Suplente de Flávio Bolsonaro lançou a mãe de todas as delações e diz que PF avisou sobre operação envolvendo Fabrício Queiróz

Entenda o Caso Queiroz e qual a relação de Flávio de Bolsonaro ...Flávio e Jair Bolsonaro almoçam com Fabrício Queiróz

O empresário Paulo Marinho (PSDB), suplente de senador pelo Rio de Janeiro,  decidiu lançar o que poderá ser chamada de “mãe de todas as delações” ao revelar ao jornal “Folha de São Paulo” que um delegado da Polícia Federal (PF) avisou com antecedência ao  candidato a senador Flávio Bolsonaro que seria deflagrada uma operação policial, como consequência  da chamada Operação Furna da Onça, para apurar a realização de “rachadinhas” (ou seja, a apropriação ilegal de parte dos salários de servidores) no gabinete do então deputado estadual, orientando inclusive para que fossem feitas as demissões do “jack of all trades” (pau para toda a obra) Fabrício Queiróz , seus familiares e ainda parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

wp-1589723255333.jpg

Como Paulo Marinho foi um dos mentores da campanha do agora presidente Jair Bolsonaro, ele não poderá ser ignorado ou, simplesmente, rotulado como mais um traidor comunista pelos apoiadores do presidente da república. Essa entrevista tem conteúdo extremamente explosivo não só pelo detalhe da “indiscrição” do delegado da PF que avisou sobre a iminente deflagração da operação policial sobre o esquema das rachadinhas, mas também porque Marinho revela a existência de um telefone do falecido Gustavo Bebiano onde estariam armazenadas todas as conversas mantidas entre ele e o agora presidente Jair Bolsonaro. O problema é que o material ali contido pode ser nitroglicerina pura, pois armazena mais de um ano de conversas entre Bebianno e Jair Bolsonaro.

As próximas semanas serão extremamente problemáticas no Brasil, pois ao aumento do número de mortes pela COVID-19 serão adicionadas pitadas generosas de de crise política. E não vejo como os militares que estão hoje dentro do governo federal dando sustentação a Jair Bolsonaro poderão continuar fazendo cara de paisagem frente a essas revelações que me parecem ainda incompletas. 

E pensar que Fernando Collor caiu por causa de um Fiat Elba e Dilma Rousseff por causa de pedaladas fiscais inexistentes.  Agora está mais do que provado que em se tratando de motivos, Jair Bolsonaro não será lembrado como um presidente que foi parcimonioso no quesito “escândalo”.

info-final-queiroz

Finalmente, o Brasil agora aguarda ansioso a revelação do nome do delegado da Polícia Federal que revelou a Flávio Bolsonaro que uma operação da PF seria lançada às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. É que dependendo de quem for esse delegado-informante, a coisa vai ficar ainda mais quente do que já está.

MPF e PF ampliam investigação sobre Alerj com prisão de dez deputados e outros 12 alvos

Operação apura propinas pagas com recursos públicos e uso do Detran/RJ para atender governo

FURNA

 Área da Alerj conhecida como “Furna da Onça” e que deu nome à operação que resultou na prisão de deputados estaduais  e “outros alvos” nesta 5a. feira.

O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (8/11) a Operação Furna da Onça para investigar a participação de deputados estaduais do Rio de Janeiro em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada, principalmente no Detran/RJ. Nesse desdobramento da Operação Cadeia Velha, são cumpridos 22 mandados de prisão (19 temporárias e três preventivas, referentes aos réus da Cadeia Velha) e 47 de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) depois de decisão unânime de cinco desembargadores federais que compõem da 1ª Seção.

Dez deputados estaduais do Rio de Janeiro (v. lista abaixo) são investigados por uso da Assembleia Legislativa (Alerj) a serviço de interesses da organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), que em troca pagava propina mensal (“mensalinho”) durante seu segundo mandato (2011-14). De acordo com as investigações, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais. Além de Cabral, tinham função de comando na organização investigada os ex-presidentes da Alerj Jorge Picciani e Paulo Melo, presos antes na Operação Cadeia Velha e com novas ordens de prisão.

O TRF2 concordou com o MPF que as prisões e as buscas e apreensões se fizeram necessárias para interromper condutas como a ocultação da origem ilícita dos valores pagos aos deputados estaduais. Outra justificativa dos mandados judiciais foi o alto poder e a capilaridade dos esquemas criminosos sob investigação, que envolvem a cúpula da Alerj com ramificações em vários órgãos estaduais.

