Presidente da BHP Billiton vem ao Brasil para inspecionar área de desastre em Mariana. Por que isso não é notícia?

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O jornal britânico “The Guardian” informou hoje que o presidente da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, Andrew Mackenzie, chegou ao Brasil hoje para visitar Mariana, onde deveria se encontrar com autoridades e representantes da Mineradora Samarco (Aqui!), além de inspecionar as áreas atingidas pelo derramamento de rejeitos tóxicos vindas das duas lagoas de contenção que explodiram em Bento Rodrigues.

A razão desta visita urgente parece não ser por motivos meramente humanitários, visto que as ações da BHP Billiton estavam em queda nesta segunda-feira (09/11) nas bolsas de Londres e da Austrália, num reflexo direto por parte dos investidores em relação às consequências devastadoras que a explosão das duas barragens sobre as comunidades locais, meio ambiente e sobre a própria capacidade da Mineradora Samarco de continuar extraindo minério de ferro nas minas de Mariana.

Agora uma coisa que reforça a minha impressão de que a mídia corporativa brasileira está fazendo uma cobertura propositalmente precária desta tragédia é que ninguém ainda noticiou uma visita tão estratégica da parceira da Vale na Mineradora Samarco. A preferência está numa forma de cobertura generalista, onde apenas filigranas de informação são apresentadas na forma de conta gotas. Por essas e outras que quem quiser se informar talvez ache caminho mais fácil na mídia internacional. 

 

Reuters: Corrida por mineração pode estar por trás de desastre

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Barragem rompida em Minas Gerais: enchentes e o fluxo de lama mataram pelo menos duas pessoas e outras 25 ainda estão desaparecidas

Por Anthony Boadle, da REUTERS, e Alonso Soto e Jeb Blount, da REUTERS

Brasília – As companhias mineradoras frequentemente reclamam que a burocracia sem fim torna os negócios difíceis no Brasil, mas os promotores e ambientalistas dizem que o rompimento das barragens da mina de minério de ferro, que causou uma inundação massiva na semana passada, aponta para lapsos na regulamentação.

As enchentes e o fluxo de lama mataram pelo menos duas pessoas e outras 25 ainda estão desaparecidas em um desastre que aconteceu dois anos após um estudo solicitado por um promotor alertar que as represas do Estado de Minas Gerais, rico em recursos minerais, poderiam entrar em colapso.

“Era evidente que esta barragem estava em risco”, disse à Reuters Carlos Eduardo Pinto, um promotor estadual que investiga a indústria mineradora, referindo-se à primeira barragem que cedeu, levando à ruptura de outra.

Pinto está investigando se a barragem, um reservatório para água com rejeitos de mineração, estava muito cheia.

O rompimento das barragens aconteceu na quinta-feira em uma mina operada pela Samarco, uma joint venture entre a BHP Billiton, a maior empresa de mineração do mundo, e a Vale, maior produtora de minério de ferro. Em 2013, quando a Samarco estava buscando a renovação de sua licença de operações, Pinto comissionou um estudo que descobriu um erro de design na barragem de rejeitos. Isto alertou que o aterro poderia ceder se ficasse saturado de água.

O Instituo Pristino, um grupo ambientalista composto por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recomendou que a companhia conduzisse um estudo sobre o rompimento de barragens e esboçasse um plano de contingências em caso de transbordamento. Mas a agencia estatal licenciadora ignorou as recomendações e renovou a licença das minas uma semana após o estudo ser divulgado, em outubro de 2013.

O órgão ambiental do Estado responsável pela agência de licenciamento disse em um e-mail que o relatório recomendou apenas padrões industriais.

Não disse se solicitou à companhia que reforçasse os padrões antes de renovar as licenças, embora tenha dito que uma auditoria independente na barragem em julho deste ano foi concluída e a estrutura estava estável.

Os promotores estão investigando se o aumento da produção na mina pode ter afetado o volume do reservatório.

A Vale disse que a mina da Samarco aumentou a produção no ano passado em 37 por cento com a adição de uma nova instalação de pelotas de minério de ferro. Pinto disse que a companhia optou por acomodar o crescimento aumentando o muro da barragem, em vez de construir uma nova, o que pode teria sido mais caro, e ainda estava trabalhando nisto quando a barragem se rompeu.

A Samarco confirmou que estava conduzindo um trabalho de expansão na barragem, mas disse que ainda não poderia determinar uma causa para o rompimento.

Um executivo da empresa disse em uma coletiva de imprensa no fim de semana que a Samarco nunca havia visto o relatório de 2013.

No domingo, o governador de Minas Gerais Fernando Pimentel procurou dissipar qualquer falha no processo de licenciamento.

