As reinações de Cláudio Castro: em uma dia “uma megaoperação”, no outro a “bot farm” entra em ação para legitimar a matança

Cláudio Castro se tornou um símbolo da guerra híbrida: o cantor católico transformado em governador acidental, agora nada em um mar de sangue, enquanto número de seguidores nas redes sociais sobe exponencialmente

A suposta “megaoperação policial” determinada pelo governador Cláudio Castro ganha ares de outro tipo de guerra, a híbrida, ao se ver a mídia corporativa propalanda acriticamente a informação de que o ex-cantor católico amealhou o impressionante número de 1 milhão de novos seguidores enquanto a população empilhava os corpos dos mortos pelas forças policiais que ele enviou para os complexos de favelas da Penha e do Alemão.

A primeira coisa que me ocorreu foi uma reportagem que eu acabei de ver sobre as chamadas “bot farms” (ou grosseiramente traduzidas como “fazendas de cliques”) que na prática são redes organizadas que utilizam grandes quantidades de contas automatizadas (bots) e, por vezes, até mesmo dispositivos físicos como celulares, para manipular a percepção online e simular um comportamento humano e engajamento falsos em larga escala. A Thales relata que, em 2024, o tráfego automatizado de bots representou 51% de todo o tráfego da web , a primeira vez em uma década que ultrapassou a atividade humana online.

Fazenda de Bots controlada por IA.

Quem estuda as bot farms já detectou que a operação delas se baseiam em: a) automação onde são Utilizados softwares programados para executar tarefas repetitivas automaticamente, imitando ações humanas como clicar, seguir, curtir, comentar e visualizar conteúdo; b) uso de infraestrutura física que milhares de dispositivos móveis (como celulares empilhados em racks) para executar as tarefas, tornando mais difícil para os sistemas de detecção identificarem as atividades como não-humanas, e c) na criação de contas falsas que gerenciam inúmeras contas em plataformas de redes sociais, lojas de aplicativos, sites de streaming e e-commerce. Também é sabido que as bot farms contribuem para a degradação do ambiente digital, tornando difícil distinguir entre engajamento real e artificial, o que prejudica a confiança nas informações e plataformas online.

O que nem sempre é dito é que as bot farms são operadas por todas as forças políticas, e estudos de instituições como a Universidade de Oxford e a Freedom House indicam que o uso de bots e “ciber-tropas” é prevalente tanto por governos e partidos de direita quanto de esquerda, dependendo do país e do momento político. Assim, em princípio, esta ferramenta é ideologicamente neutra; o que varia é quem a emprega para atingir seus objetivos. Mas é mais prevalente por aquelas forças que possuem recursos financeiros poderosos e que utilizam as farm bots para controlar a narrativa pública, silenciar a dissidência e solidificar o apoio ao poder estabelecido.

Um caso que tornou o Brasil um país notório pelo uso das bot farms foi a operação massiva pela forças de extrema-direita durante as eleições gerais de 2018, onde foi notório que redes de bots foram usados para realizar disparos em massa de mensagens via WhatsApp para influenciar o debate público e disseminar desinformação. 

Há ainda que se dizer que a mídia corporativa ao propalar certas versões da realidade são grandes alimentadoras das bot farms, na medida em que elas não apenas reproduzem os conteúdos disseminados pela mídia, mas como também orientam a produção de mais conteúdo, em uma espécie de retroalimentação de versões falsas da realidade (ou seja há uma combinação/parceria entre a mídia corporativa e operadores das bot farms para orientar a percepção de realidade entre pessoas reais).

É nesse contexto de cooperação que a mídia corporativa legitima de forma inquestionada e acrítica, a informação de que Cláudio Castro amealhou 1 milhão de novos seguidores poucos dias após a “megaoperação” nos complexos de favelas do Alemão e da Penha. Simples, mas tragicamente óbvio.

What Are Bot Farms & How Do They Work? | Anura

O que também me parece óbvio é que em 2026, a bot farms vão estar funcionando a todo vapor, e que será inútil tentar vencer o combate político nas redes sociais. Se as forças de esquerda desejarem ter alguma chance, elas terão que gastar muita sola de sapato. É que nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens, a extrema-direita reinará soberana por causa dos investimentos que já estão sendo feitos para favorecê-las, incluindo a grana que virá de outros países.

Uenf e a disseminação de fake news: o que há de novo sob o sol de Parador?

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Desde a última 6a. feira (13/7) a comunidade universitária da Uenf permanece imersa em um debate que foi iniciado por anúncio feito pela reitora Rosana Rodrigues de que uma denúncia anônima sobre um suposto caso de assédio sexual seria uma espécie de prova de que estamos sob a influência de uma campanha fake news (ou em português, notícias falsas). 

Essa associação entre uma denúncia anônima que teria sido colocada em um banheiro no andar em que a reitora possui seu gabinete e uma campanha de fake news contra a Uenf foi materializada pela apresentação de uma proposta de moção de repúdio proposta na reunião do Conselho Universitário, e que ainda está por ser tornada pública.

Particularmente mantenho reservas sobre a associação que está sendo feita pela reitoria da Uenf entre denúncia anônima e uma campanha orquestrada para a criação e disseminação de fake news. Por que digo isso? É que este blog foi o primeiro espaço público a tratar do uso de fake news dentro da Uenf, ainda no mês de abril de 2023. Logo no 1o. de abril,  escrevi uma postagem dando conta do risco de que as eleições que ocorreriam no segundo semestre para eleger o novo reitor da universidade fossem marcadas por uma intensa campanha de fake news.

A postagem de abril funcionou como uma espécie de premonição, pois a campanha eleitoral para a reitoria acabou efetivamente sendo maculada pelo uso explícito de fake news contra a chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende e Daniela Barros. A situação chegou a tal ponto que o professor Rezende teve que produzir uma série de vídeos para explicar o que não pretendia fazer o que as “fake news” diziam que ele estaria pretendendo fazer, caso fosse eleito. Analisei aquela situação em nova postagem que foi publicada em agosto de 2023.

Há que se dizer que os membros da chapa derrotada foram ainda alvo de uma intensa campanha que grassou livre nas redes sociais e mais livremente ainda em grupos de Whatsapp que contribuíram diretamente para que eles tivessem que passar muito tempo se explicando em relação a uma série de mentiras deslavadas (ou seja, fake news) que implicaram em um forte desgaste pessoal para Carlos Rezende e Daniela Barros, e também, obviamente, em suas chances eleitorais.

Logo após as eleições vencidas pela chapa formada pelos professores Rosana Rodrigues e Fábio Olivares, voltei a abordar os problemas que marcaram as eleições para a reitoria da Uenf no dia 21 de setembro de 2023, quando analisei as atividades de um perfil na rede social Instagram que se intitula “Uenfspotted“. Naquela postagem em específico, tratei de uma “boca de urna” eletrônica que teria sido feita com indicações óbvias de que fora feita mais para influenciar do que para captar preferências.

