Dilma e o golpe: o pior ainda está por vir

dilma

Não votei em Dilma Rousseff em ambos os pleitos que ela venceu para a presidência da república do Brasil. Considero que suas ações, sob a tutela do ex-presidente Lula e do neoPT, abriram o caminho para que os partidos burgueses atacassem a democracia brasileira e os frágeis direitos que a classe trabalhadora amealhou ao custo de muito suor e sangue.

Agora, que ninguém se engane. O que está em curso no Brasil é um golpe de estado! E a finalidade deste golpe de estado é clara: iniciar um brutal processo de recolonização do Brasil sob as mãos das corporações multinacionais que ameaçam jogar o nosso país de volta ao Século 19. Resta apenas saber se a recolonização proposta pelos setores mais socialmente retrógrados vai incluir alguma forma velada de retorno da escravidão. É que o resto do script já foi declarado publicamente: privatização do Estado, entrega da soberania naiconal, regressão brutal nos direitos dos trabalhadores e uso sistêmico da violência contra quem se insurgir contra este estado de coisas.

Mas os setores que estão perpetrando esse golpe “light” já sabem que haverá resistência, pois a maioria dos brasileiros não vai aceitar que um conjunto de propostas que foi derrotado em 4 eleições presidenciais seja executado por quem não angariar os votos necessários para fazê-lo. Ainda mais que o presidente interino que lidera o golpe, Michel Temer, não tem votos nem para se eleger para síndico de prédio.

Em síntese: bem vindos à luta de classes e ao fim dos governos de conciliação. E que a classe trabalhadora possa falar mais alto!

E, sim, a saída é pela esquerda!

Voz da Alemanha sintetiza opinião da mídia internacional sobre o golpe no Brasil

Imprensa alemã vê “derrota” e “declaração de falência” de um país

Uma nação “que queria ser moderna” recua no tempo e se coloca ao lado de Honduras e Paraguai como países onde “presidentes eleitos foram afastados de forma questionável”, afirmam análises sobre o impeachment de Dilma.

Dilma Rousseff

A aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado é um dos principais destaques da imprensa europeia nesta quinta-feira (12/05).

Com o título “Um país perde”, o site Spiegel Online afirma que “o drama em torno da presidente é um vexame para um país afundado na crise”. Para o correspondente Jens Glüsing, “o grande e orgulhoso Brasil terá que se resignar a, no futuro, ser citado por historiadores ao lado de Honduras e Paraguai – e não só por causa de apresentações bizarras de seus representantes populares. Também em Honduras e Paraguai, presidentes eleitos foram afastados de forma questionável do cargo.”

Para ele, o “espetáculo indigno” apresentado pelos políticos brasileiros “prejudicou de forma duradoura as instituições e a imagem do país”. O jornalista afirma que Dilma não está sendo acusada de nenhum crime, a não ser que se considere a maquiagem orçamentária uma infração. “Mas aí todos os seus antecessores e também muitos governadores teriam de ser expulsos do cargo.”

Na análise do semanário Die Zeit, o afastamento de Dilma é “a declaração de falência do Brasil”. O jornalista Michael Stürzenhofecker afirma que o país queria se apresentar como uma nação moderna com os Jogos Olímpicos, mas o processo de afastamento de Dilma é um “recuo nos velhos tempos” e também os 31º Jogos não serão realizados numa “democracia sem máculas”.

“O processo contra Rousseff não é jurídico, mas político”, afirma o jornalista, que lembra a baixa popularidade de Dilma e a sua falta de apoio político. “O que mais move as pessoas, porém, é a casta política corrupta. O paradoxal nisso é que Rousseff precisa sair porque atacou o problema. Os investigadores da Lava Jato acusaram muitos de seus partidários. Também ela foi investigada, mas nada foi provado.”

Por fim, a análise lembra que há muitos acusados de corrupção entre aqueles que afastaram a presidente e elogia Dilma por ter deixado os investigadores agirem com relativa liberdade, sem interferir. “Isso é incomum para uma líder política que enfrentou uma pressão desse tamanho.” Para o jornalista, o processo todo “é uma derrota para o Brasil, e a recém-adquirida confiança nas instituições e na democracia está abalada. Com o impeachment, o país está a caminho de se tornar a maior república de bananas do mundo”.

