Marina Silva declara ‘guerra’ ao fogo enquanto fumaça cobre Brasília e São Paulo

Ministra do Meio Ambiente sugeriu que ações criminosas estão por trás do aumento de incêndios florestais, fechando escolas e suspendendo voos

fumaça rbFumaça cobre rodovia em Ribeirão Preto, no nordeste do estado de São Paulo. Fotografia: Joel Silva/Reuters

Por Tom Philips, no Rio de Janeiro, para o “The Guardian” 

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente do Brasil, declarou que seu país está “em guerra” com o fogo depois que uma onda histórica de incêndios — das profundezas da Amazônia ao sudeste rural — cobriu Brasília e São Paulo com fumaça, proibiu voos e forçou o fechamento de escolas.

Falando após uma reunião de emergência com o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, Marina Silva chamou o pico repentino de incêndios florestais no interior do estado de São Paulo de “incomum” e disse que a polícia federal estava investigando as causas. Três pessoas foram presas.

Alguns temem que o Brasil possa estar testemunhando uma repetição do Dia do Fogo de 2019 : uma onda de conflagrações deliberadas e politicamente carregadas que devastaram a floresta amazônica no primeiro ano da presidência ambientalmente calamitosa de Jair Bolsonaro.

Referindo-se à situação em São Paulo, Marina Silva, uma ambientalista veterana, disse aos repórteres: “Em praticamente dois dias, vários municípios estão queimando ao mesmo tempo. Isso não faz parte da nossa curva de experiência em todos esses anos que estamos trabalhando com fogo.

“Esta é uma verdadeira guerra contra o fogo e contra o crime”, acrescentou o ministro após visitar a sede do órgão de proteção ambiental Ibama com Lula.

Três dos seis biomas brasileiros — a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado — vêm sentindo o calor desde o início deste ano, com o primeiro registrando o maior índice de incêndios em quase 20 anos no primeiro semestre de 2024. Especialistas e autoridades atribuem esses níveis recordes de destruição a uma seca feroz agravada pela crise climática e pelo fenômeno natural El Niño .

“O Brasil está em chamas”, disse Cristiane Mazzetti, uma ativista florestal do Greenpeace Brasil, que disse que o país estava preso em “um ciclo vicioso de queimadas”. “Ao mesmo tempo em que os incêndios florestais produzem gases de efeito estufa e agravam as mudanças no clima que causam extremos climáticos, como secas extremas prolongadas, essas secas severas e prolongadas também causam a intensificação dos incêndios florestais.”

Mas é a situação no estado economicamente mais importante do Brasil, São Paulo, que chamou a atenção do público nos últimos dias. Enquanto os incêndios devastavam os campos de cana-de-açúcar e fazendas rurais, as redes sociais se encheram de imagens de pesadelo mostrando colunas de fumaça preta subindo em céus laranja e cinza.

“O apocalipse chegou”, tuitou uma moradora de Campinas, cidade a cerca de 112 km de São Paulo, ao lado de imagens do incêndio tóxico de cor tangerina do lado de fora de sua janela.

Mais ao norte, em Altinópolis, centenas de ravers foram forçados a fugir de um festival de música eletrônica enquanto as chamas consumiam seu acampamento e palco. “Foi assustador”, disse uma frequentadora da festa em pânico, Isabella Rocha, à CNN Brasil.

Na segunda-feira, houve cenas mais terríveis na capital, Brasília, onde os céus cheios de fumaça se assemelhavam aos de um apocalipse aéreo urbano chinês . Mais de uma dúzia de voos foram cancelados na cidade vizinha de Goiânia no domingo devido à má visibilidade.

Em declarações à rede de TV GloboNews, o diretor do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse que a seca extrema deste ano deixou a Amazônia e o Pantanal particularmente vulneráveis ​​às chamas.

“Mas … o fogo não aparece espontaneamente”, ele continuou, notando que nenhum dos incêndios recentes pareceu ter sido provocado por raios. “A maioria dos incêndios no Brasil foi provocada por alguém: às vezes … para destruir a floresta, às vezes … por sadismo”, Agostinho acrescentou sobre a “temporada de queimadas” anual, quando os fazendeiros tradicionalmente limpam a terra com fogo.

