A prisão cada vez mais curiosa de Anthony Garotinho: entre porretes e iguarias

Uma das vantagens que vejo de não estar filiado a nenhum grupo ou partido político é que posso enxergar as coisas com um melhor controle dos meus próprios filtros.  Isso tem me permitido ao longo dos anos ser consistente nas minhas posições, coisa que me parece fundamental em tempos em que muitos atores políticos jogam a consistência na lata do lixo ao sinal da primeira vantagem.

Pois bem,  por isso não tenho como deixar de considerar como cada vez mais curiosa a situação que envolve a prisão do ex-governador Anthony Garotinho e suas desventuras num sistema prisional controlado por inimigos políticos declarados. Fosse o Brasil um pais minimamente sério, Anthony Garotinho já teria sido colocado num programa federal de proteção de testemunhas, pois testemunha é no que ele se transformou ao denunciar os graves crimes cometidos contra os cofres estaduais por uma verdadeira alcateia de usurpadores de cargos públicos que dizem ser comandada pelo (ex) desgovernador Sérgio Cabral.  

Mas como estamos no Brasil e, mais especificamente, no Rio de Janeiro, Anthony Garotinho tem sido o alvo de uma consistente campanha de demonização que termina naquilo que se convencionou chamar de “prisão preventiva”, sem que se saibamos de qual prevenção se trata ou de quem está sendo prevenido.

Muitos dirão que Anthony Garotinho está onde merece estar por seus crimes. Se estivéssemos na França dos “Les Miserábles” de Victor Hugo ainda vá lá, mas supostamente não estamos.  Por isso, há que se examinar inclusive os diferentes movimentos da ópera esquisita da qual Anthony Garotinho é um participante para lá de relutante.   O primeiro  movimento, composto de duas partes, foi a decisão do juiz Glaucenir Silva de Oliveira da 98a. Zona Eleitoral de decretar a prisão de Anthony e Rosinha Garotinho e vários de seus associados.

Esta decisão foi seguida da sua declaração de impedimento para continuar julgando o caso. Depois disso, todos os meritíssimos juízes da mesma zona eleitoral se declararam impedidos por variadas razões de julgarem o caso.  Tal alinhamento entre juízes só foi visto em Campos dos Goytacazes no famigerado caso das “Meninas de Guarus” quando todos os meritíssimos da cidade se declararam impedidos. Mas neste caso, a postura dos juízes da 98a. Zona Eleitoral foi o retorno ao caso da Operação Chequinho, agora na condição de juiz tabelar, do juiz Ralph Machado Manhães, o qual já havia determinado uma prisão anterior para Anthony Garotinho.

De volta ao caso, o que decide o juiz Ralph Manhães sobre onde deveria ser enviado Anthony Garotinho para cumprir sua prisão preventiva?  Na Cadeia Pública José Frederico Marques onde estão encarcerados inimigos políticos de Anthony Garotinho, a começar pelo ex( des) governador Sérgio Cabral e dos deputados Jorge Pìcciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, que foram repetidamente denunciados nos programas radiofônicos e no blog do ex-governador.  Essa decisão me pareceu, no mínimo temerária, visto as provas evidentes de que a turma de Sérgio Cabral tem total controle sobre o que se passa dentro da Cadeia de Benfica.  Se alguém tem alguma dúvida sobre isso,  elas provavelmente desaparecerão ao se ver o vídeo abaixo que trata de uma inspeção surpresa do Ministério Público na cela (cela?) de Sérgio Cabral, onde foram encontradas as mais variadas iguarias, próprias dos restaurantes de luxo ao qual o ex-menino de ouro da mídia corporativa fluminense se acostumou a frequentar.

O segundo movimento desta ópera bufa foi o suposto ataque que Anthony Garotinho teria sofrido dentro de sua cela da unidade prisional para onde foi enviado pelo juiz Ralph Manhães (ver fotos abaixo que mostram os ferimentos encontrados em visita ao Instituto Médico Legal).

Rapidamente se espalhou um vídeo para mostrar que ninguém entrou na sala de Anthony Garotinho. Quem divulgou as imagens se esqueceu apenas de mencionar um “pequeno” detalhe: uma lacuna de DUAS HORAS nas filmagens. A explicação dada é que as câmeras usadas no presídio só são acionadas quando há algum movimento. Mas, sinceramente, quem em boa consciência acredita numa versão oferecida por fontes ligadas ao (des) governo Pezão que também sofrendo com as denúncias de Anthony Garotinho? De minha parte, que tomei muito pisão quando ainda jogava futebol, os ferimentos no pé de Anthony Garotinho são muito semelhantes ao que sofria ao ser pisado com vontade por adversários que usavam chuteiras.

O terceiro movimento veio com a decisão de remover Anthony Garotinho para o complexo prisional de Bangu onde ele ficará, ao que se diz, em celas monitoradas por câmeras que funcionam durante todas as 24 horas do dia. Aí uma pergunta que clama por explicações: por que esse mesmo tipo de câmera não foi instalado em Benfica? Provavelmente para que iguarias e outras benesses das quais Sérgio Cabral desfruta pudessem continuar chegando às mãos dos prisioneiros de luxo que ali se encontram. Ou será que não?

Diante de todos esses movimentos que ninguém se surpreenda se Anthony Garotinho seja beneficiado por habeas corpus emitido em Brasília. É que todas as curiosidades que foram aqui apontadas fazem parte de uma disputa que coloca em diferentes polos até frações do judiciário. Daí que Anthony Garotinho ser beneficiado por um habeas corpus faz total sentido e é quase um desdobramento natural dessa disputa.

Resta ver o que acontecerá quando Anthony Garotinho sair de Bangu. Se ele cumprir o que já prometeu, seremos premiados com mais denúncias contra atores que se beneficiaram da amizade e da proximidade com Sérgio Cabral e seu grupo de usuários de guardanapos na cabeça. A ver!

 

Reinterpretando uma manchete sobre prisão de Anthony Garotinho

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As curiosidades que cercam o caso das prisões do ex-governador Anthony Garotinho, da sua esposa Rosinha e de outras pessoas associadas a ele não param de surgir. A mais nova é o retorno ao caso do juiz Ralph Machado Manhães que substituirá o meritíssimo Glaucenir Silva de Oliveira que, haja curiosidade, se declarou impedido de julgar o caso depois de mandar Anthony e Rosinha Garotinho para a prisão!

novo velho juiz

Há que se lembrar que o juiz Ralph Manhães foi quem colocou Anthony Garotinho em prisão domiciliar e o proibiu de falar de assuntos que não estavam relacionados ao processo conhecido como “Chequinho”.  Agora, o juiz Manhães volta ao caso na condição de juiz tabelar.  Lembremos que juiz tabelar é ao juiz da vara subseqüente à do juiz natural, de igual competência, ou seja que atua na mesma especialidade, e que substitui o antecessor, quando o mesmo se declara impedido de julgar de forma imparcial (e ele deve fazê-lo), ele solicita que o processo seja enviado (redistribuído) para o seu substituto legal, que é nesse caso (ex: impedimento) o juiz tabelar.  No presente caso, tabelar parece mais ligado ao fato de que os dois juízes envolvidos poderiam estar realizando aquilo que na gíria futebolística se dá o nome de “fazer uma tabelinha”. 

Agora, como o casal de ex-governadores já impetrou pedidos de habeas corpus, fazendo eles também a sua tabelinha, vamos ver como fica essa coisa toda. De toda forma,  nesse processo todo o que não faltam são curiosidades. E no final disso tudo, vamos ver qual tabelinha vai resultar no gol que decidirá esse campeonato.  A ver!