HSBC leaks: jornalista inglês explica porque pediu demissão do “Daily Telegraphy”

Por que eu me demiti do Telegraph

Por Peter Oborne

Resultado de imagem para PETER OSBORNE DAILY TELEGRAPH

A cobertura do HSBC no Telegraph britânico é fraudulenta com seus leitores. Se grandes jornais permitem que corporações influenciem seu conteúdo por medo de perder renda de propaganda, a própria democracia está em perigo

Eu tinha bastante consciência de estar me tornando parte de uma formidável tradição de comentários políticos. Eu passei minhas férias de verão, antes de assumir minhas tarefas como colunista, lendo os artigos do grande Peter Utley, editado por Charles Moore e Simon Heffer, dois outros mestres dessa arte.

Ninguém expressou tão bem como Utley a decência silenciosa e o pragmatismo do conservadorismo britânico. O Mail é rouco e populista, enquanto o Times se gaba de dançar conforme a música, como a voz da classe oficial. O Telegraph vinha de uma tradição diferente. É lido pela nação como um todo, não apenas pela City de Londres [centro financeiro e histórico da capital britânica] e Westminster [onde está o Parlamento] É confiante em seus próprios valores. Tem uma fama antiga sobre a precisão de suas notícias. Eu imagino seus leitores sendo trabalhadores. Pequenos empresários na luta, secretárias assediadas em embaixadas estrangeiras, professores de escola, militares, fazendeiros – pessoas decentes com participação no país.

Meu avô, tenente-coronel Tom Oborne, [condecorado com a] Ordem de Serviços Distintos [concedida a oficiais britânicos que tiveram méritos durante guerras], foi um leitor do Telegraph. Ele também era representante de sua paróquia e tinha um papel na Associação Conservadora de Petersfield. Ele tinha um aparador especial na mesa de café da manhã e lia o jornal cuidadosamente sobre seu ovo com bacon, dando atenção especial às manchetes. Eu sempre pensava no meu avô quando escrevia minhas colunas no Telegraph.

Agência Efe

Lista com nome de mais de 100 mil correntistas da filial suíça do banco HSBC foi divulgada por consórcio mundial de jornalistas

“Você não sabe do que está falando”

A circulação estava caindo quando eu entrei no jornal em setembro de 2010 e eu suspeito que isso deixou os donos em pânico. Ondas de demissões começaram e a administração deixou bem claro que acreditava que o futuro da imprensa britânica seria digital. Murdoch MacLennan, o presidente, me chamou para um almoço do Goring Hotel, perto do palácio de Buckingham, onde os executivos do Telegraph gostam de fazer negócios. Eu pedi que ele não diminuísse a importância do Telegraph, dizendo que ele ainda tinha uma circulação muito saudável de mais de meio milhão de cópias. Acrescentei que nossos leitores eram leais, que o jornal ainda era muito lucrativo e que os donos não tinham direito de destruí-lo.

As demissões continuaram. Pouco tempo depois eu encontrei o Sr. MacLennan por acaso no funeral de Margaret Thatcher e uma vez mais pedi que ele não subestimasse os leitores doTelegraph. Ele respondeu: “Você não sabe do que está falando”.

Os acontecimentos no Telegraph se tornaram cada vez mais desanimadores. Em janeiro de 2014, o editor, Tony Gallagher, foi demitido. Ele tinha sido um excelente editor, muito respeitado pelos funcionários. O Sr. Gallagher foi substituído por um americano chamado Jason Seiken, que assumiu uma posição chamada “Chefe de Conteúdo”. Nos 81 anos entre 1923 e 2004, oTelegraph tinha seis editores, todos eles figuras imponentes: Arthur Watson, Colin Coote, Maurice Green, Bill Deedes, Max Hastings and Charles Moore. Desde que os irmãos Barclay [Sir David Rowat Barclay e Sir Frederick Hugh Barclay, empresários bilionários conhecidos como os “Irmãos Barclay” (Barclay Brothers)] compraram o jornal, 11 anos atrás, houve cerca de mais seis, mas é difícil ter certeza já que com a chegada do Sr. Seiken o título de editor foi abolido, depois substituído por Chefe de Conteúdo (de segunda a sexta). Havia três editores (ou Chefes de Conteúdo) em 2014.

Nos últimos 12 meses, as coisas pioraram muito. A mesa internacional – magnífica sob a liderança de David Munk e David Wastell – foi dizimada. Como todos os repórteres sabem, nenhum jornal consegue operar sem subeditores hábeis. Metade deles foi demitida e o subeditor-chefe, Richard Oliver, foi embora.

Incongruências, impensáveis até muito recentemente, agora são comuns. Recentemente, os leitores foram introduzidos a alguém chamado Duque de Wessex. O príncipe Edward é o Conde de Wessex. Houve uma matéria de capa sobre a caça de veados. Era na verdade sobre perseguição de veados [“deer stalking” como é conhecida a atividade na Inglaterra], uma atividade completamente diferente. Obviamente, administração não se importa com distinções finas como essas. Mas os leitores sim, e o Telegraph costumava tomar bastante cuidado com essas coisas até muito recentemente.

A chegada do Sr. Seiken coincidiu com a chegada da cultura dos cliques. As histórias pareciam não ser mais julgadas por sua importância, exatidão ou interesse daqueles que compram o jornal. A medida mais importante parecia ser o número de visitas online. No dia 22 de setembro, o Telegraph online publicou uma história sobre uma mulher com três seios. Um executivo desesperado me disse que se sabia que essa história era falsa antes de ela ser publicada. Eu não tenho dúvidas de que foi publicada para gerar visitas online, no que deve ter sido bem-sucedida. Eu não estou dizendo que o tráfego na internet não é importante, mas no longo prazo, entretanto, tais episódios causam danos incalculáveis à reputação do jornal.

Aberto a negócios?

Com o colapso dos padrões veio uma consequência bastante terrível. Sempre foi axiomático na qualidade do jornalismo britânico que o departamento de publicidade e o editorial deveriam ser mantidos rigorosamente distantes. Há grande evidência de que, no Telegraph, essa distinção ruiu.

No final do ano passado, eu comecei a trabalhar em uma história sobre o gigante banco internacional HSBC. Muçulmanos conhecidos tinham recebido cartas do nada do HSBC informando que as suas contas tinham sido fechadas. Não se deu nenhuma razão, e ficou claro que não havia possibilidade de apelação. “É como cortarem sua água”, me disse uma vítima.

Quando enviei o texto para publicação no site do Telegraph, me disseram que não havia problema. Quando não foi publicado, eu fiz perguntas. Fui dispensado sem explicações, e depois me disseram que havia um problema legal. Quando eu perguntei no departamento legal, os advogados não estavam a par de nenhum problema. Quando eu insisti, um executivo me chamou de lado e me disse que “havia um probleminha” com o HSBC. Finalmente desisti, desesperado, e ofereci o artigo ao openDemocracy. Pode ser lido aqui.