“Não acho que este acidente aconteceu devido a quaisquer erros no licenciamento ambiental”, disse. Entretanto, nesta segunda-feira, o governo de Minas Gerais embargou todas atividades da mineradora Samarco na região de Mariana, segundo nota da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

REGULAMENTAÇÃO

Como governador do Estado que detém centenas de minas que respondem por cerca de 5 por cento da economia local, Pimentel é a favor do licenciamento mais veloz.

Desde que assumiu em janeiro, ele tem trabalhado em um projeto de lei, agora na assembleia estadual, que visa acelerar grandes projetos de mineração.

Embora um assessor do governo tenha dito que o Estado pode ter que repensar o ritmo acelerado das aprovações, isto é parte de uma diretriz para menos regulamentações em uma indústria que é uma das maiores do país e líder em fonte de receitas de exportação. Os defensores da indústria dizem que regulamentações excessivas causam atrasos e excessos de custos.

A mina de minério de ferro Minas-Rio, de 14 bilhões de dólares, em desenvolvimento em Minas Gerais pela Anglo American, é o maior investimento estrangeiro da história no Brasil e custou mais que o triplo durante os sete anos que levou para conseguir as licenças.

Mas os reguladores e ambientalistas alertam contra a expedição de processos, especialmente considerando o histórico de rompimento em outras barragens de rejeitos nos últimos anos e a resposta inadequada dos governos a eles.

Especialistas dizem que catástrofes de represas e os custos associados com as limpezas estão crescendo ao redor do mundo por que as regulamentações e práticas de segurança não acompanharam as tecnologias modernas que permitem mega projetos em uma escala que não era possível anteriormente.

O Brasil, que abriga uma grande indústria de mineração, teve inúmeros e repetidos desastres, especialmente no chamado “quadrilátero ferrífero”, no qual a Samarco opera.

Em 2001, quando uma barragem de rejeitos de minério de ferro em Nova Lima se rompeu e cinco pessoas morreram, Minas Gerais tinha somente quatro geólogos e quatro engenheiros de minas para coordenar uma resposta, que incluiu a inspeção de centenas de minas ativas e um número desconhecido de instalações desativadas.

Mesmo assim, o Estado em 2007 descentralizou o licenciamento para nove escritórios regionais.

No ano passado, outra barragem de rejeitos na cidade de Itabirito se rompeu, matando três trabalhadores.

Em resposta, Pinto, o promotor estadual, montou uma força tarefa e identificou mais de 200 barragens que precisavam de melhorias de segurança.

O acidente na semana passada já disparou ligações raivosas por legisladores federais para incluir segurança mais rigorosa e controles ambientais em uma proposta de código de mineração que está parada no Congresso há anos.

A proposta, esboçada no auge do recente boom das commodities, focava em royalties e aumento das receitas do governo, sem fazer menção à segurança ambiental.

“Este acidente trará consequências”, disse o senador Delcídio Amaral, um influente político do Partido dos Trabalhadores, sugerindo que pode acelerar uma votação na proposta e pressionar para incluir normas federais mais rígidas. Klemens Laschesfki, professor de Geociência da Universidade Federal de Minas Gerais, disse que o foco no crescimento econômico em vez do rigor na regulamentação levou a consequências que “não surpreendem ninguém”.

Na Samarco, ele adicionou, “os riscou eram conhecidos por todos, desde a empresa até os políticos. O governo aprovou e esperou que nada acontecesse.”

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/corrida-por-mineracao-pode-estar-por-tras-de-desastre

Governador de Minas e Samarco (Vale + BHP Billiton): juntos e misturados na lama que vazou em Mariana

Pimentel dá coletiva de imprensa na sede da Samarco

Fernando Pimentel (PT) em coletiva de imprensa realizada em Mariana neste domingo, disse que o número de vítimas é alto e que a empresa está “cuidando do que é de responsabilidade dela.”

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), em Coletiva de Imprensa realizada dentro da empresa Samarco afirmou hoje o número oficial de 28 desaparecidos, sendo 13 operários e 15 moradores e que esse é um número de vítimas alto, e todo esforço do governo estadual e das prefeituras locais para atender a população está sendo realizado.

Pimentel disse também que ” a barragem rompeu, é uma tragédia. Está sendo um esforço grande do governo do Estado e das prefeituras locais e a empresa está cuidando do que ela é responsável“.

Questionado sobre as flexibilizações em relação ao licenciamento ambiental, o governador afirmou que não abre mão de exigências, mas sim em relação aos prazos, afirmando a necessidade de haver maior agilidade para aceitação e execução dos contratos das empresas. Ele afirmou “foi no projeto atual que rompeu as barragens, por isso, ele tem que ser revisto“.

Segundo o governador “Não podemos apontar culpados, sem uma perícia técnica mais apurada”, colocando sua posição sobre a investigação das causas e dos responsáveis, uma vez que explode a indignação da população frente a falta de aviso sonoro da empresa, os avisos ignorados dos trabalhadores sobre ruídos e tremores nas barragens e o papel das grandes mineradoras da região, como a Vale.

