Degradação, uma ameaça contínua para a Mata Atlântica

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A Mata Atlântica é uma das florestas tropicais mais importantes do mundo, mas suas florestas são altamente fragmentadas. Crédito da imagem: Angeloleithold / Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons 3.0

Dê uma olhada

  • Mata Atlântica já perdeu mais de 80 por cento de suas florestas
  • Monitorar a degradação florestal é tão importante quanto considerar o desmatamento, dizem os cientistas
  • Combate à degradação da Mata Atlântica atrairia grandes investimentos em créditos de carbono

Por:Washington Castilhos para a SciDev

Os impactos humanos sobre os remanescentes da Mata Atlântica causaram perdas de até 42% de sua biodiversidade e reservas de carbono, elementos essenciais para a conservação da vida e a regulação do clima, concluiu um novo estudo.

Com uma variedade de florestas tropicais de vários tipos e vegetação única – como o pau-brasil, a espécie de planta que deu o nome ao Brasil – a Mata Atlântica já cobriu toda a costa do Brasil e partes da Argentina, Paraguai e Uruguai. Hoje, apenas fragmentos sobrevivem.

Por meio da análise de 1.819 levantamentos, que levaram em consideração o clima, o solo, o nível de degradação florestal e o tamanho do que resta, uma equipe científica determinou que, em média, os fragmentos florestais apresentam um índice de 25-32. porcentagem menos biomassa (elementos da floresta, como raízes, tronco, folhas e galhos); 23-31 por cento menos espécies e 33, 36 e 42 por cento menos indivíduos de espécies endêmicas, de sucessão tardia e de sementes grandes, respectivamente.

Juntos, isso equivale à perda de 55.000-70.000 km 2 de florestas ou US $ 2,3-2,6 bilhões em créditos de carbono , destaca o estudo publicadona Nature Communications .

“É preciso destacar que a Mata Atlântica tem nível endêmico igual ou superior ao da Amazônia, mas pouco se fala sobre sua riqueza em biodiversidade”.  Marcos Pedlowski, geógrafo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Rio de Janeiro

Esses números têm implicações diretas para a mitigação das mudanças climáticas, já que um dos mecanismos para enfrentá-las é o combate à degradação florestal, explica à SciDev.Net o principal autor do estudo, Renato Lima, pesquisador do Instituto de Biociências do Universidade de São Paulo.

A pesquisa reconhece que “quantificar os impactos da degradação florestal é difícil e, portanto, tem recebido menos atenção do que o desmatamento nas mudanças climáticas e nas agendas de conservação , como o Acordo de Paris”.

A degradação ocorre quando o acúmulo de distúrbios dentro da floresta (como queimadas, extração de madeira e proliferação de espécies invasoras) altera todo o ecossistema e o funcionamento da floresta, afetando sua capacidade de armazenar carbono e água e prejudicando a biodiversidade.

Embora o desmatamento tenha recebido muita atenção nas últimas décadas, os cientistas alertam que o destino das florestas tropicais depende não só de promover o reflorestamento de áreas desmatadas, mas também de mitigar a degradação florestal nos fragmentos remanescentes de floresta.

As projeções do Centro Comum de Pesquisa – o serviço de ciência e conhecimento da Comissão Europeia – mostram que, se as taxas atuais de perturbação forem mantidas, as florestas tropicais virgens desaparecerão em 2050.

De acordo com essas projeções, algumas das florestas virgens da África Subsaariana desaparecerão entre 2024 e 2090; 2034 seria o ano do desaparecimento das pessoas localizadas na Tailândia ou no Vietnã; em 2040, os de Madagascar e da Índia desaparecerão, e em 2129 os da Amazônia brasileira.

Um mapa do Centro Comum de Pesquisa da UE mostra o ano esperado de desaparecimento das florestas em todo o mundo, com base nas perturbações observadas na última década

Antes da próxima COP15 – a Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), a ser realizada em maio de 2021 em Kunming, China – pesquisadores de doze países mapearam 2,9 bilhões de hectares de diferentes tipos de ecossistemas degradados e Eles foram divididos em uma escala de prioridades, da mais alta à mais baixa.

Nessa escala, a Mata Atlântica está entre as áreas de maior prioridade global e, em outros trabalhos , aparece como uma das áreas críticas de conservação com maior área de restauração.

Para Marcos Pedlowski, geógrafo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro, a importância do novo estudo reside no fato de ter como foco a degradação da Mata Atlântica.

“Os esforços mais recentes levam em conta o desmatamento da Amazônia , sem levar em conta todos os outros biomas ou o problema da degradação. É importante ressaltar que a Mata Atlântica tem nível endêmico igual ou superior ao da Amazônia, mas pouco se fala sobre sua riqueza em biodiversidade ”, afirma Pedlowski, que não participou do estudo.

Esta vista aérea mostra o desmatamento da Mata Atlântica, porém medir a degradação florestal é muito mais difícil. Crédito da imagem: Cnes – Spot Image / Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons 3.0

O geógrafo, cujo estudo recente chama a atenção para o índice de degradação da Amazônia, acrescenta que quanto menos perturbado o fragmento, mais serviços ambientais ele pode oferecer.

“Além de ser um ecossistema diversificado, a Mata Atlântica está localizada no entorno das maiores concentrações urbanas do Brasil e a água é um elemento importante para esses centros urbanos. Passamos por graves crises de água; entretanto, a geração de água é um dos serviços ambientais que as florestas preservadas podem oferecer ”, explica Pedlowski.

