Dilma Rousseff convida Kátia Abreu para ser ministra da Agricultura: vem mais desmatamento e agrotóxicos por ai!

Eu não votei em Dilma Rousseff no segundo turno da última eleição presidencial, apesar dos clamores de muitas pessoas. Me neguei a cair no engodo do mal menor como muitos neopetistas e até pessoas iludidas com a propaganda de que o segundo mandato seria de “esquerda”. 

Um dos motivos pelos quais me mantive intransigente em não apoiar Dilma Rousseff foi sua aliança com o latifúndio agro-exportador, personificado de forma objetiva nas juras de amor que ela trocou de forma insistente com a dublê de latifundiária e senadora Kátia Abreu do PMDB de Tocantins. Aliás, para quem não liga o nome à latifundiária, Kátia Abreu é conhecida internacionalmente como a “Chainsaw Queen” (rainha da motosserra) por causa de sua defesa intransigente da derrubada das florestas amazônicas como meio de fortalecer o latifúndio agro-exportador.

Passada a eleição, eis que “Dilma coração de leão” resolveu selar de vez sua aliança com o latifúndio ao convidar sua amigona Kátia Abreu para ser a nova ministra da Agricultura. Com essa indicação, Dilma Rousseff está sinalizando duas coisas básicas:  mais desmatamento na Amazônia e uso mais intensivo de agrotóxicos na agricultura brasileira. Não é à toa que Kátia Abreu fez campanha para Dilma Rousseff justamente por ver nela uma parceira mais confiável para avançar o ataque às florestas e disseminar ainda mais venenos agrícolas no Brasil.

Agora vamos ver como reagirão os movimentos sociais do campo, a começar pelo MST. Será que eles engolirão essa ministra em nome de um apoio ao governo de “esquerda” de Dilma Rousseff? Uma coisa já se sabe: ao convidar Kátia Abreu para ser ministra da Agricultura e de lhe dar carta branca para montar sua equipe ministerial, Dilma Rousseff já está avisando quem serão seus aliados no campo no seu segundo mandato, e eles certamente não serão os trabalhadores rurais sem terra, indígenas, quilombolas e caboclos.

Dilma convida Kátia Abreu para a Agricultura

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) foi convidada na quarta-feira à noite pela presidente Dilma Rousseff para ser a futura ministra da Agricultura. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ela sinalizou positivamente.

Kátia Abreu tem o apoio do presidente do PMDB, Michel Temer, e agora está conversando com outras lideranças do partido a fim de ampliar a rede de apoios. Dilma disse à senadora que ela terá “carta branca” para montar a nova equipe.

FONTE: http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/dilma-convida-katia-abreu-para-agricultura.html

 

Cadê a reforma agrária, Dilma?

Ao longo das últimas semanas temos assistido a um esforço basicamente caricatural do neoPT de mostrar Dilma Rousseff como uma opção à esquerda de Marina e Aécio Neves. Pensando bem, se o neoPT não estivesse tão enrolado com alianças tão estapafúrdias quanto espúrias, esse esforço não estaria sendo necessária. É que tanto Marina quanto Aécio não possuem o mínimo de densidade eleitoral para representar uma ameaça séria à reeleição de Dilma. 

O problema é que o neoPT se acostumou tanto ao usufruto do aparelho de Estado que dispensou a existência de uma militância genuína, resumindo-se a um partido que ainda vive do que um dia poderia ter sido em termos de um projeto de mudança estrutural da sociedade brasileira. O neoPT hoje apenas compete para ser o melhor gestor do Estado para as forças oligárquicas com as quais governa. O problema é que mesmo as migalhas que o neoPT oferece aos pobres são uma séria afronta aos seus parceiros de alianças, e o resultado disso é essa situação esquizofrênica que vivemos na atual campanha eleitoral.