Flavia, professora de Contagem e dirigente do MRT, direto da Coletiva de Imprensa disse “A coletiva de imprensa aconteceu na sede da Samarco. O Centro de Operações de busca e resgate fica dentro da empresa também, sem acesso da população, dos trabalhadores ou da imprensa. A gestão de uma tragédia imensa está sendo feita entre as quatro paredes da mineradora. Impossível não haver intromissão da empresa nas decisões do governo. Mostra apenas que o governo é responsável pelas mortes e danos junto às mineradoras.”

FONTE: http://www.esquerdadiario.com.br/Pimentel-da-coletiva-de-imprensa-na-sede-da-Samarco

Tragédia de Mariana: Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton) exclui imprensa e povo das áreas destruídas

TSUNAMI DE LAMA

Drama invisível

TSUNAMI

 

Por Laura Capriglione, especial para os Jornalistas Livres, com fotos deGustavo Ferreira, em Mariana (MG)

Arrancados de suas casas pelo tsunami gerado pelo rompimento das barragens Fundão e Santarém, repletas de lama tóxica, os moradores de Bento Rodrigues, arraial rural a 35 km do centro de Mariana, sofrem com outro tsunami: o de dúvidas, de mentiras e de dissimulação.

As barragens sinistradas pertencem à mineradora Samarco, fundada em 1977, controlada pela toda-poderosa Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton. Décima maior exportadora do país, a empresa faturou R$ 7,6 bilhões em 2014 e apresentou um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões. Apesar dessa contabilidade vistosa e de dizer em seu site na internet que preza pela vida “acima de quaisquer resultados e bens materiais”, os moradores de Bento Rodrigues reclamam que não havia nem mesmo uma simples sirene instalada e funcionando para alertar o lugarejo da ruptura das barragens. Poderia ter salvo vidas.

Agora, no rescaldo da tragédia, os habitantes de Bento Rodrigues suspeitam que a empresa esteja priorizando o salvamento de sua imagem institucional em detrimento das vidas humanas e dos animais, atropelados pelo avanço medonho da lama.

“Por que é que estão nos impedindo de entrar em Bento Rodrigues? A gente poderia ajudar na localização e no resgate dos desaparecidos e dos animais, porque conhecemos como ninguém a região, sabemos lidar com o mato. O que é que eles estão querendo esconder?”, perguntava um grupo de moradores indignados com o fato de serem mantidos à força longe de seu bairro.

“Por que não permitem que pelo menos alguns de nós entrem, para ver o que está acontecendo?” 

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Neste sábado, o prefeito de Mariana, Duarte Júnior (PPS), confirmou que 28 pessoas encontram-se “desaparecidas” após o rompimento das barragens. Dessas, 13 são funcionários da Samarco e trabalhadores de prestadoras de serviço. Outros 15 desaparecidos são moradores de Bento Rodrigues, dos quais cinco são crianças.

O prefeito também reconheceu oficialmente uma segunda morte na tragédia. O corpo de um homem, ainda não identificado, foi encontrado no município de Rio Doce, a 100 km de Mariana, à beira de um rio, na lama. A primeira vítima reconhecida oficialmente foi um morador de Bento Rodrigues, que sofreu uma parada cardíaca ao ver o desastre.

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Todas as vias de acesso ao subdistrito de Bento Rodrigues encontram-se fechadas. Só entra e sai quem tem carta de autorização. Dezenas de soldados da PM mineira guardam a estrada principal. A estradinha alternativa está intransitável, cenário caótico de argila, rochas, tocos de árvores e restos de vegetação espalhados. Ninguém passa por lá.

“A Samarco é acusada de um crime ambiental seríssimo, que pode ter causado dezenas de mortes, e é ela que ainda tem moral para cuidar da cena do crime? Que loucura é essa?”, reclama uma ativista ligada ao Movimento dos Atingidos por Barragens, quando um caminhão com gerador e luzes da Samarco ultrapassa tranquilamente a barreira policial que veda o ingresso dos moradores. (detalhe: na porta do caminhão, o logotipo da Samarco está tampado por um papel colado). Também camionetes e funcionários a serviço da empresa e devidamente autorizados por ela têm livre acesso ao local.

A Samarco emitiu uma nota oficial aos investidores internacionais apresentando suas supostas razões para proibir o acesso ao terreno sinistrado:

“Por razões de segurança, a Samarco reafirma a importância de não haver deslocamentos de pessoas no local do incidente, exceto das pessoas e equipes envolvidas no atendimento de emergência.”