Eu procurei a cobertura do jornal sobre o HSBC. Descobri que Harry Wilson, o correspondente admirável de bancos do Telegraph, tinha publicado uma história online sobre o HSBC baseada em um relatório feito por um analista de Hong Kong que dizia haver um “buraco negro” nas contas do HSBC. A história foi rapidamente removida do site do Telegraph, mesmo apesar de não haver problemas legais. Quando eu perguntei ao HSBC se o banco tinha reclamado do artigo de Wilson, ou tinha tido um papel na decisão de a matéria sair do ar, o banco não quis comentar. Os tweets do Sr. Wilson sobre a história podem ser encontrados aqui. A história em si, entretanto, não está mais disponível no site, como qualquer um que tentar seguir o link vai descobrir. O Sr. Wilson bravamente levantou essa questão publicamente na reunião de cúpula, quando Jason Seiken se apresentou aos funcionários. Ele saiu do jornal depois disso.

Então, no dia 4 de novembro de 2014, alguns jornais relataram um duro golpe nos lucros do HSBC, já que o banco teve de separar 1 bilhão de euros para compensar clientes e [sofreu]uma investigação sobre o aparelhamento do mercado de divisas. Essa história foi a capa de cidades do Times, Guardian e do Mail e foi a mais importante da página do Independent. Eu inspecionei a cobertura do Telegraph. Gerou, no total, cinco parágrafos na página 5 da seção de negócios.

A reportagem sobre o HSBC é parte de um problema maior. No dia 10 de maio do ano passado, o Telegraph publicou uma grande reportagem sobre o navio Queen Mary da [empresa] Cunard na página de notícias. Esse episódio pareceu para muitos como uma peça promocional para um anunciante em uma página normalmente dedicada a análises sérias de notícias. Eu novamente chequei e certamente os competidores do Telegraph não viram o navião da Cunard como uma grande notícia. A Cunard é um anunciante importante do Telegraph.

O comentário do jornal sobre os protestos do ano passado em Hong Kong foram bizarros. Esperaria-se que o Telegraph, dentre todos os jornais, tivesse um grande interesse e adotasse um posição forte. Mas (em forte contraste com o Times) não conseguiu encontrar nenhum destaque para o assunto.

No começo de dezembro, o Financial Times, Times e o Guardian escreveram manchetes poderosas sobre a recusa do governo chinês em permitir que um comitê de parlamentares britânicos entrasse em Hong Kong. O Telegraph se manteve calado. Poucos assuntos enfureceriam ou preocupariam os leitores do Telegraph mais que esse.

No dia 15 de setembro, o Telegraph publicou um comentário do embaixador chinês, logo antes  do suplemento lucrativo China Watch. A manchete do embaixador era, sem brincadeira, “Não vamos deixar que Hong Kong nos separe”. No dia 17 de setembro, havia 4 páginas de moda destacáveis no meio das notícias, que ganharam mais cobertura que o referendo escocês. A história de contabilidade falsa da [multinacional varejista britância] Tesco, no dia 23 de setembro, foi notícia somente na seção de negócios. Em comparação, foi a manchete, destaque das páginas de dentro e um editorial no Mail. Não que o Telegraph tenha feito pouca cobertura da Tesco. [Matérias como a] Tesco doando “10 milhões de libras pra luta contra o câncer”, “O jato de 35 milhões de libras da Tesco visto de dentro” e “Conheça o gato que morou na Tesco por 4 anos” foram todas consideradas de interesse jornalístico.

Há outros casos muito desconcertantes, muitos deles publicados [na revista crítica e satírica] Private Eye [que tem entre seus temas frequentes o jornalismo britânico], que tem sido uma grande fonte de informação para os jornalistas do Telegraph querendo entender o que está acontecendo em seu próprio jornal. Não houve como evitar a impressão de algo estava mal com o julgamento das notícias do Telegraph. Nesse ponto, eu escrevi uma longa carta pra Murdock MacLennan falando sobre as minhas preocupações em relação ao jornal e entregando minha demissão. Eu copiei essa carta para o presidente do Telegraph, Aidan Barclay.

Eu recebi uma resposta superficial do Sr. Barclay. Ele escreveu que esperava que eu pudesse resolver minhas diferenças com Murdoch MacLennan. Fui devidamente ver o CEO na metade de dezembro. Ele foi civil, me serviu chá e pediu que eu tirasse meu casaco.  Ele disse que eu era um escritor valorizado e disse que queria que eu ficasse.

Eu expressei todas as minhas preocupações sobre a direção do jornal. Disse que não estava saindo para entrar em outro jornal. Estava pedindo demissão por uma questão de consciência. O Sr. MacLennan concordou que a publicidade tinha permissão de afetar o editorial, mas sem remorso, dizendo que “não é tão mal assim” e acrescentando que havia um grande histórico desse tipo de coisa no Telegraph.

Desde então eu consultei Charles Moore, o último editor do Telegraph antes de os Barclays comprarem o jornal em 2004. O Sr. Moore confessou que as contas da Hollinger Inc., a holding que então comandava o Telegraph, não recebia o escrutínio que merecia. Mas nenhum jornal na história jamais deu um destaque desfavorável às contas de seus proprietários. Além disso, o Sr. Moore me disse que não houve influência da publicidade na cobertura de notícias do jornal.

Wikimedia Commons

[Capa do Daily Telegraph no dia 12 de maio de 2010, quando Cameron foi escolhido como primeiro-ministro]

Depois da minha reunião com o Sr. MacLennan, eu recebi uma carta do Telegraph dizendo que o jornal tinha aceitado minha demissão, mas aceitava minha oferta de trabalhar meus seis meses de aviso prévio. Entretanto, na metade de janeiro, me pediram para encontrar um executivo do Telegraph, dessa vez tomando chá no Goring Hotel. Ele me disse que a minha coluna semanal tinha sido descontinuada e que tinha acontecido uma “divisão de caminhos”.

Ele salientou, no entanto, que o Telegraph continuaria a honrar meu contrato até que ele terminasse, em maio. De minha parte eu disse que sairia quieto. Eu não tinha intenção de prejudicar o jornal. Com todos os seus problemas, ele continua a empregar um grande número de bons jornalistas. Eles têm hipotecas e famílias. Eles estão fazendo seu trabalho bem em todo tipo de circunstância. Eu me preparei mentalmente para a atraente perspectiva de vários meses de licença remunerada.

História, que história?

Assim ficamos quando, na segunda-feira passada, [o programa de TV] Panorama da BBC veiculou a história do HSBC e seu braço suíço, falando de um esquema de evasão de impostos em larga escala, enquanto o Guardian e o Consócio Internacional de Jornalistas Investigativos publicaram seus “arquivos do HSBC”. Todos os jornais perceberam rapidamente que esse era um acontecimento grande. O FT deu capa do assunto dois dias seguidos, enquanto o  Times e o Mail deram uma cobertura sólida para o caso de várias páginas.

Você precisaria de um microscópio para encontrar a cobertura do Telegraph: nada na segunda, seis pequenos parágrafos na parte baixa da página dois na terça, sete parágrafos lá no meio de seção de negócios na quarta. A reportagem do Telegraph só melhorou quando a história se transformou em alegações de que poderia haver questões relacionadas aos impostos de pessoas ligadas ao Partido Trabalhista.

