Deputado Roberto Henriques envia resposta para postagem sobre corte de ponto na FENORTE

Recebi na forma de comentário, mas resolvi dar o devido espaço na forma de uma postagem individual, uma resposta do deputado Roberto Henriques a minha postagem sobre o corte do ponto dos servidores em greve na FENORTE. Pela forma respeitosa pela qual o deputado Roberto Henriques se dirigiu, decidi que a melhor e mais justa forma de oferecer um espaço de resposta seria a de uma postagem individual.

Eis o que me enviou o deputado Roberto Henriques:

“Caríssimo Professor Marcos Pedlowski

Na admiração que nutro pelo senhor, manifesto a minha posição a respeito das citações a minha pessoa no seu “blog do pedlowski”:  Sou dado a posições claras, sem atos sub-reptícios…. Alguém bem informado como o senhor, bem sabe, a minha posição a respeito da FENORTE. Agora, no auge do movimento dos funcionários, também já reafirmei o que penso através de carta pública. Ainda ontem, presidindo a sessão na ALERJ, mais uma vez me posicionei conforme o documento em anexo (publicação das notas taquigráficas da aludida Sessão). Defendo como primeira opção, que a FENORTE seja reformulada e presida o colegiado dos Órgãos da Governança Estadual na Região, neste momento histórico dos impactos advindos do setor de Petróleo e Gás e as instalações dos Complexos Portuários. Só os preconceituosos não observam a minha segunda opinião já colocadas as claras, caso o Governo não queira levar a efeito a minha Indicação Legislativa (Ano 2011) : Extinção do aludido órgão e atender a opção dos servidores que pedem suas transferências para a UENF.

Por fim, longe de cercear o seu direito de opinião, julgo que o senhor foi extremamente injusto comigo quando solicita de mim o que não é de minha competência. Não sou chefe de nenhum cargo de confiança da FENORTE ; muito menos do “anonimo” que o senhor menciona. Atribuir a um “anonimo” o ato de aplicar o dito código 61, não corresponde ao conhecido código de conduta do professor que admiro! Vou considerar que houve apenas um “cochilo do mestre”… Me apresente nome e prova (o que acho impossível, pois nenhum inferior hierárquico tem poder para tamanha iniciativa), que me distanciarei politicamente desta pessoa imediatamente. Quanto aos atos administrativos e disciplinares requeridos erroneamente a mim enquanto Deputado Estadual, encaminhe os mesmos à Presidência da FENORTE.

Certo de que continuamos nos respeitando,
abraça-o,

Deputado Roberto Henriques

P.S Foi encaminhado ao e-mail constante neste blog o anexo que o texto faz referencia.”

Em assembléia lotada, professores da UENF rejeitam chantagem do (des) governo Cabral e mantem greve

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Após duas semanas de greve, os professores da UENF se reuniram novamente na tarde desta 5a. feira (27/03) e rejeitaram tanto a proposta de reajuste de 35% em duas parcelas, como a exigência feita pelo (des) governo Cabral para eles suspendam o movimento para que uma proposta seja enviada à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Essa posição não foi contestado por nenhum dos professores presentes, e reflete a solidez da atual greve.  As informações prestadas pelo Comando de Greve sobre as diferentes reuniões realizadas com representantes da SECT, parlamentares na ALERJ e a excelente recepção que o movimento está tendo nas ruas de Campos dos Goytacazes serviram como razões objetivas para estas decisões.

Por outro lado, numa demonstração de que a solidariedade entre os diferentes segmentos que compõe a comunidade universitária já é um dos grandes ganhos desta greve, a assembléia aprovou a realização de reuniões para articular as atividades que serão promovidas por professores, estudantes e servidores da UENF. Além disso, foi aprovada também um convite para que o comando de greve dos servidores da FENORTE também participe das atividades conjuntas, o que representa outro saldo extremamente positivo deste movimento.

Na questão específica da FENORTE, os professores aprovaram uma moção de solidariedade aos servidores da FENORTE que estão sendo ameaçados pelo corte de ponto como forma de quebrar a justa greve que eles realizam neste momento.

Uma coisa é certa: se o (des) governo comandado por Sérgio Cabral e Pezão acreditava que iria chantagear novamente os professores da UENF a saírem de greve de mãos abanando, a assembléia de hoje mostra que isto não vai acontecer desta vez. Aliás, o que parece claro é que a paciência da maioria dos presentes com o (des) governo do Rio de Janeiro se esgotou de vez em função de tantas promessas descumpridas. Agora que está assumindo o timão de uma nau que parece desgovernada, Pezão faria muito bem para si mesmo negociando em vez de continuar o método da chantagem e da enrolação que prevaleceu até agora.

