El País: Elevação do nível do mar se acelerou mais do que se pensava

Oceano passou de um aumento de 1,2 mm por ano até 1990 a 3 anuais de 1993 a 2010

MANUEL ANSEDE 

Intervenção do Greenpeace na cúpula do clima de Cancún em 2010. / GREENPEACE

Em seu documentário Uma Verdade Inconveniente, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore alertava que o aquecimento global provocaria uma elevação do nível do mar de mais de 6 metros num futuro próximo, sepultando cidades à beira-mar. Foi um dos exageros mais criticados do filme do Prêmio Nobel da Paz de 2007.

Na realidade, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, que compartilhou o Nobel com Gore, calcula que o nível do mar se elevou a um ritmo de 1,7 milímetro por ano durante o século XX. Durante o século XXI, estimam, o oceano subirá, em média, entre 0,22 e 0,44 metro em relação aos níveis de 1990.

Um novo estudo argumenta agora que as cifras do IPCC para o século XX também estão “superestimadas” e é necessário “revisar” as projeções para o futuro. Seus autores, da Universidade Harvard (EUA), reajustaram os modelos matemáticos com as últimas técnicas disponíveis e calculam que o nível do mar subiu apenas 1,2 milímetro ao ano entre 1901 e 1990.

O trabalho, publicado nesta quarta-feira na revista Nature, está longe de minimizar o problema. Os pesquisadores, liderados pela física Carling Hay, alertam que a aceleração da subida do nível do mar nas últimas duas décadas é maior do que se pensava, alcançando 3 milímetros ao ano entre 1993 e 2010.

ONU calcula que durante o século XXI o oceano subirá, em média, até 0,44 metro em relação aos níveis dos anos 1990.

O nível do mar sobe porque a água se expande à medida que se aquece e pelo derretimento do gelo terrestre. No entanto, a elevação não é uniforme, mas depende de uma multiplicidade de padrões geográficos analisados agora em detalhe pela equipe de Harvard, que também leva em conta os registros históricos das marés e os dados de satélite. Para o climatologista Jonathan Gregory, coautor dos informes do IPCC, a nova pesquisa é “um passo útil adiante”.

Carling Hay lembra que algumas projeções para o futuro “se embasam nas reconstituições do nível do mar no passado, por isso será importante ajustar esses modelos com os novos dados”.

O IPCC calcula que o nível do mar subiu 120 metros depois do último período glaciar vivido pela Terra, há uns 21.000 anos, até estabilizar-se há uns dois milênios. Depois disso, o mar ficou calmo, até que a Revolução Industrial fez dispararem as emissões de CO2, e o nível do mar voltou a subir. Um estudo recente financiado pelo Governo espanhol concluiu que o nível do oceano no litoral espanhol aumentará entre 0,6 e 0,8 metro ao longo do século XXI se nada for feito para reduzir as emissões.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/01/14/ciencia/1421258521_866105.html

 

 

Valor: ONU aponta que emissão global de gases-estufa atingiu nível recorde

Por Daniela Chiaretti | Valor

global warming

 

BERLIM  –  As emissões globais de gases-estufa atingiram níveis recordes apesar das políticas existentes para enfrentar a mudança do clima. As emissões cresceram mais entre 2000 e 2010 do que em cada uma das três décadas anteriores, aponta relatório do IPCC, braço científico das Nações Unidas.

“O que está muito claro é o fato que a tendência de aumento das emissões de gases-estufa tem que acabar rapidamente. E que todas as sociedades têm que estar a bordo”, disse em alto e bom som o indiano Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, esta manhã, em Berlim.

O sumário para formuladores de políticas sobre o relatório de mitigação da mudança do clima foi discutido, esta semana, por representantes de 195 governos e cientistas de 85 países. Trata-se do mais importante estudo sobre gases-estufa, volumes e estratégias de redução produzido no mundo nos últimos cinco anos.

Outra mensagem importante do estudo foi que a queima de combustíveis fósseis no transporte e nas indústrias respondeu por 78% do aumento total das emissões entre 1970 e 2010. A metade das emissões de gases-estufa provocadas por atividades humanas desde a revolução industrial aconteceram nos últimos 40 anos.

Aumento de temperatura

A boa notícia é que ainda é possível limitar o aumento da temperatura em 2°C até o fim do século se mudanças rápidas e drásticas acontecerem no setor de energia. O uso de combustíveis fósseis têm que ser reduzido fortemente. O uso de energias renováveis ou outras alternativas de baixa emissão — como nuclear ou queima de fósseis com sistemas que aprisionem carbono (conhecidas por CCS) –, têm que triplicar ou até quadruplicar até 2050.

