Bloomberg: Eike Batista pode ir a julgamento dentro de um ano, dizem advogados

David Biller e Jonathan Levin, Da Bloomberg

O processo criminal contra o ex-bilionário Eike Batista será complexo e pode levar um ano para ir a julgamento, e até dez anos para ser totalmente concluído, de acordo com advogados.

Promotores federais acusaram Eike de crimes contra o mercado financeiro e pediram o bloqueio de até R$ 1,5 bilhão de seus bens.

Eles alegam que, para enganar investidores e deixá-los confiantes, Eike assinou um contrato prometendo injetar US$ 1 bilhão na empresa, com condições feitas para nunca se concretizarem. Teria feito isso tendo informações privilegiadas, de que três projetos de exploração eram inviáveis.

“Se os procuradores conseguirem relacionar esses fatos no processo judicial, Eike pode ter problemas”, afirmou Leonardo Theon de Moraes, chefe da área Corporativa e de Falências da Theon de Moraes e Britto Sociedade de Advogados. “É como a cereja do bolo. Todos os ativos dele estão caindo, ruindo, e agora há acusações de crimes contra ele”.

Eike já foi a oitava pessoa mais rica do mundo, mas, no ano passado, seu império ruiu, puxado pela Óleo e Gás Participações, antes conhecida como OGX.

A companhia, sediada no Rio de Janeiro, entrou com pedido de recuperação judicial em outubro, depois de ter gastado mais de R$ 10 bilhões desde sua fundação, em 2007.

O estaleiro de Eike Batista, OSX, também entrou com pedido de recuperação judicial.

Dez anos

O valor do bloqueio de bens solicitado é praticamente igual ao estrago causado nos mercados financeiros pelos crimes dos quais ele é acusado, segundo comunicado publicado no site do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro em 13 setembro. Pode incluir casas, carros, barcos, aviões ou holdings financeiras.

O caso pode levar entre cinco ou dez anos para ser resolvido por causa das apelações, disse Moraes.

“São fatos, são datas, há muito dinheiro envolvido, e é uma decisão muito difícil que a Justiça terá que tomar”, disse Moraes, por telefone, ontem. “O processo levará um longo tempo para ser concluído.”

Antes de aceitar a acusação apresentada por procuradores da República do Rio, o juiz deve dar aos advogados de Eike o direito de apresentar uma defesa preliminar. Se o juiz permitir que o julgamento prossiga, ele deve intimar Eike a comparecer pessoalmente para um interrogatório, disse Moraes.

As acusações de uso de informação privilegiada e manipulação de mercado têm pena de até 13 anos de prisão, segundo os procuradores.

Acusações “sem base”

Sérgio Bermudes, advogado civil que diz coordenar os assuntos jurídicos de Eike, disse que espera “um longo procedimento, no qual o réu terá a chance de apresentar todas as provas”.

“Pelo que eu li, elas não tem embasamento”, disse Bermudes, em entrevista por telefone do Rio de Janeiro, referindo-se às acusações. “Acredito que houve uma interpretação errada dos fatos.”

Bermudes não retornou um e-mail nem ligações por telefone feitas ontem pedindo outros esclarecimentos. As assessorias de imprensa da Óleo e Gás Participações e da da holding EBX se recusaram a comentar o assunto, quando contatadas por e-mail.

Eike, 57, já é acusado pelo órgão regulador de mercado do país de uso de informações privilegiadas para venda de sua participação na petroleira antes da queda das ações. Os advogados de Eike disseram que ele vendeu as ações para pagar o credor Mubadala Development Co., e não porque antecipou o fracasso do projeto, segundo um documento obtido pela Bloomberg.

FONTE: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/09/15/eike-batista-pode-ir-a-julgamento-dentro-de-um-ano-dizem-advogados.htm

Processo do MPF é noticiado pela Bloomberg

Eike Batista que era sempre citado pela Bloomberg como um dos ícones do capitalismo brasileiro agora é notícia por motivos que não devem deixar o ex-bilionário muito feliz. Um exemplo vai logo abaixo e o material foi publicado ontem, falando do caso aberto pelo Ministério Público Federal por causa de supostos crimes contra a ordem financeira.