Depois de muita agonia eu cheguei à conclusão que tenho o dever de tornar tudo isso público. Há duas razões poderosas. A primeira tem a ver com o futuro do Telegraph sob [o mando] dos Barclay Brothers.  Pode soar como uma coisa pomposa a se dizer, mas eu acredito que o jornal é uma parte significativa da arquitetura cívica britânica. É a voz pública mais importante do conservadorismo civilizado e incrédulo.

Os leitores do Telegraph são pessoas inteligentes, sensatas e bem-informadas. Eles compram o jornal porque eles sentem que podem confiar nele. Se prioridades do marketing são permitidas para determinar julgamentos editoriais, como os leitores podem continuar a sentir essa confiança? A recente cobertura do Telegraph chega a ser uma forma de fraude com seus leitores. Está colocando o que são os interesses de um grande banco internacional acima de seu dever de levar as notícias aos leitores do Telegraph. Só existe uma palavra para descrever essa situação: terrível. Imagine se a BBC – costumeiramente objeto de ataques do Telegraph – tivesse sido conduzida dessa forma. O Telegraph seria desprezível. Teria insistido que cabeças deveriam rolar, e com razão.

Isso me leva a um segundo e ainda mais importante ponto que carrega em si não apenas o futuro de um jornal, mas a vida pública como um todo. Uma imprensa livre é essencial para uma democracia saudável. Há um propósito no jornalismo, é não é só entreter.  Não deve ceder ao poder político, grandes corporações e homens ricos. Os jornais têm o que no final das contas é um dever constitucional de dizer a seus leitores a verdade.

Não é apenas o Telegraph que tem culpa aqui. Os últimos anos viram a ascensão de executivos sombrios que determinam quais verdades podem e quais verdades não podem ser repassadas por meio na mídia de massa. A criminalidade dos jornais de notícias internacionais durante os anos de grampos telefônicos [caso famoso que em que tabloides britânicos foram acusados de realizar escutas telefônicas ilegais] foi um exemplo particularmente grotesco desse fenômeno maligno por completo. Todos os grupos de jornais, com a magnífica exceção do Guardian, manteve a cultura de omertà sobre os grampos telefônicos, mesmo se (como o Telegraph) eles não tinham se envolvido no caso. Uma das consequências desse pacto de silêncio foi o indiciamento de Andy Coulson, que desde então está preso e agora enfrenta novas acusações de perjúrio, como diretor de comunicações na 10 Downing Street [endereço da sede do governo britânico].

Questões urgentes a serem respondidas

Semana passada, fiz outra descoberta. Três anos atrás, o time de investigações do Telegraph – o mesmo que fez a investigação incrível dos parlamentares – recebeu uma denúncia sobre contas do HSBC em Jersey. Essencialmente, essa investigação era semelhante à do Panorama sobre o braço suíço do HSBC. Depois de uma pesquisa de três meses, o Telegraph resolveu publicar. Seis artigos sobre esse tema podem ser encontrados online, [publicados] entre 8 e 15 de novembro de 2012, apesar de três não estarem disponíveis para serem vistos.

Depois disso, nenhuma nova reportagem surgiu. Os repórteres receberam ordens de destruir e-Mails, relatórios e documentos relacionados à investigação do HSBC. Eu agora soube que, em uma prática muito distante da normal, nesse ponto os advogados dos Barclay Brothers se envolveram de perto. Quando eu perguntei ao Telegraph por que os Barclay estavam envolvidos, [o jornal] se negou a responder.

Aquele foi o momento crucial. Desde o começo de 2013 em diante, históricas críticas ao HSBC seriam desencorajadas. O HSBC suspendeu seus anúncios no Telegraph. Sua conta, eu soube por uma pessoa de dentro extremamente bem-informada, era extremamente valiosa. O HSBC, como um ex-executivo do Telegraph me disse, é “o anunciante que você literalmente não pode bancar ofender”. O HSBC hoje se recusou a comentar quando eu perguntei se a decisão de parar de anunciar no Telegraph estava ligada de qualquer maneira à investigação do jornal sobre as contas de Jersey.

Ganhar de volta a conta de anúncios do HSBC se tornou uma prioridade urgente. Foi finalmente o que aconteceu, depois de aproximadamente 12 meses. Os executivos dizem que Murdoch McLennan estava determinado a não permitir nenhuma crítica contra o banco internacional. “Ele expressava preocupação sobre manchetes ou mesmo histórias menores”, diz um antigo jornalista do Telegraph; tudo o que mencionasse lavagem de dinheiro estava banido, mesmo quando o banco estava recebendo um aviso final das autoridades dos EUA. Essa interferência estava acontecendo em uma escala industrial.

“Uma operação editorial que é claramente influenciada por anúncios é um apaziguamento clássico. Quando uma empresa muito poderosa sabe que pode exercer influência, sabe que pode voltar e ameaçar você. Muda totalmente o relacionamento. Você sabe que mesmo se for forte, não será apoiado e será prejudicado”.

Quando enviei questões detalhadas para o Telegraph essa tarde sobre suas conexões com os anunciantes, o jornal deu a seguinte resposta: “Suas questões estão cheias de imprecisões e nós, portanto, não pretendemos respondê-las. Falando genericamente, como qualquer outro negócio, nós nunca comentados nossas relações comerciais individualmente, mas nossa política é absolutamente clara. Nosso objetivo é dar uma gama de soluções de anúncio aos nossos parceiros anunciantes, mas a distinção entre anúncio e nossa operação editorial premiada foi sempre fundamental para nosso negócio. Refutamos totalmente qualquer alegação contrária.”

As evidências sugerem o oposto, e as consequências da recente cobertura branda sobre o HSBC feita pelo Telegraph podem ter sido profundas. Se o setor de Impostos e Alfândega da sua Majestade tivesse sido mais enérgico em suas próprias investigações recentes sobre a sonegação de impostos, teria o Telegraph continuado a ter o HSBC em sua conta depois da investigação de 2012? Há grandes questões aqui. Elas vão até o coração da democracia e não podem mais ser ignoradas.

FONTE: http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/39566/por+que+eu+me+demiti+do+telegraph.shtml

O escândalo HSBC coloca em xeque a liberdade de expressão

Por Carlos Castilho, Do Observatório da Imprensa

No Brasil, o megaescândalo de lavagem de dinheiro na sucursal suíça do banco inglês HSBC passou em brancas nuvens apesar haver suspeitas sobre oito mil correntistas brasileiros. Mas na Europa o tema está provocando conflitos entre profissionais nas redações e a direção de jornais importantes como Le Monde, na França, e Daily Telegraph, na Inglaterra.

No Monde, que foi um dos jornais líderes na investigação do escândalo, os donos criticaram duramente repórteres e editores sob a alegação de que o noticiário prejudicou interesses financeiros da empresa editora do matutino de tendência liberal. Pierre Bergé, um dos dois principais controladores da empresa editora do Le Mondeacusou a redação do jornal de “populismo barato” e incentivo aos “instintos mais baixos” das pessoas.

