Porto do Açu: todo dia uma novidade, ruim!

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Ainda bem que existe a blogosfera, e não ficamos mais dependentes das versões dos fatos que são disseminados de forma quase uníssona pela imprensa corporativa. Vejam abaixo material publicado pelo professor Roberto Moraes em seu blog, onde descobrimos mais uma novidade (ruim, é claro) sobre o que anda de fato acontecendo dentro do Porto do Açu, o tão decantado megaempreendimento iniciado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Agora, pelo que nos informa o professor Moraes, temos a confirmação de que mais uma mazela ambiental pode ser acrescentada na crescente lista que marca a implantação do Porto do Açu. A novidade é que, pelo menos nesse caso, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) parece estar ocupando o papel que lhe cabe que é de fiscalizar o cumprimento das leis ambientais em vigência no Rio de Janeiro.

Mas como diz uma das leis de Murphy…. não há nada que esteja tão ruim que não possa piorar.

Inea fiscaliza poluição do mar por minério caído em embarques no Porto do Açu

Foto publicada na nota do blog no dia 23 de maio, mostrando no detalhe, dos círculos em vermelho sobre o navio, o pó de minério caído ao lado das seis bocas do convés do navio, onde o minério de ferro é depositado, para ser transportado do Açu à Ásia

O blog trouxe aqui no dia 23 de maio passado, uma ampla matéria sobre a poluição que o pó de minério de ferro estava produzindo sobre o mar e sobre os trabalhadores, que atuam nos embarques dos navios no terminal 1 do Porto do Açu. A nota tem detalhes e imagens que são as provas dos problemas.

Pois bem, nesta quinta-feira, o blog recebeu de fonte confiável, a informação de que fiscais do Inea, acompanharam ontem (17/06), um embarque de minério de ferro e teriam identificado a grande quantidade de pó de minério que tem caído sobre o mar, durante o carregamento dos navios no Porto do Açu.

Ainda segundo a fonte ouvida pelo blog, os fiscais teriam determinado a suspensão do carregamento por conta do problema que pode ser identificado até pelo pó do minério depositado sobre o veículo dos fiscais. 

Informações dão conta que as operações de carregamento passaram a ser acompanhadas por equipes que trabalham em turnos de revezamento por 24 horas, para varrer o pó de minério que se deposita no píer, durante os carregamentos dos navios.

Há ainda informações de que um funcionário que trabalha na guarita próximo da esteira que transporta o minério de ferro até os navios estaria doente e com problemas respiratórios, que poderiam ser decorrentes da inalação do pó do minério de ferro levantado durante o processo de transporte, entre a área de estoque e os navios, no terminal 1 do Porto do Açu.

O blog enviou ontem, às 21:08, à Assessoria de Imprensa da Prumo, um email solicitando posição da empresa sobre o problema, mas não recebeu até agora nenhum retorno.

A mesma assessoria de imprensa, por coincidência, havia informou ao blog, às 18:49 que uma comitiva composta por representantes da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Ambiente, estiveram nesta quinta-feira, 18, no Porto do Açu.

O release informa que o próprio presidente da Ceca, Maurício Couto participou da comitiva que foi recebida pelo diretor de Sustentabilidade da Prumo, Eduardo Xavier.

A indagação do blog sobre a ação do Inea foi feita como reposta no próprio email envido pela Assessoria de Imprensa da Prumo. Até agora as 10:30 nenhuma resposta foi dada sobre as informações obtidas pelo blog e aqui publicadas.

FONTE: http://www.robertomoraes.com.br/2015/06/inea-fiscaliza-poluicao-do-mar-por.html?m=1

Porto do Açu: quem está controlando os embarques de minério de ferro?

Acabo de receber a imagem abaixo que foi publicada na página da rede social  Facebook pelo “Radar OZK”, e a mesma aparentemente mostra o derrame de minério de ferro nas águas oceânicas no entorno do Porto do Açu (Aqui!)!

radar ozk

Tentando algum tipo de confirmação adicional, conversei com um colaborador do blog que está familiarizado com o funcionamento do Porto do Açu, e ele me informou que existem informações de que problemas estão de fato ocorrendo no momento do carregamento  dos navios, e que uma quantidade incalculável de minério de ferro está sendo despejado diretamente em águas oceânicas! O problema estaria relacionado a um desenho inapropriado das esteiras de transporte e à ausência de pelotização do material, o que facilita a ocorrência de perdas.

