Mudança na presidência da Petrobras agita vespeiro

Image result for paulo castello branco bolsonaro

Não sei quantos acompanharam pela televisão o momento em que surgiu a demissão do privatista Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras, mas confesso que a reação desesperada dos analistas globais ou diretamente do chamado “mercado” chegou a me causar curiosidade. É que em nome de uma suposta segurança corporativa, estes analistas caíram como vespas furiosas sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir Castello Branco e nomear o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o cargo. Mais do que rejeitar o general Silva e Luna, coisa que não ousaram fazer, os analistas apontaram para o risco de se mudar uma política de preços que hoje asfixia os brasileiros, mas que enche os bolsos dos acionistas estrangeiros.

A revoada de notícias contendo previsões catastróficas continua neste sábado e já tem gente que diz que a Petrobras perderá zilhões de reais por causa dessa troca, sem que um mísero artigo toque em um ponto central: a política privatista inaugurada por Pedro Parente e continuada por Castello Branco causaram uma explosão nos preços não apenas da gasolina e do diesel, e também do gás de cozinha. Com isso, para ter a chance de vencer o pleito presidencial de 2022, Jair Bolsonaro não teve outra alternativa a não ser sacar Castello Branco e quase certamente a política de preços que ele aplica.  É essa mudança, e não simplesmente a questão da presidência, que alvoroça a mídia corporativa brasileira que se mostra, mais uma vez, uma vassala dos interesses estrangeiros que hoje se refastelam com a política de petróleo que é aplicada pelo governo Bolsonaro. 

Há que se notar, por exemplo, que não ouvi nenhuma crítica dos analistas nervosos com o presidente Bolsonaro em relação à dolarização da gasolina que poderá elevar o preço do litro a algo em torno de R$10 até o final de 2021, ou à venda da Refinaria Landulpho Alves na Bahia pela metade do seu valor ao fundo soberano de Abu Dabi, o  Mubaala. 

Certamente há uma série de riscos para o presidente Jair Bolsonaro nesse movimento que afronta tantos interesses inconfessáveis dentro da república. Dilma Rousseff caiu por coisa semelhante, pois era vista como um empecilho para a aplicação das políticas que o governo Bolsonaro vem aplicando.  Entretanto, ao fazer esse movimento sobre a pressão da conjuntura complexa que combina elementos políticos, econômicos e sanitários, Bolsonaro abriu uma brecha para que suas próprias ações possam ser questionadas pela classe trabalhadora.  Pode parecer contraditório vindo de alguém que busca consolidar sua posição de poder, mas ao mexer na Petrobras, Bolsonaro pode ter feito uma aposta maior que as cartas que têm na mão permitiriam. Resta saber como ficarão os generais que objetivamente sustentam o seu governo.