivos principais do Fórum Florestal Fluminense, podemos citar: discutir normas de licenciamento ambiental, fomentar políticas de incentivo à silvicultura industrial e a ampliação da cadeia produtiva florestal no estado. Desde sua origem, o Fórum defende a criação de mecanismos que facilitem a entrada, no território fluminense, de grandes empresas do setor de papel e celulose — especialmente a Suzano, já consolidada nos estados vizinhos do Espírito Santo e de São Paulo. 

Entre 2008 e 2016, o Fórum Florestal Fluminense promoveu diversos encontros em municípios como Campos dos Goytacazes, Nova Friburgo, Macaé e Rio Claro. Após um período de inatividade, o Fórum Florestal Fluminense retomou suas ações em outubro de 2021 e intensificou sua atuação em agosto de 2022, quando promoveu um evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Na ocasião, apresentou propostas para o “desenvolvimento florestal” no estado do Rio de Janeiro a representantes políticos, incluindo candidatos de “esquerda”, que pleiteavam o governo estadual e o parlamento fluminense.

Cabe destacar que, dentre os atores que compõem o Fórum, a FIRJAN tem se destacado como principal porta voz da expansão da monocultura do eucalipto no estado. A entidade vem promovendo eventos de grande visibilidade, como o seminário “Economia Verde: Firjan, Governo e Especialistas Analisam o Potencial Econômico da Silvicultura no RJ”, realizado em maio de 2023, lotando o auditório da própria FIRJAN.

Nesse encontro, lideranças empresariais como Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira (então presidente da FIRJAN) e Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) defenderam a silvicultura industrial como solução para “gerar empregos”, “recuperar áreas degradadas” e reduzir a dependência da madeira importada no estado do Rio de Janeiro — o que, segundo eles, representaria modernização e sustentabilidade econômica para o espaço agrário fluminense. Estiveram presentes também no evento, Thiago Pampolha – então Secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) e Vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, Diogo Ladvocat – representante da Suzano, Joésio Perin – Vice-Presidente na STCP Engenharia, entre outros representantes de setores empresariais e da política fluminense. 

Entretanto, esse discurso da chamada “economia verde”, propagado por representantes do setor industrial, precisa ser questionado. Apesar de se autoproclamarem como defensores do reflorestamento e da sustentabilidade, o modelo promovido por esses grupos, baseia-se em plantações homogêneas de eucalipto — uma monocultura voltada majoritariamente à produção de celulose para exportação. Na prática, trata-se de um modelo agroexportador, altamente dependente de grandes extensões de terra, que tende a acentuar conflitos fundiários, aumentar a concentração da terra, pressionar os recursos hídricos, impactar a biodiversidade regional e aumentar a insegurança alimentar. Esses problemas e muitos outros já foram amplamente documentados em estados onde existe a monocultura do eucalipto em larga escala e a atuação da Suzano, tais como o Espírito Santo e a Bahia.

Muito embora o Rio de Janeiro ainda não possua extensas áreas de eucalipto (pouco mais de 20 mil hectares), novos empreendimentos estão sendo planejados, especialmente no Norte Fluminense. Destaca-se a atuação recente da empresa Tree Agroflorestal S.A, que projeta o plantio de cerca de 30 mil hectares de eucalipto em Campos dos Goytacazes — município historicamente marcado pela concentração fundiária, pelos conflitos no campo, pelo desmatamento e pela monocultura.

 Em recente publicação nas suas redes sociais, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho afirmou:

“O desenvolvimento da nossa cidade segue firme! Antes, terras sem uso e improdutivas agora estão sendo arrendadas para o plantio de eucalipto. Já temos uma empresa investindo R$ 80 milhões nesse projeto, gerando mais de 100 empregos! Essa conquista só foi possível graças à alteração na lei municipal, que agora permite o plantio de eucalipto em áreas específicas, garantindo um uso sustentável e estratégico dessas terras. Seguimos trabalhando para atrair mais investimentos e transformar o agronegócio em um dos grandes motores da nossa economia!”

Mas não parou por aí: ele afirmou que esse investimento só foi possível com a aprovação da Lei Municipal nº 9.333/2023 que revogou a Lei Municipal nº 7.282/2002, facilitando o cultivo de eucalipto no município. Com isso, o intuito é, a curto prazo, viabilizar o aumento do cultivo de eucalipto no município, para que a médio prazo, possa se instalar uma empresa de celulose em Campos. Ninguém tem dúvida, pelas tentativas anteriores e pelas articulações em curso, que essa empresa seria, preferencialmente, a SUZANO.

Buscando antecipar-se às críticas sociais e ambientais decorrentes das experiências negativas da monocultura do eucalipto em outros estados, o Fórum Florestal Fluminense, com apoio da FIRJAN e de setores do governo estadual, tem defendido a atualização dos dados sobre as terras disponíveis nos chamados Distritos Florestais (Decreto 45.597/2016), que somam um total de 600 mil hectares, sendo 324 mil hectares com “potencial” para a monocultura do eucalipto.

Figura 1: Áreas dos Distritos Florestais do Estado do Rio de Janeiro

Fonte: http://www.seas.rj.gov.br

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¹ Atualmente, existem cinco Distritos Florestais no Rio de Janeiro, que abrangem municípios das regiões Norte1 (Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Italva, São Francisco do Itabapoana e Bom Jesus de Itabapoana), Norte 2 (Campos dos Goytacazes, Quissamã, Carapebus, Conceição de Macabu Santa Maria Madalena e Macaé), Noroeste (Itaperuna, Laje do Muriaé, Miracema, Santo Antônio do Pádua e São José de Ubá), Serrana (Carmo, São Sebastião do Alto e Cantagalo) e Médio Paraíba (Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Rio das Flores, Quatis, Valença e Vassouras).

A criação dos Distritos Florestais, alinhada com a mudança na legislação, através da aprovação da Lei Estadual nº 9.972/2023 (Política Estadual de Desenvolvimento Florestal), foi festejada por defensores da monocultura do eucalipto no evento da FIRJAN, pois as facilidades criadas pela nova legislação poderão garantir viabilidade para o projeto dos Distritos Florestais e da silvicultura industrial sair do papel. 

Com a nova lei, o governo estadual fará o licenciamento prévio dos Distritos Florestais, assim cada empresa ou grande produtor que se instalar nessas regiões precisará só de uma licença autodeclaratória. Essa lei facilitadora para a introdução da monocultura do eucalipto em larga escala foi aprovada pelos deputados estaduais no apagar das luzes da legislatura anterior (2019 – 2022) e o govenador Claudio Castro, sancionou no início do seu segundo mandato (janeiro de 2023), “passando a boiada” do licenciamento ambiental e “escancarando” o território fluminense para a monocultura do eucalipto. 