Apenas a título de memória e, é claro, considerando a diferença de escala, durante as operações de busca e salvamento que se sucederam ao tsunami que varreu a Tailândia, em 2005, o trabalho corajoso e sem tréguas de centenas de voluntários, inclusive fazendo o resgate de corpos humanos e de animais e, foi imprescindível para que a desgraça não fosse ainda pior. Não se alegaram questões de segurança para impedir o trabalho da solidariedade.

“Como é possível que as vítimas sejam mantidas afastadas e o acusado entre e saia à vontade?”, pergunta Ângela, de 57 anos, que nasceu em Bento Rodrigues e agora vive em Catas Altas, vizinho, apontando para lugar nenhum, no vale entupido de lama. “Ali era a casa dos meus pais.” Só ela sabe onde.

Mas o que perturba mesmo os sobreviventes e faz aumentar a tensão na entrada de Bento Rodrigues é a movimentação de helicópteros da polícia, subindo e descendo da “zona quente”, como denominam os bombeiros a área central e mais perigosa da catástrofe.

Sem informações, proibidos de ver o que acontece no arraial, os moradores suspeitam que cadáveres humanos estejam sendo recolhidos do local e levados nas aeronaves para local ignorado. Duas testemunhas em Santa Rita Durão, localidade de Mariana que é passagem obrigatória para quem quer chegar a Bento Rodrigues, dizem ter visto viaturas do Instituto Médico Legal passando diante da delegacia em direção ao bairro sinistrado.

“Foram fazer o quê? A Defesa Civil não diz que um dos mortos oficiais foi encontrado longe e o outro já foi retirado no primeiro dia? Então, por que os carros funerários?”, indaga-se Maria do Rosário, funcionária em um comércio de alimentos.

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

Bombeiros civis, convocados para ajudar a impedir o acesso dos moradores ao arraial, confirmam a existência de muitos animais ainda vivos no local… Mas já registram a presença pesada da morte, que se anuncia pelo cheiro adocicado e repulsivo da carne em putrefação.

Eles saem extenuados do local, depois de ajudar a deter uma moradora que, embrenhada no mato, tentava romper o cerco policial para achar a avó, desaparecida desde a quinta-feira. Segundo os bombeiros, a moça estava com o rosto e braços lanhados pela vegetação fechada, e com lama quase até o pescoço, tentando chegar à casa da parente. Ela resistiu fortemente aos que tentavam impedi-la de fazer sua busca. “Mas conseguimos retirá-la”, disse Paulo César, bombeiro civil de Nova Lima. A reportagem perguntou a ele: “E a avó dela?” O socorrista respondeu: “Infelizmente, está morta. Não tem como. Ali, é só desolação.”

Mas a gente de Bento Rodrigues acha um crime deixar morrer no desespero do atolamento bois, vacas, cachorros, cavalos e galinhas –até passarinhos em gaiolas — que ainda sobrevivem no atoleiro.

E eles existem.

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

O passar monótono do tempo, sob sol forte e calor de 42ºC, sobe e desce de helicópteros, caminhões e camionetes entrando e saindo, nenhuma notícia, só é interrompido quando se ouve o grito: “Imprensa! Vem correndo! Aqui!”

Descendo uma pirambeira, logo se vê um grupo de moradores trazendo machucada, mas viva, uma cadela grandalhona, pelo marrom, vira-lata, deitada em um catre feito com dois paus e um lençol marrom que já foi branco. “Ela estava enfiada metade do corpo na lama”. Os homens que a carregavam conheciam o bicho. Era do açougueiro Agnaldo, que havia passado a manhã tentando entrar em Bento Rodrigues para reaver o animal. Proibiram-lhe.

“Tinha essa cachorra viva, podendo ser resgatada. Já vimos uma égua, que também está viva, enfiada até o pescoço na lama. Pode ter gente sofrendo, ainda viva, que foi arrastada pela lama pra longe”, angustia-se um dos salvadores da cadela.

“Avisamos os bombeiros sobre a égua, mas eles nos disseram que não poderiam salvá-la, porque não dispunham de corda para puxá-la. É preciso correr com a ajuda, agora que o barro começou a secar. No entanto, não se viu uma só vez aquelas gaiolas penduradas nos helicópteros, ajudando nas buscas”.

Foi à tarde que os heróis anônimos conseguiram burlar a segurança e esgueirar-se pela margens do mar de lama, onde encontraram a cadela machucada. Também encontraram um crucifixo de ouro de um metro de altura, que adornava o altar da igreja de São Bento, a igreja de Bento Rodrigues

Entregue pelos homens humildes (Neimar, Leléu, Lilico, Jerry, pedreiros e mecânicos) à polícia, o crucifixo foi levado de camburão para o quartel da polícia militar de Ouro Preto. “Ficará lá à disposição das autoridades eclesiásticas”, disse o tenente Welby. Da igreja branquinha não se vê mais nem sinal. As mangueiras em torno dela estão lá ainda.

