As teleconexões do incidente de Mariana estão causando tremores globais no mundo da mineração

BrazilMineSpill

Um conceito que surgiu recentemente para explicar as intricadas relações de retroalimentação inerentes ao Capitalismo globalizado é o de “telecoupling” ou em português “teleconexões”. A partir desse conceito se busca compreender melhor de forma integrada como o fluxo de recursos naturais, pessoas e trocas econômicas por meio de diferentes escalas espaciais.

Pois bem, a partir desta explicação básica de “telecoupling”, eu diria que as principais reações ao incidente causado pela Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) na mina em Bento Rodrigues (MG) não estão se dando no Brasil, mas em diferentes partes do mundo, principalmente naqueles onde os interesses das grandes mineradoras mais importam, isto é, nas bolsas de valores.  

A ausência de uma análise que transponha a subserviência paroquial do Estado e das elites brasileiras à Vale e à BHP Billiton certamente vai detectar diversos tremores que estão abalando, em primeiro lugar, o valor das ações das duas corporações nos mercados mundiais. E isto se dá não porque as minas da Samarco em Mariana ficarão impraticáveis por vários anos ou porque a unidade de Anchieta (ES) vai ficar paralisada por causa de matéria prima. 

O problema principal é outro. É que a combinação entre diminuição da demanda com as repetidas práticas de desrespeito ao ambiente e às populações próximas de grandes minas tem ficado mais explícitas com o elemento novo trazido pela disseminação de informação quase instantânea por meio de redes virtuais, bem como pelo avanço tecnológico na área de detecção remota de informação. 

Agora, voltando ao conceito de telecoupling, eu diria que quanto mais tempo o Estado brasileiro (seja ele a prefeitura de Mariana, o governo de Minas Gerais ou a presidência da república)  insistirem em proteger os interesses das mineradoras que literalmente destruíram modos de vida e ecossistemas naturais em uma escala inédita até para Minas Gerais, maior será o desgaste que este tipo de atividade terá no mundo inteiro.

E que ninguém se assuste se a China decidir suspender a importação de minério de ferro em nome da proteção ambiental . É que como muitos analistas já detectaram que o povo chines não dá muita pelota para direitos humanos, mas valoriza de forma extrema a defesa do ambiente. Pode parecer contraditório com o que se passa na China, mas os líderes do Partido Comunista Chinês sabem bem do que eu estou falando.  E dá-lhe telecoupling!

Rompimento da barragem em Mariana: DigitalGlobe divulga a PRIMEIRA imagem de satélite de altíssima resolução coletada na região do desastre

No dia 5 de novembro de 2015 as barragens de Fundão e Santarém, da Samarco Mineração, localizadas entres os municípios de Mariana e Ouro Preto, se romperam liberando uma onda de lama que devastou o distrito de Bento Rodrigues.

Veja abaixo as imagens do “antes e depois” da região devastada com mais detalhes:

Imagens do satélite WorldView-2 – Bento Rodrigues – Mariana/MG
A primeira imagem foi coletada no dia 21 de Julho de 2015. Já a segunda, foi coletada no dia 10 de Novembro de 2015, data posterior ao rompimento da barragem.

Passe o mouse em cima da imagem para ver o efeito do desastre na região:

mariana 1mariana 1mariana 2mariana 2a


As imagens foram coletadas pelo satélite WorldView-2 e irão compor o sistema de monitoramento DigitalGlobe FirstLook.

Sobre o FirtsLook:

FirstLook da DigitalGlobe é um serviço de assinatura on-line para gestão de emergência que fornece acesso baseado na web e caracteriza-se pela rápida resposta em pré ou pós eventos extremos. Permite a rápida visualização dos danos em caso de catástrofes mundiais e pode ser entregue em praticamente qualquer ambiente de trabalho ou plataforma de mapeamento baseado na web.Imagens de satélite de alta resolução fornecem a informação essencial necessária para o planejamento de emergência, avaliação de riscos, monitoramento de áreas e rápida resposta de emergência, o que permite avaliação de danos just in time e planos de recuperação de emergência.

Para mais informações sobre o DigitalGlobe FirstLook e imagens de satélites de altíssima resolução, consulte a equipe comercial da Globalgeo.

FONTE: http://www.globalgeo.com.br/rompimento-da-barragem-em-mariana-digitalglobe-divulga-a-primeira-imagem-de-satelite-de-altissima-resolucao-coletada-na-regiao-do-desastre/

Tsunami de rejeitos tóxicos em Bento Rodrigues

Luis-Eduardo-FrancoTV-Globo

Para quem ainda não entendeu a extensão da tragédia social e ambiental causada pelo explosão das barragens de rejeitos em Mariana, esse vídeo pode deixar as coisas mais claras.  Para mim, pelo menos deixou!