Uma preocupação que deveria desde já ser avaliada se refere às potenciais impurezas que estão presentes neste minério de ferro e da presença de elementos móveis que possam ser incorporados por organismos vivos, muitos dos quais podem ser consumidos pela população, a começar pelo camarão e vários tipos de peixes.

Ai é que eu me pergunto: quem anda fiscalizando a condição em que estão se dando esses carregamentos e as medidas que foram adotadas para impedir esse tipo de contaminação? Como o Porto do Açu é um empreendimento privado, é de se esperar que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTaq), o Instituto Estadual do Ambiente (INEA),e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA). O fato é que esse processo representa fonte potencial de contaminação da atmosfera e das águas oceânicas, as consequências para a saúde humana são as mais variadas.

De toda forma, o Porto do Açu parece ter se transformado num ambiente ideal para todos os que desejem estudar as consequências sociais e ambientais de megaempreendimentos que são construídos e colocados para funcionar sem as devidas precauções. Já para os trabalhadores, e especialmente os moradores de comunidades localizadas no entorno do Porto do Açu, as perspectivas já não são tão animadoras. É que depois de salinização, erosão, fogo e desapropriação, agora aparece a contaminação por minério de ferro. É muita mazela junta!

Porto do Açu e o efeito encantador de um colete sobre os políticos sanjoanenses

políticos

Ao longo dos últimos anos tenho visto uma sucessão de políticos do município de São João da Barra adentrando o canteiro de obras do Porto do Açu, onde são devidamente paramentados com vistosos coletes esverdeados. É que o basta para que declarações para lá de otimistas sejam emitidas, normalmente ao arrepio das evidências empíricas. Esse parece também ser o caso do jovem deputado estadual Bruno Dauaire (PR) como mostra a matéria abaixo publicada no jornal “O DIÁRIO”.

Uma das atribuídas ao deputado Dauaire é a seguinte:

” O porto está funcionando, operando a todo vapor, mas é preciso que se estabeleça uma correlação de forças com a população local, inclusive ajudando a qualificar a mão de obra.

Se o deputado estivesse lendo, por exemplo, o blog do professor Roberto Moraes saberia que não apenas o porto não está “funcionando a todo vapor” (Aqui!), mas como uma das suas principais âncoras que é o minério de ferro está afundada em problemas, com a possibilidade crescente de que a gigante sul africana Anglo American caia fora do empreendimento para minimizar suas perdas bilionárias com um negócio que começou mal, continuou pior, e hoje parece atingir a camada pré-sal das notícias ruins .

Enquanto isso, as mazelas sociais e ambientais causadas pela implantação do Porto do Açu continuam se avolumando, sem que haja qualquer visita de deputados aos locais que tiveram suas águas salinizadas ou aos agricultores que tiveram suas terras desapropriadas e que até hoje seguem sem as devidas reparações conforme o estabelecido pelo Artigo 265 da Constituição fluminense. Eu diria que as mazelas, essa sim, estão crescendo a todo vapor. E só não vê, quem não visita.  Aliás, para mediar conflitos há que se ver todos os lados, e começar pelo empreendedor é um começo, como diriam os jovens, sinistro! Simples assim!

Bruno Dauaire visita Porto do Açu

Portal OZK
Clique na foto para ampliá-la
Bruno Dauaire acompanhou o embarque de minério no Porto

O deputado estadual Bruno Dauaire (PR), presidente da comissão especial criada na Alerj para mediar os conflitos do Porto do Açu, visitou o empreendimento na última segunda-feira e presenciou o embarque de minério de ferro para a Ásia.

