Curso de extensão:  Religiões no mundo contemporâneo

Concepção do programa: A extensão em “Religiões no mundo Contemporâneo” foi concebido para desenvolver o aperfeiçoamento de pessoas que desejam expandir sua atuação, de modo a se diferenciarem na reflexão crítica diante das diferentes compreensões do mundo, principalmente contra as expressões de fé ligadas ao fundamentalismo e o tradicionalismo religioso. Desta forma, teremos uma interação entre perspectivas teórico-metodológicas e buscaremos compreender como as repercussões incidem no perceber, as relações sociais e históricas. 

Carga horária: 45 horas

Vagas: 50 (cinquenta)

Custo: Gratuito.

Dinâmica das Aulas e Atividades:

Aulas expositivas online com registro de presenças.

Disciplinas/Módulos: 4 h/a cada módulo, total de 28h/a.

Atividades Complementares: 17h/a.

Inscrições até 25 de junho de 2025.

Início das aulas: 26 de junho de 2025.

Horário das aulas: quintas-feiras, das 19h às 22h.

Inscrições podem ser feitas: [Aqui!]

 

De que tipo de professor titular precisa a Uenf?


Por Carlos Eduardo de Rezende

O perfil desejado para um Professor Titular em uma instituição de ensino superior comprometida com a excelência no ensino e na pesquisa deveria refletir uma trajetória acadêmica sólida, um compromisso contínuo com a produção de conhecimento e uma postura ética e institucional exemplar. É de se esperar que o docente possua uma ampla produção científica de qualidade, demonstrada por publicações em periódicos qualificados, livros e capítulos de impacto. Experiência em pós-doutorado é desejável, mas não obrigatória, colaborações internacionais e participação em redes de pesquisa são diferenciais valorizados, por fortalecerem a inserção do pesquisador no cenário científico nacional e internacional.

Na área da pesquisa, é essencial que o Professor Titular atue como liderança acadêmica, sendo capaz de idealizar, coordenar e executar projetos de relevância, com captação de recursos e capacidade de articulação interdisciplinar. A formação de recursos humanos qualificados é parte central dessa atuação, o que inclui a orientação de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, e, a supervisão de pós-doutorandos, promovendo um ambiente de pesquisa crítico, inovador e socialmente comprometido. Sua produção intelectual deve trazer contribuições relevantes que dialoguem com os desafios contemporâneos, contribuindo para o avanço científico e, sempre que possível, gerando impactos sociais, ambientais, culturais ou tecnológicos.

No campo do ensino, há que existir um compromisso contínuo com a qualidade da formação na graduação e na pós-graduação. O docente deve demonstrar atuar na sala de aula e ser capaz de despertar o pensamento crítico e promover a autonomia dos estudantes. Além disso, deve colaborar ativamente na construção e atualização dos currículos, articulando ensino, pesquisa e extensão, e contribuindo para uma formação cidadã, democrática e inclusiva.

A atuação em extensão universitária também é fundamental para este perfil. O Professor Titular deve desenvolver ações que aproximem a universidade da sociedade, promovendo a popularização do conhecimento, a transformação social e o fortalecimento do compromisso público da instituição. Projetos de extensão que dialoguem com comunidades locais ou regionais e que promovam inclusão, sustentabilidade e justiça social são especialmente valorizados.

Espera-se, ainda, uma postura ética, colaborativa e institucional. O docente deve contribuir ativamente para a vida universitária, participando de colegiados, comissões e núcleos institucionais, demonstrando compromisso com a gestão democrática, a transparência e a equidade. Sua conduta deve respeitar a liturgia acadêmica, promovendo ambientes de trabalho pautados pelo diálogo e pela valorização da diversidade.

Por fim, é essencial que o Professor Titular tenha uma visão estratégica sobre o papel da universidade pública e demonstre espírito público em sua atuação. Deve ser capaz de pensar e propor caminhos para o fortalecimento da instituição, articulando seu trabalho com os grandes desafios da sociedade contemporânea.  É de se esperar que atue como formador de novas lideranças acadêmicas, contribuindo para a renovação do corpo docente e para a consolidação de uma universidade crítica, inclusiva e socialmente referenciada.