Depois de ver essas imagens será que alguém vai conseguir concordar com o Sr. Altamir Rôso, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, que teve a cara de pau de declarar que a Mineradora Samarco como uma das vítimas no rompimento das duas lagoas de rejeitos tóxicos que varrem a localidade de Bento Rodrigues do mapa? (Aqui!)

Vídeo feito por morador mostra momento em que tsunami de rejeitos invade propriedade rural em Bento Rodrigues

Reproducao-TV-Globo

Recebi via o aplicativo Whatsapp um vídeo feito por um morador da localidade de Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana (MG), que mostra o momento em que o tsunami de rejeitos vindos das duas barragens  da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton).

Tenho apenas uma palavra para descrever o que mostra o vídeo: impressionante!

 

Tragédia de Mariana: MP critica política de concessão de licenciamento do Estado

Para promotor, não adianta o Estado conceder licença se não fiscalizar

Em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (6) o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto criticou a política de concessão de licenciamento do Estado, que seria “muito flexível”

samarco 3

“Não basta ter licenciamento ambiental, isto não é salvo conduto. Da mesma forma não basta ao Estado conceder o licenciamento se não fiscalizar. O Estado tem que se aparelhar e não apenas ficar recebendo relatórios, aprová-los, sem ir ao local”. A frase é do promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, que é coordenador do Núcleo de Combate a Crimes Ambientais do Ministério Público (MP) e concedeu entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (6) sobre o rompimento de duas barragens da Samarco, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, na região Central do Estado. 

Para ele, a política de concessão de licenciamento do Estado é muito flexível, sendo necessário um monitoramento periódico. “Na medida em que o Estado sinaliza que pode perdoar, anistiar a dívida de R$ 140 milhões em multas, de um total de R$ 700 milhões, está sinalizando que pode-se descumprir as normas ambientais. Mas não se pode dizer que o Estado é conivente com o acontecido”, afirmou Pinto. 

Foi instaurado nesta sexta-feira o inquérito civil público para apurar causas e consequências do pior acidente com danos ambientais de Minas Gerais. O prazo para a entrega de laudo apontando causas do desabamento da barragem Fundão e Santarém é de 30 dias. Ainda de acordo com o promotor, a primeira hipótese com a qual o MP trabalha para o rompimento da barragem é o descumprimento de alguma norma técnica. “O número de mortos é menor do que a proporção do ocorrido”, disse. 

Um laudo técnico encaminhado pelo MP à Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram), em 2013, na época da revalidação do licenciamento do empreendimento da Samarco, já apontava que a barragem do Fundão apresentava riscos e exigia um plano de contingenciamento. 

O laudo

O documento emitido pelo órgão há dois anos questionava a viabilidade da recomposição de Mata Atlântica no local e solicitava ao Instituto Prístimo um parecer técnico. A partir deste parecer o MP detectou que havia uma série de condicionantes a serem observadas para a concessão da renovação. Alguns destes condicionantes eram: um plano de contingenciamento em caso de acidentes que deveria ser feito; a necessidade de um monitoramento geotécnico; a Samarco deveria fazer auditorias periódicas na estrutura; e a empresa deveria cumprir os itens obrigatórios ao licenciamento. 

Estas e outras observações não citadas na coletiva foram encaminhadas em forma de relatório, pelo MP, à Supram, em 2013. Como o empreendimento era licenciado, o MP não instaurou inquérito à época do relatório.

“Independente das causas da tragédia, a Samarco deverá ser responsável pelas indenizações inclusive por danos patrimoniais. Deve-se fazer a pergunta: por que empreendimentos desta natureza, considerados de risco, tão próximos de áreas populacionais?”, questionou o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto.

 FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/para-promotor-n%C3%A3o-adianta-o-estado-conceder-licen%C3%A7a-se-n%C3%A3o-fiscalizar-1.1160567

RFI: Descontaminação de lama tóxica em Minas pode custar mais de US$ 1 bilhão

Imagem aérea do distrito de Bento Rodrigues destruído pela onda de lama.

Imagem aérea do distrito de Bento Rodrigues destruído pela onda de lama. REUTERS/Ricardo Moraes
Por Rádio França Internacional

O Corpo de Bombeiros resgatou 500 pessoas que estavam ilhadas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais, após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco. O acidente, ocorrido ontem à tarde, deixou um morto, segundo balanço provisório. Pelo menos 14 pessoas estão desaparecidas. Analistas de mercado em Londres afirmam que o custo de descontaminação das áreas atingidas pela lama tóxica pode ultrapassar US$ 1 bilhão.