Segundo o estudo, o combate à degradação florestal no que resta da Mata Atlântica pode atrair bilhões de dólares em investimentos relacionados aos créditos de carbono.

Renato Lima acrescenta que como a maioria dos fragmentos está localizada em propriedades privadas, é fundamental criar alternativas atraentes para os proprietários.

“ A restauração florestal tem seus custos, mas pode gerar ganhos no mercado de créditos de carbono. A formulação de políticas pode ser a chave para a captação de recursos para a Mata Atlântica ”, afirma.

No Brasil, os recursos para reduzir as emissões de carbono por desmatamento e degradação florestal estão concentrados principalmente na Amazônia. Atualmente, apenas o estado do Rio de Janeiro possui um fundo voltado para a proteção da Mata Atlântica.

O estudo é financiado pela FAPESP, doadora da SciDev.Net

Link para o estudo na Nature Communication

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Este artigo foi escrito originalmente em espanhol e publicado pela SciDev [Aqui!].

Savanização das florestas tropicais impactará mais de 200 espécies de animais

nathalia regatoFOTO: NATHALIA SEGATO / UNSPLASH

Por  bori

As florestas tropicais da América do Sul estão se transformando em cerrado (savana brasileira), o que impactará na sobrevivência de mamíferos “especialistas” em ambientes florestais. É o que observam pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e Universidade de Miami, em estudo da revista “Global Change Biology”. O trabalho mostra que uma parte da fauna do cerrado, que geralmente tolera ambientes mais abertos e secos, poderá invadir regiões de floresta degradada e “savanizada” em decorrência das mudanças climáticas e de ações humanas, como desmatamento e queimadas.

Ao analisar 349 espécies de mamíferos com base em modelos computacionais, que possibilitam previsões sobre como a distribuição das espécies pode mudar ao longo do tempo, os autores projetam que, até o final do século 21, as espécies relacionadas à savana aumentarão em 11% a 30% e se espalharão pelas florestas amazônicas e atlânticas. Paralelamente, as espécies que dependem de ambientes florestais para se movimentar, alimentar e reproduzir, caso de primatas e algumas espécies de cervos e roedores, ficarão confinadas em regiões menores com remanescentes de floresta, processo que aumentará a competição por alimento.

“Os animais vindos do Cerrado vão competir com a fauna da floresta pelos já escassos recursos que vemos lá. Com isso, eles  podem trazer consigo as sementes das plantas do Cerrado, que eles consomem preferencialmente. Os mais afetados serão os primatas neotropicais, algumas espécies de cervos, a paca, e várias espécies de roedores”, afirma o biólogo e um dos autores do estudo, Mathias Mistretta Pires, do Laboratório de Estrutura e Dinâmica da Diversidade do Departamento de Biologia Animal, do Instituto de Biologia, da Unicamp.

De acordo com o especialista, embora, segundo as análises do estudo, determinadas espécies do Cerrado como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira possam aumentar sua distribuição territorial em decorrência do fato que as condições ambientais serão mais adequadas a essas espécies do que às espécies florestais, isso não significa que os mamíferos do Cerrado estejam livres de ameaça. “O Cerrado também é um bioma muito impactado por ações humanas”, alerta.

Como proteger o equilíbrio da fauna

Mais importante do que pensar em reverter o processo de savanização, é preciso atuar sobre suas causas principais, com ações individuais e políticas de mitigação das mudanças climáticas, como o uso de técnicas agrícolas que não incluam o fogo e o combate ao desmatamento. A observação é da bióloga e autora principal do estudo, Lilian Patrícia Sales, que também atua no Instituto de Biologia, da Unicamp.

O cerrado tem sido convertido em plantações e pastagens que são inadequadas como habitat para a maior parte da fauna. Enquanto isso, os ecossistemas florestais estão sendo degradados e se transformando em ambientes mais secos devido às mudanças no clima, que não são nem floresta, nem savanas de fato. Essas florestas degradadas se tornam inabitáveis para as espécies florestais, mas podem se tornar refúgios para as espécies de savana. Com isso, reforçam os autores, até o fim do século pode haver modificações em grande escala na distribuição territorial da biodiversidade do continente sul-americano.

No estudo, também foi avaliado o efeito do desmatamento sobre a capacidade das espécies de se locomover de uma região a outra. “Para espécies florestais, uma plantação de cana ou soja, por exemplo, pode ser uma barreira intransponível. Isso impede que essa espécie colonize ambientes que seriam adequados a ela. Portanto, as atividades humanas não só transformam o ambiente, como limitam a capacidade de deslocamento dos animais”, observa Lílian Sales.

Outro ponto importante para mitigar os efeitos da savanização, ressalta a bióloga, é a manutenção de corredores florestais que permitam a dispersão de espécies de floresta entre as manchas remanescentes. Sem isso, conclui, muitos locais que poderiam ser  utilizados como habitat se tornam inacessíveis para essas espécies, o que limita sua distribuição aos refúgios, áreas que mantêm características climáticas e de vegetação.

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Este artigo foi originalmente produzido pela Agência Bori [Aqui!].

Cientistas da UFPR descobrem novas espécies de formigas no Brasil, México e Colômbia

Uma das quatro espécies foi nomeada Prionopelta menininha em homenagem à líder afro-brasileira e à Bahia, onde habita

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A Mirmecologia, área da ciência dedicada às formigas, já descreveu cerca de 14 mil espécies. O professor Rodrigo Feitosa e a doutoranda Natalia Ladino, do Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), adicionaram mais quatro para essa conta. Após três anos estudando o histórico da classificação e amostras recém-coletadas, os pesquisadores descobriram espécies inéditas que habitam Brasil, México e Colômbia. A descrição e o estudo foram publicados na revista científica internacional Zootaxa, da Nova Zelândia. Uma delas foi nomeada em homenagem a uma representante das religiões afro-brasileiras no país, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a Mãe Menininha do Gantois.

