SBT-Rio revela bastidores da corrupção com o (des) governador Pezão ocupando o insólito papel de pacificador das propinas

 

O SBT-Rio levou ao ar hoje o que promete ser  apenas o início de mais uma daquelas séries que o canal vem se notabilizando a partir da cobertura do caso do Porto do Açu.  É que nesta segunda-feira (03/04), o SBT-Rio mostrou uma matéria onde são apresentados detalhes da delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

E, pasmemos todos nós, segundo o que teria delatado Jonas Lopes Filho, o (des) governador Pezão teria transformado o seu apartamento no bairro do Leblon numa espécie de APP (Apartamento da Propina Pacificadora), pois em pelo menos um caso ele teria agido para “pacificar” os ânimos exaltados por causa da cobrança e distribuição de propinas. E pensar que nesses anos todos eram as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que ganharam notoriedade! Qual nada,  o negócio do (des) governo do Rio de Janeiro parece ter sido por para funcionar vários APPs!

A matéria vai ao detalhe de informar que o cardápio teria incluído o oferecimento de um caríssimo vinho português, o Barca-Velha, para os comensais se deliciarem enquanto discutiam a divisão do butim obtido a partir de obras públicas. Apenas para se ter uma ideia do fausto, o preço de um garrafa gira do Barca-Velha pode começar em torno de “módicos” R$ 1.348,62, mas pode chegar a “salgados R$ 3.346,20 (Aqui!)!

Abaixo o vídeo com a matéria completa que foi levada ao ar pelo SBT-RIO

E com essa matéria tendo ido ao ar,  já podemos ao menos saber que quando o (des) governo Pezão declarou que não conhecia o lado corrupto de seu mentor político, o hoje presidiário ex (des) governador Sérgio Cabral, ele no mínimo cometeu uma injustiça com o amigo de fé. 

Agora, vejamos como ficará o clima dentro não apenas do (des) governo Pezão, mas também na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).  Certamente não haverá clima para que se saboreie um Barca-Velha. Ou haverá?

Denúncias diretas de corrupção finalmente alcançam o (des) governador Luiz Fernando Pezão

pezao cabral

A mídia corporativa está estampando notícias que deverão tirar o pouco de sono que ainda restava ao (des) governador Pezão, pois finalmente emergem informações de que ele teria participação direta no grande esquema de corrupção liderado pelo hoje presidiário e seu mentor político, Sérgio Cabral Filho (Aqui!Aqui!Aqui!).

Apesar dessas notícias apenas confirmarem o que já circulava nos corredores do poder e também nas redações da mídia corporativa, a publicação dessas matérias aponta no sentido de que a situação do (des) governador Pezão que era ruim passou para virtualmente insustentável.

O fato é que até agora Pezão fazia cara de paisagem frente à montanha de evidências de que era impossível que ele estivesse “puro” no meio do lamaçal em que o (des) governo do Rio de Janeiro foi transformado a partir da chegada de Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara, já tinha experimentado um sério abalo com a condução coercitiva do seu secretário de governo Affonso Monnerat e do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), para depor na Polícia Federal.

Agora, com as revelações de detalhes da delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes Filho que o (des) governador Pezão participou de reuniões para “azeitar”  o esquema de pagamento de propinas,  o enredo se complica (ou como diria William Shakespeare, “the plot tickens”) para o ainda (des) governador Luiz Fernando Pezão.  É que, em função das informações detalhadas prestadas pelo ex-presidente do TCE,  Pezão agora vai ter que se explicar. Só não se sabe se para a imprensa ou para o juiz Marcelo Bretas.

Esta situação toda sinaliza que a condição desesperadora em se encontram quase metade dos servidores estaduais e aposentados ainda vai se agravar antes de melhorar. É que no meio desse caos todo, a “boa vontade”  que o (des) governador Pezão tentou costurar em Brasília simplesmente não vai ocorrer na velocidade em que ele gostaria. Afinal, quem vai querer colocar a assinatura em documentos que ajudariam a tirar um político que acaba de ter a cabeça entregue numa bandeja de prata por um mega delator como Jonas Lopes Filho?

