JP Morgan informa: nuvens negras avançam sobre a economia mundial em 2019

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Enquanto no Brasil se vive uma espécie de transe com todas as medidas já implementadas pelo governo Bolsonaro, os sinais que apontam no horizonte da economia mundial indicam que em 2019 a economia mundial deverá, muito em conta por causa da guerra comercial entre os EUA e a China.

Pelo menos isso é o que acreditam os analistas da J.P. Morgan Chase conforme aponta a jornalista Sarah Feldman no artigo que segue abaixo. Em outras palavras, a coisa está mais para tempestade do que para céu de brigadeiro na economia mundial.

E no meio desse turbilhão, seguirá o Brasil sob o comando do governo Bolsonaro.

Crescimento Global da Economia deverá diminuir em 2019

Por Sarah Feldman para o Statista

Enquanto uma turbulência política e diplomática varreu o cenário mundial no último semestre de 2018, as perspectivas econômicas para 2019 foram atingidas, de acordo com novas estimativas do JP Morgan.

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A China experimentou um crescimento de 6,6% no PIB real em 2018,  mas para 2019 o JP Morgan estima que o país chegará perto de um crescimento de 6,2% no PIB real. Os Estados Unidos experimentaram um crescimento de cerca de 3% do PIB real em 2018. A partir de 2019, segundo o JP Morgan os EUA podem esperar uma taxa de crescimento do PIB real de 2,4%.

Essas taxas de crescimento reduzidas vêm depois do início da guerra comercial entre os EUA e a China atingiu um crescendo no final do ano. Na Cúpula do G20, houve promessas de ambos os lados para aliviar as tensões, embora essas garantias ainda não tenham se traduzido em ações substanciais. No período que antecedeu os feriados, o mercado acionário perdeu todos os seus ganhos desde setembro de 2017. As perspectivas de crescimento global para o mundo e para a área do euro permanecem relativamente estáveis, com pouco ou nenhum crescimento previsto do PIB real.


O artigo de Sarah Feldman foi originalmente publicado em inglês [Aqui!]

O significado e os riscos estratégicos da “Via Bolsonaro” para recolonizar o Brasil

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Na imagem acima dois momentos em que Jair Bolsonaro presta continência a símbolos estadunidenses, indicando de forma clara suas intenções de alinhamento político aos EUA que, por sua vez, trará a subordinação econômica aos interesses das corporações estadunidenses.

Apesar das muitas análises que vejo no sentido de tentar explicar a vitória de Jair Bolsonaro e as propostas objetivas de recolonização do Brasil que o seu governo buscará implenetar, creio que a maioria dos analistas continua preso a uma aproximação rasa da realidade. E isso não se dá por falta de instrumentos teóricos para oferecer uma reflexão mais aprofundada que explica a opção aparentemente suicida das elites brasileiras por um governo que abertamente flerta com a destruição do que resta da economia nacional.

Penso que não é nem necessário ir muito longe em termos de teoria para encontrar algumas pistas pela opção feita pelos ultrarricos brasileiros. Apesar de já ter lido há algum tempo o livro “O Mito do Desenvolvimento Econômico” que Celso Furtado publicou no exílio no ano de 1974 [1], lembro de uma passagem onde está dito que no modelo de desenvolvimento adotado no Brasil, o padrão consumo das elites locais tenderá a imitar a praticada pelas das suas congêneres nos países do capitalismo central. Isto, por sua vez, decorre de uma opção de instaurar a modernização da economia sem que haja qualquer intenção de se romper com os padrões existentes de concentração da riqueza.

Esta elaboração de Celso Furtado me parece perfeita para explicar a opção reacionária da quase totalidade dos ultrarricos por um governo que buscará erradicar as poucas formas de distribuição de renda, que nem chegaram perto de descontrar a riqueza nacional, e recolocar o Brasil na condição de uma colônia provedora de commodities agrícolas e minerais. É que nesse modelo não haverá espaço para indústria nacional ou, sequer, indústria.  Mas apesar de saberem disso, organizações patronais como a FIESP e a FIERJ se alinharam de forma entusiasmada às propostas de Jair Bolsonaro e seu “Posto Ipiringa”, o economista Paulo Guedes que sinaliza com um ataque virulento ao chamado Sistema “S” de onde a elite industrial tira muitas vantagens.