O tenente Welby passava instruções ao soldado no posto de Santa Rita Durão: para este domingo, a zona quente seria ampliada e a barreira policial seria implantada bem antes, como forma de impedir os moradores de fazer seus resgates e salvamentos. E de ver o que se quer manter invisível.

Foto: Gustavo Ferreira / Jornalistas Livres

FONTE: https://medium.com/jornalistas-livres/tsunami-de-lama-1b634bdab459

Tsunami de rejeitos tóxicos em Bento Rodrigues

Luis-Eduardo-FrancoTV-Globo

Para quem ainda não entendeu a extensão da tragédia social e ambiental causada pelo explosão das barragens de rejeitos em Mariana, esse vídeo pode deixar as coisas mais claras.  Para mim, pelo menos deixou!

Depois de ver essas imagens será que alguém vai conseguir concordar com o Sr. Altamir Rôso, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, que teve a cara de pau de declarar que a Mineradora Samarco como uma das vítimas no rompimento das duas lagoas de rejeitos tóxicos que varrem a localidade de Bento Rodrigues do mapa? (Aqui!)

Vídeo feito por morador mostra momento em que tsunami de rejeitos invade propriedade rural em Bento Rodrigues

Reproducao-TV-Globo

Recebi via o aplicativo Whatsapp um vídeo feito por um morador da localidade de Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana (MG), que mostra o momento em que o tsunami de rejeitos vindos das duas barragens  da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton).

Tenho apenas uma palavra para descrever o que mostra o vídeo: impressionante!

 

O Tempo: Moradores pediram sirenes à Samarco, mas empresa negou

O assunto teria sido abordado em várias reuniões com a empresa, mas em todas, representantes da Samarco negaram o aparelho.

 

Por DANILO EMERICH, ESPECIAL PARA O TEMPO

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Moradores do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central do Estado, principal comunidade atingida pela ruptura da barragem de rejeitos Fundão, afirmam que solicitaram diversas vezes sirenes para alertar possíveis desastres. No entanto, a Samarco, dona da estrutura, teria negado o equipamento no local, alegando não ser necessário.

A informação foi repassada por diversos moradores da região à reportagem do O Tempo. O assunto teria sido abordado em várias reuniões com a empresa, mas em todas, representantes da Samarco negaram o aparelho.

Nesta sexta-feira (7), O engenheiro civil da Samarco Germano Silva Lopes, que participou da entrevista coletiva em Mariana sobre o acidente, informou que a atitude da empresa após a ruptura foi acionar as autoridades e o plano de ação emergencial.

‘Nunca poderia imaginar uma tragédia tão grande’, lamenta prefeitoPresidente da Samarco diz que garantirá integridade das pessoasPresidente da Samarco diz que barragem era monitorada rotineiramenteSamarco ainda não confirma número total de vítimas em tragédiaLama e minério de barragens inundam centro de Barra LongaAções da Vale, controladora da Samarco, caem em bolsas pelo mundo

“Não houve sinal de sirene para a população, houve contato telefônico e contato com as autoridades”, disse o engenheiro civil da Samarco.

O engenheiro afirmou que um tremor foi sentido na unidade às 14h dessa quinta-feira (5). “De imediato, fomos até ao local para fazer inspeções e constatamos que, naquele momento, a barragem não apresentava nenhuma anomalia. Nós não sabemos como se deu o processo de ruptura e foi um momento muito rápido”, afirmou.

O Tempo procurou a assessoria de imprensa da Samarco para se posicionar o motivo para a não instalação das sirenes ou se o equipamento vai ser instalado em outras barragens da empresa, no entanto, a nota oficial enviada não responde aos questionamentos.

FONTE: http://www.otempo.com.br/cidades/moradores-pediram-sirenes-%C3%A0-samarco-mas-empresa-negou-1.1160171

Rompimento de barragens da Samarco “não é um acidente”, diz membro do MAM

Foto: Frente em Defesa de Ouro Preto e Região

Marcio Zonta diz que vistoria nas barragens não é feita pelo órgão público, mas exclusivamente pelas empresas, que a fazem “conforme sua lucratividade não seja abalada”

Por José Coutinho Junior*, Da Redação

“Não é um acidente”! É assim que o militante do Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM), Marcio Zonta, classifica o rompimento de duas barragens na cidade mineira de Mariana, na noite desta quinta-feira (5).

Zonta critica o fato de que nenhum órgão público faz de fato uma vistoria nas barragens e que, pelo ritmo da extração mineral, isso acaba ficando por conta das próprias empresas.

“Não há uma auditoria externa que possa dizer, ‘é necessário isso e aquilo e o gasto será de tanto’. A empresa faz conforme a lucratividade dela não seja abalada. Há um descontrole total da mineração no Brasil e todas as políticas de ritmos de extração,  armazenamento de rejeitos e escoamento dos minérios são especialmente monitorados e feitos pela própria empresa”, critica.

