Rio Doce pós-TsuLama da Samarco: cadê a prometida ressurreição, Dr. Rosman?

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No dia 28 de  Novembro de 2015, o Prof. Paulo Rosman do COPPETEC/UFRJ deu uma entrevista à rede inglesa BBC com uma previsão que gerou muita polêmica nas redes sociais. Nessa previsão o Prof. Rosman indicou a sua crença numa eventual ressurreição do Rio Doce até o final deste mês de Abril, ou seja, cinco meses após a data da entrevista (Aqui!).

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As reações à entrevista dada pelo prof. PauloRosman à BBC sobre a situação criada pelo incidente da Mineradora Samarco em Mariana (Aqui!) não tardaram. Um membro da rede social Facebook resolveu inclusive criar um evento que ele denominou de “Dia da Ressureição do Rio Doce, segundo Paulo Rosman e o MMA”.

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Pois bem, ontem (28/4) completaram-se os cinco previstos pelo Prof. Rosman, a antecipada ressurreição do Rio Doce não se consumou. E, pior, notícias vindas das regiões atingidas pelo TsuLama da Samarco dão conta que as condições de recuperação dos ecossistemas atingidos continuam bastante lentas, até porque até hoje não foi interrompida a chegada de sedimentos aos sistemas aquáticos que desaguam no Rio Doce.

Além disso, o drama social causado pelo TsuLama tampouco se abateu, pois continuam os problemas com o abastecimento de água potável e persiste o abandono das famílias diretamente atingidas pelo incidente ocorrido em Bento Rodrigues.

Diante desse cenário todo, eu fico me perguntando se BBC vai procurar o Prof. Rosman para que ele nos esclareça porque a ressurreição do Rio Doce se transformou numa previsão furada. Já no caso da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira,  que havia prometido ações para mitigar os efeitos do TsuLama, é provável que a maior preocupação atual dela seja arrumar as gavetas com o iminente impeachment da presidente Dilma Rousseff.

E pensar que depois dessa tragédia toda a grande solução que está sendo preparada em Brasília é abolir o processo de licenciamento ambiental no Brasil.  Se isso se consumar, o mais provável que o TsuLama da Samarco seja apenas o primeiro de uma longa série de incidentes mortais. E ainda sem direito à ressurreição, seja dos mortos ou dos ecossistemas naturais.

TsuLama pode ter efeitos ainda mais catastróficos se barragem romper em MG

Pressão de Rejeitos da Samarco Pode Romper Barragem da Usina em Minas

Segundo o Ibama, pelo menos 10 milhões de metros cúbicos de detritos estão pressionando estrutura da hidrelétrica na Zona da Mata mineira. Instituto descobriu também que afluentes do Rio Doce não foram mapeados por mineradora

Por Pedro Ferreira
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Um muro de 16 metros formado por rejeitos de minério da Barragem de Fundão, que se rompeu em novembro do ano passado em Mariana, na Região Central de Minas, se formou junto à parede da barragem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, também conhecida como Candonga, que pode se romper por causa da pressão. Foi o que indicou levantamento feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Segundo o Ibama, a força dos rejeitos sólidos sobre a parede da usina é grande e oferece risco. Pelo menos 10 milhões de metros cúbicos de material estão forçando a estrutura da usina, que fica no município de Santa Cruz do Escavado, Zona da Mata mineira.
Por determinação do Ibama, o material já está sendo retirado pela Mineradora Samarco, dona da barragem que se rompeu. O período de estiagem contribui para o serviço, segundo o instituto. Ainda de acordo com o Ibama, se não fosse a usina o estrago provocado pela lama seria muito maior abaixo da barragem da hidrelétrica, onde ficou retida grande parte do material sólido. Depois da hidrelétrica, o estrago ocorreu apenas na calha do rio. Antes, a lama invadiu as margens e há necessidade de reflorestamento da mata ciliar.
O Ibama havia solicitado à Samarco um levantamento do impacto nos afluentes do Rio Doce, atingido pela lama da Barragem de Fundão. A mineradora relacionou 68 afluentes impactados, mas um novo levantamento do instituto verificou que pelo menos 15 outros cursos d’água ficaram fora da contagem e deverão ser incluídos na lista. O relatório do Ibama ainda não foi concluído e deve ser apresentado à mineradora em reunião marcada para a próxima quarta-feira.
FONTE:  http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/04/15/interna_gerais,753502/pressao-de-rejeitos-da-samarco-pode-romper-barragem-da-usina-de-candon.shtml

O desastre da Samarco: balanço de seis meses de impactos e ações

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No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da empresa Samarco no município de Mariana (MG), resultou no maior desastre deste tipo e em danos humanos e ambientais inestimáveis, atingindo dezenas de municípios em dois estados (MG e ES) e milhões de pessoas, com efeitos que irão se prolongar ao longo do tempo. O objetivo deste seminário é realizar um balanço dos primeiros seis meses dos impactos e das ações relativos ao desastre, envolvendo instituições de ensino e pesquisa; órgãos do governo; organizações da sociedade e movimentos sociais.
 