No Süddeutsche Zeitung, a análise “Estes homens derrubaram a presidente” apresenta uma relação de todos os envolvidos no processo. “Na opinião de muitos juristas, as acusações são tênues, muitos chefes de Estado antes de Rousseff agiram de forma semelhante e não foram afastados do cargo. A queda de presidente é muito mais o resultado de intrigas políticas, costuradas pelos adversários de Rousseff.”

Em seguida, o jornalista Benedikt Peters apresenta o vice-presidente Michel Temer como o grande vencedor do processo e lembra que personagens-chave do impeachment, como o deputado Eduardo Cunha, são, “ao contrário de Rousseff”, acusados de corrupção.

O Frankfurter Allgemeine Zeitung analisa o processo como “uma marcante guinada à direita” e afirma que “o sucessor Michel Temer precisa carregar um peso enorme no chão de uma legitimidade frágil”. O jornalista Matthias Rüb afirma que o país necessita urgentemente de estabilidade política e lembra os problemas da economia brasileira.

Para ele, a herança do PT não é grandiosa depois de quase 13 anos de domínio, e o partido deve assumir a responsabilidade pelo atual desastre. Ainda assim, e apesar da grande recessão, “o maior país da América Latina está longe de se transformar num Estado mafioso e falido como a Venezuela”, e o combate à pobreza é uma conquista permanente.

Para o jornalista, o Brasil tem divisas suficientes, e os setores primário e secundário são estáveis. “Uma mudança rápida para melhor é possível. Mas, para isso, é necessário estabilidade política e disposição para reformas da parte do presidente interino, Michel Temer. Que Rousseff e os grandes do PT continuem falando de golpe e anunciem oposição contínua também fora das instituições políticas é algo irresponsável”, comenta.

No Reino Unido, o jornal The Guardian diz que a primeira mulher a presidir o Brasil foi afastada pelo voto de senadores que colocaram problemas econômicos, a paralisia política e irregularidades fiscais à frente do voto de 54 milhões de brasileiros que elegeram a representante do PT em 2014.

“O impeachment é mais político do que jurídico”, escreve a publicação britânica. Os senadores, diz, tiveram uma postura mais sóbria do que os deputados, que protagonizaram cenas “triunfantemente feias”.

Em artigo intitulado “Uma guerreira até o fim: Dilma Rousseff – pecadora e santa na luta do impeachment”, o correspondente Jonathan Watts diz que apesar de ser menos “corrompida” que seus acusadores, a “teimosia” e a “natureza fechada” da presidente a deixaram sem os instrumentos necessários para enfrentar a crise.

“Traída por seu companheiro de chapa, condenada por um Congresso contaminado por corrupção e insultada pelo abuso que sofreu como prisioneira da ditadura militar, a líder do Partido dos Trabalhadores sofreu um grande golpe nesta quinta-feira, quando o Senado votou pelo seu impeachment”, escreve.

Segundo o The Guardian, a presidente protestou contra a misoginia e prometeu lutar até o “amargo fim”. “Mas a batalha dela se assemelha cada vez mais a de um animal ferido cercado por predadores se preparando para matar”, diz o texto.

A publicação argumenta que a crise política e econômica não é culpa apenas de Rousseff, mas também de um Congresso fragmentado, que não permitiu a construção de uma coalizão.

O El País, que nesta quarta-feira publicou umeditorial chamando o processo de impeachment de “irregular”, destaca que os senadores falaram sobre as manobras fiscais, mas se concentraram no “catastrófico curso da economia” para justificar os votos.

A sessão plenária, que teve uma “extensão maratoniana”, transcorreu sem os excessos “chocantes” e “ridículos” vistos durante a votação do processo na Câmara dos Deputados, em abril.

O francês Le Monde diz que Temer e sua comitiva estavam prontos para o “sacrifício”. “O homem, puro produto do sistema político brasileiro, conhecedor das intrigas parlamentares, descrito pela comitiva da presidente brasileira como um ‘conspirador’, ‘traidor’ e um ‘ejaculador precoce’, que pensa há meses no trono, está prestes a chegar ao degrau mais alto do poder”, afirma a publicação.

Desconhecido do público, o filho de imigrantes libaneses encarna a esperança do fim da crise, diz o Le Monde, que acrescenta que Temer herda uma situação dramática, mas tem a confiança do mercado financeiro. O artigo questiona se presidente interino será capaz de conciliar uma sociedade dividida pelo processo de impeachment, já que ele é citado na Operação Lava Jato.