Nesse artigo da Bloomberg aparece um detalhe que eu não vi na mídia brasileira. Segundo diz o advogado de Eike Batista para este caso, Sérgio Bermudes, é que a expectativa é de que este processo será longo. Em outras palavras, Eike Batista vai ficar enrolado com a justiça, e só por este processo, por um bom tempo.

Imaginem se a queixa crime que foi apresentada contra ele por agricultores do V Distrito de São João da Barra também prosperar….

 

Ex-Billionaire Charged by Brazil With Financial Crimes

Photographer: Patrick Fallon/Bloomber
Once the world’s eighth-richest person, Eike Batista’s commodities empire collapsed… Read More

Brazilian federal prosecutors in Rio de Janeiro state accused former billionaire Eike Batista of financial-market crimes and are seeking to freeze his assets.

The charges of insider trading and market manipulation carry jail sentences in Brazil of as much as 13 years, according to a statement posted on the office’s website. The freeze could affect assets valued at as much as 1.5 billion reais ($641 million), and may include homes, cars, boats, airplanes and financial holdings, the statement said.

Sergio Bermudes, a civil lawyer who says he is coordinating Batista’s judicial affairs, said he expects a “long proceeding where you have a defendant who will have a chance to produce all evidence.”

“From what I have read, they are groundless,” Bermudes, referring to the charges, said in a telephone interview from Rio de Janeiro. “I believe that there has been a wrong interpretation of facts.”

Once the world’s eighth-richest person, Batista’s commodities empire collapsed last year, led by flagship Oleo & Gas Participacoes SA, formerly known as OGX. The Rio de Janeiro-based company filed for bankruptcy protection in October after spending more than 10 billion reais since it was founded in 2007. Batista’s shipbuilding company has also entered Brazil’s judicial-recovery process.

Prosecutors accused Batista of using privileged information in the sale of OGX stock. The alleged market manipulation refers to a so-called $1 billion put option the entrepreneur pledged that was never exercised.

Batista, 57, is already accused by the country’s securities regulator of insider trading over his sale of shares in the oil company before its downfall. Batista’s lawyers have said he sold the shares to pay back creditor Mubadala Development Co. and not because he anticipated project failures, according to a document obtained by Bloomberg.

The 1.5 billion reais is approximately equal to the damage to financial markets as a result of the crimes he’s accused of, according to prosecutors.

To contact the reporter on this story: Jonathan Levin in Sao Paulo at jlevin20@bloomberg.net

To contact the editors responsible for this story: Mohammed Hadi at mhadi1@bloomberg.net

MPF divulga documentos da ação bilionária contra Eike Batista

O MPF distribuiu documentos que contém os elementos da denúncia e do pedido de arresto contra Eike Batista por supostos crimes contra ordem financeira. Quem quiser conhecer o teor destes documentos é só clicar Aqui! e Aqui!.

Agora, eu fico pensando como ficam as viúvas do Eike Batista aqui no Norte Fluminense que faziam juras de amor e que prometiam não vender suas ações das empresas “X”. Será que ainda estão mantendo o discurso ou estão fingindo que nunca foram fãs do ex-bilionário? Uma coisa eu sei, quem não esquece de Eike Batista são as centenas de famílias de agricultores do V Distrito que tiveram suas terras expropriadas e que continuam sem a devida reparação por suas perdas.

MPF denuncia Eike Batista e pede bloqueio de R$ 1,5 bi

Empresário é acusado de crimes contra o mercado de capitais e pode pegar até 13 anos de reclusão

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro (RJ) denunciou Eike Batista por dois crimes contra o mercado de capitais, causando prejuízos de R$ 1,5 bilhão. O empresário é acusado de manipulação do mercado e uso indevido de informação privilegiada (artigos 27-C e 27-D da Lei 6.385/76). Pelos delitos cometidos, ele pode ser condenado a até 13 anos de reclusão. O MPF pede ainda o bloqueio dos bens de Eike, juridicamente chamada de arresto, para futura indenização dos prejuízos causados.

Na denúncia, o MPF requer ainda, além do bloqueio de todos os ativos financeiros de Eike Batista no Brasil, o arresto de seus bens imóveis (casas, apartamentos) e móveis (carros, barcos, aeronaves) até o limite de R$ 1,5 bi. “A quantia equivale ao prejuízo suportado pelo mercado de ações em consequência da conduta criminosa protagonizada pelo denunciado”, explicam os procuradores da República Rodrigo Ramos Poerson e Orlando Monteiro da Cunha, autores da denúncia.

