Organizações internacionais voltam a pedir proibição do plantio e comercialização do trigo transgênico

Entidades ligadas à agricultura sustentável e o direito à alimentação alertam para os riscos à saúde. Pães, massas e todos os derivados do trigo HB4 terão resíduos de glufosinato de amônio, agrotóxico altamente tóxico

Crédito da Foto: Pixabay

Por Cida de Oliveira 

São Paulo — Organizações da sociedade civil que reúnem países da América Latina, África e Ásia voltaram a reivindicar a suspensão das autorizações do plantio e comercialização do trigo HB4 na Argentina, Brasil e Paraguai. E de importação na África do Sul, Colômbia, Nigéria, Nova Zelândia, Indonésia e China. Desenvolvida e negociada pela companhia argentina Bioceres, a semente promete resistir aos períodos secos do ano e às chamadas plantas invasoras, cada vez mais resistentes a agrotóxicos. Essa segunda característica se deve a uma modificação genética que permite ao trigo resistir a altas doses do herbicida glufosinato de amônio. Segundo as entidades, há estudos que mostram que essa substância chega a ser 15 vezes mais tóxica que o glifosato.

E aí é que está a grande preocupação. As plantas acumulam resíduos dos agrotóxicos nelas aplicados ao longo do cultivo. E em doses tão significativas que vão bem além das permitidas pela legislação, como mostraram diversas pesquisas de órgãos de saúde em amostras de hortaliças, frutas e outros alimentos. No caso do trigo transgênico, além de outros agroquímicos que serão utilizados, haverá concentração do glufosinato de amônio. Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como potencialmente cancerígeno, o agrotóxico é associado ainda por diversos estudos científicos como causador de alterações genéticas, danos ao fígado e desregulação endócrina.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, um desregulador endócrino pode exercer vários efeitos nocivos, alterando os hormônios e suas funções. Isso é muito grave porque o funcionamento adequado do organismo, portanto, a saúde, depende de ação hormonal. E o mais perverso é que essa desregulação afeta principalmente fetos, crianças com até dois anos e adolescentes, por estarem em fase de desenvolvimento, com grande multiplicação celular. Não é por acaso que em 2009 o glufosinato foi banido na União Europeia.

Para piorar, o trigo transgênico se propõe a dominar a produção de um cereal que compõe a principal fonte de carboidratos, base da alimentação mundial. Ou seja, o pão de cada dia, seja do tipo que for. Além do café da manhã, está em muitas refeições diárias, como suporte para sanduíches e outros pratos. Tem ainda o macarrão, a pizza, bolos, biscoitos, doces e uma infinidade de subprodutos.

Apesar da importância do trigo na alimentação humana, não existe um método público validado para detectar, identificar e quantificar a presença de trigo HB4 em farinhas e outros produtos de trigo”, alertam as entidades em comunicado divulgado nesta quarta-feira (5), na qual reivindicam a suspensão das autorizações já concedidas.

No documento, elas destacam também as circunstâncias nada democráticas em que o cultivo e a venda foram liberados. No caso Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) encerrou o processo em março de 2023. Foram ignorados alertas de cientistas, órgãos de saúde, meio ambiente e defesa dos direitos humanos e do consumidor. A opinião pública tampouco foi levada em consideração. E como tornou-se praxe no órgão criado justamente para assessorar o governo federal quanto à biossegurança, houve dispensa de pesquisas. Foram considerados suficientes os dados incompletos apresentados pela empresa interessada na aprovação.

Pedimos que todas as licenças para o plantio e comercialização do trigo HB4 sejam suspensas e que um processo de reparo abrangente seja iniciado nos espaços já intervencionados”, destacam as organizações. Em junho de 2022 a Embrapa já havia anunciado a criação de campos de testes em Brasília.

O trigo HB4 já é vendido na Argentina desde maio de 2024, segundo anunciou na época a Bioceres. E os negócios avançam nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (6) a companhia anunciou ter obtido a primeira das quatro patentes solicitadas ao órgão oficial local. Já há também autorização do Departamento de Agricultura (USDA) e do Departamento de Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA). O país é o quarto maior produtor mundial do cereal.

No entanto, nem só de notícia boa vive a Bioceres. No início de fevereiro, a própria companhia divulgou queda de 24% na sua receita, o que levantou fortes suspeitas de que a nova tecnologia tenha tudo a ver com isso. Embora a empresa não tenha explicado as causas do tombo financeiro, há desconfiança de fracasso comercial do novo trigo. Ou seja, não estaria oferecendo a resistência ou tolerância à seca prometida na propaganda.

De acordo com dados oficiais, o trigo HB4 rende muito menos do que os trigos convencionais (não transgênicos), mesmo em anos de seca. Na média anual de dados de 2021, os trigos HB4 renderam 17% menos do que os trigos convencionais. Nos anos seguintes, nem o Estado nem a empresa publicaram dados de produção nas diferentes regiões. Talvez seja porque o fracasso produtivo da tecnologia foi confirmado, e a queda nas vendas e receitas da Bioceres fez com que a empresa saísse da venda de sementes”, acreditam as entidades.