Pois bem, como procurei demonstrar em minhas postagens ao longo de 2023 foi que eleições que deveriam ter sido marcadas por um debate calcado apenas em compromissos com a consolidação de uma universidade dentro de padrões democráticos foram, na verdade, mais um palco para o uso de ferramentas que utilizaram esquemas que visavam claramente manchar reputações a partir do uso explícito de fake news.

O curioso é que nem no momento ou depois das eleições se viu por parte da reitoria da Uenf, a denúncia de fake news como algo que estaria ameaçando a manutenção de um “ambiente universitário saudável, ético e baseado na verdade”. Em relação ao que ocorreu durante as eleições, o silêncio foi próprio daquele que ocorre em ambientes repletos de sepulcros.

Mas vá lá, como uma pessoa otimista que sou, a minha expectativa é que agora a reitora e o vice-reitor da Uenf tenham acordado para o risco posto pela disseminação de fake news em um ambiente universitário. E mais ainda que  também cuidem de apurar eventuais denúncias de assédio (em todas as suas formas) com o devido rigor e que punam os eventuais responsáveis nas formas previstas pela lei.

 

Uenf sob o manto da confusão: a publicização precoce de fatos internos sem a devida apuração serve a quais propósitos?

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Estou na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) desde janeiro de 1998 e já presenciei vários eventos esquisitos, mas um que ganhou as manchetes da mídia corporativa local está no topo das esquisitices. Falo aqui de uma denúncia assédio sexual que foi divulgada de forma que eu considerei incorreta na última reunião do Conselho Universitário que ocorreu no dia 12 de julho.

A denúncia colocada de forma anônima nas paredes do prédio da reitoria da Uenf envolve dirigentes universitários e, por isso mesmo, já deveria ter resultado na abertura de uma comissão especial de sindicância (CES) que é o mecanismo institucional para apurar fatos e decidir pela tomada de uma série de medidas que podem resultar ou não em um inquérito administrativo.

Estranhamente, o fato foi divulgado pela reitora Rosana Rodrigues sem que ela nos informasse se já tinha determinado a abertura de uma CES. Ao verificar a edição desta segunda-feira (15/7) do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, não verifiquei que uma CES tenha ainda sido aberta.

Por outro lado, o fato ainda sem apuração ganhou ares públicos com a publicação de um artigo de opinião em um veículo local com uma manchete que é, no mínimo, dúbia: “Denúncia de assédio na Uenf ou tentativa de difamação?“.

O problema de confundir denúncia com difamação, como faz a manchete deste artigo de opinião, é que o caso relatado agora na mídia corporativa pela reitoria da Uenf não é o único que emergiu na nossa comunidade universitária recentemente, sendo que uma delas foi feita de forma identificada por quem denunciou e disse estar disposto a ir até as últimas consequências para que o suposto assediador seja punido.

Mas mais importante ainda, a forma que a reitoria está divulgando o caso sem a devida apuração, mas colocando no campo das “fake news”  pode estar servindo como um indulto precoce de um possível assediador. Além disso, assumindo que é possível que alguém tenha sido efetivamente assediado, estaremos diante da possibilidade de que esteja não apenas se garantindo a impunidade, mas incorrendo em um evento de revitimização. 

Pessoalmente considero grave que a reitoria da Uenf tenha tornado essa situação pública, na prática emitindo um pré-julgamento sobre o mérito de uma denúncia que deveria ter sido tratada de forma muito cuidadosa, principalmente por causa da existência de uma possível vítima de assédio sexual, sem ter em mãos uma rigorosa apuraração dos fatos. Esse caso deveria ter ficado reservado aos limites do Conselho Universitário, onde o caso foi apresentado pela reitora Rosana Rodrigues, e não tornado público sem que qualquer apuração tenha sido aparentemente iniciada.

Agora que a situação está exposta de forma precoce, a reitora da Uenf acabou se colocando em uma exposição que nada serve aos interesses estratégicos da universidade. Não sei se essa era a intenção, mas é o que esta publicidade acabou fazendo foi fragilizar a figura da reitora. 

De toda forma, a minha expectativa é de que os instrumentos internos existentes sejam imediatamente acionados para que sejam feitas as devidas apurações, de modo a separar fato de fake news, e punir os eventuais responsáveis pelas ações que deverão ser meticulosamente investigadas, e da forma sigilosa que a situação requer.

Finalmente, eu espero que a Uenf passe a fortalecer a sua governança interna , visto que vivemos um período em que se exige cada vez mais a adoção de mecanismos internos  que fortaleçam integridade, ética e accountability.

Dos pampas à planície, a hegemonia da mentira

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Por Douglas Barreto da Mata

Uma grande discussão nacional (e internacional) se instalou desde que as redes sociais avançaram do entretenimento para a produção de conteúdo “informativo”.  Esse processo já estava em andamento nas mídias empresariais, com o caso clássico do Canal FOX nos EUA, que, rapidamente, virou padrão neste hemisfério.  No caso das mídias digitais, nem sempre foi possível separar as coisas, e a veiculação de “notícias” pareciam mais com shows de variedades (horrores, para ser exato).

De certa forma, esse fenômeno se acelerou e contaminou todas as mídias chamadas tradicionais que, desesperadas pelo derretimento de sua relevância (audiência), correram atrás de formato de veiculação de notícias e conteúdos chamados “informativos”.

Hoje, é possível dizer que tanto a mídia digital alimenta as redes empresariais, quanto o contrário, e esta simbiose, por sua vez, alimenta uma nova disputa:  a hegemonia da mentira.

Os meios de comunicação tradicionais nunca estiveram a serviço de nenhum interesse público, pelo menos não o interesse da coletividade entendido como a representação das demandas reais (e não as inventadas) da sociedade e dos mais pobres, como por exemplo, a luta contra as desigualdades sociais.

Isso não é surpresa, afinal, a mídia empresarial, como o nome mesmo diz, é constituída de empresas que visam o lucro, mas também têm por como objetivo principal sustentar ideologicamente o sistema que permite e amplia sua existência, o capitalismo.

A mídia sempre mentiu, seja em debate presidencial em 1989, seja no caso Escola Base ou Bar Bodega, seja em tantos outros episódios de “condenações” apressadas, injustas e ilegais, funcionando como um tribunal inquisitório, onde as edições “prendem, processam, julgam e executam sentenças”.

O caso da farsa jato é só o mais recente.

Essa natureza intrínseca da mentira também é comum às mídias digitais, originadas a partir de plataformas gigantescas, que espreitam para engolirem as últimas formas de mídias consideradas tradicionais. Tudo se acentua com o avanço de outra forma de digitalização, neste caso a econômica, através do avanço de fundos de investimentos que movimentam trilhões e trilhões de dólares irresistíveis.

Se antes havia pouca chance de que algum conteúdo fosse de interesse social e público, de verdade, com um ou outro canal de comunicação que ousasse resistir, hoje é quase impossível.  A migração da comunicação do universo dos espaços de concessão para o território da internet é um duro golpe na capacidade estatal de controlar e regulamentar estes meios, e isso parece fácil de identificar, não só nas bravatas no imbecil cretino Elon Musk, como nos efeitos reais do poder e monopólio econômico de sua empresa e de outras do setor, que sequestram e ameaçam bloquear dados e acessos necessários, inclusive, a gestão estatal.

