O mergulho no escuro

O impeachment que se avizinha da presidente Dilma Rousseff é um verdadeiro mergulho no escuro a que os brasileiros estão sendo empurrados por suas elites econômicas e políticas. As incertezas geradas pela interrupção de um mandato garantido nas urnas são amplas, gerais e irrestritas.  

O fato é que o impeachment de Dilma Rousseff é um golpe de estado via o uso de um parlamento pouquíssimo representativo e da participação partidarizada da justiça, a começar pelo Ministério Público Federal, passando pela Procuradoria Geral da República,e chegando no Supremo Tribunal Federal.

Nessa equação de usurpação da vontade popular também está a imensa maioria da mídia corporativa brasileira que, em vez de informar, se portou como um agente ativo da derrubada de uma presidente eleita, ainda que por uma margem estreita.

Entretanto, ao contrário de muitos colegas que se angustiam com esse golpe parlamentar/judiciário/midiático, eu penso que estamos entrando num período em que as elites ainda vão se arrepender do que estão fazendo. É que não há como um mergulho no escuro de tamanhas proporções dar certo. A disposição demonstrada de empurrar milhões de brasileiros de volta para a miséria absoluta certamente terá uma resposta pot parte da maioria da população que se manteve basicamente silenciosa desde que todo esse imbróglio começou.   Sinais disso já estão sendo dados pela juventude que ocupa escolas em vários estados brasileiros contra as mesmas políticas que Michel Temer diz que vai implantar a partir da decisão do Senado Federal de interromper o mandato de Dilma Rousseff.

E antes que eu me esqueça: boa parte da culpa da crise política que estamos vivendo cabe ao ex-presidente Lula que desenvolveu e aplicou uma engenharia política que dependeu sempre dos mesmos personagens que hoje se movem para retirar a sua escolhida do poder. E Dilma Rousseff tem uma boa parcela de culpa por ter abraçado o programa econômico que ela mesma derrotou nas urnas.  

 

Justiça seja feita: comparar o caso de Dilma ao de Zelaya e Lugo é uma ofensa aos golpistas de lá

Nas últimas semanas tenho comparado de forma reiterada a situação em curso no Brasil com o impeachment/golpe contra Dilma Rousseff ao que foi feita contra o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, e contra o do Paraguai, Fernando Lugo, em 2012.

É que depois de ver as cenas tragicômicas que ocorreram ao longo desta segunda-feira (09/05) depois que o presidente em exercício da Câmara de Deputados, deputado Waldir Maranhão (PP/MA), resolveu anular as sessões que resultaram na aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, eu só posso concluir que no caso brasileiro, a coisa adentrou um terreno pantanoso que os golpistas hondurenhos e paraguaios conseguiram evitar até com certa facilidade.

Tanto isto é verdade que tanto Manuel Zelaya como Fernando Lugo rapidamente reocuparam posições de destaque na política partidária de seus respectivos países, sendo que Lugo é atualmente um forte candidato nas próximas eleições paraguaias.

O fato que parece saltar aos olhos é que a saúde democrática do Brasil consegue ser mais frágil e cambaleante do que países para os quais costumamos olhar com algum desdém. O que parece estar ficando claro é que ao fim e ao cabo de, o Brasil é que está merecendo o título pouco glorioso de “Banana Republic” ou simplesmente “república bananeira”.

E durma-se como um barulho desses!

Repercussão imediata na mídia internacional mostra que Waldir Maranhão já teve êxito na sua manobra

O amplo esperneio dentro do congresso nacional e da mídia corporativa brasileira contra a decisão do presidente em exercício da Câmara de Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA) pode até resultar na reversão da decisão. 

Agora, uma coisa é certa: o estrago para Michel Temer já está feito e é irreversível, tornando seu eventual governo (ou seria (des) governo?) prisioneiro de forças políticas que ele pessoalmente não terá como controlar.

