Negacionismo científico em torno da existência do sistema de recifes do Amazonas revela a existência de um “bolsonarismo de esquerda”

mapa-recifes-amazonia

O grande sistema de recifes do Amazonas virou um alvo preferencial de uma peculair de Bolsonarismo, o “bolsonarismo de esquerda”

O portal Brasil 247  repercutiu no dia de hoje uma entrevista do professor aposentado da UFPA, Luís Ercílio Faria Junior, que foi feita pela Associação de Engenheiros da Petrobras que é um primor no sentido de mostrar que, na busca de se justificar a arriscada empreitada de explorar petróleo e gás na região da foz do Rio Amazonas, negar a ciência não é algo restrito ao que se convencionou chamar de “Bolsonarismo”.

Ao tentar enterrar evidências científicas sérias, as quais foram levantadas por cientistas que possuem produções acadêmicas altamente cientificas atribuindo a existência de um sistema recifal na foz do Amazonas, que foi denominado de “Great Amazon Reef System” (GARS)“, o que se faz é aumentar a campanha anti-científica que tem sido conduzida pela extrema-direita no Brasil e no resto do mundo, especialmente no que se refere à existência de uma grave crise climática.

E isso para quê? Para justificar a ampliação da participação do Brasil na exploração de combustíveis fósseis, inclusive em áreas de grande importância ecológica e social, como é o caso da região da foz do Rio Amazonas.

Como esses ataques estão vindo de setores que se dizem de esquerda, o que me parece ficar demonstrado é que quando se trata da ideologia negacionista, podem chamar de Bolsonarismo se quiserem, fica claro que ela não está estabelecida e operada pela chamada extrema-direita. Curiosamente, oq que os ataques à integridade ecológica do GARS em nome da exploração de petróleo e gás é que há sim uma variante de esquerda no Bolsonarismo.

Cientista da Uenf é co-autor de novo artigo sobre os corais da Amazônia

CarlãoProfessor titular do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende é um dos co-autores de novo artigo sobre os recifes de corais da Amazônia

Os recifes de corais na foz do Rio Amazônia cuja existência modificou os paradigmas científicos acerca deste tipo de formação resultaram em mais uma importante publicação na prestigiosa revista “Scientific Reports”, que é produzida pelo grupo “Nature”, sob o título “Insights on the evolution of the living Great Amazon Reef System,equatorial West Atlantic“.

nature 1

Na equipe de cientistas que realizou as pesquisas que resultaram em uma importante contribuição ao processo evolutivo dos recifes de corais do “Grande sistema de corais de recife da Amazônia” (ou simplesmente GARS em sua nomenclatura inglesa) está o professor Carlos Eduardo de Rezende do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).  Carlos Rezende foi um dos coordenadores dos estudos que resultaram na descoberta dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas e continua ativamente envolvido nas pesquisas do GARS.

Segundo Rezende, o artigo  “amplia o conhecimento sobre aspectos evolutivos do GARS usando informações primárias e secundárias sobre datação por radiocarbono a partir de amostras de carbonato“.  Para o pesquisador da Uenf,  os resultados obtidos demonstram que o recife está vivo e em crescimento, com organismos vivos habitando o sistema em sua totalidade.  

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um dos impactos práticos dessa pesquisa que continua transformando a ciência dos recifes de corais será a dificuldade de exploração das reservas de petróleo e gás que porventura existam em uma região que se mostra extensa e ocupada por um sistema altamente complexo e de marcante biodiversidade.

Finalmente, os resultados desta pesquisa reafirmam a importância da Uenf enquanto centro de formação de jovens pesquisadores, visto que, sob a orientação de Carlos Eduardo de Rezende, dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação participaram do processo de investigação científica que resultou na descoberta do GARS.