As formigas descritas são naturais de solos de florestas tropicais e se alimentam de pequenos artrópodes, animais com patas articuladas e que possuem esqueleto externo (exoesqueleto) segmentado, como besouros e aranhas. “As novas espécies também contribuem para o equilíbrio dos ecossistemas que habitam”, explica o professor Rodrigo Feitosa, do Departamento de Zoologia da UFPR.

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A classificação dos seres vivos passa por domínio, reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. As novas espécies de formigas descobertas pertencem ao gênero Prionopelta. Elas foram nomeadas de Prionopelta menininha, Prionopelta dubia, Prionopelta minuta e Prionopelta tapatia. “Só podemos proteger e controlar a diversidade que conhecemos. Nesse sentido a taxonomia é fundamental na ciência e na vida humana, pois é a área responsável pela nomeação dos seres vivos do planeta e por tudo que sabemos sobre eles”, diz o professor.

Segundo o pesquisador, o conhecimento sobre a diversidade das espécies permite definir com mais precisão o papel que essas formigas têm na natureza. “Isso pode ser empregado em políticas de conservação de ambientes, já que algumas espécies são conhecidas de regiões muito restritas e ameaçadas pelo desmatamento e outras perturbações causadas pelos seres humanos”.

“O gênero Prionopelta é um desafio, pois possui espécies muito semelhantes. Nesse sentido nosso estudo impacta diretamente no seu conhecimento básico e pode fortalecer pesquisas subsequentes”, acrescenta a pesquisadora colombiana Natalia.

Em seu doutorado na UFPR, Natalia dá continuidade ao estudo. A próxima etapa irá analisar espécies que habitam todo o mundo com uso de ferramentas de alta tecnologia em biologia molecular para estudar as relações evolutivas de Prionopelta. O objetivo é traçar um mapa de onde essas formigas surgiram e como se diversificaram e espalharam pelo mundo.

O processo de descoberta

Os últimos estudos sobre a taxonomia do gênero de formigas Prionopelta haviam sido feitos há 60 anos, em 1960. A ideia de voltar a analisá-las surgiu da percepção dos pesquisadores de espécies em coleções que não se enquadravam nas descrições conhecidas na literatura e a dificuldade de identificar e separar as espécies que já estavam descritas. Contando com a ajuda da coleção da UFPR e de outras instituições da América, a dupla reuniu amostras suficientes para aprofundar o tema.

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O trabalho de comparação morfológica é feito sob estereoscópios binoculares. Foram analisadas características da morfologia externa, como forma, escultura e pilosidade do corpo das formigas. Os pesquisadores também se basearam em padrões de distribuição geográfica das formigas para obter um conjunto de dados que permitisse comparar e distinguir as espécies examinadas com aquelas previamente conhecidas pela literatura.

Homenagem afro-brasileira e à Bahia

Uma das espécies descritas foi nominada como Prionopelta menininha em homenagem a uma representante das religiões afro-brasileiras no país, Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a Mãe Menininha do Gantois. Ela é descendente da realeza nigeriana da etnia Yourubá, que foi escravizada no Brasil, e sua vida reflete a luta das mulheres negras e de religiões afro-brasileiras em busca de respeito e igualdade.

Segundo Natalia, a ideia do nome surgiu após uma viagem para Ilhéus, na Bahia, onde visitou a coleção de formigas do Centro de Pesquisas do Cacau. “Ao me deparar com a espécie nova, que habita esse estado, foi simples pensar que a homenagem tinha que ser uma retribuição. Não sou uma pessoa religiosa, mas sou uma mulher negra que tem desenvolvido um interesse particular por conhecer e exaltar aspectos culturais dos lugares que visito, nesse caso a cultura afro-brasileira”.

Curiosidades sobre formigas

“As formigas são seres de organização extremamente complexa e boa parte das coisas que nos orgulhamos de ter alcançado como sociedade, as formigas atingiram muito tempo atrás. São insetos com uma importante função ecológica, econômica e sanitária”, diz o pesquisador Rodrigo, que estuda formigas há 17 anos.

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Em muitas florestas tropicais, a biomassa (quantidade de matéria orgânica em uma determinada área) das formigas é maior do que a dos mamíferos. Foto: Pixabay/Divulgação

Em muitas florestas tropicais, a biomassa (quantidade de matéria orgânica em uma determinada área) das formigas é maior do que a dos mamíferos. “Isso porque elas são organizadas com sobreposição de gerações, cuidado cooperativo com a prole e divisão do trabalho reprodutivo. Os ninhos são complexos, com altos números de câmaras (compartimentos internos) e complexidade de estrutura”, explica Rodrigo.

Por Breno Antunes da Luz
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Infografia: Juliana Barbosa
Parceria Agência Escola de Comunicação Pública UFPR, Assessoria de Comunicação do Setor de Ciências Biológicas (Aspec) e Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) da UFPR

Destruição desenfreada de florestas ‘irá desencadear mais pandemias’

Pesquisadores dizem à ONU que a perda de biodiversidade permite a rápida disseminação de novas doenças de animais para humanos

pan 1O HIV se espalhou de chimpanzés e gorilas que foram massacrados para a carne de animais selvagens na África Ocidental. Fotografia: agefotostock / Alamy

Por Robin McKie para o “The Guardian”

Os cientistas devem alertar os líderes mundiais de que um número crescente de novas pandemias mortais afligirá o planeta se os níveis de desmatamento e perda de biodiversidade continuarem em seus atuais índices catastróficos.