A explicação para esta adesão aparentemente suicida das elites nacionais, pois o ataque aos pouco de mecanismos de distribuição de renda via políticas sociais deverá destruir a frágil base de consumo de massas existente no Brasil, só se explica pela certeza de que não se modificará o sistema de parasistimo rentista do qual as elites retiram mais riqueza do que se estivessem investindo em atividades produtivas. As elites apostam nessa manutenção para mover seu capital ainda mais para a especulação, e pouco se importam com o destino trágico que espera milhões de brasileiros pobres que não possuem os mesmos canais de escape ao ajuste ultraneoliberal que se avizinha.

O problema que até aqui todos parecem preferir ignorar são os sinais de que a economia global está próxima de um novo e mais profundo surto de crise estrutural, justamente pelo sobrepeso representado pela especulação financeira. E que se note que esta ignorância das elites nacionais não se dá por falta de sinais claros vindos das bolsas mundiais, a começar por Wall Street, mas por uma decisão férrea de seguir apoiando um processo de recolonização da economia brasileira.  É por isto que  por ter feito esta opção por uma completa subordinação aos interesses do rentismo financeiro global, as elites se comportam como o capitão do Titanic depois que o navio foi atingido pelo iceberg e se comportam como a música não pudesse parar.

Nesse processo, a opção das elites por Bolsonaro e por um comportamento esquizóide de ignorar os alarmes que estão soando talvez resida a melhor oportunidade da classe trabalhadora brasileira de se restabelecer como o elemento dinâmico da realidade nacional.  É que não restará outro caminho para a sobrevivência de padrões mínimos de dignidade que o de combater de forma prática uma opção que só irá beneficiar as elites.


Quem desejar baixar o arquivo contendo o “Mito do Desenvolvimento Econômico” de Celso Furtado, basta clicar[Aqui!

Enquanto Brasil afronta, EUA vendem soja para a China

As últimas semanas têm sido caracterizadas por uma série de ataques de membros da família Bolsonaro contra a China, percebida como um dos componentes de uma pretensa ameaça comunista ao Brasil [1]. Isto em que pese a China ser atualmente o primeiro parceiro comercial do Brasil, sendo inclusive o principal mercado para a soja, principal commodity da agricultura brasileira.

Pois bem, eis que hoje (13/12), o jornal China Daily publicou uma matéria informando que a China irá realizar uma grande aquisição de soja, só que dos EUA [2].  Esta compra será segundo o China Daily, uma espécie de porta voz extra oficial do governo chinês, uma demonstração de boa vontade da China para com os EUA no processo de retomada de negociações para resolver as pendências comerciais existentes entre os dois países.

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Como se pode verificar de apenas esta única aquisição que beira o valor de US$ 180 milhões, o governo Trump pode até arreganhar os dentes para a China, mas não tem como desprezar o potencial de consumo do mercado chinês. E aí o que conta é a necessidade de vender produtos, e a ideologia que se dane.

A coisa é que a geopolítica da trocas capitalistas não tem mais (se algum dia já teve) espaço para amadores. E seria bom que o governo Bolsonaro entendesse isso logo na relação com a China. Do contrário, quem vai acabar sendo isolado do mercado chinês de soja será o Brasil. Aí eu gostaria de ver o que diriam os latifundiários que ajudaram a eleger Jair Bolsonaro.


[1] https://www.brasil247.com/pt/247/poder/376943/Chanceler-informal-Eduardo-Bolsonaro-amea%C3%A7a-rela%C3%A7%C3%A3o-Brasil-China.htm

[2] http://www.chinadaily.com.cn/a/201812/13/WS5c127dbaa310eff303290e56.html

Jair Bolsonaro presta continência a John Bolton. O que fará quando encontrar com o chefe dele na Casa Branca?