Mas apesar de todos os esforços de mostrar uma aparência minimamente de esquerda esbarra nas escolhas práticas que Dilma e o neoPT fizeram ao longo do atual mandato presidencial.  E não há nada mais explícito desta guinada para a direita do que o abandono da implementação da reforma agrária nas áreas rurais e urbanas em prol de alianças com latifundiários agroexportadores e incorporadores imobiliários.  

É que na questão da terra, queiram os ideólogos do neoPT ou de setores mais à direita,  reside o nó da perpetuação das colossais diferenças que existem no Brasil. Não adianta nada vir com a conversa fiada da redução da miséria absoluta, pois a diferença entre esta e a miséria acima do 1,00 dólar por dia é meramente estatística. Para os que vivem em torno dessa linha imaginária, a vida continua sendo dura e muito dura. O fato é que enquanto perdurar a concentração da terra no campo e na cidade, o Brasil será um país pré-moderno, onde o massacre do povo pobre, majoritariamente negro, continuará sendo a marca real da nossa sociedade, em que pesem as propagandas eleitorais.

Por outro lado, a atual prostração do MST frente às políticas anti-reforma agrária do neoPT é algo a se lamentar profundamente, não apenas porque evidencia uma crise estrutural no principal movimento social existente no Brasil, mas porque esta crise representa um congelamento objetivo da ação dos camponeses pobres, tornando-os, por outro lado, presas mais fáceis da ação das oligarquias agrárias e das corporações multinacionais.

De todo modo, é importante notar que a ação prática da juventude e dos trabalhadores está ocorrendo, em que pese a tentativa explícita de chantagear quem resiste como sendo agentes da direita. A verdade objetiva é que quem se aliou com a direita e os setores mais atrasados da sociedade nacional foi o neoPT sob a batuta de Lula.  E tanto faz o esforço de atacar quem se nega a adesão com rótulos desclassificantes.  É que não há Beth Carvalho ou Chico Buarque de Holanda que possam conter o percurso da história. Simples assim.

Finalmente, para encerrar, uma pergunta singela à “presidenta”:  cadé a reforma agrária, Dilma? Só não pode me mandar perguntar para a nova “amigona” Kátia Abreu. Ai já seria muita sacanagem!

 

Latifúndio faz festa de arromba com Dilma para conseguir mais rápida do venenos agrícolas

Presidente Dilma Rousseff oferece jantar a Time Agro no Palácio da Alvorada

Assessoria de Comunicação da CNA

Kátia Abreu lidera grupo de 42 empresários que apresentaram à presidente os desafios do setor

Crédito: Roberto Stuckert Filho 

A convite da presidente Dilma Rousseff, o grupo do Time Agro, que representa 24% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, jantou na sexta-feira (23/05), no Palácio da Alvorada. Liderados pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, 42 representantes do agronegócio levaram à presidente Dilma a pauta dos desafios a serem vencidos para melhorar a performance do setor mais dinâmico da economia.

Unidos, o setor primário e a agroindústria afinaram o discurso e selecionaram os temas que seriam apresentados à presidente em reunião prévia na CNA. Após tratarem dos avanços obtidos pelo setor no atual governo, o grupo discutiu os desafios a serem vencidos. A pauta foi construída a partir das sugestões de todos. A lista de convidados incluiu empresários, produtores, exportadores, representantes de entidades de classe, associações e grandes empresas do setor, de bioenergia à área de processamento de alimentos, passando pela produção de agroquímicos, máquinas e equipamentos agrícolas.

Na análise dos desafios, foram selecionados oito temas: logística, agroquímicos, açúcar e álcool, questões trabalhistas, acordos internacionais de comércio, crédito tributário e questão indígena. Já no Alvorada, Dilma Rousseff ouviu a todos com muita atenção, anotando observações sobre alguns dos temas apresentados, e dando encaminhamento a outros.

