Por Mário Magalhães

Muitas vezes, trata-se de ignorância ou desleixo, noutras é caso pensado.
Quando se diz que determinado número de crianças “morreram” em Gaza, omite-se ou relativiza-se que elas “foram mortas”.
Os verbos matar e morrer têm, é óbvio, significados diferentes.
A forma do particípio passado (nesse exemplo, do verbo matar), ao contrário do tempo verbal passado perfeito (verbo morrer), carrega consigo a pergunta: mortas por quem?
Talvez pareça frescura gramatical ou capricho histórico, mas a escolha do verbo e o seu emprego podem mudar ou influenciar o que se conta.
Até a notícia mais recente, 251 crianças palestinas haviam sido mortas na ofensiva militar israelense em curso.
Vai ver eram todas terroristas, e os bebês se distinguiam como os mais cruéis.
FONTE: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/07/31/escolha-e-emprego-do-verbo-mudam-a-historia-morreu-difere-de-foi-morto/