O jornal “Folha de São Paulo” publicou uma matéria hoje sobre a visita do assessor da Casa Branca, John Bolton, à residência do presidente eleito do Brasil, dando conta que antes da conversa começar, Jair Bolsonaro teria prestado continência à John Bolton [1].

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Como John Bolton é apenas um assessor, dentre muitos, de Donald Trump, eu fico imaginando qual reverência Bolsonaro irá prestar a Donald Trump numa eventual visita à Casa Branca.

Para o pessoal que dizia que a bandeira do Brasil nunca será vermelha, a informação dessa continência implica que sob o governo de Bolsonaro, poderemos ver a nossa bandeira voltar a ser parecida com a bandeira que vigiu entre 15 e 19 de Novembro de 1989 (ver abaixo), apenas se trocando o verde e amarelo pelo vermelho, azul e branco.

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E como conheço um pouco os estadunidenses, Bolton deve ter feito muitas piadas desse gesto ao narrar o encontro para seus superiores.  É que pode se dizer que se quiser dos republicanos, mas eles possuem senso de humor.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/11/bolsonaro-se-encontra-com-assessor-de-trump-no-rio.shtml

Brasil tem dois chanceleres, que somados não dão um

Mas que juntos causam estragos mesmo antes do governo Bolsonaro ter começado!

O giro do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) está servindo para que ele se posicione como um chanceler de fato (ainda que o nome indicado pelo pai para o posto seja o embaixador, cético quanto às mudanças climáticas, Ernesto Fraga).

Em seu giro por Washigton D.C., Eduardo Bolsonaro já confirmou a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, alinhou o Brasil às políticas anti Irã, e ainda se prestou a ser uma espécie de menino propaganda da campanha de reeleição de Donald Trump em 2020 (ver imagem abaixo).

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Em minha experiência de vida no território estadunidense que incluiu contratos como consultor do Painel de Inspeção do Banco Mundial, eu aprendi algo sobre os estadunidenses que deveria ser simples. Os dirigentes daquele país não possuem muito respeito em quem não lhes mete muito medo.  Aliás, quanto mais subalternizado e deslumbrado for o visitante, menos respeito eles terão por ele. 

E o pior é que com essa tendência à tagarelice incontrolável, o deputado federal Eduardo Bolsonaro está prestando um grande desserviço aos interesses econômicos nacionais que têm nos países árabes um dos nossos principais mercados. E o pior é que em diversas commodities (como a soja e o milho), o Brasil e os EUA competem pelos mesmos mercados. Em outras palavras, toda essa submissão aos interesses dos EUA só trarão prejuízos econômicos e políticos ao Brasil.

Por fim, há que se lembrar que a posição pragmática do Brasil nas relações internacionais tem nos poupado, por exemplo, de sofrermos ataques terroristas como os que ocorrerão na França, na Inglaterra, e nos próprios EUA.  Mas agora, com esses dois chanceleres que somados não dão um,  podemos estar entrando numa nova era, só que de ataques terroristas protagonizados por militantes islâmicos que verão na transferência de nossa embaixada para Jerusalém um motivo justo para que o Brasil se torne um alvo de suas ações.

 

O relatório climático dos EUA sinaliza tempos difíceis para o chanceler que nega as mudanças climáticas

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A mídia internacional está dando amplo espaço ao relatório liberado na última 6a. feira pela comunidade científica estadunidense [1] dando conta das consequências drásticas que as mudanças climáticas terão sobre os EUA [2,3,4 e 5].

