O agro é bom para quem? Estudo mostra que para o Brasil, o agro é mau

Enquanto a bancada ruralista pressiona para interferir no conteúdo de livros didáticos para limpar a sua barra para lá de suja, um estudo realizado por Yamila Goldfarb e Marco Antonio Mitidiero Junior e publicado   pela Fundação Friedrich Ebert analisou a questão tributária e dos subsídios dados ao latifúndio agro-exportador (também conhecido como “agronegócio”) e verificou com base em dados oficiais, a  existência de uma distribuição bastante desigual de crédito para os latifundiários e para os agricultores familiares (ver figura abaixo).

Além disso, apenas no caso da soja, que o estudo denomina de “a menina dos olhos do agronegócio brasileiro”, A totalidade do circuito da cadeia produtiva da soja, desde a aquisição de insumos, adubo, agrotóxicos, sementes, passando pelo óleo alimentar, farelo e biodiesel e exportações são desonerados em 100% das alíquotas de PIS/  Pasep e da COFINS e do IPI. Além de não arrecadar nada com estes tributos, o setor industrial tem direito a créditos presumidos, que podem ser utilizados no pagamento de outros tributos federais, ou, ainda, permitir que seja solicitado o ressarcimento pelo Governo Federal. Conforme estimado neste estudo, o cashback da indústria de soja é bilionário. Com isso, apenas no caso da soja, o total da desoneração na cadeia produtiva, incluindo o crédito presumido, chega a estratosféricos R$ 56,81 bilhões.

O estudo aborda ainda os impactos negativos para a saúde humana, meio ambiente, e custo da cesta básica que derivam da isenção tributária para agrotóxicos. Apesar disso, o estudo mostra que  dados do censo agropecuário mostram que entre 2006 e 2017, para um valor de produção de um real, os gastos com agrotóxicos saltaram cerca de 1200% para o algodão (R$ 0,01 para R$ 0,15), 588% para a soja (R$ 0,02 para R$ 0,14), e 102% para a cana-deaçúcar (R$ 0,04 para R$ 0,08).  Além dessa carestia, um problema bastante agudo é que 98% dos agrotóxicos consumidos no Brasil são classificados como perigoso, muito perigoso ou altamente perigoso ao meio ambiente, mas que também trazem sérias repercussões para a saúde humana e para a biodiversidade.

Um aspecto bastante interessante do estudo é a discussão sobre o papel do agronegócio no processo de desenvolvimento econômico. A partir de uma base empírica robusta, o estudo coloca em xeque a noção de que o agronegócio conduz a uma melhoria dos padrões socio-econômicos nas regiões em que suas práticas se tornam hegemônicas. Com isso, os autores do estudo afirmam que a relação entre  desenvolvimento e presença do agronegócio não pode ser diretamente relacionada ao avanço de indicadores sociais e tampouco de dinamismo econômico com distribuição de riqueza.  Com isso, eles concluem que “não à toa o “agro” precisa, portanto, de tanto marketing para moldar sua imagem“.

A conclusão do estudo é que existe, de fato, uma relação parasitária entre Estado brasileiro e agronegócio, a qual resulta em concentração fundiária, altos preços dos alimentos e conflitos territoriais socioambientais, além de beneficiar grandes corporações multinacionais.  Os autores apontam ainda que “por todos os dados e argumentos apresentados no relatório, não dá para separar a maçã podre da cesta.
Não existe “agro do bem”, pois toda a estrutura é um mau negócio para a sociedade brasileira“.

Quem desejar baixar o relatório “Agro, um bom negócio para o Brasil?”, basta clicar [Aqui!].