Ele foi recebido por diretores da Prumo e questionou a empresa sobre projetos para absorção de mão de obra local, incentivo ao comércio do município e valorização das vocações tradicionais, como a agricultura. As solicitações vão ser encaminhadas por ofício pela comissão

– Apesar do cenário nacional e regional de crise econômica, a impressão passada pelos diretores e técnicos da Prumo é que o porto é uma alternativa ao momento de dificuldade. O porto está funcionando, operando a todo vapor, mas é preciso que se estabeleça uma correlação de forças com a população local, inclusive ajudando a qualificar a mão de obra. Esta é a grande preocupação da comissão – disse Bruno. O deputado ouviu dos diretores da empresa que foi formado um comitê para cadastro dos fornecedores locais e quer acompanhar todo o processo, que visa valorizar as empresas locais

– É uma boa notícia que haja essa preocupação da Prumo com São João da Barra e região Mas vamos acompanhar. Precisamos da participação dos empresários, do parlamento e do governo local e da população – destacou Bruno Dauaire.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/bruno-dauaire-visita-porto-do-acu-21203.html

Carajás: em meio à falsa polarização política, o saque das riquezas nacionais e a desvastação ambiental e da memória histórica continuam

Outra mina de ferro a céu aberto é esculpida na floresta tropical do Brasil

DOM PHILLIPS | THE WASHINGTON POST  

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O projeto de mineração S11D no Brasil, deverá entrar em funcionamento no próximo ano.  

Serra Sul, Carajás, Brasil – A linha de caminhões e pick up jogam nuvens de poeira vermelha enquanto serpenteiam até a colina no final da estrada de terra. Do alto, a floresta tropical brasileira cobre a distância até onde os olhos podem alcançar.  Um vasto quadrilátero está sendo esculpido nas encosta por um exército de máquinas,formando uma cicatriz de terra vermelha nas colinas verdes.

 O S11D, como este projeto é conhecido sem a menor cerimônia, é uma mina de minério de ferro a céu aberto que está sendo escavada neste canto da Amazônia brasileira, no estado do Pará.  A gigante da mineração do Brasil, Vale, diz que a mina foi projetado para causar um mínimo impacto ambiental e  alcançar máxima rentabilidade. É para começar a operar no próximo ano, e em 2018 estará produzindo cerca de 100 milhões de toneladas anuais de do mais puro minério de ferro do mundo – uma força vital para a pálida economia  do Brasil.

Mas os ambientalistas argumentam que S11D poderá destruir os raros ecossistemas de cerrado  encontrados em duas lagoas acima das jazidas de minério de ferro. Dezenas de cavernas que potencialmente contém elementos de habitações antigas da Amazônia foram perdidas. Este grandioso projeto de 17 bilhões dólares projeto é emblemático, um dilema brasileiro muito contemporâneo: é possível o país desenvolver e utilizar seus ricos recursos naturais sem causar danos irreparáveis ao seu meio ambiente e sua história?

“Eu discordo totalmente quando alguém diz que não é possível desenvolver, mantendo preservação e sustentabilidade”, disse Jamil Sebe, diretor de projetos ferrosos da Vale para o norte do Brasil, que está no comando da mina. Sebe disse trabalha há um quarto de seus 44 anos no projeto, que emprega técnicas inovadoras de mineração e de engenharia importadas do Canadá e da Austrália para reduzir os impactos e os custos.

“Este é o ano para colocar tudo junto”, disse ele.

O S11D está a apenas 30 km ao sul de maior mina de minério de ferro do mundo, também executado pela Vale na mesma Floresta Nacional de Carajás. As atividades da empresa aqui, que incluem cobre, manganês e ouro, podem afetar 3 %dos 1.591 km2 do parque nacional, tão rico em natureza como ela é em minerais.

 “A Vale quer garimpar tudo. Vai depender dos órgãos ambientais do governo brasileiro para proteger esta área ” disse Frederico Martins, analista ambiental No Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e gerente da Floresta Nacional de Carajás. “Há um monte de minério de ferro lá.”

 A controvérsia gira em torno duas lagoas situadas a leste de construção atual, mas em cima da jazida de minério de ferro. As agências governamentais negociaram uma zona de exclusão de 546 jardas em torno deles, como proteção – mas isto pode não ser suficiente.

Levou três horas para dirigir em estradas de terra traiçoeiras que cruzam a floresta para chegar a maior, a Lagoa da Guitarra. No caminho, um javali fugiu correndo pela pista, e a o 4 × 4 avançou em torno de uma imensa serpente, e o guia florestal José de Costa parou sob um ninho de gavião-real do tamanho de uma banheira, enquanto a cabeça da ave balançava sobre a sua borda.