Essa estratégia em curso é vendida como uma forma de ordenamento produtivo de espaços ditos “abandonados” e, com isso, busca-se neutralizar críticas sobre os impactos fundiários, produtivos e ambientais da expansão da monocultura do eucalipto no RJ. Ao mesmo tempo em que afirmam existir terras suficientes para implantar projetos industriais, omitem os riscos de novas formas de territorialização do capital, que podem se dar por meio da subordinação de pequenos produtores à lógica empresarial do setor celulósico-papeleiro, marcado inclusive, pelo endividamento dos produtores que participaram da última tentativa frustrada de exportar essa atividade industrial para a região, empreendida pela então Aracruz Celulose\Fibria e pelo pai do atual prefeito de Campos e na época govenador do estado RJ, o senhor Anthony Garotinho.  Projeto fracassado que teve continuidade nas gestões de Sérgio Cabral\Carlos Minc e do governador Pezão, deixando um passivo de dívidas, abandono e perda de terras por partes dos produtores no Norte e Noroeste Fluminense.

A atual ofensiva em defesa da monocultura do eucalipto no Rio de Janeiro, liderada por setores empresariais e legitimada pelo Fórum Florestal Fluminense, representa, portanto, um projeto de reconfiguração territorial que ameaça a diversidade ambiental e social no estado do RJ. Sob o rótulo da “sustentabilidade” e da “economia verde”, observa-se a tentativa de expansão de um modelo produtivo concentrador, com graves implicações socioambientais, que representará, novamente, sérios riscos, para termos a formação de um deserto verde no estado do Rio de Janeiro.

A Rede Alerta contra os Desertos Verdes (RADV) vem a público avisar a sociedade que a rearticulação de grupos ligados à implantação da monocultura do eucalipto em larga escala tem avançado, sobretudo na alteração de legislações, tanto no campo estadual quanto municipal, com claro intuito de facilitar a expansão da área plantada com eucalipto e a chegada de uma grande empresa de papel e celulose. Tudo isso, com apoio político e utilização de recursos públicos, inviabilizando a construção de um projeto de reforma agrária popular e agroecológico, afetando a segurança hídrica nas bacias hidrográficas do estado e a soberania territorial fluminense.

Por todas essas razões, conclamamos a sociedade civil, os movimentos sociais, pesquisadores, universidades e outros setores, a reafirmar a necessidade de um debate público amplo, com diferentes segmentos da sociedade, com a presença das populações do campo que poderão ser afetadas pela monocultura do eucalipto. É necessário reorganizar as forças progressistas no campo estadual, para que sejam capazes de denunciar os impactos dessa política e propor alternativas de uso do território que priorizem a vida, a diversidade e a justiça socioambiental. 

Uma grande oportunidade está em curso, com o Projeto de Lei nº 5516/2025, de autoria da Deputada Estadual Marina do MST, que tem por finalidade alterar a Lei Estadual nº 9.972/2023 e a Lei Estadual nº 5.067/2007, tendo como objetivo, reforçar a proteção de solos, águas e biodiversidade na Política Estadual de Desenvolvimento Florestal, estabelecendo com nitidez a diferença entre floresta e monocultura

Mais do que nunca, é hora de irmos à luta!

Rede Alerta contra Desertos Verdes (RADV)

Baixe a Carta [Aqui!]


Fonte: Rede Alerta contra Desertos Verdes (RADV)

‘Deserto verde’: agricultores vencem a batalha contra a gigante brasileira-sueca da celulose na Bahia

A produção de eucalipto é dominada por grandes multinacionais que convertem terras agrícolas e florestas em plantações de monocultura de árvores

Plantação de eucalipto na Baixa Verde de propriedade da Veracel Celulose.

Plantação de eucalipto na Baixa Verde, pertencente à Veracel Celulose. O Brasil é o maior produtor mundial dessa planta de rápido crescimento e alta demanda hídrica. Fotografia: Sara Van Horn

Por Sara Van Horn em Eunápolis (BA) para o “The Guardian” 

Fileiras retas de clones de eucalipto ladeiam o assentamento da Baixa Verde, no nordeste do Brasil. As árvores geneticamente idênticas contrastam fortemente com os trechos de Mata Atlântica – um dos ecossistemas com maior biodiversidade do planeta – que ainda permanecem dispersos pela região.

Cercada por quase 100.000 hectares de plantações de eucalipto, Baixa Verde é um raro exemplo de vitória local sobre uma multinacional no Brasil. O assentamento rural deve sua existência a quase duas décadas de batalhas judiciais por direitos de propriedade da terra – mas a luta ainda não acabou.

Após lutarem para manter suas terras, as famílias agora enfrentam uma crise de segurança sem precedentes, marcada por confrontos armados, incêndios criminosos e ameaças de morte, parte de uma onda de violência impulsionada por uma disputa de terras que se intensificou desde 2024.

Vista aérea de uma extensão de árvores em fileiras organizadas.

Um terreno de eucaliptos pertencente à Veracel Celulose. A produção normalmente envolve a conversão de terras agrícolas e florestas em plantações de monocultura. Fotografia: Jhedys Kann

Os conflitos sobre direitos de propriedade da terra são um problema antigo na região. A obtenção de títulos de propriedade é geralmente vista como uma legitimação da apropriação de terras de comunidades tradicionais, e a população local suspeitava que a Veracel Celulose – uma empresa de produção de celulose pertencente em conjunto à empresa sueco-finlandesa Stora Enso e à gigante brasileira de celulose Suzano – estivesse plantando eucaliptos em terras públicas.

Em 2008, Ercilio Souza, um dos fundadores do assentamento da Baixa Verde, e Juenildo Oliveira Farias visitaram os arquivos do governo para consultar documentos públicos. Encontraram a página que comprovava que os 1.300 hectares em disputa pertenciam ao governo. “Sempre soubemos que era terra pública”, afirma Souza.

Com o documento em mãos, reuniram 91 famílias da região e se uniram ao Movimento Luta pela Terra (MLT), uma organização política e social que luta pela reforma agrária. Sua primeira ação foi ocupar uma área de uma plantação de eucaliptos utilizada pela Veracel, acusando a empresa de usar terras públicas.

Dois anos após a ocupação inicial, o MLT obteve o reconhecimento estatal de que a empresa não era proprietária legal do terreno plantado pela Veracel. “Este documento foi uma vitória não apenas para o movimento local pelos direitos à terra, mas para todos os movimentos sociais do Brasil ”, afirma Jhedys Lemos Farias, que cresceu no acampamento e hoje é uma das líderes do MLT.

Um homem está em um quintal com roupas estendidas no varal. Ao fundo, vê-se uma plantação de eucaliptos.

