Ao unir a luta pela justiça climática à defesa dos palestinos, Greta Thunberg mostra porque é a personagem da hora

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Ao abraçar a causa palestina, Greta Thunberg mostra que a luta pela justiça climática vai além das mudanças climáticas

A ativista política sueca Greta Thunberg ascendeu meteoricamente à cena política mundial em agosto de 2018 quando iniciou um protesto inicialmente solitário contra a inação de governos e corporações frente às mudanças climáticas causadas pelo uso de combustíveis fósseis. Desde então, apesar de ser extremamente jovem, Greta se tornou uma figura de proeminência global tendo, inclusive,  liderado várias edições da chamada “Greve Climática Global“, a partir das quais ela se tornou uma voz a ser ouvida, inclusive em diversas conferências multilaterais que debatem as questões climáticas.

Por causa dessa proeminência, Greta Thunberg não é necessariamente uma figura popular tanto à direita como à esquerda. Curiosamente é da esquerda que Thunberg tem recebido acusações de ser uma espécie de agente infiltrada das corporações, muito em parte por causa das alegações não provadas de que ela seria financiada pelo megaespeculador George Soros ou até que seria neta dele.

A minha suspeita é que Thunberg gera esse tipo de rejeição, especialmente na América Latina, porque parte substancial da esquerda ainda vê a exploração de combustíveis fósseis como uma espécie de caminho necessário para o processo de desenvolvimento. Disso decorre que a mobilização exatamente contra o uso deste tipo de combustível que está associado ao aquecimento global é visto como uma espécie de colonialismo climático.

Mas agora Greta resolveu se meter em um vespeiro tão dramático quanto a questão das mudanças climáticas ao se colocar em defesa do direito dos palestinos de ter seu próprio Estado.  Além disso, Greta tem usado sua participação em atos em prol da justiça climática para defender a suspensão da agressão israelense em Gaza.  Essa adesão de Greta Thunberg tem gerado críticas dentro e fora do movimento climático, a ponto de suas manifestações serem alvo de tentativas de censura como ocorreu no domingo passado (12/11) em Amsterdam (ver vídeo abaixo).

O curioso é que no caso de Amsterdam, Greta Thunberg não apenas se negou a ser interrompida pela pessoa que invadiu o palco, como também puxou uma palavra de ordem que deve ter deixado muita gente incomodada que foi a consígnia “não há justiça climática em terra ocupada”. 

Aparentemente, o que muita gente ainda não entendeu (ou não quer entender) é que Thunberg é apenas a figura mais pública de uma geração que entende perfeitamente a gravidade da questão climática, mas que não se resume a ver o problema de forma excludente de outras questões políticas que se relacionam ao direito dos povos, como é a questão do direito à terra e à agua.

Por essas e outras, é que gostando-se ou não, Greta Thunberg é a figura da hora, e não parece pronta a sair facilmente de cena. 

‘Chega de Promessas Vazias’: ativistas ambientais anunciam data para a próxima greve climática global

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Em meio às várias crises de saúde pública, sociopolíticas e econômicas que o mundo continua enfrentando ao entrar no novo ano, ativistas climáticas estão se preparando para a próxima Greve Climática Global em 19 de março para exigir ações imediatas, concretas e ambiciosas por parte de líderes mundiais em resposta à crise climática que está em curso. Parte do que elas querem destacar na próxima greve é ​​a urgência de ações imediatas perante os desastres relacionados ao tempo e ao clima que devastaram vários países no ano passado, desde os incêndios florestais que atingiram partes da Austrália, América do Norte e América Latina, até às secas na África, e as tempestades que assolaram a América Central e o Sudeste Asiático.

“A ciência é clara: as mudanças climáticas estão exacerbando os desastres naturais ao tornar esses eventos mais fortes, mais intensos, mais frequentes e, portanto, mais destrutivos”, disse João Duccini, ativista climático do Brasil. “A crise climática não é uma catástrofe distante. Ondas de calor, secas, inundações, furacões, deslizamentos de terra, desmatamentos, incêndios, perda de moradias e disseminação de doenças – é com isso que as pessoas e áreas mais afetadas estão lidando com cada vez com mais frequência nos dias de hoje. Nossas vidas dependem de ações imediatas”.

“Já se passaram cinco anos desde que o Acordo de Paris foi assinado. Já se passaram 3 anos desde que o relatório alarmante do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi lançado”, disse Maya Ozbayoglu da Polônia. “Vários países em todo o mundo se comprometeram com promessas aparentemente ambiciosas de alcançar emissões ‘zero líquido’. Promessas vazias como essas podem ser um fenômeno muito perigoso, porque dão a impressão de que ações suficientes estão sendo tomadas, mas na verdade não é o caso, pois essas metas estão cheias de falhas, contas criativas e suposições não científicas”.

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Por mais de dois anos, jovens ativistas climáticas de todo o mundo têm feito greves e saído às ruas para exigir justiça climática. Agora, com a pandemia COVID-19, as ações tomarão diferentes formas em diferentes lugares, mas nosso apelo por #ChegaDePromessasVazias está unindo as pessoas além das fronteiras, sob o mesmo objetivo de obter ação climática imediata.

