Desmatando para o ecoturismo. Estrada ameaça onça pintada no Parque Nacional do Iguaçu

fozIdílio enganoso na plataforma de visitantes das Cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu, 21.6.2014)

Por Norbert Suchanek para o “Neues Deutschland”

A Mata Atlântica do Brasil é um dos ecossistemas mais biodiversos da Terra. No entanto, cerca de 90 por cento deles já foram destruídos. Desde 1993, os remanescentes da Mata Atlântica, que antes se estendia continuamente do norte da Argentina ao nordeste brasileiro por cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, estão sob proteção rigorosa da lei. No entanto, o desmatamento desse ecossistema, único no mundo, continua.

Parque Nacional Privatizado

De acordo com um relatório recente da organização ambiental SOS Mata Atlântica, mais de 20.000 hectares de floresta tropical foram queimados ou desmatados no ano passado. O maior desmatamento foi em Minas Gerais com 7.456 hectares de perda florestal, seguido da Bahia com 5.719 hectares e do Paraná com 2.883 hectares. Os dados divulgados em junho pela rede “Map Biomas” estimam que a destruição da floresta no Paraná foi ainda maior em mais de 4.000 hectares no ano passado. Enquanto grande parte do roubo da floresta ocorreu ilegalmente, a Mata Atlântica também está sendo devastada legalmente no sul do estado – e em nome do turismo ecológico.

A área ao redor dos 185.262 hectares do Parque Nacional do Iguaçu, famoso pelas maiores cachoeiras do mundo de mesmo nome, é afetada. Todos os anos, cerca de dois milhões de turistas visitam o parque nacional e as cachoeiras na fronteira com a Argentina. Para que ainda mais “turistas ecológicos” possam visitar a área protegida de carro, o governo está atualmente duplicando a única via de acesso – a chamada rodovia das cachoeiras – de Foz do Iguaçu em uma distância de 8,7 quilômetros. Centenas de árvores da Mata Atlântica já foram vítimas das obras.

Não houve críticas ou resistências significativas ao projeto de construção da estrada, que custou cerca de 30 milhões de euros, seja em Brasília ou no estado do Paraná, cujas principais fontes de renda são o cultivo da soja, a hidrelétrica de Itaipu e o ecoturismo de massa das Cataratas do Iguaçu.

O parque nacional, privatizado desde 1998, não tem importância mundial apenas por causa de suas cachoeiras. Também é considerado um dos últimos refúgios das onças-pintadas na região da Mata Atlântica. Em 1995, os biólogos do projeto “Carnívoros do Iguaçu” estimaram o número desse maior predador da América do Sul em 164 na área protegida e em 400 a 800 animais fora – incluindo a região fronteiriça na Argentina. A caça ilegal e os tiros dos fazendeiros de soja e gado do entorno e a diminuição dos queixadas, principal fonte de alimentação dos grandes felinos, reduziram drasticamente a população dentro do parque para nove a onze animais contados em 2009. De acordo com o último levantamento, cerca de 24 onças estão novamente circulando pelo santuário hoje.

Apenas restos da floresta

Segundo Atilio Guzmán, biólogo do Parque Nacional do Iguaçu, no lado argentino, a pressão da caça sobre os grandes felinos e suas presas não é a única razão para sua crescente ameaça. O desmatamento e a fragmentação da Mata Atlântica e os acidentes de trânsito nas estradas que cortam os remanescentes da mata também dificultaram a sobrevivência das onças. Em entrevista ao jornal espanhol El País em 2 de junho, Guzmán disse: “Não basta multar os caçadores ilegais se o problema subjacente não for resolvido – ou seja, o desmatamento do ecossistema em que vivem os gatos malhados.


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Este texto escrito originalmente em alemão foi publicado pelo jornal “Neues Deutschland” [Aqui!].

Violência política: Policial bolsonarista assassina a tiros tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu (PR)

Marcelo Arruda foi morto enquanto comemorava 50 anos numa festa com a temática de Lula e PT

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Por Esmael Morais

A intolerância política causou uma tragédia na madrugada deste domingo, 10 de julho, em Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná.

Armado e aos gritos, o agente penitenciário federal, Jorge José da Rocha Guaranho, invadiu a festa de aniversário do guarda municipal Marcelo Arruda, e o matou com três tiros.

Arruda comemorava seus 50 anos, com pouco mais de 40 pessoas, em uma festa de aniversário temática do PT e do Lula na sede da Aresfi (atrás da antiga Cobal) em Foz do Iguaçu.

Segundo relatos, tudo corria bem até que Guaranho invadiu a festa gritando “Bolsonaro” e “mito” e proferindo xingamentos, quando sacou uma arma de fogo afirmando que mataria a todos na festa.

A mulher do algoz com um filho no carro gritava e pedia para (ele) sair do evento.

Depois de uma rápida discussão, Guaranho saiu do evento e prometeu voltar para “uma chacina”.

Quem estava na festa não deu muita atenção ao episódio, mas Marcelo Arruda com quase 30 anos de atuação na Guarda Municipal afirmou aos amigos: “vai que esse maluco volta, por via das dúvidas vou pegar minha arma no carro”.

Não deu outra, o maluco bolsonarista voltou e executou o guarda municipal com três tiros.

Mesmo ferido, Arruda conseguiu balear o agente penitenciário evitando a chacina anunciada pouco antes na festa.