Seja como for, ainda segundo essas organizações (veja lista no final da reportagem), o lançamento e posterior aprovação do trigo HB4 levantou expectativas entre os produtores. Apesar da falta de dados oficiais sobre o cultivo de trigo transgênico no Paraguai, circula por lá a informação sobre a adaptação de variedades em diversas regiões do país por corporações do agronegócio. Além disso, o uso de glufosinato de amônio aumentou substancialmente no país.

Acreditamos que, diante do grande fracasso da tecnologia HB4, para a qual a empresa Bioceres está arrastando agricultores, é hora de enterrá-la definitivamente”, pedem as organizações.

Para o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, integrante do Movimento da Ciência Cidadã, que subscreve o comunicado, o trigo transgênico é “mais uma das promessas de uma tecnologia enganosa, patrocinada por interesses opostos às necessidades da população”. “Diante das promessas de redução no uso de agrotóxicos, de geração de plantas mais nutritivas, de benefícios aos pequenos agricultores e aos consumidores, nada mais coerente do que um trigo tolerante à seca, mas que não é tolerante a seca”, disse à reportagem.

Melgarejo foi além: “Penso que as evidências concretas de inconsistência entre os discursos dos técnicos interessados, as propagandas da mídia corporativa e a realidade observada nas lavouras expliquem os pedidos, e as aprovações, de dispensa de monitoramento pós liberação comercial destas tecnologias pela CTNBio”.

Em fevereiro de 2024, essas mesmas entidades enviaram petição aos Relatores Especiais sobre Direitos Humanos da ONU. O objetivo foi alertar para a gravidade do risco a que estão expostas as populações desses países e pedir providências. Isso porque o plantio e a comercialização violarão vários direitos humanos, como o direito à vida e aos estilos de vida, à saúde, à alimentação adequada e à soberania alimentar. E também a um meio ambiente equilibrado e livre de poluição, entre outros. Entretanto, ainda não houve resposta alguma das Nações Unidas.

Confira as solicitações aos Relatores Especiais da ONU:

  • Inste os governos da Argentina, Brasil e Paraguai a suspender/revogar todas as autorizações para o cultivo comercial do trigo transgênico HB4
  • Recomende ao governo do Paraguai que revogue a Resolução 556/2023 – por meio da qual o trigo transgênico HB4 foi aprovado – e que reforme a estrutura regulatória para organismos geneticamente modificados (OGMs), por meio de um processo aberto, transparente e participativo, com ênfase especial na necessidade de proteger os direitos dos povos indígenas e das comunidades camponesas
  • Recomende que o governo da Argentina revogue a Resolução 27/2022, que se baseia apenas em informações documentais da Bioceres, a empresa que desenvolveu a variedade de trigo transgênico, e institua uma proibição adequada do cultivo de trigo transgênico no país
  • Recomende que o Conselho Nacional de Biossegurança do Brasil proíba o cultivo comercial de trigo transgênico e suspenda a decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que permite a importação de grãos e farinha de trigo transgênico para o país, e promova uma revisão da legislação de biossegurança por meio de um processo participativo aberto, transparente e democrático
  • Recomende que os governos da Colômbia, África do Sul, Nigéria e Indonésia instruam suas autoridades de biossegurança a revisar as aprovações de importação de trigo GM e iniciar uma moratória em todas as aprovações (autorização de produto, importação e liberação ambiental) de culturas Geneticamente Modificadas.

Confira as entidades que assinam o documento:

Accion Ecologica

Associação Nacional para a Promoção da Agricultura Biológica

Base Investigaciones Sociales

Alianza Biodiversidad

Instituto de Salud Socioambiental (InSSA)

Amigos de La Tierra Uruguay

Rap Al Uruguay

Grain

Movimento Ciência Cidadã

Semillas

ETC Group

Trigo transgênico, pão envenenado e engano

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Por Sustainable Pulse

O trigo transgênico deu um passo em direção ao cultivo nos Estados Unidos. E embora não haja investigações conhecidas sobre se é seguro comê-lo, na Argentina a polêmica farinha já está sendo consumida. É uma história de agronegócio, violação de direitos e confirmação do escândalo de experimentação na população.

O Departamento de Agricultura dos EUA aprovou o cultivo de trigo transgênico. É mais uma confirmação de como um grupo muito pequeno de pessoas poderosas decide sobre a alimentação, a saúde e o sofrimento de grandes setores da população. O primeiro trigo transgênico do mundo, da empresa argentina Bioceres e da multinacional Florimond Desprez (França), é cultivado com o perigoso agrotóxico glufosinato de amônio [proibido na União Europeia]. Abaixo, uma análise das mentiras e violações de direitos associadas aos OGMs.

O trigo transgênico HB4 é um passo sem precedentes no avanço do agronegócio sobre os direitos das populações. O pão, um alimento tão antigo quanto central na vida das pessoas, está sendo transformado em um produto com riscos à saúde.

