Temer repete FHC e senta na cadeira antes da hora

Eu que já pensava ter visto todo o primarismo da classe política brasileira se desvelar no imbróglio do impeachment da presidente Dilma Russeff, fui, confesso, surpreendido, com a liberação de um pronunciamento antecipado à nação do vice-presidente Michel Temer (PMDB) já se apresentado como o novo supremo mandatário do Brasil (Aqui!).

Além de explicitar a ânsia de apear sua parceira de chapa do poder via um golpe parlamentar, Michel Temer também antecipou seu receituário amargo para a crise que o Brasil atravessa ao avisar que a população será chamado a fazer sacrifícios!

Tanta açodamento tem um paralelo recente na história brasileira, pois Temer praticamente repete o gesto cometido em Novembro de 1985 por Fernando Henrique Cardoso (FHC) que sentou antes do tempo na cadeira de prefeito da cidade de São Paulo numa eleição que ele acabaria perdendo para Jânio Quadros.

Além de ter se exposto antes do tempo, Michel Temer agora se arrisca a ver Dilma Rousseff repetindo o gesto de Jânio Quadros que dedetizou a cadeira onde FHC sentou após assumir a direção da prefeitura da capital paulista.

Dilma parafraseia Jânio Quadros e explica a entrega do Pré-Sal às corporações estrangeiras: Fi-lo porque qui-lo

dilma

Muitos neopetistas, inclusive a maioria de seus senadores, deve ter amanhecido hoje se perguntando sobre que raios pensava a presidente Dilma Rousseff ao decidir “negociar” com José Serra e Renan Calheiros a entrega da exploração do petróleo existente na camada Pré-Sal às multinacionais.

Eu diria que a melhor resposta que Dilma Rousseff pode dar aos neopetistas é a célebre frase atribuída ao falecido presidente Jânio Quadros: Fi-lo porque qui-lo.

É que, como bem observaram os senadores Lindbergh Farias (PT/RJ) e Roberto Requião (PMDB/PR), a proposta do tucano José Serra seria facilmente derrotada no plenário do Senado Federal se, por exemplo, dois distintos senadores do neoPT (Jorge Vianna (AC) e Walter Pinheiro (BA), não tivessem desaparecido na poeira no momento em que se aprovou a urgência urgentíssima para se discutir a privatização da exploração do pré-sal.

Para mim, a explicação não é de nem perto alguma fraqueza de vontade de Dilma Rousseff, muito pelo contrário. Dilma Rousseff sempre foi uma neoliberal desde os tempos em que secretariava em Porto Alegre para o PDT.  Quem a vendeu como algo diferente disso foi o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. 

Agora, vamos ver como ele se explica diante desta lamentável decisão do Senado no qual a sua pupila teve um papel direto e inquestionável na entrega das riquezas nacionais às corporações multinacionais, A ver!