A área da Lagoa  da Guitarra é um mundo a parte da densa floresta emaranhada  que existe em torno dele – um ecossistema distinto definido como sendo uma “savana metálica” de rochas escuras e matagal.  Gafanhotos verdes descansavam no sol, enquanto jacarés e tartarugas vagavam através do lago. Mais de 40 espécies de plantas – entre eles Ipomoea marabaensis, com uma flor lilás – são encontradas somente aqui nas savanas de Carajás, com o seu ambiente formado pelas próprias rochas, ricas em minério de ferro, que põem em perigo a sua sobrevivência.

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A sujeira vermelha cobre o chão perto da mina da Vale em Carajás. É a maior mina de minério de ferro no mundo, 13 de abril de 2015. Bonnie Jo Mount / The Washington Post

À distância, o zumbido das escavadeiras era audível. No ano passado, os estudantes universitários locais formaram um “SOS” em rochas na beira do lago para protestar contra os danos que dizem o Lago Guitarra sofrerá uma vez a mineração e as explosões diárias envolvidas comecem.

“Se ele sobrevive, ele vai perder todo o seu contexto”, disse da Costa, que participou. “Você não vai ter toda esta vida.”

A Vale está discutindo a redução da zona de exclusão com o órgão ambiental do governo brasileiro. Martins disse que qualquer redução seria “comprometer a existência do lago”.

O minério de ferro foi encontrado pela primeira vez em Carajás em 1967 por um geólogo manganês prospecção Brasileira para US Steel. Em 1985, a produção começou na Serra Norte, agora a maior mina de minério de ferro do mundo. A cidade de 180.000, Parauapebas, cresceu nas proximidades. A Vale e seus contratados empregam 46.000 pessoas no Pará.

O capitalismo de Estado e proteção ambiental andam de mãos dadas aqui. Em 1998, a reserva da Floresta Nacional de Carajás foi criada tanto para isolar a área da mina de posseiros como protegê-la do desmatamento que devastou tanto  este canto sul da Amazônia.

“Se não fosse para a mineração, isso poderia ter sido pior”, disse Martins. O acesso é controlado pela Vale e pelo Instituto Chico Mendes.

A mina de Serra Norte é um enorme complexo industrial de poços, correias transportadoras e unidades de processamento que estão afundados profundamente na floresta. Tudo é escuro, vermelho oxidado: o metal e a terra. Em uma manhã recente, o gerente de operações da mina Evandro Euzébio estava num mirante com vista para a mais antiga da mina. Centenas de metros abaixo dele, caminhões gigantes se arrastavam até as estradas de terra, cada um transportando até 400 das 120 milhões de toneladas de minério de Vale produz há cada ano.

“É o melhor minério de ferro do mundo”, disse Euzébio.

O minério é transportado cerca de 900 km por uma linha férrea até o porto de São Luís, no Maranhão. De lá, os navios de carga levam o produto para a China, que importa metade do que a Vale produz a cada ano. A linha ferroviária está sendo duplicada para lidar com a produção da S11D. Os preços do minério de ferro foram reduzidos pela metade para cerca de US $ 55 por tonelada ao longo do último ano, mas a Vale insistiu que o projeto ainda era viável.

“Ninguém rasga dinheiro”, disse o diretor Vale do Norte ferroso, Paulo Horta.

A construção da S11D, com a expansão do porto e  da linha de trem, emprega 30.000 trabalhadores. Quando a mina estiver funcionando, 2600 vão trabalhar lá, com 7.000 no setor de serviços relacionados. Umanova cidade, Canaã dos Carajás, cresceu nas proximidades.

Em vez de os caminhões usados  na Serra Norte, a cinco quilômetros, correias transportadoras vão levantar o minério para fora dos boxes para processar em empresas situadas fora da área da floresta. As plantas industriais são feitas de módulos, encaixadas como peças de Lego, uma técnica adotada a partir do exemplo da indústria petrolífera, que exige menos trabalhadores no local. Empresas de engenharia alemãs, canadenses e australianas projetaram a maior parte equipamento, mas a maioria foi fabricada na China.  O Brasil possui as matérias-primas, mas não fabrica as máquinas.

A linha do S11D sozinha possui  mais de cinco quilômetros de comprimento.

“É a maior emenda, a maior reserva de que a Vale tem. No futuro, será uma plataforma de crescimento para a empresa “, disse Sebe.

Mas também vai consumir uma parte do passado do Brasil. Arqueólogos dizem que cavernas da região contem pistas para habitações de populações amazônicas que eram desconhecidas até os anos 1980.