Essa repercussão é esperada, pois o chamado “National Climate Assessment” traz previsões gravíssimas para o funcionamento da economia e para os habitantes dos EUA, ainda principal motor da economia mundial.  Além disso, como o grupo de cientistas envolvidos na produção do relatório reúne alguns dos principais experts mundiais em cada uma das áreas analisadas como sendo impactadas pelas mudanças climáticas, o peso do que está sendo previsto ganha quase o selo de uma chancela oficial da comunidade científica mundial ao que está lá posto.

Como o presidente Donald Trump irá responder ao relatório não chega a ser importante, pois ele certamente continuará com sua postura negacionista em relação às mudanças climáticas. Importante será a resposta de governos estaduais e municipais por todos os EUA que deverão aumentar as pressões pela adoção de formas de funcionamento da economia que reduzam as emissões dos gases poluentes e consumam menos água, um bem comum que estará gravemente ameaçado pelas mudanças climáticas que se confirmam a cada furacão que passa pelo território estadunidense.

 No caso do Brasil, onde o presidente eleito nomeou um ministro das relações exteriores que afirma que as mudanças climáticas são uma trama de comunistas, a reação da mídia corporativa foi a mais fria possível, e o relatório acabou sendo apresentado em matérias secundárias. Isto, contudo, não impedirá que as políticas de liberação do desmatamento e do uso intensivo de agrotóxicos (que entre outras coisas aumentará a contaminação das águas) sejam analisadas com lupa pelo resto do mundo. É que se os estadunidenses estão prevendo consequências drásticas decorrentes das mudanças climáticas, não será um chanceler negacionista que irá representar os interesses nacionais numa comunidade internacional cada vez mais pressionada pelas evidências científicas de que o clima da Terra está sendo modificado pelo funcionamento da economia.

Com isso, as políticas do “libera geral” do futuro governo federal estão em xeque mesmo antes de serem oficialmente iniciadas.  E, pior, com um chanceler que parece disposto a remar contra a maré das evidências cientificas. Isto, meus caros, não tem como dar certo.


[1] https://blogdopedlowski.com/2018/11/24/por-que-um-grave-aviso-climatico-foi-enterrado-numa-black-friday/

[2] https://www.nytimes.com/2018/11/23/climate/us-climate-report.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

[3] https://www.theguardian.com/environment/2018/nov/23/climate-change-america-us-government-report

[4] https://www.lemonde.fr/planete/article/2017/08/28/le-rechauffement-climatique-rend-l-est-des-etats-unis-extremement-vulnerable_5177466_3244.html

[5] https://www.tagesspiegel.de/politik/bericht-des-national-climate-assessment-us-behoerden-warnen-vor-schweren-schaeden-durch-klimawandel/23676748.html

Por que um grave aviso climático foi enterrado em uma Black Friday?

Em um novo relatório massivo, cientistas federais contradizem o presidente Trump e afirmam que a mudança climática é um perigo crescente para os Estados Unidos. Pena que saiu em um feriado.

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Bombeiros lutam contra o King Fire perto de Fresh Pond, Califórnia, em setembro de 2014. NOAH BERGER / REUTERS

Por Robinson Meyer para o “The Atlantic” [1]

Na Black Friday, o dia de compras mais movimentado do ano, o governo federal dos EUA publicou um enorme e terrível relatório sobre as mudanças climáticas. O relatório alerta, repetida e diretamente, que a mudança climática poderá em breve colocar em perigo o modo de vida americano, transformando todas as regiões do país, impondo custos frustrantes à economia e prejudicando a saúde de praticamente todos os cidadãos.

Mais significativamente, a Avaliação Nacional do Clima – que é endossada pela NASA, NOAA, pelo Departamento de Defesa e por outras 10 agências científicas federais – contradiz quase todas as posições tomadas sobre o assunto pelo presidente Donald Trump. Enquanto o presidente insiste que o combate ao aquecimento global prejudicará a economia, o relatório responde: As mudanças climáticas, se não forem controladas, podem custar à economia centenas de bilhões de dólares por ano e matar milhares de americanos. Onde o presidente disse que o clima “provavelmente” “mudará de volta”, o relatório responde: muitas conseqüências da mudança climática durarão milênios, e algumas (como a extinção de espécies vegetais e animais) serão permanentes. 

