Omissão e engano: as marcas da Vale no TsuLama da Samarco

As duas matérias abaixo foram publicadas pela Folha de São Paulo e mostram duas facetas explícitas da Vale no caso do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton): engano e omissão.

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Na primeira matéria, fica demonstrado que a Vale inicialmente omitiu o montante de sua lama que estava depositada na barragem do Fundão. É que, como mostra a matéria, o valor de rejeitos da própria Vale não eram os módicos 5% como a empresa declarou inicialmente, mas significativos 28%. Não que isto mude em nada a situação já que metade do capital da Mineradora Samarco é da Vale, mas é importante notar como essa omissão de responsabilidade protegia a marca “Vale” ao colocar na “joint venture” o peso maior pelo lançamento de rejeitos. É que, ao contrário da Vale, a Samarco pode ser facilmente substituída por outra marca de fantasia.

O segundo aspecto que eu considero revelador sobre a postura da Vale em relação ao assunto foi o fato de que a Mineradora Samarco teria levado duas horas para comunicar às autoridades mineiras a ruptura da barragem do Fundão e os terríveis impactos humanos e ambientais que já estavam ocorrendo ao longo da passagem do TsuLama.  É que querendo ou não, a Vale é co-proprietária da Mineradora Samarco e possui uma infraestrutura de comunicação que teria permitido uma reação mais rápida, a qual poderia ter minimizado as consequências do TsuLama.

Mas em ambos os casos, o que se viu foi a opção pelo engano e pela omissão de informações que, agora se sabe, são fundamentais para entender o fenômeno e a aplicar as devidas punições que o caso requer.

Incidente em Mariana: Vice faz nova matéria sobre impactos ambientais causados pelo TsuLama da Mineradora Samarco

Tive a oportunidade de colaborar novamente na cobertura que a Vice Media continua realizando do incidente da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) em Bento Rodrigues, e posto a matéria produzida pela jornalista Letícia Naísa que traz elementos interessantes sobre os impactos ambientais do TsuLama.

Como tenho tido a oportunidade de observar neste blog e aparece novamente na matéria da Vice, os problemas que foram iniciados pelo TsuLama são de longo alcance, não apenas espacial mas também temporal. Assim, é essencial que se continue falando sobre o assunto. Mesmo porque com tantas evidências aparecendo sobre a forma negligente com que a Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) operava a barragem do Fundão, há que se impedir a repetição desse tipo de catástrofe criada essencialmente pela avareza corporativa.

Os Impactos Ambientais em Mariana São Piores do que Imaginamos

ESCRITO POR LETÍCIA NAÍSA

O mês de novembro começou com uma das maiores tragédias ambientais já vividas em nosso país. No dia cinco, uma das barragens de mineração da Samarco na cidade de Mariana, em Minas Gerais, se rompeu e gerou o caos na região de Bento Rodrigues. O Rio Doce foi tomado por lama e por metais pesados que devem alterar o meio ambiente de formas irrecuperáveis nas próximas décadas. Centenas de pessoas perderam tudo; pelo menos 11 morreram e 12 estão desaparecidas. O dano no meio ambiente, dizem os estudiosos, é de dimensões incalculáveis.

Bento Rodrigues. Crédito: Maurício Fidalgo

A lama que tomou o rio viajou até o litoral do Espírito Santo, destruiu tudo pelo caminho e desaguou nas águas do Atlântico, onde agora prejudica espécies oceânicas. Especialistas ouvidos por Motherboard afirmam que nunca foi visto nada tão destruidor no ecossistema brasileiro.

De acordo com o professor Carlos Barreira Martinez, engenheiro ambiental e coordenador do Centro de Pesquisa Hidráulicas e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as espécies mais afetadas de imediato foram as de peixes da bacia do Rio Doce. “São quase 120 espécies catalogadas na região, um monte de indivíduos vai simplesmente morrer”, afirma, citando, dentre as principais, o Curimba e o Piau Branco.