Vale a pena mencionar as graves intervenções em processos eleitorais, como o dos EUA, ou do Brasil, e, de fato, essas intervenções também se deram pelas mídias tradicionais.  A chamada liberdade de imprensa ou de expressão, agora sem controle algum, como sempre advogaram as elites e seus lacaios da mídia, colocam parte dessas elites e os seus jornalistas de coleiras sob um regime de medo. 

Mas não se enganem, não haverá nenhum pobre ou trabalhador beneficiado dessa luta. Nem há uma luta sincera para que haja um controle social capaz de beneficiar a toda sociedade, e não só a parte endinheirada dela. O que se pretende é o controle da fábrica de inverdades.

É uma disputa pela primazia de distorcer, mentir e colocar nas cordas qualquer governo ou representação que, de forma pálida, estabeleça uma agenda um pouco mais progressista.  Alguém disse, e não me recordo ontem, que esse é o “totalitarismo democrático capitalista”, o ápice do controle, onde você escolhe dentre as possibilidades que já determinaram antes.

Lá nos pampas alagados, as redes digitais têm uma tabela forte com as mídias empresariais.

Enquanto as redes digitais fazem o trabalho mais bruto, mas porco de saturar a audiência com boatos e imagens falsas, o sistema de comunicação concedido (TV) e outros geram conteúdos um pouco mais sofisticados, mas que, sem dúvida, são complementares aos boatos grotescos, como o helicóptero da empresa de varejo em salvamento dos atingidos.

Você pergunta:  mas como uma coisa tem a ver com a outra?  Explico: a construção da narrativa dos pampas alagados, o gauchoquistão, é levar a crer que o Estado, ou os poderes constituídos não fazem nada pelos desabrigados.

Junto a esta imagem, um governador impotente, pedinte, chorão, exaltando os voluntários (privados), e ignorando os esforços de centenas e centenas de servidores públicos, de todos os cantos do país, e a montanha de recursos federais que receberá, enquanto pede mais e mais.

Bem, no meio de tudo, a mídia esconde, criminosamente, o debate sobre as causas do desastre, o setor agro, o setor industrial e os fundamentalistas que militam contra as leis ambientais e licenciamentos, enfim, o pessoal do “passa boi, passa a boiada”, que obtiveram do governador chorão a “licença para devastar” o bioma do gauchoquistão, e fazer com que afundasse nos charcos.

Esse discurso casa perfeitamente com a boataria das redes sociais, que distraem a choldra, enquanto incutem as noções mais caras ao jornalismo mais sofisticado, mas igualmente criminoso, e vice-versa, pois, como dissemos, são complementares.

Voando até a planície campista, a indústria midiática também faz das suas.  Com o início das eleições, ou pelo menos, do período pré-eleitoral, as redes digitais e televisivas afiam as garras e o apetite.  É a hora que governantes e postulantes ao governo, parlamentares e candidatos a sê-lo ficam mais frágeis.

Não é novidade que há dois grupos políticos em disputa na cidade, e cada um com seu tratamento de mídia, com suas equipes.  A tarefa dos comunicadores do governo parece ter sido mais bem sucedida, tanto pela gestão que resultou na aprovação do Prefeito Wladimir Garotinho, como pela própria capacidade dele mesmo (o prefeito) em se veicular, a partir de suas redes sociais.

A luta dos oposicionistas parece mais inglória.  Um dos profissionais envolvidos, que já fez parte de um veículo local, pode-se dizer um azarado.  Afinal, ele, Alexandre Bastos, foi Secretário de Comunicação do pior governo da história de Campos dos Goytacazes, e isso logo depois desse governo ter sido eleito com uma votação acachapante, e ter derrubado o candidato da família Garotinho. Do céu ao inferno em quatro anos, podemos dizer.

Como prêmio, Bastos, que todos dizem ser uma boa pessoa, simpático e de trato pessoal polido, ganhou um cargo na Assembleia Legistativo do Rio de Janeiro (Alerj), para cuidar da comunicação do atual presidente Rodrigo Bacellar.  Pois bem, novamente, que azar.  O presidente da Alerj está perto da cassação, porém isso não pode ser, totalmente, imputado ao Bastos. 

Já na cidade de Campos dos Goytacazes a coisa aperta mais um pouco.  Mesmo sem vínculo institucional, é pública e notória a liderança do presidente da Alerj, que subordina seu irmão presidente da Câmara local, e escalado para ser o antagonista principal do prefeito Wladimir. 

Por óbvio, a estratégia de comunicação fica a cargo de Bastos, que controla, direta ou indiretamente, alguns canais digitais, e indiretamente, através da influência sobre a TV e outras mídias, manejando as verbas publicitárias generosas que foram colocadas à disposição dele.

É aí que a porca torce o rabo.  O resultado é pífio, hoje o presidente da Câmara está menor que ao assumir a presidência, e o grupo político que representa patina, fazendo leilão de candidaturas ou melhor, um ENEM de candidatos, que insistem em não se mostrarem viáveis.

O  uso dos truques conhecidos, com distorção e manipulação só parecem funcionar em ambientes e conjunturas específicas, e aqui em Campos dos Goytacazes não deram, até o momento, resultado.

Um exemplo:  hoje, dia 18/05/2024, no telejornal da repetidora da Globo, na hora do almoço, os âncoras chamaram uma matéria sobre um veículo aéreo não tripulado, “drone”, que custou a quantia “X”, e deveria ser usado pela Defesa Civil em desastres naturais, e que, embora licitado e contratado, não foi entregue. Sugestão da matéria ao espectador:  a prefeitura pagou e não levou. 

Porém, isso foi desmentido no curso da reportagem, quando soubemos que o material não foi entregue, mas não foi pago, e a empresa só receberá mediante apresentação, enquanto a municipalidade adota medidas jurídicas para a infração contratual.

Funciona? Em alguns casos sim, mas não tem funcionado.

Assim como a desesperada utilização dessa mesma rede de TV, junto com o sítio de um jornal local, para alavancar o interesse da população pelas ações da DEAM, elevando casos diários de violência contra mulher e violência doméstica ao grau de interesse máximo.

São assuntos importantes e necessários?  Óbvio, mas a pergunta é: não foram sempre? Por que o repentino interesse?

Ora, o arranjo aqui é a tal da mensagem subliminar (na certa os comunicadores modernos têm um anglicismo para isso), quando a mídia destaca um assunto, e depois, por milagre, esse assunto é vinculado a um produto, neste caso o produto é a candidatura da ex titular da Delegacia da Mulher (DEAM).

Um olhar rápido, na página do jornal, mostrará que o assunto DEAM/violência doméstica, em certos dias, têm três matérias acumuladas, de cima a baixo na “geografia do site”, desde as chamadas em destaque, para os leitores de manchetes, até o pé da página, onde vão os leitores mais atentos.

Neste caso, da violência contra mulher, há um dado curioso e grotesco. Essas mesmas redes de comunicação, que fazem uma blitz sobre o tema, diariamente, parecem ter um olhar seletivo (como sempre?).