Uma pequena missiva ao deputado Roberto Henriques

Prezado deputado Roberto Henriques,

Nos conhecemos no já distante ano de 1999 quando o senhor nos emprestou solidariedade quando começávamos a luta pela autonomia universitária da UENF. Desde então, apesar de distanciados na vida político-partidária sempre tive em vossa excelência uma pessoa cordial e afável, não importando as eventuais pressões a que o senhor estivesse submetido. Durante o seu atual mandato, como membro da associação de docentes da UENF, posso dizer que, mesmo estando na base do (des) governo Cabral, vossa excelência sempre recebeu nossas delegações na ALERJ e teve repetida manifestações públicas em defesa dos interesses de toda a nossa comunidade universitária.

Por essas e outras, nobre deputado, sou-lhe sinceramente grato. Mas também por essas e outras que eu não entendo como um indicado político seu está, neste momento, servindo o papel de carrasco da justa mobilização dos servidores da Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE) ao aplicar o código “61” na folha de ponto dos grevistas, no que consiste numa intolerável tentativa de coação e arbítrio.

Assim, deputado Roberto Henriques, creio que seja a hora de vossa excelência cobrar desse seu aliado a cessão dessa postura autoritária. Ou isso que o senhor requeira a remoção desse seu aliado do cargo comissionado que ele ocupa hoje na FENORTE.

Certo de sua atenção, despeço-me.

Marcos Pedlowski

 

Nelson Nahim promete uma coisa e faz outra na hora da greve da FENORTE

Segundo fui informado hoje em uma cerimônia realizada nos corredores da FENORTE para marcar o início de seu mandato de presidente, o Sr. Nelson Nahim teria declarado que não se importava com o número de horas que os servidores ficassem dentro das dependências da fundação, mas com o correto cumprimento de suas tarefas. Mas isso mudou da noite para o dia com o início da greve que está sendo realizada por servidores cujos salários estão congelados desde 2006. É que, como num passe de mágica, agora os grevistas estariam tendo suas folhas de ponto marcadas com o código número 61, que designa greve.

Essa é claramente uma tática que visa coagir e impedir o livre cumprimento do direito constitucional da greve. E o pior é que a direção da FENORTE nem sequer se deu ao trabalho de requerer a ilegalidade da greve, e já começou a utilizar essa tática de coação. Como os salários estão congelados chega a ser natural que os servidores se sintam pressionados e coagidos.

O mais interessante nessa tática de coação é que, segundo o que me foi informado, o responsável por assinalar o código “61” nas folhas de ponto dos servidores da FENORTE é um indicado político do deputado Roberto Henriques que recentemente circulou uma carta aberta tecendo sérias considerações sobre a situação vigente na ex-mantenedora da UENF. Aqui seria o caso do deputado Henriques interferir junto a seu apadrinhado para que cesse uma prática que não se coaduna com os discursos que ele mesmo faz em defesa dos direitos dos servidores da FENORTE. 

Mas o pior é que se olharmos para a história e verificarmos o que acontece quando os trabalhadores têm seus direitos básicos violados, o normal é que o nível de revolta aumente, ainda que por algum tempo as coisas pareçam voltar àquele tipo de normalidade que os opressores tanto gostam. A ver!

Greve da UENF mostra sua força com a visita de dois deputados ao campus Leonel Brizola

A greve que ocorre na UENF e envolve os três segmentos da comunidade universitária teve um momento de demonstração de força na manhã desta segunda-feira com a visita dos deputados Jânio Mendes (PDT) e Clarissa Garotinho (PR). Ainda que esse tipo de visita seja essencialmente simbólico, o fato é que os deputados puderem ver de perto um momento de unificação não apenas dentro da UENF, mas também com os servidores da FENORTE.

Como mostram as imagens abaixo, a força desta greve, que ainda está apenas no começo, desafia as noções fáceis de que movimentos grevistas não são ferramentas úteis para avançar a luta dos trabalhadores. O fato é que apenas através do uso deste tipo de ferramenta é que os trabalhadores podem estabelecer alianças que podem arrancar ganhos maiores do que governos e patrões estão normalmente dispostos a conceder.