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FONTE: http://www.cpqrr.fiocruz.br/pg/o-desastre-da-samarco-balanco-de-seis-meses-de-impactos-e-acoes/

Liminar suspende temporariamente inquérito sobre tragédia em Mariana

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da Agência Brasil, Foto: Lucas Bois

O inquérito havia pedido a prisão preventiva de seis funcionários da Samarco, entre eles o presidente licenciado Ricardo Vescovi, além de um engenheiro da VogBR.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar suspendendo o inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais que apurou responsabilidades no rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana (MG), em novembro do ano passado. A suspensão vale até que a Justiça decida o conflito de competência e estabeleça se o caso vai para a esfera federal ou se fica na esfera estadual.

Concluído em fevereiro, o inquérito indiciou e pediu a prisão preventiva de seis funcionários da Samarco, entre eles o presidente licenciado Ricardo Vescovi, além de um engenheiro da VogBR, empresa que prestava serviços à mineradora.

No mês passado, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal (MPF) pediram que o inquérito fosse enviado à Justiça Federal. A solicitação tinha como objetivo reunir, na mesma jurisdição, todo o julgamento relacionado ao rompimento da barragem. Segundo o MPMG e o MPF, a medida ajudaria a evitar decisões contraditórias, já que a Justiça Federal vinha analisando os delitos ambientais ocorridos na Bacia do Rio Doce.

No entanto, a juíza Marcela Decat de Moura negou o pedido e manteve a tramitação do inquérito na Justiça Estadual, na comarca da Mariana. Em seu despacho, ela argumentou que a sociedade do município mineiro precisa exercer a garantia constitucional de julgar, no local dos fatos, os indivíduos que supostamente praticaram os crimes dolosos contra a vida.

O MPF decidiu então acionar o STJ. No último dia 11, o ministro Nefi Cordeiro informou à juíza Marcela Decat de Moura sua decisão de suspender temporariamente o inquérito.

A barragem da mineradora Samarco se rompeu na tarde do dia 5 de novembro, no distrito de Bento Rodrigues, zona rural a 23 quilômetros de Mariana. A tragédia deixou 19 mortos e inundou a região com lama, causando destruição de vegetação nativa e poluindo as águas da Bacia do Rio Doce.

Prorrogação

Um segundo inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais, com foco nos crimes ambientais decorridos do rompimento de barragem, pode ter o prazo ampliado. O relatório final das investigações deveria ter sido concluído até ontem (22). No entanto, os delegados encarregados do caso solicitaram à Justiça a prorrogação do prazo. A juíza Marcela Decat de Moura será encarregada de avaliar o pedido.

FONTE: http://tragedianunciada.mabnacional.org.br/2016/03/23/liminar-suspende-temporariamente-inquerito-sobre-tragedia-em-mariana/

Lama de Mariana revela crise da gestão ambiental no Brasil

Precisamos de uma “Operação Lava Jato” para crimes contra a natureza
CLÓVIS BORGES*

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Bombeiros buscam sobreviventes após rompimento de barragens da Samarco em Mariana, Minas Gerais (Foto: Felipe Dana/AP)

O indiciamento de empresas e de executivos envolvidos na tragédia de Mariana, em Minas Gerais, representa um passo importante na busca de uma adequada responsabilização frente aos danos causados neste evento de proporção desmedida. A Polícia Federal tomou a iniciativa por entender que a poluição ocasionada em toda a área atingida chegou ao ponto de “resultar ou poder resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”, conforme rege o artigo 54 da Lei Federal de Crimes Ambientais.

É incontestável que os impactos decorrentes devem ser mitigados de forma adequada a partir de financiamentos compulsoriamente supridos pelas empresas envolvidas e que os responsáveis sejam punidos de maneira exemplar. Toda a sociedade espera que a atitude das autoridades competentes esteja dentro do rigor máximo, sem que a costumeira parcimônia com o dano coletivo seja mais uma vez uma prática adotada.

No entanto, esse quadro agudo de destruição ambiental, com sérios efeitos sociais e econômicos agregados, é uma excelente oportunidade para evidenciar uma questão mais ampla e de efeitos muito mais danosos. Estamos tratando das manobras crônicas que envolvem o poder legislativo, alguns órgãos ambientais e instâncias correlatas, além das muitas modalidades de empreendimentos, públicos e privados, que geram impactos e riscos ambientais relevantes em nosso país.