Onde está o acusado de assédio sexual contra as colegas em ambiente de trabalho, que até bem pouco tempo comandava este mesmo telejornal, e não raras vezes se mostrou indignado contra abusadores e agressores?

É este tipo de hipocrisia que parece ter subtraído a legitimidade, “o lugar de fala” dos comunicadores da oposição que, até hoje não se explicaram porque apoiaram o pior governo da História (como se não fosse com eles), e porque insistem em reeditar essa aliança retrógrada para destruir o que foi recuperado.

Como diz a propaganda famosa de uma montadora italiana: “está no hora de (Bastos) rever seus conceitos”.

Como identificar cinco das maiores táticas de desinformação da indústria de combustíveis fósseis

mosaico‘Basicamente é uma campanha de propaganda.’ Composição: Getty Images, Guardian Design

Por Amy Westervelt e Kyle Pope para o “The Guardian” 

A desinformação cada vez mais sofisticada e mais bem financiada está a tornar a cobertura climática mais difícil tanto para os jornalistas produzirem como para o público compreender e confiar plenamente.

Mas contar a história, e compreendê-la, nunca foi tão urgente, com metade da população da Terra elegível para votar em eleições que poderão ter um impacto decisivo na capacidade do mundo de agir a tempo de evitar o pior da crise climática.

Influenciados durante 30 anos pela propaganda da indústria dos combustíveis fósseis, os meios de comunicação têm tanta probabilidade de amplificar inadvertidamente as falsidades como de as reprimir. Só nos últimos anos é que mais jornalistas começaram a evitar “ambos os lados” da crise climática – décadas depois de os cientistas terem alcançado um consenso esmagador sobre a dimensão do problema e as suas causas.

A boa notícia é que, embora as táticas de relações públicas da indústria dos combustíveis fósseis tenham mudado, as histórias que contam não mudam muito de ano para ano, apenas são adaptadas dependendo do que está acontecendo no mundo.

Quando os políticos falam sobre quanto custará agir sobre as alterações climáticas, por exemplo, quase sempre se referem a modelos econômicos encomendados pela indústria dos combustíveis fósseis, que deixam de fora o custo da inacção, que aumenta a cada ano que passa. Quando os políticos dizem que as políticas climáticas aumentarão o custo do gás ou da energia, contam com o facto de os repórteres não terem ideia de como funciona o preço do gás ou da energia, ou até que ponto as decisões de produção das empresas de combustíveis fósseis, para não mencionar o lobby a favor de subsídios específicos aos combustíveis fósseis ou contra políticas que apoiam as energias renováveis ​​têm impacto nesses preços.


1 Seguranca energetica

Desde alimentar guerras até preservar a segurança nacional, a indústria dos combustíveis fósseis adora alardear o seu papel em manter o mundo seguro, mesmo quando se envolve em atitudes geopolíticas que fazem com que todos se sintam decididamente menos seguros. No contexto da segurança nacional, vale a pena notar que os militares dos EUA começaram a financiar programas de emissões líquidas zero em 2012 e a listar as alterações climáticas como um multiplicador de ameaças na sua Revisão Quadrienal da Defesa, há uma década. Mas as empresas petrolíferas e os seus grupos comerciais ignoram essa realidade e, em vez disso, insistem que a ameaça reside na redução da dependência dos combustíveis fósseis.

Uma chama de gás em uma refinaria de petróleo

Uma queima de gás em uma refinaria de petróleo em Catlettsburg, Kentucky, em 28 de julho de 2020. Fotografia: Luke Sharrett/Bloomberg via Getty Images

Vimos isto recentemente nas mensagens da indústria em torno da guerra Rússia-Ucrânia, quando esta se mobilizou mesmo antes de Putin para promover a ideia de que um boom global de gás natural liquefeito (GNL) seria uma solução para a escassez de energia a curto prazo na Europa. A indústria tem estado visivelmente quieta em relação à guerra Israel-Palestina, mas está a promover mensagens gerais de “ nós te mantemos seguro” que enfatizam a instabilidade global. Nos EUA, as narrativas de segurança energética têm muitas vezes conotações nacionalistas, com mensagens que promovem os benefícios ambientais e de segurança globais dos combustíveis fósseis dos EUA em detrimento dos de países como o Qatar ou a Rússia.

É verdade que a auto-suficiência energética contribui para a estabilidade de qualquer nação, mas não existe nenhuma regra que diga que a energia tem de provir de hidrocarbonetos. Na verdade, está bem documentado que depender de uma fonte de energia vulnerável aos caprichos dos mercados mundiais de matérias-primas e aos conflitos globais é uma receita para a volatilidade.


A economia versus o meio ambiente

Em 1944, quando parecia que a Segunda Guerra Mundial terminaria em breve, o guru de relações públicas Earl Newsom reuniu seus clientes corporativos – incluindo a Standard Oil of New Jersey (hoje ExxonMobil), Ford, GM e Procter & Gamble – e elaborou uma postagem ultrassecreta estratégia de guerra para manter o público dos EUA convencido do “valor do sistema de livre iniciativa”.

Dos currículos escolares às curtas de animação criadas por Hollywood, às apresentações da indústria e às entrevistas aos meios de comunicação social, a indústria dos combustíveis fósseis tem insistido repetidamente nestes temas durante décadas. E, num movimento clássico, os porta-vozes da indústria apontam para estudos que grupos industriais, como o American Petroleum Institute, encomendam como prova de que cuidar do ambiente é mau para a economia.

uma refinaria de petróleo
Uma refinaria de petróleo em Carson, Califórnia, em 22 de abril de 2020. Fotografia: David McNew/Getty Images

Estas tácticas também aparecem em anúncios que nos lembram de equilibrar o desejo de redução de emissões com a necessidade de manter a economia a funcionar.Um anúncio da BP publicado recentemente nos podcasts da NPR, do New York Times e do Washington Post afirma que o petróleo e o gás equivalem a empregos e defende a adição de energias renováveis, em vez da substituição dos combustíveis fósseis.


3 ‘Nós fazemos sua vida funcionar’

A indústria dos combustíveis fósseis adora argumentar que faz o mundo funcionar – desde manter as luzes acesas até nos manter fascinados por smartphones e TV, e vestidos com moda rápida. É genial: criar um produto, criar procura para o produto e depois transferir a culpa para os consumidores, não apenas pela compra, mas também pelos impactos associados.

Equipes de limpeza ambiental limpam mandris de petróleo
Equipes de limpeza ambiental limpam depósitos de óleo na praia de um grande derramamento de óleo em Huntington Beach, Califórnia, em 5 de outubro de 2021. Fotografia: Allen J Schaben/Los Angeles Times/Getty Images

“Basicamente é uma campanha de propaganda”, disse o sociólogo ambiental da Universidade Brown, Robert Brulle. “E não é preciso usar as palavras ‘mudanças climáticas’. O que eles estão fazendo é semear no inconsciente coletivo a ideia de que combustíveis fósseis significam progresso e vida boa.”