Os parceiros de mídia do agronegócio relataram a notícia dos Estados Unidos. Eles até a descreveram como um “marco” para a agricultura nacional. Apenas 24 horas depois, a empresa Bioceres emitiu sua posição no X (antigo Twitter): “A safra de trigo HB4 chegou aos EUA. A tecnologia HB4 é a única tecnologia tolerante à seca no mundo, e esta nova aprovação mostra que a ciência argentina continua liderando o caminho na busca de soluções para os principais desafios globais.”

No entanto, a Infobae, com base em informações da Reuters, ressalta: “De acordo com o grupo industrial US Wheat Associates, antes que o trigo HB4 tolerante à seca possa ser comercializado nos Estados Unidos, medidas adicionais, incluindo testes de campo, ainda são necessárias. ‘Levará anos para a Bioceres concluir as etapas adicionais’, disse a organização.”

O primeiro trigo GM do mundo é um grande passo para o agronegócio e um passo para trás para a população mundial. No momento, ‘apenas’ a população da Argentina é a cobaia com a qual a farinha GM (consumida em produtos como pão, doces, macarrão e empanadas) está sendo testada. A mudança para a desregulamentação nos Estados Unidos é um sinal de alerta para outros países e mercados para onde o grão é exportado.

Há muitas razões para rejeitar (ou pelo menos questionar) o trigo geneticamente modificado:

  • Não há evidências publicamente disponíveis de sua inocuidade para a saúde da população e o meio ambiente.
  • Os supostos ‘estudos’ da empresa Bioceres-Florimond Desprez são confidenciais. Nenhum cientista independente, nem o público, tem acesso a esses artigos.
  • Embora seja anunciado como “resistente à seca”, não há evidências públicas que sustentem essa alegação. Ao mesmo tempo, é cínico que o mesmo modelo (agronegócio) que está no centro da crise climática esteja agora sendo oferecido como parte da suposta solução para o desastre que eles produziram.
  • Estudos oficiais disponíveis mostram que ele é menos produtivo que o trigo convencional.
  • A Comissão Nacional de Biotecnologia (Conabia), o órgão central para aprovações de GM na Argentina, é totalmente dominada pelas mesmas empresas que vendem OGMs. Isso é tão incomum quanto escandaloso: as mesmas pessoas que enviam os pedidos de autorização são as que votam a favor de autorizá-los.
  • O estado argentino não realiza seus próprios estudos independentes para aprovação de OGMs. E os ‘estudos’ das empresas são ‘confidenciais’, secretos.
  • Mais de 1.000 cientistas do CONICET [Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas, órgão do governo argentino] e de 30 universidades públicas denunciaram os riscos do trigo e da farinha transgênicos.
  • O caso da acadêmica Raquel Chan [pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET), diretora do Instituto Agrobiotecnológico do Litoral, professora titular da Universidade Nacional do Litoral (UNL) e desenvolvedora do trigo transgênico] e do CONICET é emblemático de uma ciência viciada a serviço do setor econômico e com consequências negativas para as pessoas (mais pesticidas, mais desmatamento e mais pressão sobre terras camponesas e indígenas, entre outros).
  • “É uma patente nacional”, comemoram os jornalistas acríticos da Argentina. Mas nem a Bioceres, nem Raquel Chan, nem o CONICET, nem a UNL explicaram como, se é que isso aconteceria, essa patente beneficiaria as instituições públicas da Argentina.
  • Na Argentina, você pode eleger presidentes e legisladores, mas não tem permissão para escolher comer alimentos livres de transgênicos. Não há rotulagem de produtos transgênicos no país. Portanto, por causa de uma decisão tomada por uma dúzia de pessoas (da ciência e da política), toda a população pode estar comendo produtos assados ​​transgênicos sem poder escolher.

De parceiros, cúmplices e povos

O avanço dos OGM na Argentina começou com Carlos Menem [presidente da Argentina de 1989 a 1999] e tem sido política de estado com todos os governos subsequentes. No caso do trigo, Mauricio Macri não avançou com a aprovação do HB4. Foi o governo peronista de Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner que, via Julián Domínguez à frente do Ministério da Agricultura, deu o sinal verde final (maio de 2022).

Curiosidades: Em fevereiro passado, o jornal La Nación noticiou que o ex-presidente é acionista da Bioceres. A mesma empresa cujos fundadores incluem Gustavo Grobocopatel (“o rei da soja”) e cujo acionista é o multimilionário Hugo Sigman, que foi apresentado durante a pandemia como um quase benfeitor e produtor de vacinas e fez grandes negócios com a vacina da Covid. Ao mesmo tempo, é um promotor do extrativismo (agronegócio e silvicultura).

Entre os movimentos camponeses, agricultores familiares, povos indígenas, produtores agroecológicos e organizações socioambientais, não há dúvidas: eles não precisam nem querem trigo transgênico. A campanha “Não com nosso pão!” é muito clara: “O trigo transgênico não visa resolver o problema da fome, mas favorecer as exportações do setor agroindustrial. Já vivenciamos isso com a soja transgênica: o que mudou e como isso beneficiou o tecido social argentino?”

