Porto do Açu: um projeto mergulhado em problemas

O Prof. Roberto Moraes publicou no dia de ontem (21/04) uma postagem em seu blog que deverá deixar muita gente que ainda acredita no projeto do Porto do Açu com a pulga atrás da orelha (Aqui!), pois toca num ponto muito sensível que é a própria estabilidade estrutural dos quebra-mar que deverão proteger os dois terminais de atracamento. Apesar de notícias da instabilidade estrutural do Porto do Açu estarem sendo ventiladas há pelo menos dois anos, o mérito desta postagem é colocar a questão dos quebra-mar como a questão mais urgente e certamente de mais difícil solução técnica, já que a força das correntes na região é sabidamente forte. Que o digam os habitantes das localidades que ficam na saída do delta do Rio Paraíba do Sul, principalmente Atafona onde o processo erosivo continua avançando de forma impiedosa.

Mas as notícias de problemas com o Porto do Açu não se restringem a problemas de engenharia. Outra questão que volta e meia aparece, ainda que timidamente, se refere à condição em que estão vivendo os trabalhadores que atuam nas obras, aos quais estariam sendo negados condições mínimas de moradia e acesso a serviços básicos. Nesse caso, se incluiriam trabalhadores das empresas Acciona e Armatek que estariam sendo amontoados em Grussaí em residências que não possuem condições físicas de hospedá-los. As imagens abaixo me foram enviadas como demonstração dessa situação que estaria causando uma forte insatisfação não apenas entre os trabalhadores, mas principalmente nos moradores de Grussaí.

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A questão que me parece mais absurda em tudo isso é que afora uma citação de problemas num blog ou outro não há qualquer cobertura com maior profundidade de qual é a real situação do empreendimento chamado “Porto do Açu”. Se não bastassem as questões de engenharia ou as repetidas reclamações envolvendo a situação dos trabalhadores, há ainda o problema irresoluto das escabrosas desapropriações de centenas de famílias de agricultores e pescadores do V Distrito de São João da Barra, muitas das quais hoje se encontra contestadas e virtualmente paralisadas na justiça.

Enquanto isso, um dos idealizadores dessa situação, o ex-bilionário Eike Batista, anda enrolado com problemas com a CVM e com a Polícia Federal. A questão que me vem à mente é a seguinte: por que só ele? 

De saída, Sérgio Cabral assina decreto para desmatar área da Mata Atlântica para construir estrada

Não bastasse o legado ambiental vexaminoso que ele construiu ao longo de mais sete anos de (des) governo. Agora, no apagar das luzes do seu cambaleante (des) governo, Sérgio Cabral assinou o Decreto 44.704 que autoriza a remoção de 19.98 hectares do bioma altamente ameaçado da Mata Atlântica  dentro da área de amortecimento do Parque Estadual da Pedra Branca, como mostra a imagem abaixo.

mata atlântica

E mais este crime ambiental está sendo decretado com qual finalidade? Para a construção da chamada “Ligação Transolímpica”, ou seja, uma estrada! E isso tudo autorizado pelo INEA!

Esse tipo de legado não deveria surpreender mais ninguém, pois a dupla Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão impuseram um cenário de devastação ambiental e de terra arrasada, sempre com a ajuda célere do sempre lépido ex-ambientalista Carlos Minc. Agora, convenhamos, desmatar Mata Atlântica para construir uma estrada é como voltar ao Século XVI. E ainda têm a cara de pau de falar em legado! Só se for um legado de destruição ambiental e segregação social!

Porto do Açu: dragagem avança e junto com ela areia e água salgada

Ontem (31/03) falei aqui no blog de uma perícia judicial que seria feita numa propriedade rural no V Distrito de São João da Barra na chamada “Estrada da Figueira”. Uma pessoa que estava presente nessa perícia me enviou imagens da área e informações de que a areia depositada nos limites da área avaliada estaria se espalhando pela região por causa da ação dos ventos. Como essa é uma areia salgada, os danos ao ambiente e às atividades humanas acaba se tornando inevitável.