No caso da presente greve, a unificação que alcança os servidores da FENORTE que realizam um inédito movimento que expõe as entranhas de um processo de apropriação dos seus 40 cargos comissionados por grupos políticos que perdem eleições. Aliás, nesse sentido, a fala da deputada Clarissa Garotinho foi interessante, na medida em que ela defendeu a não extinção da fundação, mas concedeu que aqueles servidores que desejarem ser transferidos para a UENF possam ter esse direito. 

 

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Professores da UENF e servidores da FENORTE fazem panfletagem conjunta na Pelinca para divulgar a greve

Uma panfletagem conjunta no final da tarde desta 6a. feira movimentou a Avenida Pelinca na região mais valorizada da cidade de Campos e marcou um momento de unidade entre grevistas da UENF e da FENORTE. Essa ação conjunta é particularmente simbólica, na medida em que as duas instituições compartilham o mesmo espaço físico no campus Leonel Brizola. Com a deflagração da greve e as ações conjuntas para sensibilizar a população fica claro que o (des) governo Cabral gerou uma situação de tamanha indignação que até velhas rusgas foram deixadas de lado.

O interessante em mais esse contato com a população é que fica expresso um amplo apoio ao movimento de greve que está ocorrendo na UENF. Esse contato direto com a população revela que no caso da atual greve o (des) governo Cabral aparece como o principal causador da greve. 

Por essas e outras é que o slogan “Cabral e Pezão, parem de enrolação” fica muito claro para todos os que recebem os materiais informativos produzidos para informar a população sobre o que de fato está ocorrendo dentro do campus Leonel Brizola. 

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(Des) governo Cabral conseguiu unificar toda a UENF na greve

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Quem acompanha há mais tempo as mobilizações na Universidade Estadual do Norte Fluminense sabe que faz tempo que não se consegue a unificação de professores, servidores técnicos e estudantes num mesmo processo de greve. Aliás, a última vez que isso ocorreu foi em 2000 na longa greve que culminou no processo de autonomia da UENF em relação à FENORTE.

Agora com todo o descalabro causado por 7 anos de asfixia financeira da UENF e da corrosão de salários e bolsas estudantis, a unidade está sendo restabelecida num processo de greve. Aliás, o fato dos estudantes estarem em greve por sua pauta específica retira do (des) governo Cabral a cartada da chantagem que é exigir que se saia de greve para “não prejudicar os estudantes”. O fato é que se (des) governo Sérgio Cabral tivesse alguma preocupação real com os estudantes já teria garantido a conclusão do bandejão e a construção de moradias estudantis. Mas não, a opção tem sido justamente a oposta, e os estudantes-bolsistas tem mesmo é convivido com atrasos constantes no pagamentos de bolsas cujos valores são para lá de insuficientes.

De toda forma, o que está se desenhando é a retomada de um processo de unificação das diferentes categorias que, apesar de marcharem por pautas específicas, já parecem ter entendido que só unidas vão conseguir dobrar a intransigência da dupla Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão.

E sim, esta greve tem ainda a novidade de pela primeira vez em sua história, a FENORTE estar experimentando uma vigorosa greve de seus servidores!

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Gustavo Tutuca veio inaugurar telhado e deu de cara com uma manifestação de grevistas da UENF e da FENORTE

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O deputado estadual Gustavo Tutuca, atual (des) secretário estadual de Ciência e Tecnologia, foi o primeiro representante do (des) governo Cabral a sentir na pele o “bafo” de uma manifestação de servidores em greve na cidade de Campos dos Goytacazes em mais de sete anos que este grupo está ocupando o Palácio Guanabara.

É bem provável que Tutuca tenha voltado para casa querendo demitir algum assessor, pois a divulgação da agenda oficial na cidade de Campos foi como que um convite à manifestação dos grevistas da UENF e da FENORTE num dos pontos de inauguração anunciados. Aliás, essa agenda era tão movimentada que constava dela até a inauguração de um telhado! O que Tutuca e seus assessores provavelmente não esperavam era ver o movimento de professores e estudantes da UENF e servidores da FENORTE exigindo negociação, o que acabou ocorrendo na Escola Técnica Barcelos Martins.

Agora, mais preocupado do que Tutuca deve estar o vice (des) governador Luiz Fernando Pezão que já deve ter recebido a notícia da manifestação. É que podendo ter evitado tudo isso, Pezão prometeu e não resolveu. Agora, uma greve que une UENF e FENORTE vai provavelmente exigir dele mais concessões do que ele estava pretendendo. Também, quem mandou enrolar!

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