4 ‘Somos parte da solução’

Nada afasta mais a regulamentação do que as promessas de soluções voluntárias que fazem parecer que a indústria dos combustíveis fósseis está realmente a tentar. Numa denúncia de 2020, a redação investigativa do Greenpeace, Unearthed, capturou um lobista da Exxon diante das câmeras explicando que essa tática funcionou com um imposto sobre carbono para evitar regulamentações de emissões e como a empresa estava seguindo a mesma estratégia com o plástico. Trabalhando com o Conselho Americano de Química para implementar medidas voluntárias como a “reciclagem avançada”, o lobista Keith McCoy disse que o objetivo era “estar à frente da intervenção governamental ”.

Tal como acontece com as alterações climáticas, explicou McCoy, se a indústria conseguir fazer parecer que está a trabalhar em soluções, poderá manter afastadas as proibições definitivas de plásticos descartáveis. Hoje, esta narrativa aparece no impulso da indústria para a captura de carbono, biocombustíveis e soluções de hidrogénio à base de metano, como o hidrogénio azul, roxo e turquesa. Vemos isso também na adopção pela indústria do termo “baixo carbono” para descrever não só soluções que permitem combustíveis fósseis, como a captura de carbono, mas também “gás natural”, que os lobistas da indústria estão a vender com sucesso aos políticos como uma solução climática.


5 ‘O maior vizinho do mundo’

Caso as pessoas ainda não aceitem o ar sujo, a água suja e as alterações climáticas, a indústria dos combustíveis fósseis financia museus, desportos, aquários e escolas, servindo o duplo propósito de limpar a sua imagem e fazer com que as comunidades se sintam dependentes da indústria. e, portanto, menos propensos a criticá-lo.

Tanto os jornalistas como o seu público têm mais poder para combater a desinformação climática do que poderiam sentir quando estão inundados por ela. Compreender as narrativas clássicas da indústria é um bom ponto de partida.

Desmascarar alegações falsas é o próximo passo crítico.

  • Amy Westervelt é uma premiada jornalista investigativa sobre clima, fundadora da Critical Frequency e editora executiva da Drilled Media

  • Kyle Pope é diretor executivo de iniciativas estratégicas e cofundador da Covering Climate Now, e ex-editor e editor da Columbia Journalism Review


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Fonte: The Guardian

As ‘feridas autoinfligidas’ de Elon Musk e outros destaques de um depoimento recém-divulgado

O CEO da Tesla foi processado por um homem da Califórnia alvo de uma teoria da conspiração que o proprietário do X impulsionou

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CEO da Tesla e proprietário do X, Elon MuskFoto : Win McNamee ( Getty Images )

Por William Gavin para o Quartz 

Elon Musk nunca foi de moderação, seja anunciando seus mais recentes planos potenciais para Tesla e Neuralink ou postando no X, anteriormente conhecido como Twitter.

Mas Musk pode ter ido longe demais quando ampliou as alegações de que Ben Brody, um judeu de 22 anos da Califórnia, era um agente secreto de um grupo neonazista. Pessoas online descobriram que Brody se parecia com um indivíduo envolvido em um confronto violento entre grupos rivais de extrema direita e neonazistas que protestavam contra um evento de orgulho gay perto de Portland, Oregon, em 24 de junho.

“Parece que um é um estudante universitário (que quer ingressar no governo) e outro talvez seja um membro da Antifa, mas ainda assim é uma provável situação de bandeira falsa”, Musk tuitou alguns dias depois , após se envolver com teorias de conspiração relacionadas.

Em outubro, Brody processou o bilionário da tecnologia por difamação; o processo pede indenização superior a US$ 1 bilhão e um pedido de desculpas e retratação de Musk. O advogado de Brody é Mark Bankston, o advogado que processou com sucesso o teórico da conspiração Alex Jones por suas falsas alegações relacionadas ao tiroteio na escola primária Sandy Hook em 2012.

Em 27 de março, Musk sentou-se para um depoimento de duas horas com seu advogado – Alex Spiro – e Bankston. Várias moções de emergência apresentadas por Spiro para selar o depoimento foram rejeitadas por um juiz e tornadas públicas na segunda-feira. Foi relatado pela primeira vez pelo The Huffington Post .

Aqui estão X conclusões do depoimento recém-divulgado.

‘Feridas autoinfligidas’

Ao longo do depoimento, Musk reconheceu o impacto que seus hábitos X têm em sua empresa, testemunhando que ele é “culpado de muitas feridas autoinfligidas”.

Desde que Musk comprou o Twitter em 2022 por US$ 44 bilhões, o valor da empresa despencou pelo menos 71% , de acordo com a gigante de fundos mútuos Fidelity. Musk foi criticado por promover e promover teorias da conspiração em sua plataforma de mídia social.

Dezenas de anunciantes – incluindo Comcast, Apple e The Walt Disney Company – reduziram seus gastos no X em novembro passado, após relatos de que os anúncios de suas empresas estavam aparecendo ao lado de conteúdo pró-nazista e discurso de ódio . No ano passado, a empresa perdeu US$ 1,5 bilhão em receita publicitária devido ao ataque de saídas. Mais tarde, Musk disse aos anunciantes para “se foderem ” durante uma entrevista ao New York Times.

“Posso ter feito mais para prejudicar financeiramente a empresa do que para ajudá-la, mas certamente eu – eu não oriento minhas postagens pelo que é financeiramente benéfico, mas pelo que acredito ser interessante, importante ou divertido para o público”, Musk disse mais tarde. depois que Bankston perguntou se ele usou suas postagens no X para beneficiar a empresa.

Musk interpretou seu filho

Musk, como muitas pessoas nas redes sociais, tem uma conta gravadora usada para testes e rolagem anonimamente. Mas o bilionário fez as coisas de maneira um pouco diferente da maioria dos outros usuários.

Embora a conta não seja mencionada no depoimento, Musk aparentemente confirmou que usou uma conta descartável. A conta @ErmnMusk foi descoberta pela primeira vez no verão passado usando uma foto de X Æ A-12, filho de dois anos de Musk e Grimes, muitas vezes referido como “X”, e postando sua imagem.

“Finalmente farei 3 anos no dia 4 de maio!” leia uma postagem, correspondendo ao aniversário real do X na vida real, informou o Gizmodo. A conta também perguntou ao CEO da MicroStrategy e entusiasta do bitcoin, Michael Saylor, se ele gostava de garotas japonesas e respondeu “Eu [emoji de coração roxo] bibliotecárias” em resposta a um tweet sexualizando a ex-CEO da Alameda Research, Caroline Ellison .

“Não, eu não usaria esta conta”, disse Musk no depoimento. “Foi usado apenas para… para testes.” Mais tarde, ele repetiu a declaração, testemunhando que “usei esta conta brevemente como uma conta de teste”.

Verificação de fatos por meio de crowdsourcing

Musk disse que não usa nenhuma das ferramentas internas de sua empresa para verificação de fatos antes de interagir com ela, preferindo usar o recurso Community Notes do X para permitir que os usuários corrijam quaisquer afirmações imprecisas ou infundadas.

“Acho que realmente fiz isso de boa fé, porque não pediria uma verificação dos fatos, que é o que faço adicionando Notas da Comunidade”, disse Musk. Em sua postagem inicial sobre Brody, ele marcou Notas da Comunidade em sua postagem, embora tal nota nunca tenha sido adicionada.