Mas há outra faceta agravando a situação que é o avanço do processo de dragagem para a construção de um canal de adução para os terminais do Porto do Açu que estão sendo construídos na área continental. Segundo me foi informado está ocorrendo afloramento de água salgada nas áreas vizinhas às obras, o que termina inviabilizando não apenas as práticas agropecuárias, mas até a realização de perícias judiciais.

Agora é que eu me pergunto: por onde andam os órgãos ambientais como INEA e IBAMA? E por que não ouvimos nada por parte da Prumo que agora é a proprietária do Porto do Açu e responsável pelas obras de conclusão do empreendimento?

Para não deixar dúvidas, posto abaixo algumas imagens da área que foi avaliada ontem e que foram tiradas sob os olhos vigilantes de vários seguranças privados. A verdade é que nada ou quase nada mudou no Porto do Açu após a saída de cena de Eike Batista. E querem saber, isto não me surpreende nenhum pouquinho!

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Governo do Rio cria farsa para favorecer a TKCSA

Órgãos estaduais, como a Secretaria de Ambiente, CECA (Comissão de Controle Ambiental) e INEA (Instituto do Ambiente), facilitam farsa de audiência pública para Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) fugir de multas e obrigações ambientais. O “encontro” está marcado para às 19h dessa quinta-feira, 27 de março, no Clube Oriente – Rua Nestor, nº 1137, em Santa Cruz.

PARE-TKCSA-300x281Num comportamento nada transparente em relação ao seu dever de gestor do Estado, cuja principal obrigação é zelar pelos interesses econômicos e sociais da população, o governo Sérgio Cabral e a Secretaria de Estado do Ambiente, entre outras pastas, não cobram da Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) seus deveres legais com o Rio de Janeiro e a nação.

Estima-se que mais de R$ 5 bilhões em recursos públicos municipais, estaduais e federais já foram aplicados na empresa.

A audiência de prestação de contas dos resultados da Auditoria Ambiental e da Avaliação Socioterritorial para cumprimento do Termo de Ajuste de Conduta (TAC 02/2012) foi marcada pela Secretaria com a antecedência obrigatória de 15 dias para sua realização sem a ampla divulgação e publicização dos documentos a serem supostamente avaliados na audiência, conforme determinam os preceitos legais estabelecidos pelos próprios órgãos estaduais envolvidos.

O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conama), por exemplo, estabelece: o empreendedor deve publicar as informações sobre a audiência no Diário Oficial do Rio de Janeiro e no primeiro caderno de, no mínimo, três jornais de grande circulação; usar meios de comunicação adaptados às especificidades locais como informativos, faixas e cartazes em lugares públicos e de grande visibilidade e divulgar a convocação na página inicial de seu sítio na internet.

É fundamental destacar que a TKCSA, apesar de ser um dos maiores empreendimentos privados na América Latina, tem causado sucessivos prejuízos sociais, ambientais, econômicos e de saúde pública não apenas aos habitantes da região oeste da cidade do Rio ou do seu entorno. Desde sua implantação, em 2006/2007, e do início de seu funcionamento, em 2010, a empresa não obteve licença de operação, ainda que sua licença de instalação tivesse sido renovada até o limite máximo de tempo permitido pela autoridade ambiental (seis anos).

Conseguiu operar graças ao Termo de Ajuste de Conduta (TAC), de 20 de março de 2012, que ampliou para dois anos o prazo para obtenção da licença. Como o prazo findará em 10 de abril, o objetivo desta “audiência pública”- feita às escondidas – é de, mais uma vez, tentar ludibriar a sociedade e os cofres públicos, colocando em risco a saúde de cidadãos, a fauna e a flora da Baía de Sepetiba.

No passado, a TKCSA, que não conseguiu implantar seu projeto de siderurgia no Maranhão, justamente pela forte resistência da população, órgãos estaduais e ambientalistas, já foi investigada por uma Comissão na Assembleia Legislativa, possui duas ações penais movidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e foi alvo de reportagens no Brasil e no Exterior.

Entre os poluentes emitidos pela siderúrgica estão o benzeno, causador de problemas neurológicos, anemia, leucopenia (insuficiência de glóbulos brancos) e trombocitopenia (insuficiência de plaquetas). Em Santa Cruz, a emissão de poluentes vem provocando uma constante “chuva de prata”, poeira de material particulado, que cai sobre casas e pessoas, causando doenças dermatológicas e respiratórias, entre outras.