Bergé é um dos três milionários franceses que em 2010 compraram o Le Monde para evitar que o jornal fechasse. Os demais sócios – Mathieu Pigasse, presidente do banco de investimentos Lazzard e Xavier Nigel, magnata das telecomunicações – apoiaram as declarações do fundador do grupo Yves Saint Laurent. Pigasse chegou a classificar a cobertura do escândalo HSBC como um “macartismo fiscal”.

Mas os três milionários foram ainda mais longe na verbalização de suas queixas contra o jornalismo praticado pela redação do Le Monde ao afirmar candidamente que “não foi para isso que decidiram assumir o controle do jornal”. Pouco depois que Bergé, Pigasse e Nigel compraram o Le Monde, eles assinaram um acordo pelo qual garantiam total independência editorial para os jornalistas, mas agora estão arrependidos do trato feito.

No britânico Daily Telegraph, o seu principal comentarista político, Peter Oborne, renunciou ao cargo e pediu demissão do jornal acusando os seus proprietários de “fraudar os leitores” ao deliberadamente omitir informações relacionadas às denúncias de que o HSBC ajudou cerca de 100 mil clientes a lavar 180 bilhões de euros (pouco mais de meio trilhão de reais) em sua agência de Genebra, na Suíça.

Oborne vinha criticando a direção do jornal desde 2013, quando o HSBC suspendeu a publicidade no Telegraph depois de ser apontado pelo jornal como cúmplice de nebulosas transações financeiras no paraíso fiscal da ilha Jersey, controlada pelo Reino Unido, no canal da Mancha. O jornalista informou que, na época , um dos executivos do Telegraph lhe disse que o banco “era um cliente importante demais para ser ignorado”.

No Brasil, os jornais GloboFolha Estadão deram uma cobertura microscópica ao escândalo HSBC, como já comentou neste Observatório o colega Luciano Martins Costa. A situação mais embaraçosa é a da Folha de S.Paulo, que participou da investigação sobre o HSBC coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo, mas preferiu a omissão quando o problema esbarrou nos interesses comerciais da imprensa.

O caso HSBC tornou-se exemplar não apenas pelo fato de resultar de um esforço coletivo de um grupo de jornais, numa rara atitude de colaboração mútua, mas principalmente porque colocou na ordem do dia a independência das redações diante dos interesses comerciais dos donos de empresas jornalísticas. Patrões e empregados foram colocados em campos opostos num tema crítico como a lavagem de dinheiro e as suas óbvias ligações com a corrupção.

A retórica da independência editorial e da liberdade de expressão nas redações ficaram seriamente arranhadas com a reação pública ou dissimulada de muitos donos de jornais que não tiveram dúvidas em colocar o dinheiro acima da informação na hora de enfrentar as consequências de divulgação de um escândalo envolvendo corrupção em escala planetária.

Os mesmos jornais que mergulharam fundo na investigação das denúncias de caixa 2 na Petrobras, agora “olham para o outro lado” quando se trata de um banco que gasta por ano meio bilhão de dólares em publicidade em todo o mundo.

A reação dos donos colocou os profissionais nas redações numa situação difícil, conforme Roy Greenslade, principal analista da mídia no jornal inglês The Guardian. Para ele, o caso HSBC colocou dramaticamente em evidência o aforismo de que a liberdade de expressão na imprensa só funciona para os seus donos. Com exceção do Guardian, que é controlado por uma fundação, nos demais grandes jornais do mundo o caso HSBC está sendo tratado com panos quentes. Peter Oborne é, por enquanto, o único profissional de renome mundial a hipotecar o seu emprego na defesa da liberdade de expressão nas redações. 

FONTE: http://www.jornalggn.com.br/noticia/o-escandalo-hsbc-coloca-em-xeque-a-liberdade-de-expressao

HSBC leaks: O sistema é f., e ainda vai morrer muita gente inocente

Por Filipe Figueiredo 

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 A frase que batiza este texto encerra o filme Tropa de Elite 2, de José Padilha, filme mais visto da História do cinema brasileiro. Agora, imaginemos um chefe local de um movimento armado africano, do tipo que explora crianças-soldado e causa centenas de mortes. Esse senhor da guerra faz fortuna impondo um regime cruel de trabalho em prol da exploração internacional de diamantes. Precisa dar um destino à sua fortuna; adquirir armamento pesado, impedir que o dinheiro seja confiscado pelo governo local, lavar seu dinheiro para tornar-se um homem “limpo” ou ter acesso ao capital em qualquer lugar do globo, caso precise fugir. Para isso, o destino do dinheiro é um fundo de aplicações nebuloso, ligado a uma instituição bancária sólida baseada na Suíça. Sim, o descrito é a trama inicial de Cassino Royale, filme de James Bond de 2006. A divulgação do vazamento de informações do banco HSBC, entretanto, mostra que os dois excertos de peças de ficção são bem mais reais do que imaginado.

Contextualizemos. Hervé Falciani é um especialista em sistemas de informação e ex-funcionário do banco britânico HSBC (fundado em 1991, originado no Hong-Kong and Shangai Banking Corporation, de 1865). Em 2006, Falciani foi transferido do HSBC do Principado de Mônaco para o HSBC de Genebra, na Suíça. No final de 2008, a polícia suíça prendeu Falciani, com trinta e seis anos na época, sob a acusação de roubar dados do HSBC Private Bank da Suíça. Falciani teria tentado vender esses dados a bancos libaneses, o que gerou o alerta e sua procura. Após diversas fugas da polícia e tentativas frustradas de lucrar com os dados, Falciani e sua sócia, Georgina Mikhael, contataram autoridades europeias oferecendo “a lista de clientes de um dos maiores bancos de administração de fortunas”. De acordo com o The Wall Street Journal, o e-mail enviado às autoridades não pedia dinheiro. Falciani diz que cogitava colaborar com as autoridades desde o início, pois teria sido deslocado para Genebra com o objetivo de melhorar a segurança do banco, mas teria encontrado resistência de quem supostamente não queria suas atividades monitoradas.

Todas essas informações, e mais detalhes, podem ser vistas, em inglês, neste link, para que o leitor possa formar sua própria opinião sobre Falciani, que atualmente é acusado de espionagem industrial e de violação de privacidade bancária na Suíça. A referência anterior leva ao ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. O ICIJ foi fundado em 1997, para conectar jornalistas de todo o mundo e trocarem informações justamente sobre casos que transcendem as fronteiras nacionais. Atualmente, cinco brasileiros fazem parte: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro, Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli. Os dados fornecidos por Falciani, obtidos pela polícia francesa, foram obtidos pelo jornalLe Monde, que repassou ao ICIJ, para que sejam analisados da forma mais abrangente possível. Cento e quarenta jornalistas de quarenta e cinco países mobilizaram-se; no caso do Brasil, Fernando Rodrigues.