Ele elogiou repetidamente o sucesso das Notas Comunitárias, dizendo que exige o acordo de pessoas que historicamente se recusam a trabalhar umas com as outras. Mas ele também entrou em conflito com o programa e discutiu com as Notas da Comunidade colocadas em suas postagens.

Branson também mencionou uma série de controvérsias anteriores de Musk que surgiram quando ele promoveu teorias da conspiração. Por exemplo, o advogado perguntou a Musk se ele havia recebido conselhos de amigos ou familiares quando respondeu a um artigo falso relacionado a um ataque contra Paul Pelosi.

O advogado apontou para os tweets de Musk sugerindo que os ferimentos sofridos pelo marido da então presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, durante uma invasão de casa, foram causados ​​por um prostituto que ele conheceu em um bar gay . Ele havia citado um artigo publicado no Santa Monica Observer .

“Não creio que tenha uma tendência crescente para ler sites de notícias falsas”, disse Musk durante o depoimento, quando questionado sobre uma passagem relacionada na biografia de Walter Isaacson do CEO da Tesla. “Aspiro ler as informações mais precisas possíveis.”

A mídia social raramente tem um “impacto negativo significativo” na vida de alguém

“As pessoas são atacadas o tempo todo na mídia, na mídia online, nas redes sociais, mas é raro que isso realmente tenha um impacto negativo significativo em suas vidas”, respondeu Musk quando questionado se achava que suas postagens afetaram Brody.

O CEO da Tesla frequentemente teve problemas por criticar pessoas online, como quando chamou de “ pedófilo ” um mergulhador britânico que ajudou a resgatar meninos presos em uma caverna inundada na Tailândia. Um júri em Los Angeles concluiu mais tarde que Musk não difamou o mergulhador , Vernon Unsworth.

Quem é o demandante de novo?

Para dar algum crédito a Musk, deve ser difícil acompanhar os muitos processos movidos contra ele e suas empresas ao longo dos anos; a Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ainda tem uma aula dedicada a esse litígio .

No início do depoimento, Musk foi questionado se ele “fez algo de errado com Ben Brody”, ao que ele respondeu: “Não conheço Ben Brody”. Quando Bankston perguntou se ele sabia que Brody o estava processando, Musk respondeu: “Acho que é você quem está processando”.

“Vejo muitos casos, e provavelmente este também, em que o verdadeiro demandante é o advogado que busca dinheiro, como você”, disse Musk. Mais tarde, ele acrescentou que, apesar de ter uma “compreensão limitada” do que se trata o processo, ele acha que “se trata realmente de” Bankston “ganhar muito dinheiro”.

Desde que o depoimento foi feito no mês passado, Tesla chegou a um acordo com a família de um engenheiro da Apple que morreu em um acidente de 2018 envolvendo o uso do programa de assistência ao motorista da Tesla . Dois ex-funcionários da Tesla processaram a empresa de veículos elétricos na semana passada e acusaram-na de cometer uma série de violações da lei salarial contra trabalhadores em sua principal fábrica em Fremont, Califórnia.


Fonte: Quartz

Ciência, pós -verdade e as eleições na UENF

pos-verdade

Por Luciane Soares da Silva

Importante esclarecer que não estudo economia, sistemas bancários, transações globais, golpes dados por grandes bancos ou inflação. O que me interessa é o aspecto antropológico da circulação de pessoas, mercadorias e crenças sociais sobre valor. Estudo mudança social e trânsitos. Em alguns momentos podem ser possessões e transes dependendo da ótica adotada.

Minha curiosidade endereçada aos meus alunos, ao mundo universitário, ao sistema político do qual participo e aos meus pares é objetiva mas exige o cruzamento de dois temas que podem frequentemente estar relacionados: a pós verdade e as fake news. Seria possível que pessoas aparentemente comuns, com condições de discernimento e em processo de formação aderissem ativamente a esquemas de pirâmide, golpes afetivos e mentiras capazes de alterar eleições e a vida política de instituições acadêmicas?

Algo que me interessa em pesquisa é “abrir as tripas” de fenômenos largamente comentados, transformados em conceitos e cujas consequências têm implicações concretas na vida de terceiros. Podem levar a demissões, separações, instaurar julgamentos cibernéticos, ameaças físicas e em casos raros, violência física e morte.

Temos visto isto em sites de fofoca, em montagens para redes sociais, denúncias mal apuradas. Estranhamente, não deveria ocorrer, mas vimos isto recentemente em nossa Universidade. E após seis meses, é importante que os registros sejam feitos. Eles não alterarão os resultados mas mostrarão em que poço nos enfiamos nestas últimas décadas. E colocam uma questão importante para os alunos que receberemos em março. Falhamos em mostrar métodos de pesquisa capazes de evitar narrativas inconsistentes e julgamentos apressados? Perdemos para uma rede subterrânea sem face e condenamos pessoas e processos democráticos à mesma lama na qual mergulham milhares de pessoas diariamente ao consumirem fake News? Não há nenhuma instância que proteja minimamente nosso espaço de produção das mesmas regras que regem as ações de mercados que apostam na tragédia como forma lucrativa de atividade? Quem permite que seja assim? Falamos em regulação da mídia. Mas o que fazemos nas instituições de ensino superior? Creio que absolutamente nada.

Não estamos diante de novidade alguma quando tratamos do uso de notícias falsas como instrumento político. Lembremos do objetivo de incriminar a esquerda no caso Rio Centro, da tentativa de ligar Lula ao sequestro de Abílio Diniz nas eleições de 1989. Convivemos com a imprensa marrom e recentemente sabemos do poder global de Steve Banon. Abertamente agindo como uma máquina industrial de mentiras viaja pelo mundo colaborando com golpes brancos. Os sistemas religiosos não poderiam ficar de fora desta nova era. Onde reside a novidade? Creio que talvez na escala e na velocidade e na porosidade com que invadem todos os espaços privados e públicos.

Aqui temos nossa própria contribuição para o mundo das moedas falsas e da pós-verdade. Vamos tratar de um caso real, alterando personagens e mantendo as consequências para todos os envolvidos. A síntese da cena é a seguinte: estamos em um grupo de pessoas tendo uma conversa com universitários. Um dos candidatos ali presente (em um ano de eleição) expressa sua opinião sobre concursos com ações afirmativas. É uma opinião carregada de fatos, avaliações e nenhuma delas determina uma posição desfavorável. Apenas apresenta ponderações importantes para ampliação de um debate.  Naquele grupo, um dos seus opositores percebe que aquela opinião pode ser base para um ataque eleitoral. Edita o que ouve, aproveita esta habilidade crescente de selecionar qual parte de uma narrativa interessa e como em um passe de mágica a torna pública em menos de 24 horas. Na mesma noite, fora de qualquer contexto, em 150 palavras de uma rede social, o conteúdo é repercutido sem nomes, com referência a um certo candidato e este incidente recebe mais atenção da comunidade científica que a ausência concreta de política estudantil, banheiros sem funcionamento, crise institucional, problemas para acesso a diplomas. E perde-se a rara oportunidade de construção coletiva.

