Acuado, Sérgio Moro parte para a ironia

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Com as novas revelações dos subterrâneos da Operação Lava Jato, o enredo se adensa para Sérgio Moro. 

O ex-juiz federal e atual ministro da (in) Justiça Sérgio Moro perdeu o argumento que sustentava a sua defesa até aqui em relação às revelações trazidas à luz pelo site “The Intercept” e autenticadas hoje pelo jornal Folha de São Paulo sobre as relações indevidas que ele manteve com procuradores federais da Lava Jato. Segundo Moro, vinha dizendo até agora, a coisa toda seria obra de um “hacker” que captou e alterou suas conversas com Deltan Dallagnol.

Agora que o jornal Folha de São Paulo retirou de Sérgio Moro o tênue e insustentável argumento do “hacker”,  ele resolveu partiu para a arma que lhe restou: a ironia. É que Sérgio Moro publicou hoje em sua página oficial na rede social Twitter uma declaração irônica de que a montanha (i.e., The Intercept) pariu um rato (o escândalo da #VazaJato) (ver imagem abaixo).

moro ironiza

O problema para Sérgio Moro é que a estas alturas do campeonato, a ironia não irá salvar a sua imagem, e ele está definitivamente encrencado.

Resta saber o que ainda ele terá para tirar da cartola com o seguimento das séries de reportagens que está começando a ser disseminadas por diferentes órgãos de imprensa. É que ao contrário do que Sérgio Moro sugeriu em seu tweet irônico, a montanha, quando muito, está em início de gestação e ainda longe de parir. E quando ela parir, dificilmente parirá um rato.

Por último, estou curioso para saber como reagirão os jovens líderes do “Movimento Brasil Livre” (MBL) agora que sabem o que o seu ídolo pensa deles, qual seja, que não passam de uns tontos.

MBL: neoliberais até quando não dói o calo

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O autodenominado “Movimento Brasil Livre” (MBL) está desde ontem gritando ao mundo e acionando os seus aliados no aparelho de Estado contra a decisão da rede social Facebook de desativar 196 páginas e 87 contas que estariam sendo utilizadas para disseminar fake news e mensagens propugnando conteúdos que estimulam ódio e violência [1, 2].

Nesse esforço de denúncia do que seria a ação de uma empresa socialista (na verdade uma corporação estadunidense que obtém seus lucros bilionários de forma bem capitalista), o pessoal do MBL está utilizando suas redes de apoio no legislativo e no judiciário para tentar reverter ou, pelo menos, criminalizar a decisão da Facebook [3].

Como se vê, a defesa dos princípios do ultraneoliberalismo de Kim Kataguiri et caterva só servem para quando se trata de cassar direitos sociais e para perseguir partidos e programas alinhados com a esquerda. Quando a coisa é defender seus próprios interesses, o pessoal do MBL gosta mesmo é da proteção do Estado.

Uma pergunta que já foi feita e que carece de resposta: quem financiou a construção de uma rede tão complexa de desinformação? É que construção de páginas não é coisa para amadores e mais ainda a atualização diárias das mesmas.  Tudo indica que se seguirmos a trilha dos financiadores, entenderemos ainda mais a quais interesses realmente serve o MBL.


 

[1] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/25/politica/1532531670_089900.html

[2] https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2018/07/25/facebook-retira-do-ar-rede-de-fake-news-ligada-ao-mbl-antes-das-eleicoes-dizem-fontes.ghtml

[3] https://www.tecmundo.com.br/redes-sociais/132586-deputado-quer-criar-cpi-facebook-exclusao-rede-fake-news.htm

 

O movimento de ocupação de escolas quebra a letargia em relação ao golpe

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Tenho acompanhado o movimento de ocupação de escolas em diferentes partes do Brasil com alguma inquietação, pois vejo jovens dando o tipo de resposta que se esperaria de movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos. É como se os quem tem mais poder, dinheiro e capacidade de enfrentamento estivessem deixando para a juventude resolver os problemas que sua omissão ajudaram a criar.