Ercilio Souza em suas novas terras, anteriormente uma plantação de eucaliptos. Souza sempre suspeitou que essas terras fossem de propriedade pública. Fotografia: Sara Van Horn

Após anos de entraves e batalhas judiciais, o estado da Bahia firmou um acordo com a Veracel e o MLT em 2016, restituindo 1.300 hectares de terras da Veracel ao governo e concedendo a cada família um lote grande o suficiente para cultivar seus próprios alimentos. Das 61 famílias restantes, 53 já se mudaram para seus novos lotes.

“Conquistar o direito à terra significa que agora temos um lugar para cuidar dos nossos mais jovens”, diz Lemos Farias.

Apesar da perda do terreno, um representante da Veracel afirma que a empresa sempre operou com “transparência, responsabilidade social e ambiental” e respeito pela população local. “A empresa nunca foi condenada por grilagem de terras e reafirma que suas áreas de produção são legalmente regulamentadas e operam com as licenças ambientais necessárias.”

No entanto, nos anos que se seguiram ao acordo, as famílias afirmam ter sofrido ameaças de morte, tiroteios, casas incendiadas, produtos agrícolas roubados e plantações destruídas.

Um homem está de pé ao lado de um rio vermelho com margens gramadas.

Jhedys Lemos Farias junto a um rio perto do bairro da Baixa Verde. Os moradores locais dizem que o rio secou desde o início da produção de eucalipto. Fotografia: Sara Van Horn

Segundo o MLT, o conflito agora se concentra em parcelas de terra que permanecem ocupadas por agricultores filiados ao sindicato local, a Federação dos Trabalhadores Rurais e da Agricultura Familiar (Fetag). Quando estava prestes a perder a posse da terra em disputa, a Veracel doou 300 hectares vizinhos ao sindicato – doação confirmada pela direção da Fetag, de acordo com a gravação de uma audiência pública realizada com a Defensoria Pública Nacional da Agricultura da Bahia.

Nos últimos quatro anos, seis líderes do MLT foram colocados sob vigilância protetiva pelo programa brasileiro de proteção a defensores de direitos humanos, comunicadores e ambientalistas. O governo recomendou que alguns desses líderes se mudassem, mas, por lealdade ao movimento e por sua ligação com a terra que conquistaram com tanto esforço, eles se recusaram.

Devido às ameaças de morte que tem recebido, Souza diz que tem dificuldade para dormir à noite. “Estou com muito medo de que algo aconteça à minha família”, afirma. “Há muita perseguição por aqui. Nossas tendas foram incendiadas, assim como nossos canaviais.”

Uma mulher sentada num banco em frente a uma casa de madeira.

Marli dos Santos em frente a uma casa temporária enquanto aguarda a desocupação de seu terreno. Ela encontrou cápsulas de balas na grama a poucos metros de distância. Fotografia: Sara Van Horn

A MLT afirma que oito famílias não se sentem suficientemente seguras para cultivar seus terrenos, que permanecem ocupados por agricultores supostamente associados à Veracel.

A Veracel afirma que, nos últimos 15 anos, destinou “mais de 20.000 hectares a iniciativas de reforma agrária, seja por meio de acordos judiciais, doações ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), doações diretas ou vendas, para resolver conflitos em curso no território”.

A empresa também afirma que “a criação dos assentamentos – desde o projeto até o parcelamento e a definição dos lotes – foi conduzida inteiramente pelo governo estadual, sem interferência da empresa” e “não comenta conflitos entre movimentos sociais”.

Marli dos Santos é uma das duas pessoas que ainda vivem no antigo acampamento. Ela conta que tem sido assediada por homens armados que cercaram sua casa e atiraram no chão em frente à sua residência. Como não há ninguém por perto, Santos – que mora sozinha – acredita que os tiros foram uma tentativa de intimidá-la e impedi-la de retomar o terreno que lhe foi designado.

Em agosto, o estado da Bahia autorizou a remoção dos agricultores Fetag que ainda permanecem em lotes da Baixa Verde – mas a decisão ainda não foi cumprida.

A Fetag não respondeu ao pedido de comentário.

BAlém de se defenderem de ameaças e violência, a conversão de terras antes utilizadas para a monocultura de eucalipto em áreas de produção alimentar é agora o principal desafio para as comunidades da Baixa Verde. A produção de eucalipto é dominada por grandes multinacionais quedesde a década de 1960 , vêm convertendo terras agrícolas e florestas em plantações de monocultura, impulsionadas pela demanda global.

O Brasil é o maior produtor mundial de eucalipto, uma planta de rápido crescimento e que consome muita água , cuja polpa é exportada para a fabricação de papelão e produtos de papel. A maior parte da polpa de eucalipto do país é exportada para a Europa, onde é utilizada na fabricação de produtos de papel frequentemente comercializados como uma alternativa renovável aos plásticos – apesar dos danos ambientais causados ​​pela monocultura.

Na Bahia, a proliferação dessas fazendas rendeu ao povoamento o apelido de “deserto verde”, devido à perda da vida selvagem e à grave escassez de água e terra enfrentada pelas famílias que vivem perto das plantações de eucalipto.

Vista aérea de terrenos agrícolas rodeados por plantações verdes.

Os terrenos agrícolas do povoado da Baixa Verde, perto de Veracel. Fotografia: Arquivo MLT

Souza cresceu na região e se lembra do rio antes da área ser transformada pela monocultura de eucalipto, promovida pela Veracel. “Costumávamos atravessá-lo de canoa. Era cheio”, diz ele. “Depois que a Veracel chegou, secou.” Ele atribui a escassez de água à chegada da empresa em 1991.

A Veracel afirma que “adota um sistema de gestão em mosaico, no qual o eucalipto é cultivado em áreas de planalto, enquanto vales, nascentes e vegetação nativa são preservados. Este modelo garante a proteção do solo, a conservação da vida selvagem e a manutenção dos recursos hídricos”. A empresa também afirma que “realiza monitoramento contínuo de microbacias em sua área de atuação” e “desenvolve projetos de reflorestamento e restauração florestal em áreas próximas a comunidades”.

No estado vizinho de Minas Gerais, a região de eucaliptos de Turmalina viu seu nível de água subterrânea cair 4,5 metros nos últimos 45 anos, de acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais.

A vegetação em monoculturas de eucalipto absorve 26% da água da chuva , restaurando os níveis do lençol freático – em comparação com os 50% de absorção associados à floresta nativa. Três quartos das famílias de agricultores entrevistadas em Minas Gerais relataram que suas plantações foram afetadas pela escassez de água.

O cultivo de eucalipto também acarreta um risco elevado de incêndios florestais. As plantações são tão inflamáveis ​​que o Chile descartou o eucalipto como uma solução climática viável após uma série de grandes incêndios em suas plantações.

