França, Hungria… a luta de classes vive!

Há ainda quem queira viver o modelo de Capitalismo de luta de classes que o ex-presidente Lula elaborou ao chegar ao poder em 2003.  Mas mesmo que lá do cárcere em que foi metido em Curitiba,  Lula ainda possa estar pensando em como manter sua criação funcionando, os fatos que se desenrolam nas ruas da França e da Hungria mostram que os trabalhadores estão se colocando à frente de partidos e sindicatos que decidiram investir na via institucional para conseguir pequenas migalhas enquanto oferecem a bisnaga para as grandes corporações multinacionais.

O que estamos vendo em diferentes partes do mundo, com relevo na França e na Hungria, é uma série de revoltas que se organizam de forma horizontal e sem lideranças tradicionais, mas que apontam para elementos claramente vinculados aos direitos dos trabalhadores que governos controlados diretamente pelas corporações financeiras estão tentando remover.

Por isso, não é difícil prever que a lua de mel que reina (apesar das revelações em torno dos repasses de parte dos salários dos assessores do senador Flávio Bolsonaro para as mãos de uma espécie de gerente pessoal de recursos) com o presidente eleito não vá durar muito tempo.

É que enquanto se anunciam perdões bilionários para latifundiários e outros grupos capitalistas, o que está sendo alardeado para os trabalhadores brasileiros remonta a um retorno às condições trabalhistas que reinavam no Século XIX antes da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel). 

Diante deste descompasso, não me surpreenderei se logo de cara tivermos manifestações copiadas diretamente dos cadernos de ações utilizados pelos trabalhadores franceses e húngaros.

Aí veremos que não haverá mais espaço para a conversa de que a luta de classes é um conceito démodé, pois ela deverá se manifestar no Brasil com uma virulência que não se vê há décadas. Aliás, é melhor já ir se acostumando com isso, pois diante do tamanho do ataque que está se anunciando, não restará outro caminho para a classe trabalhadora. 

É a luta de classes, idiota!

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Quando o estrategista de campanhas eleitorais James Carville apareceu com o slong “It is the economy, stupid” para ser um dos 3 eixos orientadores da campanha presidencial de Bill Clinton houve um misto de aplauso e indignação dentro e fora do partido Democrata. 

Passadas as eleições com a vitória do ex-governador do Arkansas, a frase bolada por Carville virou um “snowclone” (ou seja, uma frase que passa a ser usada em vários contextos diferentes e mesmo assim assegurando ser reconhecida de imediato) nos Estados Unidos, sendo adaptada em várias ocasiões, como em “É o déficit, idiota!”, “É a corporação, idiota!”,  “É a matemática, idiota!”,  e “São os eleitores, idiota!”

Pois bem, eu proponho mais uma adaptação para a atual conjuntura brasileira: É a luta de classes, idiota!

É que diante de tantas marchas e contra-marchas dos diferentes candidatos que estão se apresentando (seja à diferente ou à esquerda), não se vê nenhum que coloque a situação como ela é no tocante ao fato de que vivemos um processo agudo de recolonização que não oferece nenhuma saída positiva para os milhões de brasileiros que sofrem todos os dias os efeitos de uma recessão brutal cujos únicos ganhadores são os donos dos bancos e uma minoria de ultrarricos que se servem da crise para ficarem ainda mais podres de ricos.

Enquanto isso, partidos que se dizem de esquerda evitam colocar o debate dentro do contexto em que a maioria da massa de trabalhadores (estejam eles na formalidade, na informalidade, ou na condição de exército de reserva destes dois segmentos da classe trabalhadora) está sendo brutalmente atacada em seus direitos básicos. 

Na esquerda institucional grassa uma ojeriza particular a apontar o fato de que o processo que vivemos hoje é a expressão mais pura da luta de classes que Karl Marx tão perfeitamente sinalizou como o motor perpétuo de uma guerra interminável entre patrões e trabalhadores (capital versus trabalho).  Aparentemente domesticados pelo discurso de oposição permitida, os partidos esquerda institucional não apenas aceita passivamente os limites determinados pelas classes dominantes sobre o que pode ser debatido e quem pode debater, mas se encaixa de forma mansa à lógica de que só se pode mexer na perfumaria, deixando o sistema funcionar como sempre funcionou.