Os que mais sofrem com essa irresponsabilidade são crianças e idosos, principalmente com problemas pulmonares e dermatológicos.

FONTE: http://global.org.br/arquivo/noticias/governo-do-rio-cria-farsa-para-favorecer-a-tkcsa/

Movimento “Pare TKCSA” lança blog e página no Facebook

Acabo de receber um pedido de divulgação de ativistas que estão empenhados na luta contra os efeitos devastadores que estão sendo causados pela Companhia Siderúrgica do Atlântico no ecossistema e na população que vive no entorno Baía de Sepetiba.

O endereço do blog é paretkcsa.blogspot.com.br) e a página do  Facebook é https://www.facebook.com/events/1431545387091087/?ref_dashboard_filter=upcoming) , ambas para divulgação dos malefícios que estão sendo impostos pelo funcionamento da TKCSA.

Os ativistas que estão impulsionando essas páginas lembram que a TKCSA (Thyssen Krupp Companhia Siderúrgica do Atlântico) continua a poluir a região de forma ilegal, e que os moradores daquela região estão pagando com a própria VIDA.

É preciso lembrar que o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) não assinado pelo o Ministério Público vencerá em 10 de Abril e, que em função disso, haverá uma audiência em 27/04  para decidir se uma licença definitiva para a TKCSA será concedida ou não.

MPF acata denúncia sobre acidente ecológico no Canal de Quitingute

peixe

Os leitores deste blog devem lembrar que no dia 20.11.2013 noticiei aqui um acidente ecológico no Canal de Quitingute que resultou na mortandade de um grande número de peixes (Aqui!). Pois bem, passados quase 4 meses daquele evento que ficou muito mal explicado, o Ministério Público Federal resolveu acatar uma denúncia e decidiu abrir um procedimento investigativo como mostra a imagem abaixo.

mpf quitingute

Agora vamos ver se os pescadores do V Distrito de São João da Barra vão ter uma resposta mais clara do que e quem causou um evento que até agora permanece impune.

Aliás, há que se ressaltar o papel atuante que o MPF vem exercendo na região, pois se dependesse dos órgãos ambientes estaduais, ficaríamos todos à mercê da própria sorte.

Leitora do blog faz série de perguntas mais do que convenientes sobre a situação no Porto do Açu

Agora que as festividades carnavalescas estão passando, eis que temos todos que voltar à dura realidade de uma sociedade profundamente desigual e marcada por relações de poder totalmente desequilibradas em prol dos ricos e poderosos. Para nos lembrar disso, uma leitora deste blog enviou um comentário sobre a grave situação sócio-ambiental que foi criada pelas obras do Porto do Açu..

E algumas das perguntas levantadas por essa leitora são para lá de convenientes, ainda que o (des) governo Cabral e os novos e antigos proprietários do Porto do Açu possam achar o contrário.

Porto do Açu: o martírio dos agricultores e a indiferença da justiça

Acompanhei e acompanho a luta que os agricultores travam até hoje para que a JUSTIÇA no Açu possa de fato acontecer.e…TENHO NOTADO QUE LÁ NÃO ESTÁ ACONTECENDO COM A VELOCIDADE QUE DEVERIA…POR QUE SERÁ???
Incrível é que,segundo informações que tive, existem juízes que ainda emitem mandato de desapropriação…para quem? para quê?

E quanto a salinização? Como andam os processos Ambientais Contra o empreendimento? Ou,a nova empresa “toca” a obra como se nada tivesse ocorrido ou, estivesse acontecendo aos lençóis freáticos de São João da Barra?  Salinização é CRIME AMBIENTAL GRAVE!!!

Como esta questão(entre outras) está sendo resolvida?

Parece que rasgaram a CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA no Açu.
Virou terra sem lei…parece que lá tudo pode…
E…me pergunto: MEU DEUS,QUANDO ESTE MARTÍRIO VAI ACABAR???