Uma cúpula da ONU sobre biodiversidade, programada para ser realizada em Nova York no próximo mês, será informada por conservacionistas e biólogos que agora há evidências claras de uma forte ligação entre a destruição ambiental e o aumento do surgimento de novas doenças mortais como a COVID-19.

O desmatamento desenfreado, a expansão descontrolada da agricultura e a construção de minas em regiões remotas – bem como a exploração de animais selvagens como fontes de alimento, medicamentos tradicionais e animais de estimação exóticos – estão criando uma “tempestade perfeita” para o contágio de doenças da vida selvagem para pessoas, os delegados serão informados.

Quase um terço de todas as doenças emergentes teve origem no processo de mudança do uso da terra, afirma. Como resultado, cinco ou seis novas epidemias por ano podem em breve afetar a população da Terra.

“Há agora uma série de atividades – extração ilegal de madeira, desmatamento e mineração – com comércio internacional associado de carne de animais selvagens e animais de estimação exóticos que criaram esta crise”, disse Stuart Pimm, professor de conservação da Universidade Duke. “No caso da Covid-19, ela custou ao mundo trilhões de dólares e já matou quase um milhão de pessoas, então uma ação claramente urgente é necessária.”

Estima-se que dezenas de milhões de hectares de floresta tropical e outros ambientes selvagens estão sendo derrubados todos os anos para cultivar palmeiras, criar gado, extrair petróleo e fornecer acesso a minas e depósitos minerais. Isso leva à destruição generalizada da vegetação e da vida selvagem que hospeda inúmeras espécies de vírus e bactérias, a maioria desconhecida para a ciência. Esses micróbios podem infectar acidentalmente novos hospedeiros, como humanos e animais domésticos.

Esses eventos são conhecidos como spillovers. Crucialmente, se os vírus prosperarem em seus novos hospedeiros humanos, eles podem infectar outros indivíduos. Isso é conhecido como transmissão e o resultado pode ser uma doença nova e emergente.

pan 2Uma serraria na região de Madre de Dios, na floresta amazônica, no Peru. Fotografia: Ernesto Benavides / AFP / Getty Images

Um exemplo de tais eventos é fornecido pelo vírus HIV, que no início do século 20 se espalhou de chimpanzés e gorilas – que estavam sendo abatidos para a carne de caça na África Ocidental – para homens e mulheres e que desde então causou a morte de mais de 10 milhões pessoas. Outros exemplos incluem a febre Ebola , que é transmitida por morcegos a primatas e humanos; a epidemia de gripe suína de 2009 e o vírus Covid-19, que foi originalmente transmitido aos humanos por morcegos.

“Quando os trabalhadores vêm às florestas para derrubar árvores, eles não levam comida com eles”, disse Andy Dobson, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton. “Eles só comem o que podem matar. Isso os expõe à infecção o tempo todo. ”

Este ponto foi apoiado por Pimm. “Tenho a fotografia de um sujeito matando um porco selvagem nas profundezas da selva equatoriana. Ele era um madeireiro ilegal e ele e seus colegas de trabalho precisavam de comida, então mataram um javali. Eles ficaram salpicados de sangue de porco selvagem no processo. É horrível e anti-higiênico e é assim que essas doenças se espalham. ”

No entanto, nem toda doença emergente é causada por um único e importante evento de transbordamento, enfatizou o zoólogo David Redding, da University College London. “Nos locais onde as árvores estão sendo derrubadas, aparecem na paisagem mosaicos de campos, formados ao redor de fazendas, intercalados com parcelas de mata antiga.

“Isso aumenta a interface entre o selvagem e o cultivado. Morcegos, roedores e outras pragas portadoras de novos vírus estranhos vêm de aglomerados de florestas sobreviventes e infectam animais de fazenda – que então transmitem essas infecções aos humanos ”.

Um exemplo dessa forma de transmissão é fornecido pela febre de Lassa, que foi descoberta pela primeira vez na Nigéria em 1969 e agora causa vários milhares de mortes por ano. O vírus é espalhado pelo roedor Mastomys natalensis , que era comum nas savanas e florestas da África, mas agora coloniza casas e fazendas, transmitindo a doença aos humanos.

“O ponto crucial é que provavelmente existem 10 vezes mais espécies diferentes de vírus do que de mamíferos”, acrescentou Dobson. “Os números estão contra nós e o surgimento de novos patógenos é inevitável.”

No passado, muitos surtos de novas doenças permaneceram em áreas contidas. No entanto, o desenvolvimento de viagens aéreas baratas mudou essa imagem e as doenças podem aparecer em todo o mundo antes que os cientistas percebam completamente o que está acontecendo.

“A transmissão progressiva de uma nova doença também é outro elemento realmente importante na história da pandemia”, disse o professor James Wood, chefe de medicina veterinária da Universidade de Cambridge. “Considere a pandemia de gripe suína. Nós voamos ao redor do mundo várias vezes antes de perceber o que estava acontecendo. A conectividade global permitiu – e ainda permite – que o Covid-19 fosse transmitido para quase todos os países do planeta. ”

Em um artigo publicado na Science no mês passado, Pimm, Dobson e outros cientistas e economistas propõem a criação de um programa para monitorar a vida selvagem, reduzir spillovers, acabar com o comércio de carne de animais selvagens e reduzir o desmatamento. Esse esquema poderia custar mais de US $ 20 bilhões por ano, um preço que é superado pelo custo da pandemia Covid-19, que enxugou trilhões de dólares de economias nacionais em todo o mundo.