Uma das consequências desta aceitação do status quo pela esquerda institucional é o sentimento de confusão em muitos militantes sinceros, e que resulta na perda de referenciais sobre o que é essencial nas disputas em curso, e que podem determinar a dinâmica social nas próximas décadas. 

Para reverter essa condição que beira a completa desorganização, eu sugiro que a primeira e importante medida que precisa ser adotada é retornar o eixo das análises para a dinâmica da luta de classes, e de quais seriam os papéis que deveriam ser cumpridos pela classe trabalhadora e pela juventude no Brasil para colocar um programa de transformação social que coloque os partidos que representam os ultrarricos sob pressão. Do contrário, os retrocessos serão mais profundos e graves dos que já foram aplicados pelo governo Temer.

Por isso, ao ouvir a imensa maioria dos candidatos presidenciais se lembrem que por detrás dos discursos existem programas que visam ampliar a extração da mais valia e o aprofundamento da exploração. E, diante isso, que se lembre do mote:  É a luta de classes, idiota!

TRF-4 serve Lula com justiça a la Rafael Braga

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A decisão unânime de três desembargadores do TRF-4 de não apenas manter a condenação do ex-presidente, mas também de aumentar sua pena e determinar sua prisão é um desses momentos muito úteis para que possamos ver o caráter de classe que vige na justiça brasileira. É que, ao contrário de tantos outros políticos que viram seus casos sumiram pelas frestas do decurso de prazo, como foi o caso recente do pedido de arquivamento de um processo movido contra o ainda senador José Serra, este processo de Lula transcorreu em uma velocidade inaudita e com resultado anunciado em rede nacional pela Band TV antes que os desembargadores o fizessem oficialmente. É aí que aparece o caráter de classe de uma justiça seletiva que pune com rigor os pobres, enquanto deixa que os “bem nascidos” cometam todo tipo de crime contra a maioria pobre do nosso povo. Em outras palavras, acaba de provar o gosto da justiça brasileira servida a la Rafael Braga, o único preso como resultado das manifestações políticas ocorridas em 2013 [1].

O fato é que, intencionalmente ou não, os três desembargadores estão nos dando uma chance singular de olharmos o interior do sistema de justiça e, por que não, do sistema prisional. É que já sabe que quando for encarcerado, o ex-presidente Lula terá de ser enviado para um presídio que normalmente é reservado apenas para os pobres. E lá ele terá, provavelmente, de escolher uma das duas principais facções que hoje controlam a maioria das prisões brasileiras, e disputar um espaço numa cela diminuta e super populada. Irá Lula optar por se juntar ao Primeiro Comando da Capital ou ao Comando Vermelho? Será a ele permitido se manter como preso independente ou terá de fazer a opção que a maioria dos presos é obrigada a fazer?

Não é preciso dizer que antevejo que se prisão de Lula for confirmada, ele terá de ser enviado para uma dessas prisões de segurança máxima, onde, novamente, será obrigado a optar por um dos grupos que também comandam o crime de dentro das masmorras federais. Aí a coisa ficaria ainda mais interessante, porque em vez de tratar com os bagrinhos do crime, Lula irá estar próximo dos chefes.

Eu me pergunto se os três desembargadores que aumentaram a pena e determinaram a prisão imediata de Lula se deram ao trabalho de vislumbrar o cenário político nacional com o ex-presidente dentro de uma prisão. É que conhecendo o pouco que conheço dele, Lula sentará calmamente em qualquer uma das unidades prisionais em que será colocado e começará a conversar primeiro com seus colegas de cela, e depois com um pavilhão inteiro e depois com todos os pavilhões juntos. E com ali estão muitos cujas famílias tiveram suas vidas melhoradas pelos governos de Lula, não é difícil imaginar que encontrará centenas e até milhares de aliados para expor as vergonhas e injustiças que grassam nas prisões para os quais os ultrarricos brasileiros enviam os membros da maioria pobre (e negra) da população brasileira. Em suma, Lula poderá se tornar muito mais perigoso como presidiário do que tem sido como um político negociador e sempre pronto para engolir sapos em nome da conciliação de classes.

