ADUENF solicita audiência ao governador em exercício para discutir crise salarial da UENF

Documento protocolado nesta sexta-feira apresenta reivindicações dos docentes e cobra abertura de negociação com o governo do estado

A Associação de Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (ADUENF) protocolou, na manhã desta sexta-feira (22), um ofício dirigido ao governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, solicitando a realização de uma audiência para discutir a grave situação enfrentada pelos docentes da UENF e apresentar uma pauta emergencial de reivindicações.

No documento, a ADUENF relembra a importância histórica e estratégica da UENF para o desenvolvimento científico e tecnológico do estado do Rio de Janeiro. Criada a partir da visão inovadora de Darcy Ribeiro, a universidade tornou-se referência nacional em ensino, pesquisa e extensão, sendo a primeira universidade brasileira estruturada integralmente com professores doutores em regime de dedicação exclusiva. Atualmente, a instituição figura entre as universidades estaduais mais produtivas do país, segundo indicadores da CAPES.

Apesar desse histórico de excelência, o ofício destaca que os docentes enfrentam um longo processo de deterioração salarial e institucional. Segundo estudo elaborado pelo DIEESE e anexado ao documento, as perdas inflacionárias acumuladas entre julho de 2014 e maio de 2026 chegam a 37,61%, sendo necessário um reajuste de 60,29% para recompor o poder de compra dos salários.

A ADUENF também chama atenção para o fato de que o atual Plano de Cargos e Vencimentos da universidade encontra-se defasado, sem revisão estrutural desde 2014, além de não prever mecanismos adequados de progressão funcional, como a carreira de professor titular. Segundo o sindicato, esse cenário tem dificultado a atração e permanência de novos docentes altamente qualificados, colocando em risco a capacidade futura da universidade de manter seus níveis de excelência acadêmica.

Outro ponto ressaltado no documento é que os docentes da UENF permanecem em estado de greve desde novembro de 2025. Ainda assim, a categoria afirma ter mantido disposição permanente para o diálogo institucional, sem que houvesse resposta efetiva da gestão do ex-governador Cláudio Castro.

Entre os principais pontos da pauta apresentada ao governador em exercício estão:

  • Implantação do novo Plano de Cargos e Vencimentos da UENF;
  • Reajuste do auxílio-refeição dos servidores;
  • Revogação da lei que extinguiu os triênios dos servidores estaduais;
  • Pagamento integral da recomposição salarial prevista na Lei Estadual nº 9.436/2021, incluindo o percentual pendente de 13,06%.

Agora, os professores da UENF aguardam uma resposta do desembargador Ricardo Couto quanto ao pedido de audiência e à possibilidade de abertura de um canal efetivo de negociação com o governo estadual.

Eduardo Paes e o risco de virar um novo Celso Russomanno

Por Douglas Barreto da Mata

Para quem não sabe, o jornalista Celso Russomanno passou à história política paulista como eterno cavalo paraguaio.  Militante da causa da defesa do consumidor, com uma ampla exposição diária denunciando e “fiscalizando” abusos contra clientes insatisfeitos com bens e serviços, Russomanno era sempre “pule de 10” nas eleições nas quais concorreu.  Não ganhou nenhuma. Há várias explicações, eu resolvi escolher uma. O excesso de especialidades, ou em outras palavras, ele sempre ficou restrito a uma pauta.  Claro que esse não é o caso de Eduardo Paes, apesar dele ter se “cacifado” como novo Russomanno carioca após a surra épica que levou de Wilson Witzel. Eduardo Paes tem uma pauta mais ampla, e experiência de prefeito consagrada. É aí que a porca torce o rabo.  O eleitor fluminense, pelo menos os 80% que não escolheram seu candidato a governador em 2026, enxerga Paes como “prefeito do Rio”, e não como alguém capaz de pilotar o caos do Estado inteiro.

Ao mesmo tempo, esse “excesso de identificação” com o Rio lhe dá um aspecto, que nunca foi negado por ele, muito pelo contrário, de “carioca malandro”, de “empada do Belmonte”.  Quem não frequenta a orla da zona sul terá dificuldade em decifrar a comparação com a iguaria de um bar bem específico da cidade carioca. É disso que se trata. Eduardo Paes é uma “empada do Belmonte”, um mestre de cerimônia da balada da Farme de Amoedo, um item de “consumo” da pedra da zona sul. Por isso depende de uma capilaridade que não tem, e que a julgar pelos seus movimentos recentes, não conseguirá.

A chegada de Washington Reis, um combatente que parece ter desistido, sob a suposta soma do eleitorado de Caxias e dos evangélicos, pode trazer resultado inverso.  Ninguém diz, mas o eleitor carioca, até aqui o mais fiel e expoente de Paes, detesta tudo que vem de Caxias e arredores, bem calmo rejeita São Gonçalo e adjacências.  O carioca odeia mais a Baixada e a zona metropolitana que o interior, apesar de guardar preconceito contra tudo que não esteja no “suvaco do Cristo”. Aí mora o problema de quem construiu uma aliança imaginando que Caxias seria uma “aquisição matemática”.

Política e eleição são símbolos, mensagens, mais que números. No lado dos evangélicos, ainda que Silas Malafaia e todos os “cardeais” protestantes embarquem na campanha de Paes, o que no caso de Malafaia já foi descartado, é preciso entender que Paes representa tudo que o evangélico não gosta: A mistura religiosa, o “humor jocoso”, do tipo da alegoria da família enlatada, do chapéu Panamá (Zé Pilintra), e etc. Eduardo Paes não tem como renunciar a esse perfil, e quando tenta perde dos dois lados, parecendo falso tanto ao seu eleitor fiel, que se afasta quanto ao eleitor evangélico, que não se aproximará. Nas redes sociais, a reação de um nicho de público às tratativas recentes de Paes com os Reis revelou o quão “setorizado” ele se tornou, sendo certo que suas características mais fortes são:  Um malandro carioca lulista.

Essa face não permite um ajuste tão conservador, como o cantinho que montou em seu palanque para Flávio Bolsonaro e Washington Reis.  Por certo, na maioria das vezes, ganha quem amplia mais. No entanto, só alguns têm a capacidade de fazer isso sem parecer que “acende uma vela para Deus e outra para o cão”.