Ele disse que 3.000 bombeiros estavam lutando para controlar os incêndios em meio a temores de que o problema se intensificaria entre agora e outubro. “[Mas] o que vimos em algumas regiões é que assim que apagamos o fogo aqui, logo ali alguém o ateou novamente. Isso precisa parar.”


Fonte: The Guardian

COP28 será mais um evento para o Brasil passar vergonha

Lula deve levar à COP28 proposta para "proteger floresta em pé"

Com Lula e Marina Silva, o Brasil se prepara para cumprir mais um papelão na COP28

Começa amanhã em Dubai, Emirados Árabes Unidos, a 28a. edição da Conferência das Partes (COP). Essa edição já começa com area de que irá dar tudo errado já que o presidente-executivo da empresa petrolífera estatal dos EAU, Sultan Al Jaber, como presidente das negociações. É como colocar o açougueiro para cuidar de um curral cheio de bois prontos para o abate. Simplesmente não tem como dar certo.

Mas e o Brasil? Será que fará um papel menos bizarro do que fez nas edições em que Jair Bolsonaro comandava o executivo federal? Será que agora com Lula e Marina Silva, o nosso país vai fazer um papel mais alinhado com o que se espera de um estado-nacional que detém a maior floresta tropical do planeta?

Os últimos pronunciamentos de Marina Silva indicam que não. Primeiro a ministra do Meio Ambiente tem insistido na alegação pouco crível de que o desmatamento de nossas florestas entrou em um patamar, digamos, mais controlado.  O problema é que o desmatamento pode ter até diminuído, mas continua muito alto na Amazônia. No bioma Cerrado, a coisa não tem nem como disfarçar, pois os números indicam um forte viés de alta.

Além disso, como venho insistindo aqui, o problema da Amazônia não é só desmatamento, pois o processo de degradação florestal via extração predatória de madeira e incêndios florestais vem emitindo a mesma quantidade de CO2. Com isso, a insistência em se falar apenas de desmatamento serve apenas para mascarar o tamanho gigantesco do problema representado pelo tamanho da destruição em curso na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

marina silva

Marina Silva aponta para o desmatamento enquanto esconde a degradação florestal

Agrotóxicos como contribuintes do aquecimento global e das mudanças climáticas

Outro elemento para aumentar o descrédito nas negociações da COP28 é a aprovação no dia de ontem do Pacote do Veneno. É que, apesar de pouco comentado, o aumento excessivo no uso de agrotóxicos também contribue para as mudanças climáticas.  O fato é qu os agrotóxicos também podem liberar emissões dos efeitos do efeito estufa (GEE) após a sua aplicação.

Pesquisas científicas já demonstraram que os agrotóxicos podem aumentar significativamente a produção de óxido nitroso nos solos. Além disso, muitos agrotóxicos levam à produção de ozônio troposférico, um gás com efeito de estufa prejudicial tanto para os seres humanos como para as plantas.

A falta de atenção para com a contribuição dos agrotóxicos se deve, entre outras coisas, ao fato de que existe um foco maior nas emissões urbano-industriais, mas certamente o peso dos agrotóxicos nas emissões de GEE ainda será futuramente colocado no seu devido lugar, e o Brasil com responsável por 25% do uso total dos agrotóxicos no planeta vai acabar ficando no centro do debate.

Curiosamente, nunca ouvi nada de substancial de Marina Silva sobre a relação entre agrotóxicos com o desmatamento e o aquecimento global.  Aliás, enquato no cargo de ministra do Meio Ambiente, a postura de Marina Silva tem sido de uma ausência óbvia no debate sobre a aprovação do PL do Veneno que passou ontem em brancas nuvens pelo Senado Federal.

Então é forçoso apontar para aqueles que apontavam ou esperavam que a participação brasileira na COP28 fosse qualitativamente diferente do que foi entre as COP 24 e 27, melhor repensar.  Poderemos não fazer o mesmo papelão, mas estaremos quase lá.