O relatório é uma grande conquista para a ciência americana. Representa décadas cumulativas de trabalho de mais de 300 autores. Desde 2015, cientistas de todo o governo, universidades estaduais e empresas dos Estados Unidos leram milhares de estudos, resumindo e agrupando-os neste documento. Por lei, uma Avaliação Nacional do Clima como essa deve ser publicada a cada quatro anos.

Pode parecer engraçado despejar um relatório sobre o público na Black Friday, quando a maioria dos americanos se preocupa mais com a recuperação do jantar de Ação de Graças do que com a adaptação às graves conclusões da ciência do clima.

De fato, quem mandou o relatório ser liberado hoje? É uma boa pergunta sem resposta óbvia.

O relatório é contundente: a mudança climática está acontecendo agora, e os seres humanos estão causando isso. “O clima da Terra está mudando mais rápido do que em qualquer outro momento da história da civilização moderna, principalmente como resultado das atividades humanas”, declara sua primeira sentença. “A suposição de que as condições climáticas atuais e futuras se assemelham ao passado recente não é mais válida”.

Nesse ponto, tal ideia pode ser uma sabedoria comum – mas isso não torna menos chocante ou menos correto. Durante séculos, os seres humanos viveram perto do oceano, assumindo que o mar muitas vezes não se moverá de sua localização fixa. Eles plantaram trigo na época e milho na época, supondo que a colheita não fracasse com frequência. Eles se deliciaram com a neve de dezembro e aguardavam ansiosamente as flores da primavera, supondo que as estações não mudariam de curso.

Agora, o mar está subindo acima de sua costa, a colheita está fracassando, e as estações chegam e partem em desordem.

O relato conta essa história, colocando um fato simples em fatos simples para construir um terrível edifício. Desde 1901, os Estados Unidos aqueceram 1oC . As ondas de calor agora chegam ao início do ano e diminuem mais tarde do que na década de 1960. A neve nas montanhas da costa Oeste encolheu dramaticamente no último meio século. Dezesseis dos 17 anos mais quentes registrados ocorreram desde 2000.

Essa tendência “só pode ser explicada pelos efeitos que as atividades humanas, especialmente as emissões de gases de efeito estufa, tiveram sobre o clima”, diz o relatório. Ele adverte que, se os humanos quiserem evitar 2oC de aquecimento, eles devem reduzir drasticamente esse tipo de poluição até 2040. Por outro lado, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem aumentando, a Terra poderia aquecer até 5oC até 2100

“Isso nos mostra que a mudança climática não é uma questão distante. Não é sobre plantas, animais ou uma geração futura. É sobre nós, vivendo agora”, diz Katharine Hayhoe, autora do relatório e cientista da Universidade de Tecnologia do Texas.

O relatório visita cada região dos EUA, descrevendo as turbulências locais provocadas por uma transformação global. Do outro lado do sudeste, incêndios florestais maciços – como os vistos agora na Califórnia – podem em breve se tornar uma ocorrência comum, sufocando Atlanta e outras cidades em poluição tóxica, adverte. Na Nova Inglaterra e no meio do Atlântico, as ilhas-barreira à beira-mar podem sofrer erosão e estreitamento. E no Centro-Oeste, prevê a queda dos rendimentos de milho, soja, trigo e arroz.

As projeções sobre o aumento do nível do mar são igualmente sinistras. Se a poluição por carbono continuar a aumentar, uma enorme faixa da costa do Atlântico – da Carolina do Norte até o Maine – terá uma elevação de 1,5 metro no nível do mar até 2100. Nova Orleans, Houston e a Costa do Golfo também podem enfrentar um aumento de um metro. Até Los Angeles e San Francisco puderam ver o Oceano Pacífico subir por um metro. Mesmo que a humanidade reduzisse a queima de combustíveis fósseis, o relatório prevê que Nova Orleans ainda pode ver um aumento de um metro e meio no nível do mar até 2100.