Como posso afirmar isso? Ora, eu já fiz o que ando fazendo toda vez que preciso medir o pulso real da situação política brasileira!  Fui nos sites dos principais veículos da imprensa mundial para ver se e como a decisão de Waldir Maranhão estava sendo repercutida. E como os leitores deste blog poderão ver pelas imagens abaixo, a reação foi rápida e contundente.  

O que veículos como a BBC, a CNN, o The Guardian, o New York Times e o El País estão dizendo que a partir da anulação do impeachment por Waldir Maranhão, a situação política brasileira fez uma imersão definitiva no caos, com resultados imprevisíveis.  E isto é, de fato, o que aconteceu.

Agora, imaginem um desses CEOs de alguma multinacional interessada em vir para o Brasil nos próximos meses tendo essas matérias produzidas por veículos que para eles são mais bem informados e críveis do que os jornalões brasileiros pró-golpe (quer dizer, impeachment). Será que alguém com um mínimo amor ao cargo vai querer investir um centavo no Brasil num ambiente que beira o caos completo? Me parece que não. É que ninguém quer seguir o mesmo caminho trágico da CEO da Anglo American, Cynthia Caroll, que caiu no conto do vigário das minas de ferro de baixa qualidade que o ex-bilionário Eike Batista empurrou a ela a preço de ouro em Conceição do Mato Dentro (MG).

E atrair o capital multinacional para se apossar de estatais e da infraestrutura construída nos últimos 12 anos é justamente o motivo central do golpe/impeachment. É a própria “raison d’être” deste impeachment paraguaio/hondurenho!

Agora que o gênio foi posto para fora da garrafa, aguardemos os próximos capítulos dessa novelona mexicana. É certo que seguirá o modelo comédia/tragédia, com a  tragédia sobrando certamente para os trabalhadores e a juventude. A ver!

 

 

Como havia prometido, Waldir Maranhão causa a “mãe de todas as surpresas”

O presidente em exercício da Câmara de Deputados, Waldir Maranhão (PP/MA) prometeu ao assumir o cargo que iria surpreender aos que duvidam dele (Aqui!).  Eu mesmo achei que Maranhão, um aliado de primeira hora do afastado Eduardo Cunha, estava só tentando fazer firula, já que como membro do baixo clero ele é uma figura dotada de pouca capacidade de surpreender qualquer um que seja.

Mas não é que hoje Maranhão resolveu provar que estava falando ao sério e decidiu de “chofre” anular o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff! Essa decisão bombástica já está causando um verdadeiro terremoto político e econômico, visto que expõe de vez a natureza golpista do impeachment que foi orquestrado por Michel Temer, tucanos, demos et caterva.

Até o assessor parlamentar mais ingênuo nos corredores de Brasília sabe que essa impugnação tem pouco efeito prático no processo de impeachment em si, e Waldir Maranhão deve saber disso muito bem. Agora, o que esse ato de anular a sessão que aprovou o impeachment  e convocar outra serve de fato é para revelar de vez que estamos em meio a um golpe paraguaio/hondurenho.

A verdade é que a partir da decisão de Waldir Maranhão de anular o ritual imposto na Câmara de Deputados por um presidente, que depois foi afastado “ad eternum” do cargo por uma decisão unânime do Supremo Tribunal Federal,  Michel Temer ficará desprovido de qualquer pecha de legitimidade.  E esse fato básico criará toda sorte de embaraço para que Temer aplique seu saco de maldades contra o povo brasileiro. E, sim, jogou uma tremenda batata quente para o colo dos 11 ministros do STF. É que para anular a decisão de Maranhão, eles terão de levar em conta o destino de Eduardo Cunha. Em suma, é o que os gringos denominam de “catch 22“, ou em bom português, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

Por essas e outras, é que Waldir Maranhão já passou para a história política brasileira. Ele será lembrado como o deputado que golpeou o golpe, e causou a “mãe de todas as surpresas”. 