Fabricantes transnacionais de agrotóxicos e latifundiários são os mais beneficiados com isenções de impostos

Produtora de embalagens e artífice de desastre ambiental em Maceió, Braskem lidera a lista, que conta com as principais trans dos venenos. Dados foram usados por Haddad para pedir debate sobre cortes no orçamento

isenções tóxicas

Latifundiários e empresas transnacionais do agronegócio são as principais beneficiadas pela isenção de impostos.Faixa em protesto contra os ruralistas no Rio de Janeiro denuncia relação entre agrotóxicos e o câncer. Créditos: Agência Brasil

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As grandes empresas transnacionais dos agrotóxicos e os ruralistas são os principais beneficiados pela chamada Dirbi (sigla de  Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária) política de benefícios fiscais que acumulou R$ 97,7 bilhões em isenções de impostos somente entre os meses de janeiro e agosto deste ano.

link para o acesso inédito ao trem da alegria das isenções foi divulgada na última quarta-feira (13) e serviu de base para o ministro Fernando Haddad (Fazenda) propor um debate sobre o ajuste fiscal. Entre outros, os dados mostram que a mídia liberal – que defende cortes na saúde, educação e limitação de reajustes do BPC e salário-mínimo – é uma das principais beneficiários da desoneração da Folha de Pagamento.

“Hoje nós demos a público pela 1ª vez na história os incentivos fiscais dados a cada empresa individualmente e aos setores, de uma forma agregada”, afirmou o ministro, ressaltando que é preciso “parar de defender interesses particulares”.

Trans dos venenos

Alvo da política de privatização à toque de caixa de Jair Bolsonaro (PL) – que não conseguiu concretizar a venda em 2022 – e artífice do afundamento do solo em Maceió (AL) por exploração de sal-gema, a Braskem está no topo da lista das maiores beneficiadas pela política de isenções.

Fabricante de resinas termoplásticas usadas na fabricação das embalagens de agrotóxicos, a Braskem deixou de pagar R$ 2,2 bilhões em impostos somente nos primeiros oito meses de 2024.

Em segundo lugar na lista está a Syngenta, que se reuniu 216 vezes com o primeiro escalão do governo Bolsonaro e foi uma das principais beneficiadas com a política que “passou a boiada” e liberou agrotóxicos em série pelo governo do ex-presidente. No total, a transnacional obteve R$ 1,7 bilhão em isenção de impostas.

Entre as seis primeiras colocadas, há ainda duas empresas aéreas, que ganharam benefícios principalmente durante a pandemia. Em terceiro lugar no geral, a Tam também obteve R$ 1,7 milhão em isenções no período. A Azul Linhas Aéreas está na quinta colocação, deixando de pagar R$ 1 milhão em impostos.

Na quarta colocação, está outra empresa do ramo agrícola. A Yara Brasil – da holding Yara International, controlada pelo governo norueguês – obteve benefícios na casa dos R$ 1,2 bi. 

Ainda na casa das isenções bilionárias, completa a lista a sul-coreana Samsung, com R$ 1 bi em isenções.

Veja a lista

Principais beneficiados

Apoiadores contumazes da tentativa de golpe perpetrada por Jair Bolsonaro em 2022, os ruralistas são os principais beneficiários da política de isenção de impostos, segundo dados divulgados pela Receita Federal.

Somente no setor de adubos e fertilizantes, o governo federal deixou de arrecadas R$ 14,9 bilhões entre janeiro e agosto desse ano com a política de isenções.

Em seguida, está a desoneração da folha de pagamento, com R$ 12,2 bilhões em taxas trabalhistas não recolhidas.

Na terceira colocação vêm os agrotóxicos – identificados como “defensivo agrícolas” – com R$ 10,7 bi em desonerações.

Criada por Bolsonaro em uma medida desesperada para angariar apoio eleitoral da classe artística, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) gerou R$ 9,6 bi em isenções fiscais.

Na lista de cifras bilionárias que deixaram de ir para os caixas públicos ainda estão o setor de aeronaves, exportação de carnes e importação de produtos farmacêuticos.

Confira


Fonte: Fórum

A crise de Pezão é seletiva: arrocha salários para conceder isenções fiscais milionárias para doadores de sua campanha eleitoral

pezão petropolis

Por Flávio Serafini*

No mesmo mês em que o governo atrasou o salário de funcionários públicos, uma empresa de cerveja foi beneficiada com incentivo de R$ 687 milhões!