O primeiro item da lista foi a logística. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Rio Grande do Sul, Carlos Sperotto, falou do porto de Rio Grande. Este porto é classificado como o mais eficiente do país e o segundo maior em exportação de soja, mas a demanda crescente exige mais investimentos para melhorar ainda mais sua competitividade.A logística, o etanol e os agroquímicos foram os temas mais destacados nas falas dos representantes do agro. Mas também houve espaço para tratar do seguro rural.

Coube ao presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), José Mário Schreiner, falar da necessidade de investimentos crescentes neste setor. Dilma explicou que este ano não teve condições de aumentar as verbas para o seguro rural por conta do esforço do governo em cumprir sua obrigação primeira, do superávit primário. O presidente da FAEG também relatou ter recebido do Banco do Brasil a boa notícia de que será proibida a venda casada de serviços bancários. Na prática, a venda casada tem eliminado a vantagem dos juros diferenciados concedidos ao setor nas últimas duas décadas.

A presidente também anunciou a criação de um Grupo de Trabalho, composto por quatro ministérios (Agricultura, Saúde, Meio Ambiente e Casa Civil) e pela iniciativa privada, para encontrar solução para registro de agroquímicos. Em resposta às reclamações, ela concordou que não é possível que uma mesma empresa demore dois anos para registrar um mesmo produto nos EUA e seis anos, aqui no Brasil. 

O jantar foi oferecido pela CNA. A senadora Kátia Abreu escolheu um menu de carnes genuinamente brasileiras, para valorizar a pecuária nacional. “Quisemos mostrar a qualidade das nossas carnes e o quanto a pecuária é um símbolo precioso para o Brasil”, explicou. Ao final, a senadora observou que fazia questão de partilhar com todas as cadeias do agro a interlocução excepcional que a CNA mantém com a presidente Dilma. E todos agradeceram a oportunidade e a abertura para que a interlocução direta com a chefe da Nação chegasse a eles.

FONTE: http://www.canaldoprodutor.com.br/comunicacao/noticias/presidente-dilma-rousseff-oferece-jantar-time-agro-no-palacio-da-alvorada

“Nunca antes na história deste país se atacou tanto áreas protegidas como agora”

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“No Congresso Nacional há propostas que, se forem aprovadas, podem afetar mais 2 milhões de hectares só na região amazônica”, adverte o biólogo Enrico Bernard, da UFPE

 

Do IHU Online

“Durante um longo período, de 1981 até recentemente, o governo brasileiro respeitava os limites das unidades de conservação nacionais. Agora, em função de uma visão extremamente desenvolvimentista, essas áreas protegidas passaram a ser vistas como um empecilho, como um estorvo, e a solução é: se está atrapalhando, desfaz”. A crítica é de Enrico Bernard, professor da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e um dos autores da pesquisa Redução, Declassificação e Reclassificação de Unidades de Conservação no Brasil, que aponta um resultado “alarmante” em relação à perda de unidades de conservação no país. De acordo com o pesquisador, é espantoso verificar que, entre a década de 1980 e os anos 2000, houve pontos isolados de redução das unidades de conservação. Entretanto, as ações realizadas nos últimos anos são responsáveis por quase toda a perda de 5,2 milhões de hectares das unidades.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Bernard explica que dez fatores, entre os quais o agronegócio, o turismo, a especulação imobiliária, a construção de hidrelétricas e a geração de energia, são responsáveis pelo diagnóstico apresentado.

Segundo ele, depois da publicação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, no ano 2000, várias unidades de conservação foram reclassificadas, mas a situação piorou oito anos depois. “A situação, no entanto, mudou de figura a partir de 2008, quando observamos um grande ciclo novo de alteração de limites, de redução e de declassificação das áreas. Esse pico de 2008 não é à toa. Em 2007, a Empresa de Pesquisas Energéticas – EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, publicou um documento que se chama Matriz Energética 2030, no qual diz claramente que, para atender à demanda energética do Brasil até 2030, todos os grandes rios da Amazônia terão de ser barrados. No ano seguinte, em 2008, começamos a ver eventos de alteração de limites das unidades de conservação da Amazônia. Então, o que motivou essa alteração a partir de 2008 está muito relacionado com a geração e transmissão de eletricidade”. 