 Seis helicópteros do Corpo de Bombeiros trabalham na área do acidente em busca de vítimas,informa a Rádio Itatiaia, parceira da RFI em Minas. Um outro helicóptero está sendo usado para o transporte de autoridades e de técnicos de engenharia e meio ambiente que vistoriam a região.

As pessoas resgatadas passam por descontaminação para evitar potenciais danos causados pela lama tóxica. A técnica para eliminação do excesso de ferro consiste em lavar o corpo com água e sabão, de acordo com o Corpo de Bombeiros. As pessoas que apresentam ferimentos são transferidas para hospitais da região. Segundo informações oficiais dos bombeiros, a única vítima é um homem que, ao ver a avalanche de lama, teve um mal súbito.

Empresa não sabe o que causou o rompimento

Em nota oficial, a mineradora Samarco informou que ainda não é possível confirmar o que provocou o rompimento das barragens. A empresa colocou em prática, juntamente com as autoridades que trabalham no resgate das vítimas, um Plano de Ação Emergencial de Barragens.

“Até o momento, não é possível confirmar número de vítimas e desaparecidos. Todas as pessoas resgatadas com ferimentos estão sendo encaminhadas para pronto atendimento no hospital do município de Mariana e demais municípios próximos e, os desabrigados, para um ginásio de Mariana onde equipes prestam auxílio a todos. Neste momento, não há confirmação das causas e a completa extensão do ocorrido. Investigações e estudos apontarão as reais causas do ocorrido”, diz um trecho do comunicado.

França envia condolências ao Brasil

A França apresentou suas condolências ao governo brasileiro nesta sexta-feira (6) devido à tragédia. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores francês, Romain Nadal, declarou que “nestes momentos dolorosos, a França apresenta suas condolências às famílias das vítimas e está ao lado das autoridades e do povo brasileiros”.

O acidente na região das cidades históricas de Minas teve forte repercussão na imprensa internacional. No Reino Unido, as ações da empresa australiana BHP Billiton, sócia da Vale na mineradora Samarco, caíram mais de 5% na Bolsa de Valores de Londres. Ao meio-dia, no horário local, as ações da BHP Billiton recuavam 5,37%. 

Descontaminação pode custar mais de US$ 1 bilhão

O analista de mercado Simon Davies, da empresa Canaccord Genuity, declarou à AFP que pelo fato de a Samarco ser administrada por duas gigantes mundiais do setor de minério, o rompimento das barragens de dejetos tem impacto sobre a reputação das mineradoras. “Embora não haja impacto econômico imediato, se for comprovada negligência, podem haver outras consequências”, estima Davies. 

Analistas do Deustche Bank avaliam que a mineradora Samarco poderá ficar fechada por vários anos e que o custo de limpeza e descontaminação do local pode ultrapassar US$ 1 bilhão.

FONTE: http://www.brasil.rfi.fr/brasil/20151106-franca-envia-condolencias-ao-brasil-por-tragedia-em-minas-gerais

Tragédia em Mariana: BBC e as 5 perguntas ainda sem respostas sobre as causas da explosão das barragens

Desastre em Mariana: 5 perguntas sem resposta sobre rompimento de barragem

AFP
Image copyrightAFP.  Rompimento de barragem liberou ‘mar de lama’ que soterrou diversas casas

O rompimento de duas barragens de uma mineradora liberou uma enxurrada de lama que causou grande destruição em um distrito de Mariana, em Minas Gerais, e deixou pelo menos um morto.

As barragens de Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, entre os municípios de Mariana e Ouro Preto, se romperam na quinta-feira à tarde, e liberaram uma onda de lama que teria chegado a 2,5 m de altura.

Moradores relataram um cenário de devastação no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, o mais atingido, a cerca de 2 km do rompimento. Há relatos de desaparecidos e pessoas ilhadas, mas o número real de vítimas ainda é desconhecido.

Veja abaixo algumas perguntas ainda sem resposta sobre o desastre.

O que causou o rompimento?

A Samarco disse ter registrado dois pequenos tremores na área duas horas antes do rompimento, por volta das 16h20 de quinta-feira, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mariana.

Não se sabe o que teria causado estes tremores – se seriam abalos sísmicos ou a força do próprio rompimento.

A empresa inicialmente informou que apenas uma barragem havia se rompido, a de Fundão, mas informou à noite que uma segunda barragem, a de Santarém, também sofreu ruptura.

