Bolsogate: imprensa portuguesa repercute imbróglio dos depósitos de Flávio Bolsonaro

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Ao contrário da mídia corporativa brasileira que continua em sua maioria avassaladora “mordendo e assoprando” o ainda a ser empossado Flávio Bolsonaro no escândalo envolvendo depósitos suspeitos que foram feitos em sua conta bancária, em Portugal o nome dado ao caso é bem revelador… Bolsogate.

Em matéria assinada pelo jornalista João Almeida Moreira do “Diário de Notícias”  a repercussão aos 48 depósitos de R$ 2.000,00 feitos na conta de Flávio Bolsonaro em um mesmo mês (santa coincidência de valores!) , cita explicitamente que se trata de um “Bolsogate” na medida em que o problema também envolve a primeira dama Michelle Bolsonaro e o próprio pai e presidente da república, Jair Bolsonaro [1].

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A matéria cita ainda que “fontes do governo (Bolsonaro) citadas anonimamente na imprensa admitem que o caso, mesmo envolvendo dois membros do clá Bolsonaro, Flávio e Michelle, que não fazem parte do executivo, causam desgaste ao presidente da República recentemente empossado.”

E eu complemento.. isso é tanto verdade que um governo que nem completou um mês de vida já dá todos os sinais de ter esclerosado precocemente.

Sérgio Moro entrou por vontade própria no labirinto da família Bolsonaro. Saíra ileso?

Businessman in front of a huge maze
O juiz Sérgio Moro deve ter sido desaconselhado pelos seus verdadeiros amigos a não aceitar o papel de super ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Mas obviamente ele não ouviu os seus bons amigos, provavelmente movido pela sede de poder e por um ego robusto, e rapidamente aceitou a tarefa de combater a corrupção dentro de um grupo político que já se sabia não era tão santo quanto seus seguidores mais fanáticos acreditavam, pois havia para começo de conversa a história da Wal do Açai para arranhar a imagem tão bem desenhada nas redes sociais [1]. Também havia a questão das tratativas imobiliárias do mesmo filho que acabou jogando Jair Bolsonaro no “limelight” (ou seria “na luz da lama”?) [2].
Agora, com o aparecimento dos problemas envolvendo o assessor/policial militar e aparente gerente de verbas obscuras, a imagem mítica vem ruindo a cada explicação mal dada, deixando o presidente eleito numa posição que beira o constrangedor (ver vídeo abaixo).

Mas pior do que o presidente eleito, está o agora ex-juiz e ainda não ministro da Justiça, Sérgio Moro. É que as apurações que desvelaram a curiosa situação do assessor de Flávio Bolsonaro, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, foi revelada por um órgão, o Coaf, que está sendo colocado sob a égide do super ministério que Sérgio Moro irá controlar, certamente com mão de ferro.
Agora que o gato (ou seria cachorro como disse Roberto Requião? [3]) da conta milionária foi colocado para fora do saco pelo Coaf, a questão que fica é de como irá se comportar Sérgio Moro que foi tão criativo para condenar líderes do Partido dos Trabalhadores. A primeira demonstração de fugir de dar explicações à imprensa não foi muito promissora em termos de continuar sendo o paladino da justiça [4].


Para Sérgio Moro a questão é complexa pois, ao contrário de muitos dos que cercam Jair Bolsonaro, ele supostamente não era membro de um partido político e foi alçado aos píncaros ao surfar na indignação contra os casos de corrupção que ocorreram no Brasil nos últimos 15 anos.
É esse envolvimento com indivíduos enrolados com a justiça que se configura na entrada de um labirinto onde se sobressai a receita explosiva que é oferecida por Jair Bolsonaro e seus filhos com cargos eletivos. Como e se Sérgio Moro conseguirá sair ileso de um labirinto onde entrou por vontade própria se tornou uma das coisas a serem observadas ao longo do tempo que o próximo governo durar.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/assessora-fantasma-de-bolsonaro-continua-vendendo-acai-em-horario-de-expediente.shtml
[2]https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1948527-filho-de-bolsonaro-negociou-19-imoveis-e-fez-transacoes-relampago.shtml
[3] https://www.esmaelmorais.com.br/2018/12/requiao-afirma-que-houve-cachorro-e-pede-a-cassacao-de-flavio-bolsonaro/
[4] https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,moro-evita-comentar-relatorio-do-coaf-que-cita-ex-assessores-da-familia-bolsonaro,70002637127

Supostamente banido pelo Whatsapp, filho de Jair Bolsonaro tem momento de sinceridade

O senador eleitor pelo PSL/RJ, Flávio Bolsonaro, acaba de dizer em sua página na rede social Twitter que seu WhatsApp foi bloqueado e que isso é uma afronta à democracia, pois ele participava de milhares de grupos.
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Daí que deste reconhecimento decorrem uma série de desdobramentos:
 
1 – Ninguém que já esteve em um grupo de família de Whatsapp  sabe que é praticamente impossível participar de milhares de grupos. Só quem participa de milhares de grupos são robôs.
 
2 – Para ficar ainda mais claro que o telefone está no nome dele mas que não é ele que usa o próprio Whatsapp, bastaria que se experimentasse telefonar para o número para ver o que aconteceria.
 
3 – Mas se o número está no nome dele, dispara mensagens como se fosse ele mas é, na verdade, operado por um robô, isso inevitavelmente geraria custos.
 
4 – Se houvesse geração de custos e consequente efeito eleitoral, há que existir um recibo eleitoral.  Será que existe tal recibo?
 
 
Um trabalho para os inspetores do TRE/RJ, sem nenhuma dúvida. Vamos esperar agora pela devida e rigorosa apuração.