Novo incidente ambiental com barragem da Vale em Minas Gerais

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Barragem da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, nesta sexta-feira FOTO: UARLEN VALERIO/O TEMPO/FOLHAPRESS

 

Por diversas vezes apontei que a impunidade garantida à mineradora Vale no caso do rompimento da barragem de Fundão em Bento Rodrigues (o tenebroso Tsulama da Samarco) era uma espécie de autorização para a repetição de novos incidentes ambientais em Minas Gerais.
Como previsto hoje o estado de Minas Gerais foi palco de um novo e grave incidente ambiental envolvendo uma barragem de rejeitos pertencente à Vale, agora no município de Brumadinho que se situa na região metropolitana de Belo Horizonte.

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Vista aérea da área do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale em Brumadinho (MG) – antes e depois do incidente desta 6a. feira.

Segundo informou o jornal “O Tempo”, a Vale afirmou que possui três barragens na região de Brumadinho associadas à Mina do Córrego do Feijão. Já ao jornal Folha de São Paulo, a Vale informou que capacidade de estocagem estimada no sistema de barragens existente em Brumadinho seria de de 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos.


Como já ocorreu no caso de Mariana, vídeos mostrando a situação criada pelo rompimento desta barragem da Vale já estão circulando nas redes sociais, o que facilitará a disseminação das informações acerca da real gravidade de mais este incidente ambiental (ver vídeo abaixo).


Segundo o Portal BHAZ, a Polícia Militar de Minas Gerais informou que o rompimento da primeira barragem sobrecarregou provocou a ruptura de um segundo depósito, ampliando a gravidade do incidente ambiental de Brumadinho. Segundo o Portal BHAZ, a região central de Brumadinho está sendo evacuada, pois o caminho da lama passa pelo rio que corta a cidade e há possibilidade de inundação.

As primeiras informações confirmam que, como ocorreu em Bento Rodrigues, áreas habitadas próximas à área do rompimento foram atingidas, o que está obrigando ao Corpo de Bombeiros a agir para retirar pessoas que estão presas dentro da lama. Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais há pelo menos 200 pessoas desaparecidas na região atingida pela rejeitos que vazaram dos reservatórios da Vale, o que representa uma perda humana sem precedentes em acidentes de mineração, mesmo para os padrões brasileiros.


Como se vê, a impunidade com que foi brinda no caso do Tsulama da Samarco acabou servindo para que a Vale não realizasse o devido esforço para repetir novos incidentes ambientais na grande quantidade de depósitos de rejeitos no território de Minas Gerais. Agora, vamos ver como se comportarão as autoridades estaduais de Minas Gerais.

Mais um incidente ambiental é causado pela Vale em Minas Gerais

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Quando se falava que o incidente ambiental causado pela Mineradora Samarco (Vale+BHP Billiton) não seria o último a ocorrer a Minas Gerais, quem avisava era taxado de inimigo do desenvolvimento econômico.

Eis que na última segunda-feira (13/03) um duto da mineradora Vale se rompeu e causou mais um incidente ambiental que afetou corpos hídricos nos municípios de Congonhas, Ouro Preto.

E o pior é que até hoje os atingidos pelo TsuLama continuam a ver navios em Minas Gerais e no Espírito Santo. Se depender do governo de Minas Gerais e do governo do presidente “de facto” Michel Temer, assim também ficarão os atingidos por mais esse desastre causado pela Vale.

A questão que se coloca é a seguinte: até quando vamos tolerar tanta impunidade?

Abaixo matéria sobre este incidente pela ONG Greenpeace.

Até quando seremos reféns da Vale?

Duto da mineradora rompe no município de Congonhas (MG) e polui rios da região

Vazamento em duto da Vale causa contaminação em córregos e rios na região de Congonhas, Ouro Preto e Itabirito, em Minas. Foto: Secretaria Municipal de Itabirito/Divulgação

 

Minas Gerais carrega a dependência econômica da mineração em seu nome. E depender do minério significa se sujeitar a poucas empresas que dominam a região, patrocinam eleições e estão enraizadas na vida econômica das cidades. Nesta última segunda-feira (13), um duto da Vale se rompeu na cidade de Congonhas, na Mina da Fábrica, e atingiu os córregos e rios da região. A contaminação de rejeitos foi autuada pelo órgão ambiental e está prestes a ser esquecido. Em reportagem do Bom Dia Brasil, o secretário de Meio Ambiente de Itabirito apenas afirmou que: “o vazamento foi localizado e já estava sendo consertado por técnicos da mineradora.”

Nos corredores parlamentares, a muitos quilômetros dali, congressistas buscam “flexibilizar” o licenciamento ambiental no Brasil, que já é bastante fraco pois há carência de corpo técnico no governo para fazer as análises adequadas dos danos humanos e ambientais de obras. Há sempre o interesse das empresas em operar com menor custo possível de implementação, muitas vezes reduzindo as medidas de prevenção de danos. Isso significa que grandes empresas, como a Vale, continuam causando desastres socioambientais em seus empreendimentos. As consequências são sentidas por quem depende dos recursos naturais para sua sobrevivência, como a vulnerabilidade social e econômica nas regiões que desaprenderam a diversificar sua fonte de renda, sendo manipuladas e obrigadas a aceitar o patriarcalismo da mineração.

O emblemático caso do desastre de Mariana (MG) é apenas um exemplo de situação em que os moradores da cidade culpam os atingidos pela crise econômica após o fechamento da empresa Samarco, cujas donas são Vale e BHP Billiton. Eles se esquecem que a culpa pela falta de empregos e a crise econômica é da mineradora, que age de maneira irresponsável, matando fauna, flora, destruindo enormes regiões, que ficam sem poder realizar outra atividade econômica. Pescadores e pequenos produtores ao longo do rio Doce, e agora, no caso deste vazamento no rio Itabirito, são estrangulados pelas mineradoras. Minas Gerais, em muitas regiões, fez sua população depender da extração do minério e do comércio alimentado por ele, quando não, dos cartões sociais para quem foi atingido por um desastre. O patriarcalismo da Vale tem que acabar em prol de um desenvolvimento de estado sustentável, diversificado e inclusivo.

FONTE: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Ate-quando-seremos-refens-da-Vale/