A mídia NINJA se solidariza e apoia a luta dos estudantes da Unesp.
Mídia Ninja
Considerações sobre a repressão em torno dos midialivristas e midiativistas
Por Fernando Monteiro
Em primeiro lugar é bom destacar que essas nova formas de fazer circular informação romperam com longos anos de monopólio, seja por parte das mídias corporativas ou por parte da academia. São duas formas diferentes de um mesmo monopólio: uma da informação factual e que diz ser imparcial (nunca o é), outra de informações que constroem o que costumamos chamar de “saber”. Para ambos os casos os coletivos e indivíduos que se dedicam ao midialivrismo/midiativismo vem rompendo com a ordem atual. Sabemos bem que o modo de produção no qual estamos inseridos e do qual emana a ordem das coisas costuma lidar de diferentes formas com novas atividades produtivas que venham a ameaçar aqueles que controlam o fluxo de capital (neste caso de informação), uma é a repressão violenta, a outra é a cooptação ativa.
Temos acompanhado essas duas formas de lidar com o fenômeno. Nos últimos dias a prisão de alguns midialivristas no Rio de Janeiro acendeu o sinal amarelo para todos que lidam com a circulação da informação por esses tempos estranhos. O ataque a todos que portam câmeras em manifestações, a intimação para depoimentos de administradores de páginas e blogs que tem uma clara intenção de intimidar e gerar medo vem sendo um expediente empregado desde o ano passado. Essa é a repressão comum que se faz através do uso da violência do Estado, outro monopólio. Há ainda a cooptação sutil da forma de atuação das mídias livres. Gente como Fora do Eixo/mídia ninja parece ser ponta de lança dessa tendência. Contudo, há também a ação das grandes corporações. Lembro-me bem do 7 de setembro do ano passado quando uma repórter da globo news transmitia via live stream do meio de uma passeata da Rio Branco sem ser importunada pelos manifestantes, como é de praxe acontecer com os funcionários dessa emissora. Essa é a cooptação da forma de atuação, a atualização das práticas e a absorção das formas de produzir. Esse tipo de ação, porém, não passa despercebida, os discursos construídos e a forma como a informação é veiculada e disseminada fazem toda a diferença para que a mídia seja livre de fato. Não é questão de imparcialidade, pois ela não existe, é questão de deixar claro de que lado se está.
Enfim, teremos mais prisões, mais repressão violenta nas ruas, mais cooptação sutil e estabanada, resta que sigamos atentos e organizados, descentralizados, porém articulados, pois essa é a nossa força: capilaridade em conta gotas, horizontalidade e uma enorme capacidade de fazer a informação girar nas redes a partir de nossa própria ação direta.
FONTE: http://daslutas.wordpress.com/2014/06/17/consideracoes-sobre-a-repressao-em-torno-dos-midialivristas-e-midiativistas/
Mídia Ninja: Brasil Na Luta Por Direitos: Saiba porque os protestos tomaram as ruas do país
NINJA AO VIVO
A violência policial foi o despertador do dia que abriu a Copa do Mundo no Brasil. A bola rolou e o espaço público foi campo de uma partida dura contra o Estado, que escalou militares para a defesa da ordem. Além de São Paulo, palco da estréia da seleção, as cidades de Belém, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro foram sede do verde, do amarelo e das ruas.
Os manifestantes denunciaram os direitos violados nos preparativos da Copa, colocando suas pautas e revindicações no radar da imprensa internacional que acompanhou de perto todas as movimentações. Diante desse Big Brother, ávido por imagens de confrontos, perdeu-se a oportunidade de celebrar o amadurecimento de nossa Democracia, evitando a repressão desmedida aos movimentos. As imagens, sem cortes e vindas de fontes diversas, mostraram claramente a maneira com que a violência do Estado e seu ímpeto repressor age cotidianamente em todo o país. Mostramos ao mundo, sem máscaras ou maquiagens, o que temos de pior: a Polícia Militar brasileira.