Outro desdobramento da tragédia foi encontrar, mortos e soterrados, indivíduos de espécies desconhecidas até então e que cumpriam papel ecológico importante na cadeia da região. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, foi descoberta, durante o resgate, uma nova espécie rara do gênero Brycon, um peixe parecido com a pirabanha. Além de mais peixes, crustáceos, moluscos e toda a fauna aquática devem sofrer consequências.

“Eu diria que é uma hecatombe ambiental”

O solo também vai sofrer graves consequências. “A fertilidade do solo, se voltar, poderá demorar séculos para se restabelecer”, prevê o biólogo da Universidade Mackenzie, Julio Tonon. “O ambiente foi mudado permanentemente, possivelmente os danos serão tão profundos que no decorrer dos anos outro tipo de ecossistema se desenvolva lá, mas nunca mais será o mesmo.”

Paracatú de Baixo. Crédito: Maurício Fidalgo

A questão agora é como diminuir os danos. O geógrafo e professor Marcos Pedlowski, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), acredita que é importante monitorar os impactos da região daqui pra frente, já que o acúmulo de sedimentos e metais pesados terá efeitos em toda a cadeia alimentar para além da geografia da bacia do Rio Doce.

“Não sabemos exatamente a mudança que isso vai operar no ecossistema do Rio Doce, mas uma coisa que sei, por experiência pretérita no Vale do Paraíba do Sul, onde teve derrames, é que há uma diminuição das populações mais comercializadas. Esses nunca se recuperaram, mesmo mais de sete anos depoi”, afirma. “O problema é que muita gente se concentra só nos parâmetros básicos da água, mas isso é o que se reorganiza mais rápido.”

Fila na distribuição de agua em Governador Valadares. Crédito: Felipe Larozza/VICE

Especialistas acreditam que pode levar décadas até haver uma recuperação parcial da região em termos físicos. Em termos históricos e sociais, ninguém se arrisca a prever. “Eu diria que é uma hecatombe ambiental”, diz o professor Pedlowski.

O professor Martinez acredita que a recuperação será feita aos trancos e barrancos: “Vai haver uma recolonização do rio. A bacia vai ter que absorver esse impacto e daqui a pouco as pessoas vão esquecer, como se esqueceram das mortes no Rio de Janeiro em Petrópolis, Itaipava”, diz. “Tá tudo esquecido.”

EM BUSCA DA SOLUÇÃO PERDIDA

Mas o que pode ser feito? “Essa é a pergunta de alguns milhões de dólares”, me responde Pedlowski. Para ele e demais especialistas ouvidos pelo Motherboard, um bom começo seria despoluir o rio.

“Deveria haver primeiro um plano de despoluição do rio e, depois, deveríamos coletar e tratar todo o esgoto que é lançado”, diz Martinez. “Também deveria haver uma orientação para que as margens sejam preservadas e para que a agricultura seja menos agressiva do ponto de vista da erosão. Um processo de reflorestamento de matas ciliares por exemplo. Tudo o que não se faz”, completa.

O professor Pedlowski afirma que a morte do Rio Doce não é de hoje. “Ninguém está falando sobre como o rio estava antes do incidente, ele já estava muito mal. Você pegou um paciente que já estava doente e o deixou mais doente ainda”, diz. “Era um longo processo de decadência por causa de retirada de água, das formas de uso da terra, lançamento de contaminantes, material orgânico não tratado, isso tudo.”

Rio Doce. Crédito: Felipe Larozza/VICE

A Vale, companhia responsável pela Samarco, já vinha negligenciando a região há anos e meio que ninguém ligava. Agora, com as operações de salvamento da região, pode ser que haja alguma chance de controlar os danos. O pessimismo com a responsabilidade do governo federal e estadual, porém, também são grandes.

Para Pedlowski, “o que nós precisamos é que o governo e as empresas sejam responsabilizadas e invistam com bilhões de reais em operações”. “A situação pretérita não tem a ver com o que foi causado agora, mas é preciso haver uma solução de médio a longo prazo. Os governos não podem se poupar do papel de controlar a atividade de mineração, ao contrário do que estão fazendo.”