Carlos Eduardo de Rezende é professor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf e pesquisador 1A do CNPq.

Na tesourada na extensão da Uenf, contas que não batem geram sentimento de “indigxidade” entre professores e estudantes

perplexo

Postei ontem um texto da lavra da professora Luciane Soares da Silva dando conta de uma tesourada que teria impactado uma série de projetos de extensão dentro da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), o que teria gerado algo que poderia ser classificado como “indigxidade”, que vem a ser uma mistura de indignação e perplexidade.  

A indignação viria com a aparente falta de divulgação de critérios que foram adotados para dar notas que terminaram decidindo quais projetos receberiam teriam ou não o aporte de recursos via a Pró-Reitoria de Extensão da Uenf.  Já a perplexidade se deu por conta dos óbvios impactos que o não financiamento terá sobre projetos de grande impacto social, bem como na capacidade dos estudantes sobreviverem sem suas bolsas de extensão.

Pois bem, hoje tive acesso aos editais de extensão de 2023 e 2024 onde pode ser visto algo no mínimo curioso em termos dos valores alocados para cada ano, sendo que de um para outro os projetos aprovados terão em torno de 14% a mais de recursos financeiros (ver imagem abaixo).

tetos extensão

Com isso, fica anulada qualquer explicação em torno da causa dos cortes, pois bastaria ter mantidos os valores de 2023 para que um número maior de projetos fosse aprovado, sem necessidade de criar a agora infame lista de espera por recursos que provavelmente nunca virão, visto que o cenário dominante não é favorável ao surgimento de mais recursos, dado o aperto financeiro que o estado do Rio de Janeiro vive. Como recursos adicionais terão de vir do tesouro estadual, é muito fácil ver que esperar por novos recursos seria, pelo menos um ato de fé, uma coisa que não coaduna com uma instituição que se gaba de fazer ciência.

Outro detalhe que tem causado farta “indigxidade” é o fato de que o projeto classificado em primeiro lugar para recebimento de verbas foi proposto pela reitora Rosana Rodrigues (ver imagem abaixo).

aprovados extensão

Aqui não cabe nenhum julgamento ao mérito do projeto, pois desconheço o conteúdo e seus objetivos. Mas o que deixou muita gente com altos graus de “indigxidade” é que em um momento em que se descontinuarão projetos de impacto social, ver que a reitora não só concorreu, mas como encabeça a lista dos aprovados está sendo visto com uma contrassenso, especialmente em uma instituição em que a transparência e a equidade de oportunidades deveria ser a pedra angular do processo de gestão.

Nesse caso específico, gostaria de lembrar do provérbio “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. Esse provérbio teria nascido com a decisão do imperador romano Júlio César de se divorciar de sua segunda esposa, Pompéia, após um imbróglio envolvendo um jovem patrício chamado Clódio que conseguiu entrar disfarçado de mulher em uma festa que ela havia organizado, aparentemente com o objetivo de seduzi-la, mas que era proibida para homens. Apesar de Pompéia ser completamente inocente em relação à invasão e aos planos de Clódio,  Júlio César se divorciou dela, afirmando que: “minha esposa não deve estar nem sob suspeita”.

Em outras palavras, a reitora Rosana Rodrigues pode nem ter nada a ver com a colocação do seu projeto em primeiro lugar e que o feijão seja mesmo uma maravilha (eu particularmente sou fã), mas isso não resolve a cisma que assola as mentes dos que tiveram seus projetos preteridos e, em função disso, fadados à interrupção.  Afinal, como o caso de Pompéia bem demonstrou, não basta ser honesta, deve parecer honesta”. 

Por fim, o que me parece mais necessário é que haja a devida transparência não apenas acerca dos critérios utilizados para avaliar os projetos de extensão, mas, principalmente, sobre os mecanismos de distribuição de recursos que abarcam várias áreas importantes dentro da Uenf, incluindo a extensão, mas não apenas aí. Talvez seja a hora de acionar o Conselho Curador da instituição para que se tenha o devido controle sobre esses mecanismos.