Enquanto isso, organizações na América Latina, África e Ásia denunciaram os efeitos nocivos do trigo GM. Em um documento detalhado de 14 páginas, movimentos sociais, camponeses e povos indígenas solicitaram a intervenção de relatores especiais das Nações Unidas (ONU) devido aos riscos à alimentação, à saúde e ao meio ambiente representados pelo Trigo OGM da Bioceres. Eles confirmaram que não há estudos independentes confirmando sua inocuidade, denunciaram o perigoso herbicida glufosinato de amônio e também apontaram que ele é menos produtivo do que o trigo convencional.

“Não ao trigo transgênico. Aliança global busca intervenção da ONU contra o cultivo do trigo transgênico HB4”, é o título do comunicado da organização internacional GRAIN, que relata a forma inusitada – e irregular – com que o trigo transgênico foi aprovado na Argentina, no Brasil e no Paraguai: com base em supostos estudos da empresa que o comercializa e com documentação confidencial.

Ao mesmo tempo, há inúmeros exemplos de cultivo de trigo agroecológico, sem OGM ou agrotóxicos, com muito bons rendimentos e lucratividade.

A história da agricultura tem mais de 10.000 anos. O modelo do agronegócio, filho da chamada “Revolução Verde” (meados do século XX), tem apenas setenta anos, um breve momento na história da produção de alimentos. Tempo suficiente para mostrar que essas [alegações sobre os benefícios do trigo GM] são enganos* que os povos da América Latina não aceitam mais.


Fonte: Sustainable Pulse

Organizações sociais do Sul Global consideram o trigo transgênico inseguro e um fracasso de baixo rendimento

trigo limpo

Por Sustainable Pulse

Em um documento conjunto, organizações da Ásia, África e América Latina afirmam que o trigo HB4 OGM da empresa Bioceres não foi testado quanto à segurança e é menos produtivo que o trigo convencional. A história é relatada pelo jornalista argentino Dario Aranda em artigo em espanhol na publicação Pagina12. O seguinte relatório da GMWatch é amplamente baseado no artigo de Aranda.

As organizações, da América Latina, África e Ásia, denunciaram os efeitos nocivos do trigo geneticamente modificado, que já é consumido na Argentina e ameaça chegar a outros países. Em um documento detalhado de 14 páginas, movimentos sociais, camponeses e povos indígenas solicitaram a intervenção de relatores especiais das Nações Unidas (ONU) devido aos riscos para a alimentação, a saúde e o ambiente que representam o OGM produzido pela empresa Bioceres.  Os signatários afirmam que não existem estudos independentes que confirmem a sua segurança, e denunciam o perigoso herbicida glufosinato de amônio, que foi concebido para tolerar, e afirmam que o trigo geneticamente modificado é menos produtivo que o trigo convencional.

“Não ao trigo geneticamente modificado. Aliança global busca intervenção da ONU contra o cultivo do trigo transgênico HB4”, é o título do  artigo  da organização internacional  GRAIN , que relata a forma incomum – e irregular – como o trigo transgênico foi aprovado na Argentina, no Brasil e no Paraguai – com base em supostos estudos da empresa que o comercializa e com documentação confidencial.

Nenhum estudo confiável

Entre outros aspectos fundamentais, as organizações destacam que a população argentina está sendo alimentada com farinha contendo um OGM carente de estudos sanitários e, além disso, contaminada com o agrotóxico glufosinato de amônio (mais letal que o conhecido glifosato e proibido na União Europeia).

“A aprovação do trigo HB4 tem causado muita preocupação num amplo setor da sociedade, porque o seu plantio e consumo violará direitos humanos, como o direito à vida, à saúde, à alimentação adequada e à soberania alimentar, a uma sociedade equilibrada e poluente. ambiente livre, ao acesso à terra e ao território, ao direito à autodeterminação dos povos e comunidades locais”, diz o documento, que foi dirigido a sete Relatores Especiais da ONU.

Como resultado, solicita que instem os governos da Argentina, Brasil e Paraguai a suspenderem as autorizações para o cultivo de trigo geneticamente modificado HB4. Os destinatários são Marcos Orellana (Relator sobre Substâncias Tóxicas e Direitos Humanos), David Boyd (Direitos Humanos e Meio Ambiente), Michael Fakhri (Direito à Alimentação), Pedro Arrojo-Agudo (Direito à Água Potável), Olivier De Schutter (Pobreza Extrema e Direitos Humanos), Francisco Cali Tzay (Direitos dos Povos Indígenas) e Tlaleng Mofokeng (Direito à Saúde).

Direito à Alimentação

O trigo geneticamente modificado foi desenvolvido e comercializado pela empresa argentina Bioceres-Indear, onde Raquel Chan, cientista do Conicet e da Universidade do Litoral, desempenhou um papel fundamental. A Comissão Nacional de Biotecnologia da Argentina (formada exclusivamente por promotores do agronegócio, incluindo gestores de multinacionais) deu luz verde em 2018, a portas fechadas e sem publicar os estudos em nenhuma revista científica. A aprovação final ocorreu em maio de 2022, quando Julián Domínguez (então Ministro da Agricultura) deu luz verde ao pedido da Bioceres-Indear (a assinatura administrativa foi fornecida por Luis Contigiani).