FONTE: http://motherboard.vice.com/pt_br/read/os-impactos-ambientais-em-mariana-sao-piores-do-que-imaginamos

Incidente em Mariana: quanto mais se apura, mais irresponsabilidade aparece

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Apesar da maioria da mídia corporativa estar enterrando rapidamente o incidente envolvendo a Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) para debaixo da lama que escorre pelo Rio Doce afora, as informações que continuam aparecendo principalmente nos jornais publicados em Minas Gerais confirmam que a barragem do Fundão era uma hecatombe esperando para explodir.

Um primeiro artigo assinado pelo jornalista Mateus Parreiras mostra que nos  15 meses que antecederam a explosão da barragem do Fundão, a a Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) havia aumentado havia aumentado em 80% a deposição de rejeitos no local (Aqui!).  Segundo o que apurou Mateus Parreiras,  “entre 2013 e 2014, o ritmo de despejos foi de 250 mil metros cúbicos de rejeitos a cada 30 dias, passando de 27 milhões acumulados para 30 milhões. Neste ano (2015, grifo meu), o acúmulo cresceu 83%, chegando a 55 milhões, o que dimensiona média de 1,7 milhão de metros cúbicos por mês entrando na Barragem do Fundão.

Um segundo artigo assinado pela jornalista Sandra Kiefer, mostra que pari-passu  ao aumento da deposição de rejeitos, uma série de remendos foram feitos de forma aparentemente desqualificada na barragem do Fundo, sem sequer informar os órgãos ambientais (Aqui!). No artigo é apresentada a informação apurada pelo  promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador do Núcleo de Resolução de Conflitos Ambientais (Nucam) do Ministério Público de Minas Gerais que teria apurado “que a mineradora Samarco fez uma série de reparos na Barragem de Fundão, comparados a remendos, que não eram informados aos órgãos de defesa ambiental e que às vezes sequer tinham projetos, mas que tornaram comprometidas as condições de segurança da estrutura”.

Combinadas essas duas matérias explicitam um quadro de completa irresponsabilidade por parte da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) que privilegiou o lucro em nome da segurança, e de descontrole por parte dos órgãos ambientais. A simples informação de que os projetos de segurança eram preparados pela Samarco e chancelados pelos órgãos ambientais reforça ainda mais essa combinação de (ir) responsabilidades que resultaram no TsuLama que atingiu a calha do Rio Doce e o mar do Espírito Santo.

E pensar que depois disso tudo ainda tenhamos assistido o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), enviar e aprovar um decreto que retira de fato os frágeis controles que existiam no processo de licenciamento ambiental de barragens e outros empreendimentos com potencial poluidor!

Diante desse cenário, é essencial que, ao contrário de casos anteriores, não deixemos o TsuLama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) ser esquecido e empurrado para debaixo do tapete. Afinal, uma sociedade que não aprende com seus erros, tenderá a repeti-los. Será que é isso que queremos?

Workshop do CETEM debate soluções para tragédia em Mariana

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O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM/MCTI) realiza em sua sede, no Rio, nesta sexta-feira, 4/12, o workshop “Da tragédia à incerteza: o caso das barragens de Mariana, com objetivo de discutir aspectos jurídicos,ambientais, tecnológicos, sociais e econômicos relacionados ao rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, da mineradora Samarco. As propostas discutidas nos grupos de trabalho subsidiarão a elaboração de documento com recomendações do CETEM a ser entregue ao ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera.

O evento abordará temas como Responsabilidade ambiental: da sanção ao deve de reparação; A disputa de interesses e a sustentabilidade na mineração brasileira; APPEL da mineração e transporte de sustâncias químicas perigosas para a indústria em geral e para a mineração; Direito Internacional: ecocídio e crime corporativo; Vulnerabilidade socioeconômica e ambiental na Bacia do Rio Doce; Medidas de recuperação: infraestrutura e meio físico-biótico.