Salinização no Porto do Açu: TRF2 mantém apuração sobre possíveis efeitos lesivos de obras à rede de abastecimento de água

Procurador pediu a suspensão das obras que causaram os danos ambientais da salinização em São João da Barra 

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) acatou o recurso (agravo de instrumento) do Ministério Público Federal (MPF) e suspendeu a decisão do juiz da 1ª Vara Federal em Campos, que havia recebido apenas parcialmente a ação contra as empresas EBX, OSX e LLX  por conta da degradação ambiental causada por obras do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.

Na ação, o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira pediu a paralisação das obras que ocasionaram a salinização no Canal de Quitingutecom eventual alcance de áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e de água tratada para o consumo humano, no 5º Distrito de São João da Barra. Porém, a decisão do juiz, em fevereiro de 2013, considerou apenas os comprovados danos ambientais decorrentes da salinização no Canal do Quitingute, afastando as demais áreas apontadas na ação. (Processo n° 0000133-13.2013.4.02.5103)

Na decisão do TRF2, a desembargadora Maria Helena Cisne concordou com as alegações do MPF de que os danos da salinização podem não ter sido restritos ao Canal do Quitingute, podendo ter atingido ainda a rede de água para abastecimento humano em toda região.

Entenda o caso

Em janeiro de 2013, o MPF em Campos entrou com a ação, com pedido de liminar, contra as empresas EBX, OSX e LLX, do empresário Eike Batista, pedindo a paralisação de obras no Porto do Açu em consequência da degradação ambiental na área do 5º Distrito de São João da Barra. A ação aponta fortes indícios de que determinadas obras causaram a salinização em áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e de água tratada para o consumo humano. Ainda segundo a ação, pesquisas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) detectaram um índice de salinidade sete vezes maior do que o permitido para o consumo na água disponibilizada à população local pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

De acordo com o inquérito civil instaurado em novembro de 2012 pelo MPF, o aumento da salinidade no solo e em águas doces implica destruição de vegetação nativa e de restinga, danos ambientais evidentes em relação à fauna e flora, assim como a diminuição da fertilidade do solo, o aumento da erosão e o início de processo de desertificação na região.Também são réus na ação o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).

FONTE: Assessoria Comunicação Social da Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Porto do Açu: obras avançam mas com qual monitoramento ambiental?

Na minha última visita ao V Distrito fui alertado por um agricultor que o navio que escava o canal artificial que dá acesso às estruturas de construção naval no Porto do Açu estaria chegando “perto da estrada”. Agora, alertado  por uma postagem no blog do prof. Roberto Moraes, pude acessar o sítio da Prumo e verifiquei que isto é verdade, como mostra a imagem abaixo.

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O que me preocupa nessa imagem é a intrusão mais para o interior do continente de uma quantidade incalculável de água salgada. É que num terreno tão permeável, essa água tenderá a penetrar no lençol freático, até com alguma facilidade.

No evento que tivemos de salinização no V Distrito, a reação da então LL(X) e do próprio INEA foi desconsiderar a persistência do problema que teria sido “pontual”. Agora, com o prolongamento do canal, o mínimo que se esperaria é que o órgão ambiental publicizasse o monitoramento que certamente deve estar sendo realizado para se mensurar os impactos que essa alteração ambiental pode estar causando nos ecossistemas aquáticos que circundam as obras do Porto do Açu.

Cor avermelhada da água do Rio Muriáe em Itaperuna pode significar novo derramamento de bauxita

Um leitor do blog que mora em Itaperuna enviou diversas imagens mostrando um tom avermelhado nas águas do Rio Muriaé no trecho que corta o centro da cidade.  Esta situação pode significar que um novo derramamento de lama de bauxita semelhante ao que despejou 2 bilhões de litros de lama de bauxita no Rio Pomba em 2007 pode ter ocorrido. Por vias das dúvidas já foram realizadas coletas de amostras dessa água que deverá ser analisada pelo Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Por via das dúvidas, fica a indicação de que tanto a empresa Águas do Paraíba e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) comecem a monitorar as águas que estão chegando no Rio Paraíba do Sul através do Rio Muriaé.

A imagem abaixo não deixa dúvidas que algo anormal pode estar ocorrendo, pois nas margens há mesma uma coloração avermelhada que é atípica, mesmo em períodos mais chuvosos.

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