Em SP um pequeno grupo de manifestantes contrastava com o grande amontoado de jornalistas e mídias livres com suas câmaras e equipamentos de segurança. Camera-mens e black blocs, sindicalistas e repórters: Foram todos rodeados pela tropa de Choque e atacados por bombas de efeito moral, balas de borracha, cassetetes. Os repórteres estrangeiros sentiram o tempero mais frequente das ruas brasileiras, com toques de pimenta e lacrimogêneo.
Ao menos dois profissionais da rede CNN ficaram feridos, um argentino da Associated Press e ainda um cinegrafista do SBT. A manhã na zona leste seguiu movimentada com a junção dos Black Blocs ao ato de apoio aos Metroviários demitidos pelo Governo de SP após a greve. Acuados pela polícia, os grupos pareciam extravasar a tensão do momento em acusações mútuas, equivocadas e úteis somente ao controle da PM.
A Polícia de São Paulo ainda evacuou com violência os manifestantes que protestavam na Estação do Metrô Tatuapé. No Anhangabau, muitos torcedores ficaram de fora do Fan Fest. Realizado em espaço público mais com vagas esgotadas.
No Rio de Janeiro dois atos se juntaram na Candelária, cerca de 4 mil pessoas caminharam pacificamente da Avenida Rio Branco até a Lapa. No final do trajeto a polícia dispersou o ato de forma abusiva e violenta, com muitas averiguações e detenções. Na hora que a bola rolou nas telas, as ruas de Copacabana foi dividida entre o ‘Não vai ter Copa’ e o público que foi ao Fan Fest na praia. O encontro das diferenças. Entre um gol contra e a conquista do empate, os atritos e desavenças entre torcedores e manifestantes fizeram a atmosfera da orla.
Belo Horizonte, cidade mineira marcada pelos confrontos mais tensos da Copa das Confederações, não ficou fora de campo. O contigente excessivo de policiais, somado à ação direta de Black Blocs deu início a clássica partida de ‘futebol de fumaça’ com sequências de disparo de bombas de gás, e equipes desequilibradas: de um lado o aparato bélico do Estado, do outro estilingues, pedras e lixeiras quebradas.
Porto Alegre, Brasília e Belém também tiveram levantes contra a FIFA, garantindo agitações de norte a sul na estréia da Seleção.
As reivindicações das ruas não são apenas contra os gastos abusivos nas obras da Copa, mas contra as grandes corporações e seu acúmulo predatório, uma verdadeira ameaça à sustentabilidade do planeta.
Não são apenas contra a violência policial e repressão, mas exigem o fim do genocídio de negros e pobres nas favelas e a desmilitarização da polícia com a aprovação da PEC 51.
Não só denunciam a Ditadura midiática que vive o país, mas pautam uma comunicação democrática, com regulação dos meios em observância ao interesse público e sua função social.
Não são só contra o caos no transporte público, os péssimos serviços prestados a os preços altíssimos. Caminham para uma política efetiva de mobilidade, que faça a cidade ter sentido de ponta a ponta.
Não são só críticos com o déficit democrático e a distância entre os partidos políticos e a sociedade. Redesenham a arquitetura do sistema político nacional, com uma reforma política e Constituinte exclusiva.
Não são somente contra as máfias dos planos de saúde e do ensino privado. Idealizam uma saúde e educação públicas, gratuitas e de qualidade, com serviços públicos à altura do desafio de retirar o Brasil do vergonhoso 85º lugar no Ranking global do Desenvolvimento Humano.
Não são somente contra, enfim, o racismo, o machismo, a homofobia e a transfobia. Criam um ambiente capaz de por fim à violência e ao ódio que nascem dos preconceitos. Clamam pela ampliação dos direitos civis, reduzindo as desigualdades, punindo o preconceito. Por uma cultura de paz e convivência que ponha fim à guerra aos pobres e a guerra às drogas, imposta pelo proibicionismo e pela violência repressora.
Não é só contra a Copa, é por Direitos.
FONTE: https://ninja.oximity.com/article/Brasil-contra-a-Copa-Saiba-porque-os-p-1