Na véspera, dia 3, haverá o Seminário Mineração, populações e territórios, no qual serão abordados casos e temas relacionados aos efeitos da mineração sobre os territórios e os conflitos que vêm ocasionando com as populações. O tema é um desdobramento do trabalho que deu origem ao banco de dados Recursos Minerais e Territórios, lançado pelo CETEM há um ano. O banco reúne mais de uma centena de relatos de impactos socioambientais, distribuídos em 22 estados das cinco regiões brasileiras, relativos aos impactos causados pela atividade extrativa mineral sobre o meio ambiente, populações e territórios. São estudos envolvendo mais de duas dezenas de substâncias e diversos tipos de empreendimentos. Cento e cinco desses relatos deram origem a um livro intitulado Recursos Minerais e Comunidades: impactos humanos, socioambientais e econômicos, lançado na mesma ocasião. Ambos, banco de dados e livro, estão disponíveis no site do CETEM:

www.cetem.gov.br

Os interessados poderão ter acesso ao programa dos dois de eventos e se inscrever para participar no site do CETEM: <http://www.cetem.gov.br>

Mais informações com: Eliane Neves  eneves@cetem.gov.br ou pelo telefone: 21-3865-7389.

Coordenação do evento: Francisco Fernandes –ffernandes@cetem.gov.br21-3865-7320

Local: Auditório do CETEM- Av. Pedro Calmon, 900, Cidade Universitária

Núcleo de Comunicação Coordenação de Planejamento, Gestão e Inovação – CPGI Centro de Tecnologia Mineral-  CETEM divulgacao@cetem.gov.br<mailto:divulgacao@cetem.gov.br> 21 3865-7211

Mariana como ensaio do que virá? Vejam os números e façam suas apostas!

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A matéria abaixo foi postada pela Coppe/UFRJ para informar a criação de um grupo de especialistas voltados para criar diretivas que visam aumentar a sustentabilidade da indústria de mineração no Brasil. Até ai, pouca novidade, pois já até lemos os primeiros resultados dessa atuação em parceria do Ministério do Meio Ambiente por meio da entrevista do Prof. Paulo César Rosman à BBC (Aqui!).

Na verdade o que eu gostaria de chamar a atenção de todos os leitores deste blog é sobre os números arrolados pela Coppe: 1) existem 600 barragens de rejeitos espalhados pelo Brasil, 2) existem 5,8 bilhões de   m³ de rejeitos já armazenados nessas barragens, e 3) há a expectativa de que apenas, eu disse apenas, a mineração de ferro vai adicionar mais 4,7 bilhões de toneladas a esse total nos próximos 20 anos.

Somado tudo isso ao aparente descontrole sob o monitoramento em que se encontra uma parcela significativa dessas barragens, nós temos que o Brasil hoje vive sob o risco real de que o incidente de Mariana seja apenas um prelúdio magro de uma mega hecatombe ambiental que se apresenta hoje sob a forma de uma bomba relógio escondida do grande público.

E ainda há que se lembrar que neste momento, o congresso brasileiro avalia uma mudança no Código da Mineração que poderá acrescentar ainda mais rejeitos nessa matemática que já atinge dimensões “mega”. Diante disso, vamos qual será a proposta de sustentabilidade que a Coppe/UFRJ vai nos oferecer.  A ver!

Coppe cria grupo para aumentar a sustentabilidade da indústria mineral

Por: Maurício Neves

Barragem em Mariana

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

A Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ – criou um grupo de estudos interdisciplinar com o objetivo de estudar formas de aumentar a sustentabilidade da indústria mineral no Brasil e de mitigar os diversos tipos de impactos decorrentes de desastres como o ocorrido no dia 5 de novembro, em Mariana (MG). Em ofício enviado, dia 19 de novembro, à ministra Izabella Teixeira, o diretor da Coppe, Edson Watanabe, informou a criação do grupo e colocou a infraestrutura da instituição à disposição do Ministério do Meio Ambiente para um esforço conjunto, visando mitigar os impactos ambientais da tragédia que afeta a Bacia do Rio Doce e o litoral capixaba e, principalmente, aumentar a sustentabilidade futura do setor mineral no país.