Leia a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: Como o MAM avalia esse incidente que ocorreu na barragem de Bento Rodriguez?

Marcio Zonta: A gente tem avaliado que, primeiro, não é uma catástrofe e, segundo, que não é um acidente. É um acontecimento de total responsabilidade das empresas. A mineração é uma coisa que se expande sobre a natureza e as comunidades, só que não há um planejamento da empresa para que você tenha a possibilidade para prever este tipo de acidente.

Por exemplo, a empresa faz este tipo de barragem mas não há uma fiscalização constante pelo próprio descumprimento com a legislação local, com as comunidades e com as questões ambientais. E ai você tem um acontecimento dessa proporção, que se você tivesse um mínimo de planejamento não poderia acontecer em uma região que é mineradora há mais de 300 anos, como é Minas Gerais. A Vale está lá há quase 70 anos. Há experiência o suficiente para conter este tipo de acontecimento, então a opinião do MAM é que as empresas podem coibir este tipo de acontecimento e, ao não fazer isso, ela é a principal responsável pelos mortos e desaparecidos.

A Samarco disse que licenças ambientais da barragem estavam em dia com os órgãos competentes e que ela faz o monitoramento constante…

MZ: Este é o problema, a empresa faz a própria vistoria. Não há uma auditoria externa que possa dizer “é necessário isso e aquilo e o gasto será de tanto”. A empresa faz conforme a lucratividade dela não seja abalada. Então ela faz o próprio planejamento a partir do que pretende gastar. 50% (das ações) da Samarco é da Vale. A Vale mais uma vez é a grande responsável por este acontecimento. Isso é uma coisa que acontece no Brasil. Quem faz a licença ambiental dessas mineradoras? Elas contratam as empresas que fazem, ou seja, elas mesmas fazem para apresentar os laudos para a Secretaria de Meio Ambiente, Ibama, Instituto Chico Mendes, mas é um laudo próprio. A Vale para instalar qualquer projeto contrata as empresas que formularão os laudos, não há um contraponto.

A barragem estava em obra para aumento de capacidade. Alguns jornais disseram que a barragem já tem mais de 20 anos. Essa obra resolveria o problema?

MZ: Quando a gente vai discutir o ritmo de extração mineral, não estamos falando só quanto de minério você irá retirar do solo, mas o quanto cada região aguenta as especificidades da mineração, extração, a barreira de rejeitos e escoamento é feito em uma plataforma só. Quando há irresponsabilidade ou um planejamento péssimo você tem esse tipo de acontecimento. Nós estamos falando de uma barreira de vinte anos e uma empresa como a Vale não tem um técnico que avalie os riscos? Uma empresa com o “know how” que ela tem no ramo da mineração não consegue prever que a barragem poderia romper? Então ela sabe que há esses riscos, o problema é que ela não tem compromisso nenhum com as questões ambientais e com as comunidades. Como a lógica é de exaurir a todo vapor, nós teremos vários outros casos assim, a quantidade de rejeitos que vai se formando no dia a dia é muito maior que há 20 anos. Se essa explodiu com 20, outras com menos tempo, quatro ou cinco anos, também correm o mesmo risco porque o ritmo da mineração é outro.

O corpo de bombeiros chegou a dizer que nenhuma barreira de rejeitos é segura no Brasil…

MZ: Veja bem, o corpo de bombeiros ele chega na hora do acontecimento, o prejuízo já foi. E o antes? E o planejamento anterior à exploração? Ele não existe! A empresa é unilateral nas decisões, pouco o governo inibe. Uma notificação do Ibama ou outra coisinha, mas fica totalmente a cargo da empresa o que ela faz ou não. Você tem o Ministério Público que pode incidir, fazer uma denúncia, mas é mínimo. Há um descontrole total da mineração no Brasil e todas as políticas de ritmos de extração, armazenamento de rejeitos e escoamento dos minérios são especialmente monitorados e feitos pela própria empresa. Como a empresa esta com a cabeça no lucro, ela fará de tudo que barateie os custos.

E como deveria ser esse planejamento de mineração que respeitasse as comunidades o meio ambiente?

MZ: O novo Código de Mineração, que está sendo debatido pouco, toca nessas questões. O que teríamos que ter hoje, minimamente: elaboração de um projeto de mineração, quem senta para discutir o projeto de mineração, a comunidade local, a mineradora, o governo federal, estadual e municipal e determina conjuntamente como deve ser este plano de mineração para cada região, levando em consideração as especificidades de cada lugar.