 

Reclamem com o bispo… Jornalista reflete sobre a entrega do MCTI a um criacionista

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Reclamem com o bispo

POR REINALDO JOSÉ LOPES,  do blog “Darwin é Deus”*

Desde que a imprensa revelou que Marcos Pereira, presidente do PRB (Partido Republicano Brasileiro) e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, está cotado para ser o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Temer, muita gente andou brincando que estamos de volta à Idade Média, com um bispo exercendo funções de ministro (coisa que de fato era comum no período medieval). Pessoalmente, acho a piada uma baita injustiça com a Idade Média.

Explico: bispos e outros membros da hierarquia da Igreja Católica eram a elite intelectual de seu tempo e foram responsáveis por alguns dos avanços científicos e tecnológicos cruciais da época (que está longe de ter sido uma treva perpétua). Não esqueçam que quem pagava o salário de Nicolau Copérnico, o sujeito que desencadeou a Revolução Científica, era um bispo.

Se os bispos medievais muitas vezes abraçavam a ciência “de ponta” da época, é difícil não ficar desanimado com o raciocínio teológico do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal. Ao falar sobre a teoria da evolução neste artigo da década passada, Macedo diz, por exemplo:

“Podemos continuar refutando Darwin, dizendo que o ‘elo perdido’ continua perdido, ou seja, a teoria da evolução continua sendo apenas uma teoria.”

Eu estava até com saudades da confusão clássica do termo “teoria” com “só uma ideia, só um chute”. A teoria da relatividade também é “só uma teoria”, mas sou capaz de apostar que o prelado usa um smartphone com GPS (que só o ajuda a pegar a estrada graças a correções feitas por causa da teoria da relatividade). A teoria atômica também é “só uma teoria”, mas aposto que ele não fica enfiando a mão em reatores radioativos (que só foram compreendidos com a teoria atômica) por conta disso.

Teoria = explicação conceitual de fenômenos da natureza que está bem fundamentada em fatos e medições. Teoria em ciência é um troço sólido, não uma ideia fraquinha.

“Do ponto de vista bíblico, a Teoria Evolucionista confronta a Palavra de Deus, visto que é pela fé que entendemos que o universo foi formado pela Palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem (Hebreus 11:3).”

Eu não sei exatamente como o bispo gostaria de identificar cientificamente a ação da Palavra de Deus no princípio do Cosmos — a ideia é basicamente não testável, ou seja, não tem como verificá-la por experimentos ou observações. Agora, é óbvio que “o visível veio a existir das coisas que não aparecem” — os átomos do Universo primordial eram invisíveis (pra nós hoje, ao menos), assim como as primeiras células. Não dá pra entender qual é a relação lógica entre esse ponto e a Palavra de Deus.

Quer dizer, se concordarmos com a ideia de que um ser passou a adquirir um pulmão pela necessidade que tinha de respirar, estamos, com isto, limitando o poder de Deus em Sua criação. Como Ele poderia criar algo que precisasse passar por uma modificação após milhares de anos? Isso seria incoerente.

Começo a achar que o problema não é teológico, mas só lógico mesmo. Imagino que o bispo não duvide da ideia da Queda do Homem — ou seja, de que houve uma tragédia primordial que separou a nossa espécie de uma relação próxima com Deus. É o fato fundador da narrativa do Gênese, das cartas de Paulo no Novo Testamento etc. Aqui vai a questão lógica: como Deus criou um ser humano tão falho que esteve sujeito a sofrer uma transformação tão tremenda quanto a Queda? Isso não seria ainda mais incoerente?

(É lógico que, se você postula a existência de um Deus que dota sua criação de um potencial autônomo de desenvolvimento, para o bem e para o mal, essa incoerência some. Talvez a ideia seja complicada demais para a Teologia 101 do prelado.)

Há alguma luz no fim desse túnel? Leia a entrevista com Marcos Pereira no blog do Fernando Rodrigues e tire suas próprias conclusões. Embora se declare criacionista, diz que manterá sua religião apenas na esfera privada e arremata: “Em discussões em que a ciência e religião possam se chocar, respeitaria a linha científica.” Tomara que cumpra a palavra.