“É urgente que ações estratégicas sejam tomadas para que se possa aumentar a sustentabilidade da indústria da mineração”, ressaltou o diretor da Coppe em carta enviada à ministra do Meio Ambiente. Estudos mostram que as cerca de 600 barragens hoje existentes no Brasil armazenam entorno de 5,8 bilhões de m³ de rejeitos, sendo que apenas a mineração de minério de ferro adicionará mais 4,7 bilhões de toneladas a isso nos próximos 20 anos.

O grupo criado pela Coppe desenvolverá estudos em seis áreas principais: tecnologia mineral – estudo de processos de beneficiamento de minérios a seco, visando otimizar a segurança dos reservatórios e reduzir o consumo de água; reuso, ainda que parcial, dos rejeitos da mineração, reduzindo o volume contido nas barragens; técnicas de construção, monitoração e instrumentação de barragens de rejeitos, com o objetivo de melhorar sua segurança, estabilidade e resiliência; uso de técnica computacionais para simulação de “dam breaks“, permitindo a elaboração de planos de ação emergencial que reduzam os riscos de danos sociais e ambientais no caso de desastres como o ocorrido em Mariana; mitigação de impactos ambientais, decorrentes de falhas em barragens em rios e estuários, envolvendo simulações de tais impactos; logística e aspectos econômicos e sociais, envolvendo o consumo de água, as necessidades de infraestrutura de transporte e armazenamento de produtos e rejeitos.

A colaboração da Coppe com o governo federal, contudo, já começou. De acordo com modelagem feita pelo professor de Engenharia Costeira da Coppe, Paulo Cesar Rosman, a partir das informações disponíveis no momento, as correntes marinhas estão em direção ao sul, e não ao norte, portanto, até o momento, não há expectativa que a lama atinja o arquipélago de Abrolhos, cujo recife de corais é lar de um dos mais importantes ecossistemas do país. Segundo ele, esse é um prognóstico inicial, com base nas informações preliminares disponíveis.

O ofício foi encaminhado também à Casa Civil; ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); aos governadores de Minas Gerais e Espírito Santo; ao Ibama e à Vale.

Fonte: Planeta COPPE

Incidente em Mariana: Samarco cada vez mais enrolada na lama que despejou

Samarco acelerou ampliação da capacidade da barragem que estourou

Documentos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente indicam que aumento de capacidade da represa que se rompeu ocorreu anos antes do previsto inicialmente. Efeito da disparada da produção é uma das linhas de apuração do MP

 Guilherme Paranaiba

CBMMG/divulgação

A produção acelerada da mineradora Samarco em Mariana, na Região Central do estado, levou a empresa a apressar o planejamento para aumentar a capacidade de armazenar rejeitos na Barragem do Fundão – que se rompeu em 5 de novembro, liberando cerca de 60 milhões de metros cúbicos de lama e causando o maior desastre ambiental da história do país. A previsão da mineradora, estipulada na primeira licença de operação, aprovada pelo Conselho de Política Ambiental (Copam) em 2008, dava conta de que a barragem chegaria a 940 metros (em relação ao nível do mar) apenas em 2022 . Porém, documentos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) demonstram que em junho de 2017 a estrutura já teria essa condição. Em junho deste ano foi expedida licença para obra de alteamento da barragem, com previsão de dois anos de duração. O aumento da produção nos últimos anos, confirmado pela própria Samarco, é uma das linhas de investigação que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) seguem para entender a causa da tragédia.

O andamento da obra para atingir a cota de 940 metros foi confirmado pela Samarco e também pela Semad, que forneceu parecer único emitido por seus técnicos sugerindo o deferimento das licenças prévia e de instalação para a obra de alteamento entre as cotas 920 e 940, que duraria dois anos a partir de junho de 2015, data das licenças. Essa era apenas uma das obras que ocorriam no momento do desastre em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana. A segunda era uma ampliação da capacidade sem alteamento, já na cota 920, que foi autorizada em dezembro de 2013 e também tinha cronograma de dois anos, conforme a Semad. Esse é outro indício dos efeitos do aumento de produção da Samarco, já que a previsão inicial era de que a altura de 920 metros fosse atingida apenas dentro de cinco anos, em 2020. Porém, esse patamar já aparecia como implantado em documentos de 2013 – e é a informação com que o MPMG conta sobre a operação antes da tragédia, conforme o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto.