Então, se você tivesse estes vários atores sociais que são impactados pela mineração decidindo o projeto. Acontece que é pura balela a consulta pública feita pelas empresas. Eles reúnem a comunidade, apresentam e ficam duas ou três horas dos engenheiros falando e abrem para duas perguntas. Ou seja, já estava definido. Como a legislação pede que você tenha audiência pública, eles fazem isso.

E o Brasil é signatário da convenção da OIT que cobra a consulta sobre os povos, principalmente indígenas, quilombolas e tradicionais, se você pode implantar determinado projeto ou não naquela região. E o país não segue isso. Tudo é aprovado em Brasília. A Vale quando quer aprovar algo faz direto de lá, isso é antidemocrático e antipovo.

Quem morreu em Bento Rodrigues não foi o dono da Vale, foi o trabalhador que é sempre explorado. Os atingidos foram as comunidades. Nossa opinião é, nós temos que descentralizar o poder das empresas nas decisões sobre os bens naturais, eles são finitos. Tem que acabar com essa falácia de que bens finitos são sustentáveis. Sustentável é renovável.

Os trabalhadores e alguns especialistas dizem que a lama que atingiu as casas pode estar contaminada. A Samarco disse que não, que é somente areia…

MZ: É impossível ser só areia, a mineração é um processo químico e os rejeitos são tóxicos. Não tem como dizer que é só areia, não existe isso. Há um processo minerador e usa diversas químicas e de várias outras contaminações que surgem pela mecanização. Se fosse só areia não morreria mata ao redor da barreira. Isso vira um colapso não só para as vítimas, mas também ambiental, contamina o solo, contamina as águas e rios e é uma situação que não se resolve fácil. Não sou especialista nisso, mas você vai levar muito tempo para estabilizar ambiental, social e culturalmente. Mariana é uma cidade pequena e o impacto é ainda maior.

*Colaborou: Victor Tineo e Bruno Pavan

FONTE: http://www.brasildefato.com.br/node/33383

RFI: Descontaminação de lama tóxica em Minas pode custar mais de US$ 1 bilhão

Imagem aérea do distrito de Bento Rodrigues destruído pela onda de lama.

Imagem aérea do distrito de Bento Rodrigues destruído pela onda de lama. REUTERS/Ricardo Moraes
Por Rádio França Internacional

O Corpo de Bombeiros resgatou 500 pessoas que estavam ilhadas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais, após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco. O acidente, ocorrido ontem à tarde, deixou um morto, segundo balanço provisório. Pelo menos 14 pessoas estão desaparecidas. Analistas de mercado em Londres afirmam que o custo de descontaminação das áreas atingidas pela lama tóxica pode ultrapassar US$ 1 bilhão.

 Seis helicópteros do Corpo de Bombeiros trabalham na área do acidente em busca de vítimas,informa a Rádio Itatiaia, parceira da RFI em Minas. Um outro helicóptero está sendo usado para o transporte de autoridades e de técnicos de engenharia e meio ambiente que vistoriam a região.

As pessoas resgatadas passam por descontaminação para evitar potenciais danos causados pela lama tóxica. A técnica para eliminação do excesso de ferro consiste em lavar o corpo com água e sabão, de acordo com o Corpo de Bombeiros. As pessoas que apresentam ferimentos são transferidas para hospitais da região. Segundo informações oficiais dos bombeiros, a única vítima é um homem que, ao ver a avalanche de lama, teve um mal súbito.

Empresa não sabe o que causou o rompimento

Em nota oficial, a mineradora Samarco informou que ainda não é possível confirmar o que provocou o rompimento das barragens. A empresa colocou em prática, juntamente com as autoridades que trabalham no resgate das vítimas, um Plano de Ação Emergencial de Barragens.

“Até o momento, não é possível confirmar número de vítimas e desaparecidos. Todas as pessoas resgatadas com ferimentos estão sendo encaminhadas para pronto atendimento no hospital do município de Mariana e demais municípios próximos e, os desabrigados, para um ginásio de Mariana onde equipes prestam auxílio a todos. Neste momento, não há confirmação das causas e a completa extensão do ocorrido. Investigações e estudos apontarão as reais causas do ocorrido”, diz um trecho do comunicado.

França envia condolências ao Brasil

A França apresentou suas condolências ao governo brasileiro nesta sexta-feira (6) devido à tragédia. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores francês, Romain Nadal, declarou que “nestes momentos dolorosos, a França apresenta suas condolências às famílias das vítimas e está ao lado das autoridades e do povo brasileiros”.

O acidente na região das cidades históricas de Minas teve forte repercussão na imprensa internacional. No Reino Unido, as ações da empresa australiana BHP Billiton, sócia da Vale na mineradora Samarco, caíram mais de 5% na Bolsa de Valores de Londres. Ao meio-dia, no horário local, as ações da BHP Billiton recuavam 5,37%. 