Intolerância política

O episódio mostra o clima de intolerância política que vem uma escalada crescente no país desde 2018, quando um professor foi morto em Salvador (BA) após ter declarado que votou no PT nas eleições presidenciais.

Marcelo Arruda era tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, foi candidato a vice-prefeito nas eleições de 2020 e diretor do sindicato municipal de servidores. Deixa a mulher e quatro filhos (uma filha de seis anos e um bebê de um ano).
Ferido, seu algo foi internado em hospital da cidade.

– Uma situação de intolerância e falta de respeito. Eu e o Marcelo Arruda sempre pensamos de forma diferente e isso nos fez aprofundar nossa amizade com horas de conversa e debate sobre o entender o pensamento alheio, lamentável esta situação – reagiu o publicitário Thiago Kodama nas redes sociais.

– Quando digo que as pessoas estão doentes e que a falta de respeito e diálogo é uma tragédia, alguns acham que é exagero. As pessoas estão se atacando por causa da política e agora sabemos que elas também jogam bombas e matam. Hoje eu perdi um dos meus melhores amigos – disse o petista André Alliana.

A direção nacional do PT divulgou uma nota condenando a violência política, que, segundo Gleisi Hoffmann, trata-se de um assassinato perpertrado por bolsonarista embalado por um discurso de ódio e perigosamente armado pela política oficial do atual Presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).

Abaixo, leia a íntegra da nota do PT:

Violência bolsonarista: Líder do PT em Foz do Iguaçu é assassinado

Mais um querido companheiro se foi nessa madrugada, vítima da intolerância, do ódio e da violência política. Em plena celebração de seu aniversário, em que comemorava seus 50 anos com familiares, amigos e companheiros, em Foz do Iguaçu, PR, nosso Marcelo Arruda foi assassinado por um bolsonarista que, pouco antes, havia interrompido a festa e ameaçado de armas na mão a todos os presentes, familiares, amigos, companheiros ali reunidos, na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu.

Marcelo era guarda municipal e um grande militante do PT, tendo sido nosso candidato a vice-prefeito em Foz do Iguaçu nas eleições de 2020. As últimas imagens de sua vida, gravadas no momento em que cantavam o parabéns, registram sua alegria de viver, seu entusiasmo com a militância, seu compromisso de vida com o PT e o presidente Lula.

Antes de ser assassinado com três tiros pelo policial penal fascista que o abordou no estacionamento, Marcelo tentou ainda se defender com a arma funcional que tinha em seu carro e reagiu. O assassino de Marcelo também veio a falecer. Marcelo, no seu ato derradeiro e heróico, salvou inúmeras vidas, pois o fascista também ameaçava e poderia ter assassinado a todos na festa, inclusive a sua família.

Desde o começo do ano, quando lançou uma Campanha Nacional contra a Violência Política, o PT vem alertando a sociedade brasileira e as autoridades dos vários Poderes da República para a escalada de perseguição a parlamentares, filiados e filiadas, militantes de movimentos sociais e de outros partidos de esquerda e o crescimento da violência política no país.

Embalados por um discurso de ódio e perigosamente armados pela política oficial do atual Presidente da República, que estimula cotidianamente o enfrentamento, o conflito, o ataque a adversários, quaisquer pessoas ensandecidas por esse projeto de morte e destruição vêm se transformando em agressores ou assassinos.

Marcelo estava na flor da idade, tinha uma vida pela frente com sua família, esposa e quatro filhos, a quem prestamos nossa total solidariedade e apoio, e sonhava com um Brasil justo e democrático, fraterno e solidário, que queria construir com o povo brasileiro a partir da derrota do fascismo e da eleição de Lula Presidente.

Basta de violência! Basta de destruição! É tempo de reconstrução e transformação do Brasil e das relações entre brasileiros e brasileiras! Vamos chorar e enterrar mais um companheiro que tombou vítima da violência política, basta!

Cobramos das autoridades de segurança pública medidas efetivas de prevenção e combate à violência política, e alertamos ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal para que coíbam firmemente toda e qualquer situação que alimente um clima de disputa violenta fora dos marcos da democracia e da civilidade. Iniciativas nesse sentido foram devidamente apontadas pelo PT em várias oportunidades, junto ao Congresso Nacional, o Ministério Público e o Poder Judiciário.

Marcelo, não esqueceremos de você, em sua memória continuaremos na luta contra a violência, a injustiça e a intolerância. Presente, hoje e sempre!

Gleisi Hoffmann, Presidenta Nacional do PT
Abdael Ambruster, Coordenador Nacional do Setorial de Segurança Pública do PT

Nota de Pesar – Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu

A Prefeitura de Foz do Iguaçu expressa o mais profundo pesar pelo falecimento do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, de 50 anos, na madrugada deste domingo (10). 

Marcelo era da primeira turma da Guarda Municipal e estava na corporação há 28 anos. Ele também era diretor da executiva do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi). O guarda municipal deixa esposa e quatro filhos. 

“Agradecemos ao Marcelo Arruda por toda a sua dedicação e comprometimento com o Município, o qual nestes 28 anos de funcionalismo público defendeu bravamente, tanto atuando na segurança como na defesa dos servidores municipais”, expressou o prefeito Chico Brasileiro. 

“Desejamos à família, aos amigos e colegas de Marcelo força neste momento de dor”, complementou o prefeito. 

Com informações Portal da Cidade e redes sociais.


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Este foi originalmente publicado no blog do jornalista Esmael Morais [Aqui!].