A Samarco se limita a informar que operava uma cota de 898 metros antes do desastre com a estrutura, apesar da autorização para chegar a 920, confirmada pela Semad. Técnicos da pasta já haviam emitido dois pareceres sugerindo o deferimento da operação de Fundão, que foram confirmados pelo Copam, responsável por aprovar as licenças em Minas Gerais. Um foi em 2008, a primeira licença de operação para a barragem. O outro, em 2013, é a revalidação da mesma licença, que tem validade de seis anos. Depois do acidente, a Semad embargou as operações na Mina do Germano, onde fica a Barragem do Fundão.

Investigação

Entender a evolução do armazenamento da barragem que se rompeu é considerada tarefa fundamental pelo Ministério Público de Minas para descobrir o que causou a tragédia. “O aumento da produção, e consequentemente, da deposição de rejeitos na barragem, é uma das linhas de investigação das causas que estamos seguindo”, diz o promotor Mauro Ellovitch, um dos integrantes da força-tarefa criada para investigar as causas e os desdobramentos dos danos ambientais, ao patrimônio e também as condições das duas barragens remanescentes no complexo. O Ministério Público Federal (MPF) também tem atenção especial sobre o histórico de produção da Samarco, especialmente nos últimos anos. “De cinco anos para cá, mais ou menos, o volume de rejeitos na barragem aumentou bastante”, disse o procurador federal José Adércio ao Estado de Minas.

O professor Roberto Galery, do Departamento de Engenharia de Minas da UFMG, lembra que duas situações diferentes verificadas no setor de mineração podem combinar com o aumento de produção das empresas. “Entre 2011 e 2013, tivemos um momento favorável para a produção do minério de ferro, com a tonelada custando US$ 140, chegando até a US$ 190. Isso causou uma mobilização maior do mercado para aumento de capacidade”, afirma o especialista. A partir de 2014, em virtude da crise econômica mundial, o preço caiu bastante, chegando a US$ 44 na semana passada. Porém, mesmo assim o aumento de produção foi mantido, segundo o professor. “Se a margem de lucro cai, é preciso produzir mais para pagar o investimento que foi feito”, completa.

Em 2008, quando a Samarco formalizou o pedido de licença de operação para a Barragem do Fundão na Semad, uma previsão de alcance do reservatório foi anexada ao parecer da secretaria, conforme o processo 15/1984/066/2008. Nessa estimativa, a empresa esperava chegar em 2022 a uma cota altimétrica de 940 metros. Em dezembro de 2012, a Samarco procurou novamente a Semad, desta vez para solicitar licenças prévia e de instalação (anteriores à operação) de uma ampliação da represa, porém, sem alteamento.

Chamada de otimização, a ampliação se daria em uma cota já atingida pela barragem em 920 metros, segundo o parecer único da Semad número 262/2013. As duas licenças só foram concedidas um ano depois, em dezembro de 2013, permitindo a obra estimada para durar até dezembro deste ano. Dois meses antes, em outubro, a Samarco também conseguiu a revalidação da licença de operação do Fundão, que garantia o funcionamento normal da barragem por mais seis anos. A concessão dessa licença ocorreu em 29 de outubro. Apenas dois dias depois, a empresa pediu novamente licenças prévia e de instalação, dessa vez para unificar as barragens de Fundão e Germano, com um alteamento que começaria em 920 metros e chegaria até os 940. A autorização se deu somente um ano e oito meses depois, em 30 de junho deste ano, mais uma vez com estimativa de obras que durariam dois anos.