“Estimamos que o valor dos custos de prevenção por 10 anos seja apenas cerca de 2% dos custos da pandemia COVID-19”, afirmam. Além disso, a redução do desmatamento – importante fonte de emissão de carbono – também teria o benefício de auxiliar no combate às mudanças climáticas, acrescentam os pesquisadores.

“A taxa de surgimento de novas doenças está aumentando e seus impactos econômicos também estão aumentando”, afirma o grupo. “O adiamento de uma estratégia global para reduzir o risco de pandemia levaria ao aumento contínuo dos custos. A sociedade deve se esforçar para evitar os impactos de futuras pandemias. ”

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Este artigo foi escrito originalmente em inglês e publicado pelo “The Guardian” [Aqui!].

Compra de terras em larga escala eleva desmatamento em zonas tropicais, diz estudo

Investimento estrangeiro representa 76% dos contratos em quase duas décadas

Amazon deforestation: EU firms linked to illegal logging in Brazil ...

Aquisições de terras em larga escala — que cobrem pelo menos 200 hectares — contribuem para a destruição das florestas tropicais. É o que indica um estudo publicado pela revista Nature Geosciences, que analisou as consequências de mais de 80 mil acordos de compra e venda feitos entre 2000 e 2018 em 15 países da América do Sul, África Subsaariana e Sudeste Asiático. Cerca de 76% dessas aquisições foram feitas por investidores estrangeiros, indica o levantamento.

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A distribuição de aquisições públicas de terras em larga escala no México (canto superior esquerdo), América do Sul (canto inferior esquerdo), África subsaariana (canto superior direito) e sudeste da Ásia (canto inferior direito). As atividades de aquisição incluem extração de madeira (laranja), mineração (verde), óleo de palma (roxo), novas plantações (azul), plantações estabelecidas (amarelo) e fibra de madeira (preta). Crédito: Davis et al. (2020)

A pesquisa comparou registros públicos de compra de terras com dados de satélite sobre alterações na cobertura vegetal. A mineração em larga escala em toda a Amazônia foi mais frequentemente associada à destruição de florestas nas últimas duas décadas. Nas demais regiões, óleo de palma e madeira foram os insumos mais consistentemente ligados ao aumento do desmatamento tropical. De 2000 a 2018, Brasil, Camboja, Indonésia, Libéria, Malásia e Moçambique perderam em média 10% de suas florestas.

Em comparação com zonas semelhantes que não tiveram investimento privado, áreas com aquisições de terras em larga escala tiveram aumento do desmatamento em 52% dos casos, mas essa taxa variou entre os países. Em muitas partes da África Subsaariana houve menos desmatamento em terras compradas por particulares do que em áreas públicas. Isso ocorre porque “os investimentos na África geralmente são concedidos em locais onde o desmatamento já está ocorrendo”, explica Kyle Davis, principal autor do artigo.

“Os governos do sul global freqüentemente acolhem esses investimentos como um meio de facilitar potencialmente as transferências de tecnologia e a entrada de capital, além de promover o desenvolvimento rural e a criação de empregos locais”, escrevem os autores do estudo.

Davis, que é cientista ambiental da Universidade de Delaware, Newark, e da Columbia University, Nova York, alerta os formuladores de políticas para que tomem medidas que evitem que esses investimentos levem a “grandes concessões para seus países, inclusive para florestas, comunidades e ecossistemas que dependem deles”.

Ele também alerta para o impacto climático que a compra de grande propriedades em regiões florestais pode significar. Quase um quarto de todo o carbono armazenado na terra estão nas florestas tropicais, e o desmatamento causa a liberação desse carbono na atmosfera. Atualmente, o desflorestamento tropical representa cerca de 8% de todas as emissões de CO2 promovidas pelo homem.

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A distribuição das aquisições de terras observando aumentos significativos nas taxas de perda de florestas quando comparadas às áreas de não investimento (amarelo para vermelho) e reduções significativas nas taxas de perda, quando comparadas às áreas de não investimento (azul). Crédito: Davis et al. (2020)

Mineração na Amazônia

A pesquisa também constata que na maioria dos países as terras em regiões de floresta foram mais adquiridas do que propriedades rurais ou áreas com menos vegetação, como prados. Essa descoberta sugere que atualmente as empresas são incentivadas a investir em atividades que exigem a derrubada de florestas primárias, avalia Charlotte Wheeler, pesquisadora de desmatamento tropical da Universidade de Edimburgo, que não participou do estudo.

Segundo Weeler, muitas partes da Amazônia viram aumentos na mineração de ouro nos últimos anos. Essa modalidade de mineração pode ser mais prejudicial à paisagem porque, segundo a pesquisadora, ela exige que grandes áreas de floresta sejam arrasadas para extração dos depósitos de ouro profundamente arraigados.

No México, no entanto, a mineração foi associada a reduções no desmatamento, quando comparadas às áreas sem investimento. “Isso é devido ao que está sendo minerado [em cada região]”, diz Wheeler.

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Link para o Estudo → Davis, K. F. et al. (2020) Tropical forest loss enhanced by large-scale land acquisitions, Nature Geosciences, http://www.nature.com/articles/s41561-020-0592-3

Mapas produzidos pelo estudo, podem ser acessados no informe da ONG Carbon Brief em http://www.carbonbrief.org/land-purchases-by-private-companies-accelerate-tropical-deforestation-data-shows

Com o “passa boiada” de Salles e Bolsonaro, Brasil é líder mundial de desmatamento

Em 2019, o mundo perdeu um campo de futebol da floresta tropical a cada 6 segundos.