As investigações contam uma história: a de como o ex-governador neutralizou, com propina e outras vantagens ilícitas, o controle que os deputados estaduais deveriam exercer sobre o Executivo, e, com isso, a organização criminosa se espalhou por vários órgãos e entidades do estado, provocando o sucateamento dos serviços prestados à população”, afirmam os procuradores Andréa Bayão, Carlos Aguiar e José Augusto Vagos (MPF/2ª Região) e Leandro Mitidieri e Renata Ribeiro Baptista (MPF/RJ), autores da petição e que também pediram o afastamento dos deputados de seus cargos.

Clique aqui para consultar petição da Operação Furna da Onça.

Mensalinho” e “prêmios” 

As investigações, que incluem relatos de colaboradores corroborados por provas independentes colhidas pelo MPF e pela PF, apontaram que o “mensalinho” e “prêmios” (v. lista abaixo) eram pagos a deputados como contrapartida por votos em favor de projetos de lei de interesse da organização e por atuações contra o avanço de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), entre outros serviços. Os “mensalinhos” foram confirmados num sistema dos doleiros “Juca Bala” e “Tony”, que permitiu identificar data, valor e recebedor de quantias intermediadas por Carlos Miranda, um operador de Cabral.

Com seus relatórios de inteligência financeira, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) deu suporte às conclusões dos investigadores, pois identificou movimentações atípicas e em quantias muito altas envolvendo recebedores de propina.

Detran e Palácio Guanabara

Outros alvos foram o secretário de Governo, Affonso Monnerat, o presidente do Detran/RJ, Leonardo Silva Jacob, e seu antecessor Vinícius Farah, recém-eleito deputado federal pelo MDB. Eles são investigados pela distribuição de outro tipo de vantagem ilícita: cargos públicos e vagas de trabalho em empresas fornecedoras de mão de obra terceirizada, principalmente para o Detran.

Os deputados repartiam os postos do Detran, segundo sua área de influência política, para indicarem pessoas a suas vagas de trabalho. Essas indicações viabilizavam a ingerência desses políticos sobre o Detran local, possibilitando desenvolverem seus próprios esquemas criminosos. Monnerat foi alvo de prisão por ter aparecido em conversas telefônicas e em planilhas encontradas na operação Cadeia Velha como intermediador de indicações políticas de mão de obra terceirizada.

As interceptações telefônicas revelaram que, por meio das indicações, tanto os deputados como seus assessores intermediavam, por exemplo, o reagendamento de provas de pessoas sem pontuação mínima para obterem a habilitação e a liberação, em vistorias, de veículos em mau estado ou com pendências. Também foi descoberto o uso, nas últimas eleições, dessa mão de obra para promoção pessoal, dos políticos que concorriam à reeleição ou seus familiares candidatos.

Nome da operação 

A operação conjunta do MPF, PF e Receita se chama “Furna da Onça” por se tratar do nome de uma sala com localização estratégica na Alerj usada por deputados para rápidas reuniões durante as sessões. Na Assembleia, há uma versão de que o nome “Furna (toca) da Onça” remete ao uso da sala para as discussões parlamentares mais influentes, nos instantes finais antes das votações em plenário.

Alvos da Operação


• 
10 deputados: André Correa (DEM), Edson Albertassi (MDB, nova ordem de prisão), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (SD), Jorge Picciani (MDB, nova prisão), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinicius “Neskau” (PTB) e Paulo Melo (MDB, nova prisão) • 6 assessores na Alerj • 3 alvos do Detran • 2 do governo • 1 no grupo Facility/Prol

Mensalinhos” e “prêmios” pagos na Alerj*


• 
André Correa (DEM): R$ 100 mil/mês
• 
Edson Albertassi (MDB): R$ 80 mil/mês + R$ 1 milhão
• 
Chiquinho da Mangueira (PSC): mais de R$ 3 milhões
• 
Coronel Jairo (SD): R$ 50 mil/mês + prêmio
• 
Jorge Picciani (MDB): R$ 400 mil/mês + prêmio
• Luiz Martins (PDT): R
$ 80 mil/mês + R$ 1,2 milhão
• 
Marcelo Simão (PP): R$ 20 mil/mês
• 
Marcos Abrahão (Avante): R$ 80 mil/mês + R$ 1,5 milhão
• 
Marcus Vinicius “Neskau” (PTB): R$ 50 mil/mês
• Paulo Melo (MDB): R$ 900 mil/mês + prêmio

 
FONTE: Assessoria de Comunicação da Procuradoria Regional da República na 2ª Região (RJ/ES)