Existe em nosso país um contínuo esforço em busca do acatamento a interesses setoriais, sistematicamente demandados às instâncias públicas. E elas, mais cedo ou mais tarde, facilitam de diferentes formas a viabilidade de atividades de grande impacto ambiental. Como se não bastasse, é agregado ao conjunto de facilidades estabelecidas por estas partes um amplo contingente de ilícitos permissíveis, uma vez que não existem estruturas mínimas de fiscalização e controle para sejam reprimidos de maneira adequada.

Seria de se esperar que as ações ilegais que grassam no país, destruindo nosso patrimônio natural, deveriam ser controladas a partir de órgãos ambientais estruturados, não afeitos a influências políticas e com contingente empoderado e suficiente. Mas sabemos que dificilmente as instituições funcionam dessa maneira, que seria a ideal. Raramente alguma dessas mazelas deixa de estar presente no dia a dia dessas instituições.

O fato de pouquíssimas vezes nos depararmos com consequências estrondosas, ocorridas em tão curto prazo, como o caso de Mariana, arrefece as reações da sociedade para a grande maioria dos impactos ambientais causados por uma infinidade de intervenções que excedem os limites e as normas técnicas que deveriam estar sendo respeitadas.

Ao invés disso, observamos uma constante tentativa de desmonte da legislação ambiental, a exemplo do Código da Mineração  e do Código Florestal Brasileiro. Há também, em alguns casos, o desmonte dos órgãos ambientais, que perdem profissionais sem reposição, atuam sem condições adequadas de trabalho, são assediados continuamente por pressões políticas para não cumprirem suas obrigações coercitivas e, paralelamente, acelerarem processos de licenciamento.

Não raro, a mídia explora situações em que a emissão de licenciamentos ambientais é colocada como uma questão sumamente impositiva. Torna-se uma questão apenas política, e não mais técnica, atropelando processos e gerando estudos e avaliações muito aquém do que seria necessário realizar. Quando não, gerando licenciamentos a partir da assinatura dos próprios executivos de órgãos ambientais, face à recusa explicitada pelos técnicos da instituição.

É importante evidenciar que a crise da gestão ambiental do Brasil tem a exata dimensão dos mais escabrosos exemplos de corrupção da atualidade. As manobras ilícitas deixaram de ser uma exceção para se tornar uma prática. A desfaçatez de seus interlocutores é tamanha que ocorre uma sistemática inversão de valores, ao culpar instituições conservacionistas, o Ministério Público e a Polícia Federal, dentre outras instâncias, de serem responsáveis pelo atraso do desenvolvimento e atuarem em contrariedade aos interesses da sociedade.

O verdadeiro atraso de uma sociedade é ser corrompida por interesses eminentemente econômicos, sem considerar as consequências de suas atividades, nem os meios pelos quais seus objetivos são atingidos. O caso de Mariana é emblemático e muito grave, mas não chega aos pés do que nos atinge diária e silenciosamente.

São milhares de iniciativas que deveriam estar sendo controladas ou reprimidas, e que seguem sem restrições suficientes, diminuindo nossa capacidade de nos tornar uma sociedade mais justa, mais equilibrada e que utiliza com consciência e responsabilidade seus recursos naturais.

Os crimes contra a natureza no Brasil demandam uma Operação Lava Jato ainda mais ampla do que a atual. Representa uma empreitada ainda mais importante, se quisermos corrigir as amplas e profundas distorções que nos tornam um país onde o enriquecimento ilícito a partir da destruição da natureza é, ainda, uma via factível.

E que conta com o apoio praticamente irrestrito de muitas instâncias que perderam, de forma determinante, o sentido de justiça e do real interesse público.

Clóvis Borges – diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS)

FONTE: http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2016/01/lama-de-mariana-revela-crise-da-gestao-ambiental-no-brasil.html

O inacreditável comercial de Samarco

Empresa recorre a personagens e historinhas e deixa de lado a principal mensagem esperada: o que fará, de fato, para minimizar a maior tragédia da história da mineração mundial

Levando o lema da campanha da Samarco ao pé da letra

A imagem abaixo é uma aplicação concreta do lema da campanha publicitária milionária da Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton): é bom olhar para todos os lados!

olhar

E no Rio Doce desde o dia 05 de Novembro de 2015, o que se vê por todos os lados é morte e destruição. E tudo isso causado pelo TsuLama, expressão objetiva da opção preferencial das mineradoras pelo lucro custe o que custar, nem que seja a destruição de ecossistemas inteiros e a morte dos pobres.