Pequenas memórias históricas dentro dos gabinetes da Alerj ajudam a entender o dia de hoje

Como professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) já fui membro de diferentes diretorias da nossa associação de docentes. Em uma dessas gestões tive a chance de participar de diversas tratativas dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que desembocaram na promulgação da Lei Estadual 99/2001 que possibilitou a conclusão de processo de criação legal da Uenf.

Mas como podem lembrar os que participaram do esforço hercúleo que foi convencer o então governador Anthony Garotinho a concretizar um compromisso de campanha, qual seja, a separação administrativa entre a Uenf e a hoje extinta Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte), tivemos que realizar muitas reuniões com deputados e até com o então presidente da Alerj por quatro mandatos, o hoje presidiário Sérgio Cabral.

Em uma dessas idas à Alerj, eu e um grupo que incluía professores, servidores técnicos-administrativos e estudantes vivemos um episódio que é muito revelador do que veio acontecer ao longo dos últimos 16 anos.  O episódio começou com uma visita ao gabinete do então deputado estadual Chico Alencar (na época no PT) que foi um dos principais aliados na Alerj no processo de aprovação da Lei Estadual 99/2001. 

Ao final da reunião, Chico Alencar nos pediu para visitar o gabinete do deputado Hélio Luz, também membro da bancada do PT, para fazer uma espécie de reforço no processo de convencimento que seria necessário para ter a autonomia da Uenf aprovada.  E foi isso o que fizemos.

Ao sermos recebidos por Hélio Luz e rapidamente colocá-lo a par do motivo da visita, o deputado também rapidamente confirmou que nos apoiaria, mas nos deu um conselho que deixou todo o grupo chocado por alguns minutos.  

É que depois de confirmar que nos apoiaria, Hélio Luz nos perguntou se já tínhamos confirmado o apoio dos deputados Sérgio Cabral (então presidente da Alerj) e seu braço direito,  Jorge Picciani.  Respondemos que já tínhamos tido uma reunião com Sérgio Cabral, e que ele tinha sinalizado apoio, cobrando apenas que garantíssemos que Anthony Garotinho enviasse de fato o projeto de lei para a Alerj analisar. 

Ao ouvir isso, Hélio Luz nos admoestou dizendo que falar com ele e ter o apoio de Chico Alencar não representava muita coisa, pois dado o fato que mensalmente o Palácio Guanabara garantia o apoio de sua ampla base parlamentar com um “mensalinho” de R$ 50 mil para cada deputado (notem que esse fato ocorreu em 2001!).  Se não bastasse isso para nos deixar atônitos, Hélio Luz nos afirmou calmamente que Sérgio Cabral e Jorge Picciani tinham instalado uma quadrilha na Alerj que havia então se transformado numa “casa de ladrões”. Saímos de lá realmente atônitos com a sinceridade de Hélio Luz, já que suas revelações colocavam em dúvida não apenas o futuro da Uenf, mas de todo o estado do Rio de Janeiro.  

Sempre guardei comigo esse fato, especialmente porque depois desse encontro Hélio Luz decidiu não participar mais da vida parlamentar, preferindo ir para a França para fazer um curso de pós-graduação. 

Fechemos o pano em 2001 para reabri-lo no dia de hoje,  e o que temos? Sérgio Cabral na prisão e denunciado por mais de 700 crime,s e Jorge Picciani em condução coercitiva para dar explicações sobre acusações relacionadas à delação premiada do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes Filho.

E por falar em Hélio Luz, encontrei uma interessante entrevista feita com ele às vésperas da COPA FIFA de 2014 que mostra que ele, felizmente, continua um homem com ideias e verve fortes (Aqui!).