Apesar dos riscos ambientais, as plantações de eucalipto continuam a desempenhar um papel significativo no mercado de carbono, com as árvores sendo vendidas como créditos de carbono para empresas poluidoras de combustíveis fósseis, a fim de compensar suas emissões. Apesar da oposição de ativistas, em maio do ano passado, o governo brasileiro aprovou uma lei que exclui o eucalipto da lista de indústrias que necessitam de licença ambiental.


Fonte: The Guardian

Na bacia do Piancó-Piranhas-Açu, perda de água gera quase meio bilhão de dólares de prejuízos

Estrutura de medição no Açude Armando Ribeiro Gonçalves cercada por vegetação e grande espelho d’água.Açude Armando Ribeiro Gonçalves, um dos principais reservatórios da bacia do Piancó-Piranhas-Açu, no semiárido potiguar. Foto: Raylton Alves / Banco de Imagens ANA

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Um estudo da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) revelou que a Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu, no Nordeste, perdeu 42% de seus corpos d’água em três décadas. A redução, observada entre 1989 e 2019, foi a mudança mais acentuada no uso da terra e resultou em uma queda de 24% no valor econômico dos serviços ecossistêmicos da região — o equivalente a mais de US$ 460 milhões (quase R$ 2,5 bilhões no câmbio corrente). Os achados estão em artigo na Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental.

A diminuição da água é atribuída a fatores combinados: secas prolongadas, como a que ocorreu entre 2012 e 2017, transformações no uso do solo que aumentam o transporte de sedimentos e a ausência de Áreas de Preservação Permanente (APPs), que agravam o assoreamento (acúmulo de sedimentos, como areia, terra e detritos) de rios e reservatórios. “Para a bacia hidrográfica que analisamos, não existiam estudos com esse viés. Então por isso que analisamos 30 anos, porque não se tinha e precisávamos de um olhar mais abrangente. Para auxílio, reunimos artigos e estudos que eram em outras bacias e aplicamos nessa região, que já conhecíamos muito e é da nossa área. E aí chegamos em resultados alarmantes”, explica Izabele Gusmão, uma das autoras do estudo.

Para medir essas transformações, os pesquisadores usaram imagens de satélite Landsat de 1989 a 2019, processadas em software de geoprocessamento (QGIS). O método permitiu mapear as mudanças na cobertura da terra, como áreas de Caatinga, solo exposto, corpos d’água e áreas urbanas. Em seguida, aplicaram técnicas de valoração econômica reconhecidas internacionalmente para estimar o valor dos serviços ecossistêmicos fornecidos por cada tipo de cobertura.

O valor total dos serviços ecossistêmicos da bacia caiu de aproximadamente US$ 1,97 bilhão em 1989 para US$ 1,51 bilhão em 2019. Entre os serviços mais afetados estão a regulação do clima e das chuvas, a manutenção da fertilidade do solo, o fornecimento de água e a produção de alimentos. A principal razão para a queda foi justamente a perda de áreas de água, que concentram o maior valor por hectare. “Isso é um recorte do território, mas se a gente for ampliar a pesquisa para outras bacias hidrográficas, muito possivelmente veremos essa mesma evolução, até porque as grandes metrópoles e até pequenas cidades são formadas em torno dos rios e dos cursos de água, né? Então, é necessário ter uma área de preservação em torno desses cursos de água”, complementa a pesquisadora.

Embora a vegetação nativa da Caatinga tenha diminuído pouco — 3% na lenhosa e 2% na herbáceo-arbustiva — o impacto econômico foi desproporcional. A expansão de áreas urbanas e de solo exposto (5%) também contribuiu para desequilíbrios no ecossistema. Isso afeta diretamente benefícios como o controle da erosão, a recarga de aquíferos e até a oferta de oportunidades de lazer e turismo ligadas à paisagem natural.

As consequências são concretas. Hoje, os principais usos da água na bacia são irrigação (64,8%), aquicultura (24%), consumo humano (8%) e pecuária (1,7%). A escassez hídrica compromete tanto a produção agrícola e de alimentos quanto o abastecimento das populações locais. “A gente precisa de medidas que regulamentem para que se preserve uma determinada faixa dos cursos de água e que mantenha essa cobertura vegetal que é necessária, porque se a gente não tem, a gente tem o assoreamento. O curso da água com o passar do tempo vai reduzindo, foi uma das coisas que a gente percebeu, que vai se reduzindo, porque a malha urbana adentra o espaço do curso d’água. É preciso mitigar os danos e proteger as bases hidrográficas, de um modo geral”, afirma Gusmão.

O estudo identificou 17 tipos de serviços ecossistêmicos prestados pela bacia, que vão da regulação do clima e da qualidade do solo até a provisão de água, fibras, madeira e plantas medicinais, além de funções culturais como lazer e estética da paisagem. A Caatinga se mostrou estratégica: mesmo sob condições de seca, continua a prover 16 desses 17 serviços. Ainda assim, segue sendo um dos biomas mais negligenciados nas agendas políticas e acadêmicas, em comparação com florestas tropicais.

Para os autores, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas e ações comunitárias voltadas à restauração de áreas degradadas e à gestão integrada da terra e da água. Sem isso, a perda econômica e ambiental tende a se aprofundar, ameaçando a segurança hídrica e alimentar de milhões de pessoas no semiárido.


Fonte: Agência Bori

Estudo analisa o impacto das exportações de carne e soja no agravamento da escassez hídrica no Brasil

Um estudo publicado hoje pela revista científica “Communications Earth & Environment”, do grupo Nature, traz informações inéditas sobre o impacto das cadeias produtivas da carne bovina e da soja sobre o uso de água no Brasil, e eles não são nada desprezíveis segundo os autores do trabalho.

Os autores quantificaram o volume e a fonte de água doce utilizados para a produção e exportação de soja e carne bovina brasileiras para a China e a União Europeia (UE) juntamente com o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa para o período de 2015 a 2017. 

Os resultados obtidos demonstram que ambos os setores dependem principalmente de sistemas de abastecidos pelas águas das chuvas, mas também de  soja produzida a partir de sistemas irrigados, e de uma combinação de abeberamento do gado e reservatórios que servem como fonte de água potável.

Um dado particularmente preocupante é que entre  20% e 50% da água doce necessária para exportações para a China e a UE, respectivamente, dependem de bacias hidrográficas que apresentam escassez hídrica alta ou crítica. 

Quem desejar ler o trabalho em sua íntegra, basta clicar [Aqui!].