O pesquisador frisa que mais de 70% da área perdida estava localizada na Região Amazônica, onde se concentram as maiores unidades de conservação. “Algumas unidades estaduais simplesmente desapareceram. Rondônia é um estado que tem um problema sério, porque algumas unidades de conservação de Rondônia primeiro foram reduzidas e depois simplesmente desapareceram”. E dispara: “O que o Brasil está fazendo é um tiro no pé, porque o país depende muito da geração hidrelétrica, e vários dos rios que abastecem essas hidrelétricas passam por dentro ou têm suas nascentes nas unidades de conservação. Então, acabar com os parques e reservas pode comprometer até a geração de eletricidade do Brasil”.

Enrico Bernard é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo – USP, mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e doutor em Biologia pela York University, Canadá. É responsável pelo Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade e professor de Biologia da Conservação no Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.

Para ler a entrevista completa basta clicar Aqui!

Dilma Rousseff se rende de vez ao agronegócio poluidor e escravocrata

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Depois os neopetistas reclamam de que se afastou da sua agenda de neoliberalismo travestido de desenvolvimentismo! Hoje no lançamento no Plano Agrícola e Pecuário de 2014/2015, a presidente Dilma Rousseff afirmou ao lado da dublê de senadora e latifundiária Kátia Abreu que oBrasil tem motivos de sobra para se orgulhar do agronegócio” (Aqui!). Ainda que a parceria com a “rainha das motosserras” não seja nova, essa chancela oficial ao agronegócio demonstra qual é a verdadeira face do (des) governo liderado pelo PT. 

E essa é uma face tenebrosa! Afinal, graças à opção preferencial que o PT fez pelo agronegócio, o Brasil se tornou o principal consumidor mundial de agrotóxicos e caminha para se ocupar esse posto no consumo de sementes transgênicas. Além disso, apesar da redução do número de equipes, o latifúndio agro-exportador é ainda o principal alimentador do trabalho escravo no Brasil. Essa combinação de financiamento subsidiado pelo Estado, e poluição ambiental associada à negação básica dos direitos dos trabalhadores, é que alimenta as margens de lucros dos latifundiários, e não uma suposta capacidade de produção dos latifundiários.

Ao mesmo tempo em que enche os cofres do latifúndio, Dilma Rousseff congela a reforma agrária e entrega uma porção insignificante do fomento agrícola à agricultura familiar que, paradoxalmente, responde por 70% da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros. 

Diante dessa aliança é que eu me pergunto até quando o MST e outros movimentos e organizações sociais vão ficar numa posição vacilante e acomodada frente a um governo que de esquerda não tem nada. E tome agrotóxicos na nossa cabeça!

Ruralistas entram na Justiça contra ‘lista suja’

Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária tenta acabar com cadastro de empregadores flagrados com trabalho escravo

Por Daniel Santini | 

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a relação de empregadores flagrados com trabalho escravo mantido pela Portaria Interministerial N.º 2/2011, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Secretaria de Direitos Humanos, a chamada “lista suja” da escravidão. O cadastro oficial serve de base para as empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que se comprometem a não travar relações comerciais com empregadores flagrados com escravos, e também para bancos públicos, que usam a tabela como referência para concessão de créditos.

Resgate em 2010 envolvendo empresa de irmão de senadora Kátia Abreu, aconteceu em fazenda que produzia carvão. Foto: SRTE/TO

A Adin 5115 foi apresentada no dia 24 de abril e pode ser acompanhada neste link. Na semana passada, no dia 8, a ministra Carmen Lúcia, relatora da ação, solicitou informações com urgência às autoridades responsáveis. A tentativa de anular a “lista suja” está sendo criticada por autoridades envolvidas no combate à escravidão e representantes de organizações, empresas e movimentos sociais. A CNA é presidida pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que é integrante da Frente Parlamentar de Agropecuária, a Bancada Ruralista, e tem interesse direto na questão. Seus dois irmãos, André Luiz Abreu e Luiz Alfredo de Feresin Abreu,  tiveram o nome envolvido em flagrantes de escravidão em 2012 e 2013, respectivamente. A reportagem solicitou posicionamento da CNA sobre as críticas à ação e o conflito de interesses, mas não obteve retorno.