Em comunicado divulgado em sua página no Facebook nesta sexta-feira, a empresa disse que “não há confirmação das causas e a completa extensão do ocorrido” e que “investigações e estudos apontarão as reais causas”.

Segundo a Samarco, a última fiscalização das barragens pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) foi em julho deste ano e indicou que elas estavam em “totais condições de segurança”.

A lama pode ser tóxica?

Reuters
Reuters. Lama eliminada por barragens devastou região de Bento Rodrigues

Sabe-se que as barragens continham água e rejeitos de minério de ferro. A maioria deste material é considerada de baixo potencial poluidor, segundo artigo da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.

A empresa disse nesta sexta que o rejeito é inerte. “Ele é composto, em sua maior parte, por sílica (areia) proveniente do beneficiamento do minério de ferro e não apresenta nenhum elemento químico que seja danoso à saúde”.

Especialistas seriam enviados à área nesta sexta-feira para avaliar o material que vazou.

Há risco de novos rompimentos?

 

Reuters
Reuters/ Estradas foram interrompidas e acesso a áreas é realizado apenas por helicópteros

O Corpo de Bombeiros estaria monitorando uma terceira barragem para verificar o risco de rompimento.

Não é a primeira vez que barragens se rompem em Minas Gerais. Em 2014, um acidente em Itabirito, a cerca de 60 km de Belo Horizonte, deixou três trabalhadores mortos.

Quantas pessoas podem ter sido afetadas?

afpAFP/ Distrito de Bento Rodrigues, a cerca de 2km do acidente, foi o mais afetado

O distrito de Bento Rodrigues tem cerca de 600 moradores.

Outros vilarejos foram atingidos pela lama e a estimativa é de que até 2 mil pessoas possam ter sido afetadas. Mas estes moradores foram alertados e tiveram tempo de buscarem abrigo.

A Prefeitura de Mariana confirmou um morto, mas este número pode subir.

Por que informações de vítimas são conflitantes?

AFP
AFP/ Sobreviventes foram socorridos na quinta-feira à noite, mas teme-se que haja mais feridos e soterrados

Alguns veículos de comunicação falaram em números mais altos de mortos – citando fontes não oficiais.

A incerteza se deve em parte ao acesso restrito ao distrito de Bento Rodrigues, realizado apenas por helicóptero. Imagens aéreas de TV mostraram casas completamente destruídas e soterradas por lama.

Moradores relataram haver vários desaparecidos e pessoas ilhadas.

As operações aéreas de resgate seriam retomadas nesta manhã.

FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151106_minasgerais_perguntas_hb

Mariana e São João da Barra: em meio a minas, minerodutos e portos, agoniza o Neodesenvolvimentismo neoextrativista

porto do açu

A tragédia social e ambiental causada pela explosão de duas lagoas de rejeitos tóxicos em Mariana (MG) possui paralelos que merecem ser analisados com o que temos vivido no Norte Fluminense, mais precisamente no V Distrito de São João da Barra. 

É que se à primeira vista não há qualquer ligação meritória de ser notada, eu aponto que o caso é justamente o contrário, tantas são as coisas que ligam esses dois casos. Então vejamos os pontos de ligação:

  1. Em Mariana temos uma mina que é explorada por uma “joint venture” formada pela Vale e pela mineradora australiana BHP Billiton, a Mineradora Samarco, que transporta o minério extraído por meio de um mineroduto que termina em Anchieta (ES), e é ali exportado via o Porto de Ubú. 
  2. Em São João da Barra, temos um porto controlado por uma corporação estudanidense (a EIG Global Partners que aqui se apresenta como Prumo Logística Global) que irá exportar minério extraído por uma corporação sul africana, a Anglo American, que transporta o minério extraído em Conceição do Mato Dentro (MG) por um mineroduto operado pela Ferroport, uma joint venture formada pela Prumo Logística Global e por ela própria (i.e., Anglo American).

Então o que temos unindo Mariana, Conceição do Mato Dentro em Minas Gerais com Anchieta no Espírito Santo e São João da Barra no Rio de Janeiro? Além de minas de minério de ferro, minerodutos e portos, eu acrescentaria graves riscos sociais e ambientais, com episódios ocasionais que misturam tragédia humana, graves prejuízos ao ambiente natural e omissão dos responsáveis, sejam eles privados ou estatais.

Além disso, o que está acontecendo  nessas minas, minerodutos e portos expõe de forma emblemática os intestinos do modelo Neoextrativista disfarçado de Neodesenvolvimentismo que embalou boa parte dos investimentos de infraestrutura que foram e estão sendo realizados por todo o território nacional desde o início do governo Lula para transformar o Brasil na maior potência mundial de commodities.