Andrew Light, outro autor do relatório e membro sênior do World Resources Institute, disse que, embora o relatório não possa fazer recomendações de políticas, pode ser lido como um endosso do Acordo de Paris sobre mudança climática.

“Se os Estados Unidos tentassem atingir as metas do Acordo de Paris, então as coisas seriam ruins, mas podemos administrar”, disse ele. “Mas se não os encontrarmos, estamos falando de centenas de milhares de vidas todos os anos que correm risco por causa da mudança climática. E centenas de bilhões de dólares.

Se você acha que a sexta-feira após o Dia de Ação de Graças parece um dia estranho para publicar um relatório tão importante, você está certo. A avaliação foi originalmente programada para ser divulgada em dezembro em uma grande conferência científica em Washington, DC. Mas no início desta semana, as autoridades anunciaram que o relatório sairia duas semanas antes, na tarde da Black Friday. Quando notícias politicamente inconvenientes são publicadas nas últimas horas de uma semana de trabalho, os políticos chamam isso de “despejo de notícias de sexta-feira”. Publicar um terrível relatório climático nas últimas horas da Black Friday pode ser o maior despejo de notícias de uma sexta-feira na história . 

Então, quem mandou que se se fizesse o despejo? Durante uma conferência de imprensa na sexta-feira, os responsáveis pelo relatório dentro do governo repetidamente se recusaram a dizer. “É mais cedo do que o esperado”, disse Monica Allen, porta-voz da NOAA. “Este relatório não foi alterado ou revisado de forma alguma para refletir considerações políticas.”

No entanto, a mudança no agendamento surpreendeu os autores do relatório. John Bruno, autor do relatório e biólogo de corais da Universidade da Carolina do Norte, disse-me que só soube na última sexta-feira que o relatório seria divulgado hoje. “Não houve explicação ou justificativa”, disse ele. “A liderança [da avaliação] implicou que o momento estava sendo ditado por outra entidade, mas não disse quem era”.

Hayhoe me disse que só soube na terça-feira que o relatório seria divulgado na sexta-feira. Na época, ela estava preparando três tortas para uma família no Dia de Ação de Graças. Ela colocou as tortas de lado e pegou seu laptop para enviar as revisões finais do documento.

A Casa Branca não respondeu diretamente quando perguntou quem tinha ordenado tal mudança. Ele também não respondeu diretamente quando perguntado se o relatório levaria o presidente Trump a reconsiderar suas crenças.

Mas uma porta-voz da Casa Branca enviou-me uma longa declaração dizendo que “os Estados Unidos lideram o mundo fornecendo energia acessível, abundante e segura para nossos cidadãos, enquanto também lidera o mundo na redução das emissões de dióxido de carbono”. É verdade se você começar a contar em 2005, quando as emissões dos EUA atingirem o pico.) A porta-voz disse que a nova avaliação foi baseada no “cenário mais extremo” e prometeu que qualquer relatório futuro teria um “processo mais transparente e orientado por dados”.

Não que Hayhoe tivesse grandes expectativas sobre a reação do presidente Trump ao relatório. “Não era a esperança que o governo federal olharia para isso e diria: ‘Oh meu Deus! Eu vejo a luz”, ela me disse.

Em vez disso, ela disse que esperava que o relatório informasse ao público: “Esta informação não é apenas para o governo federal. Essa é uma informação que toda cidade precisa, cada estado precisa, cada vez mais, todas as necessidades de negócios e cada proprietário precisa. Esta é uma informação que todo ser humano precisa. “Não é que nos importamos com um aumento de 1 grau na temperatura global no abstrato”, disse ela. “Nós nos preocupamos com a água, nos preocupamos com a comida, nos preocupamos com a economia – e cada uma dessas coisas está sendo afetada pela mudança climática hoje.”


Artigo publicado originalmente em inglês [1]