A era da pós-verdade: a distopia do mundo contemporâneo - O Pedreirense

Nesta eleição alguns descem à um nível de desagregação completa na qual os boatos ganham a centralidade tóxica. Julgamento feito, os ativos do ódio se espalham repudiando as tentativas de diálogo com o argumento de que se tenta “limpar a barra de alguém”. Ou seja, servidores públicos com vinte anos de carreira agora são igualados aos grupos de fofoca do zap. Vejam que temos um terrível cruzamento aí entre má fé, questões cognitivas sobre moral, populismo e eleição. Banon sorri ao olhar para o caso e pensa: “wonderful”. Uma instituição gratuita de estudo. Fica realmente animado com o Rio de Janeiro.

Quando olhamos a situação de fora, pensamos em 1984. Em sistemas distópicos. A crença nas habilidades mágicas de indivíduos dotados do desejo de varrer o passado, varrer os caciques. Uma estranha macheza tão distante dos ideais de nossos eleitores juvenis que apostam em outro perfil. Mas que soltam um cão raivoso para fazer um papel conhecido. Aquele homem cordial que se agarra as grades do salão para que possa beber até cair, admirado por sua simpatia e leveza. Mas que mostra os punhos fechados quase disposto a desferir um soco no adversário quando contrariado. Leve, popular, jovem. E profundamente violento. O vencedor dos tempos atuais. O rei da popularidade. Escolhido a dedo para dar cor a uma campanha cujas propriedades lembram a água. O que dizer? Genial. E claro que temos o coroamento desta união. Quem nunca ousou defender o direito das docentes, acorda com todo o ideário de Simone de Beauvoir na cabeça. Aplausos para uma caixinha de música que repete ad nauseaum o discurso sobre mulheres na ciência aprendido ontem. Comovente, merece mesmo a vitória. Como dizia meu professor de história no segundo ano da faculdade, “ah, ela é tão esforçada”.

O quadro se completa com a crença que aposta em um empreendedorismo grotesco. Quase um quem quer dinheiro no meio do saguão. Assim, explícito, uniformizado, exuberante nas propostas. Trumps brasilis, um novo tipo de liderança que seduz ouvidos pouco comprometidos com Paulo Freire, Darcy Ribeiro ou uma educação transformadora. Tudo é utilizado como bravata mas com uma encenação digna de Oscar. E o sorriso do talentoso Ripley.

talentoso

Vemos uma turba comemorar a democracia como se assistisse ao fim de Apocalipse Now. E passado o momento de império do ódio, quando todos precisam voltar ao trabalho, percebemos que seguimos sem luz, sem administração, sem sistemas modernos de conexão. Sem saúde mental. Estranhamente não é possível explicar facilmente como ocorrem fenômenos coletivos desta ordem. Alguns falam em ondas. O fato é que seria impossível negar um sentimento comum aos vencedores e perdedores: a frustração e o desânimo.

Podemos pensar na imagem de um balão em noite escura. Seu brilho fustiga os cegos, alimenta os míopes e dá alguma importância aos que podem seguir o balão, até que ele cai no meio do Paraíba e durante o seu resgate, fica tomado de lama. Alguns o abandonam sentindo que foram enganados. Outros se agarram ao resto de brilho, sonhando com cargos de importância. Há os que sempre aceitando pouco, querem manter alguns benefícios, uma viagem, um carro novo. Há mesmo quem se venda por pouco.

Sem conseguir explicar a perda de excelência, vemos avançar a perda de sentido, de discernimento, de vontade, e começam a ocorrer situações próprias de um passeio de trem fantasma. A mudança de escala está completa. As salas são violadas, as violências perpetuadas, as reuniões, mero arremedo democrático. Os alunos antes confiantes, perdem o interesse no voto depositado. E quem desejava o poder abre a mão deixando escorregar pepitas escada abaixo.

Não havia nobreza no ato de quem meses antes acusara um inocente. Só havia ódio ativo, desinformação e interesses inconfessáveis. Canetas em mãos sem coragem podem ser perigosas. Sumiram no anonimato os que ontem faziam a festa da diversidade, baixaram a cabeça os que enviaram as mensagens de ódio. Negaram aqueles que os formaram para aderir aos novos saqueadores. Ninguém mais queria ver-se no espelho. Ah, não existem mais espelhos por aqui. Aliás, parece que teremos apenas sombras até o Carnaval. É certo que teremos o baile de máscaras. Na verdade, já foi bailado.

Se em terra arrasada pode nascer algo, teremos de observar. Por aqui o terreno recente foi arado para plantar um estranho tipo de negacionismo. Aquele que de dentro dos laboratórios nega a própria vocação e vende por pouco o que custou o trabalho duro de gerações.

Escondido nas trevas da internet, Uenfspotted ataca novamente e lança “boca de urna fake” para as eleições da Uenf

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No dia 01 de abril de 2023 (exatamente no dia da mentira) postei neste blog o texto intitulado “As eleições da Reitoria da Uenf sob risco de ser marcada por uma intensa campanha de fake news em que eu fazia um prognóstico de que o pleito em curso na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) corria o risco de ser manchada pelo uso de estratégias malignas de uso das redes sociais em prol da chapa que representaria o continuísmo da gestão Raul/Rosana.

Um dos elementos que me guiou nesse prognóstico foi o uso de um perfil denominado de “Uenfspotted” para atacar potenciais candidatos de oposição.  Ao longo da campanha eleitoral, o “Uenfspotted”, apesar de manter uma posição aparentemente imparcial, o Uenfspotted serviu como base para entre outras coisas disseminar uma “fake news” que imputava à candidata a vice-reitora pela chapa de oposição à atual gestão, professora Daniela Barros, o cometimento de um ato de transfobia. Assim, ainda que na referida postagem o nome da professora não tenha sido citado, os comentários fizeram isso de forma explícita. Uma característica nos comentários é de que os comentaristas invariavelmente eram apoiadores da chapa da situação formada pelos professores Rosana Rodrigues e Fábio Olivares (a chapa 10).

Ao longo da última semana, o Uenfspotted postou várias postagens com críticas a comportamentos de membros ou apoiadores da chapa 30, ao mesmo tempo em que nada foi publicado de similar teor contra a chapa 10. 

Tudo isso apenas confirmou algo que eu previ há mais de cinco meses atrás: o Uenspotted se transformou em uma espécie de correia de transmissão da propaganda dos apoiadores da chapa 10, sem que fosse dada a oportunidade da réplica aos atacados. Essa é uma tática explícita de “cyberware” que foi muito comum nas campanhas de Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil.

Mas nas últimas 24 horas, o Uenfspotted resolveu concluir sua participação na campanha eleitoral da Uenf com uma cereja em cima do bolo e lançou uma esquisitíssima enquete eleitoral, supostamente para medir as intenções de voto na terça-feira (ver imagens abaixo).