Senadora Kátia Abreu em plenário. Foto: Divulgação

A iniciativa da CNA de recorrer ao STF tem sido criticada até mesmo por produtores rurais. A Repórter Brasil procurou ouvir empresários do setor. Em nota, a Cargill, uma das empresas agrícolas signatárias do Pacto Nacional, se posicionou destacando que o grupo “atua em todas as suas cadeias de suprimentos para buscar a erradicação do trabalho análogo ao escravo no país”, e que considera “o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas a de escravo um importante instrumento para contribuir com esta causa”.

A empresa defende ainda que “o trabalho escravo é uma prática inaceitável e deve ser combatida em todas as suas formas e de todas as maneiras possíveis pela sociedade civil, empresas e governo”. Além da Cargill, entre os signatários do Pacto Nacional estão algumas das principais corporações agropecuárias do Brasil, tais como o Grupo André Maggi e a Marfrig, além de organizações de produtores, como Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Direito à informação

“A quem interessaria o Ministério do Trabalho e Emprego sonegar tais informações? Para o agricultor que trabalha com honestidade, respeitando os princípios de responsabilidade social e preocupado em estabelecer uma concorrência leal, saber quem emprega ou não trabalho escravo é algo extremamente útil”, defende o chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do MTE, Alexandre Lyra. “A divulgação do nome dos empregadores flagrados é um serviço para o mercado. É melhor do que fazer como o governo americano, que faz barreiras comerciais de todo um setor por conta de flagrantes. Nós estamos indicando quais são os empregadores e deixando claro quem são os responsáveis”, completa.

  A quem interessaria o Ministério do Trabalho e Emprego sonegar tais informações? Para o agricultor que trabalha com honestidade, preocupado em estabelecer uma concorrência leal, saber quem emprega ou não trabalho escravo é algo extremamente útil

A entidade pede medida cautelar para suspender imediatamente a “lista suja”. Entre os argumentos apresentados pelo advogado Carlos Bastide Horbach, que representa a CNA na ação, estão o de que a inclusão de nomes no cadastro contraria os direitos de ampla defesa e presunção de inocência, e o de que a imposição de “sanções administrativas antes mesmo de a condenação penal existir ou transitar em julgado caracteriza violação patente ao princípio da presunção de inocência”. Lyra destaca que as sanções comerciais por parte das empresas não são de responsabilidade do MTE, tampouco as restrições de crédito por parte de bancos, e lembra que, antes de serem incluídos, todos os empregadores têm chance de se defender no processo administrativo aberto com base na lavratura dos autos de infração. Ele defende que a publicização dos nomes é um dever do MTE e está em sintonia com medidas de boa governança e democracia com abertura de dados que devem ser públicos.

“É uma obrigação a gente informar à sociedade o nome dos empregadores que mantiveram escravos. Como agentes públicos, temos obrigação de fornecer esses dados à sociedade. Observamos o princípio de publicidade e transparência na gestão”, define.

Referência internacional
Por fortalecer o mapeamento de cadeias produtivas e subsidiar sanções diretas por empresas com preocupação socioambiental, a “lista suja” é considerada uma referência internacional na construção de mecanismo de combate ao trabalho escravo. Em 2010, o cadastro foi elogiado pela então relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para as Formas Contemporâneas de Escravidão, a advogada armênia Gulnara Shahinian, que ao apresentar o relatório de sua visita ao Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas citou a medida como um exemplo. No ano passado, a iniciativa também foi elogiada no relatório “The Global Slavery Index”, divulgado organização não governamental Walk Free.