Agronegócio e escassez hídrica no Brasil: uma tragédia anunciada

Seca no Rio Madeira em 2024. Foto: Michael Dantas / AFP

Um levantamento feito pela Agência Pública no banco de dados da Agência Nacional de Águas (ANA) identificou que 50 grupos empresariais possuem outorgas de uso de água que alcançam 3,5 trilhões de litros de água, um valor que serviria para abastecer cerca de 98 milhões de pessoas (46% da população brasileira) por um ano. Há que se notar que 86% das outorgas eram para atividades do dito agronegócio.

O Brasil vive hoje um processo de diminuição da água existente em seus principais rios. Isso é o que mostram diferentes estudos científicos realizados nos últimos anos e publicados em importantes revistas científicas internacionais. As causas dessa perda da capacidade hídrica estão ligadas a problemas que vão desde as mudanças climáticas, passam pelo desmatamento na Amazônia e no Cerrado, e desembocam na outorga de trilhões de litros de água anualmente para uso pelo agronegócio e pela mineração.

Um levantamento feito pela Agência Pública no banco de dados da Agência Nacional de Águas (ANA) identificou que 50 grupos empresariais possuem outorgas de uso de água que alcançam 3,5 trilhões de litros de água, um valor que serviria para abastecer cerca de 98 milhões de pessoas (46% da população brasileira) por um ano. Nesse caso, há que se notar que 86% das outorgas eram para atividades do dito agronegócio.

Mas os problemas associados ao uso intenso de água pelo agronegócio estão entrelaçados ao processo de desmatamento, especialmente no bioma do Cerrado. Uma pesquisa da qual participei e que foi publicada em 2023 na revista Sustainability mostrou a perda da capacidade hídrica (ou seja, o ressecamento) em 82 bacias hidrográficas localizadas dentro do Cerrado. Essa perda de capacidade hídrica é especialmente preocupante, na medida em que são os rios do Cerrado que abastecem a maioria das bacias hidrográficas que abastecem o resto do Brasil. É uma espécie de efeito cascata no qual o ressecamento dos rios do Cerrado irá espalhar a seca por outras partes do Brasil.

Uma estratégia dos latifundiários para responder aos impactos oriundos do desmatamento, o uso de água subterrânea para irrigação, também colabora para que o volume dos rios esteja diminuindo. Um estudo publicado pela prestigiosa revista Nature em 2019 apontava para um lento processo que estava atingindo entre 15 e 21% das bacias hidrográficas que têm suas águas subterrâneas removidas, já atingiram um limiar ecológico crítico, dizem os autores — e que esse número pode subir rapidamente para algo entre 40 e 79% até 2050. Essa tendência foi confirmada de forma específica para o Brasil por um estudo publicado pela revista científica “Nature Communications”, que apontou que mais da metade dos rios brasileiros está perdendo água para o subsolo, o que deverá comprometer a vazão, o que afetará fortemente a quantidade de água disponível para consumo humano”.

Apesar das evidências de que caminhamos para um grave problema de abastecimento de água em um futuro não muito distante, e que os principais responsáveis são conhecidos, a privatização das empresas concessionárias na maioria dos estados e municípios torna a crise uma oportunidade para os donos do capital. É que, com demanda em crescimento e oferta em diminuição, a tendência será de aumentos explosivos do preço da água para os trabalhadores do campo e da cidade.

Em face desse cenário ameaçador, é preciso que o debate em torno da democratização do acesso à água, bem como da imposição das restrições sobre o consumo abusivo pelo agronegócio e pela mineração. Mas a receita para isso precisa nascer do reconhecimento de que não há como esperar soluções das estruturas criadas para gerir a privatização da água, a começar pela própria ANA e os chamados comitês de bacia. É que desse aparato não sairá uma gota de água para os pobres, pois foi criado para gerenciar a água não como um direito humano, mas mais uma commodity a ser comercializada para alcançar o lucro máximo. 

O caminho para evitar uma aguda crise social causada pela escassez da água terá de ser o da organização popular e do questionamento frontal do modelo privatista de gerenciamento dos recursos hídricos que foi estipulado em 1997 com a promulgação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Um exemplo prático de como o controle privado da água deve ser enfrentado pelos trabalhadores foi a chamada Revolta de Correntina, que ocorreu em 2017 na região oeste do estado da Bahia, quando milhares de pessoas se mobilizaram para denunciar o uso abusivo da água pelas atividades do agronegócio.  A replicação da mobilização de Correntina terá de estar na ordem do dia, pois, do contrário, a falta de água vai se tornar regra e não exceção.

Finalmente, há que se dizer que todo esse contexto de diminuição da quantidade de água facilmente disponível para consumo deverá ser piorado pelas mudanças climáticas com o aumento dos períodos de seca e de ondas de calor. Por isso, não há tempo para contemplar, pois a hora é agir. O quanto antes, melhor. 


Fonte: A Nova Democracia

Novos data centers das big techs vão extrair água das áreas mais secas do mundo

Amazon, Google e Microsoft estão construindo data centers em áreas com escassez  hídrica em cinco continentes 

Os três novos data centers propostos pela Amazon na região de Aragão, no norte da Espanha, estão licenciados para usar cerca de 755.720 metros cúbicos de água por ano, o suficiente para irrigar 233 hectares (576 acres) de milho, uma das principais culturas da região. Composição: The Guardian/Getty Images

Luke Barratt , Costanza Gambarini e gráficos de dados de Andrew Witherspoon e Aliya Uteuova para o The Guardian

Amazon , Microsoft e Google estão operando data centers que usam grandes quantidades de água em algumas das áreas mais secas do mundo e estão construindo muitos mais, segundo uma investigação da SourceMaterial e do Guardian.

Com Donald Trump prometendo apoiá-los, os três gigantes da tecnologia estão planejando centenas de data centers nos EUA e no mundo todo, com um impacto potencialmente enorme nas populações que já vivem com escassez de água.

“A questão da água se tornará crucial”, disse Lorena Jaume-Palasí, fundadora da Ethical Tech Society. “A resiliência, do ponto de vista dos recursos, será muito difícil para essas comunidades.”

Os esforços da Amazon , a maior varejista on-line do mundo, para mitigar seu uso de água geraram oposição dentro da empresa, descobriu a investigação da SourceMaterial, com um de seus próprios especialistas em sustentabilidade alertando que seus planos “não são éticos”.

Em resposta a perguntas do SourceMaterial e do Guardian, porta-vozes da Amazon e do Google defenderam seus projetos, afirmando que eles sempre levam em consideração a escassez de água. A Microsoft não quis comentar.

Data centers, grandes armazéns que contêm servidores em rede usados ​​para armazenamento e processamento remoto de dados, bem como por empresas de tecnologia da informação para treinar modelos de IA como o ChatGPT , usam água para resfriamento. A análise da SourceMaterial identificou 38 data centers ativos pertencentes às três grandes empresas de tecnologia em partes do mundo que já enfrentam escassez de água, além de outros 24 em desenvolvimento.