“Quando sua casa está pegando fogo, você não espera 10, 20 ou 30 anos antes de chamar o corpo de bombeiros. Em caso de emergência, você age o mais rápido que puder.” disse Greta Thunberg da Suécia.

Hub de Ação

Pela primeira vez, haverá um “Centro de Ação” para ativistas e grupos locais em todo o mundo. Será um local para obter recursos e informações, bem como uma oportunidade para trocar ideias (para ações durante a COVID-19) e de ajuda mútua. Ele será sustentado pela contribuição e participação de grupos locais de todo o mundo. O Hub irá ao ar em sua primeira versão no dia 13 de janeiro. Depois disso, ainda haverá recursos adicionais que serão adicionados.

https://fridaysforfuture.org/march19/

“A ciência é clara – a mudança climática está exacerbando os desastres naturais tornando esses eventos mais fortes, mais intensos, mais frequentes, e portanto mais destrutivos. “A crise climática não é uma catástrofe distante. Ondas de calor, secas, inundações, furacões, deslizamentos de terra, desmatamentos, incêndios, perda de moradias e disseminação de doenças – é com isso que as pessoas e áreas mais afetadas estão lidando com cada vez com mais frequência nos dias de hoje. Nossas vidas dependem de ações imediatas”.

– João Duccini, Brasil

“Se não agirmos agora, não teremos nem mesmo a chance de cumprir as metas de 2030, 2050 que os líderes mundiais continuam falando. O que nós precisamos agora não são promessas vazias, mas metas anuais obrigatórias de carbono e cortes imediatos nas emissões em todos os setores de nossa economia. Quando sua casa está pegando fogo, você não espera 10, 20 anos antes de ligar para o corpo de bombeiros; você age o mais rápido que puder.”

– Mitzi Jonelle Tan, Filipinas

“Quantas vezes devemos dizer para vocês que a temperatura está aumentando e que vocês devem parar de adicionar GEEs na atmosfera, quantas vezes nós devemos dizer para vocês seguirem a ciência, quantas vezes devemos dizer para vocês tratarem a crise como uma crise, quantas vezes devemos dizer para vocês que nós estamos cansados de palavras e que precisamos de ações. ‘Alguns de vocês, quando nos veem falando sobre isso vocês acham que é uma piada e que não sabemos do que estamos falando, agora o próximo passo é mudar o sistema’ Não se surpreendam quando substituirmos todos vocês.”

– Nyombi Morris ,Uganda

“Se os líderes mundiais quisessem para a crise climática, eles já teriam feito. A única coisa que tem sido feita por 25 anos de COP é que os líderes mundiais não querem agir ou entender a gravidade da situação. Milhões morreram por causa de suas promessas vazias; não vamos mais esperar por ação, vamos educar, agitar e organizar para um presente e futuro justos e equitativos “

– Disha A Ravi, Índia

“Isso não é sobre crenças – isso é sobre o que está acontecendo, o que nós estamos perdendo, e o que nós nunca vamos restaurar ou recuperar. Não estamos perguntando se você acredita ou não nas mudanças climáticas, na ciência ou se você acha que esta é apenas uma fase do ciclo terrestre. Estamos pedindo que você aja, nos ouça e nos proteja. Não é isso que as pessoas no poder deveriam fazer?

Você não pode nos impedir, não aceitaremos um não como resposta, mudanças estão vindo quer vocês gostem ou não.”

– Lourdes Zair, Argentina

“Viver em um país pequeno com o maior manguezal e a maior praia marítima é uma benção da natureza. Mas a mudança climática está afogando as bênçãos com negligência para nós e outros países do MAPA. E enquanto estamos sofrendo, vocês nem se quer acreditam. Escutem a ciência e tomem ações imediatas. Você não pode deixar todos morrerem pelo seu tal desenvolvimento e capitalismo. Não temos tempo suficiente para esperar que sua visão destrutiva chegue a um fim. Precisamos de ação imediata. ‘Não morra porque não tem nada para fazer; morra porque essa é a última coisa que você pode fazer. Tome ação, AGORA!!!!’”

Farzana Faruk Jhumu, Bangladesh

“Nós moramos em uma pequena ilha no sudoeste do Oceano Índico (o oceano mais quente) e o capitalismo está destruindo nossa casa. O capitalismo [e o consumismo] está matando lentamente todos nós. Mauritius é uma das últimas ilhas a ser povoada pelo homem, mas é um dos locais mais degradados do planeta. Como um pequeno Estado insular em desenvolvimento (SIDS), estamos meramente contribuindo para a crise climática, mas a vivemos (da elevação do nível do mar, às secas), assim como a Ilha da Reunião, Rodrigues e Madagascar. Precisamos começar a perceber que estamos enfrentando a maior crise do mundo, que estamos no meio de uma extinção em massa. Não importa as ações climáticas ou medidas de adaptação que tomemos, elas nunca serão suficientes a menos que os países nórdicos parem suas emissões. Vamos priorizar “meio ambiente em vez de economia” e “pessoas em vez de lucro”. Caras corporações e governos, parem de brincar com nosso futuro e ajam AGORA !! “

– Fridays For Future Mauritius

#ChegaDePromessasVazias

@fridaysforfuture

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