Por essas e outras é que se enganam muito os que hoje festejam a sentença condenatória do TRF-4 contra Lula. É que ele não sumirá nas entranhas de uma prisão fétida e nem será tão fácil de ter penas aumentadas pela mera posse de um Pinho Sol como foi o caso de Rafael Braga.

Finalmente, no caso de Lula ser excluído da corrida presidencial, como parece que será, os “mercados” poderão até ficar felizes num primeiro momento. Mas o que essa exclusão deverá representar certamente irá causar muita tristeza e ranger de dentes até antes da posse do eleito. É que o Brasil ainda não encontrou um substituto para Lula no que ele tem de melhor que é ser um encantador de multidões. E sem uma figura como essa, a explosão social que hoje se encontra latente será inevitável. A ver!


[1] https://libertemrafaelbraga.wordpress.com/about/

A vitória da contra-reforma trabalhista do governo Temer e seus significados para a luta de classes no Brasil

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A aprovação por maioria folgada da contra-reforma trabalhista imposto pelo governo “de facto” de Michel Temer expressa a falência completa das relações de cooperação que alicerçaram a chamada Nova República, e também deverá abrir um período de forte recrudescimento na luta de classes no Brasil.  A verdade é que a classe trabalhadora rapidamente perceberá a gravidade dos ataques que foram desfechados contra direitos duramente acumulados ao longo de quase 100 anos, e que agora são retirados de forma até fácil pelos representantes do capital no congresso nacional.

O fato que a contra-reforma trabalhista passou por 50 votos favoráveis contra apenas 26 contrários não significa que não haverá resistência assim que todas as regressões que ela contém ficaram claras para os trabalhadores.  Nem mesmo o ambiente de profunda recessão que marca o Brasil neste momento deverá deter o agravamento dos conflitos entre capital e trabalho.  É que as regras aprovadas e que mutilam mais de 100 dispositivos de proteção aos trabalhadores estão colocando o Brasil em patamares similares ou até piores com o que é praticado em países onde as relações trabalhistas são consideradas as mais atrasadas do planeta.  

Mas é preciso que fique claro que os partidos que aprovaram com tamanha facilidade este profundo ataque aos trabalhadores e à juventude tiveram ajuda de setores que se apresentam como sendo de esquerda.  Como explicar de outra forma a apatia que marcou o dia de hoje entre as principais centrais brasileiras senão uma adesão muda aos ataques? Onde estavam as multidões de trabalhadores que poderiam ter pressionado os senadores a não consumarem este ataque tão profundo aos seus direitos? Provavelmente paralisadas em frente dos aparelhos de TV, enquanto suas direções se faziam de mortas para não terem que oferecer algum tipo de explicação sobre suas próprias responsabilidades sobre o que estava acontecendo.

Venhamos e convenhamos, o fato é que esta derrota foi desenhada desde o momento em que se deu o golpe parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff e os partidos, movimentos sociais e sindicatos simplesmente engoliram a seco a pilula amarga do respeito à ordem democrática, que nada tem de ordem ou ainda menos de democrática.

Além disso, ao invés de se preparar o enfrentamento político aos ataques montados por um presidente que chafurda na lama das denúncias de que é um corrupto contumaz, o que se viu foi a aposta numa agenda eleitoral centrada na figura do ex-presidente Lula que nos obriga a esperar por 2018, como se as regressões que estão ocorrendo sejam sanáveis pela via eleitoral.  Essa aposta numa saída eleitoral é provavelmente um dos muitos erros que foram cometidos pela chamada esquerda institucional, os quais desembocaram na aprovação dessa contra-reforma trabalhista de tons para lá de draconianos.

