Procurador da República Dr. Júlio Araújo recebe Medalha Tiradentes em reconhecimento à defesa dos direitos humanos

Homenagem celebra a atuação do Procurador Regional dos Direitos do Cidadão do MPF ao longo de carreira dedicada à justiça social e ao diálogo com movimentos populares

A deputada Marina do MST (PT) fará a entrega da Medalha Tiradentes ao Procurador da República Dr. Júlio José Araújo Júnior 

O Procurador da República Dr. Júlio José Araújo Júnior, atual Procurador Regional dos Direitos do Cidadão Adjunto do Ministério Público Federal (MPF), será agraciado com a Medalha Tiradentes, uma das mais altas honrarias do Estado do Rio de Janeiro, em sessão solene a ser realizada no Centro Cultural da Justiça Federal nesta terça-feira (27), às 18h. A condecoração, que será entregue pela deputada Marina do MST (PT), celebra sua trajetória dedicada à justiça social, à defesa dos direitos humanos e ao diálogo com movimentos populares.

Com formação pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado e doutorado em Direito Público pela UERJ, o homenageado possui uma carreira marcada pelo compromisso com causas estruturantes. Coordenou diversos grupos de trabalho sobre pautas como demarcação de terras indígenas, direitos quilombolas e dos trabalhadores rurais Sem Terra, reforma agrária popular, sistema prisional e educação. Dr. Júlio Araújo liderou ainda iniciativas de combate à violência de Estado, atuando no enfrentamento à letalidade policial e intolerância religiosa, e de aproximação do Ministério Público com a sociedade, através dos projetos “MPF na Comunidade” e “MPF em Movimento”.

O homenageado tem ainda importante incidência na reparação do povo negro pelos crimes durante a escravização, na discussão sobre a justiça de transição e as violações de direitos humanos durante a ditadura civil-militar e na luta pela proteção das famílias em situação de vulnerabilidade durante a pandemia. Além disso, acompanhou a comissão de soluções fundiárias do TRF 2, o Fórum de Reforma Agrária e Segurança Alimentar no estado do RJ e criou, em parceria com o NUTH, o grupo interinstitucional de moradia adequada na área central da cidade do Rio de Janeiro.

Autor dos livros “Direitos Territoriais Indígenas: Uma Interpretação Intercultural” (finalista do Prêmio Jabuti 2019) e “Ministério Público e Movimentos Sociais: Encontros e Desencontros”, Dr. Júlio também foi diretor da Associação Nacional dos Procuradores da República (2021-2023) e integrou o Conselho Nacional do MP.

Concedida a personalidades que exemplificam liderança, integridade e serviço público, a Medalha Tiradentes reforça o papel do homenageado como um “defensor da Democracia e dos direitos fundamentais”.

“Dr. Julio José Araujo Junior certamente demonstra essas qualidades em sua carreira como Procurador da República, e sua contribuição merece ser reconhecida e celebrada pela dedicação e compromisso com os movimentos sociais e com as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Precisamos dar visibilidade e reconhecimento àqueles que não titubeiam nas suas tarefas públicas e fortalecem os direitos das classes trabalhadoras”, afirma Marina do MST.

Serviço

Sessão Solene de Entrega Medalha Tiradentes ao Procurador Dr. Júlio José Araújo Júnior

Dia 27 de maio, às 18h

Centro Cultural da Justiça Federal – Av. Rio Branco, 241 – Centro

Pré-inscrição: https://forms.gle/P7UPge8Mgqdbf3nCA

Com a morte do ex- capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega, fecha-se um arquivo humano

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Ex-capitão do BOPE, Adriano da Nóbrega, foi homenageado com Medalha Tiradentes e tinha mãe e esposa lotadas no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro

A mídia corporativa informa nesta manhã de domingo que foi morto na área rural do pequeno município baiano de Esplanada (cerca de 170 km ao norte de Salvador), o ex capitão do Batalhão de Operação Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega. As notícias dão conta que Nóbrega teria enfrentado uma força policial composta de contingentes de pelo menos 3 estados e morrido em uma unidade hospitalar em função dos tiros que recebeu durante um tiroteio que eclodiu quando os policiais tentavam entregar um mandado de prisão.

Com a morte do ex-capitão do Bope sobre quem pesam acusações de ser um chefe de milícias e membro de um grupo de matadores de aluguel (o “Escritório do Crime”) ficaremos sem saber se ele realmente esteve envolvido na morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018. 

Mas a morte do ex-capitão Adriano da Nóbrega faz mais do que nos deixar desprovidos de informações cruciais sobre  a morte de Marielle e Anderson. É que precisamos lembrar que Nóbrega não apenas foi homenageado com a principal honraria emitida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a Medalha Tiradentes, pelo hoje senador Flávio Bolsonaro, mas como teve sua mãe e esposa ocupando cargos no gabinete do então deputado estadual. Além disso, Adriano da Nóbrega era amigo de outra figura notória por causa de suas relações com a família Bolsonaro, o ex-policial e motorista Fabrício Queiróz.

Por essas questões todas é que a morte de Adriano da Nóbrega pode ser facilmente classificado como o fechamento de um arquivo humano, pois o ex-policial certamente tinha um vultoso acerca de informações de suas relações profissionais e pessoais com setores que hoje teriam muito a perder se ele resolvesse contar tudo o que sabia. Por isso, desconfio que a sensação que algumas cabeças coroadas da república estejam tendo hoje seja mais de alívio do que de tristeza. Afinal, para quem tinha relações com esse arquivo, melhor ele fechado do que aberta, não é?