A localização dos data centers costuma ser segredo do setor. Mas, usando notícias locais e fontes do setor como Baxtel e Data Center Map, a SourceMaterial compilou um mapa de 632 data centers – ativos ou em desenvolvimento – de propriedade da Amazon, Microsoft e Google .

Isso mostra que os planos dessas empresas envolvem um aumento de 78% no número de data centers que elas possuem no mundo todo, já que a computação em nuvem e a IA causam um aumento na demanda mundial por armazenamento, com construções planejadas na América do Norte, América do Sul, Europa , Ásia, África e Austrália.

Em partes do mundo onde a água é abundante, o alto consumo de água em data centers é menos problemático, mas em 2023 a Microsoft afirmou que 42% de sua água vinha de “áreas com estresse hídrico”, enquanto o Google afirmou que 15% de seu consumo de água vinha de áreas com “alta escassez de água”. A Amazon não divulgou um número.

Agora, essas empresas planejam expandir suas atividades em algumas das regiões mais áridas do mundo, segundo a análise do SourceMaterial e do Guardian.

“Não é coincidência que eles estejam construindo em áreas secas”, já que os data centers precisam ser construídos no interior, onde a baixa umidade reduz o risco de corrosão do metal, enquanto a água do mar também causa corrosão se usada para resfriamento, disse Jaume-Palasí.

‘Sua nuvem está secando meu rio’

Os três novos data centers propostos pela Amazon na região de Aragão, no norte da Espanha — cada um próximo a um data center existente da Amazon — estão licenciados para usar cerca de 755.720 metros cúbicos de água por ano, aproximadamente o suficiente para irrigar 233 hectares (576 acres) de milho, uma das principais culturas da região.

Na prática, o uso de água será ainda maior, já que esse valor não leva em conta a água usada para gerar a eletricidade que alimentará as novas instalações, disse Aaron Wemhoff, especialista em eficiência energética da Universidade Villanova, na Pensilvânia.

Entre eles, prevê-se que os novos data centers da Amazon na região de Aragão consumirão mais eletricidade do que toda a região consome atualmente. Em dezembro, a Amazon solicitou ao governo regional permissão para aumentar em 48% o consumo de água em seus três data centers existentes.

Opositores acusaram a empresa de ser antidemocrática ao tentar apressar a aprovação do pedido durante o período de Natal. Mais água é necessária porque “as mudanças climáticas levarão ao aumento das temperaturas globais e à frequência de eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor”, escreveu a Amazon em seu pedido.

“Eles estão usando muita água. Estão usando muita energia”, disse Aurora Gómez, do grupo de campanha Tu Nube Seca Mi Río (em espanhol, “Sua nuvem está secando meu rio”), que pediu uma moratória sobre novos data centers na Espanha devido à escassez de água.

uma vista aérea de edifícios industriais

Um data center da Amazon em Stone Ridge, Virgínia. Fotografia: Nathan Howard/Bloomberg via Getty Images

A Espanha tem registrado um número crescente de mortes relacionadas ao calor em eventos climáticos extremos, associados por cientistas à crise climática. No mês passado, o governo de Aragão solicitou ajuda da UE para combater a seca.

O fazendeiro Chechu Sánchez disse que está preocupado que os data centers consumam a água necessária para suas plantações.

“Esses data centers usam água que vem do norte de Aragão, onde eu moro”, disse ele. “Eles consomem água – de onde a tiram? De vocês, é claro.”

Com 75% do país já em risco de desertificação, a combinação da crise climática e da expansão dos data centers está “levando a Espanha à beira do colapso ecológico”, disse Jaume-Palasí.

Questionado sobre a decisão de aprovar mais data centers, um porta-voz do governo aragonês disse que eles não comprometeriam os recursos hídricos da região porque seu impacto é “imperceptível”.

Compensação de água

A Amazon não divulga números totais sobre o consumo de água de seus data centers em todo o mundo. Mas afirma que atingirá o nível de “água positiva” até 2030, compensando seu consumo com o fornecimento de água para comunidades e ecossistemas em áreas de escassez em outros lugares.

A Amazon afirma que atualmente compensa 41% do seu consumo de água em áreas que considera insustentáveis. Mas essa abordagem já gerou polêmica dentro da empresa.

“Levantei a questão em todos os lugares certos de que isso não é ético”, disse Nathan Wangusi, ex-gerente de sustentabilidade hídrica da Amazon. “Eu discordava bastante desse princípio, vindo de uma formação puramente sustentável.”

A Microsoft e o Google também se comprometeram a se tornar “positivos em termos de água” até 2030 por meio da compensação de água, além de encontrar maneiras de usar a água de forma mais eficiente.

A compensação hídrica não funciona da mesma forma que a compensação de carbono, em que uma tonelada de poluentes removidos da atmosfera pode anular uma tonelada emitida em outro lugar, disse Wemhoff, especialista da Universidade Villanova. Melhorar o acesso à água em uma área não ajuda em nada a comunidade que perdeu o acesso a ela em uma área distante.

“O carbono é um problema global – a água é mais localizada”, disse ele.

A Amazon deveria buscar projetos de acessibilidade à água “porque é a coisa certa a fazer”, não para compensar o uso da empresa e fazer alegações de que é “positiva em termos de água”, disse Wangusi.

Em março, a Amazon anunciou que usaria IA para ajudar agricultores em Aragão a usar água de forma mais eficiente.

Mas essa é “uma estratégia deliberada de ofuscação” que desvia a atenção do pedido da empresa para aumentar o consumo de água, disse Gómez, o ativista.

A Amazon disse que sua abordagem não deve ser descrita como compensatória porque os projetos estão em comunidades onde a empresa opera.

“Sabemos que a água é um recurso precioso e estamos comprometidos em fazer a nossa parte para ajudar a resolver esse desafio”, disse Harry Staight, porta-voz da Amazon. “É importante lembrar que muitas de nossas instalações não exigem o uso contínuo de água para resfriar as operações.”

‘Seca extrema’

A Amazon é de longe a maior proprietária de data centers do mundo, graças à sua divisão de nuvem Amazon Web Services, mas o Google e a Microsoft estão se aproximando.

Nos EUA, que ostenta o maior número de data centers do mundo, o Google tem maior probabilidade de construir em áreas áridas, mostram dados da SourceMaterial. A empresa possui sete data centers ativos em regiões dos EUA que enfrentam escassez de água e está construindo mais seis.

“Precisamos ser muito, muito cautelosos com o crescimento de grandes consumidores de água”, disse Jenn Duff, vereadora de Mesa, Arizona , um centro de data centers em rápido crescimento. Em janeiro, a Meta, dona do Facebook, WhatsApp e Instagram, inaugurou um data center de US$ 1 bilhão na cidade, e o Google está desenvolvendo mais dois.