  A data [da promulgação da Lei Áurea] simboliza um momento histórico, mas o Brasil ainda precisa avançar muito para acabar com a escravidão

A “lista suja” também é citada como referência pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). “A gente defende a manutenção da lista porque ela possibilita, como um instrumento oficial do governo brasileiro, o monitoramento das condições de trabalho e responsabilidade social em cadeias produtivas. É um instrumento essencial para quem busca informações sobre sustentabilidade social em questões que envolvem trabalho escravo e forçado”, diz o coordenador de Programa de Combate ao Trabalho Forçado da Organização Internacional do Trabalho, Luiz Machado.

Ele lembra que, apesar de nesta terça-feira, 13 de maio, ser comemorada a assinatura da Lei Áurea no Brasil, a escravidão ainda é uma realidade no país. “Infelizmente constatamos que o trabalho forçado vem aumentando. A data simboliza um momento histórico aqui no Brasil, mas o país ainda precisa avançar muito para acabar com a escravidão contemporânea, que pode ser ainda mais brutal em suas formas modernas se comparadas com escravidão colonial, assim como apontado em nosso último relatório global“, destaca.

FONTE: http://reporterbrasil.org.br/2014/05/ruralistas-entram-na-justica-contra-lista-suja/

Brasil 247 conta mais aprontada uma da “rainha da motosserra”

Durante visita de Pelé, Kátia chama coronel da PM de “soldadinho de merda”

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A confusão começou quando o governador Sandoval Cardoso (SD), adversário político da senadora, foi impedido de entrar na sala ao lado onde o rei Pelé, que veio ao estado a convite de Kátia, conversaria com jornalistas; o governador permaneceu por cinco minutos sem poder entrar ao local, até que sua entrada foi autorizada; vendo o protesto do chefe da Casa Militar do Tocantins, coronel Alfrenésio Martins Feitosa, com uma assessora de Kátia pelo fato dela ter reconhecido o governador do Estado e ainda assim tê-lo barrado, Kátia soltou o verbo para cima do militar: “seu soldadinho de merda, seu puxa-saco”

Tocantins 247 – Um bate boca com direito a xingamentos protagonizado pela senadora Kátia Abreu (PMDB) manchou a visita de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, à 14ª Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins), nesta sexta-feira, 9, em Palmas. Uma confusão se formou depois que seguranças de Pelé barraram a entrada do governador Sandoval Cardoso (SD) na sala VIP das autoridades.

Conforme testemunhas que estavam no local, Pelé chegou ao Centro Agrotecnológico de Palmas acompanhado da senadora e foi recepcionado por Sandoval Cardoso, pelo vice-governador Tom Lyra (PR), pelo prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), por vários deputados estaduais, secretários e uma multidão de pessoas e fãs que aguardavam para ver o rei do futebol.

O governador conduziu Pelé, a senadora e algumas autoridades num veículo até o estande da Faet/Senar/Sebrae, onde ele conversaria com jornalistas. Na chegada ao estande, as autoridades foram levadas para uma sala VIP, ao lado de onde seria a entrevista coletiva.

Assim que entraram na sala Pelé, Kátia, o prefeito Carlos Amastha e o vice-governador Tom Lyra, os seguranças de Pelé e da senadora fecharam as portas da sala, barrando a entrada do governador Sandoval Cardoso no local.

Nesse momento o chefe da Casa Militar, coronel Feitosa, avisou aos seguranças que se tratava do governador do Tocantins, mas mesmo assim a sua entrada não foi permitida. “Então, uma assessora da senadora, mesmo sabendo que era o governador, disse que só entraria com autorização dela. Aí eu falei assim: ‘você vai permitir que o governador do seu Estado seja barrado?’ E ela continuou insistindo que só entraria com autorização da senadora”, contou o coronel Feitosa ao blog CT (leia aqui).