Temos então as análises dos dados do HSBC suíço. Falando especificamente do Brasil, são 6.606 contas bancárias secretas de 8.667 clientes brasileiros, tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas; isso pode ser conferido nos infográficos do ICIJ. O saldo total máximo registrado para as contas de brasileiros foi de sete bilhões de dólares, colocando o Brasil em nono no ranking mundial, de 203 países. O máximo que apenas uma conta acumulou foi de 302 milhões de dólares. E aqui devem ser feitas duas ressalvas. A primeira é a de que a possessão de uma conta bancária como essas não necessariamente implica crime; às vezes podem implicar questões éticas, como aproveitar o fato de possuir uma conta em país estrangeiro para pagar menos impostos. Esse é o cerne da primeira denúncia de Falciani, a chamada Lista Lagarde, referência à Christine Lagarde, então Ministra das Finanças francesa e hoje encabeça o Fundo Monetário Internacional. Segundo, todas as contas suíças são secretas, pelas leis do país; um acordo assinado com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em outubro de 2013, entretanto, pode acabar com isso, inserindo o sistema bancário suíço nos padrões internacionais.

Ressalvas feitas, chega-se aos casos em que os dados vazados demonstram que, sim, a prerrogativa de privacidade suíça foi utilizada para lavagem de dinheiro, crimes fiscais e fundos obtidos por vias criminosas. Importante lembrar que não são os primeiros casos do tipo que envolvem diretamente o HSBC, acusado de lavagem de dinheiro na Argentina, na Índia, no Reino Unido e nos Estados Unidos; cada link leva à uma fonte sobre cada caso. Nas informações presentes no ICIJ, pode-se ver que, dentre os clientes do banco sediado em Londres, estão nomes como Selim Alguadis, empresário turco, presente em lista de sanções dos governo dos EUA, por ter fornecido componentes ao programa nuclear líbio. Rachid Mohamed Rachid, possuidor de uma conta de trinta e um milhões de dólares, ex-ministro de Comércio do Egito no governo de Hosni Mubarak, foragido e condenado por desvio de recursos públicos. Investimentos da família de Muammar al-Gaddafi, ex-ditador Líbio e ligado diretamente ao terrorismo internacional, no valor de quase um bilhão de dólares.

A lista segue. Milhares de contas numeradas, de propriedade de companhias baseadas em paraísos fiscais. Frantz Merceron, doleiro do ex-presidente do Haiti Jean Claude “Baby Doc” Duvlaier, acusado de roubar novecentos milhões de dólares dos cofres públicos. Rami Makhlouf, primo do presidente sírio Bashar al Assad, listado conjuntamente em diversas contas. Vladimir Antonov, acusado na Lituânia por fraude bancária no valor de meio bilhão de Euros. Traficantes internacionais de armas, como Aziza Kulsum, que financiou a guerra civil do Burundi, de 1993 até 2005, que gerou trezentas mil mortes. Uma empresa de fachada do governo de Guiné, que traficou armamento para rebeldes na Libéria em 2003, incluindo crianças-soldado, com cerca de mil mortos. Três anos após o relatório das Nações Unidas sobre a Katex Mines Guinee, a conta possuía mais de sete milhões de dólares. Shailesh Vithlani, da Tanzânia, e Fana Hlongwane, da África do Sul, envolvidos na compra superfaturada de armamentos, pelo governo tanzanês, da empresa britânica BAE.

Contas envolvidas no caso Miterrand-Pasqua, que tem o nome midiático de “Angolagate”. Quarenta pessoas envolvidas em contratos franceses obscuros da venda de armas para Angola nos anos 1990, com cerca de cinquenta milhões de dólares em subornos, contratos totalizando cerca de oitocentos milhões de dólares, e teria envolvido o filho do presidente francês François Mitterrand. Wang Chia-Hsing, foragido da justiça de Taiwan por assassinato, filho de um traficante de armas. Finalmente, cerca de dois mil clientes envolvidos diretamente com a indústria de diamantes, inclusive a exploração dos diamantes de sangue; pedras preciosas exploradas em áreas de conflito que são usadas para financiar os grupos armados. Emmanuel Shallop, marfinense condenado pelo tráfico de diamantes de sangue. Os negociantes de diamantes presentes na lista de mais procurados da Interpol, Mozes Victor Konig e Kenneth Lee Akserod. A empresa Omega Diamonds, acusada de operações fraudulentas em Dubai e de operações em minas no Congo e em Angola. Mais informações, site do ICIJ.

Chega-se então ao ponto inicial, inspirado nas obras de ficção. Os registros vazados mostram, por exemplo, alguns clientes viajando a Genebra para sacar grandes quantias de dinheiro vivo. Embora muitas das contas possam não ter nenhuma pendência, atraindo mais atenção pelo seu valor midiático, como contas de artistas e atletas, é evidente que milhares de contas, somando uma quantia enorme de dinheiro, eram ligadas à atividades criminosas. Para dizer o mínimo. E, mais ainda, a instituição bancária estava muito provavelmente ciente desse tipo de ligação, já que diversos casos eram públicos, envolvendo não apenas denúncias, mas investigações e condenações. O HSBC, em sua defesa, que deve ser mencionada, afirmou, ao ICIJ, que está “integralmente comprometido a fornecer informações a autoridades” e “ativamente implantando medidas para assegurar que os clientes são transparentes em relação a impostos”, além de demonstrar a queda em seu número de contas secretas. Além disso, lembra que os dados são fruto de roubo e que podem ter sido manipulados.

A conclusão, entretanto, é um duro lembrete, de algo frequentemente esquecido: atividades ilícitas não são estanques, andam ao lado dos empreendimentos legítimos. O sistema é interligado pelo capital. Estima-se, de forma conservadora, que quase oito trilhões de dólares são mantidos em paraísos fiscais, custando aos tesouros públicos mundiais pelo menos duzentos bilhões por ano. O banco que financia o “sonho da casa própria” é o mesmo banco que lava o dinheiro fruto da morte de crianças congolesas ou que guarda o dinheiro desviado de cofres públicos. No atual panorama brasileiro, com a atual Operação Lava Jato da Polícia Federal, que envolve a maior empresa brasileira, a Petrobras, os principais e maiores partidos políticos brasileiros e as maiores empresas privadas brasileiras, ter isso em mente é de suma importância. O dinheiro suspeito que sai do topo da pirâmide e vai para uma empreiteira é, na base da pirâmide, o dinheiro do salário que um servente de obra usa para comprar seu alimento.

Sem o corruptor, não existe o corrupto. Sem a instituição financeira, não existe a lavagem de dinheiro desviado. O diamante que enfeita o anel na vitrine da joalheria de bairro nobre pode ser o diamante que rendeu dinheiro, armas e poder ao senhor da guerra local. Tudo isso, somado, implica na morte de milhares, talvez milhões, de inocentes. Inocentes no sentido de não terem culpa; de estarem no meio de um conflito por pedras patrocinado pelo capital internacional, de não terem acesso ao saneamento básico que não foi feito por ser decorrente de licitação fraudulenta, e por aí vai, ao gosto dos exemplos que o leitor desejar. Inocente, no sentido de de ingênuo, é o pensamento de que o crime e o ilícito pode ser combatido apenas em um extremo; o corrupto, o traficante, o doleiro. Quando um dos maiores bancos do mundo está envolvido em um ciclo como esse, fica explícito que a articulação de interesses é ampla, assim como necessita ser ampla a mudança e reforma desse sistema.