Em março de 2023, a empresa Bioceres-Indear  informou  que 25 moinhos já misturavam trigo geneticamente modificado com trigo convencional para distribuição gratuita. Este é um fato de importância global: pela primeira vez o trigo geneticamente modificado está presente nos alimentos de consumo em massa (pão, pizzas, empanadas, macarrão e todos os usos da farinha). E, o que é ainda mais grave, a população não tem como identificar se está ou não consumindo um produto geneticamente modificado: na Argentina não há rotulagem geneticamente modificada.

Elizabeth Bravo, membro da organização Acción Ecológica de Ecuador e uma das promotoras do documento dirigido às Nações Unidas, lembrou que a Argentina é um país exportador de trigo e destacou o risco para a população do Equador: “O trigo é fundamental na dieta dos Equatorianos, como para muitos outros povos do mundo, porque está presente desde o café da manhã até o jantar. Seria terrível se começássemos a comer trigo que é geneticamente modificado e que também contém grandes resíduos de pesticidas, como o glufosinato de amônio.”

Uma lacuna tecnológica

Leonardo Melgarejo  é membro do Movimento Ciência Cidadã no Brasil e membro da Uccsnal (União dos Cientistas Comprometidos com a Sociedade e a Natureza na América Latina). Salientou a enorme gravidade do facto de não ter havido uma avaliação científica do impacto do trigo geneticamente modificado na saúde da população. “Este OGM tornou-se um problema internacional, por isso esta ação conjunta tem sido realizada por organizações de três continentes. Este trigo contamina a alimentação básica da população e sem dúvida contribuirá para a apropriação de terras para poucas mãos e para o impacto na água, na vida camponesa e nos povos indígenas”, afirmou.

Fernando Frank, pesquisador argentino, agrônomo e membro da Uccsnal, apontou uma questão central que expõe o entusiasmo corporativo e da mídia sobre o trigo Bioceres. “O trigo HB4 é um fracasso de produção. É um escândalo porque, além dos impactos negativos na saúde e na alimentação, estão a vender uma tecnologia que promete produzir mais mas na realidade produz menos, como confirmam os dados certificados pelo Estado”, disse Frank.

Frank e Melgarejo são dois dos autores da publicação científica “Controversia por el pan nuestro día de cada día ” (“Controvérsia sobre o pão nosso de cada dia”), publicada no final do ano passado, que confirma que o trigo geneticamente modificado é menos produtivo do que trigo convencional. Assinado pelos pesquisadores Gabriel Bianconi Fernandes e Rubens Onofre Nodari, o artigo, com tabelas e números do Ministério da Agricultura argentino, mostra que o trigo transgênico é menos produtivo que sua variante convencional. “Os rendimentos (do trigo geneticamente modificado) foram significativamente inferiores à média de trigo do país. A conclusão é que o maior rendimento da variedade HB4 – principal vantagem anunciada pela Bioceres – não foi comprovado em campo”, confirma o estudo científico.

Como aponta o  documento conjunto das organizações, dados do Ministério da Agricultura argentino mostram que na temporada 2021/2022, os rendimentos do HB4 foram muito baixos – 2,42 toneladas por hectare, 17% menos que a média.

Aranda relata que em 2020, mais de mil cientistas ligados à principal agência de pesquisa argentina, Conicet, e a 30 universidades públicas da Argentina  condenaram  a aprovação do trigo HB4 e alertaram sobre os riscos à saúde da população e até à produção agrícola e aos direitos humanos. . “Esta autorização refere-se a um modelo de agronegócio que se revelou prejudicial em termos ambientais e sociais, é a principal causa da perda de biodiversidade, não resolve os problemas alimentares e ameaça ainda mais a saúde do nosso povo ao ameaçar a segurança e a soberania alimentar”, iniciava a carta, dirigida ao governo nacional e às autoridades do Conicet.


color compass

Este texto escrito originalmente em inglês foi publicado pela Sustainable Pulse [Aqui!].

Do glifosato ao glufosinato: o aprofundamento de um modelo de deterioração socioambiental na Argentina pelas mãos da “geração HB4”

trigo limpo

Por Coletivo Trigo Limpo

Este trigo, projetado para tolerar o estresse hídrico e o herbicida glufosinato de amônio, é um novo recurso técnico-científico para expandir um modelo de agricultura extrativista baseado no objetivo de produzir commodities e ganhar dólares, de mãos dadas com práticas que aumentaram a concentração de riqueza , a exclusão das populações rurais e indígenas, bem como a deterioração da saúde humana e do meio ambiente.

A recente resolução 2022-27APN-SABYDR#MAGYP publicada em 12.5.2022 autoriza a liberação comercial do Organismo Vegetal Geneticamente Modificado (OGM) trigo IND-ØØ412-7 (Hb4).

Este trigo, projetado para tolerar o estresse hídrico e o herbicida glufosinato de amônio, é um novo recurso técnico-científico para expandir um modelo de agricultura extrativista baseado no objetivo de produzir commodities e ganhar dólares, de mãos dadas com práticas que aumentaram a concentração de riqueza , a exclusão das populações rurais e indígenas, bem como a deterioração da saúde humana e do meio ambiente.