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As recentes repercussões negativas das declarações do ministro (ou seria anti-ministro) do Meio Ambiente, o improbo Ricardo Salles, no sentido de que se aproveitasse a pandemia da COVID-19 para que “se passasse a boiada” na legislação ambiental brasileira certamente vão ganhar impulso com a divulgação dos dados anuais de desmatamento no mundo pelo “Global Forest Watch”.

Ricardo Salles aproveita pandemia e “passa boiada” no Projeto ...A política “passa a boiada” de Ricardo Salles colocou o Brasil no topo do desmatamento mundial em 2019. Em 2020 poderá ser ainda pior.

É que, dentre tantas comprovações científicas, há o fato de que o Brasil se tornou o líder mundial na perda de florestas tropicais, representando sozinho um terço de todo o desmatamento ocorrido no mundo em 2019, com o incrível total de 1 milhão e 361 mil hectares de remoção de vegetação nativa (ver gráfico abaixo).

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Os dados sobre desmatamento em reservas indígenas também deverão causar grande alarme mundial, na medida em que apenas no estado do Pará, as análises espaciais feitas pelo Global Forest Watch mostram que  novos pontos de perda preocupantes em terras indígenas (TIs), sendo que apenas na TI Trincheira / Bacajá,  houve um forte crescimento do desmatamento como resultado da apropriação ilegal de terras , enquanto que  a mineração ilegal ameaça florestas em  outras TIs como as de Munduruku e Kayapó (ver figura abaixo).GFW 2

Outro aspecto é que a evolução temporal do desmatamento em áreas consideradas como “estabilizadas” em termos de titulação da propriedade da terra aponta para a remoção total da vegetação primária, o que acabará forçando o avanço para áreas ainda intocadas de floresta, na medida em que os solos amazônicos são majoritariamente de baixa fertilidade e se tornam impróprias mesmo para o plantio de plantagens após algumas décadas (ver exemplo abaixo da evolução do desmatamento em Alto Paraíso, Rondônia).

O relatório do Global Forest Watch também aponta para algo que se tornará, inevitavelmente, um calcanhar de Aquiles para o agronegócio brasileiro que é justamente a postura “passa boiada” do governo Bolsonaro que foi tão enfaticamente defendida por Ricardo Salles na reunião ministerial de 22 de abril. É que está obviamente claro que o governo Bolsonaro não possui outra intenção que não seja avançar a franja de desmatamento para regiões ainda intocadas da Amazônia brasileira.

E certamente a pressão para boicotes contra as commodities brasileiras irá aumentar sensivelmente quando as primeiras grandes queimadas de 2020 começarem a levantar montanhas de fumaça. A essas alturas do campeonato, uma nova estação de queimadas intensas é mais do que uma certeza, e Ricardo Salles não terá como esconder tanto fogo e fumaça.

WWF da Alemanha mostra avanço maciço do desmatamento nos trópicos durante a pandemia do coronavírus

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O WWF reclama da destruição maciça de florestas durante a crise do coronavírus. A destruição teria aumentado em até 150%. Áreas na Indonésia, Brasil e Congo são as mais afetadas.

Durante a pandemia de coronavírus, a destruição da floresta tropical aumentou enormemente em todo o mundo. Isso surge de um estudo da fundação ambiental WWF, para o qual avaliou dados de satélite da Universidade de Maryland.

“Tudo indica que estamos lidando com um efeito coronavírus quando o desmatamento está explodindo”, diz Christoph Heinrich, diretor de Conservação da Natureza do WWF na Alemanha. A área das florestas tropicais dos 18 países examinados encolheram no mês de março “Coronavírus” em 6500 km2, cerca de sete vezes a área de Berlim.

A destruição da floresta aumentou cerca de 150%

Segundo a análise do WWF, isso significa um aumento na destruição de florestas em média 150% em comparação com os anos de 2017 a 2019. Os países mais afetados em março foram a Indonésia com mais de 1300 km2, o Congo com 1000 km2 e o Brasil com 950 km2.

O Instituto de Pesquisa da Amazônia (Imazon) também registrou o desmatamento de 529 km2 na Amazônia em Abril – um aumento de 171% em relação ao mesmo mês em 2019.

Lei controversa no Congresso Brasileiro

Segundo o Imazon, muitos desmatamentos no Brasil podem ter sido causados ​​por invasores que ainda não possuem títulos de propriedade. O cientista Carlos Souza, que estuda a mudança na floresta amazônica, disse: “primeiro eles ocupam o espaço público e depois tentam obter legalmente essas áreas”.

Isso poderia ser possível no futuro com a chamada lei de apropriação de terras: este projeto de lei foi apresentado pelo presidente da extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, em dezembro. O projeto será tratado no Congresso nos próximos dias. Se adotado, a nova lei legalizaria posteriormente o desmatamento ilegal e a ocupação ilegal de terras públicas antes de 2018. Internacionalmente, Bolsonaro tem sido amplamente criticado por esses e outros planos de suavizar a proteção ambiental no Brasil.

Florestas como fonte de renda na crise do coronavírus

Segundo informações da WWF, as pessoas usam a floresta em muitos lugares como fonte de renda devido a cortes de empregos. O suporte financeiro e técnico pode ajudar a conter a destruição.

Para proteger as florestas, o WWF pede apoio dos países em desenvolvimento e emergentes. A assistência técnica e financeira pode ajudar a reduzir o desmatamento ilegal. Isso inclui não apenas uma melhor aplicação das leis, mas também a criação de fontes alternativas de renda e o alívio de problemas sociais por meio das conseqüências da pandemia de coroa.