Marina Silva declara apoio a Aécio Neves e enterra de vez a sua “nova política”

O apoio declarado por Marina Silva a Aécio Neves neste domingo (12/10) terá pouco efeito prático sobre as eleições, já que ela demorou demais a sair do muro. Assim, qualquer que seja o resultado, não vai a caudalosa declaração de Marina que irá decidir o segundo turno do pleito do dia 26 de outubro.

Agora, um mérito essa declaração teve. Desvelou de vez a carranca conservadora que Marina Silva escondia por detrás do véu de moça contrita e temente a Deus. Só por isso essa eleição já trará um enorme ganho a quem quer efetivamente construir alternativas ao modelo vigente que o PT e o PSDB possuem propostas bastante parecidas para continuar gerenciando a crise do Estado capitalista brasileiro.

E o melhor disso tudo é quem for de esquerda e quiser ajudar a construir alternativas para as mudanças estruturais para a crise que ai está não terá mais que ficar ouvindo a conversa mole da “nova política” de Marina Silva e dos “redistas”. Está mais claro do que nunca qual é o viés que Marina Silva escolheu, e ele é de direita, privatista, anti-Natureza e contra a classe trabalhadora!

Como eu disse antes: com esse apoio, Marina enterrou de vez a “nova política”.  Obrigado, Marina!

Troféu Pepino Ambiental vai para Dilma, Marina ou Aécio?

Determinadas acusações que os candidatos favoritos da mídia corporativa trocam entre si são belos exemplos do “roto falando do esfarrapado”.  Essa semana Dilma Rousseff acusou Marina Silva de ter sido culpada pelo atraso na construção das hidrelétricas no Rio Madeira em Rondônia. Marina Silva, por seu lado, retrucou dizendo que na gestão dela os licenciamentos foram acelerados, e que ela teria feito uma limpa nas gavetas dos pedidos atrasados de licenciamento para a construção de hidrelétricas, inaugurando o que eu chamei de licenciamento ambiental “Fast Food”. 

Já Aécio Neves, que aparentemente não tinha nada a ver com a briga das duas candidatas, pode se vangloriar de ter transformado o estado de Minas Gerais num verdadeiro queijo suiço, onde abundam tantas minas e buracos com os resultados que acabamos de ver em Itabirito.

Enfim, em termos de licenciamento ambiental, esses três se igualam de tal maneira que qualquer indicação para o prêmio Pepino Ambiental será uma decisão duríssima.

É preciso evitar a falsa dicotomia entre Marina e Dilma. A verdade é que elas são farinha do mesmo saco neoliberal

A campanha de intimidação e terrorismo ideológico promovida pelos setores que apoiam a reeleição de Dilma Rousseff continua nos empurrando para algo que é efetivamente uma falsa dicotomia. Ao impor à candidatura de Marina o sinal da besta que, se eleita, destruiria todas as “conquistas” trazidos por 12 anos de uma coalizão heterodoxa que reúne de Lula a Sarney, passando Renan Calheiros e Fernando Collor, o que está se omitindo é a informação de que, no frigir dos ovos, as propostas que as duas candidaturas trazem são exatamente as mesmas, ainda que tintas levemente trocadas.

Se olharmos, por exemplo, os dados de financiamento de campanha, veremos que Dilma Rousseff é a atua líder de arrecadação entre grandes doadores que, por sua vez, são liderados por grandes construtoras e por alguns dos “campeões nacionais” que têm sido turbinados pelo BNDES com generosos financiamentos.

Mas o social neoliberalismo adotado como elemento fundante da coalizão liderada pelo PT tem outros aspectos que os Torquemadas de Marina não falam.  Um aspecto que venho acompanhando de perto é a questão da regressão do processo de proteção ambiental cujo ápice é a flexibilização dos processos de licenciamento de megaempreendimentos que estão construídos para exportar commodities agrícolas e minerais.

A par dessa regressão ambiental e do processo de reprimarização da economia nacional que os grandes projetos de mineração representam, temos ainda o congelamento da reforma agrária e de um abraço de afogados com o latifúndio agroexportador.  Assim, enquanto milhares de famílias sem terra continuam amargando em acampamentos de forma indefinida, Kátia Abreu, a líder dos setores mais retrógrados do agronegócio, é vista aos abraços com Dilma Rousseff. De quebra, Kátia Abreu é ainda forte candidata a ministra da Agricultura numa eventual reeleição de Dilma Rousseff.