As práticas hegemônicas da agricultura industrial estão fortemente relacionadas ao desmatamento e contaminação por agroquímicos (Angelsen e Kaimowitz 2001), com a deterioração da fertilidade do solo, do patrimônio genético, com o despovoamento rural, com maior desigualdade, com a perda da soberania alimentar, e com o aumento dos conflitos territoriais, entre muitos outros problemas que podemos citar.

Na Argentina, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca (MAGyP), desde a autorização da soja RR em 1996 até a primeira variedade transgênica de trigo aprovada em 2020, foram autorizados 62 eventos transgênicos. Cinquenta deles foram projetados para serem tolerantes a pesticidas. A maioria foi solicitada por 9 empresas transnacionais, lideradas pela Monsato-Bayer, que é responsável por 25 dessas variedades transgênicas. Além disso, é notável o aumento da introdução de caracteres combinados em variedades geneticamente modificadas que foram aprovadas em nosso país (também chamadas de “eventos empilhados” segundo Pilacinski et al. 2011). É o caso de várias variedades transgênicas nas quais foram introduzidos genes de tolerância conjunta ao glifosato e ao glufosinato de amônio. De acordo com o banco de dados MAGyP, existem atualmente 23 eventos transgênicos aprovados com tolerância conjunta a ambos os herbicidas, principalmente em variedades de milho, soja e algodão. Há também eventos de tolerância a outros herbicidas como dicamba e 2,4D, entre outros.

A isso se soma a recente aprovação do trigo transgênico HB4, tolerante à seca e glufosinato de amônio. A República da China aprovou recentemente a comercialização de soja tolerante à seca mais glifosato e glufosinato de amônio, um desenvolvimento produzido entre o CONICET e a empresa Bioceres, previamente aprovado na Argentina em 2018 (base de dados ArgenBio 2022). A notícia teve pouca repercussão na mídia, mas a aprovação da China, maior compradora de soja da Argentina (Sly 2017), sem dúvida resultará não apenas em maior contaminação por agroquímicos, o que por si só já é muito alto e inaceitável, mas também na expansão das lavouras de soja em detrimento dos ecossistemas semiáridos na Argentina. Desmatamento de ecossistemas secos tropicais e subtropicais (Grau et al. 2005; Aizen 2020) é uma prática claramente irresponsável no contexto dramático da mudança climática global que estamos passando (Siyum 2020). Nesse sentido, cabe destacar que os atuais modos de produção e apropriação da natureza em sinergia com as mudanças climáticas derivadas do aquecimento global e a consequente perda da biodiversidade, aproximam perigosamente a biosfera dos limites da possibilidade da própria vida. Por isso, é urgente pensar em novas formas de produzir alimentos saudáveis ​​em contextos socioambientalmente justos, ao invés de continuar repetindo a mesma receita que está gerando tantos problemas. Embora o desenvolvimento do trigo Hb4 seja promovido como uma solução combinada para o problema da seca e da fome, o resultado provável é que servirá apenas para aprofundar ambos os problemas,

Hoje sabemos que os problemas socioambientais que enfrentamos são de natureza complexa, envolvem múltiplos atores e se expressam em várias escalas de espaço e tempo. Por isso, sua abordagem requer um tratamento interdisciplinar e instâncias de participação democrática que possibilitem um diálogo horizontal entre o conhecimento científico e o conhecimento das comunidades e povos indígenas que lidam com esses problemas em seus territórios. Sabemos que a ciência tem contribuído para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, mas também destacamos que muitos dos desenvolvimentos técnico-científicos atuais estão impactando negativamente, sendo funcionais ao atual sistema produtivo e grandes responsáveis ​​pela crise ambiental em que vivemos nos encontramos, nos encontramos imersos Ciência e Tecnologia, como qualquer outra atividade humana, não são neutras e, sem dúvida, são atravessadas por valores e interesses. Por isso, suas prioridades e seus significados devem ser objeto de um amplo debate social, que enseje acordos sobre como queremos viver em territórios que produzam alimentos saudáveis, com projeção para níveis mais elevados de equidade e justiça socioambiental . Mas esse debate necessário é notável por sua ausência.

É preocupante a insistente instalação da imagem de cientistas destacados para justificar o desenvolvimento de políticas que nada mais são do que funcionais aos interesses econômicos ligados aos setores concentrados do poder. Apelam-se a visões tendenciosas, setores particulares do campo acadêmico que partem de saberes que são fragmentos e reduções da realidade e que assumem interesses e critérios éticos particulares. Ao contrário, os demais setores que não concordam com essa visão hegemônica são constantemente menosprezados, apresentando-os como obstáculos ao desenvolvimento do país, ainda que o acúmulo de evidências científicas não acompanhe, mas contrarie essas visões hegemônicas, reducionistas e sem licença comunitária.