Filipe Figueiredo, 28 anos, é tradutor, estudante, leciona e (ir)responsável pelo Xadrez Verbal. Graduado em História pela Universidade de São Paulo, sem a pretensão de se rotular como historiador. Interessado em política, atualidades, esportes, comida, música e Batman.

FONTE: http://xadrezverbal.com/2015/02/09/hsbc-leaks-o-sistema-e-f-e-ainda-vai-morrer-muita-gente-inocente/

Bunge é acusada de estar envolvidas em fraudes na reforma agrária

PF diz que multinacional foi beneficiada por fraudes na reforma agrária

Segundo Polícia Federal, empresa corrompia funcionários do Incra

Tony Ribeiro/Rogério Florentino

 

PF deflagrou Operação “Terra Prometida” para combater crimes de invasão de terras da União

CAMILA RIBEIRO, DA REDAÇÃO

A multinacional Bunge, do ramo do agronegócio e alimentos, é citada pela Polícia Federal como uma das empresas beneficiadas pelo esquema de fraudes no Programa Ambiental Itanhangá.

As operações fraudulentas – alvo de investigação na Operação “Terra Prometida” – tiveram início há pelo menos 12 anos.

As informações constam no representação por busca, apreensão e prisões temporária e preventiva, ao qual o MidiaNews teve acesso. O documento é assinado pelo delegado da PF, Hércules Ferreira Sodré, responsável pela condução das investigações. 

De acordo com o documento, a empresa teria construído uma estrutura de armazéns e secagem de grãos em um dos lotes adquiridos irregularmente.

A multinacional é suspeita de realizar a corrupção de servidores do Incra para regularizar a transferência de terras da União

O esquema era possível já que a multinacional é suspeita de realizar a “corrupção de servidores do Incra para regularizar a transferência de terras da União”, segundo trecho do documento da PF.

Dois servidores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrágria (Incra), S.O.T. e Jorge Fonseca – este último com mandado de prisão decretada -, prestaram depoimento e alegaram não ter conhecimento dos crimes investigados.

“Eles informaram que trabalham em outras funções, não atuando na vistoria e homologação de lotes. Jorge negou ter realizado medição do lote 581 e assinado processo de desmembramento para o lote 581-A para a Bunge, mas mentiu, uma vez que foram apresentados documentos assinados por ele”, revela o documento.

A PF também alega que Jorge Fonseca foi cooptado pela organização criminosa (formada por empresários do agronegócio, políticos, sindicatos e entidades de classe), para regularizar lotes para grandes empresas.

Foi realizada a doação fraudulenta de diversos lotes, num total de 840,77 hectares, concedida ao município de Itanhangá – que primeiramente foi cedido a Bunge – que o explorou economicamente por cinco anos”

“Jorge Fonseca mentiu em seu depoimento, uma vez que assinou o croqui, mapas e memorial descritivo das doações”, afirma outro trecho da documentação.

Licitação direcionada

As investigações apontam que a multinacional chegou a explorar economicamente as terras por um período de cinco anos e, posteriormente, os lotes foram repassados a empresa Fiagril, do ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz (PSDB), preso durante a operação.

“Foi realizada a doação fraudulenta de diversos lotes, num total de 840,77 hectares, concedida ao município de Itanhangá – que primeiramente foi cedido a Bunge – que o explorou economicamente por cinco anos e, atualmente foi alienado, via licitação direcionada, à empresa Fiagril (de Marino Franz)”, diz outro trecho da representação.

“Negócios”

Segundo a Polícia Federal, além da Bunge e Fiagril, as empresas do Grupo Geller (Geller Construções Elétricas e Pré-moldados; Geller Combustível e Geller Supermercado) também estão na lista de envolvidas com a organização criminosa.

Os irmãos Odair e Milton Geller são “indicados como beneficiários de lotes da reforma agrária” e foram presos na última quinta-feira (27), quando a operação foi deflagrada.

Outro Lado

A reportagem entrou em contato com a Multinacional Bunge, que disse não ter recebido nenhuma notificação da Operação “Terra Prometida”.

FONTE: http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=218265

Justiça mantém liminar que suspende financiamentos do BNDES à Fibria Celulose

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Atendendo pedido do MPF, TRF2 negou pedidos da Fibria e do BNDES para cassar liminar proibindo qualquer financiamento destinado ao plantio de eucalipto ou à produção de celulose

O Ministério Público Federal conseguiu manter, na Justiça, a liminar que suspende o financiamento por parte do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Fibria, maior empresa brasileira de celulose e papel, destinado ao plantio de eucalipto ou à produção de celulose em área de quilombolas no Norte do Espírito Santo.

Em ação civil movida pelo MPF/ES, a Fibria é acusada de fraude na obtenção da área destinada à plantação de eucaliptos usados na produção de celulose.

Segundo a ação, no início da década de 1970, antigos funcionários da empresa teriam se habilitado como se fossem pequenos agricultores junto ao governo estadual capixaba, a fim de conseguirem títulos de domínio de terras devolutas. Em seguida, os empregados transferiram os títulos das propriedades localizadas entre Conceição da Barra e São Mateus para a Fibria. Na maioria dos casos, o período em que as áreas permaneciam no patrimônio jurídico do funcionário da empresa não excedia nem mesmo uma semana.

No processo, o MPF pede, além da devolução ao patrimônio público das terras obtidas por grilagem, que seja feita a titulação em favor de comunidades quilombolas de São Mateus e Conceição da Barra, quando comprovada sua ocupação tradicional na área, conforme determina a Lei Estadual 5.623 de 1998. Requer também que a Fibria seja condenada a reparar os danos morais coletivos dessas comunidades no valor de R$ 1 milhão.

A Lei Estadual 5.623/98 obriga o governo do Espírito Santo a emitir os títulos de propriedade às comunidades dos quilombos que comprovarem a ocupação tradicional em terras devolutas, em cumprimento ao previsto no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal.

Recurso

A manutenção da liminar foi decidida pela Quinta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) em dois agravos de instrumento. Além da Fibria, o BNDES apresentou recurso no TRF2, alegando que a operação financeira incluiria a disponibilização de uma linha de crédito para a empresa de cerca de R$ 167,7 milhões, para restauração, até 2019, de 21 mil hectares de mata atlântica na Bahia, no Espírito Santo e em Minas Gerais. Já a Fibria alegou que a realização de benfeitorias ou a transferência da propriedade a terceiros em nada prejudicaria uma eventual titulação de terras em favor dos quilombolas.

O parecer da Procuradoria Regional da República (PRR2) frisou que a manutenção dos financiamentos destinados ao plantio de eucalipto nas áreas discutidas não terá por consequência a melhoria ou a valorização das terras de ocupação tradicional quilombola, mas a continuidade da degradação do solo pelo cultivo de eucalipto e utilização de produtos químicos. Além disso, para a PRR, a clareza da fraude na obtenção das terras objeto de parte do financiamento leva à impossibilidade de que instituição financeira oficial, cujos investimentos são realizados com recursos públicos, financie atividade econômica explorada em área irregular e com reflexos graves nos direitos de comunidades tradicionais.

