Observatório dos Agrotóxicos: no ritmo de Bolsonaro, governo Lula chega a 500 agrotóxicos liberados em 2023

agrotóxicos

Em uma das mais flagrantes quebras de promessas eleitorais, o governo Lula segue aprovando a liberação de agrotóxicos no mesmo ritmo adotado por Jair Bolsonaro. Agora, com a publicação do Ato No. 56 de 7 de dezembro, o governo Lula chega a astronômicos 500 agrotóxicos aprovados desde janeiro. Esse valor que pode ser ainda maior até o final do ano já supera as aprovações ocorridas sob Bolsonaro em 2019 (n=475) e 2020 (n=493). Eu não me surpreenderei, se os númerosd e 2021 e 2022 também forem superados. É que o “ogronegócio” está longe de se contentar com o montante de liberações, e seus representantes querem sempre mais, muito mais.

Ao verificar a lista dos agrotóxicos liberados no dia de hoje dei de cara com dois produtos contendo o princípio ativo  que foi classificada pela IARC como provável carcionógeno em humanos, apesar de ainda estar liberada nos EUA e na Europa onde o uso deste agrotóxico se encontra fortemente restringido, mas que no Brasil tem um nível “legal” de resíduos que é de 400 vezes mais do que o autorizado na União Europeia.

O problema é que com a aprovação do “Pacote do Veneno” há a expectativa de que o presidente Lula veta as partes mais escandalosas desta lei que abrirá espaço não apenas para a continuidade do uso da malationa, mas de vários outros agrotóxicos já classificados como claramente causadores de câncer e outras enfermidades grave.

Em outras palavras, todas aquelas promessas que o atual governo iria trabalhar para que o Brasil adotasse um modelo agroecológico de agricultura ficaram mesmo só no campo das promessas, e o que se vê é um governo fortemente alinhado com os interesses do latifúndio agro-exportador e das grandes corporações multinacionais que se refastelam em lucros obtidos com o adoecimento dos brasileiros e como a contaminação de nossos solos, águas e atmosfera.

Como venho dizendo desde a posse do presidente Lula, os agrotóxicos representam uma daquelas facetas que ameaçam devorar o atual governo, na medida em que o avanço do uso massivo de substâncias químicas altamente perigosas está criando uma série de epidemias surdas no Brasil, incluindo o recrudescimento da quantidade de diversos tipos de câncer. Como estamos, em contrapartida, assistindo esforços do próprio governo para a redução dos repasses para o sistema único de saúde (SUS), essa é uma combinação que ainda trará graves problemas de saúde pública para o Brasil.

Por isso, a luta contra os agrotóxicos deverá ser uma das principais nos enfrentamentos que deverão ocorrer em 2024. É que ainda temos quase 1.000 agrotóxicos na fila de espera para serem liberados para comercialização no Brasil. E quem espera que algo do interior do governo Lula em termos de reação a esta poção venenosa, melhor esperar sentado.

Com uso itenso, inseto desenvolve resistência a três agrotóxicos no cultivo de cítricos no Brasil

Pesquisa do Fundecitrus em parceria com a Esalq/USP confirmou a fase inicial de resistência do psilídeo ao ingrediente ativo malationa

psilideoPsilídeo dos citros – O maior desafio da citricultura

Por Fundecitrus

Pesquisa do Fundecitrus em parceria com a Esalq/USP confirmou a fase inicial de resistência do psilídeo ao ingrediente ativo malationa, do grupo químico dos organofosforados, em algumas microrregiões do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. É o terceiro grupo químico que apresenta esse tipo de ocorrência comprovada. A resistência do inseto vetor do greening já foi constatada para os ingredientes bifentrina e imidacloprido, respectivamente dos grupos dos piretroides e neonicotinoides.

De acordo com a lista ProteCitrus, apenas a malationa consta como ingrediente ativo pertencente ao grupo dos organofosforados disponível para o uso no campo. Porém, há outros ingredientes ativos registrados para uso em citros e que não constam na lista, como acefato, clorpirifós, dimetoato, fosmete, metidationa e pirimifós-metílico. Os dados fazem parte de estudos conduzidos pelo engenheiro-agrônomo e pós-doutorando da Esalq/USP no Fundecitrus, Fernando Amaral. Para a constatação da resistência a essa molécula, Amaral avaliou em laboratório populações de psilídeos de quatro regiões do parque citrícola utilizando as gerações subsequentes dos insetos coletados no campo.

De acordo com ele, embora a resistência esteja comprovada nessas microrregiões, a ocorrência ainda não atingiu os mesmos parâmetros de ineficácia no combate ao psilídeo encontrados em produtos dos grupos piretroides e neonicotinoides. “Podemos dizer que é uma fase inicial do processo de evolução da resistência. Isso mostra, mais uma vez, que ocorreu uma alta frequência do uso desse ingrediente ativo sem a correta rotação com outros modos de ação ou uma dosagem abaixo do indicado na bula”, explica Amaral.

Neste momento, o citricultor deve ficar atento à incidência de ninfas e psilídeos adultos nos pomares. “Se observadas falhas de controle, o organofosforado deve sair temporariamente da lista de opções do citricultor para o manejo do inseto. Isso deve ocorrer até que haja, no futuro, o restabelecimento da suscetibilidade”, orienta.