Após mais de 25 anos de sua instalação e constante expansão, os impactos do modelo soja são visíveis. Os benefícios da semeadura direta para a conservação do solo desmoronaram com a introdução do pousio químico à base de glifosato. Sucessivas evidências de deterioração nos agroecossistemas e na saúde surgiram, detectadas e denunciadas por cidades fumigadas e ilustradas pelos resultados de inúmeras investigações científicas. Também pelo triste destino sofrido nas últimas décadas pelas florestas do Chaco, seus habitantes e sua biodiversidade, devastada pela ganância ilimitada no que diz respeito ao desempenho econômico do agronegócio. Da mesma forma, a promessa de crescimento e bem-estar está em desacordo com os níveis crescentes de dependência econômica, com o aumento escandaloso da pobreza,

O nosso país, submerso numa das suas piores crises económicas, com custos sociais extremamente elevados, e no contexto de uma crise socioeconómica global marcada por interesses geopolíticos, assim como ganância e intolerância, enfrenta desafios profundos, sendo um dos principais a necessária a transição do modelo extrativista para formas de produção e consumo solidárias, amigas do meio ambiente e da saúde de nosso povo, que contribuam para o bem viver. Apesar disso, o governo nacional decide mais uma vez optar pela continuidade da expansão de um modelo agroexportador que aprofunda a primarização da economia, concentra a riqueza e privilegia os retornos de curto prazo de alguns sobre o bem-estar da população. Mesmo multiplicando a bateria de agroquímicos já utilizados: herbicidas, inseticidas e fungicidas, que, somado à aprovação da Hb4 de trigo e soja, autoriza formalmente o uso do glufosinato de amônio. Apesar de vários funcionários e pesquisadores afirmarem desde a primeira instância de aprovação do trigo Hb4 em 2020 que os transgênicos que conferem tolerância ao glufosinato de amônio a esse evento eram apenas marcadores residuais da técnica usada para introduzir tolerância à seca, e garantiram que o glufosinato não seria utilizado em culturas, não há dúvida de que isso não corresponde aos termos da aprovação ou à política de comercialização da empresa Bioceres. Os próprios fundamentos da Res.27/2022 do MAGyP mencionam um parecer que -referindo-se ao glufosinato de amônio-, afirma que “estima-se que isso será uma nova alternativa para otimizar o controle de plantas daninhas na cultura do trigo e aumentar a produtividade em situações de estresse hídrico”. O glufosinato de amônio é um produto químico cujo risco é classificado pelo SENASA como faixa azul (15 vezes mais tóxico que o glifosato catalogado na faixa verde).

Para entender mais claramente qual é a lógica desses desenvolvimentos para perpetuar o agronegócio, é interessante conhecer o depoimento de quem os promove e se beneficia economicamente deles. Durante o 2020 China Formulation Innovation Summit, o diretor de P&D da Dow Chemical Asia Industrial Solutions, Dr. Jeff Mu, fez a seguinte pergunta para os participantes da indústria agroquímica da China: “Qual é o desenvolvimento sustentável da indústria agroquímica da China? A resposta do CEO Rajan Gajaría, vice-presidente executivo de Plataformas de Negócios da Corteva Agroscience, foi contundente “Não temos uma estratégia de sustentabilidade, temos um negócio que é sustentável”. De acordo com a meta para 2030 dessa empresa, sustentabilidade é uma espécie de interação entre sua produção e “soluções” para a sociedade como estratégia de negócios. Uma confissão de partes, retransmissão de provas. Da mesma forma, a empresa Bioceres comercializa seus novos eventos Hb4 soja e trigo como um “pacote tecnológico” que inclui o herbicida glufosinato de amônio, como pode ser visto em anúncios e treinamentos na WEB (ver:https://youtu.be/Jp2fBFJCVJE a partir do minuto 3.05).

Um aspecto fundamental para entender a tecnologia dos eventos empilhados é que, como na maioria das embalagens da agricultura transgênica, eles constituem uma “estratégia de negócios” para a venda cada vez maior de herbicidas e outros agroquímicos, sem levar em conta os danos que causam. causar saúde e meio ambiente. É importante considerar que muitas das empresas de sementes que produzem variedades transgênicas, principalmente as quatro maiores do mercado global (chamadas “Big 4”), também produzem e comercializam herbicidas, multiplicando assim seus lucros ao aumentar a dependência dos produtores ao impor a pacote tecnológico. Os valores éticos, políticos, sociais e ambientais associados a este tipo de lógica mercantilista nada têm a ver com o bem-estar do nosso povo,

No caso do glufosinato de amônio, Tianyu Dong (2020) mostrou que a exposição a esse herbicida durante o período pré-natal gera atividade locomotora reduzida, produzindo mecanismos de memória prejudicados e comportamentos semelhantes ao autismo em modelos experimentais de mamíferos. Outra investigação relevante do ano de 2018, publicada no International Journal of Environmental Pollution da Universidade Nacional Autônoma do México, constata que o glufosinato de amônio altera a qualidade (morfologia, mobilidade) e o DNA do esperma de mamíferos. De fato, a União Européia (Regulamento (CE) nº 1107/2009) determina que esta substância é proibida para todos os usos na categoria de “pesticidas”. Não há muito mais a acrescentar sobre os danos que -se não houver volta- este novo pacote tecnológico causará à saúde, apenas alertar sobre qual é o destino de grande parte das exportações argentinas de trigo: outros países pobres (ou poderíamos chamá-los de zonas de sacrifício). Dada a resposta de que as possíveis consequências deste pesticida se devem ao uso indevido ou à não aplicação de “boas práticas”, basta percorrer a bibliografia disponível para analisar em que locais e grupos de organismos, em que não devem ser encontrados, foram detectados os principais herbicidas aplicados, como é o caso do glifosato.