De toda forma,  essa derrota conjutural tem tudo para recolocar a luta de classes no Brasil num patamar muito avançado. E nessa conjuntura que se abre é quase certo que não haverá espaço para quem tente vender a ideia de que as coisas vão se ajeitar via políticas de colaboração de classe.  Se isto acontecer, pelo menos a derrota de hoje terá começado a valer a pena.  Mas uma coisa é certa: ao apostar na semeadura de ventos, a burguesia brasileira poderá colher imensas tempestades. A ver!

A “nova esquerda” e o complexo de avestruz frente à velha luta de classes

Podem me chamar de ortodoxo ou de qualquer outro adjetivo assemelhado, mas juro que não aguento mais esse papo de “nova esquerda” ou “novas esquerdas” como uma indicação de uma direção a ser adotada pela classe trabalhadora  e pela juventude para enfrentar a opressão e a violência gerada pela crise sistêmica em que o Capitalismo está enfiado.

É que a imensa maioria desses “novos esquerdistas” é formada por sujeitos que perderam a perspectiva de que o Capitalismo poderá superado enquanto forma de organizar a presença humana na Terra.  É esta ausência de perspectiva revolucionária (adotando aqui o sentido descrito por Karl Marx na Ideologia Alemã) que transforma todo essa conversa de novas formas de organização pela esquerda em mero reconhecimento tácito de uma suposta durabilidade “ad eternum” do Capitalismo.

A verdade é que se olharmos o que está ocorrendo na França neste exato momento poderemos notar que é pela mão dos sindicatos e das organizações políticas que recusam o ajuste neoliberal que está se dando uma gigantesca lição de como se enfrentar os planos de miséria e regressão de direitos sociais engendrados pelo Partido Socialista de François Hollande. 

O fato é que toda essa conversa de “nova esquerda” procura embaçar a necessidade da construção de uma organização mundial para alavancar as lutas da classe trabalhadora, esteja ela onde estiver. Ao isolar o problema que os trabalhadores enfrentam para avançar a sua luta ao dilema do novo contra o velho, o que se faz na prática é impedir que a necessária unidade seja forjada no processo de enfrentamento que já está ocorrendo no plano prático.

Por isso, é que essas “novas esquerdas” possuem um caráter intrinsecamente reacionário e conservador, apesar do palavrório supostamente modernizante.  O que essa “nova esquerda” adoraria é que todos os que resistem ao Capitalismo internalizem o mesmo complexo de avestruz em que seus ideólogos estão metidos. Por isso mesmo é que devemos ignorar esses chamados por um suposto novo que já nasceu decrépito. E que venha a luta de classes!

O ataque do MPF à Lula e a condição da luta de classes no Brasil

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Desde que militei no Partido dos Trabalhadores entre os anos de 1981 e 1990 nunca fui próximo da corrente política organizada em torno do ex-presidente Lula. Eu participava de organização que ele e sua corrente impulsionavam nunca me permitiram apreciar a forma messiânica de condução do PT que girava essencialmente em torno de uma proposição de natureza messiânica.

Bom isto tudo é só para dizer que apesar das diferenças ideológicas com Lula, eu não tenho como compactuar com o ataque desferido pelo Ministério Público Federal contra ele no dia de hoje. Não é que eu ache que Lula seja um santo ou coisa do gênero, mas porque o tipo de argumento que foi apresentado pelo procurador Deltan Dallagnol não resiste a um exame mínimo de lógica sobre o que definiria um “general da corrupção”. 

Além disso, os números financeiros atribuídos a Lula e sua esposa são irrisórias quando comparados a outros esquemas de enriquecimento pessoal, a começar pelo que foi levantado em termos de contas secretas do agora ex-deputado federal Eduardo Cunha. Aliás, nunca custa lembrar daquela mansão que o ex-(des) governador Sérgio Cabral continua desfrutando impávido em Mangaratiba. 

Para mim o que está claro é uma tentativa tosca de inabilitar Lula enquanto candidato a presidência da república em 2018.  È que na falta de provas palpáveis volta a se recorrer ao mesmo tipo de estratagema já utilizado para condenar José Genoino e José Dirceu sob o tal “domínio do fato”. A diferença agora é que até um imóvel com escritura em nome de uma empresa vale como item de indiciamento. Convenhamos, é tudo muito tosco!