Mas vá lá, mesmo as respostas imperfeitas servem para dar conta de tarefas complexas, aind que por um tempo limitado. E isso já parece ter sido entendido pelo governo “de facto” e seus vassalos que se cuidam de controlar as respostas ao processo de arrocho no plano estadual. Além disso, a transformação do tal “Movimento Brasil Livre” (MBL) em uma espécie de ariete contra a organização da juventude é revelador do fato que as forças que hegemonizam o estado brasileiro neste momento também já entenderam o risco que o movimento de ocupação de escolas representa no seu esforço de hegemonia completa, e convocaram suas forças para tentar dispersar a revolta que se levanta no horizonte pelas mãos da juventude.

Interessante notar que a melhor matéria jornalística que eu já li sobre o processo de ocupação de escolas no Brasil veio da revista Forbes, que todos devem saber é especializada em falar para os donos do capital o que andam acontecendo no mercado e nas sociedades que são afetadas por seus jogos de poder.  Sob o título de “A juventude brasileira vê o seu futuro e o nome dela é Ana Júlia” (Aqui!), a jornalista Shannon Sims utiliza a fala da secundarista paranaense na Assembleia Legislativa do Paraná como um mote para analisar não apenas para refletir sobre o que está acontecendo na ocupação de escolas, mas principalmente como este movimento coloca em xeque as políticas ultraneoliberais do governo “de facto” de Michel Temer.

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E, mais uma vez ,a mídia internacional nos oferece uma análise sobre a realidade brasileira atual que deveria deixar envergonhados todos os nosso principais veículos da mídia corporativa que, ao invés de nos oferecer informações e análises aprofundadas sobre o movimento de ocupação de escolas, esconde o quanto pode até a sua existência e extensão territorial.

E falando em Ana Júlia Ribeiro, quem ainda não teve a chance de ouvir o seu depoimento no plneário da Alep, o mesmo vai abaixo. 

Eduardo Cunha fisgado na Suiça deixa a oposição de direita com cara de bunda. Enquanto isso, Dilma lhe entrega ministérios

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A imagem acima é tão carregada de informações que eu não sei nem por onde começar. Mas vamos começar pelo homem sentado no centro da fotografia: o Sr. Eduardo Cunha, deputado pelo PMDB/RJ que atualmente preside o circo de horrores conhecido como Câmara de Deputados. Depois de se dizer perseguido por acusações de corrupção no caso do escândalo da Lava Jato, o Sr. Cunha acaba de ser denunciado pela justiça da Suíça como possuidor de contas secretas que armazenam US$ 5 milhões de dólares (algo em torno de 20 e pouco milhões de reais) que teriam chegado lá por vias, digamos, pouco republicanas.

Ao lado direita dele estão marcados o deputado Jair Bolsonaro, pseudo defensor da democracia e combatente anti-corrupção, e o jovem sabe-se-lá-o-quê Kim Kataguiri que lidera um tal “Movimento Brasil Livre” que também se proclama combatente anti-corrupção. Para terminar, temos ao lado esquerdo, o deputado paulista Carlos Sampaio do PSDB, que, apesar de flagrado por ter contribuído com malas de dinheiro em seu fundo de campanha, também se se diz anti-corrupção.

Para sintetizar o despautério da imagem acima está uma faixa supostamente assinada pelo PSDB para saudar a marcha que Kim Kataguiri realizou desde São Paulo até Brasília, sim, também para protestar contra a corrupção!

Juntando tudo isso, o que temos é que, a essas alturas do campeonato, até o mais inocente dos brasileiros já sabe que toda a gritaria realizada nos primeiros nove meses contra a corrupção do PT está mais para ser um ato de inveja do que de compromisso com a transformação dos usos e costumes que imperam na política brasileira. Em outras palavras, a oposição de direita está tão de bunda descoberta quanto Kim Kitaguiri quando enviou uma negativa de entrevista a um blogueiro simpático ao governo Dilma Rousseff.

Mas não pensem que estou escrevendo esta postagem para defender Dilma Rousseff, muito longe disso. É que no exato momento em que Eduardo Cunha está sendo denunciado pela Suíça e tendo seus milhões apreendidos por lá, o que faz Dilma Rousseff? Está para entregar os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia para dois aliados de Cunha! E eu diria que isso explica muito didaticamente a natureza desse (des) governo. É que em Brasília não faltam bons agentes de inteligência,  e assim a presidente Dilma Rousseff e o neoPT sabem muito bem com quem estão lidando, bem como os estragos que os indicados de Eduardo Cunha irão fazer em dois ministérios vitais.