Terceirização, equipamentos e cadeiras novas na Uenf… mas o processo do novo PCV continua parado

Quem folheou o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOERJ) desta sexta-feira encontrou uma pequena coleção de editais de licitação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que, somados, chegam à respeitável cifra de R$ 6.097.834,43. Uma bagatela, claro — especialmente quando distribuída entre necessidades aparentemente urgentes como cadeiras novas (R$ 1.022.473,50), serviços de condutores de veículos (R$ 4.660.306,20), recarga e manutenção de extintores de incêndio (R$ 204.897,83), computadores de alta performance para produção audiovisual (R$ 680.516,00) e projetos executivos de combate a incêndio e proteção contra descargas atmosféricas (R$ 552.114,40). Há de tudo um pouco, como em um catálogo administrativo: da terceirização do transporte institucional a sofisticadas máquinas destinadas a impulsionar a produção audiovisual da universidade.

Naturalmente, cada uma dessas despesas pode ter sua justificativa técnica. Afinal, cadeiras são úteis, extintores precisam funcionar e raios costumam cair sem pedir autorização prévia. Ainda assim, é difícil não levantar uma sobrancelha diante do entusiasmo administrativo quando o assunto é abrir licitações para novas aquisições, ao mesmo tempo em que permanece curiosamente imóvel a promessa de entrega do novo Plano de Cargos e Vencimentos da Uenf (PCV) — uma pauta que, ao que tudo indica, segue aguardando em alguma gaveta menos iluminada do governador Cláudio Castro (PL).

A curiosidade também se estende a alguns detalhes pitorescos. Quem exatamente será contemplado com esses computadores de “alta performance” destinados à produção audiovisual? Que volume de conteúdo está prestes a ser produzido para justificar tal investimento? E, sobretudo, por que determinadas áreas da gestão parecem operar em ritmo acelerado enquanto outras seguem presas a um prolongado estado de contemplação administrativa?

De todo modo, justiça seja feita: a reitoria da Uenf claramente tem prioridades. Talvez o PCV não esteja entre elas — ao menos por enquanto. Mas há uma boa notícia para todos: se nada mudar, cada servidor da universidade criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola poderá ao menos refletir sobre essas prioridades sentado em uma cadeira novinha em folha. Afinal, conforto institucional também é política pública, especialmente em uma instituição cujos salários estão corroídos pela inflação em mais de 50%.

Manifestações estão obrigando prefeitos a se distanciar da farra da FIFA na Copa 2014

Fifa

Muito se tem falado das manifestações que vem ocorrendo no Brasil contra os gastos exorbitantes para bancar o mega-evento da FIFA, a chamada Copa do Mundo 2014. Mas num sinal que a classe política já entendeu a mensagem, o Jornal Valor Econômico noticia hoje que muitos prefeitos das cidades-sede, seguindo o exemplo do prefeito de Recife, estão tirando o time de campo para se desobrigar do financiamento da chamada “Fan Fest” da FIFA (Aqui!). Essa atividade é, na prática, mais um daqueles eventos paralelos onde tudo acontece para aumentar os lucros da FIFA, sem essa tenha que meter a mão nos seus cofres já recheados com recursos públicos dos diferentes países onde o seu mega-evento vem sendo instalado ao longo dos anos.

Ai é que eu digo: benditas manifestações! Afinal de contas, num país onde a miséria campeia e serviços públicos essenciais estão operando no seu limite crítico, bancar evento para a FIFA ganhar ainda mais dinheiro não tem justificativa alguma!