Antes que eu parta, meus agradecimentos ao amigo Roberto Takata, que localizou o artigo do bispo Macedo.

*Blog aborda os mais recentes estudos sobre a evolução do homem e dos demais seres vivos, explica o que a ciência tem a dizer sobre o fenômeno da fé e a história das religiões. É produzido pelo jornalista Reinaldo José Lopes.

FONTE: http://darwinedeus.blogfolha.uol.com.br/2016/05/04/reclamem-com-o-bispo/

De volta para a Idade Média: Temer planeja entregar Ministério da Ciência e Tecnologia para bispo da IURD

Muito tem se falado sobre os planos nefastos que estariam sendo engendrados pelo vice-presidente Michel Temer após a tomada do poder presidencial via o impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Muitas desses anúncios me parecem ser a repetição da velha estratégia do “bode na sala”: primeiro se anunciam muitas desgraças, e depois se aprova aquela que realmente se quer.

Agora, como professor universitário e pesquisador, um anúncio que me faz pensar que o que está ruim ainda pode piorar muito foi transmitido pelo jornalista Maurício Tuffani no seu blog “Direto da Ciência” (Aqui!). É que segundo Tuffani,  Michel Temer estaria  planejando usar o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) como moeda de troca ao entegá-lo ao  presidente do partido, Marcos Pereira, que também é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Se confirmando essa indicação, o que teremos é uma regressão histórica no próprio entendimento do que vem a ser ciência e tecnologia, já que não é preciso ser nenhum Einstein para perceber que um bispo neopentecostal no cargo que dirige o ministério responsável por seu desenvolvimento não vai dar em coisa boa para o país.

Mas então por que Michel Temer iria fazer isso? Apenas em nome da acomodação de cargos e partidos no seu ministério? Pessoalmente acredito que não é só isso, pois cargos e ministérios para serem ocupados é o que não falta em Brasília.  O que parece estar se anunciando é uma guerra aberta ao pensamento crítico que apenas a ciência pode gerar. 

Em outras palavras, as trevas inauguradas pela Ampla Energia no dia de ontem na Casa de Cultura Villa Maria da Uenf são apenas o prenúncio do que está por vir no Brasil. 

Michel Temer declara sua “fé” em Eduardo Cunha

Temer no vídeo: “as tarefas difíceis eu entrego à fé de Eduardo Cunha”

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O senador Lindberg Farias (PT-RJ) postou nas redes sociais  um vídeo em que o vice Michel Temer (PMDB) avisa que  “as tarefas difíceis eu entrego à fé de Eduardo Cunha”. Assista abaixo:

O parlamentar fluminense considerou “tocante”  o depoimento de Temer sobre o seu parceiro de golpe, “conspiração e negócios!”.

“Temer e Cunha são irmãos siameses!”, diz Lindbergh.

FONTE: http://www.esmaelmorais.com.br/2016/04/temer-no-video-as-tarefas-dificeis-eu-entrego-a-fe-de-eduardo-cunha/#more-156002

As elites brasileiras adoram a França. Deviam ver o que anda acontecendo por lá!

As elites brasileiras adoram gastar suas fortunas na França. Muitos vão para lá em seus jatinhos particulares, alugam limusines e saem pelo país gastando partes de suas fortunas. Aliás, isso também se estende a parlamentares como Eduardo Cunha e a governadores como Sérgio Cabral. Em suma, a França aguça o que há de “melhor” nas elites brasileiras.

Pois bem, com a iminente tomada do poder por Michel Temer, uma série de medidas estão sendo anunciadas para dilapidar direitos sociais e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Pois bem, o presidente francês François Hollande vive nesse momento uma profunda revolta social por ter proposta coisas muito semelhantes ao que Michel Temer vem anunciando que adotará.

Bom, como eles adoram tanto a França, as imagens abaixo deviam ver como os trabalhadores e a juventude estão respondendo à tentativa de precarização de seus direitos.  É que acontece na França, poderá bem acontecer por aqui. E Vive le France!