Em meio ao XVI Confict, projetos de extensão sofrem tesourada, causando perplexidade e indignação na Uenf

Quem são os alunos da UENF  e como os cortes os projetos dextensão os afetam diretamente? Essa é a pergunta que não quer ser calada

luciane Maíra

Luciane Silva e estudantes do projeto de web rádio Maíra: depois da tesourada, haverá futuro?

Por Luciane Soares da Silva

Neste ano completo 14 anos de docência, pesquisa e extensão na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Realizei minha graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fui bolsista do CNPq desde os 18 anos de idade. A realização do doutorado no Rio de Janeiro, na Universidade Federal, só foi possível na mesma condição. Posso dizer que completei um trajeto longo de mobilidade social ascendente com o concurso público. Mas tenho absoluta clareza de que ser filha da classe trabalhadora urbana de Porto Alegre e pertencer a UFRGS possibilitou que eu fosse “elegível” para esta transição. E isto não é tão simples pois não estamos falando apenas de renda. Aprendi sobre capitais culturais absolutamente indisponíveis para aqueles que só puderam conhecer outro país através do pertencimento ao mundo acadêmico. Fui ao Congresso Anual da Sociede Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizado no Maranhão em 1994. Mas contei com a ajuda de amigos e do meu orientador. Este é um traço comum biografia de nossos alunos: o apoio emocional de colegas, as repúblicas e seus orientadores mais próximos. E em muitos casos, definidor do que chamamos de “êxito acadêmico”. Curiosamente ao final, desconhecemos o caminho.

Nesta semana assisti as sessões do XVI Congresso Fluminense de Iniciação Científica e Tecnológica. E observando a relação entre classe, região, família e desempenho, avaliei as fraturas que parte dos alunos trazem consigo ao ingressar na Universidade. Não estou observando uma variável isolada, mas experiências subjetivas e objetivas que produzem inseguranças, fobias e um desafio duplo. Além da formação curricular, a superação de um capital herdado em uma região desigual, as histórias familiares e seus traumas, as formas de preconceito. A transição que nossos alunos terão de fazer não é a mesmo que fiz. É bastante comum a emoção pública dos momentos de formatura nos quais nossos alunos são os primeiros de sua família a receber um título de graduado, mestre ou doutor. Esta variável, antes de ser observada com alegria deve nos servir como indicador para análise das formas que a desigualdade assume no norte noroeste fluminense.

A semana de iniciação, de pesquisa ou extensão, marca em detalhes este processo de mudança. Fazer uso da palavra em público, ser avaliado, reconhecido ou criticado. Estas operações antecipam a vida profissional mas também servem como demarcador de distinção. O nervosismo acima do comum explicita diferenças anteriores a entrada na Uenf. Que deverão ser convertidos em conhecimento ao longo de quatro anos.

maíra projeto

Projeto de web rádio Maíra, um dos projetos de extensão ameaçados pela tesoura na Uenf

Nossos alunos precisam dos auxílios que recebem. Não para complementar renda, mas em alguns casos, porque eles são um ponto de apoio familiar. Não se trata de fazer um discurso populista. Defendo a excelência com os mesmos critérios de exigência aos quais fui submetida. E ao mesmo tempo, devemos discutir coletivamente formas de avaliação, leitura e formação. São questões distintas.

O corte que será feito nas bolsas de extensão, com a exigência (implícita) de que os alunos façam extensão sem bolsa, cria um curto circuito que queima pontes de construção fundamentadas na confiança nesta instituição. Não se pode deixar estudantes sem previsão , não podemos deixar projetos sem previsão e este não é um erro aceitável.