Decisão – Em seu voto, o relator dos agravos afirma que, pela transcrição de trechos de depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Aracruz), constantes da petição inicial da ação originária, é possível verificar o modus operandi da fraude: “Os funcionários declaravam-se agricultores e, tão logo legitimada a posse, repassavam-na à empresa”. A decisão rebate o argumento da Fibria de que não haveria estudos conclusivos sobre o seu projeto envolver áreas ocupadas por quilombolas, uma vez que as informações prestadas pelo Incra já permitem identificar a sobreposição das áreas quilombolas e exploradas pela agravante.

Esclarece o magistrado que “o tempo transcorrido desde a legitimação da posse pela empresa não pode servir de fundamento para permitir que a Fibria S.A. continue a dispor e explorar uma terra cuja ocupação, em princípio, deu-se de forma fraudulenta”. Para ele, a urgência da liminar se justifica, entre outros motivos, com o fato de que não há prova de que a empresa teria condições de devolver aos cofres públicos o total do empréstimo, caso o julgamento de mérito seja favorável ao Ministério Público Federal.

Por fim, a decisão destaca que a liminar expressamente suspendeu apenas o financiamento destinado ao plantio de eucalipto e à produção de celulose, não atingindo os recursos voltados para a restauração florestal e o cumprimento da legislação florestal.

O número do processo (primeira instância) para acompanhamento no site Justiça Federal (www.jfes.jus.br) é 0000693-61.2013.4.02.5003.

Clique aqui para ler o inteiro teor da decisão referente ao agravo da Fibria.

Clique aqui para ler o inteiro teor da decisão sobre o agravo do BNDES.

FONTE: http://noticias.pgr.mpf.mp.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_geral/mpf-mantem-liminar-que-suspende-financiamentos-do-bndes-a-fibria-celulose

Um novo Proconsult? Anthony Garotinho denuncia manipulação de urnas eletrônicas no primeiro turno no Rio de Janeiro

Se o segundo turno para a eleição do futuro governador (ou seria (des) governador?) do Rio de Janeiro já andava encrespado, a coisa agora promete ficar ainda mais acirrada.  É que o deputado federal Anthony Garotinho (PR) acaba de postar em seu blog pessoal a notícia que entrou com reclamação no Tribunal Regional Eleitoral por suposta manipulação de urnas eletrônicas para beneficiar a candidatura de Luiz Fernando Pezão.

Anthony Garotinho disponibilizou ainda a íntegra de sua reclamação para os interessados lerem a natureza de suas reclamações.

Este episódio traz de volta a lembrança do caso Proconsult em que um esquema de fraude tentou roubar a vitória de Leonel Brizola em 1982, e promete aquecer ainda mais as coisas. A ver!

Queremos somente a verdade das eleições e que a vontade do povo seja respeitada

Muita gente estranhou o resultado da eleição no 1º turno, mas como democrata que sou, minhas declarações imediatas foram de que respeito a soberania do povo. O povo tem o direito de escolher o melhor caminho – na sua visão – para o estado. Porém nos dias seguintes comecei a receber uma série de denúncias, que foram se encaixando, e orientado por advogados e especialistas em sistemas eletrônicos de voto, resolvi ingressar com uma ação, que hoje foi distribuída no Tribunal Regional Eleitoral, para o desembargador Edson Vasconcelos. O número da reclamação é 794431, e questiona as ligações de uma empresa responsável pela inseminação, votação e totalização das urnas com o Governo do Estado. A empresa além de ser cliente do Estado é defendida pelo escritório de Caputo Bastos, que tem como parceiros de advocacia os senhores Eduardo Damian (chefe de gabinete de Wilson Carlos, secretário de Governo de Cabral, e advogado do PMDB) e Terence Zveiter, que vem a ser primo do ex-presidente do TRE, Luiz Zveiter e do atual deputado federal Sérgio Zveiter, ligados à campanha de Pezão.

O resumo da ação é o seguinte: em cada urna a cada três votos que eu recebia, dois ficavam para mim, o terceiro era distribuído alternadamente entre Pezão, nulo e branco.

Alertei hoje, num encontro que tive pela manhã com o senador Marcelo Crivella, nosso candidato a governador, que solicite ao TRE providência no sentido de que uma firma especializada, independente, possa realizar testes que impeçam uma fraude como as denúncias que os senhores poderão verificar na ação que está no link abaixo.

Baixe aqui o documento completo

FONTE: http://www.blogdogarotinho.com.br/lartigo.aspx?id=17682

Folha de São noticia suspeita de desvio de dinheiro público em apreensão de material de campanha do PMDB

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A Folha de São Paulo publicou uma matéria sobre a apreensão feita por fiscais do Tribunal Regional Eleitoral de material de campanha de Luiz Fernando Pezão e diversos candidatos a deputado (Aqui!). De uma maneira mais explícita, a Folha de São Paulo cita a ocorrência de dois crimes nesse episódio: o desvio de dinheiro público para bancar a campanha eleitoral do PMDB e de seus partidos aliados, e a falsificação dos dados relativos ao material efetivamente produzido em relação aos declarados à justiça eleitoral. Além disso, a gráfica onde o material foi apreendido seria uma espécie de laranja de um esquema maior de apropriação de recursos públicos para fins privados, especificamente a campanha eleitoral.

Alguém se surpreende com essa situação? Na verdade, a única surpresa que eu tenho é que o alvo dessa operação tenha sido Luiz Fernando Pezão e diversos candidatos de sua colossal coligação que une gregos e troianos, de variados tamanhos e coloração ideológica.

Mas nunca é demais citar os nomes dos candidatos que tiveram material apreendido nessa operação para que se evite a tentação de escolhê-los para ocupar cargos que deveriam ser ocupados por pessoas cujo único interesse é servir ao público: Pedro Paulo (PMDB), Lucinha (PSDB), Leonardo Picciani (PMDB), Sávio Neves (PEN), Osório (PMDB), Serginho das Pastelarias (PTdoB), André Lazaroni (PMDB) e Rafael Picciani (PMDB). Em tempo, Rodrigo Bethlem (PMDB) também tinha material sendo produzido na gráfica em questão. Mas desse, Vanessa Felippe já cuidou.

Finalmente, uma curiosidade que muitos eleitores devem ter: quantas gráficas estão envolvidas neste tipo de esquema neste momento?

O Globo: TRE-RJ lacra gráfica envolvida em suposto esquema de fraude para coligação do PMDB

Segundo o órgão, empresa tem contratos com prefeitura e governo do Rio, com indícios participação em esquema de desvio de dinheiro público

POR CHICO OTÁVIO
TRE-RJ lacra gráfica suspeita de envolvimento em fraude para coligação do PMDB – TRE-RJ/ Divulgação

RIO – A fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) lacrou na sexta-feira, por tempo indeterminado, a empresa de comunicação visual High Level Signs, no Méier, Zona Norte do Rio. Segundo o tribunal, a gráfica mantém contratos com a prefeitura do Rio e o governo estadual e pode participar de um esquema de desvio de dinheiro público para elaboração da propaganda de candidatos da coligação PMDB, PP, PSC, PSD e PTB, em especial do ex-chefe da Casa Civil do prefeito Eduardo Paes (PMDB), o deputado federal Pedro Paulo (PMDB), candidato à reeleição.