Dois detalhes básicos: 1) ao acessar a dita enquete, usei dois perfis distintos que eu gerencio no Instagram e fui diretamente dirigido apenas à opção de votar ou não na chapa 30. Isso aponta para o uso de rastreamento de IP, pois, do contrário, eu poderia ter sido dirigido à opção da chapa 10, o que não ocorreu; 2) nessa enquete como demonstrei, qualquer um pode votar quantas vezes quiser. Assim, alguém que criar múltiplos perfis no Instagram, poderá votar “n” vezes, o que distorce e desqualifica qualquer resultado que saia desta “entaque” que não obedece critérios científicos, o que é particularmente inaceitável já que a eleição se refere à eleição dentro de uma universidade pública.

O que esta enquete está fazendo na prática são duas coisas: a) tentando consolidar os votos já definidos na chapa 10 e 2) atrair votos de indecisos após a divulgação dos resultados da suposta enquete. Em ambos os casos, essa ação viola todos os preceitos de equalidade de tratamento entre as duas chapas e viola todos os regulamentos estabelecidos pela Comissão Eleitoral eleita pelo Conselho Universitário para dirigir o pleito e garantir que ele ocorra de forma democrática.

Finalmente, a minha própria cereja no presente texto será anunciar que a chapa 10 irá receber quase que a totalidade (se não a totalidade) das intenções de voto nessa enquete mequetrefe que o Uenfspotted lançou, a pedido ou decisão de sabe-se lá quem, mas com o objetivo óbvio de desfavorecer as chances eleitorais da chapa de oposição ao continuísmo incrustrado na reitoria da Uenf. 

Com perfil fake, eleições para a reitoria da UENF descabam para o vale tudo

fake

Por decisão da comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), as chapas que concorrem à reitoria para o período de 2024-2027 tiveram que interromper a postagem de novos materiais a partir das 10:00 horas da manhã desta 6a. feira, o que foi efetivamente feito.

O que poderia parecer que haveria normalidade nas eleições que ocorrem amanhã (16/9)  nos polos CEDERJ e na próxima terça-feira (19/9) era apenas aparente. É que assim que os perfis oficiais cessaram a publicação de novos materiais, um perfil de autoria desconhecida (ou seja, um perfil fake) que já atendeu por pelo menos 4 nomes, sendo o último o sugestivo “estudantescomrosana10” começou a postar fotos e vídeos no que se configura em uma flagrante violação das normas eleitorias estabelecida pela comissão eleita pelo colegiado superior da UENF (ver imagens abaixo).

O fato é que ao agirem ao arrepio do que determina uma comissão eleitoral eleita pelo Conselho Universitário da Uenf, os criadores desse perfil agem claramente para minar as possibilidades de que o pleito que se inicia amanhã possa ocorrer de forma equânime.

Além disso, ao desprezar as regras estabelecidas pela Comissão Eleitoral, os criadores desse perfil que dissemina materiais que a estas alturas são ilegais em face das regras eleitorais aceitas por ambas as chapas certamente agem sob a certeza de que permanecerão impunes. 

Caberá agora aos representantes da chapa formada pelos professores Carlos Eduardo de Rezende e Daniela Barros acionarem inicialmente a própria Comissão Eleitoral da Uenf para que este perfil seja descontinuado. Mas se isto não ocorrer de forma imediata, o mais provável é que a derrubada deste perfil tenha ocorrer por via judicial.

Como alguém que já participou de 7 eleições para a reitoria da Uenf desde 1998, eu realmente nunca presenciei nada como o que está ocorrendo nos últimos dias, sempre tendo como protagonistas pessoas ligadas à chapa do continuísmo.

Por fim, eu fico imaginando o que pensaria Darcy Ribeiro se ainda estivesse de tamanha afronta à democracia dentro de uma universidade que ele criou para servir como alicerce científico e da democracia. Certamente Darcy estaria primeiro envergonhado e depois furioso.

A partir das redes sociais, onda de fake news assombra as eleições para a reitoria da Uenf

PL fake news 800 getty

Abre o pano… Para quem acha que o uso das redes sociais para espalhar mentiras e falsidades sobre candidatos é coisa de eleições paritidárias, pense de novo. É que a tática das “fake news” está sendo usada a todo vapor para tentar colocar a chapa de oposição à atual reitoria da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) como uma espécie de bicho papão cuja eleição resultaria em uma série de retrocessos em uma série de melhorias que foram obtidas a partir de um longo processo de lutas.

Entre as coisas que seriam afetadas estão as bolsas acadêmicas e o restaurante universitário, as quais, segundo as “fake news”, seriam encerradas pelo professor Carlos Eduardo de Rezende, candidato a reitor pela chapa de oposição, caso ele seja eleito.

O interessante é que, ao longo dos seus 30 anos de trabalho dentro da Uenf, Carlos Rezende se notabilizou por participar de esforços na obtenção e garantia desses benefícios. Bastaria olhar para documentos e imagens de mobilizações passadas para verificar que o professor Rezende sempre esteve ao lado de quem lutava pelas melhorias que os propagadores de fake news dizem que ele irá acabar, caso seja eleito. Para fazer esses boatos caírem por terra, bastaria verificar documentos e discursos públicos para verificar que os mesmos não passam de mentiras cabeludas.

A situação chegou a tal ponto que o professor Rezende teve que produzir uma série de vídeos para explicar que não pretende fazer o que as “fake news” dizem que ele está pretendendo fazer, caso seja eleito. Mas a força das “fake news” é justamente essa. Fala-se coisas na surdina dentro das redes sociais e elas ganham aspecto de legitimidade, e passam a ser consideradas como verdade por quem é contaminado pelas mentiras espalhadas. E o pior é que “fake news” são como papel picado jogado do teto de um arranha-céu em dia de ventania. Pode-se até pegar parte dele de volta, mas sempre sobrará algum circulando.

Alguém poderia dizer que é surpreendente que em uma universidade pública, isto possa ocorrer. Eu diria que, como as eleições dentro da Uenf não ocorrem fora das disputas políticas existentes fora de suas cercas, não há absolutamente nada de surpreendente nisso.  Aliás, o contrário é que seria surpreendente, já que faz tempo que a reitoria da instituição age como se fosse uma espécie de partido político, agindo por fora dos colegiados superiores da instituição como isso fosse a coisa mais natural do mundo (o caso da reforma do prédio que abriga Arquivo Público Municipal é um belo exemplo disso).. 

Agora, como já foi demonstrado em eleições partidárias, não é difícil se chegar à fonte (ou fontes) de “fake news”. Assim, uma contribuição que a chapa de oposição encabeçada por Carlos Rezende e Daniela Barros seria identificar essa fonte (ou fontes) para que a comunidade universitária da Uenf possa ser informado sobre quem está produzindo essas mentiras. Do contrário, teremos não apenas uma inevitável mácula no processo eleitoral, mas como também estará se legitimando ainda mais o uso de “fake news” como instrumento de disputa eleitoral. É que se na universidade criada por Darcy Ribeiro esse método pode ser usado de forma impune, o que dizer das eleições para cargos públicos?

Uma curiosidade final: não há notícia de ações semelhantes de difusão de “fake news” em relação à chapa que tem o apoio público da reitoria da Uenf. Fecha o pano…