Para o Corriere della Sera, o Senado disse “sim” ao impeachment, mas Dilma ainda tem esperança de retorno. Segundo o jornal italiano, o caminho do presidente interino não será fácil. Temer terá que enfrentar a resistência de parlamentares do PT que anunciaram a “obstrução sistemática” de todas as propostas feitas por ele.

“O Brasil vive o segundo ano consecutivo de recessão severa e tudo está num impasse há meses devido à crise política”, diz a publicação. Temer vai pedir que o Congresso apoie uma forte manobra para colocar as finanças públicas em ordem e nomear novos ministros. “É preciso resultados rápidos, que justifiquem uma inversão que tem levantado muitas dúvidas, mesmo fora do país.”

FONTE: http://m.dw.com/pt/imprensa-alem%C3%A3-v%C3%AA-derrota-e-declara%C3%A7%C3%A3o-de-fal%C3%AAncia-de-um-pa%C3%ADs/a-19251950

O que os tweets da conta “fake” de Richard Dawkins mostram sobre a verdadeira natureza do golpe contra Dilma Rousseff e a democracia brasileira

Os defensores do golpe parlamentar travestido de impeachment da presidente Dilma Rousseff tem desprezado continuamente a narrativa de que no exterior este processo está sendo tratado como um mero golpe palaciano comandado por políticos corruptos contra uma governante até agora livre de processos criminais.

Pois bem, acessei a página do Twitter de uma conta que se apresenta como uma paródia da página do etólogo, biólogo evolutivo e escritor britânico Richard Dawkins e verifiquei, até com alguma surpresa, que a mesma expressa de forma irreverante o que está ocorrendo na política brasileira neste momento. Das dezenas de “tweets” que a conta “fake” de Dawkins postou ao longo das últimas semanas separei os que eu considerei mais “apetitosos” para demonstrar que, inapelavelmente, o Brasil está e continuará sendo tratado como uma república bananeira como fruto do processo movido contra Dilma Rousseff.

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Tradução: O impeachment no Brasil não é um golpe. Michel Temer e Eduardo Cunha são homens honestos, e esta cobra está salvando o peixe.

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Tradução: Os romanos tiveram um cavalo amado pelo seu imperador como um senador. O senado brasileiro tem um monte de burros controlados por dinheiro.

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Tradução: Imagens do senado canguru do Brasil. Corte votando o impeachment (também conhecido como golpe, caça às bruxas ou acobertamento de corrupção).

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Tradução: O mundo está assistindo a política do Brasil como uma “House of Cards” surrealista. Ainda assim, os pobres brasileiros estão sofrendo, e os ricos e poderosos estão sorrindo.

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Tradução: Eu fui bloqueado pelo deputado brasileiro “Golpe de Estado” @robertofreireSP. Quão democraticamente aberta à críticas. Eu deveria estar orgulhoso?

Tem cauda de golpe, mia que nem golpe, tem focinho de golpe, logo… golpe é

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Não votei em Dilma Rousseff em nenhuma ocasião em que ela foi candidata e considero o seu governo antipopular e omisso em grandes questões relacionadas à soberania nacional e a defesa dos direitos dos pobres.

Isso me faria um candidato natural a ignorar o que está acontecendo no Brasil, e deixar isso de lado em nome de uma consciência de classe acima das disputas em curso, não é? 

Não, não é.  Ao me deparar com o aterrorizante espetáculo proferido pela bancada do “sim” no último domingo e dos planos de (des) governo que Michel Temer e seus aliados já ventilam, não posso ficar “isentão” nesse processo que é, queiramos ou não, um golpe de Estado.

Alguns poderiam dizer que tudo foi feito com um verniz de respeito aos preceitos constitucionais. Mas não bastasse aquela malta de desqualificados que se apresentaram para votar em nome “Jesus, Maria e José” e pelo impeachment, há que se ter em conta que esse tipo de estratégia já foi utilizado recentemente no Paraguai e em Honduras quando se apeou Fernando Lugo e Manuel Zelaya usando a mesmíssima via, ainda que em tinturas diferenciadas.

Dito isso tudo, a minha posição é de que estamos sim diante de um golpe de Estado, promovido pelos setores da burguesia nacional mais comprometidos com a entrega das riquezas nacionais e o desmanche das parcas estruturas de desenvolvimento autônomo que foram construídas no Brasil desde a instauração do Estado Novo em 1937.

Portanto,  o impeachment de Dilma Rousseff, tem cauda de golpe, mia que nem golpe, tem focinho de golpe, logo… golpe é