Evidências dessas cavernas sugere, que povos nômades viviam na Amazônia até 9.000 anos atrás, cultivando mandioca e açaí.

“Eles conseguiram cultivar a floresta sem derrubá-la”, disse Marcos Magalhães, um arqueólogo do Museu Emílio Goeldi na capital do estado do Pará, Belém, que estudou cavernas na área. “A Amazônia foi o Jardim do Éden.”

Em uma das cavernas acima do lago, cacos de cerâmica estavam espalhados no chão. A partir de fotos, Magalhães disse que estes provavelmente são datados de outra ocupação por grupos indígenas nômades cerca de 500 anos atrás, antes da colonização do Brasil pelos portugueses. A caverna será pesquisada este ano e não está marcada para ser destruição.

Mas de 187 cavernas existentes em Serra Sul, 40 vão sofrer “impacto irreversível”, disse Leanardo Neves, gerente de meio ambiente e sustentabilidade Vale.  Magalhães e sua equipe pesquisaram e removeram artefatos de cinco delas antes que fossem destruídas.

A Vale planeja compensar cada caverna destruída com a proteção de duas cavernas em uma área semelhante, na vizinha Serra da Bocaina. A equipe de Magalhães ainda não estudou nenhuma caverna naquela área, mas eles já encontraram vestígios de uma mina pré-histórica perto de Serra Sul, onde rochas foram escavadas para a determinação de grau de pigmentação. “A história da região”, disse ele. “sempre foi mineração.”

FONTE: http://www.washingtonpost.com/world/the_americas/another-huge-and-open-iron-mine-is-carved-out-of-brazils-rain-forest/2015/04/13/cc1ce49a-cd75-11e4-8730-4f473416e759_story.html

Enquanto isso no Açu: No porto falta minério, na praia, areia!

O professor Roberto Moraes informou ontem em seu blog que o embarque de minério de ferro está temporariamente suspenso no Porto do Açu por um motivo bem prosaico e esquisito: a Anglo American estaria realizando um processo de manutenção no recém-inaugurado mineroduto Minas-Rio (Aqui!)!

Pois bem, hoje estive na Praia do Açu para participar da etapa inicial de uma dissertação de mestrado que estou orientando no Programa de Ecologia e Recursos Naturais (PGERN) e pude notar que ali está também faltando algo, mas não é minério de ferro.  E novamente o que falta seria prosaico em outras etapas, pois o elemento ausente é areia! Como resultado, ao caminhar pela porção central daquela praia, pude notar os testemunhos de mais intrusão de água do mar.

Entretanto, ao contrário do Porto do Açu deverá voltar a funcionar assim que a Anglo American encerrar a “manutenção” do mineroduto, a Praia do Açu continua sem perspectivas de qualquer medida efetiva para conter o avanço do mar. Aliás, na sequência abaixo dá para notar que os montes de areia que foram colocados como medida paliativa contra o avanço do mar já foram quase todos consumidos. 

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A queda no apetite chinês por minério de ferro indica que a crise da economia brasileira vai piorar

CHINA

Não estivessem a economia brasileira vivendo um péssimo momento, eu diria que a notícia abaixo, publicada pela revista “The Economist“, revela que o pior ainda está para chegar. E mais do que isso, que o cavalo vem a galope da China. É que trocando em miúdos o que a matéria diz é que o consumo de aço deverá começar a cair, tanto no quesito da produção como do consumo. Essa é uma péssima notícia para o Brasil, pois muitos dos projetos de infraestrutura construídos na última década (o Porto do Açu incluso) estavam direcionados a aplacar o apetite chinês por minério de ferro e outras commodities. 

Agora, o que o “The Economist” é que a festa do ferro pode acabar em breve, o que já está causando sérios problemas financeiros em empresas mineradoras que apostaram no “boom” chinês, a começar pela empresa australiana Fortscue que está tentando, sem sucesso até agora, alavancar cerca de US$ 2,5 bilhões para continuar suas operações que vem enfrentando demoras e cancelamentos num projeto justamente voltado para atender o mercado chinês.

E o que o esfriamento do apetite por minério de ferro dos chineses implica não apenas para o Brasil, mas particularmente para o Rio de Janeiro? Em rápidas palavras: mais problemas.