O governador Sandoval Cardoso permaneceu por pelo menos cinco minutos barrado na entrada da sala VIP, quando a senadora Kátia Abreu finalmente permitiu a entrada do chefe do Executivo ao local. Vendo que o coronel Feitosa ainda discutia com uma assessora pelo fato dela não ter permitido a pronta entrada do governador ao local, a senadora abriu a porta e soltou: “Seu soldadinho de merda, seu puxa-saco”.

Kátia sabia que o coronel da PM trabalha para o governador. “Foi um desrespeito não a mim, mas à Polícia Militar. Ela se mostrou totalmente despreparada para o cargo que ocupa ou para qualquer outro cargo público”, avaliou Feitosa.

Aliados da senadora dizem que Sandoval só foi barrado porque os seguranças de Pelé não falam português e que só autorizaram a entrada dele na sala depois que Kátia foi avisada. Isso o deixou o governador esperando por volta de cinco minutos do lado de fora da sala.

O caso promete ganhar repercussão. Segundo o coronel Feitosa, associações que representam a Polícia Militar devem emitir manifestação de repúdio ao comportamento da senadora e o assunto será levado também para discussão na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

Pelé é contratado para a campanha Time Agro Brasil, fruto de uma parceria entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Sebrae. Após o tumulto antes da coletiva de imprensa, Pelé visitou a Agrotins, distribuiu autógrafos e recebeu do prefeito de Palmas, Carlos Amastha, o projeto dos Jogos Mundiais Indígenas, que acontecerão ano que vem na capital.

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/tocantins247/139319/Durante-visita-de-Pel%C3%A9-K%C3%A1tia-chama-coronel-da-PM-de-soldadinho-de-merda.htm

The Guardian faz matéria sobre ataques de Kátia Abreu, a “rainha da motosserra” a ambientalistas no Brasil

“Rainha da motosserra” brasileira ataca ambientalistas

Jonathan Watts* 

katia-abreu1Senadora Kátia Abreu (PMDB/Tocantins), adversária aberta dos ambientalistas. Foto: Agência Senado

Fora da estufa política de Brasília, provavelmente, há poucos que conhecem o nome do chefe do poderoso lobby agrícola do Brasil, no entanto, a mulher em questão, Kátia Abreu, está rapidamente se tornando a política brasileira mais interessante, importante – e perigosa.

A senadora e fazendeira do Tocantins foi uma força influente no enfraquecimento do Código Florestal do Brasil, responsabilizado por muitos pelo recente aumento do desmatamento da Amazônia. Seu apoio – no parlamento e em uma ácida coluna de jornal – por mais estradas através da Amazônia, controle do Congresso sobre demarcação de reservas indígenas, monoculturas mais eficientes e “sementes exterminadoras” geneticamente modificadas lhe rendeu a ira dos ambientalistas, que a chamavam de “senhorita desmatamento”, “rainha da motosserra” e “Face do mal”.

Abreu, no entanto, se mantém desafiadora, e diz que se prepara para um dia disputar a presidência e quer ajudar o Brasil a superar os EUA como o maior produtor de alimentos do mundo. “Concorrer à presidência não é um plano, é destino. Estou me preparando para isso, caso esse seja o meu destino”, disse ela em uma entrevista concedida em seu escritório em Brasília. “A crítica dos ambientalistas radicais é a melhor forma de endosso. Isso me dá satisfação. Isso mostra que estou no caminho certo e fazendo o papel certo”.

Formada em psicologia, Abreu assumiu a fazenda da família depois que seu marido morreu em 1987, e se tornou a mais ferrenha defensora do agronegócio no Brasil. Ela dirige a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e lidera seu lobby político, que reivindica ter ao seu lado mais de 250 senadores e membros do Congresso.

Seu principal objetivo é aumentar a produção agrícola, a qual representa 23% da economia do Brasil, fração que continua crescendo. As safras de soja e outros produtos aumentaram nos últimos anos, colocando o país – de acordo com Abreu – a caminho de superar os EUA, mesmo sem novos desmatamentos. “Nós temos todos os elementos essenciais: água em abundância, tecnologia avançada e abundância de terra para a produção. Com essa base, podemos nos tornar o número um sem derrubar árvores”.

