
A forma pela qual o Porto do Açu vem sendo implantado já mereceu dezenas de postagens neste blog. Afinal, apesar de não ser contra o empreendimento em si, o mesmo vem sendo cercado por tantas mazelas e irregularidades de toda sorte que apoiar cegamente o empreendimento seria equivalente a exercer um papel de cúmplice, coisa que não me apetece muito.
Agora, por mais que eu escreva sobre os problemas que sei que estão ocorrendo e causando diversos tipos de consequências negativas para a população do município de São João da Barra, em meio ao silêncio da maioria da imprensa e ao descaso puro e absoluto do Estado, sempre fico com a sensação que não estou tendo a capacidade de demonstrar de forma irrefutável como a situação está caótica.
Felizmente, aqui e ali, estão aparecendo testemunhos de moradores, não apenas do V Distrito que sofre o flagelo das desapropriações promovidas pela CODIN, onde ficam expostas as diferentes faces do caos social que está instalado em todo o município de São João da Barra a partir da construção do Porto do Açu. O que vai abaixo é um testemunho que está sendo disseminado por uma professora que mora no bairro de Grussaí, localizado na região costeira de São João da Barra. A leitura deste depoimento certamente me causou muita inquietação. Esperemos que cause nos leitores deste blog, a ponto de que se comecem as devidas cobranças às autoridades constituídas. Afinal, o que está descrito, não é para ser mais ignorado, como tem sido aparentemente o caso até agora.
Grussaí pede socorro!
Sou Professora e venho como representante de um grupo de moradores do bairro de Grussaí pedir encarecidamente que nos ajude juntamente com os representantes legais deste Município, pois como é do vosso conhecimento houve um crescimento desordenado da população devido a vinda de trabalhadores das Empresas do Porto do Açu de outros estados, trazendo um alto índice de assaltos, brigas, estupros causando assim um enorme Impacto Social.., pois se não é do vosso conhecimento estes trabalhadores por virem de outros estados para trabalhar nas empresas estão se agrupando/ morando em pequenas casas com 15 à 20 pessoas, onde nós moradores não temos mais paz nem sossego neste local que era considerado seguro…
Tenho duas filhas adolescente as quais foram assediadas esta semana por um grupo de homens que trabalham para uma empresa no Porto do Açu, o que me fez faltar quatro vezes o serviço para leva-las ao colégio em Grussaí por questões de segurança , e não tenho paz, informo que, várias casas foram alugadas por grupos próximo a minha casa, onde consomem bebidas alcoólicas, drogas ,brigam entre eles, e hostilizam os vizinhos; há de convir que não havia assalto e assassinatos e agora as manchetes dos jornais comprovam o grande aumento e assaltos, estupros e assassinatos todos os dias!
Sugiro que tenha um local apropriado que concentrem estas pessoas e que sejam monitorados, a fim de dar paz e sossego aos moradores local, vale lembrar que quando a empresa era de Eike Batista os trabalhadores do Açu moravam em alojamento que a OSX e OLX (LLX, grifo do blogueiro) ofereciam trazendo tranquilidade e segurança aos moradores, pois as empresas tinham controle quanto ao comportamento desses trabalhadores, assim como, se responsabilizavam por eles, lembro ainda que os alojamentos eram em locais próprios e não tínhamos problemas!
Procuramos o Sindicato da Construção Civil levando tal situação, e os mesmos nos informou que por questões de economia as empresas resolveram dar uma pequena ajuda de custo para que os trabalhadores se virassem quanto a moradia e alimentação e, tb não terem responsabilidade quanto aos mesmos, porém , ao questionar os funcionários do sindicato e pedir ajuda, os mesmos falaram que nada podem fazer nem fiscalizar, pois trata-se de economia das empresas que contratam os trabalhadores, mas temos conhecimento que o sindicato pode e deve fiscalizar como era feito na época da OSX e OLX (LLX, grifo do blogueiro), e queremos saber porque não o fazer, se o próprio sindicato sabe que estes trabalhadores vivem em condições sub-humanas!
Segue alguns questionamentos:
– Por que o Sindicato da Construção Civil não fiscaliza?
– Cadê o Prefeito de São João da Barra que tem conhecimento e não cobra dos Sindicatos?
– Será que teremos que chamar novamente a Record para fazer os mesmos questionamentos que os moradores?
– Por que o Sindicato sabendo de todos os erros das empresas não denunciam ao Ministério Público?
– Cadê o Ministério do Trabalho?
Somos a favor do desenvolvimento do Município, mas com controle e responsabilidade social das empresas que estão atuando no Porto do Açu!