A repercussão internacional do “golden shower” de Bolsonaro pode ser mais desastrosa do que se pensa

Fosse o presidente Jair Bolsonaro minimamente orientado sobre o que significa o cargo que ocupa é bem provável que ele não tivesse reagido de forma tão figadal às imagens de multidões gigantescas aproveitando as festas de Momo para lhe mandar um duro recado. Mas a verdade que ele não é e agora não apenas o Brasil, mas boa parte do planeta já sabe que não só estamos com um presidente cabeça quente, mas como ele não possui uma boa assessoria de comunicação. E isso está sendo deixado absolutamente claro pela mídia internacional que já publicou incontáveis matérias expondo com crueza o mato sem cachorro em que o Brasil se encontra neste momento pelo simples fato de ter eleito uma pessoa que não está à altura das tarefas do cargo.

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Obviamente falo aqui da repercussão mundial aos tweets que o presidente Bolsonaro publicou na sua página oficial na rede social Twitter sobre um ato público envolvendo o agora conhecido “golden shower” (que não passa do ato de alguém urinar na cabeça de outro com o consentimento do urinado, normalmente em momentos envolvendo a prática de sexo).

Ao contrário de muitos comentaristas, não atribuo grande significado aos tweets no mero plano do respeito ao cargo que Jair Bolsonaro ocupa por ter alcançado a maioria dos votos válidos no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. É que o cargo de presidente já foi usado para coisas bem mais graves e que feriram o país de forma bem mais contundente, e ninguém veio falar em respeito à liturgia que deveria cercar o exercício da presidência da república. A privataria tucana que entregou centenas de bilhões de dinheiro público acumulado em estatais a preço de banana a uma malta de especuladores e outros tipos de chupins da riqueza nacional.

O problema para mim é outro. É que com pouco mais de 60 dias de governo Bolsonaro, a imagem do Brasil já tinha sido duramente desacreditada pelas pérolas emitidas por uma penca de ministros que trataram de demonstrar que nosso país está na mão de pessoas que, no mínimo, não entendem a importância das questões geopolíticas que determinam, entre outras coisas, quais países ocupam papéis centrais e quais são relegados ao ostracismo completo.

Mas agora não é um ministro ou ministra que tratou de colocar o Brasil numa posição de fragilidade, mas seu presidente. E isto, independente de se ter votado ou não em Jair Bolsonaro, terá consequências nas esferas econômica e política.  É que num momento em que a economia mundial passa por um instante de claro sobressalto, vai ser importante ter líderes que sejam respeitados e não tratados como instáveis e despreparados. O pior é que sinais de que estávamos sendo empurrados por vontade própria para a posição de párias da comunidade internacional já estavam claros. Agora, com essa exposição desnecessária do chefe do executivo federal, não há que ser grande expert em relações internacionais para prognosticar que as coisas que andavam ruins irão piorar.

E quem achar que a situação será facilmente resolvida com o impeachment de Jair Bolsonaro pode acabar quebrando a cara. É que mal saímos do impeachment de Dilma Rousseff e os efeitos desastrosos do golpe parlamentar estão mais do que evidentes, bem como quem foram os culpados.  Assim, qualquer tentativa de remover outro presidente eleito poderá ter efeitos imprevisíveis para um país afundado em uma grave crise econômica e social. Melhor que as elites tivessem sido menos irresponsáveis quando jogaram seu peso econômico e político para eleger Jair Bolsonaro. Parafraseando Jair Bolsonaro no tweet em que lançou o vídeo do “golden shower“, eu diria… “tirem suas conslusões”….