Ciência brasileira sob mais um ataque: ministro engaveta pesquisa sobre uso de drogas por não gostar dos resultados

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Ministro da Cidadania Osmar Terra  é mais um que tenta sufocar a ciência brasileira. Pesquisa boa só a que confirmar as opiniões dele parece ser o mote.

Tenho que novamente me reportar à entrevista que concedi no dia 11 de janeiro à jornalista Filomena Naves do Diário de Notícias que é publicado em Portugal. A manchete da entrevista me soa agora como algo lamentavelmente premonitório: “A ciência no Brasil está sob ataque ideológico do governo de Bolsonaro“.

Trago à recordação a  minha entrevista ao Diário de Notícias à luz de mais um ataque escancarado de um ministro do governo Bolsonaro à autonomia da comunidade científica brasileira para produzir pesquisas de forma independente dos desejos desse ou de qualquer outro governo que seja.  Falo aqui da decisão do ministro da “Cidadania”, Osmar Terra, de engavetar os resultados de uma pesquisa de grande fôlego realizada (o “3° Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira”) por pesquisadores da Fundação Instituto Oswaldo Cruz sobre o consumo de drogas pela população brasileira.

O motivo dessa decisão que representa uma violação da autonomia da pesquisa nacional? O fato de que os resultados da pesquisa contrariam a visão pessoal de Osmar Terra sobre um assunto para o qual se desconhece qual nível de treinamento científico ele possui para contestar.  Mas Osmar Terra vai além de simplesmente engavetar uma pesquisa que durou 3 anos e entrevistou 16.000 pessoas a um custo de R$ 7 milhões dos cofres públicos, e que foi conduzida por um grupo de pesquisadores altamente respeitados em nível internacional. Em sua afã de justificar o injustificável, Osmar Terra está atacando a integridade e a capacidade profissional dos pesquisadores da Fiocruz.

Esse ataque à autonomia dos pesquisadores brasileiros precisa ser amplamente repudiada, na medida em que ao se impedir o acesso aos resultados de pesquisas que eventualmente contrariarem os interesses ou crenças dos membros do governo Bolsonaro, o objetivo é dar continuidade a políticas que não se embasam em fatos analisados cientificamente , mas em elementos subjetivos. E toda vez que isso acontece e é aceito passivamente, os resultados são os piores possíveis.

Em função disso é que já no dia de ontem , a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) publicou uma nota de apoio aos pesquisadores da Fiocruz, mas também ao direito de termos acesso aos resultados da pesquisa que Osmar Terra decidiu engavetar de forma unilateral e autoritária (ver reprodução abaixo).

nota abrasco

Espero que outras entidades, a começar pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), se juntam à Abrasco para se solidarizar os pesquisadores da Fiocruz e para exigir a imediata liberação dos resultados da pesquisa que o ministro da “Cidadania” decidiu engavetar de forma acientífica e anti-ciência.