Por tudo isso, as políticas públicas relacionadas a esse problema fazem nascer a crença de que o Estado Nacional abandona a indelegável responsabilidade constitucional de proteger a população como um todo para proteger os interesses das empresas, em especial do grupo Bioceres e da empresa de serviços pesquisa e desenvolvimento (Indear ).

Consequentemente, solicitamos ao Governo Nacional que revogue RESOL-2022-27-APN-SABYDR#MAGYP. Ao mesmo tempo, tendo aprovado a República Argentina por lei nacional o Acordo de Escazú (Lei nº 27.566), exigimos que ela honre os compromissos assumidos, facilitando o acesso à Informação e possibilitando instâncias para a participação pública nas decisões relacionadas a questões ambientais. sensíveis como os expostos aqui. Além disso, solicitamos que sejam promovidas leis, atualmente atrasadas no Congresso Nacional, que promovam e financiem o acesso a modelos alternativos de produção e consumo condizentes com abordagens agroecológicas, agricultura familiar, acesso à terra, entre muitas medidas que possam pensar como alternativas à pecuária industrial.

Bibliografia e links consultados

  • Aizen M. 2021. Desmatamento no Gran Chaco: a bomba de carbono que o mundo ignora. Mongabay, Jornalismo Ambiental Independente na América Latina.  https://en.mongabay.com/2021/06/deforestation-gran-chaco-carbon-bomb/
  • Schmidt, M., Toledo López, V., Tobías, M., Grinberg, E., Merlinsky, G.. Conflito socioambiental pelo uso de agroquímicos em Salta, Santiago del Estero e Santa Fe, Argentina. Cien Saude Colet [jornal online] (2021/mar). [Citado em 26/05/2022]. Está disponível em:  http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/conflictividad-socioambiental-por-uso-de-agroquimicos-en-salta-santiago-del-estero-y-santa-fe-argentina/17986 ? id=17986
  • Schmidt, M. e V. Toledo López. «Agronegócio, Impactos Ambientais e Conflitos pelo Uso de Agroquímicos no Norte da Argentina». Revista Kavilando, Vol. 10, No. 1, Fev. 2018, págs. 162-79,  https://www.kavilando.org/revista/index.php/kavilando/article/view/218 .
  • Angelsen, A. & Kaimowitz, D. (eds.). 2001. Tecnologias Agrícolas e Desmatamento Tropical. Editora CABI, Wallingford, Reino Unido
  • ArgenBio©, 2022. Conselho Argentino de Informação e Desenvolvimento de Biotecnologia. Culturas transgênicas aprovadas na Argentina. www.argenbio.org/cultivos-transgenicos (Acessado em 30 de abril de 2022).
  • Dong, T., Guan, Q., Hu, W., Zhang, M., Zhang, Y., Chen, M., … & Xia, Y. (2020). A exposição pré-natal ao glufosinato de amônio perturba o microbioma intestinal e induz anormalidades comportamentais em camundongos. Journal of Hazardous Materials, 389, 122152.
  • Grau HR, Aide TM & Gasparri NI 2005. Globalização e Expansão da Soja em Ecossistemas Semiáridos da Argentina. AMBIO: A Journal of the Human Environment 34(3), 265-266, (1 de maio de 2005). https://doi.org/10.1579/0044-7447-34.3.265
  • MAGyP, Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca, (acessado em maio de 2022)  https://www.argentina.gob.ar/agricultura/alimentos-y-bioeconomia/ogm-vegetal-eventos-con-autorizacion-comercial
  • Pilacinski W, Crawford A, Downey R, Harvey B, Huber S, Hunst P, Lahman LK, Macintosh S, Pohl M, Rickard C, Tagliani L & Weber N. 2011 Plantas com eventos geneticamente modificados combinados por melhoramento convencional: uma avaliação de a necessidade de dados regulamentares adicionais. Alimento Químico Toxicol. Jan;49(1):1-7. doi: 10.1016/j.fct.2010.11.004.
  • Siyum, ZG 2020. Dinâmica das florestas tropicais secas no contexto das mudanças climáticas: sínteses de drivers, lacunas e perspectivas de gestão. Processo Ecológico 9, 25 https://doi.org/10.1186/s13717-020-00229-6
  • Sly MJH (2017) A parcela argentina da cadeia de commodities da soja. Palgrave Comunicações. 3:17095 doi:10.1057/palcomms.2017.95.

Fonte: Coletivo Trigo Limpo –  colectivo.trigolimpio@gmail.com


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Este texto foi originalmente escrito em Espanhol e publicado pela BiodiversidadLA [Aqui!]