O relatório diz que as promessas que os países fizeram em reuniões climáticas como a de Cancún, em 2010, são muito insuficientes, mesmo se seguidas à risca.

Ainda assim, é possível tentar manter o aumento da temperatura da Terra em 2°C até o fim do século, o que evitaria desastres naturais mais intensos do que já se têm hoje em todo o mundo. Para isso as emissões de gases-estufa têm que ser reduzidas de 40% a 70% em 2050 em relação aos níveis de 2010 e chegar em níveis perto de zero no fim do século.

O alemão Ottmar Edenhofer, um dos três presidentes do grupo de cientistas responsáveis por elaborar o relatório do IPCC, resumiu de forma simples e clara o que o estudo mostra: “As emissões de gases-estufa estão crescendo a um ritmo muito veloz, o crescimento econômico e o aumento da população são fatores que puxam esta tendência e na última década vimos um grande aumento no uso do carvão que se tornou mais barato.”

Pachauri completou que “uma das principais mensagens é que há uma necessidade sem precedentes de cooperação internacional. Não se vai conseguir nada individualmente”, disse. “A redução de gases-estufa não pode ser vista de maneira estreita, mas em um espectro largo. Políticas climáticas produzem muitos co-benefícios.”

Youba Sokona, cientistas de Máli e outro vice-presidente do grupo de trabalho, disse que “os formuladores de políticas têm que se responsabilizar sobre nosso futuro comum”. “Eles são os navegantes, têm que fazer decisões. Este relatório é um mapa amplo e claro em direção ao futuro.”

O alemão Edenhofer lembrou ainda que “as mudanças que a mitigação exige na economia serão enormes”. “Isso não quer dizer que a economia global tem que sacrificar seu crescimento econômico. Quer dizer que talvez tenha que atrasar um pouco esse crescimento.”

FONTE: http://www.valor.com.br/internacional/3515440/onu-aponta-que-emissao-global-de-gases-estufa-atingiu-nivel-recorde#ixzz2yndkUzbG

Países ricos terceirizam emissões de CO2 para emergentes

Rascunho de estudo da ONU obtido pelo The Guardian mostra que a alta das emissões na China tem relação com a produção de eletrônicos e roupas para EUA e Europa

 

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Vanessa Barbosa, de

Getty Images

Poluição do ar na China, no dia 21 de outubro de 2013Desde 2000, as emissões anuais de CO2 da China e outros emergentes mais do que duplicaram

São Paulo – A busca pela redução de custos na produção tem levado a um grave desequilíbrio na balança de responsabilidade pela emissãode dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, o gás efeito estufa vilão do aquecimento global. Se a China é, hoje, um grande poluidor, isso não se justifica, apenas, por seus meios de consumo e produção internos.

É o que mostra uma minuta do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, o IPCC, obtida pelo jornal britânico The Guardian. Segundo o estudo, as emissões de gases efeito estufa estão sendo terceirizadas pelos países ricos para os emergentes.

O rascunho explora as consequências ambientais de economias interligadas e mostra como a alta das emissões na China e demais emergentes está relacionada à produção e exportação de dispositivos eletrônicos e roupas baratas para os Estados Unidos e a Europa.

De acordo com estudo obtido pelo jornal, as emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa que aquecem o planeta cresceu duas vezes mais rápido na primeira década do século 21, do que nas três décadas anteriores.

Grande parte desse aumento originou-se da queima de carvão, diz o relatório. E muito desse carvão foi usado pelas usinas de energia na China e outras economias emergentes que produzem bens para os consumidores norte-americanos e europeus, o estudo acrescenta.

Desde 2000, as emissões anuais de dióxido de carbono da China e de outras economias emergentes mais do que duplicaram, chegando a cerca de 14 gigatoneladas (Gt) por ano. Mas cerca de 2 Gt deve-se à produção de bens para exportação. O quadro é semelhante para outras economias emergentes que produzem bens para exportação, conclui o relatório.

Na prática, a terceirização de produção não alivia a responsabilidade dos consumidores americanos e de outros países do hemisfério norte dos impactos ambientais de seus hábitos de consumo.

Uma versão editada do resumo da ONU de 29 páginas obtido pelo Guardian deverá ser publicada em abril.

FONTE: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/paises-ricos-terceirizam-emissoes-de-co2-para-emergentes