Em resposta previsível, Leonardo DiCaprio reforça compromisso com a Amazônia e ignora Bolsonaro

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Não durou muito o momento de glória infame que o presidente Jair Bolsonaro obteve às custas da notoriedade do ator Leonardo DiCaprio. É que Leonardo DiCaprio usou a sua página da rede social Instagram para dar a previsível resposta à acusação sem evidências de que ajudou a incendiar a Amazônia ao apoiar organizações não-governamentais que, curiosamente, são vistas como inimigas pelo “bolsonarismo” por defenderam a natureza (ver imagem abaixo).

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Sem sequer citar o nome de Jair Bolsonaro, Leonardo DiCaprio afirmou que “neste momento de crise para a Amazônia, apoio o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural. Eles são um exemplo incrível, comovente e de grande humildade do compromisso e paixão necessários para salvar o meio ambiente. O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de apoiar os grupos que os protegem. Embora dignos de apoio, não financiamos as organizações visadas. Continuo comprometido em apoiar as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores e público em geral que estão trabalhando incansavelmente para garantir a Amazônia para o futuro de todos os brasileiros.

A mensagem de DiCaprio é clara: apoia os que lutam em prol da preservação natural e cultural da Amazônia, e os que fazem essa luta acontecer no chão. Além disso, DiCaprio também nomina com quem está comprometido: as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores. Além disso, ele aponta para o fato que a proteção da Amazônia é essencial para garantir o futuro de todos os brasileiros.

Como já escrevi, essa tentativa do presidente Jair Bolsonaro de jogar nas costas de Leonardo DiCaprio a culpa de seu próprio êxito na aceleração da hecatombe ambiental em desenvolvimento na Amazônia vai trazer consequências desastrosas para a imagem internacional do Brasil. 

A questão é que se no Brasil as ideias ambientalmente regressivas de Jair Bolsonaro e seus ministros terraplanistas  e céticos das mudanças climáticas estão passando sem a devida checagem do sistema política e da maioria dos veículos da mídia corporativa, a coisa não é bem assim no exterior. Assim, atacar Leonardo DiCaprio pode até render alguns pontos entre a malta de apoiadores do presidente do Brasil, mas nada comparado à antipropaganda que isto representa em muitas partes do mundo.

Atacar Leonardo DiCaprio foi mais um tiro pela culatra de Jair Bolsonaro

Leonardo-DiCaprio-GettyImages-1163710136Ao associar Leonardo DiCaprio aos fogos que devastaram partes da Amazônia, Jair Bolsonaro pode ter cometido um erro custoso à combalida economia brasileira

Não sei de quem foi a péssima ideia de associar o ator Leonardo DiCaprio aos incêndios que consumiram a floresta amazônica ao longo de 2019. Mas independente de quem teve a ideia, o rosto e a voz que apareceram dando maior ressonância a essa besteira foi a do presidente Jair Bolsonaro. Esse é mais um tiro pela culatra do governo Bolsonaro que deverá causar ainda mais prejuízo ao Brasil em 2020.

O fato que parece ter passado despercebido a quem idealizou o desastre ataque a Leonardo DiCaprio, além de astro de Hollywood, é que ele se tornou um personagem de alto impacto em questões relacionadas à formulação de políticas de investimento porque já ultrapassou faz muito tempo o status nada desprezível de ator bilionário.

Para quem não sabe,  ainda em 1998, pouco depois do sucesso de Titanic,  DiCaprio criou a The Leonardo DiCaprio Foundation, instituição dedicada a proteger o bem-estar de todos os habitantes da Terra, incluindo um projeto de proteção à regiões ecológicas ao redor do mundo. Além disso,  DiCaprio se envolveu com outros grupos como o Natural Resources Defense Council,  organização não governamental  que existe desde a década de 1970; a Global Green USA, que faz parte da Cruz Verde Internacional; a International Fund for Animal Welfare, e o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal.

Em outras palavras, mexer com Leonardo DiCaprio e acusá-lo de ser, pelo menos, parcialmente responsável pelos incêndios devastadores que consumiram a Amazônia em 2019 é, no minimo, uma besteira tremenda. É que atacando DiCaprio, a chance maior é de que o ator saia ainda mais fortalecido, até em função de quem e do porquê dele estar sendo atacado.