Além dos bens de Eike Batista, o MPF quer também o arresto dos imóveis doados pelo empresário ao filhos Thor e Olin e a mulher Flávia Sampaio. As doações foram feitas após a data dos delitos cometidos pelo empresário. “A manobra fraudulenta levada a efeito pelo denunciado no inequívoco propósito de afastar seus bens de futura medida constritiva”, alertam os procuradores.

Eike doou para o filho Thor a mansão onde moram, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, no valor de R$ 10 milhões, além de uma propriedade em Angra dos Reis aos dois filhos mais velhos (Thor e Olin), também no valor de R$ 10 milhões. Para a mulher, o empresário doou um apartamento em Ipanema, Rio de Janeiro, no valor de R$ 5 milhões.

Crimes contra o mercado de capitais

O delito de manipulação de mercado ocorreu em outubro de 2010, quando Eike simulou a injeção de até US$ 1 bilhão na empresa, por meio de compra de ações da OGX, operação conhecida no mercado como “put”.

De acordo com o MPF, a má-fé e fraude na divulgação de contrato com cláusula que jamais seria cumprida revela que muito antes de sua divulgação, Eike já sabia que os campos de exploração Tubarão Tigre, Tubarão Gato e Tubarão Areia não teriam a prospecção anunciada que justificasse os altos preços das ações. “A divulgação do contrato com cláusula put se deu maliciosamente, de forma a iludir o público investidor, mediante a sua ocultação por ocasião da publicação de fato relevante na mesma data do instrumento particular, o que possibilitou ao acusado suscitar a sua isenção de cumprir a obrigação de investir recursos de seu patrimônio pessoal na empresa OGX por meio da compra de ações”, explicam os procuradores.

Na lei, essa prática está tipificada como “realizar operações simuladas ou executar outras manobras fraudulentas, com a finalidade de alterar artificialmente o regular funcionamento dos mercados de valores mobiliários em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros, no mercado de balcão ou no mercado de balcão organizado, com o fim de obter vantagem indevida ou lucro, para si ou para outrem, ou causar dano a terceiros”, prevendo pena de reclusão de até oito anos.

Já a segunda acusação que pesa contra Eike Batista refere-se ao uso indevido de informação privilegiada. Por duas ocasiões, o empresário cometeu o delito conhecido como “insider trading”, que consiste na utilização de informações relevantes sobre valores mobiliários, por parte de pessoas que, por força de sua atividade profissional, estão por dentro dos negócios da emissora, para transicionar com os valores mobiliários antes que tais informações sejam de conhecimentos do público.

Entre 24 de maio e 10 de junho de 2013, Eike usou informações privilegiadas para gerar lucro indevido na ordem de R$ 125 milhões. Já entre 28 de agosto e 3 de setembro do ano passado e entre 27 de agosto e 2 de setembro, novamente, com informações privilegiadas, Eike obteve lucro de R$ 111 milhões com a venda de ações da OGX, em uma conjuntura favorável aos negócios realizados pelo denunciado, em desigualdade de condições aos demais investidores

Segundo a lei, “utilizar informação relevante ainda não divulgada ao mercado, de que tenha conhecimento e da qual deva manter sigilo, capaz de propiciar, para si ou para outrem, vantagem indevida, mediante negociação, em nome próprio ou de terceiro, com valores mobiliários” prevê pena de reclusão de até cinco anos.

  FONTE: Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro

 

MPF investiga Eike Batista de novo

Thiago Bronzatto

EIKE BATISTA: empresário está na mira do MPF de novo

O empresário Eike Batista, fundador do grupo EBX, está na mira do Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo. Ele e ex-diretores do grupo são investigados por suspeitas de ter cometido crimes financeiros na bolsa de valores, como manipulação do mercado. Ao longo dos últimos meses, investidores que perderam dinheiro com as empresas de Eike enviaram ao MPF denúncias e documentos com indícios de irregularidades. O processo está na fase final — e deverá ser concluído nas próximas semanas. Os investigadores também analisam se a BM&FBovespa cumpriu seu papel de fiscalização na derrocada do império X no ano passado. O MPF não comentou.