Assim, o que foi enterrado ontem em Mariana não foram apenas casas, seres humanos e seus sonhos de vida, mas um modelo de inserção do Brasil na economia globalizada. É justamente esse modelo Neoextrativista que começou a sangrar quando a China iniciou a esfriar sua demanda por commodities minerais e agrícolas que estrebucha diante de nós. O problema é que como não existe uma alternativa pensada a um modelo que se esgotou muito mais rápido do que seus mentores pensavam que iria, teremos provavelmente que continuar imersos na lama que tudo isto efetivamente representa para o Brasil.

Um pequeno consolo que eu tenho é que, dado o tamanho da tragédia que ocorreu em Mariana, é provável que determinados processos que dormitavam em gavetas empoeiradas agora ganhem “tracking” e velocidade, de forma que possamos finalmente ver alguns desdobramentos concretos para a reparação dos graves prejuízos que já foram causados pelo Neoextrativismo contra os segmentos mais pobres e politicamente marginalizados da população brasileira, seja em Mariana, Conceição do Mato Dentro, Anchieta ou São João da Barra. 

Tragédia em Mariana: em entrevista à Globo News, professora da UFOP fala da situação de caos causado pela mineração

mariana

Em entrevista concedida á Globo News, a professora do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Juçara Brittes, deu detalhes sobre a situação de caos ambiental que cerca a região de Mariana por causa da atuação praticamente descontrolada das empresas de mineração. 

Segundo o que disse Juçara Brittes, a conservação ambiental se dá basicamente na área histórica de Mariana, enquanto no resto do município a atuação das empresas de mineração se dá praticamente de forma secreta, já que nada se sabe sobre o que acontece dentro das minas. 

Além da tragédia humana que não para de crescer já que se estima que até 45 pessoas podem ter morrido, Juçara Brittes informou que a cidade de Mariana se ecnontra sem abastecimento de água, podendo este fato estar ligado também ao incidente que ocorreu na mina da Mineradora Samarco.

O que mais salta aos olhos neste caso é a combinação de ação praticamente desregulada do setor da mineração, o que favorece a que este tipo de incidente se torne rotineiro em Minas Gerais, já que não faz muito tempo um incidente semelhante ocorreu em Itabirito. Resta saber agora como vão se comportar os governantes e, especialmente, a população mineira. É que se nada for feito, novas tragédias deverão ocorrer cedo ou tarde.

 

O Globo também noticia incidente com represa da Mineradora Samarco

Barragem de rejeitos se rompe em Mariana, Minas Gerais

Distrito está sendo esvaziado; prefeitura e empresa não falam em número de vítimas

POR O GLOBO 

Luis-Eduardo-FrancoTV-Globo

Barragem se rompeu em Mariana (MG) e causou estragos na região – Reprodução / Luís Eduardo Franco / TV Globo

RIO — Uma barragem de rejeitos se rompeu na tarde desta quinta-feira no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Moradores da região disseram que pessoas estão soterradas. De acordo com o site “G1”, entre 15 e 16 pessoas morreram e 45 estão desaparecidas, segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana (Metabase). Prefeitura e empresa responsável pela barragem, no entanto, não falam ainda em número de vítimas.

As equipes do Corpo de Bombeiros, agentes da Guarda Municipal e Defesa Civil Municipal estão no local neste momento para avaliação dos danos.

De acordo com nota oficial divulgada pela prefeitura de Mariana, o rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco Mineração, ocorreu por volta das 16h20 desta quinta-feira, atingindo parte do distrito de Bento Rodrigues, zona rural há 23 quilômetros de Mariana. A nota acrescenta que a empresa Samarco, em contato com a prefeitura, está pedindo aos moradores de Bento Rodrigues que evacuem a comunidade local e sigam, imediatamente, para o distrito de Camargos, que é mais alto e seguro.

Já a Samarco Mineração, em nota publicada em seu site às 18h04, confirmou o rompimento de sua barragem de rejeitos, denominada Fundão, nos municípios de Ouro Preto e Mariana e reforçou que está “mobilizando todos os esforços para priorizar o atendimento às pessoas e a mitigação de danos ao meio ambiente”. Além disso, a empresa disse que, neste momento, não é possível confirmar as causas e extensão do ocorrido, assim como a existência de vítimas.

Reproducao-TV-Globo
Imagem do Google mostrando a localização da barragem – Reprodução TV Globo

FONTE: http://oglobo.globo.com/brasil/barragem-de-rejeitos-se-rompe-em-mariana-minas-gerais-17975110#ixzz3qeXL5dKl