Em nota o órgão afirmou que, além de Pedro Paulo, a empresa produzia material gráfico de ao menos nove políticos: Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato à reeleição ao governo estadual; Pedro Paulo; Leonardo Picciani (PMDB); Sávio Neves (PEN); Rodrigo Bethlem (PMDB); Lucinha (PSDB); Osório (PMDB); Serginho da Pastelaria (PTdoB); André Lazaroni (PMDB); e Rafael Picciani (PMDB).

Procurada pela reportagem, a assessoria de Pezão afirmou:

“A campanha segue rigorosamente a lei e defende que toda denúncia deva ser apurada pelos órgãos competentes”.

Já o deputado Pedro Paulo negou que tenha usado recursos públicos para imprimir material de campanha na gráfica High Level Sign. Por intermédio da assessoria de imprensa da candidatura, ele disse que tem como comprovar com notas que as despesas, incluindo a gráfica, foram cobertas por doações privadas. Pedro Paulo repudiou as acusações e disse que pretende prestar contas ao TRE.

As investigações foram iniciadas após os candidatos a deputado federal Pedro Paulo e a deputada estadual Lucinha terem espalhado placas no bairro de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. Como a tiragem declarada era pequena, a responsável pela fiscalização da propaganda, juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, determinou a verificação do endereço da gráfica. Os fiscais do TRE-RJ descobriram que no local funcionava apenas um salão de beleza, levando à suspeita de que a empresa era usada como laranja. A alguns metros dali estava a High Levels Signs, que impressionou pela quantidade, variedade e sofisticação das máquinas do parque gráfico e pelo volume de propaganda política, inclusive de placas semelhantes às de Sepetiba.

Os fiscais do TRE-RJ simularam, então, serem assessores de candidatos interessados na produção de material de campanha, desde que a gráfica concordasse em fazer constar nas placas uma tiragem inferior à efetivamente entregue.

“Claro que fazemos, essa é uma prática muito comum”, respondeu a recepcionista, que passou a elencar nomes de candidatos que encomendam material com tiragem adulterada, sem saber que tudo estava sendo gravado.

Pela legislação eleitoral, a tiragem, o CNPJ do candidato e o da gráfica devem ser divulgados na propaganda. Os fiscais notaram ainda que o CNPJ da empresa de fachada aparecia em várias placas no depósito da High Level Signs, que agora está lacrado.

Na operação, foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, farto material de campanha, oito computadores e documentos – TRE-RJ/ Divulgação

Entre os documentos apreendidos estão algumas ordens de serviço, que mostravam uma tiragem de placas, banners e panfletos menor que a quantidade realmente entregue aos candidatos. Também há o e-mail de um cliente, que pode revelar um provável esquema de maquiagem de CNPJ e lavagem de dinheiro. Dizendo seguir instruções de uma “conversa no escritório”, o cliente repassa um CNPJ, que diz ser de sua empresa, para emissão “das notas fiscais da campanha”. Em seguida, ele escreve que receberá 10% e pagará 6,5%, “como combinamos”. Nas placas e banners produzidas na High Level Signs, foram identificados pelo menos três CNPJ diferentes.

Na operação, foram apreendidos R$ 28 mil em dinheiro, farto material de campanha, oito computadores e documentos. O dinheiro ficará sob a custódia do TRE-RJ, que vai encaminhar fotos, a gravação, documentos e material irregular de campanha ao Ministério Público Eleitoral e ao Ministério Público Estadual, responsáveis por ajuizar ações nas áreas eleitoral e criminal contra a empresa e os candidatos suspeitos de participar da fraude.

Ainda segundo o tribunal, a High Level Signs aparecia também como beneficiária em pelo menos onze boletos bancários de pagamento da Secretaria de Estado da Casa Civil, com valor total de R$ 340 mil.

FONTE:  http://oglobo.globo.com/brasil/tre-rj-lacra-grafica-envolvida-em-suposto-esquema-de-fraude-para-coligacao-do-pmdb-13550765#ixzz39x64EDD2

Desapropriações no Porto do Açu: há mais coisas entre o sal e a terra do que julga nossa vã filosofia

Quando se pensa que já se viu tudo na realização das escabrosas desapropriações promovidas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) em São João da Barra para beneficiar o grupo econômico do ex-bilionário Eike Batista, eis que sempre aparece uma novidade!

Em uma das reviravoltas que deixam qualquer imaginando o que realmente andou correndo no V Distrito quando a coisa tem a ver com a usurpação dos direitos de centenas de famílias, um agricultor desapropriado descobriu recentemente que o advogado que foi trazido de Rio das Ostras para supostamente representar seus interesses estava com sua habilitação para advogar SUSPENSA

E o detalhe mais peculiar dessa revelação é que coube à CODIN questionar essa situação, provavelmente num esforço de deixar o agricultor em questão efetivamente sem nenhuma representação, o que foi efetivamente o que aconteceu! 

O pior é que apesar da situação estar demonstrada no processo desde maio de 2012, apenas recentemente o agricultor afetado (ou seria enganado?) soube da sua inglória situação, quando finalmente soube de todo esse imbróglio legal quando seu novo advogado teve finalmente acesso ao processo.

Esta situação parece muito mirabolante e inverídica? Bom até eu achei isso até ter acesso às duas páginas do processo que seguem abaixo!

açu adv 1 açu adv 2

A questão que me intriga é a seguinte: como e por quem um advogado suspenso foi trazido para São João da Barra para assumir processos sem que nenhum mecanismo de verificação identificasse logo o problema? E mais, em quantos mais casos este advogado atuou e em quantos desses os desapropriados continuam sem a devida orientação jurídica?

Pois é, eu diria, tomando carona em William Shakespeare, que nas desapropriações do Porto do Açu há mais coisas entre o sal e a terra do que julga nossa vã filosofia

Assim caminha a ciência produto-orientada!

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Fraude em tese premiada

Acusado de falsificar dados e imagens, Nitin Aggarwal, pesquisador da área de cardiologia que estudou e trabalhou na Universidade de Wisconsin-Madison, entrou em acordo com o Escritório de Integridade Científica dos Estados Unidos e aceitou ter seu trabalho supervisionado pelos próximos três anos, além de se abster de participar de comitês de avaliação de agências de fomento norte-americanas pelo mesmo período. Aggarwal, que hoje trabalha numa empresa farmacêutica, admitiu ter manipulado imagens de testes western blot, falsificado dados estatísticos para dar lastro às imagens manipuladas e mentido sobre o número de ratos usados numa experiência – foi apenas um, e não quatro, como informou nos trabalhos. A fraude atingiu dois artigos, projetos de pesquisa submetidos a duas agências e até a tese apresentada ao Medical College of Wisconsin em 2008 que serviu como requisito para obter o Ph.D. e lhe rendeu um prêmio de US$ 1.000. Os artigos com imagens falsas não foram alvo de retratação, assim como o Ph.D. permanece válido. Um porta-voz do Medical College of Wisconsin informou que um comitê de investigação encontrou dados suspeitos, mas eles não comprometem as conclusões. Por conta do episódio, a instituição discute novas normas para revogação de títulos acadêmicos.