No entanto, a alavanca mais poderosa são as relações comerciais internacionais. Há uma necessidade urgente de padrões sociais e ambientais melhores e vinculativos, especialmente para cadeias de suprimentos livres de desmatamento. Segundo dados do WWF, cerca de um sexto de todos os alimentos comercializados na União Europeia contribui para o desmatamento nos trópicos. “A proteção das florestas é uma tarefa comum que ninguém pode evitar”, disse Heinrich, membro do conselho da WWF.

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Este texto foi publicado originalmente em alemão pela rede Tagesschau [Aqui!].

Design for Change abre inscrições para prêmio global que reconhecerá iniciativas de estudantes para preservar as florestas tropicais

O Rainforest Kids Challenge premiará três projetos de estudantes de qualquer lugar do mundo em prol das florestas tropicais; as inscrições estão abertas até 31 de agosto

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O movimento global Design for Change , que inspira milhões de jovens do mundo todo a transformarem suas escolas e comunidades, abre as inscrições para o Rainforest Kids Challenge , iniciativa que premiará três projetos de estudantes que contribuam para manter as florestas tropicais em pé e a vida de sua fauna ou flora. O prêmio tem o apoio do Rainforest XPrize e as equipes premiadas poderão receber até US﹩ 3.300,00 para pagar as despesas de viagem e apresentar suas iniciativas em evento que acontecerá em novembro, em São Paulo. As inscrições encerram no final de agosto.

O Rainforest Kids Challenge é um desafio global para estimular que crianças e jovens do mundo inteiro busquem soluções para a preservação das florestas tropicais e, assim, contribuam para o combate da crise climática e para a construção de um futuro próspero, justo e sustentável.

O prêmio foi lançado oficialmente na cerimônia de encerramento da conferência global “Eu Posso”, realizada no Vaticano, no dia 30 de novembro de 2019, com a presença do Papa Francisco. Essa data marcou também o encerramento de quatro dias de evento realizado em Roma, que reuniu 2.500 crianças de 40 países que apresentaram 207 histórias de mudança em 14 espaços da cidade. Entre as crianças, estavam cerca de 25 estudantes brasileiros selecionados pelo programa Criativos da Escola , do Instituto Alana.

O objetivo do Rainforest Kids Challenge é abrir espaço para que as crianças e jovens que estão preocupados com a preservação das florestas possam ser parte da solução e ajudar a construir projetos que valorizem a floresta tropical em pé. O prêmio é desenhado a partir da metodologia pedagógica de geração de impacto do Design For Change e busca projetos inovadores, possíveis de serem desenvolvidos a partir da tecnologia, fáceis de replicar, escaláveis e sustentáveis.

Estudantes de qualquer lugar do mundo podem inscrever suas iniciativas, que devem ser enviadas em um dos quatro idiomas disponíveis na plataforma (português, inglês, espanhol e francês). Para mais informações, acesse:

http://rainforestchallenge.dfcworld.com/

Sobre Design for Change

O movimento global Design for Change (DFC) está presente em 70 países e já impactou mais de 2 milhões de crianças e jovens ao redor do mundo. Criado pela designer indiana Kiran Bir Sethi, em 2009, o DFC atua a partir de uma metodologia de elaboração de projetos dividida em quatro etapas (representadas pelos verbos sentir, imaginar, fazer e compartilhar), com o objetivo de estimular crianças e jovens a transformarem suas realidades, reconhecendo-os como protagonistas de suas próprias histórias de mudança.

No Brasil, o movimento é representado pelo Criativos da Escola, programa do Instituto Alana, que encoraja crianças e jovens a transformarem suas realidades, reconhecendo-os como protagonistas de suas próprias histórias de mudança.

O protagonismo, a empatia, o pensamento crítico e o trabalho em equipe são os pilares centrais do projeto que busca envolver e estimular educandos e educadores de diferentes áreas no engajamento e na atuação em suas comunidades.

Sobre o Rainforest XPRIZE

Lançado no dia 19 de novembro de 2019, o Rainforest XPRIZE , prêmio de 10 milhões de dólares, tem como missão mostrar que a floresta em pé vale mais que derrubada. A competição tem duração de quatro anos e as inscrições estão abertas a todas as pessoas interessadas em desenvolver tecnologias acessíveis para o mapeamento completo da biodiversidade das florestas tropicais. O inventário servirá para o desenvolvimento de soluções inovadoras que possam acelerar a bioeconomia da floresta e fortalecer os povos da floresta. Mais informações: rainforest.xprize.org.

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Informações para a imprensa
2PRÓ Comunicação
Belisa Barga / Elisabete Machado / Juliana Oliveira / Myrian Vallone
Tels. (11) 3030.9401 / 9464 / 9437
Fevereiro / 2020

Apesar de um descanso nas perdas recordes, as florestas tropicais ainda estão em apuros

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Guardas florestais indonésias patrulhando o ecossistema de Leuser perto de Suaq Balimbing, Aceh. Como grande parte das florestas tropicais da Indonésia, ela está ameaçada pela expansão das plantações de dendê e polpa e papel. Chaideer Mahyuddin / Agence França-Presse – Getty Images

Por Henry Fountain

Os anos de 2016 e 2017 foram especialmente ruins para as florestas tropicais do mundo, já que o clima seco e quente levou a incêndios generalizados que, juntamente com atividades como corte raso para a agricultura, resultaram em níveis recorde de destruição da floresta.