Em nota, a Samarco confirmou que estava mobilizada para chegar à cota de 940 metros de alteamento, por meio de obra autorizada pela obtenção das licenças prévia e de instalação, aprovadas por unanimidade pelo Copam. A empresa confirmou o aumento de produção e esclareceu que entre 2008 e 2014 passou por dois períodos de expansão. Em 2009, inaugurou a terceira pelotização, que subiu a capacidade produtiva para 23,5 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano. Em 2014, foi inaugurada a quarta pelotização, que incrementou a produção em 37%, chegando a 30,5 milhões de toneladas.

FONTE: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/12/02/interna_gerais,713355/samarco-acelerou-ampliacao-da-capacidade-da-barragem-que-estourou.shtml

Incidente da Samarco em Mariana: matéria da Folha de São Paulo mostra que a tragédia foi anunciada e ignorada quatro vezes

Samarco teve outros 4 vazamentos de lama antes de tragédia em MG

ESTÊVÃO BERTONI, THIAGO AMÂNCIO DE SÃO PAULO

 Antes da tragédia com uma barragem em Mariana (MG), a mineradora Samarco havia registrado, desde 2005, pelo menos outros cinco episódios de rompimento de suas estruturas –quatro dos quais tiveram vazamentos de lama que chegaram até a matar peixes e paralisar a captação de água.

Embora não sejam comparáveis ao desastre do último dia 5 que devastou a bacia do rio Doce, eles resultaram em danos sob discussão até hoje.

Um dos episódios, em 2005, envolveu um dique de contenção da Cava do Germano, próximo ao local onde em 2008 passou a funcionar a barragem do Fundão –a que provocou um “tsunami de lama” no mês passado, deixando ao menos 11 mortos (oito pessoas estão desaparecidas).

Ele foi relatado pela própria Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, em um de seus relatórios de sustentabilidade –que acabou retirado nos últimos dias da página da mineradora na internet.

“A causa foi excesso de chuva. A gente estava passando por um momento de chuvas intensas, mas, mesmo assim, esse dique teria que suportar”, afirma Sérgio de Moura, funcionário da empresa desde 1984 e diretor do sindicato dos trabalhadores da mineradora em Mariana.

  Montagem sobre foto de Avener Prado/Folhapress/Avener Prado/Folhapress  
Clique na imagem e veja o especial &quot;O caminho da lama&quot;
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O rompimento nesse caso só afetou equipamentos da unidade. Mas, no mesmo ano, um vazamento de um dos espessadores (tanque onde é feita a separação entre sólidos e líquidos) de Germano atingiu a vegetação de uma encosta e a estrada. A empresa foi autuada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente.

Em 2006, novo vazamento, desta vez de polpa de minério, foi registrado em Barra Longa (MG), atingindo dois córregos. A Samarco teve que construir uma bacia de contenção e distribuir material de limpeza e água para seis famílias que utilizavam os córregos para lavar roupas.

Em 2008, 1.890 m³ de polpa de minério (equivalentes a 75% de uma piscina olímpica) vazaram do mineroduto da empresa em Anchieta (ES), atingindo uma área de pastagem e um córrego. Naquele ano, ela foi multada em R$ 1,6 milhão pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente do Espírito Santo.

Em 2010, 433 m³ de polpa de minério causaram morte de peixes no rio São João e a interrupção, por três dias, de captação de água em Espera Feliz (MG). “Dois anos depois, a Samarco reintroduziu peixes no rio. Não sei se vingou, pois não temos estudos”, diz Rodrigo Carrara, diretor de Meio Ambiente da prefeitura.

O promotor Bruno Guerra diz que a lama causou danos em áreas de preservação. “O Ministério Público busca indenização dos danos ambientais irrecuperáveis e danos morais coletivos.” Há um inquérito civil aberto.

O consultor em barragens Jehovah Nogueira Jr. afirma que quantidade vazada é grande e pode indicar que a empresa demorou para agir.

OUTRO LADO

Procurada, a Samarco não respondeu sobre os casos específicos citados pela Folha.