FONTE: http://exame.abril.com.br/blogs/primeiro-lugar/2014/09/12/mpf-investiga-eike-batista/

Erosão na Praia do Açu: relatório solicitado por procurador já está nas mãos do MPF

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Entreguei no final desta tarde, o  relatório que me foi solicitado pelo procurador Eduardo Santos Oliveira sobre o processo erosivo que está afetando a Praia do Açu por meio do ofício no. 1129/2014/GAB/ESO.

Agora vamos esperar que o procurador Eduardo Santos considere útil as minhas análises e que se pronuncie no tempo que achar correto sobre o que foi ali por mim colocado, de modo que seja garantida a preservação daquele ambiente costeiro que possui grande importância para os moradores da Barra do Açu e de todos que utilizavam aquela área para diversas finalidades, desde as recreativas, passando pelas habitacionais, e chegando nas extrativas.

MPF celebra acordo para encerrar 25 anos de despejo de esgoto no rio Paraíba do Sul

Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) evitará que condomínios despejem esgoto sem tratamento no rio

O Ministério Público Federal (MPF) em Campos (RJ) celebrou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Concessionária Águas do Paraíba e três condomínios em Campos (edifícios Barcelos Martins, Tancredo Neves e João Paulo II) para que se encerrem o despejo de esgoto sem tratamento nas águas do rio Paraíba do Sul. Os prédios existem há mais de 25 anos e possuem mais de 360 apartamentos, com cerca de 1.400 moradores.

O acordo põe fim à situação que perdura há anos envolvendo a Concessionária e os condomínios residenciais com o despejo direto de esgoto no rio Paraíba do Sul e foi celebrado no contexto do conjunto de medidas que vêm sendo adotadas pelo MPF na luta para a recuperação e preservação do rio Paraíba do Sul, que enfrenta a sua maior baixa das últimas décadas”, explica o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, que conduziu as negociações.

O TAC é resultado de um inquérito civil público que apurava a situação desses condomínios e visava ao fim do despejo indevido de esgoto no rio. “Posteriormente, se ficar comprovado dano ambiental resultante da prática, os responsáveis poderão responder judicialmente pelos atos praticados”, destaca o procurador.

Pelo acordo, a Concessionária tem 60 dias para adotar as medidas necessárias para elaboração do projeto executivo, licenciamento e realização da obra necessária para coleta do esgoto provenientes dos três condomínios. Após concluídas essas obras, os prédios residenciais terão 120 dias para se interligarem ao sistema de coleta do esgoto. Em caso de descumprimento, é prevista aplicação de multa diária de 500 reais.

FONTE: Assessor-chefe de Comunicação Social, Procuradoria da República no Rio de Janeiro

Abastecimento de água em São João da Barra. Sob o espectro de uma saída a la Leão da Montanha

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Como criança um dos meus cartoons favoritos era o Leão da Montanha, produzido pela Hanna Barbera, cujo nome em inglês era Snagglepuss. Um dos seus bordões mais característicos era “Pelas Barbas de Netuno!”. Mas o que eu gostava mesmo era quando o Leão da Montanha usava o bordão “Saída pela esquerda”, que também podia ser “pela direita ou pelo centro”, dependendo do tamanho da confusão em que estivesse metido.

Pois bem, esse personagem me veio à mente hoje quando eu soube que, na impossibilidade de se negar que a cunha salina está adentrando a calha principal do Rio Paraíba do Sul, o que em certos dias impede a captação de água que a CEDAE usa para servir a população de São João da Barra, algum descendente de Snagglepuss está querendo sair pela direita, e sugerir que se elevem os índices de salinidade aceitável para a captação de água para fins de consumo humano naquela cidade. Em suma, aumentar a quantidade de sal tolerado na água a ser captada. Pela barbas de Netuno, diria Snagglepuss!

Como o Rio Paraíba do Sul é um rio de âmbito federal, creio que caberá ao Ministério Público Federal de Campos dos Goytacazes acompanhar mais esse caso para impedir que se concretize essa saída leonesca, sem que haja a devida análise técnica sobre os eventuais danos à saúde humana. Afinal, os riscos potenciais para a população de São João da Barra terão de ser devidamente avaliados, antes que qualquer elevação dos teores de sais na água servida como potável seja autorizada.