O ano passado foi geralmente mais úmido e teve menos incêndios, então a perda florestal era menor. Dados divulgados na quinta-feira mostram que esse é o caso, mas há poucos motivos para comemoração.

Ao todo, cerca de 30 milhões de acres de floresta tropical foram perdidos em 2018, de acordo com uma análise de imagens de satélite divulgadas pelo Global Forest Watch, um programa do grupo de pesquisa ambiental World Resources Institute. Isso está abaixo dos altos de 42 milhões de acres em 2016 e 39 milhões de acres em 2017.

Mas o total de 2018 ainda é o quarto mais alto desde que a análise de satélite começou em 2001. “Se você olhar para trás nos últimos 18 anos, está claro que a tendência geral ainda é alta”, disse Frances Seymour, pesquisadora do instituto. “Estamos longe de ganhar esta batalha.”

Do total de 2018, perto de nove milhões de acres (uma área do tamanho da Bélgica), foram florestas primárias, ou primárias, que armazenam mais carbono do que outros tipos de florestas e fornecem habitat que é crítico para a manutenção da biodiversidade. O total de nove milhões de acres é o terceiro mais alto desde 2001.

Houve boas notícias nos dados. A Indonésia, que em 2016 instituiu novas políticas de conservação após incêndios devastadores, teve menos perdas florestais pelo segundo ano consecutivo.

“Parece que as políticas florestais da Indonésia estão funcionando”, disse Mikaela Weisse, gerente do programa Global Forest Watch. Mas o país enfrentará um novo teste este ano, disse Weisse, já que as condições do El Niño podem trazer mais calor e secura, aumentando o risco de incêndios florestais.

Mas o progresso da Indonésia foi mais do que compensado pelo aumento da perda florestal em outros lugares, incluindo alguns países africanos. A perda está se tornando mais descentralizada, disse Weisse. Onde há 15 anos atrás a Indonésia e o Brasil responderam por quase três quartos da perda de florestas em todo o mundo, este ano eles respondem por menos da metade.

Florestas, tanto em regiões tropicais quanto em regiões mais temperadas, desempenham um papel importante no combate à mudança climática, e as estimativas são de que elas estão diminuindo de tamanho em geral. Um estudo das Nações Unidas, por exemplo, descobriu que a cobertura florestal mundial diminuiu em cerca de 3% entre 1990 e 2015.

A saúde das florestas está ligada ao clima de duas maneiras. Através da fotossíntese, as árvores e outras vegetações removem cerca de um quarto do dióxido de carbono emitido pelas atividades humanas, de modo que menos árvores significam que mais CO2 permanece na atmosfera. As árvores mortas também adicionam gases de efeito estufa à atmosfera, liberando-as quando são queimadas ou se decompõem.

Os dados do Global Forestry Watch são compilados por pesquisadores da Universidade de Maryland que desenvolveram um software que analisa a cobertura do dossel florestal usando fotografias do Landsat. A análise não pode diferenciar entre perdas de eventos naturais como furacões e aqueles resultantes de atividades humanas como corte raso para exploração madeireira, agricultura ou mineração. (Os incêndios são frequentemente definidos durante operações de corte raso, mas em climas quentes e secos podem queimar fora de controle, causando uma destruição mais extensa.)

 

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Pilhas de madeira no nordeste da região Sava de Madagascar. Madagascar enfrentou anos de desmatamento, primeiro com o comércio ilegal de pau-rosa, e agora com florestas sendo cortadas para dar lugar a plantações de baunilha. Finbarr O’Reilly para o The New York Times

O Brasil ainda perde a maior cobertura de árvores a cada ano, de longe. Enquanto sua perda total de 2018 de cerca de 3,3 milhões de acres é menor do que os números dos dois anos anteriores, foi maior do que em qualquer outro ano desde 2005, quando o país reduziu com sucesso sua taxa de perdas.

O novo líder de extrema-direita do país, Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo em janeiro, prometeu abrir mais terras protegidas à mineração, agricultura e outros empreendimentos, para que o Brasil esteja preparado para mais perdas florestais nos próximos anos.

Gana e a Costa do Marfim tiveram os maiores aumentos percentuais na perda florestal, em parte devido ao aumento da derrubada pelos produtores de cacau, expandindo suas plantações em resposta à demanda mundial por chocolate. Em Madagascar, a agricultura e a mineração resultaram na destruição de 2% das florestas antigas do país no ano passado, a maior proporção de perda de qualquer país.

Na bacia amazônica, a Colômbia aumentou a perda pelo segundo ano consecutivo, o efeito persistente de um acordo de paz entre o governo e um grupo rebelde que abriu as terras anteriormente detidas pelos rebeldes para o desenvolvimento privado. No outro lado da Amazônia, na Bolívia, a limpeza para agricultura e pastagem em larga escala contribuiu para aumentar a perda de florestas, disse o instituto.

Seymour disse que a experiência da Indonésia, onde o efeito de incêndios generalizados na saúde pública incitou o governo a agir, mostra que os esforços para reduzir a perda florestal são mais eficazes quando se originam dentro dos países, e não de fora. No final do dia, as decisões sobre se continuar a permitir que a cobertura de perda de árvores ocorra nesses países”, disse ela.

Para mais notícias sobre clima e meio ambiente, siga @NYTClimate no Twitter.

* Henry Fountain cobre a mudança climática, com foco nas inovações que serão necessárias para superá-la. Ele é o autor de “The Great Quake”, um livro sobre o terremoto de 1964 no Alasca. @henryfountain

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The New York Times” [Aqui!].