Mas afora as idiossincrasias e práticas de governo, o que os anos de PT no governo federal têm de pior é a aceitação de que não existe uma fronteira além do modelo de capitalismo predatório que temos estabelecido no Brasil.  É preciso ainda lembrar do fato de que isto tem sido garantido com a cooptação de movimentos sociais e sindicatos. Essa cooptação nos coloca num árido que impede a formulação de políticas estratégicas de transformação da realidade nacional e, pior, assegura a manutenção de um ambiente artificial de que estamos avançando na luta contra as profundas desigualdades sociais existentes no Brasil.

Em função de tudo o que expressei acima, não há a menor chance de que eu vote em Marina contra Dilma ou vice-versa. Para mim o essencial é aproveitar este momento para avançar o debate em torno da necessidade de que seja formada uma ampla aliança entre os setores da esquerda que possa, entre outras, superar o ambiente de fragmentação que vemos expresso em várias candidaturas que pulverizam a militância e impedem um diálogo mais amplo com a classe trabalhadora e com a juventude em torno de um projeto de mudança radical da realidade.  Só assim poderemos vencer o horizonte  pantanoso do possível medíocre em que o PT nos atolou.

Por favor, basta de chororô. Quem pariu Marina que a embale

Eu confesso que já cansou a minha beleza ler centenas de diatribes escritas por jornalistas, políticos e blogueiros alinhados com a manutenção do PT no governo federal sobre a ex-ministra Marina Silva. É que para entender como Marina se tornou o fenômeno eleitoral que se tornou, ao menos momentaneamente, seria preciso apenas olhar o que ela fez durante 6 anos nos dois mandatos do presidente Luis Inácio Lula da Silva, e de como ela usou as contradições da forma neopetista de (des) governar para se tornar uma alternativa viável a “tudo que ai está”. 

Para esses tantos que hoje se assombram com a sombra da ex-seringueira, só posso dizer…. quem pariu Marina que a embale!

E mais, se olharmos de perto as propostas do PT, do PSDB e do PSB, o que se pode antever é que em 2015, a classe trabalhadora, camponeses, quilombolas, indígenas e a juventude (isto é, a maioria do povo brasileiro que hoje vive à margem da acumulação capitalista) têm mais é que se preparar para resistir contra o avanço da espoliação de direitos e territórios. Afinal de contas, com uma mudança aqui e ali, o que as plataformas eleitorais de seus candidatos apontam é para mais ataques. Pode até variar o tamanho da bordoada, mas que virão, virão. Independente de qual desses partidos consiga ser o vencedor das eleições. Afinal, os partidos da ordem já anunciaram o que querem. 

MST faz encontro e estabelece prioridades para o Norte Fluminense

Em um encontro que misturou a celebração de seus mártires Cícero Guedes e Regina Santos com a preparação para a realização do seu congresso nacional, o MST apontou suas metas de atuação no Norte Fluminense para 2014. Fazendo uso da palavra em nome da direção regional do MST, Marina dos Santos apontou para as várias tarefas que deverão resolvidas, não apenas pelo movimento, mas também por seus amigos e amigas que atuam em sindicatos e universidades. Nesse sentido, Marina dos Santos apontou ainda que uma das principais tarefas que o MST quer resolver em 2014 é a desapropriação das terras da Usina Cambahyba que são objeto de disputa há mais de uma década, e que foi o estopim do assassinato de Cícero Guedes. Segundo o que disse a dirigente do MST/RJ, desapropriar as terras da Usina Cambahyba será apenas o primeiro passo na construção de uma nova forma de fazer agricultura.

Além da questão da Cambahyba, outros aspectos que deverão merecer a atenção do MST e seus aliados será a dinamização dos assentamentos já existentes e um aumento na pressão para que os acampados que hoje estão espalhados seis acampamentos na região Norte Fluminense tenham sua demanda por uma pedaço de terra atendida ainda neste ano.

A reação entusiástica dos presentes a esta pauta de ações parece sinalizar para uma ampliação da luta pela reforma agrária no Norte Fluminense em 2014. A ver!

IMG_8226 IMG_8209 IMG_8118