Faço extensão desde 2011. Já levamos cinema aos internos do hospital João Vianna e dali saíram premiações, monografias e dissertações. Já percorremos  escolas de Campos mostrando aos alunos a importância das marchinhas de carnaval na década de 30. Já construímos tecnologias com fotografia, poesia, grafite e outros instrumentos junto a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Já publicamos nossas experiências em revistas brasileiras, e, neste momento, estamos construindo oficinas de arte e memória na rede pública de Campos; além de montar uma rádio que toque música, faça divulgação científica e fale dos temas da cidade aos jovens. Por eles próprios. Assim como estes, tantos outros projetos incorporam temas fundamentais para construção de saberes críticos na região.

Eis que na semana em que deveríamos dar início a inscrição para os projetos de extensão, fomos surpreendidos com a seguinte mensagem; “divulgamos os resultados de análise dos projetos e programas de extensão submetidos ao edital PBEX-2024. A qualidade dos projetos apresentados foi excepcionalmente elevada […]No entanto, apesar da excelência dos projetos, enfrentamos uma limitação significativa em relação aos recursos financeiros disponíveis.”.

A divulgação com a nota de cada projeto estabeleceu aqueles  que terão recursos imediatos e os demais, que deverão esperar o recurso ou a abertura de editais na Pró Reitoria de Assuntos Comunitários. A indignação da comunidade com a descontinuidade de projetos que prestam serviços inestimáveis a cidade é compreensível. As duas categorias criadas, na prática, já prejudicam extensionistas que precisam de acompanhamento e previsibilidade. Neste momento sem a possibilidade prevista de recurso, sabendo que as avaliações foram feitas por pares de áreas muito distintas, todo o processo de seleção e classificação torna-se obscuro. Sequer sabemos se devemos realizar a seleção de projetos mal avaliados a considerar que deverão esperar recursos. O que devemos fazer sem a mínima previsibilidade?

Ao final, pensar que não seremos capazes de prover condições dignas de trabalho em extensão para estes alunos em uma semana tão importante para ciência fluminense, diz muito sobre tudo que tem ocorrido na  Uenf. Embora o lema seja “o futuro chegou”, para alunos da Uenf talvez ele tenha chegado com a cara do passado.

Em uma região na qual as heranças familiares seguem definindo o acesso ao poder, nada pode ser mais transformador do que a Universidade. Pública, de Excelência e socialmente referenciada

Finalizo indicando o livro de Paulo Freire, Extensão ou Comunicação. Freire escreve este livro no Chile, mirando o lugar do educador enquanto alguém capaz de educar e educar-se em processo de diálogo. O ano de 1968 marcou uma geração e devemos pensar se o que temos feito na UENF é extensão ou comunicação. Assumindo a postura de Freire, me desafio a pensar a Extensão como transformação social.


Luciane Soares da Silva é professora associada do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (Lesce) do Centro de Ciências do Homem da Uenf.

Pezão coloca programas de extensão da UENF em compasso de crise: bolsistas continuam sem pagamento

Estive hoje com um estudante da UENF que está engajado num dos muitos projetos de extensão que são mantidos pela instituição, e que beneficiam diversos municípios da região Norte Fluminense. Este estudante me relatou das dificuldades que está atravessando por causa da falta de pagamento dos valores referentes ao mês de janeiro de 2015. E o pior é que não há sinalização de quando o pagamento será feito!

Uma das muitas consequências nefastas deste atraso é que muitos estudantes estão tendo que se endividar em restaurantes fora da universidade onde podem usar cartões de crédito, coisa que não é permitida no restaurante universitário mantido pela UENF. 

Se a reitoria da UENF tivesse um mínimo de preocupação com seus estudantes já deveria ter adotado o mecanismo de gratuidade para todos os bolsistas que estejam com bolsas atrasadas. Pelo menos assim, as dívidas que estão sendo acumuladas ficariam menores!

Mas como sensibilidade e respeito pela comunidade universitária não é o forte dos atuais gestores da UENF, bem que o Diretório Central dos Estudantes poderia começar a cobrar a adoção urgente dessa medida. Tenho certeza que essa reivindicação seria prontamente apoiada pela ADUENF e o SINTUPERJ, que vem a ser os sindicatos de professores e servidores cujos salários ainda não estão atrasados.