Descontaminação pode custar mais de US$ 1 bilhão

O analista de mercado Simon Davies, da empresa Canaccord Genuity, declarou à AFP que pelo fato de a Samarco ser administrada por duas gigantes mundiais do setor de minério, o rompimento das barragens de dejetos tem impacto sobre a reputação das mineradoras. “Embora não haja impacto econômico imediato, se for comprovada negligência, podem haver outras consequências”, estima Davies. 

Analistas do Deustche Bank avaliam que a mineradora Samarco poderá ficar fechada por vários anos e que o custo de limpeza e descontaminação do local pode ultrapassar US$ 1 bilhão.

FONTE: http://www.brasil.rfi.fr/brasil/20151106-franca-envia-condolencias-ao-brasil-por-tragedia-em-minas-gerais

Tragédia em Mariana: BBC e as 5 perguntas ainda sem respostas sobre as causas da explosão das barragens

Desastre em Mariana: 5 perguntas sem resposta sobre rompimento de barragem

AFP
Image copyrightAFP.  Rompimento de barragem liberou ‘mar de lama’ que soterrou diversas casas

O rompimento de duas barragens de uma mineradora liberou uma enxurrada de lama que causou grande destruição em um distrito de Mariana, em Minas Gerais, e deixou pelo menos um morto.

As barragens de Fundão e Santarém, da mineradora Samarco, entre os municípios de Mariana e Ouro Preto, se romperam na quinta-feira à tarde, e liberaram uma onda de lama que teria chegado a 2,5 m de altura.

Moradores relataram um cenário de devastação no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, o mais atingido, a cerca de 2 km do rompimento. Há relatos de desaparecidos e pessoas ilhadas, mas o número real de vítimas ainda é desconhecido.

Veja abaixo algumas perguntas ainda sem resposta sobre o desastre.

O que causou o rompimento?

A Samarco disse ter registrado dois pequenos tremores na área duas horas antes do rompimento, por volta das 16h20 de quinta-feira, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Mariana.

Não se sabe o que teria causado estes tremores – se seriam abalos sísmicos ou a força do próprio rompimento.

A empresa inicialmente informou que apenas uma barragem havia se rompido, a de Fundão, mas informou à noite que uma segunda barragem, a de Santarém, também sofreu ruptura.

Em comunicado divulgado em sua página no Facebook nesta sexta-feira, a empresa disse que “não há confirmação das causas e a completa extensão do ocorrido” e que “investigações e estudos apontarão as reais causas”.

Segundo a Samarco, a última fiscalização das barragens pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) foi em julho deste ano e indicou que elas estavam em “totais condições de segurança”.

A lama pode ser tóxica?

Reuters
Reuters. Lama eliminada por barragens devastou região de Bento Rodrigues

Sabe-se que as barragens continham água e rejeitos de minério de ferro. A maioria deste material é considerada de baixo potencial poluidor, segundo artigo da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.

A empresa disse nesta sexta que o rejeito é inerte. “Ele é composto, em sua maior parte, por sílica (areia) proveniente do beneficiamento do minério de ferro e não apresenta nenhum elemento químico que seja danoso à saúde”.

Especialistas seriam enviados à área nesta sexta-feira para avaliar o material que vazou.

Há risco de novos rompimentos?

 

Reuters
Reuters/ Estradas foram interrompidas e acesso a áreas é realizado apenas por helicópteros

O Corpo de Bombeiros estaria monitorando uma terceira barragem para verificar o risco de rompimento.

Não é a primeira vez que barragens se rompem em Minas Gerais. Em 2014, um acidente em Itabirito, a cerca de 60 km de Belo Horizonte, deixou três trabalhadores mortos.

Quantas pessoas podem ter sido afetadas?

afpAFP/ Distrito de Bento Rodrigues, a cerca de 2km do acidente, foi o mais afetado

O distrito de Bento Rodrigues tem cerca de 600 moradores.

Outros vilarejos foram atingidos pela lama e a estimativa é de que até 2 mil pessoas possam ter sido afetadas. Mas estes moradores foram alertados e tiveram tempo de buscarem abrigo.

A Prefeitura de Mariana confirmou um morto, mas este número pode subir.

Por que informações de vítimas são conflitantes?

AFP
AFP/ Sobreviventes foram socorridos na quinta-feira à noite, mas teme-se que haja mais feridos e soterrados

Alguns veículos de comunicação falaram em números mais altos de mortos – citando fontes não oficiais.

A incerteza se deve em parte ao acesso restrito ao distrito de Bento Rodrigues, realizado apenas por helicóptero. Imagens aéreas de TV mostraram casas completamente destruídas e soterradas por lama.

Moradores relataram haver vários desaparecidos e pessoas ilhadas.

As operações aéreas de resgate seriam retomadas nesta manhã.

FONTE: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/11/151106_minasgerais_perguntas_hb