Também não custa lembrar que a Anglo American, principal parceira da Prumo Logística no Porto do Açu, já vem sendo sangrada em bilhões de dólares, mesmo antes deste cenário regressivo que está vindo da China.  Assim, se a Anglo American não conseguir se ajustar a esse cenário depressivo, é bem provável que se livrar do mineroduto Minas-Rio e de suas minas em Conceição do Mato Dentro se torne uma opção real. A ver!

China’s steel production and consumption may soon start falling

FOR three decades China has been a steelman’s paradise. Years of double-digit economic growth and relentless urbanisation gave the country an increasing appetite for the alloy. Steel went into everything, from buildings and infrastructure to cars and appliances. Consumption in China has risen at an average rate of 15% a year since the turn of the century, and at 689m tonnes last year it made up almost half of the world’s total usage.

Alas, the ferrous fiesta may soon fade. China’s annual growth rate has slowed from double-digit figures to around 7%. The massive investments in infrastructure that the government unleashed as a stimulus response to the global financial crisis are subsiding. Property markets around the country are cooling fast, leaving developers with a nasty debt hangover.

For the handful of big firms that produce most of the world’s iron ore, the raw material for steel, such arguments are hard to swallow. BHP Billiton, an Australian miner, insists that Chinese demand will keep growing robustly for years. Sam Walsh of Rio Tinto, a British colossus, has predicted that steel production in China will keep rising and eventually reach 1 billion tonnes a year (compared with about 823m tonnes last year). But such notions may prove to be wishful thinking. By one estimate, these and other mining firms have together splashed out $120 billion since 2011 on new iron-ore deposits.

In a sign of how China’s cooling demand for steel is affecting ore miners, last month Fortescue, an Australian company, was forced to call off a $2.5 billion bond issue, having days earlier tried to raise the same amount through the loans market. CITIC, China’s largest state-run conglomerate, recently announced that its net profits fell by nearly 18% last year thanks in part to the troubled iron and steel markets. It was forced to take an impairment charge of $2.5 billion on a massive iron-ore project in Australia that has run into delays and cost overruns.

Aside from the risk of undermining the rationale for investments such as these, what are the potential knock-on effects of China hitting peak steel? Trade wars, for a start. Unable to peddle all of their output at home, Chinese steel producers have been exporting increasing quantities—to the consternation of producers elsewhere, who accuse them of dumping. MEPS, a consulting firm, estimates that China exported more than 90m tonnes of steel last year, which is greater than the entire output of America’s steel industry and was a rise of over 50% on the previous year. Exports are continuing to surge this year.

Western steelmakers are pressing their politicians to protect them against the wave of cheap Chinese imports. On March 25th the European Union said it would impose anti-dumping duties of up to 25.2% on various stainless-steel products from China, as well as from Taiwan, after European steelmaking’s trade body, Eurofer, accused mills in both countries of unfair dumping. The next day, the bosses of America’s steel companies went to Capitol Hill to press their congressmen to take similar action. Unless China finds ways to moderate its exports (the recent elimination of an export-tax rebate on certain steel alloys may help, for example), these grumbles may end up at the World Trade Organisation.

The bigger impact, though, could be in China itself. Its steel industry is highly fragmented, woefully inefficient and burdened with excess capacity. The central government has tried to force the many state-supported firms to consolidate, but recalcitrant provincial officials keen on preserving local jobs have scuppered such efforts. There are reports that the industry ministry is preparing a fresh push to restructure Chinese steelmaking by making it easier for troubled mills to go bust.

A sign of the central government’s desire for a shakeout is its recent decision to end a long-standing ban on foreign investors owning majority stakes in local steel firms. In the current climate, however, it seems unlikely there will be any great rush by foreigners to buy them. Even though senior industry figures such as Mr Zhang are acknowledging that the good times are over, it may yet be some time before economic logic prevails in the Chinese steel business.

FONTE: http://www.economist.com/news/business/21647617-chinas-steel-production-and-consumption-may-soon-start-falling-twin-peaks?fsrc=scn/tw/te/pe/ed/twinpeaks

Minas Gerais sente efeitos da queda de preços do minério de ferro

Por Raquel Faria

 

Área de impacto

A crise na mineração deve comprometer investimentos em Minas. Segundo Guilherme Leão, gerente de estudos econômicos do IEL, ligado à Fiemg, 70% dos projetos anunciados para o Estado nos próximos anos têm a ver com minério de ferro. E foram planejados quando os preços da commodity estavam em alta. Agora, muitos podem não sair mais do papel.