Aliás,  é preciso dizer que um técnico que eu consultei sobre este assunto me indicou que uma primeira e urgente medida técnica seria a CEDAE tornar as medidas diárias de condutividade elétrica na água captada para ser usada no abastecimento em São João da Barra, já que a oscilação das marés é um fator efetivo na variação das mesmas, especialmente nos meses menos chuvosos.

E lembrando o Leão da Montanha, eu digo “que Netuno nos ajude a segurar essa onda de sal”:

 

RJ: Justiça determina que Petrobrás indenize pescadores por obras na Baía de Guanabara entre 2007 e 2009.

A justiça determinou no processo nº 0005161-16.2011.8.19.0029 que tramita na 1ª Vara Cível de Magé que a PETROBRÁS pague indenização a 96 famílias de pescadores artesanais atingidos pelas obras dos projetos GNL e GLP na Baía de Guanabara em até um salários mínimos mensal durante os 18 meses da obras, corrigido monetariamente e com juros de 1% ao mês a contar da citação, independente da prova da sua culpa. Segundo o juízo nexo causal ficou demonstrado pelo Estudo de Impacto Ambiental.

A Associação Homens do Mar da Baía de Guanabara – AHOMAR propôs o ICP junto ao MPF e acompanha a causa desde entãoA petição inicial do processo narra que o objeto da ACP é garantir o direito dos pescadores artesanais, em face da implementação de um gasoduto afim de que sejam ressarcidos dos prejuízos causados. O ICP que originou a Ação foi instaurado em 27/4/2009 e apurou que a instalação do gasoduto causou a impossibilidade da atividade pesqueira na região estando tudo previsto no RIMA/EIA que instruem a petição inicial.Vamos acompanhar o caso e divulgar em nosso site.

Veja a integra da decisão: Sentença ACP 96 famílias

Fonte Sitio TJ/RJ

MPF: Município de Campos dos Goytacazes é condenado por realização irregular de eventos na orla

 

Shows desrespeitam legislação e causam impacto ambiental em local de desova de tartarugas

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Shows desrespeitam legislação e causam impacto ambiental em local de desova de tartarugas

Após ação do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal condenou o município de Campos dos Goytacazes (RJ) a abster-se de realizar quaisquer tipo de eventos em toda orla do município sem anuência prévia e específica por parte dos órgãos públicos competentes. A ação foi movida pelo MPF após identificar a realização irregular de shows e eventos na praia Farol de São Thomé, desrespeitando a legislação e causando impactos ambientais, uma vez que o local é área de desova de tartarugas marinhas, espécies em extinção e sob proteção do Projeto Tamar.

Na sentença, a Justiça Federal determina que o município só realize eventos culturais, artísticos ou esportivos na orla praiana ou na faixa de areia após a anuência prévia e específica da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), dos órgãos ambientais estadual (Inea) e federais (ICMBio ou Ibama) e com a necessária manifestação prévia do Projeto Tamar. A prefeitura deve também ter as licenças prévias e específicas das Polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. (Processo nº 0003121-80.2008.4.02.5103)

De acordo com a ação do MPF, movida pela procuradora da República Marta Cristina Anciães, o local de realização dos shows pela prefeitura de Campos está situado em praias marítimas, que são bem da União, e em área de preservação permanente, definida pelo Código Florestal e por resolução do Conama.

“A decisão judicial, além de ajudar na preservação da orla marítima, trará mais segurança a população, pois impede que eventos sejam autorizados sem passar por diversos órgãos do Estado. O MPF irá fiscalizar o cumprimento da sentença”, disse o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, atual responsável pelo processo.

Multa por descumprimento

A Justiça Federal confirmou na sentença que o município de Campos deve pagar multa de R$ 100 mil por ter descumprido decisão liminar que havia determinado que a prefeitura não promovesse shows, tampouco permitisse que quaisquer outras pessoas físicas e jurídicas os realizassem em toda a orla da cidade, sem prévia autorização dos órgãos competentes. O prefeito de Campos, à época da decisão liminar, deve também pagar uma multa de R$ 100 mil pelo descumprimento da decisão.

Após a intimação da sentença, a atual prefeita de Campos poderá ser também ser multada em R$ 100 mil caso descumpra a ordem judicial. A multa será devida em dobro no caso de descumprimento mais de uma vez. Todas as multas devem ser pagas após o trânsito em julgado do processo.

FONTE: Assessoria de Comunicação Social da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro