Microplástico na Bacia de Santos pode impactar sustentabilidade ambiental e econômica da região

Microplásticos foram encontrados em todos os pontos amostrados na Bacia de Santos, independentemente da estação do ano

A Bacia de Santos tem 350.000 km² de área e abriga grandes campos de produção de petróleo e gás

As águas superficiais da Bacia de Santos, no litoral Sudeste do Brasil, estão contaminadas por microplásticos — partículas com menos de 5 milímetros consideradas letais para a biodiversidade local e potencialmente nocivas à saúde humana.  

A constatação é de um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), publicado nesta sexta-feira (25) na revista Ocean and Coastal Research. A pesquisa mapeou a presença, forma, cor e tamanho dos resíduos em uma das regiões mais importantes do país para a produção de petróleo e gás.

Com aproximadamente 350 mil quilômetros quadrados, a Bacia de Santos abrange os litorais dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A região reúne alta biodiversidade marinha e concentra grande parte das operações offshore brasileiras. 

Foram analisadas 30 amostras de água coletadas em sete pontos durante as estações de verão e inverno, nos anos de 2020 e 2021. Todas apresentaram algum grau de contaminação por microplásticos. Ao todo, 1.006 partículas foram identificadas, com predominância de fragmentos rígidos (51,8%), seguidos por filmes (24%) e fibras (16,4%).

Os resíduos encontrados derivam principalmente de embalagens plásticas, sacolas, garrafas, recipientes de uso cotidiano e, possivelmente, de produtos como cosméticos. Segundo o estudo, os níveis de microplásticos na Bacia de Santos são comparáveis aos registrados em outras regiões do Oceano Atlântico — incluindo áreas sem exploração de petróleo e gás, como trechos da costa brasileira, Portugal e China. 

Apesar da proximidade com plataformas fixas e intenso tráfego marítimo, não houve diferença estatística entre os pontos analisados, o que indica que fatores oceanográficos — como ventos, correntes, ondas e chuvas — têm papel determinante na dispersão das partículas.

De acordo com a pesquisadora Gisele Lôbo-Hajdu, uma das autoras do estudo, os impactos da contaminação vão muito além do ambiente marinho. “A alta incidência de fragmentos de microplástico pode afetar a pesca local ao contaminar frutos do mar e pescado, levando a perdas econômicas e problemas de saúde. 

O turismo também pode sofrer devido à poluição persistente, enquanto a degradação do habitat — por exemplo, recifes de corais e manguezais — a longo prazo pode reduzir a resiliência do ecossistema”, alerta.

Os autores destacam que os resultados podem subsidiar políticas públicas voltadas ao controle da poluição marinha, ao fortalecimento de áreas de proteção ambiental e ao desenvolvimento de campanhas de conscientização sobre o descarte de resíduos. A pesquisa também reforça a importância do monitoramento contínuo da região e da regulação de atividades industriais em áreas ecologicamente sensíveis.


Fonte: Agência Bori

Estudos mostram que principais rios europeus estão tomados por microplásticos. Fontes incluem de pneus a fibras texteis

Os microplásticos invadiram os rios europeus, de acordo com 14 estudos publicados simultaneamente na revista Environmental Science and Pollution Research, divulgados neste domingo (6)

Por RFI

“A poluição está em todos os rios europeus” estudados, diz Jean-François Ghiglione, diretor de pesquisa do CNRS, o centro nacional francês de pesquisa científica, que coordenou os estudos feitos em 2019 em nove grandes rios europeus. A operação envolveu 40 químicos, biólogos e físicos de 19 laboratórios, além de estudantes de doutorado e pós-doutorandos, com o apoio da Tara Ocean Foundation. 

Os cientistas percorreram noves rios em diferentes países, como Alemanha, França, Itália, Inglaterra e Espanha. Entre eles, o Elba, Ebro, Loire, Ródano, Reno, Sena, Tâmisa e o Tibre, onde obtiveram e analisaram amostras em toda a extensão, da foz até o desemboque nas cidades.

“Os microplásticos são menores que um grão de arroz”, explica Alexandra Ter Halle, cientista do CNRS em Toulouse, no sul da França, que realizou as análises. As partículas do material, lembra, têm menos de 5 milímetros e as menores são invisíveis a olho nu.

Elas podem ser fibras têxteis sintéticas de lavagem, ou que “voam” dos pneus dos carros ou das tampas de uma garrafa, por exemplo, quando elas são abertas. Segundo os cientistas, a poluição observada equivale, em média, a “três microplásticos por metro cúbico de água” nos rios estudados. 

O volume é preocupante, apesar de ser bem inferior aos 40 microplásticos por m³ detectados nos 10 rios mais poluídos do mundo: Rio Amarelo, Yangtzé, Mekong, Ganges, Nilo, Níger, Hindus, Amur, Pearl e Hai He. Eles irrigam os países que produzem mais plástico ou que processam mais resíduos. 

Mas, levando em consideração os volumes vendidos, “em Valence e no Ródano, temos um fluxo de 1.000 metros cúbicos por segundo, o que significa que temos 3.000 partículas de plástico a cada segundo”, diz Jean-François Ghiglione. No Sena, em Paris, são 900 por segundo. 

Os cientistas detectaram uma “novidade” que os “surpreendeu”, graças a um avanço nos métodos de análise desenvolvidos durante o estudo: “a massa de pequenos microplásticos, aqueles que não podemos ver a olho nu, é maior do que a daqueles que vemos”, observa Ghiglione. 

No entanto, “grandes microplásticos flutuam e são retirados da superfície, enquanto os invisíveis se distribuem por todo o volume d’água e são ingeridos por muitos animais e organismos”. 

“Poluição difusa”

Um dos estudos identificou uma bactéria virulenta em um microplástico no rio francês Loire, capaz de desencadear infecções em humanos. 

Os cientistas também obtiveram outro resultado inesperado: um quarto dos microplásticos descobertos nos rios não são de resíduos, mas de plásticos primários industriais. Esses grânulos, também conhecidos como “lágrimas de sereia”, também são encontrados às vezes em praias infestadas após um acidente marítimo. 

Este resultado, obtido na França, foi estabelecido graças a uma operação científica participativa que envolve 350 classes de escolas francesas. Todos os anos, 15 mil alunos coletam amostras nas margens dos rios. 

Segundo os cientistas, era inútil estabelecer um ranking dos rios europeus mais poluídos: os números são geralmente “equivalentes” e os dados são insuficientes. O mesmo vale para o impacto das cidades. “O que vemos é poluição difusa e instalada” que “chega de todos os lugares” nos rios, diz o cientista.

“A coalizão científica internacional da qual fazemos parte (como parte das negociações internacionais da ONU sobre a redução da poluição plástica) está pedindo uma grande redução na produção do material, porque sabemos que a produção de plástico está completamente ligada à poluição”, conclui. 

(Com informações da AFP)


Fonte: RFI

Estudo descobre que goma de mascar libera microplásticos na saliva

Por Douglas Main para  o “The New Lede”

Gomas de mascar feitas de polímeros sintéticos ou resinas de árvores liberam quantidades significativas de pequenas partículas de plástico na saliva, de acordo com um estudo atualmente em revisão por pares, apresentado na terça-feira em uma reunião da Sociedade Química Americana.

Pesquisadores descobriram que a goma de mascar, em média, libera mais de 600 partículas de microplásticos por grama, com um chiclete médio pesando entre dois e seis gramas, de acordo com o estudo , no qual os pesquisadores mascaram 10 tipos diferentes de marcas líderes de goma e então coletaram amostras de sua saliva em vários momentos.

“Precisamos estar cientes de que essas gomas estão liberando plásticos em nosso corpo”, disse Sanjay Mohanty , coautor do estudo e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

A goma sintética é feita de polímeros plásticos, um fato que a maioria das pessoas desconhece, disse a autora principal do estudo, Lisa Lowe, uma estudante de pós-graduação no laboratório de Mohanty. Não foi um choque para os pesquisadores, então, que a goma liberasse microplásticos.

Os cientistas ficaram surpresos, no entanto, que as gomas “naturais” que usam resinas vegetais como base tinham níveis semelhantes de microplásticos, que devem estar chegando lá de alguma forma durante o processo de fabricação, disseram eles.

A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA não tem padrões para microplásticos em alimentos e declarou que “as evidências científicas atuais não demonstram que os níveis de microplásticos ou nanoplásticos detectados em alimentos representam um risco à saúde humana”.

No entanto, algumas pesquisas começaram a sugerir ligações entre microplásticos no corpo e resultados negativos para a saúde . Por exemplo, um estudo publicado em março de 2024 no The New England Journal of Medicine acompanhou 312 pacientes que tiveram depósitos de gordura, ou placas, removidos de sua artéria carótida. Quase seis em cada 10 tinham microplásticos, e essas pessoas se saíram pior do que aquelas que não tinham: nos 34 meses seguintes, elas tinham 2,1 vezes mais probabilidade de sofrer derrame, ataque cardíaco ou morrer.

Mas os pesquisadores deste estudo não fazem nenhuma afirmação sobre os efeitos na saúde e não querem alarmar ninguém ou destacar a goma de mascar desnecessariamente, já que microplásticos são encontrados em muitos alimentos, disse Mohanty.

“A goma de mascar é segura para ser apreciada, como tem sido por mais de 100 anos”, disse um porta-voz da National Confectioners Association em uma declaração por e-mail. “A segurança alimentar é a prioridade número um para as empresas de confeitaria dos EUA, e nossas empresas associadas usam apenas ingredientes permitidos pela FDA.”

As 10 marcas de goma no estudo liberaram principalmente quatro tipos diferentes de microplásticos, incluindo poliolefinas, tereftalato de polietileno (PET), poliacrilamidas e poliestirenos. O PET é comumente usado para fazer garrafas plásticas e é o polímero mais comum encontrado no cérebro humano , no único estudo de referência sobre o tópico. O poliestireno é usado em amendoins de embalagem e muitos outros produtos.

O estudo mediu apenas microplásticos acima de 20 mícrons de tamanho (uma pequena fração de um milímetro), o que significa que pode haver muito mais fibras que não estão aparecendo, talvez por um fator de 10, disse Mohanty. A equipe espera procurar partículas ainda menores em trabalhos futuros, ele acrescentou.

O artigo descobriu que as gomas liberam a maioria dos microplásticos nos primeiros minutos de mastigação e liberam mais de 90% das partículas de plástico em oito minutos.

A pesquisa sugere que a goma de mascar provavelmente libera ainda mais microplásticos no ambiente ao longo do tempo, tornando importante descartá-la corretamente, disse Lowe.

(Imagem em destaque de Thomas Watson via Unsplash+ .)


Fonte: The New Lede

Áreas marinhas de proteção integral do Brasil estão contaminadas por microplásticos

Pesquisadores da Unifesp usaram ostras e mexilhões como organismos-sentinelas para avaliar a ocorrência desses poluentes. Resultados indicam que mesmo os locais mais restritivos à presença humana apresentam contaminação relevante

Abrolhos, uma das áreas de proteção integral enfocadas no estudo (foto: Beatriz Zachello Nunes)

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP 

Apesar de serem consideradas santuários da biodiversidade, as áreas marinhas protegidas (AMPs) do Brasil não estão imunes à contaminação por microplásticos. Um estudo recente revelou que mesmo as AMPs classificadas como áreas de proteção integral (APIs), que são as mais restritivas para a intervenção humana, apresentam contaminação por esse material. A pesquisa, que contou com a participação de cientistas brasileiros e australianos, utilizou moluscos bivalves (ostras e mexilhões) como organismos-sentinelas para avaliar a contaminação. Os resultados foram publicados na revista Environmental Research.

“Nosso estudo mostrou que a contaminação por microplásticos ocorre até mesmo nas áreas de proteção ambiental mais restritivas. Por exemplo, no Atol das Rocas, onde não há qualquer atividade econômica nem é permitida a visitação de turistas. Os microplásticos podem chegar a locais assim transportados pelo vento ou pelas correntes oceânicas”, conta à Agência FAPESP Ítalo Braga, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp) e coordenador da pesquisa, financiada pela FAPESP.

Os microplásticos são partículas com tamanho variando de 1 mícron (1 μm) a 5 milímetros (5 mm) que resultam da fragmentação de plásticos maiores ou são fabricados diretamente nesse formato para uso industrial ou cosmético. Aqueles detectados no estudo apresentaram padrões consistentes ao longo da costa brasileira: predominantemente pretos, brancos ou transparentes, com tamanho inferior a 1 milímetro.

A análise química conseguiu identificar 59,4% deles, sendo os principais componentes: polímeros alquídicos (28,1%), utilizados em tintas e vernizes, possivelmente provenientes de barcos e embarcações turísticas; celulose (21%), que tanto pode ter sido de origem natural (plâncton, algas, plantas marinhas e vegetação terrestre) quanto de origem antropogênica (papéis, papelões, resíduos de alimentos etc.); polietileno tereftalato (PET) (14%), comumente encontrado em embalagens plásticas e fibras sintéticas, liberadas na lavagem de roupas e transportadas ao mar por efluentes urbanos; e politetrafluoretileno (PTFE ou teflon) (12,3%), presente em revestimentos antiaderentes e industriais. Os outros 40,6% não puderam ser descritos.

“Ao longo do litoral brasileiro, existem várias áreas protegidas com diferentes níveis de gestão. Parques nacionais, como Abrolhos e Fernando de Noronha, são altamente protegidos, enquanto outras, como algumas APAs [áreas de proteção ambiental], permitem certo grau de intervenção humana. Nosso estudo focou nas áreas de proteção integral, chamadas de ‘no-takes’ na literatura internacional especializada, que são áreas marinhas protegidas mais restritivas. Selecionamos dez delas: Parque Nacional de Jericoacoara, Atol das Rocas, Fernando de Noronha, Rio dos Frades, Abrolhos, Tamoios, Alcatrazes, Guaraqueçaba, Carijós e Arvoredo”, conta Braga.

Medidas globais

Conduzida pela doutoranda Beatriz Zachello Nunes, a pesquisa revelou que os microplásticos estão presentes em todas essas APIs, com uma concentração média de 0,42 ± 0,34 partícula por grama de tecido úmido. Entre as áreas estudadas, a maior contaminação foi registrada no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, com 0,90 ± 0,59 partícula por grama, enquanto a menor concentração foi encontrada na Reserva Biológica do Atol das Rocas, com 0,23 partícula por grama.

“O dado positivo é que a contaminação em todas essas áreas está abaixo da média internacional para áreas marinhas protegidas [veja a figura abaixo]. E muito abaixo da média brasileira para áreas não protegidas. Locais muito contaminados, como Santos e algumas praias do Rio de Janeiro, chegam a apresentar contaminações de 50 a 60 vezes maior. Santos, aliás, registrou uma das maiores concentrações de microplásticos do mundo”, comenta o pesquisador.


As dez áreas de proteção integral estudadas (imagem: Ítalo Braga)

Os moluscos bivalves (ostras, mariscos, mexilhões e outros), que recebem esse nome por possuírem uma concha dividida em duas partes, ou seja, duas valvas articuladas, foram escolhidos no estudo por serem considerados sentinelas do mar. “Eles se alimentam filtrando a água marinha. Os alimentos presentes na água ficam retidos em suas brânquias, que funcionam como peneiras. E pequenos cílios os transportam para o estômago. Se essa água contém contaminantes, como microplásticos, os bivalves também os retêm. Então, em vez de coletarmos amostras de água, que variam o tempo todo, analisamos os bivalves, pois eles acumulam poluentes ao longo do tempo, fornecendo um histórico mais confiável da contaminação”, explica Braga.

Os resultados do estudo demonstram que a contaminação por plástico está presente até mesmo nas áreas mais restritivas de proteção ambiental, com potenciais riscos para os ecossistemas marinhos e as cadeias alimentares. “A criação de AMPs, por si só, não é suficiente para barrar a poluição. É fundamental que essas áreas contem com gestão ambiental eficiente e fiscalização rigorosa. Mas até isso não é suficiente, se considerarmos que os microplásticos podem não estar sendo gerados no local, mas trazidos de longe pela atmosfera e pelas correntes marítimas. Para mitigar isso, apenas medidas globais, como o Tratado Global dos Plásticos, atualmente em fase de negociação e desenvolvimento sob a coordenação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente [PNUMA], podem fazer diferença”, conclui o pesquisador.

O artigo Microplastic contamination in no-take Marine Protected Areas of Brazil: Bivalves as sentinels pode ser acessado [Aqui!].
As manchas de cor lilás são áreas marinhas ao redor do mundo. A contaminação por microplásticos nas áreas de proteção integral enfocadas no estudo fica abaixo da média mundial para áreas marinhas protegidas (linha roxa pontilhada)
e muito abaixo da média brasileira para áreas não protegidas (linha vermelha pontilhada). A média de contaminação por microplásticos nas áreas estudadas é dada pela linha preta pontilhada (imagem: Beatriz Zachello Nunes)


Fonte: Agência Fapesp

Microplásticos aumentam a resistência a antibióticos em E. coli, sugere estudo de laboratório

Por Shanon Kelleher para o “The New Lede” 

A mistura de pequenos pedaços de plástico com certas bactérias nocivas pode tornar as bactérias mais difíceis de combater com vários antibióticos comuns, de acordo com um novo estudo que aumenta as preocupações globais sobre a resistência aos antibióticos.

O estudo , publicado terça-feira na revista Applied and Environmental Microbiology , descobriu que quando a bactéria Escherichia coli (E. coli) MG1655, uma cepa amplamente utilizada em laboratório, foi cultivada com microplásticos (partículas de plástico com menos de 5 milímetros de tamanho), a bactéria se tornou cinco vezes mais resistente a quatro antibióticos comuns do que quando foi cultivada sem as partículas de plástico.

As descobertas podem ser particularmente relevantes para entender as ligações entre gerenciamento de resíduos e doenças, sugere o estudo. As estações de tratamento de águas residuais municipais contêm microplásticos e antibióticos, tornando-as “pontos quentes” que alimentam a disseminação da resistência aos antibióticos.

“O fato de haver microplásticos ao nosso redor… é uma parte marcante dessa observação”, disse o coautor do estudo e professor da Universidade de Boston, Muhammad Zaman, em um comunicado à imprensa. “Certamente há uma preocupação de que isso possa representar um risco maior em comunidades desfavorecidas, e apenas ressalta a necessidade de mais vigilância e uma visão mais profunda das interações [microplásticas e bacterianas].”

Muitos tipos de bactérias estão se tornando resistentes a antibióticos, em grande parte devido ao uso excessivo . Mais de 2,8 milhões de infecções resistentes a esses medicamentos ocorrem somente nos EUA a cada ano, matando 35.000 pessoas anualmente, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

A resistência em E. coli é uma preocupação porque, embora a bactéria geralmente viva inofensivamente nos intestinos de humanos e animais, algumas cepas podem causar doenças graves. E há vários tipos de bactérias perigosas resistentes a antibióticos, incluindo Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), que frequentemente causa infecções em hospitais, e Clostridium difficile (C.diff), que causa diarreia.

O novo estudo vem na esteira de outro estudo publicado em janeiro na revista Environment International , no qual pesquisadores rotularam o DNA de bactérias no solo com marcadores fluorescentes para rastrear a disseminação de genes de resistência antimicrobiana , descobrindo que os microplásticos no ambiente aumentam a disseminação da resistência em até 200 vezes.

As implicações do novo estudo podem ser importantes, como parte da evidência de uma “forte ligação” entre microplásticos e resistência antimicrobiana, de acordo com Timothy Walsh , cofundador do Instituto Ineos Oxford para Pesquisa Antimicrobiana no Reino Unido e autor do estudo de janeiro.

Walsh disse que o valor das descobertas do novo estudo era limitado, pois a pesquisa foi conduzida em um laboratório, e não em um ambiente do mundo real, e se concentrou em apenas uma cepa de E. coli.

Embora os cientistas não tenham certeza de por que os microplásticos podem dar às bactérias uma vantagem contra os antibióticos, eles acreditam que as partículas funcionam bem como uma superfície para biofilme, um escudo pegajoso que as bactérias formam para se proteger, de acordo com o estudo. Com base em suas observações, os autores do novo estudo concluíram que as células bacterianas que são melhores na formação de biofilmes tendem a crescer em microplásticos, sugerindo que as partículas de plástico podem “levar a infecções recalcitrantes no ambiente e no ambiente de saúde”.

Os microplásticos são parte de uma crise global de poluição plástica, com cerca de 20 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos indo parar no meio ambiente a cada ano, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza.

No final de 2024, delegados de mais de 170 países se reuniram na Coreia do Sul após dois anos de negociações para finalizar um tratado global projetado para abordar a crise mundial de poluição plástica. No entanto, nenhum tratado foi adotado no encerramento da sessão, com planos de se reunir novamente em 2025.

Imagem em destaque por FlyD no Unsplash .)


Fonte: The New Lede

Microplásticos dificultam a fotossíntese das plantas, segundo estudo, ameaçando milhões de pessoas com fome

Pesquisadores dizem que problema pode aumentar o número de pessoas em risco de fome em 400 milhões nas próximas duas décadas

As principais culturas do mundo, como trigo, milho e arroz, estão ameaçadas por partículas disseminadas.

As principais culturas do mundo, como trigo, milho e arroz, estão sob ameaça de partículas penetrantes. Fotografia: jodie777/Getty Images/iStockphoto

Por Damian Carrington para o “The Guardian”

A poluição do planeta por microplásticos está reduzindo significativamente o suprimento de alimentos ao prejudicar a capacidade das plantas de realizar fotossíntese, de acordo com uma nova avaliação.

A análise estima que entre 4% e 14% das principais safras mundiais de trigo, arroz e milho estão sendo perdidas devido às partículas penetrantes. Poderia ficar ainda pior, disseram os cientistas, à medida que mais microplásticos são despejados no meio ambiente.

Cerca de 700 milhões de pessoas foram afetadas pela fome em 2022. Os pesquisadores estimaram que a poluição por microplásticos poderia aumentar o número em risco de fome em outros 400 milhões nas próximas duas décadas, chamando isso de um “cenário alarmante” para a segurança alimentar global.

Outros cientistas consideraram a pesquisa útil e oportuna, mas alertaram que esta primeira tentativa de quantificar o impacto dos microplásticos na produção de alimentos precisaria ser confirmada e refinada por mais coleta de dados e pesquisas.

As perdas anuais de colheitas causadas por microplásticos podem ser de uma escala similar àquelas causadas pela crise climática nas últimas décadas, disseram os pesquisadores por trás da nova pesquisa. O mundo já está enfrentando um desafio para produzir alimentos suficientes de forma sustentável, com a população global prevista para aumentar para 10 bilhões por volta de 2058.

Os microplásticos são decompostos a partir de grandes quantidades de resíduos despejados no meio ambiente. Eles impedem as plantas de aproveitar a luz solar para crescer de várias maneiras, desde danificar solos até transportar produtos químicos tóxicos. As partículas se infiltraram em todo o planeta, do cume do Monte Everest aos oceanos mais profundos .

“A humanidade tem se esforçado para aumentar a produção de alimentos para alimentar uma população cada vez maior [mas] esses esforços contínuos agora estão sendo prejudicados pela poluição plástica”, disseram os pesquisadores, liderados pelo Prof. Huan Zhong, da Universidade de Nanquim, na China. “As descobertas ressaltam a urgência [de cortar a poluição] para proteger o suprimento global de alimentos diante da crescente crise do plástico.”

Os corpos das pessoas já estão amplamente contaminados por microplásticos, consumidos por meio de alimentos e água . Eles foram encontrados no sangue , cérebros , leite materno , placentas e medula óssea . O impacto na saúde humana é amplamente desconhecido, mas eles foram associados a derrames e ataques cardíacos .

O professor Denis Murphy, da Universidade de South Wales, disse: “Esta análise é valiosa e oportuna para nos lembrar dos perigos potenciais da poluição por microplásticos e da urgência de abordar a questão, [mas] alguns dos principais números exigem mais pesquisas antes que possam ser aceitos como previsões robustas.”

O novo estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences , combinou mais de 3.000 observações do impacto dos microplásticos nas plantas, retiradas de 157 estudos.

Pesquisas anteriores indicaram que os microplásticos podem danificar as plantas de várias maneiras. As partículas poluentes podem bloquear a luz solar que atinge as folhas e danificar os solos dos quais as plantas dependem. Quando absorvidos pelas plantas, os microplásticos podem bloquear os canais de nutrientes e água , induzir moléculas instáveis ​​que prejudicam as células e liberar produtos químicos tóxicos , o que pode reduzir o nível do pigmento fotossintético clorofila.

Os pesquisadores estimaram que os microplásticos reduziram a fotossíntese de plantas terrestres em cerca de 12% e em cerca de 7% em algas marinhas, que estão na base da teia alimentar do oceano. Eles então extrapolaram esses dados para calcular a redução no crescimento de trigo, arroz e milho e na produção de peixes e frutos do mar.

A Ásia foi a mais atingida pelas perdas estimadas de safras, com reduções em todas as três entre 54 milhões e 177 milhões de toneladas por ano, cerca de metade das perdas globais. O trigo na Europa também foi duramente atingido, assim como o milho nos Estados Unidos. Outras regiões, como América do Sul e África, cultivam menos dessas safras, mas têm muito menos dados sobre contaminação por microplásticos.

Nos oceanos, onde os microplásticos podem revestir algas, a perda de peixes e frutos do mar foi estimada entre 1 milhão e 24 milhões de toneladas por ano, cerca de 7% do total e proteína suficiente para alimentar dezenas de milhões de pessoas.

Os cientistas também usaram um segundo método para avaliar o impacto dos microplásticos na produção de alimentos, um modelo de aprendizado de máquina baseado em dados atuais sobre níveis de poluição por microplásticos. Ele produziu resultados semelhantes, eles disseram .

“É importante ressaltar que esses efeitos adversos têm grande probabilidade de se estender da segurança alimentar à saúde planetária”, disseram Zhong e seus colegas. A fotossíntese reduzida devido aos microplásticos também pode estar cortando a quantidade de CO2 que aquece o clima, retirado da atmosfera pelas enormes florações de fitoplâncton nos oceanos da Terra e desequilibrando outros ecossistemas.

O Prof. Richard Lampitt, do National Oceanography Centre do Reino Unido, disse que as conclusões devem ser tratadas com cautela. “Tenho preocupações consideráveis ​​sobre a qualidade dos dados originais usados ​​pelo modelo e isso levou a uma superespeculação sobre os efeitos da contaminação por plástico nos suprimentos de alimentos”, disse ele. Os pesquisadores reconheceram que mais dados eram necessários e disseram que isso produziria estimativas mais precisas.

As nações do mundo não conseguiram chegar a um acordo sobre um tratado da ONU para conter a poluição plástica em dezembro, mas reiniciarão as negociações em agosto. Os cientistas disseram que seu estudo era “importante e oportuno para as negociações em andamento e o desenvolvimento de planos de ação e metas”.

O Prof. Richard Thompson, da Universidade de Plymouth, disse que o novo estudo acrescentou evidências que apontam para a necessidade de ação. “Embora as previsões possam ser refinadas à medida que novos dados se tornem disponíveis, está claro que precisamos começar a buscar soluções. Garantir que o tratado aborde a poluição por microplásticos é de fundamental importância”, disse ele.


Fonte: The Guardian

Pesquisadores espanhóis analisaram 280 amostras de água mineral. Apenas uma das marcas estava livre de microplásticos

Em média, um litro de água engarrafada contém 240.000 fragmentos de plástico detectáveis. Um estudo do CSIC/Espanha analisou 20 marcas e apenas uma estava livre de microplásticos.

Por José Garcia para o Xataka 

Melhor sabor e cheiro, além de motivos de saúde. Essas são as duas principais razões pelas quais as pessoas bebem água engarrafada, de acordo com um estudo da Universidade Autônoma de Barcelona. A Espanha é, de fato, o terceiro país europeu que mais consome água engarrafada (até 107 litros por habitante). Isso colide com uma coisa: a água engarrafada não só é muito mais cara do que a água da torneira , mas agora sabemos que ela também contém micro e nanoplásticos em quantidades muito maiores do que as estimadas.

O estudo original

Pesquisadores da Universidade de Columbia analisaram três marcas populares de água engarrafada nos Estados Unidos (cujos nomes não foram divulgados) em busca de micro e nanoplásticos. Para fazer isso, eles usaram uma nova técnica chamada microscopia de espalhamento Raman estimulada, que envolve sondar amostras com dois lasers simultâneos ajustados para fazer moléculas específicas ressoarem.

Analisando sete plásticos comuns, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para interpretar os resultados. Segundo Wei Min, coinventor da técnica e coautor do estudo em questão, “uma coisa é detectar e outra é saber o que você está detectando”.

As descobertas

Em média, este estudo descobriu que um litro de água engarrafada contém 240.000 fragmentos de plástico detectáveis ​​– entre dez e 100 vezes mais do que estimativas anteriores. Especificamente, os pesquisadores dizem que encontraram entre 110.000 e 370.000 fragmentos de plástico em cada litro, 90% dos quais eram nanoplásticos. Nesse sentido, é importante lembrar a diferença entre micro e nanoplásticos:

Os plásticos mais comuns

Não é surpresa que um dos plásticos mais comuns tenha sido o tereftalato de polipropileno, mais conhecido como PET. É o material do qual muitas garrafas são feitas. “Ele provavelmente entra na água quando pequenos pedaços se quebram quando a garrafa é espremida ou exposta ao calor”, dizem os pesquisadores, citando outro estudo que sugere que eles também podem ser desalojados ao abrir e fechar a tampa repetidamente.

De costume

E embora o PET seja comum, ele é superado pela poliamida, um tipo de náilon que “provavelmente vem de filtros plásticos usados ​​para purificar água antes do engarrafamento”, diz Beizhan Yan, pesquisador do estudo. Outros plásticos comuns encontrados pelos pesquisadores incluem poliestireno, cloreto de polivinila e polimetilmetacrilato.

E o resto? 

A técnica utilizada contempla os sete plásticos mais comuns, mas existem muitos outros plásticos. De acordo com a Universidade de Columbia , “os sete tipos de plástico que os pesquisadores procuraram representavam apenas cerca de 10% de todas as nanopartículas que encontraram nas amostras; Eles não têm ideia do que é o resto. Se forem todos nanoplásticos, pode ser dezenas de milhões por litro.”

E os vendidos na Espanha?

Foi o que quis descobrir um estudo do CSIC e do Instituto de Saúde Global de Barcelona . Eles desenvolveram uma técnica para quantificar partículas entre 0,7 e 20 micrômetros, bem como os aditivos químicos liberados na água, e para este estudo, analisaram 280 amostras de 20 marcas comerciais de água. Apenas uma das marcas não continha microplásticos, mas todas as 280 amostras continham aditivos plásticos.

Mais especificamente

 O resultado é que, em média, um litro de água contém 359 nanogramas de micro e nanoplásticos, uma quantidade comparável à encontrada na água da torneira em um estudo anterior realizado pelo mesmo grupo. “A principal diferença que encontramos foi o tipo de polímero: na água da torneira encontramos mais polietileno e polipropileno, enquanto na água engarrafada detectamos principalmente polipropileno tereftalato (PET), embora também polietileno”, disse Cristina Villanueva, pesquisadora do ISGlobal e autora do estudo.

Bastante microplástico

Considerando que bebemos dois litros de água por dia, os autores estimam “uma ingestão de 262 microgramas de partículas plásticas por ano”. Em relação aos aditivos, foram detectados 28 aditivos plásticos, principalmente estabilizantes e plastificantes. De acordo com os pesquisadores, “nosso estudo de toxicidade mostrou que três tipos de plastificantes representam um risco maior à saúde humana e, portanto, devem ser considerados nas análises de risco para os consumidores”.


Fonte: Xataka.com

Cientistas soam o alarme sobre plásticos em nossos cérebros após estudo chocante

Comentário destaca os potenciais riscos à saúde dos microplásticos em nossos corpos e cérebros

Microplásticos estão sendo encontrados em todos os lugares onde os cientistas os procuram, inclusive em nossos cérebros. © Daily insights via Shutterstock

Por Ed Cara para o “Gizmodo”

Se a ideia de ter uma colherada de plástico na sua cabeça parece ruim para você, você não é o único. Cientistas estão soando o alarme sobre um estudo recente que mostra que microplásticos podem se acumular no cérebro.

Pesquisadores dos EUA e Canadá escreveram o comentário, publicado no periódico Brain Medicine. Além de discutir o estudo cerebral recente, eles detalham a ciência geral sugerindo que os microplásticos estão prejudicando o meio ambiente e nossa saúde. Embora mais pesquisas sejam necessárias para descobrir as melhores maneiras de limpar essas substâncias de nossos corpos, as pessoas já podem tomar medidas para minimizar sua exposição, afirmam os cientistas.

Microplásticos são quaisquer pedaços de plástico menores que 5 milímetros. Nos últimos anos, cientistas os encontraram em praticamente qualquer lugar que eles olharam — de nuvens no topo de montanhas a nossos testículos e fezes de bebês . Mas um estudo publicado no mês passado na Nature Medicine por pesquisadores da Universidade do Novo México desencadeou uma nova onda de preocupação.

Os pesquisadores da UNM não só encontraram microplásticos nos cérebros de pessoas falecidas, como também encontraram concentrações maiores de plástico nos fígados, rins ou outros órgãos das pessoas. Além disso, esse acúmulo pareceu ser muito maior em pessoas falecidas recentemente, sugerindo que a exposição ao plástico só piorou ultimamente. Eles também encontraram uma concentração maior de plástico nos cérebros de pessoas com demência — talvez sinalizando uma conexão com a condição neurológica fatal. Os pesquisadores da UNM estimaram que os cérebros das pessoas hoje podem estar carregando uma colher de plástico inteira desses pequenos fragmentos.

Nicholas Fabiano, autor principal do novo comentário, publicado hoje, adverte que ainda há muito que não sabemos sobre os impactos dos microplásticos na saúde. Mas o que aprendemos até agora não é exatamente encorajador.

“Ouvir que há uma colher de microplásticos no cérebro foi chocante. Como residente em psiquiatria, isso é particularmente relevante, já que atualmente não sabemos a extensão total que isso pode impactar a cognição ou a saúde mental de alguém”, Fabiano, pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Ottawa, disse ao Gizmodo. “No estudo da Nature Medicine, os níveis de microplásticos eram 3-5 vezes maiores nos cérebros daqueles com demência, o que levanta alarmes, no entanto, essas descobertas não são causais por natureza.”

Não são apenas os plásticos em si que podem ser perigosos para nossos corpos, mas os produtos químicos que vazam dele. Os pesquisadores identificaram mais de cem produtos químicos no plástico que podem nos prejudicar ou prejudicar outros animais, particularmente produtos químicos que podem imitar e, então, possivelmente interromper a regulação de hormônios importantes. Esses produtos químicos desreguladores endócrinos têm sido associados a maiores taxas de infertilidade, certos tipos de câncer e distúrbios metabólicos como diabetes, para citar alguns. E provavelmente há outras maneiras pelas quais os plásticos ou seus produtos químicos podem estar afetando nossa saúde para pior.

“A base de evidências atual (amplamente baseada em estudos de cultura de células e animais) sugere que a exposição [ao microplástico] pode levar a impactos adversos à saúde por meio de estresse oxidativo, inflamação, disfunção imunológica, metabolismo bioquímico/energético alterado, proliferação celular prejudicada, desenvolvimento anormal de órgãos, vias metabólicas interrompidas e carcinogenicidade”, escreveram os autores do comentário do Brain Medicine.

Muitas perguntas sem resposta sobre microplásticos permanecem, observa Fabiano. Além dos riscos desconhecidos para a saúde a longo prazo, não temos certeza de como esses plásticos estão entrando no cérebro, por exemplo. Também ainda sabemos pouco sobre como nossos corpos podem eliminar microplásticos, embora algumas pesquisas tenham sugerido que podemos literalmente suar certos produtos químicos associados ao plástico.

Apesar dessas incógnitas, Fabiano (e muitos outros pesquisadores ) pediram que governos e formuladores de políticas tomem medidas e comecem a reduzir nossa exposição coletiva a microplásticos. Enquanto isso, as pessoas também podem fazer coisas em suas vidas pessoais para limitar sua ingestão de plásticos. Isso inclui: mudar de beber água engarrafada regularmente para água filtrada da torneira; comer menos alimentos comumente feitos com plástico, como certos saquinhos de chá (dito isso, alguns tipos de saquinhos de chá são melhores do que outros ), ou alimentos que são conhecidos por conter altos níveis de microplásticos, como frutos do mar, álcool e alimentos altamente processados ​​em geral; e armazenar nossas sobras em recipientes de vidro ou aço inoxidável em vez de plásticos.


Fonte: Gizmodo

Microplásticos em rios caribenhos são uma preocupação crescente, mostra estudo

Embora o Rio Baños del San Juan (Cuba) esteja localizado em uma área rural, ele não está livre de microplásticos, o que mostra que mesmo áreas sem alta concentração humana também sofrem esse tipo de contaminação. Crédito da imagem: Barry Cornelius/Flickr , licenciado sob Creative Commons CC BY-NC-SA 2.0 .

Um estudo publicado na Science estimou que a emissão de microplásticos no meio ambiente em 2024 seja entre 10 e 40 milhões de toneladas por ano, mas que isso pode dobrar até 2040 se o problema não for resolvido.

Na América Latina, porém, os estudos sobre microplásticos representam apenas 4,8% da produção científica global, e há “pouca” pesquisa sobre esses poluentes nos rios da região.

Isso é um problema considerando que a América Latina abriga dois dos 20 rios mais contaminados com plástico do planeta. De acordo com pesquisas de cientistas brasileiros, a Amazônia contribui com 63.900 toneladas de resíduos plásticos para a poluição dos oceanos a cada ano, enquanto o Rio Magdalena, na Colômbia, contribui com 29.500 toneladas anualmente.

É essencial “compreender como os microplásticos se comportam de forma holística”, bem como analisar fontes, sumidouros e sua interação com organismos, como um passo essencial para “tentar desenhar intervenções que possam ter impacto neste problema”.

José F. Grillo, Centro de Estudos Ecotoxicológicos em Sistemas Marinhos, Universidade Simón Bolívar, Venezuela

Brasil, México e Chile são as principais áreas de estudo, enquanto na Argentina, o projeto MappA é um ambicioso projeto em andamento que busca analisar mais de 100 corpos de água doce em 18 províncias do país.

No Caribe, onde há ainda menos pesquisas, dois novos estudos em Cuba e na Venezuela fornecem novas evidências sobre esse problema.

Microplásticos em rios de Cuba e Venezuela

Em Cuba, a pesquisa examinou a contaminação por microplásticos em estações de amostragem em dois rios: o Almendares, que atravessa a capital do país, e o Rio Baños del San Juan, localizado em uma área rural perto de Havana.

O estudo constatou que o rio urbano apresentou maior presença de microplásticos devido aos resíduos industriais e domésticos, mas o rio rural não estava livre dessas partículas, demonstrando que mesmo áreas sem alta concentração humana também sofrem esse tipo de poluição.

Da mesma forma, o estudo venezuelano se concentrou em Chichiriviche de la Costa, uma pequena cidade pesqueira no estado de La Guaira, a cerca de 65 km da capital do país. A pesquisa comparou os níveis de microplásticos a montante e a jusante do Rio Chichi e na baía onde ele deságua no rio, onde a cidade está localizada. Os resultados mostraram que a poluição por plástico era de 2,3 a 3,8 vezes maior rio abaixo, mostrando que a vila é uma grande fonte de poluição.

José F. Grillo, coautor do estudo venezuelano, disse ao SciDev.Net que é essencial “entender como os microplásticos se comportam de forma holística”, bem como analisar fontes, sumidouros e sua interação com organismos, como um passo essencial para “tentar projetar intervenções que possam ter impacto neste problema”.

Ambos os estudos identificaram roupas e fibras têxteis como o tipo mais comum de microplástico. São partículas que podem ser transparentes ou coloridas, muito finas e podem ser provenientes de tecidos sintéticos como o poliéster, que liberam pequenas fibras durante a lavagem. Em áreas com tratamento precário de águas residuais, essas fibras entram nos rios e acabam no oceano.

Roupas e fibras têxteis liberadas durante a lavagem de tecidos sintéticos são o tipo mais comum de microplástico identificado nos rios estudados. Crédito da imagem: M.Danny25/Wikimedia Commons , licenciado sob Creative Commons CC BY-SA 4.0 .

As descobertas da equipe cubana descrevem uma alta presença de tereftalato de polietileno (41,9%), comumente usado em sacos e embalagens, e polipropileno (25,8%), usado em recipientes de alimentos e cordas.

“Esses são os plásticos mais comumente usados ​​em embalagens de produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza e bolsas de náilon, o que é consistente com o que foi relatado na literatura”, disse Jeny Larrea, coautora do estudo e professora da Universidade de Havana, ao SciDev.Net .

Ambos os estudos descobriram que os níveis de microplástico aumentaram durante a estação chuvosa. Na Venezuela, a maior concentração de microplásticos na Baía de Chichiriviche foi encontrada perto da foz do rio, sugerindo que o rio atua como um canal direto de contaminação da terra para o mar.

Microplásticos também se acumulam em sedimentos fluviais. Em Cuba, dados mostraram que partículas de plástico se depositam no fundo de ambos os rios. Este estudo encontrou ligações entre a presença de polipropileno e a redução da atividade de microrganismos no rio, indicando que essas partículas podem alterar processos naturais como a decomposição de matéria orgânica.

Essas descobertas são uma oportunidade para avançar em uma análise abrangente dos microplásticos como um desafio ambiental que se estende da terra ao mar. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para entender melhor seu impacto nos ecossistemas e na saúde .

Andreia Neves Fernandes, coordenadora do Laboratório de Processos Ambientais e Poluentes Emergentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destacou o valor desta pesquisa e disse ao SciDev.Net sobre a necessidade de investigar “como os organismos internalizam os resíduos plásticos e examinar os possíveis efeitos sinérgicos e antagônicos entre microplásticos, outros poluentes ambientais e matéria orgânica”.

Referências

  1. Microplásticos em águas doces cubanas: diversidade, mudanças temporais e efeitos na atividade enzimática extracelular . https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S026974912500137X
  2. Vila rural como fonte de poluição por microplásticos em um ecossistema fluvial e marinho do sul do Caribe venezuelano. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39914236/
  3. Microplásticos em ecossistemas latino-americanos: uma revisão crítica do estágio atual e da necessidade de pesquisa. https://doi.org/10.21577/0103-5053.20220018

Fonte: SciDev.Net

Poluição por microplásticos está disseminada de forma ampla na neve do Pólo Sul, mostra estudo

Por Douglas Main para o “The New Lede”

Uma nova pesquisa encontrou níveis significativos de minúsculos microplásticos na neve da Antártida em vários locais da região selvagem mais remota do mundo, descobertas que reforçam as preocupações de que nenhuma parte do planeta está a salvo da poluição plástica.

O artigo , publicado este mês na Science of the Total Environment , fornece evidências de que estudos anteriores subestimaram a extensão da contaminação por microplásticos na região.

O primeiro estudo desse tipo sobre o assunto, publicado em 2022 , encontrou uma média de 29 partículas por litro de neve amostrada. O novo estudo, que usou técnicas que permitem maior detecção de materiais minúsculos, descobriu que “os microplásticos eram generalizados” em mais de 3.000 partículas por litro, com uma média de cerca de 800 partículas. Cerca de 95% desses pedaços tinham menos de 50 mícrons, um pouco menores do que a largura média de um fio de cabelo humano.

Os pesquisadores agora sabem que os microplásticos estão essencialmente em todos os lugares — na remota Amazônia, dentro do cérebro humano , nas raízes das plantas, nas nuvens — mas encontrá-los em tais níveis na região selvagem mais remota do mundo ainda foi um choque.

“Foi surpreendente ver concentrações tão altas de microplásticos em áreas com pegada humana limitada”, disse a coautora do estudo Emily Rowlands, pesquisadora do British Antarctic Survey.

As amostras foram retiradas da neve perto de três bases de pesquisa remotas em diferentes partes do continente, conhecidas como Union Glacier, Schanz Glacier e o Polo Sul. Para obter a neve, os pesquisadores cavaram de oito a 16 polegadas abaixo, examinando plástico provavelmente depositado no último ano ou dois.

Poliamida, um tipo de plástico usado em tecidos, cordas, equipamentos para atividades ao ar livre e outros produtos, foi o tipo de plástico mais prevalente encontrado nos dois primeiros locais. Polietileno tereftalato (PET), comumente usado em roupas e embalagens para atividades ao ar livre, foi o polímero mais abundante no Polo Sul.

O polietileno (PE), o plástico mais comumente usado no mundo, frequentemente usado na fabricação de garrafas plásticas, foi o terceiro tipo de plástico mais prevalente detectado.

Esses materiais provavelmente estão chegando à neve de fontes locais, mas também de transporte de longo alcance na atmosfera, disse Sedat Gündoğdu , um pesquisador não envolvido com o artigo I que estuda microplásticos na Universidade Cukurova, na Turquia. As partículas também podem estar vindo de lixo plástico carregado no oceano e, em seguida, fazendo seu caminho na própria neve.

“Isso mostra que qualquer pedaço de terra pode ser contaminado com microplásticos, mesmo sem qualquer atividade humana [nas proximidades]”, disse Gündoğdu.

O tamanho minúsculo dessas partículas é particularmente preocupante, ele acrescentou, já que qualquer coisa menor que 100 mícrons pode entrar nos corpos de muitos organismos, incluindo animais tão diversos quanto krill, pinguins e humanos.

Quando ingeridas, essas partículas podem obstruir a alimentação, limitar o crescimento e prejudicar a saúde e a capacidade de reprodução, disse Rowlands.

Essa poluição equivale a um “fator de estresse adicional em um ecossistema já estressado”, disse Rowlands, provavelmente impactando a capacidade das espécies polares de lidar com as mudanças climáticas e outras pressões relacionadas aos humanos.

O fato de que a atividade humana está deixando uma “pegada considerável de microplásticos na neve da Antártida” fornece ainda mais motivos para agir nessa “emergência global”, disse Gündoğdu. “Devemos limitar a produção de plástico para deixar a Terra menos poluída para as gerações futuras e para a vida selvagem”, ele acrescentou.


Fonte: The New Lede