Sem estímulo

Entendidos em mineração avaliam que o início da operação Minas-Rio, da Anglo American, deve manter o volume da produção mineral do Estado em 2015, compensando as perdas com o fechamento de minas. E a subida do dólar vem amenizando a queda de preço. Mesmo assim, a perspectiva é de declínio do faturamento, o que desestimula investimentos no setor.

Desmobilização

A Vale já tem estudos de viabilidade de suas minas no novo cenário de mercado. Se os preços continuarem caindo, a desativação daquelas menos rentáveis será inevitável no médio prazo. Estima-se que a mineradora possa vir a paralisar até 50% de suas operações com ferro no Estado.

FONTE: http://www.otempo.com.br/minist%C3%A9rio-p%C3%BAblico-busca-sa%C3%ADda-1.963367

Minério de ferro ganhou o prêmio: pior commodity do ano!

Com queda de 50%, minério de ferro é pior commodity do ano

O minério de ferro termina 2014 como a pior commodity do ano. O preço caiu 50%, para o menor patamar desde 2009. Ontem, a tonelada matéria-prima do aço valia US$ 67,90, praticamente metade dos US$ 134,20 no último dia de 2013. O preço médio de 2014, que está pouco abaixo de US$ 100 por tonelada, é 26% inferior ao valor médio de 2013.
FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3839516/com-queda-de-50-minerio-de-ferro-e-pior-commodity-do-ano

Valor: Minério de ferro cai a US$ 68,70 a tonelada, menor cotação desde 2009

Por Olivia Alonso | Valor

SÃO PAULO  –  O minério de ferro caiu hoje pelo sexto dia seguido e acumulou desvalorização de 3% na semana, negociado a US$ 68,70 por tonelada no mercado à vista da China, para um teor de 62% de ferro. O patamar é o mais baixo desde junho de 2009. 

Em dezembro, o preço médio está em US$ 69,3 por tonelada, pouco mais da metade da média de US$ 136 por tonelada em dezembro do ano passado.

Preocupações com excesso de oferta, desaceleração da demanda chinesa por aço e com restrições de crédito na China estão mantendo a cotação em baixa. A China é responsável por aproximadamente dois terços das importações globais da matéria-prima.

Entre as movimentações do setor hoje, a Vale negociou minério com teor de 65,5% de ferro com um adicional de US$ 14,8 por tonelada, segundo o Standard Bank.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3818164/minerio-de-ferro-cai-us-6870-tonelada-menor-cotacao-desde-2009#ixzz3LmSTPlm3

Minério de ferro com preço da tonelada em queda livre

Um dado que não está na notícia abaixo, mas que ajuda a entender a enrascada em que estão as mineradoras que tem o minério de ferro a sua principal commodity tem a ver com o custo de produção por tonelada, que gira em torno de US$ 33-35 por tonelada molhada. Se o preço de mercado cair ao nível previsto pelo Citi, a Anglo American, que já não anda nada bem das pernas, vai sofrer já que estará operando numa faixa mínima de lucro. É que a Anglo American perdeu bastante, mas bastante mesmo, com aquisição do mineroduto Minas-Rio e as minas da MM(X) em Conceição do Mato Dentro.

E com situação de queda livre do preço do minério de ferro também ficará sob risco a viabilidade do Porto do Açu se a Prumo Logística não conseguir mudar o perfil do empreendimento para o setor de óleo e gás. A ver!

Citi diz que preço pode cair a US$ 50

O mercado está ficando cada vez mais pessimista com os rumos do minério de ferro, commodity dependente da China, o grande consumidor mundial. Ontem a equipe global de commodities do Citi divulgou relatório em que reduziu de US$ 80 para US$ 65 por tonelada as previsões para os preços médios do minério de ferro em 2015 e 2016. O banco previu, inclusive, que, em alguns momentos, o preço poderá cair para a casa dos US$ 50 por tonelada. A projeção, se confirmada, terá efeitos negativos sobre Vale, Rio Tinto e BHP Billiton, as maiores mineradoras mundiais.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3775748/citi-diz-que-preco-pode-cair-us-50#ixzz3IqXA8hIS