Sua agressiva mensagem sobre os agronegócios é sustentada por um nacionalismo do tipo abraçado à bandeira do país e que ataca qualquer grupo acusado de tentar retardar o crescimento da agricultura brasileira. Isto inclui os ambientalistas, grupos indígenas e camponeses sem terra, os quais ela alega – sem provas – trabalham para interesses estrangeiros. “Eu não tenho provas concretas disso, mas tenho uma forte impressão de que este é o caso”, disse ela.

A retórica e o estilo intransigente de Abreu lembram os de Margaret Thatcher. Quando menciono a comparação, a senadora se anima.

“Obrigado! Margaret Thatcher foi uma das maiores mentes defensora das políticas liberais. Ela construiu um conjunto de princípios que mudou o mundo. Só lamento não ter tido a oportunidade de conhecê-la”.

Como Thatcher na década de 1980, Abreu está engajada em uma luta com potencial de mudar o mundo. Enquanto a batalha da Primeira-Ministra britânica contra os mineiros na década de 1980 marcou o início de um período de divisão social e capitalismo descontrolado, o ataque de Abreu ao movimento ambientalista tem enorme potencial de causar desdobramentos para o clima global e a oferta de alimentos. Ela parece estar ganhando. À medida que a economia brasileira tornou-se mais dependente do agronegócio, a influência de seu lobby no parlamento aumentou ao ponto em que ela pode ter um peso decisivo nas vitórias ou derrotas da agenda do governo.

Abreu disse que seu sucesso foi, em parte, resultado das melhorias de estilo de vida que a indústria trouxe para o povo brasileiro. “Quarenta anos atrás, o brasileiro médio gastava 50% de sua renda em alimentos. Agora, a proporção é de cerca de 18%”.

A situação era muito diferente há uma década, quando a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, introduziu uma série de medidas que reduziram o desmatamento, e prometeu mais território para grupos indígenas e camponeses sem terra.

Abreu disse que agora a mesa virou. “Por muitos anos, o ambientalismo chegou a um ponto extremo e nós, no setor do agronegócio, fomos tratados como criminosos”, disse, mas agora “nosso setor do agronegócio pode influenciar a escolha dos reis e rainhas no Brasil. No passado, só exercíamos influência econômica. Agora temos também o poder político”.

Apoio à Dilma

Apesar de estarem ostensivamente em lados opostos da divisão ideológica, Abreu disse que trabalharia com Rousseff por um preço: “Eu só quero que ela esteja disposta a entender a nossa situação, para ter uma ideia dos problemas que o setor agrícola enfrenta e ajudar a resolver esses problemas, para que possamos continuar crescendo e para que o Brasil possa chegar ao número um na produção de alimentos”.Na eleição presidencial em outubro, Abreu disse que apoiaria a atual presidente, Dilma Rousseff, que ela descreveu como “mais interessada em agricultura” do que seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

É provável que isso signifique uma maior erosão dos direitos indígenas, leis ambientais mais fracas e menos restrições sobre sementes geneticamente modificadas — todos objetivos pelos quais o lobby de Abreu luta no Congresso.

“Não podemos descansar sobre os louros alcançados. Há muitas coisas freando o progresso: a questão ambiental, a questão indígena e outras. Mas mesmo assim continuamos obtendo altos índices de produtividade. Imagine o quão alto eles poderiam chegar sem esses obstáculos”, disse Abreu.

*Esse artigo é publicado em parceria com a Guardian Environment Network, da qual ((o))eco faz parte. A versão original (em inglês) foi publicada no site do Guardian. Tradução de Eduardo Pegurier

FONTE: http://www.oeco.org.br/guardian-environment-network/28294-rainha-da-motosserra-brasileira-ataca-ambientalistas