Obviamente a imensa maioria dos grandes veículos da mídia de língua inglesa já deu amplo destaque ao ataque cometido contra DiCaprio, sendo que a maioria das reportagens tem enfatizado que esse é um ataque despropositado e sem que se tenha oferecida qualquer evidência que permitisse corroborar tamanho despautério.  Abaixo posto um vídeo com 10 das centenas de matérias que foram publicadas ao longo desta 6a. feira (29/11).

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A verdade é que o estrago causado pela tentativa de jogar nas costas de Leonardo DiCaprio a culpa pelos incêndios devastadores que ocorreram na Amazônia em 2019 só vai aparecer ao longo do próximo ano, já que este está literalmente chegando ao seu fim inglório.

A  minha hipótese é que o principal estrago virá de uma de debandada ainda maior de investidores, especialmente daquele grupo que vem se notabilizando por evitar investimentos em atividades degradadoras do meio ambiente e coloquem em risco a existência de povos tradicionais, os chamados socially conscious investors“, ou “investidores com consciência social”. 

E não esqueçamos que a resposta que DiCaprio der a esse ataque sem base real poderá aumentar ainda mais o estrago já causado na imagem brasileira no exterior. A ver!

 

 

ONG fundada por Leonardo DiCaprio lança fundo de defesa da Amazônia

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A EarthAlliance,  organização não-governamental criada em julho de 2019 pelo ator Leonardo DiCaprio, pela víuva do fundador da Apple, Laurene Powell Jobs e pelo investidor e filantropista Brian Sheth, formou um Fundo em Defesa da Floresta Amazônica com um compromisso de US $ 5 milhões para concentrar recursos essenciais para comunidades indígenas e outros parceiros locais que trabalham para proteger a biodiversidade da Amazônia contra o surto de incêndios atualmente queimando em toda a região.

A  Earth Alliance também lançou uma campanha mundial de arrecadação de fundos na sua página oficial, e informou que 100%  das doações irão para parceiros que estão trabalhando no local para proteger a Amazônia. Entre as primeiras organizações beneficiadas pelo Fundo Amazônia estão o Instituto Kabu (ligada aos Kayapó), o Instituto Raoni (também ligado aos Kayapó) e o Instituto Socioambiental.

Esse é um desdobramento que deverá incomodar bastante o presidente Jair Bolsonaro que já vê a ação as ações pretéritas das ONGs ambientalistas como uma espécie de obstáculo aos planos de transformar a Amazônia em uma espécie de fronteira aberta para o saque das riquezas naturais ali existentes, nem que para isso seja preciso eliminar os povos indígenas e outras comunidades tradicionais que habitam as florestas.  O fato das doações iniciais da Earth Alliance estarem indo para duas organizações ligadas à etnia Kayapó deverá ser outro elemento causador de contrariedades.

Mas o que a principal contrariedade com a decisão da Earth Alliance de lançar o Fundo Amazônia deverá ser a capacidade de atração de doações que esta ONG possui em função de estar diretamente ligada à Leonardo DiCaprio, cuja proeminência em defesas de causas ambientais o tem colocado como uma personalidade altamente confiável a amplas setores da população mundial.

A boa notícia é que esta ação do Earth Alliance irá fornecer recursos financeiros que estão em alta demanda para fazer a ampla defesa das florestas da Amazônia e de seus povos.

 

 

Leonardo DiCaprio usa novamente Instagram para falar sobre o Brasil

Ator demanda ações concretas para impedir a repetição da destruição causada pela Vale em Brumadinho

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A mensagem mais do que atual de Leonardo DiCaprio: pensem na vergonha que cada um de nós terá de carregar quando nossos filhos e netos olharem para trás e concluírem que nós tivemos todos os meios para parar esta devastação, mas simplesmente não tivemos a vontade política para agir.

O ator Leonardo DiCaprio que já havia usado a sua conta na rede social Instagram para denunciar o avanço do desmatamento no estado de Rondônia, agora veio a público em uma série de fotos para demandar ações concretas por parte de governos e corporações para impedir a repetição das cenas de destruição que estão correndo o mundo desde Brumadinho (MG).