Agora, indo além do indiciamento de Lula e sua esposa, o que este ataque à principal liderança política do Brasil revela para mim é que todas as luvas foram removidas no ringue da luta de classes no Brasil. Se é possível atacar Lula com base em provas tão rudimentares, o que dizer de lideranças de movimentos sociais e sindicais que se insurjam contra os planos anti-nacionais e anti-populares do presidente de facto?

Mas como já escrevi antes aqui neste blog, toda essa sanha de destruir Lula pode ainda acabar por fortalecê-lo. Daí se ele poderá ou não ser candidato vai se tornar irrelevante, pois ele acabará tendo o poder de eleger até um dos seus postes para presidir o Brasil a partir de 2019.

De toda forma, enquanto 2018 não chega, a minha avaliação é que teremos um recrudescimento da luta de classes no Brasil. É que com esse indiciamento o que os procuradores do MPF lotados em Curitiba foram derramar muita gasolina numa mata derrubada em algum ponto seco da Amazônia brasileira. Bastará agora que algum incauto jogue um primeiro fósforo aceso para a fogaréu começar.  Bem vindos à luta de classes!

 

O Brasil e uma descoberta incômoda: a luta de classes está viva e manda lembranças

Quando Karl Marx formulou o conceito de luta de classes e associou a ele a ideia de que ela seria o motor que faz girar a história, quase certamente não pensou no Brasil. É que toda a experiência histórica que levou Marx a estabelecer os canones de sua dialética materialista estavam fortemente ancorados na Europa e na Revolução Industrial que ali se consolidava.

 Mas nos últimos tempos, especialmente após a onda conservadora que foi formada para tirar Dilma Rousseff da presidência da república, vejo pessoas sinceramente surpresas com o tipo de virulência que as pessoas de direita são capazes de mostrar e escrever.  Os alvos costumeiros da ira da direita são os pobres, nordestinos, gays, negros e pessoas de esquerda.  Em função disso temos não apenas lido, mas assistido ao que pensam e fazem segmentos da população brasileira que deixam as pessoas médias completamente embasbacadas.

Temos como resultado desse embasbacamento pedidos para que as pessoas se respeitem nas redes sociais e evitem romper amizades por causa das diferenças ideológicas.  Muitos dizem que é preciso evitar a conflagração e o espírito de “um time contra o outro”. 

Pessoalmente acho que quaisquer pedidos para que as pessoas se comportem civilizadamente é inócuo. É que a sociedade brasileira contém elementos que são completamente incivilizados, e que são fruto de sua construção ancorada na escravidão negra e na exploração colonial de nossas riquezas naturais.  Assim, enquanto não houver uma superação do legado histórico que carregamos, qualquer chamado à civilização óu é cínico ou é ingênuo (ou talvez uma mistura dos dois).

Além disso, dada a volúpia com que as forças políticas que ocupam o poder em Brasília a partir do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff atacam direitos sociais e as estruturas do Estado brasileiro, qualquer perspectiva que aponte para necessidades de pacificação é inócuo. É que essas forças não hesitarão em usar o aparato repressivo contra quem se insurgir contra o processo de recolonização do Brasil que elas estão colocando em marcha. E está cada vez mais claro para mim (é só ver os graves ataques em curso contra o SUS e as universidades públicas) que a opção dessas forças é pelo confronto com a maioria da população que rejeitos suas políticas nas últimas quatro eleições presidenciais. 

Em outras palavras, estamos num período em que a luta de classes vai se aprofundar no Brasil. E é preciso ter isto claro, pois, do contrário, os planos de desmanche do Brasil serão aplicados sem dó nem piedade. Afinal, se alguém tinha ilusão de que a burguesia nacionalestava minimamente disposta a ver uma melhora mínima nas condições de vida da maioria pobres do Brasil, a realidade tratou de enterrá-la.

Enquanto isso, Karl Marx manda lembranças de lá do cemitério de Highgate no norte de Londres.