O condado vizinho de Maricopa, onde a Microsoft também possui dois data centers ativos, está enfrentando uma “seca extrema”, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Em junho de 2023, autoridades estaduais do Arizona revogaram as licenças de construção de algumas novas casas no local devido à falta de água subterrânea.

A seca não interrompeu os planos do Google para um segundo centro de dados em Mesa, enquanto seu primeiro centro tem uma licença para usar 5,5 milhões de metros cúbicos de água por ano — aproximadamente a mesma quantidade usada por 23.000 cidadãos comuns do Arizona .

“O aumento da arrecadação tributária e o número relativamente pequeno de empregos valem a pena?”, questionou Kathryn Sorensen, professora da Universidade Estadual do Arizona e ex-diretora do departamento de águas de Mesa. “Cabe às câmaras municipais refletir com muito cuidado e analisar as compensações.”

O Google disse que não usará toda a quantidade de água em sua licença de Mesa, pois planeja usar um sistema de resfriamento de ar.

“Os sistemas de resfriamento são uma decisão hiperlocal, informada por nossa estratégia baseada em dados chamada ‘resfriamento consciente do clima’, que equilibra a disponibilidade de energia livre de carbono e água de origem responsável para minimizar o impacto climático hoje e no futuro”, disse o porta-voz do Google, Chris Mussett.

Portal Estelar

Em janeiro, na Casa Branca, Trump anunciou o “Projeto Stargate”, que ele chamou de “o maior projeto de infraestrutura de IA da história”.

Começando no Texas, a joint venture de US$ 500 bilhões entre a OpenAI, a empresa de software americana Oracle , a SoftBank sediada no Japão e a empresa de investimentos dos Emirados Árabes Unidos MGX financiará data centers nos EUA.

Um dia antes do anúncio do Stargate, data da posse de Trump, a empresa chinesa DeepSeek lançou seu próprio modelo de IA, alegando que ele havia usado muito menos poder de computação — e, portanto, menos água — do que seus rivais ocidentais.

Mais recentemente, a Bloomberg noticiou que a Microsoft está recuando em alguns de seus planos para novos data centers ao redor do mundo. A Microsoft também publicou planos para um data center “sem uso de água”, e o Google afirmou que incorporará resfriamento a ar para reduzir o consumo de água – embora ainda não esteja claro como seus sistemas funcionarão.

“Só acredito quando vejo”, disse Jaume-Palasí. “A maioria dos data centers está migrando do resfriamento a ar para o resfriamento a água porque o resfriamento a líquido é mais eficiente quando se tenta resfriar racks de alta densidade, que são os mais usados ​​para IA.”

E embora o governo Trump tenha prometido acelerar novos projetos de energia para alimentar esses novos data centers, até agora não disse nada sobre a água que eles poderiam consumir.

“Nem pessoas nem dados podem viver sem água”, disse Gómez. “Mas a vida humana é essencial e os dados não.”


Fonte: The Guardian

Consumo de água em tempos de escassez hídrica

Segundo uma pesquisa, muitos europeus querem se tornar mais econômicos, mas não sabem exatamente como fazer isso

O maior consumo privado de água ocorre no banheiro e no jardim. Foto: IMAGO/Rolf Kosecki

Por Joaquim Wille para o Neues Deutschland 

Campos secos, aumento da mortandade florestal, rios secos: a Alemanha e a Europa Central passaram por vários anos extremamente secos na última década, sendo os piores de 2018 a 2020 e 2022. Essa experiência aparentemente deixou uma impressão duradoura nas pessoas, como mostra uma pesquisa recente por ocasião do próximo Dia Mundial da Água.

Cerca de dois terços dos europeus preveem escassez de água num futuro próximo, e uma grande maioria de 87% considera importante usar água com moderação em suas casas. No entanto, mais de um terço ainda não instalou dispositivos de economia de água. O principal motivo é provavelmente que muitas pessoas subestimam o consumo real em suas casas. Embora muitos digam que economizar água é importante, de acordo com a pesquisa, 79% subestimam seu consumo real de água. Mais de um quinto (22%) acredita que o consumo per capita na Europa é de apenas um a dez litros por dia. Na realidade, a média é de 144 litros.

De acordo com a Agência Federal do Meio Ambiente (UBA), na Alemanha, o país com a maior população da UE, o consumo de água potável em residências e pequenas empresas diminuiu durante um longo período de tempo nas últimas três décadas, de 144 litros per capita por dia em 1991 para 123 litros em 2016. No entanto, o consumo aumentou novamente durante os anos secos. No ano extremo de 2019, a média foi de 128 litros, e no ano também muito seco de 2022, foi de 126 litros. O motivo do aumento foi a maior demanda de água nos meses muito quentes e secos do verão, de acordo com a UBA.

Recentemente, a situação da água melhorou novamente devido a algumas chuvas fortes. Os solos, que às vezes secavam nos dois metros superiores em quase todo o país, se recuperaram em grande parte, como mostra o “Monitor de Secas” do Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental em Leipzig. No entanto, há casos atípicos em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo e Saxônia, onde regiões com “seca severa” e “seca extrema” são atualmente indicadas para o “solo total” até uma profundidade de cerca de 1,80 metros.

Cerca de dois terços dos europeus preveem escassez de água num futuro próximo.

Pesquisas climáticas prevêem que anos secos se tornarão mais frequentes no futuro devido ao avanço do aquecimento global. O Instituto de Tecnologia de Karlsruhe apresentou um estudo que mostra que os níveis das águas subterrâneas, especialmente no norte e leste da Alemanha, podem cair significativamente ao longo deste século, mesmo se o aquecimento global for mantido abaixo de dois graus. Especialistas estão até discutindo o fornecimento de energia de longo prazo para Berlim, com seus 3,9 milhões de habitantes, por meio de uma usina de dessalinização de água do mar na costa do Báltico e um gasoduto de 250 quilômetros de extensão.

Portanto: economizar água pode ajudar a mitigar tais cenários. A pesquisa apresentada agora fornece pistas sobre o motivo pelo qual muitas famílias ainda fazem muito pouco para garantir o uso eficiente da água. Os principais obstáculos citados por aqueles que não planejam mudar para torneiras economizadoras de água e outras soluções de eficiência são: medo dos altos custos dos dispositivos de economia de água (28%), falta de informação (25%) e falta de interesse (24%).

Aqueles que estão em um curso de poupança, por outro lado, esperam principalmente ganhos financeiros: 34% citaram “economizar dinheiro” como o principal motivo. Outras razões, como garantir recursos hídricos para as gerações futuras e proteger o meio ambiente (23% cada), vieram depois.