A mineradora afirmou, por meio de sua assessoria, que “tem respeito à vida como um de seus valores” e “segurança como prioridade em suas operações.” Disse ainda que tem índices de acidentes de trabalho abaixo da média mundial da mineração, mas não informou quais são.

Segundo a Samarco, os minerodutos são monitorados em tempo real, e o fluxo de polpa de minério é interrompido “tão logo sejam detectadas possíveis falhas”.

“A Samarco acionou planos de emergências específicos e realizou ações para mitigação dos danos, além de promover a limpeza das áreas afetadas. Cabe ressaltar que a polpa de minério de ferro é inerte”, diz.

A empresa afirma que os relatórios não estão mais no site por estar priorizando as divulgações sobre Mariana.

O diretor jurídico da Vale, Clovis Torres, disse que a mineradora não pode ser responsabilizada legalmente pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG).

“Você pode até discutir que a Vale tem responsabilidade enquanto acionista da Samarco, mas responsabilidade legal, a resposta é não”, afirmou em evento na Bolsa de Nova York, nesta terça-feira (1º). A Samarco é controlada em conjunto pela Vale e pela BHP.

O diretor jurídico afirmou que a Vale não foi notificada formalmente da ação civil planejada pelo governo federal, que prevê a criação de um fundo de R$ 20 bilhões para recuperar a bacia do rio Doce.

A companhia reconheceu que os acionistas podem ser chamados a resolver danos ambientais caso se comprove que a Samarco não tem condições de arcar com os prejuízos.

“A Samarco não é uma empresinha qualquer, não é um botequim. É uma companhia de US$ 10 bilhões, que fatura US$ 2 bilhões por ano. Não há que se falar, neste momento, em responsabilidade dos acionistas e muito menos em provisão por parte dos acionistas”, disse Torres.

Diante do tamanho da tragédia no rio Doce, que ainda está em curso, não é possível afirmar quanto da bacia hidrográfica entupida pela lama poderá ser recuperada. O que não significa, segundo especialistas, que se deva desistir de tentar.

O plano da ONG WWF é oferecer uma ferramenta usada em outras partes do mundo, e também no Pantanal, que ajuda a criar “bombas de água limpa” para tentar desentupir os rios da região.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/1713745-samarco-teve-outros-4-vazamentos-de-lama-antes-de-trajedia-em-mg.shtml

Incidente de Mariana: imagens de satélite mostram alcance de mais de 100 km no oceano

Por Capixaba da Gema

A lama que contem a tabela periódica inteira (Irresponsabilidade da Samarco / Vale / BHP Bilton)

Imagem do satélite AQUA mostra que uma parte da lama já se espalhou no dia de hoje por aproximadamente 110 km para o sul em mar aberto. Nessa distância, a lama já está na altura do litoral de Guarapari, cerca de 30km distante da costa.

lama satelite
Fica a nossa observação/alerta e quem quiser as imagens em alta resolução, seguem os links.

Imagem do AQUA de hoje.

http://lance-modis.eosdis.nasa.gov/imagery/subsets/?subset=FAS_Brazil4.2015334.aqua.250m

http://go.nasa.gov/1Xt8L5U

FONTE: https://www.facebook.com/CapixabadaGema/photos/a.190033894417865.50354.189621137792474/935142149907032/?type=3&theater

Incidente da Samarco: imagens do estrago na interface rio-oceano que só aparecem na imprensa internacional

As duas imagens abaixo acabam de ser publicadas fora do Brasil onde não vi qualquer veículo da mídia corporativa brasileira fazendo o mesmo. As razões para essa “pequena” omissão podem ser muitas, mas a primeira me parece ser o esforço para fazer valer a imagem de que o incidente não foi “tão grave assim’ e que o “Rio Doce vai ressuscitar em 5 meses”. 

Agora vejam as imagens e me respondam com sinceridade: será que temos tantas razões assim para ter tamanho otimismo em relação aos efeitos do TsuLama da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) no Rio Doce e nos ecossistemas costeiros do Espírito Santo?

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