A Cervejaria Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava que consta como inscrita na dívida ativa do Estado por não pagamento de ICMS, recebeu no mês de novembro de 2015 incentivos fiscais no valor de R$687,8 milhões de reais. O grupo também é o 5º maior doador para campanhas eleitorais de deputados estaduais no Rio, tendo doado mais de R$ 2 milhões para PMDB, PDT, PSD, PSDC e PTC. Só para a campanha de Pezão foi R$ 1 milhão.

E foi justamente no mês de novembro que o governo estadual atrasou o pagamento dos servidores, alegando falta de recursos. Esta isenção fiscal para uma empresa devedora e financiadora de campanhas eleitorais é um escândalo e mostra como a crise na saúde, nas universidades estaduais e em todo o serviço público no Rio não é algo decorrente exclusivamente da queda do preço de petróleo, mas sim, o resultado de um modelo de governo.

Segundo a reportagem de Luiz Gustavo Shmitt e Chico Otávio, publicada hoje no O Globo (leia em http://migre.me/sHMeY), a Coordenadoria de Combate à Sonegação do Ministério Público teve acesso à base de dados da receita estadual cortada após pedir informações sobre o grupo Petrópolis. Enquanto o salário dos servidores está parcelado, as empresas amigas do PMDB receberam milhões em incentivos.

*Flávio Serafini é deputado estadual pelo PSOL/RJ.

FONTE: https://www.facebook.com/groups/forcaeacaouerj/1748330982062292/?notif_t=group_activity

Lembrar ajuda a entender: renúncias fiscais de Sérgio Cabral incluíam de cabeleireiros a boates

cabral pezao

A mídia fluminense está fazendo um esforço sobre humano para auxiliar o (des) governador Pezão a encobrir as reais razões, muito além da crise dos royalties do petróleo, da falência financeira em que o Rio de Janeiro se encontra.

O fato é que as inexplicáveis e insustentáveis isenções fiscais dadas de forma generosa por Sérgio Cabral e continuadas por Pezão ajudem, em muito, ao solapamento do tesouro estadual.

Para refrescar um pouco a memória coletiva posto abaixo trecho de uma reportagem assinada pelos jornalisticas Ítalo Nogueira e Marco Antonio Martins para o jornal Folha de São Paulo em 27.06.2011, onde são apresentados os valores das isenções e alguns beneficiários para lá de peculiares, inclusive o cabeleireiro da então esposa de Sérgio Cabral!

Agora, vir culpar as pensões e os salários dos servidores pela pindaíba em que o Rio de Janeiro se encontra, e não mencionar essas benesses fiscais, é, no mínimo, desonestidade intelectual.

Renúncias fiscais de Cabral vão de boate a cabeleireiro

Por Italo Nogueira e Marco Antonio Martins, na Folha

Entre 2007 e 2010 cerca de 5.000 empresas deixaram de recolher R$ 50 bilhões aos cofres do Estado porque obtiveram renúncia fiscal do governo Sérgio Cabral (PMDB). Dados da Secretaria Estadual de Fazenda mostram que boates, motéis, mercearias, padarias, postos de gasolina e cabeleireiros foram beneficiados. O montante da renúncia cresceu 72% em 2010, em relação a 2007. Os R$ 50 bilhões já são mais do que a metade do valor da receita tributária que foi de R$ 97 bilhões no mesmo período. Uma das empresas que se beneficiaram é a Werner Coiffeur que, nos últimos anos, cuidou dos cabelos da primeira-dama Adriana Ancelmo e do governador. A renúncia chegou a R$ 336 mil.

Com base em uma lei criada pelo ex-governador Marcello Alencar para incentivar produtores de cosméticos, Cabral ampliou os benefícios para varejistas que encomendam produtos capilares e estão incluídos no Simples da Receita Federal. A Folha identificou outros quatro cabeleireiros na listagem. Somados, os descontos não chegam a R$ 10 mil. Em nota, a rede Werner informou que não usufrui de nenhuma vantagem específica. Outras empresas pouco convencionais aproveitam-se dos descontos. É o caso de duas boates na zona sul do Rio, Termas Monte Carlo e Termas Solarium. A primeira tem fotos de camas e banheiras em sua página na internet. A outra oferece “discrição”, saunas e massagens. Aqui