Como a maior parte do consumo de água em casa é para tomar banho, tomar banho e usar o vaso sanitário, acessórios economizadores de água podem dar uma contribuição importante para economizar água sem ter que sacrificar o conforto. Isso é enfatizado pelo fabricante Grohe, de Düsseldorf, que encomendou a pesquisa. A empresa anuncia grande potencial de economia financeira para seus clientes. Com a “tecnologia Ecojoy” que ele desenvolveu, o consumo de água pode ser reduzido em quase 50%. Isso também reduz os custos de preparação de água quente. A empresa calcula que uma família de quatro pessoas que usa um chuveiro econômico economiza até 47.000 litros de água e 573 euros por ano em custos de água e energia. O preço de compra da poupança poderia, portanto, ser amortizado em menos de um mês.

A pesquisa “Grohe Water Insights 2025” também abordou a situação nos EUA e no Oriente Médio. Não é de se espantar que países como Arábia Saudita e Marrocos estejam à frente das outras regiões em termos de conscientização sobre problemas e priorização pessoal. Com 60% das residências usando conexões economizadoras de água, o uso dessas conexões é um pouco mais difundido aqui.

Na Europa, o risco de escassez de água é considerado mais provável do que nos EUA. No entanto, embora a intenção de economizar água seja semelhante (69%), os acessórios de economia de água.

Na Europa, o risco de escassez de água é considerado mais provável do que nos EUA. No entanto, embora a intenção de economizar água seja semelhante (69%), os acessórios de economia de água são mais amplamente aceitos na Europa (57%) do que na América do Norte (47%).


Fonte: Neues Deustchland

Relatório do governo dos EUA descobre que cerca de 30 milhões de seus habirantes enfrentam escassez hídrica

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Por Carey Gillam para o “The New Lede”

Quase 30 milhões de pessoas vivem em áreas dos EUA com abastecimento limitado de água, à medida que o país enfrenta preocupações crescentes sobre a disponibilidade e a qualidade da água, de acordo com uma nova avaliação feita por cientistas do governo.

O US Geological Survey (USGS), que faz parte do Departamento do Interior, emitiu o que disse ser um relatório inédito na semana passada, com o diretor do USGS, David Applegate, alertando sobre “desafios crescentes a esse recurso vital”. O relatório de 16 de janeiro, com base em dados de 2010 a 2020, examina não apenas os suprimentos de água, mas também os padrões de demanda e a qualidade da água. O relatório mostrou que a maior parte do país teve suprimentos que excederam a demanda durante o período examinado, mas tendências preocupantes foram observadas.

“A disponibilidade de água é um problema em todo os EUA e além”, disse Lori Sprague, gerente do programa nacional do USGS para a avaliação da disponibilidade de água, em um webinar apresentando o relatório. “Isso levanta a questão – temos água suficiente para sustentar a economia, os ecossistemas e o abastecimento de água potável da nossa nação?”

Entre as principais descobertas da nova análise estava que pessoas consideradas “socialmente vulneráveis” têm um risco maior de sofrer com suprimentos limitados de água. No geral, cerca de 27 milhões de pessoas viviam em áreas onde o USGS encontrou um “alto grau de estresse hídrico local”. E uma proporção maior de pessoas vivendo nessas áreas foi considerada socialmente vulnerável em comparação com aquelas vivendo em áreas com mais disponibilidade local de água, disse o USGS.

O relatório também acrescentou evidências de poluição generalizada em cursos d’água nas regiões do Centro-Oeste e das Planícies Altas dos EUA, onde níveis preocupantes de concentrações de nitrogênio e fósforo — associados em grande parte a grandes operações de criação de animais — podem representar uma ameaça à saúde humana.

O USGS disse que “áreas substanciais” de aquíferos que fornecem cerca de um terço do abastecimento público de água têm concentrações elevadas de contaminantes como arsênio, manganês, radionuclídeos e nitrato, e que comunidades de baixa renda e dominadas por minorias e pessoas com poços domésticos como fonte de água potável sofrem maior exposição a esse tipo de contaminação da água potável.

Várias regiões estavam consumindo suprimentos com porcentagens de concentrações de contaminantes que excediam os padrões de segurança para a saúde humana, informou o USGS.

E o relatório do USGS reforçou as preocupações sobre as mudanças climáticas, dizendo que o “aumento constante da temperatura global como resultado da atividade humana está causando mudanças no ciclo da água da Terra”.

“A quantidade de água armazenada dentro e se movendo entre os componentes de vapor, líquido e congelado do ciclo da água está mudando, com consequências substanciais para a disponibilidade de água”, disse o USGS.

O recém-empossado presidente Donald Trump expressou ceticismo sobre as mudanças climáticas e já começou a reverter medidas destinadas a reduzir os impactos nocivos do aquecimento do planeta.

As mudanças climáticas que impactam a disponibilidade de água incluem estações de inverno mais quentes e mais curtas, calor extremo, seca, tempestades de vento, redução da cobertura de neve. O USGS observou que as mudanças climáticas impactam a qualidade da água também, com ameaças à qualidade representadas pelo aumento da temperatura da água, inundações e intrusão de água salgada em áreas costeiras. Em alguns lugares, o equilíbrio entre oferta e demanda é adequado, mas o fluxo do rio é alterado de maneiras que são prejudiciais à comunidade ecológica local, disse o USGS.

A agência citou três espécies de peixes que são “de preocupação de conservação” e disse que uma grande porcentagem de seu habitat foi afetada por desequilíbrios de fornecimento e uso de água. Uma espécie, o Arkansas River Shiner, teve mais de 50% de sua área de habitat em grave desequilíbrio de fornecimento e uso, por exemplo.

A maior “variabilidade interanual” na precipitação durante o período de 2010–2020 foi observada nas regiões hidrológicas Califórnia–Nevada, Texas, Southern High Plains e Southwest Desert. E os níveis de água subterrânea foram considerados baixos em comparação com as médias históricas em aquíferos importantes dos quais milhões de pessoas dependem, da Califórnia à costa norte do Atlântico.

Os aquíferos das Planícies Altas continuaram a mostrar declínios, que o USGS observou serem parte de uma “longa história de esgotamento das águas subterrâneas na região”. Além disso, um mapa de estresse crescente nos suprimentos de água da superfície mostra condições particularmente terríveis nas Planícies Altas Centrais e do Sul, e no Texas.

Os agricultores que irrigam as plantações continuaram sendo os principais usuários do abastecimento de água dos EUA, respondendo por mais de 416,4 milhões de litros usados ​​por dia, em média, em 2020, disse o USGS.

O USGS vem estimando o uso da água há décadas, mas espera que suas novas abordagens de modelagem forneçam uma compreensão mais abrangente do uso da água nos EUA, disseram autoridades.


Fonte: The New Lede