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Segundo DiCaprio, o colapso dos reservatórios que liberou de 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos deixou um rastro de destruição e tristeza, e que isso ocorre apenas 3 anos depois do maior desastre ambiental de história do Brasi que foi o Tsulama da Mineradora Samarco em Mariana (MG).

Segundo DiCaprio, “enough is enough”, o que quer dizer que já passou do limite tolerável. Por isso, ele disse que governos e corporações DEVEM parar de colocar lucros acima da vida das pessoas e da natureza.

As fotografias postadas por Leonardo DiCaprio são acompanhadas pelas “hashtags” #Brumadinho, #forçabrumadinho, #SOS Brumadinho, #Brazil, #Mariana, #Vale, #semlicençaparadestruir, #environment, #greenpeace, #nature, #environmentaldisaster.

Em menos de 48 horas a postagem de DiCaprio sobre o Tsulama de Brumadinho já ultrapassou 1,1 milhão de curtidas, o que certamente ampliará as dificuldades da Vale fora do Brasil, onde as práticas corporativas destrutivas são bem menos toleradas.

Leonardo DiCaprio usa “10 Years Challenge” do Instagram para denunciar avanço do desmatamento em Rondônia

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Um dos muitos modismos que apareceram nas redes sociais nos últimos tempos é o chamado “10 Years Challenge” onde celebridades e pessoas anônimas mostram fotos pessoais mostram suas mudanças fisionômicas nos últimos dez anos [1].

Pois bem, uma celebridade resolveu usar  hoje (18 de janeiro) sua página oficial na rede Instagram para mostrar duas imagens mostrando mudanças radicais não em sua aparência, mas de um estado da Amazônia brasileira. A celebridade no caso é o ator Leonardo DiCaprio e o estado é Rondônia (ver imagem abaixo).

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Di Caprio duas imagens do satélite Landsat para mostrar o avanço do desmatamento em Rondônia entre 2006 e 2018 no que ele classificou corretamente de sendo uma das regiões que mais perderam cobertura florestal na Amazônia brasileira. E ainda que alguém ache que DiCaprio errou o tamanho do estado de Rondônia, é preciso lembrar que “over” no sentido usado por ele é de “mais de”.  E a área total de Rondônia é de 237,576 km², a maioria coberta por florestas até meados da década de 1970 quando o regime militar começou a expansão da frente pioneira na Amazônia ocidental brasileira.

Esse posicionamento de Leonardo DiCaprio é mais um revés para o governo Bolsonaro e sua política de “libera geral” para o desmatamento e para a degradação dos ecossistemas naturais existentes dentro da porção brasileira da Amazônia. 

É que apenas no Instagram, DiCaprio possui cerca de 25 milhões de seguidores. Deste universo. Em função, em menos de uma hora após a realização da postagem mais de 100 mil de seus seguidores já haviam dado um “like” no momento em que visualizei a imagem que havia recebido 1.425 comentários. Em outras palavras, uma simples postagem de Leonardo DiCaprio já teve uma forte repercussão mundial.

Mas há que se lembrar que o ator estadunidense também criou uma fundação comprometida com a conservação ambiental em escala global, a Leonardo DiCaprio Foundation (LDF).  Criada em 1998, a fundação impulsionada por DiCaprio diz já ter desembolsado US$ 100 milhões para financiar mais de 200 projetos distribuídos em 50 países [2].

Quem examinar a página oficial da LDF poderá verificar que entre as suas linhas mestras de ação estão a proteção das florestas e o esforço para  minimizar os impactos das mudanças climáticas, dois tabus para o governo Bolsonaro.

Assim, ao apontar diretamente para o desmatamento em Rondônia, Leonardo DiCaprio se soma a outras personalidades mundiais (incluindo Gisele Bündchen) que decidiram não deixar barato as anunciadas mudanças para facilitar a expansão da degradação na Amazônia.  No caso de DiCaprio, ele não só é famoso, mas como tem uma ferramenta institucional para influenciar indivíduos e governos. Em suma, o posicionamento público de DiCaprio terá consequências para o Brasil e o governo antifloresta que foi instalado em Brasília no dia 01 de janeiro de 2019.