
Por Vinicius R. Leite
Na tarde desta terça-feira (19/11/2013) um incêndio de causa desconhecida atingiu a Unidade de Conservação de Proteção Integral da Estação Ecológica Estadual de Guaxindiba (EEEG). Esse incêndio de proporção considerável se alastrou por uma área de vegetação brejosa no entorno da Mata do Carvão na porção Sul. A Mata do Carvão é um remanescente de florestal relictual de Tabuleiros que possui grande relevância ecológica no Norte Fluminense dada a sua representatividade e biodiversidade remanescente. O incêndio foi parcialmente controlado por equipes do INEA na última quarta-feira (20/11/2013). Porém, até à tarde desta quinta-feira ainda podiam ser constatados focos principalmente devido aos ventos que predominam na região.
No ano de 2011, outro incêndio de proporção equivalente atingiu também a vegetação de brejo situada mais ao norte na porção central da Estação Ecológica. Nesse caso, a queimada de uma área com cana-de-açúcar foi considerada como causa inicial, cujo espalhamento do fogo atingiu inclusive parte da vegetação florestal da Mata do Carvão, o que resultou em perdas para a biodiversidade devido à morte de inúmeros animais da fauna local e perda de cobertura vegetal. A mesma coisa acaba de acontecer neste incêndio.
Desde o ano de 2011 uma pesquisa científica que investiga os problemas relacionados à viabilidade de unidades de conservação no RJ vem sendo executada no Setor de Estudos de Sociedade e Meio Ambiente da Universidade Estadual do Norte Fluminense. A pesquisa inclui o mapeamento dos agentes antrópicos que possam afetar a eficácia de áreas protegidas no Rio de Janeiro. Dados preliminares conforme as figuras abaixo demonstram que no caso da EEE de Guaxindiba o incêndio atual e o ocorrido em 2011 atingiram áreas queimadas de extensão similar, entorno 300 hectares queimados para cada ano.
Apesar dos esforços de fiscalização (formação de brigadas) pelas agências governamentais para combate aos incêndios florestais, esses incêndios continuados apontam que um planejamento mais criterioso que inclua a comunidade local como parceira na conservação ambiental deva ser um caminho mais palpável para preservação dos recursos naturais locais. Diferentemente, e conforme a alegação de agricultores que vivem na área do entorno da EEE de Guaxindiba, é possível notar que além da pressão para desapropriação, haja um quadro geral de falta de incentivo político e financeiro. Incentivos que poderiam advir na forma de fomento ao desenvolvimento de atividades agropecuárias mais sustentáveis em consonância com os objetivos ambientais, o que inclui desenvolvimento de sistemas policulturais e de integração entre pecuária, lavoura e floresta, de modo a manter as comunidades no papel de conservação da terra e dos recursos naturais.
Assim sendo, e apesar de os estudos científicos mais atuais apontarem que o modelo de conservação que exclui o homem do ambiente que teve surgimento nos Estados Unidos seja insustentável, as agências governamentais brasileiras ainda continuam a utilizá-lo sem receio e também por não conhecerem a mudança de paradigma. A decisão por esse modelo de conservação retrógrado poderá, entretanto, comprometer em longo prazo a efetividade das unidades de conservação no desenvolvimento de seu papel, já que os efeitos deletérios das atividades humanas sobre o ambiente aparentemente ainda continuam descontrolados.